segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

VELAS SOLTAS

 


Deixei o porto 

ainda muito jovem, 

com a morte de meu pai.


Mal sabia navegar...


Aprendi cedo 

enfrentar tempestades, 

sacodem muito.


Soube ver o tempo, 

olhar o céu, 

entender o calor forte...

a chuva que o acompanha,

o tempo vira...


Vi o mar calmo...


Fui moldando a vida 

conforme olhava, 

aprendia.


Numa das paragens, 

conheci uma companheira 

ensinou-me a ponderar decisões, 

e a sorrir...


Entreguei-me 

e amei.


Percebi que o barco 

em alto mar 

é  só um barco, 

em alto mar, 

quando se está só


Deixei filhos 

por onde passei, 

seguiram seus caminhos, 

mais alguns conselhos...

não se diz tudo, 

nem se aprende tudo, 

rica natureza


Enterrei um, 

experimentei o sabor 

do naufrágio.


Em meio a noite, 

boiando entre vagas, 

vi um pequeno barco, 

e seu pescador,

segurando uma lamparina, 

dizendo:


- Lança-te! 


Experimentei Deus no mar...


Sobrevivi em ilhas, 

não completam...


Hoje, 

porto seguro, 

passo o tempo 

carregando e descarregando 

mercadorias. 


Nada é maior ou menor 

no que se faz


É preciso provimento, 

para alcançar 

um novo mundo, 

uma vela aberta 

e sonhos. 


Que um dia 

possa também 

velejar nas nuvens, 

atingir o céu profundo, 

visitar estrelas, 

mais que um ponto a nortear 

este velho pescador

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