quarta-feira, 22 de abril de 2026

ENTRE PEDRAS E FLORES

 Ando cuidadosamente 

entre as pedras e as flores, 

mesclando guerras e amores, 

neste tempo sem fim.


Vou como quem 

desconhece as pisadas,  

ora acalma,

ora enraivece, 

não sabe 

a fragilidades das flores, 

nem a dureza das pedradas


Vai calcando sem dó, 

numa e noutra, 

distraída caminhada louca, 

na estrada perdida no pó.


Sente o perfume 

engasga na poeira, 

vive objetivos distantes 

encravados na soleira.


Vai entre Trancos e barrancos, 

esta variação da vida

dividida, 

dura e amorosa, 

sempre partida e amorosa

sempre partida e rancorosa

HIATO INTERIOR

 

Aprendi a ver 

no silêncio 

um companheiro.


Foi mostrando, 

no tempo, 

quão superficiais 

são as palavras, 

os gestos, 

as relações 

até os humores.


Foi despindo, 

um a um, 

o valores 

que sustentava, 

desnecessários 


Tudo foi perdendo o sentido.


Quando finalmente 

tive o silêncio 

por companheiro, 

distraí-me comigo,

redescobri-me 

sem declarações, 

não precisava.


Viajei por mares distantes 

desertos ensolarados, 

conheci os meio tons 

onde os conselhos 

viajam distante ...


Falam rapidamente...

pesco-os antes 

do nascer do Sol, 

trazem muita sabedoria


Tudo foi descobertas...


Vi a futilidade gigantesca 

de que é feita a vida, 

depositando 

em coisas pequenas, 

ainda que necessárias,

a grandeza de ser, 

como são aferrados 

aos bens, 

esbanjam prazeres 


Aprendi a me ver só, 

comigo mesmo, 

investigando-me...


Ali encontrei Deus, 

sem o trono 

em que o colocam, 

mas como um amigo 

que me ajuda a pensar, 

chegar perto da verdade


Neste fim 

brotaram soluções, 

para os problemas 

infindáveis 

que os humanos criam,

e uma nova forma de amar 

mansa e silenciosa...

domingo, 19 de abril de 2026

DOMINGAR

 


Ai, 

meu domingo 

é um não fazer nada 

e coisa alguma.


Um silêncio 

de uma espera 

de sei lá o quê(?)...

sem perguntas, 

nem respostas


Um café 

que se estende 

pela manhã, 

uma cama 

sempre pronta 

pra deitar, 

uma notícia fresca

para se meditar 

longamente, 

sem fim


O dia demorado, 

despejado da semana, 

encontros triviais

despedido do trabalho, 

do sexo aflito, 

paz não negociada,

absolvido e reencontrado.


Domingo 

do velho 

e carcomido 

marasmo, 

ausência plena 

do entusiasmo, 

ausente imanente,

zelador do jardim


Domingo 

da sempre presente 

preguiça perdoada...

sexta-feira, 17 de abril de 2026

ÁRDUO CAMINHO

 


A hora está próxima, 

os sinais...

cada vez mais claros.


Não há mais tempo 

suficiente, 

o mundo está à deriva, 

não há mais como 

impedir o que virá 


As crianças, 

a juventude, 

nossos filhos e filhas

nossas netas e netos

herdarão o fim, 

a destruição. 


Fizemos tanto, 

e vemos escapar 

os sonhos 

de nossa geracão.


Foi como se tivesse 

sido pouco,

interrompemos 

o processo,

pensávamos ser

suficiente. 


Quisemos aproveitar 

a paz, 

a convivência...

fez falta 

por muito tempo

 

Agora, 

tarde, 

sobram as trincheiras l

onde a verdade 

ainda é guardada 

longe da populacão


Vida e morte 

continuam juntas, 

dependentes 

uma da outra.


Morte e vida 

respondem 

com o sangue, 

com a carne...

ainda crêem, 

apesar de tudo.


Árduo o caminho 

deste tempo, 

de esforços 

insuficientes, 

multidões 

ausentes...


Árduo tempo

de lutas permanentes.

terça-feira, 14 de abril de 2026

DOMINGAR

 

João Paulo Naves Fernandes
Domingo é dia
da institucionalização
da preguiça,
tão perseguida
pelo capital.

Dia de
não se fazer nada,
não desejar nada;
se for o caso
passear
por passear,
sem recitar.

Os poemas dormem
nos domingos,
porque os leitores,
que se cansam fácil;
neste dia então,
nada leem.

Ah...não ter
de escrever,
de declamar,
rimar.

Há um tédio
neste nada.

Do que será?

O que se produz
tem um limite,
e este limite
termina no nada,
e o nada,
o limite do nada,
é um tédio
da inutilidade de tudo,
descoberta
inconsciente
profunda.

Ah domingo
das velhas cavernas
ancestrais,
que evocam
longas contemplações
do por do Sol,
das estrelas noturnas.

Descanso na realidade
do vazio de mim.

VARAIS

 

João Paulo Naves Fernandes
Coloco minhas roupas
para secar no varal,
ao lado da jaboticabeira,
o sabiá alegra-me com o dia.

Aproveito que o Sol
me invada também,
secando a sujeira
que ficou de ontem.

Prendo com grampos
meu eu seco,
na roupa úmida,
certo que os ventos
sacudam a rabugice
para longe

Estico na roupa a ser presa,
essa língua tagarela,
para que possa calar-se,
deixando os demônios
enjaulados

No primeiro varal
ficam as mãos erguidas
com roupas
tiradas dos ombros,
pesam,
clamando um despertar
diante de tantas situações,
eu tão omisso...

No último 
ficam as peças
menos usadas,
secam na sombra,
demoradamente,
estão cansadas
do uso contínuo,
torcem por novidades.

Dependuro a esperança
no calor do dia,
com a certeza
de recolhê-la à tarde,
guardá-la para o amanhã
nem tudo é para hoje,
estarão preparadas.

Meus varais estão
sempre à espera,
aproveitam a luz,
o calor,
os ventos
prendem a ordem
seguram a vida
que balança...

EXPLOSÃO

 

João Paulo Naves Fernandes
Vou explodir!!!

Será que você será atingido?

Cairei a qualquer momento
em algum lugar...

Você nunca saberá...

Minha explosão
é de amor...
é revolução...

Vou destroçar
tua frieza
tua ausência
de tudo.

Vou deixar pedaços
teus em rosas
suspensas em espinhos,
protegidas dos vasos.

Explodirei em você
nas noites quentes
de verão,
quando as ruas chamam
as janelas abertas

ENTRE PEDRAS E FLORES

 Ando cuidadosamente  entre as pedras e as flores,  mesclando guerras e amores,  neste tempo sem fim. Vou como quem  desconhece as pisadas, ...