Ser pequeno,
impulso sereno,
após derramadas
lágrimas orgulhosas.
Quantos voos vãos
consciência
de desilusão,
escapam
entre as mãos...
Sigo
um aprendiz,
de derrota
em derrota,
do que fiz;
e não fiz,
em silêncio
como abrigo
o cotidiano contado e meditado
Ser pequeno,
impulso sereno,
após derramadas
lágrimas orgulhosas.
Quantos voos vãos
consciência
de desilusão,
escapam
entre as mãos...
Sigo
um aprendiz,
de derrota
em derrota,
do que fiz;
e não fiz,
em silêncio
como abrigo
O fim não conheço,
o início não lembro,
agora está passando...
não sei como vim,
não estou certo
de onde estarei...
como estou
é consequência,
um tudo
sem começo
nem fim.
Etéreo caminhante,
letras soltas
em forma
de encontro.
Fluido tempo
escasso
espaço
O que faço
aonde,
neste agora?
Em calabar teu nome tantas vezes,
denunciei aos portos teu ofício.
Que não permitam mais o contrabando
da muamba invisível,
o difícil
descaminho dos sons.
Esse ritmo cravado na memória.
Da muamba invisível, esse ritmo
cravado na memória
(dez sílabas, seis sílabas,
não sei
quem plantou as provas na bagagem).
Não compreendo que exponham nas vítrines
as sedas, porcelanas, os temperos,
especiarias exóticas, as quebras
de ritmo e contratos
contrabandeados.
Calabar
é verbo e metonímia.
Adelante!
Denuncio à autoridade aduaneira
os planos e as mudanças
de quem mudou de lado tantas vezes.
No pasarán!
No pasarán pelo fio da navalha
da alfândega.
Fiscais aduaneiros,
revistai também os bolsos de quem chega
carregando perfis e avatares.
Carregando perfumes e lembranças.
Transportando perfumes e lembranças,
especiarias exóticas, essência
de sábados.
A lágrima suspensa
entre a saudade
e a tristeza,
impregnada ao rosto,
fugira do controle,
das prisões...
A alegria ocultara-se
definitivamente...
alojara-se na gratuidade
desprovida de sentido
De resto eram beijos
fechando os espaços,
abraços nos quartos,
murmúrios soando
confissões...
Era tarde,
estava envolto
na trama algorítmica,
gaiola do pensamento.
Hoje sigo à risca
o estrito recitar,
observando
se captam
o código
da vida,
escondido
entre as palavras
Ai que eu pego meu caminho uma hora destas e deito a falar dos sonhos que estão aprisionados no Xeol, em ossos...
Ai que em algum momento há de se despertar diante desta imensa sonolência que se abateu sobre os quatro cantos do jardim da criação, não descansa de dormir...
Ai dos iletrados, que secam as vistas em sacrifício de suas farsas bem montadas, verdadeiros becos de cânticos impostados...
Ai do Sol e da Lua se não produzem mais o trabalho e o amor, como ficam os órfãos das matriarcas ao redor destes mantras fabricados.
Ai de mim, de ti, de nós, correndo de um lado ao outro, neste vasto não, porque não, não pode...
Ai das flores sem aromas, dos manjares mitológicos, desnudados, perseguindo ninfas esquecidas?
Há de raiar uma hora este espaço de letras fundidas à vida, tão desejados anseios, materializados...
Há de se conquistar as quentes veias que pulsam o ardor dos prazeres embebidos na verdade, ovelhas das montanhas íngremes...
Ponho tudo nas Palmas das mãos...está nítido...
Era noite e um grande pátio cobria toda a realidade, ligava cômodos de lares inexistentes e poderes ocultos, sem portas...quando via, já estava nos ambientes
Estava só, como um protetor incapaz, um libertador a ser tentado.
Toda sorte de oportunidades me era apresentado. Olhava aquela vastidão, vazia de gente, e me dava conta da solidão que me encontrava, junto a imensa responsabilidade coiocada.
Não haviam poderes presentes que pudessem determinar o que se podia ou não fazer...
Várias camas, encostadas lado a lado, davam a dimensão de um convite promiscuo que não acontecia... vulneráveis inconsistências.
A igreja fazia parte das sombras, não era vista, implícita...
Não amanhecia...
Tinha a responsabilidade de proteger ninfas virgens, e sofria, fraco, por responsabilidade tão elevada, hercúlea, vulnerável fauno, travestido de eunuco.
Tinha nas mãos a flauta dos convites perdidos no tempo...e uma mescla de carícias protetoras transgredindo.
Sentia-me a incapaz de mim, fortaleza sem defesas.
Segurava-me como podia...toda a formação e experiência eram testadas naquele instante.
Quem sabe estivesse preso... mas não, tinha toda a liberdade a meu dispor
Frades andavam, sós, sem ação, com suas batinas cinzas, escondendo os rostos, para lá e para cá, para lá e para cá...
Não se ouviam tiros, não haviam perseguições, apenas eu vulnerável, podendo tudo, e sofrendo pelo que é justo..
O sonho continuou em mim já desperto, com desejos contidos, sublimados, como se fizessem parte da realidade. Meu amor dorme ao lado, e o cão aos pés...
Conheci esta noite meu verdadeiro tamanho, minha imensa fragilidade.
Entendi porque buscar a Deus...
Como gostaria
de reunir o tempo,
passado e futuro
num presente,
trazer meus pais,
irmãos,
parentes,
amigos
num encontro
possível
Não posso...
Então lanço-me
em lembranças
ainda criança
com meus pais,
em seus colos
em casa,
numa ingênua
convivência
desconhecedora
das perdas.
Como doem
as ausências...
insubstituíveis,
incapacitantes
sofro
impossibilidades,
incapacidades,
insuficiências,
poder que não tenho,
deus que não sou...
À noite,
só,
vêm
à mente
nomes,
situações,
acontecimentos...
ausências
preenchem
o vazio
que adentra.
Estou só,
patriarca solitário
em um mundo hostil
Ser pequeno, impulso sereno, após derramadas lágrimas orgulhosas. Quantos voos vãos consciência de desilusão, escapam entre as mãos....