sexta-feira, 28 de agosto de 2026

BOM DIA

 


Que alegria acordar com o Sol, 

ver que o dia chegou, 

seu cachorrinho vir lamber-lhe o rosto.


Que alegria o beijo matinal 

da mulher amada, 

palavras carinhosas trocadas.


Como é bom espreguiçar, 

levantar da cama, 

sair.


Abrir a janela, respirar, 

olhar para fora, 

ver o céu...


Viver é bom, belo é o mundo.


Que venha o dia com seus desafios, 

os problemas venceremos, 

as dificuldades superaremos.


A esperança também desperta 

pelas manhãs, 

depois de longas vigílias.


A paz é possivel, 

o amor é intrínseco, 

a luta necessária. 


Caminhemos!

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

CORREDORES

 


Procurei-me por aí,  

pela noite,

chovia muito, 

todos permaneciam 

em suas casas...


Sentia os pingos 

batendo no telhado 

como uma proibição.


- Não saia!


A cama não descansava 

de minhas desistências, 

interpelava noturna, 

sobre os caminhos infinitos.


A sala 

não trocava mais palavras, 

pombal humano

não recebia mais visitas, 

estava só, 

vazia


A cozinha não rompia 

sua trivial receita, 

mesa posta , 

não enchia as narinas 

de temperos, 

apetitosa

abria sorrisos

não alimentava.


As varanda, , 

esquecida, 

sem café,

perdera a observação 

dos jardins, 

gravetos caídos, 

folhas mortas 

sobre a grama alta


Haviam 

grandes corredores, 

aí sim!

imensos corredores...

davam para aposentos 

desabitados,

davam para nada...

corria pelos corredores, 

ia e vinha


Procurei-me 

sem sem saber como, 

abria e fechava portas, 

abria e fechava, 

corredores, 

portas 

eu

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

GRITO E RECITO

 


Gritei tanto!!!


Por todos os cantos gritei,

desde o parto!

Na juventude gritei muito...

gritos de guerra!


Depois descobri o silêncio, 

escrever tornou-se 

meu grito de paz, 

rara paz... 

mais afagos, 

e exemplos silenciosos.  


Atravesso com os olhos 

as estruturas de poder,

contorno da verdade, 

e revolto-me


Ouço latido de cães 

antes que a noite aprofunde...

grito e recito...


O mundo parece indiferente, 

como se não gritasse

FINAL

 


Tenho um tempo certo, 

como o dia, 

desconheço quanto...


Tempo suficiente 

para conectar-me 

às razões do viver, 

e realizar.


Solto, 

consciente

simples, 

aberto a tudo. 


Nada freio, 

nada incomodo, 

nada imolo, 

mas modifico,  

adapto, 

deixo a marca.


Ainda tenho um tempo... quanto? 

Não sei.


Sinto não ter feito o suficiente, 

estar conectado 

como deveria, 

ainda que soubesse 

das razões de viver...

preso inconsciente, 

sábio e fechado...


Mais um tempo, 

desconheço quanto...

MEIO

 

Entreaberto...


Entre sair e entrar 

encontra-se o prazer.


Entre o transgredir e o rezar, 

acha-se o perdão.


Entre apaixonar e perder-se, 

descobre-se o amor...


Entre ser você ou os outros, 

abre-se o entendimento.


Entre cair e levantar 

está a  humanidade.


Entre lutar e fugir, 

surgem as estratégias.


Entre ser justo ou iníquo 

desvenda-se a verdade


Entre quer ser tudo e ser nada, chega-se a consciencia.


Entre agir e meditar, está a verdade


Entre uma coisa e outra, aparecem os caminhos.


Entre apoiar e desanimar. 

vem a compreensão 


Entre escrever ao léu, 

e nada anotar, 

surgem os poetas...

terça-feira, 25 de agosto de 2026

SEM SAÍDA

 


Seguir é tudo que podemos, 

neste mundo corrido.


Não há parar, meditar...


Estamos num processo, 

independente de nós, 

maior... 

ou seguimos nele 

ou desaparecemos.


Amar, 

lutar, 

estudar 

ter uma profissão, 

conhecer lugares novos, 

casar, 

ter filhos, 

tudo está dentro dele, 

envolto neste imenso processo.


Não tem saída, 

não há escapatoria, 

sorrindo ou chorando,  

enriquecendo, 

passando dificuldades, 

ainda assim, 

nele estamos...


Até este poema 

consciente,

de consolo, 

faz parte, 

perde um pouco 

seu ardor, 

e também 

vai seguindo adiante...

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

MUTANTE

  


Talvez esteja melhor 

numa fotografia, 

nunca me vejo 

completamente. 


São os olhos 

educados em disfarces?

ou sou mudancas, 

e em nada me fixo, 

instáveis imagens.


Moldo palavras, 

guardo-as em tumbas, 

reverberam tempos sem fim, 

escapam loucas, 

em vetores ocultos

rejeitadas 

por mim, 

por ti, 

por todos. 


Explodem complexas, 

fora de hora, 

ferem


Quem sabe 

o chapéu,  

o óculos, 

bigode...


Não escondem.


Tudo está em aberto, 

poucos vêem, 

nem eu...

BOM DIA

  Que alegria acordar com o Sol,  ver que o dia chegou,  seu cachorrinho vir lamber-lhe o rosto. Que alegria o beijo matinal  da mulher amad...