terça-feira, 14 de julho de 2026

MAR A DENTRO

 Vim do mar, 

adentrei a praia, 

trouxe um coração partido, 

um de onde partiu, 

outro onde aqui cheguei. 


Nasce e morre, 

morre e nasce, 

traz batimentos 

cada vez 

mais lentos, 

e taquicardias 

fora dos tempos.


Amplio o mundo 

num coração 

que mora 

de onde  parte, 

antigo e profundo,

para outro lugar,

num afagar 

ancião

SINAL DOS TEMPOS

 

Estão chegando...

os sinais estão 

cada vez mais fortes.


Não aparecem

de forma explícita, 

não vêm de uma vez.


Apresentam-se 

como defensores 

da paz e da Justiça, 

mas são sedentos de sangue


Iludem as pessoas, 

criam histórias falsas, 

até fazer confusão 

entre verdade e mentira

geram divisões.


A um certo ponto, 

atingem as nações 

com ódio crescente 

de uns contra os outros.


Estão preparando 

uma guerra 

devastadora  

em todos os lugares; 

por enquanto 

parecem corteses.



segunda-feira, 13 de julho de 2026

VERSOS LIVRES

 


Tenho os pés no chão, 

atam-me ao mundo, 

vão do tempo que respiro, 

espaço distendido que abro. 


Sento-me na cama... 

não sei se levanto, 

não quero, 

se deito, 

repouso impossível. 


Sou poeta da vida, 

bandeira hasteada, 

a meio pau, 

a história é quem diz...

alço letras claras, 

rimas raras, 

música sempre...


Monologo pelas noites 

as falências...

reentrâncias...

extraio delas 

o líquen das palavras, 

coladas à boca, 

extensão do corpo.


Esvoaçam indecisas 

na calma noite, 

voam por aí, 

perdidas...

buscam olhares 

maturados,

tesouros 

esquecidos 

de cada um, 

raramente 

descobertos,

escavam, 

se tanto...


A seca 

grassa 

no cimento 

duro, 

poucos sentam-se 

nos bancos 

dos parques

desviam-se

da linha 

de produção. 


Consideram 

a impropriedade,

do verso versus o mundo.


Pinço palavras mágicas, 

ondas sobre as rochas

afã inglório

das baixas marés, 

leituras adormecidas, 

tardias...

domingo, 12 de julho de 2026

PULANDO CORDA



Não me nego, 

mas também 

não me acerto...


Abro espaços 

porque me apertam.


Sou que sou, 

e daí?

deixo seguir 

essa estrada torta, 

vai dar aonde?


Fujo do espelho, 

não me aceito o mesmo, 

não me digam como sou, 

nem falem nada, 

quando passo.


Estou cansado 

das repetidas rimas, 

vou respirar o tempo 

perder-me novamente

ASPERGINDO

 


Estou rompendo...

optei 

por todos 

estranhamentos...

cruzei 

os dedos...

estou parindo 

meu póstumo 

inimigo.


As fontes 

do mar 

são fozes 

que trazem 

o cheiro 

das matas 

a peixes 

cheios 

de si, 

de lume, 

de frio


O mundo 

não se acaba, 

desaba 

por cima 

de tudo, 

nem coito 

cuida 

de mim, 

arfago

vago...


Perco o ar 

das manhãs 

estéreis, 

absorvendo 

frescores 

nos telhados 

do meu peito 

vazio.


Observo...

sábado, 11 de julho de 2026

PEQUENO PRISIONEIRO

 


Esqueci-me 

no passado, 

distraído 

vizinho

no caminho 

da escola, 

prisão 

das ruas.


Lá atrás 

matei-me 

ao escolher

a caixa 

de sapatos, 

descalço 

que era...


Produzia 

ventos, 

escorregava 

nas enchentes, 

minha mãe 

observava 

calada

na ladeira

sábia 

sabiá.


Meu pai 

viajara 

para sempre, 

sentado 

num burrinho 

tosco, 

nunca mais 

voltou, 

procurei outro...


Meu presente 

inexiste, 

guardo-o 

no quarto, 

de vez em quando 

ele sai, 

em sonhos, 

espanta-se 

com o mundo, 

medonho.


Fecho 

as janelas 

dão 

para nada, 

consciente 

das paredes.


Fique 

como quiser, 

encontre-me 

quando puder, 

no passado...

sexta-feira, 10 de julho de 2026

PALAVRAS QUE SE SEGUEM

 


Palavras que se seguem...

buscas autônomas, 

não encontram limites, 

esperam a noite alta, 

derramam 

                  confissões 

                                        solitárias.


Indagam o inusitado 

descalças, 

distraída 

transcendência...

escutam 

outras dimensões 

Céus profundos, 

linguagens

desconhecidas, 

afloram vulcânicas, 

então dormem...


Inquietas 

palavras 

seguem, 

ressignificando 

a ordem  

filosofia do amar, 

transformam...


Mantenho-as, 

inauditas,

em incipiente controle, 

até o dia invadir-me 

com sua frieza costumeira.


Aguardam um anúncio, 

dispensar tudo, 

ultrapassar 

limites, 

impotentes, 

portas entreabertas,

aprendendo...


Ainda ecoam 

na mordaça 

do alvorecer...


Por fim, 

desaparecem, 

transformam-se 

em ação

MAR A DENTRO

 Vim do mar,  adentrei a praia,  trouxe um coração partido,  um de onde partiu,  outro onde aqui cheguei.  Nasce e morre,  morre e nasce,  t...