sábado, 12 de setembro de 2026

AO RELENTO...

 


Estirei-me nos varais, 

preso a grampos 

em manhã de Sol, 

quando a umidade 

confisca vestes.


Balancei ao vento 

meus alentos, 

atentos, 

cinzentos.


Disfarcei-me 

em cores, 

ocultei 

pudores, 

odores...


Perguntava 

quando 

encerrava

o desterro 

para gavetas 

de espera.


Reuso 

de gostos 

e momentos, 

caminhos, 

segmentos, 

expressos 

sentimentos 

confusos,

opostos...


Queria ser o vento, 

invisível,  

sem direção...

MAR REVOLTO

 

Assisti o tempo passar 

diante de mim


Era como um naufrágio...

debatia-me 

junto a escombros 

que flutuavam.


Enumerava cada um 

dos que via, 

suas histórias 

encerravam

repentinas, 

e só...

as ausencias 

eram absorvidas 

pelo tempo


Conhecia-lhes 

os nomes, 

parentesco, 

os de muito 

e pouco convívio.


Vi como tudo é rápido, 

mal sobram 

oportunidades 

para fazer algo,

a fragilidade 

transitória 

da vida...

hoje aqui, 

amanha lá.


Registro um protesto solene 

de desejar mais, 

estender o percurso

diante de um mundo 

confuso e opressor.


Porque as correntes contrárias 

reduzem muito 

as possibilidades de êxito, 

deve-se ter astúcia 

em mar revolto.


Deixo como legado 

guardar energias 

para as horas certas, 

quando o mal adormece, 

não nos precipitarmos.


Tudo pode acontecer, 

inclusive, dar certo.


Sobra a alegria fraterna, 

compreender os momentos, 

tudo muito rápido e fugidio, 

independente 

dos grandes desperdicios 

que nos permitimos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

TARDE

 


As tardes atraem o passado, 

deixam sabores partilhados, 

onde ainda sinto fragmentos...


Não sei de meu tempo, 

sei de elos rompidos, 

e uma sequência opaca, 

nem ofusca 

nem apazigua. 


As tardes calam-me, 

feito um retrato, 

substrato, 

inodoro. 


Que caia logo a noite 

para que me esqueça

até que amanheça, 

duro e distante é tudo 

invadido por solidões. 


Tusso o tempo sobre a mesa, 

debaixo de lâmpada acesa, 

perguntando por mim, 

como será o fim...

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

SER BOM

 Tenho uma dívida... a de ser bom. Não fui bom o suficiente...Não me alegrei o suficiente, nem alegrei as pessoas como deveria.

Não trouxe esperanças como podia, e deixei a realidade, por vezes, ocupar minhas opiniões.

Fui insensível e exterior ao sofrimento de muitos por anos, os projetos pessoais ocuparam o espaço. 

No sofrimento, vi como é fácil ser esquecido. Nestas ocasiões cresceu em mim a consciência. 

Com a consciência orientei-me e alcancei visão. 

Pude observar as causas dos muitos problemas, e as formas de resolvê-los. 

Vi que existem pequenos problemas, e outros grandes,  muito grandes, que exigem muitas pessoas dispostas a resolvê-los.

Percebi, que ainda assim ali não conseguia ser bom, precisava mais. 

Lembrei-me de minha mãe,  da catequese, a primeira comunhão.  Voltei à Igreja. Não foi em toda ela, mas abriram-se novos Horizontes em mim, de bondade e compreensão,  fraternidade e sentido na vida.

Esta caminhada continua, nem tudo está resolvido, mas vamos em frente.

MURALHAS

  


Derrubar muros 

tem sido uma constante.


Vejo bem sua construção, 

altura...

às vezes, 

verdadeiras fortalezas, 

aparentemente inexpugnáveis, 

outras vezes, 

são papeis, 

vivem dentro de mim..


Possuo também uma muralha 

precisando ser derrubada, 

para atravessar-me.


Tenho muitos aposentos 

onde perder-me, 

às vezes, 

conscientemente, 

outras vezes, 

perdido completamente.


Encontro-me entre muros, 

perdido de mim.


Encontro-me perdido...

Perco-me encontrando...

terça-feira, 8 de setembro de 2026

UM POR TODOS E SEIS POR UM!

 


Viver é um mistério...


Fui colocado na Historia 

antes de compreender-me...

rompo  constantes profundezas,

busco luz

espaço.


Falo e emudeço 

a hora tem hora, 

o lugar seu lugar...


Cedo deixei minha mãe 

Cedo me fiz lutador 


Descobri que a verdade 

traz junto a coragem, 

tornam-se amigas confidentes...


Vi como os poderosos 

manipulam as pessoas, 

dominam sobre elas, 

as exploram.


O que sou,

o que faço, 

traz as marcas 

de incontáveis geracões 

desconhecidas.


Não foi tudo conquistado agora!

Não foi em vão!


Sou uma continuidade...

recolho a honra 

de muitas lutas travadas, 

várias perdidas, 

outras, 

duramente conquistadas.


Tenho o desafio de manter...

mais,  

aprofundar!


Uso deste corpo 

como instrumento de muitos.


Que venham os poderosos!


Estou preparado!

NOITE INTERMINÁVEL

 


Noite interminável...

deixei os sonhos para trás, 

acrescentaram, 

e ainda há escuridão.


Preparo mudas de laranjeira, 

ainda frágeis 

em pequenos vasos, 

serão viçosas um dia.


Estão ao relento do tempo, 

vulneráveis, 

porque longa é a noite.


Pequenas providências distraem 

as grandes distâncias, 

inalcansáveis, 

conformando-se às rotinas, 

porque alta é noite. 


Ouço latidos de cães longe...


Nem seus donos acreditam 

em seus alertas,

solitários...

esperando por alguém 

semidesperto, 

sair de sua letargia 

verificar a casa, 

se está protegida.


Rego e roço 

diariamente o jardim, 

observando detalhes das plantas, 

o mistério de suas vidas, 

capacidade de atração, 

estáticas, 

viajam longe...


Lembro das grandes 

e pequenas lutas, 

interligadas...

de nada valem, 

se não as faço hoje;

tiveram seu ritual, 

agora enterradas 

na História militante.


Ai... noite que não se acaba,

deixa rastros de esperança e luta 

num mundo inóspito. 


Oração e ódio, 

como combinam?

Presentes na noite escura, 

que espírito aí habita?


Remissão é o que precisam!


Adequar a fé à realidade.


Não acontece...


Noite de desinformação, 

descredibilizada...

interesses ocultos, 

explodindo por todo canto, 

atingindo os pequenos, 

inocentes alienados...


Corrompem 

enquanto 

denunciam 

a corrupção, 

existe mal maior?


O povo 

será 

sempre 

povo, 

esperando 

o dia 

da libertação 

chegar, 

mas não chega...


Um mundo novo irá surgir um dia!


Um homem novo 

uma mulher nova! 


Livres!


Habitarão enfim um dia... 

mas quando(?) 

a noite é longa...

AO RELENTO...

  Estirei-me nos varais,  preso a grampos  em manhã de Sol,  quando a umidade  confisca vestes. Balancei ao vento  meus alentos,  atentos,  ...