quinta-feira, 9 de abril de 2026

TEMPESTADES NO HORIZONTE

 


Estamos cada vez mais próximos dos campos de batalha.

Os girassois estão sendo arrancados, para construírem trincheiras.

Abriram mão das palavras, e seguem como se fossem zumbis.

Esqueceram o calor do afeto materno, do colo paterno, lá do início de suas vidas, de que foram criancas e brincaram, e que o mundo era o jogo de domingo.

Instigação a desconfiança e a mentira, a ponto de perder o equilíbrio nas análises e colocar o ódio em primeiro lugar.

Estamos perdendo esta batalha a qual querem nos jogar para morrer.

É preciso acender, novamente, a esperança num mundo melhor e para todos, acreditarmos nas utopias, e alegrar-nos desde já.

O amor fraterno é o antídoto para os que defenden  ordens unidas e flexões.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

ENFIM

 


Não sei o que é terminar...

Talvez nunca saiba, 

nunca termine...

percorrer constante,

plenitude inconstante.


Meio sorriso, 

meio choro, 

meias conquistas, 

meios fracassos,

objetivos sempre intermediários...

um horizonte à perder de vista.


Sou uma tênue linha 

que se basta em caminhar, 

com ansiedade 

permanentemente 

suspensa.


durmo desperto

acordo sonolento, 

assédios opostos, 

conflitos compostos...

mal faço o bem, 

bem faço o mal, 

nada completo, 

nada encerrado.


Quem sabe um beijo 

retido nos sonhos, 

quem sabe um abraço 

esquecido na frieza, 

tragam um fim imediato, 

e possa dizer enfim de algo:

Terminei !

Sinto-me realizado.


O hoje...sim o hoje

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O LADO OCULTO DA LUA


O lado escondido da Lua 

guarda nossos segredos 

mais íntimos, 

impublicáveis.


Vive em nossos olhos... 

vasculha 

além valores,

odores 

faros ancestrais 

scio da Humanidade,  

quando a natureza 

prevalece na vontade. 


Lado oculto 

das taras insepultas, 

guardadas a sete chaves, 

nunca deixa de ser reto, 

ser descoberto.


Lado amante, 

fluente, 

erótico, 

ternamente 

carente


Lado libido, 

inibido, 

mórbido, 

transgressor, 

possessivo...


Lado verdadeiro, 

inteiro, 

incontido, 

mudas declarações,

silencioso pecador noturno. 


Meu lado oculto da Lua 

sonha eclipses, 

transborda para fora


Ah...perigoso lado oculto, 

embriaga, 

perde-se e encontra-se 

entre meus passos, 

meus olhares

domingo, 5 de abril de 2026

QUANDO MORRE UMA POETA

 

(em memória de Thereza Rocque da Motta )


Quando um poeta morre, 

um encantamento 

nas palavras 

desaparece, 

e uma realidade dura 

vem à tona.


Quando morre uma poeta, 

morre também 

a esperança na paz, 

diante de todas as guerras, 

os corações sofrem desolados.


Ai, quando vem a notícia 

de que um poeta 

já não está mais conosco...

sem o sereno consolo 

dos versos.


Tão difícil viver 

sem sua mansidão 

diante das investidas 

do desamor, 

eterna dor.


Como viver 

sua ausência poética, 

ambientes de violência, 

tiranias, 

torturas, 

segura as agruras


Quando uma poeta 

se despede,  

é como Jesus  

entre morte 

e ressurreição, 

perde-se o norte, 

a canção,

não sabemos 

como se foi, 

não sabemos 

como ficamos.


Permanece 

a ausência 

a solidão, 

ecoam palavras 

esquecidas 

não ditas, 

angústia dos que ficam.


Quando se vai 

a paz de uma poetisa 

ficamos sempre órfãos...

sexta-feira, 3 de abril de 2026

IMPUBLICÁVEL

 


Não! Não me gabo do quarto...


Ele tem meus segredos 

mais infames, 

impublicáveis.


Nele torno-me 

o mais profano usurpador 

das minhas quimeras,

escavo meus limites 

compartilhados.


Nestes momentos despeço 

o anjo e o arcanjo, 

as ordens e as bandeiras, 

e sem eiras nem beiras, 

solto minhas enzinas 

mais primitivas.


Os limites desaparecem 

diante da liberdade do amor


Ah meu quarto impenetrável..

quinta-feira, 2 de abril de 2026

VERSOS DE ESPERA

 


Tanto amor guardado...

amor por dar..

ultrapassa você, 

o nós, 

segue agregando 

mais e mais, 

sem cessar.


Tanto amor reduz declarações...

torna-as obsoletas 

diante do mundo 

que cobra as pobres indiferenças 

deixadas no extenso caminho.


Venha sempre, amiga! 

A porta das novidades 

deixarei aberta, 

quem sabe traga 

seu olhar amplo 

para este pequeno 

esquecido seu...

sábado, 28 de março de 2026

A JANELA DO FINAL DA RUA

 


Havia uma janela na casa do final da rua onde eu vivia

Nela morava um velho...

Pela manhã ficava aberta..

Quem passava podia ver um grande espelho na lateral de um quarto, um quadro ao fundo, mais uma fotografia em moldura repleta de rococós...

Raramente aparecia alguém na janela. 

As pessoas sabiam que ali vivia um senhor de mais de 90 anos, e só. 

Quanto tempo a vida deve durar, mantendo qualidade, ou seja, ter mobilidade, estar com saúde, poder conversar...

Não tenho a resposta, mas, de certo, há de haver alegria e disposição,  ainda que a chama vá diminuindo.

Guardo na memória as poucas vezes que o velho ancião saiu à janela.

Até onde iam seus olhos?

Não sei de suas reflexões...imagino que as recordações assaltassem nestes momentos. 

Em certa ocasião, ao cair da tarde, passando por aquela casa, encontrei o velho recostado na beirada da janela...

Dei-lhe um tchau...

Ele retribui alegremente.

Já nem sei mais quem se alegrou, se ele ou eu, por ver sempre a janela sem ninguém.

Porque não vivo só. A solidão é algo que o tempo vai nos ensinando, até aprendermos a conviver com ela, principalmente na velhice

TEMPESTADES NO HORIZONTE

  Estamos cada vez mais próximos dos campos de batalha. Os girassois estão sendo arrancados, para construírem trincheiras. Abriram mão das p...