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PÓ DAS ESTRADAS
o cotidiano contado e meditado
sábado, 7 de novembro de 2026
Assim sigo
Minha realidade sonha...
Meus sonhos acontecem
Minha esperança se avista
Minha fé me cega.
Meus pés pensam
Meus olhos caminham
Meus pés fincam o chão
As mãos apoiam-se em outras mãos.
Observo o muro
sua altura
a perder de vista.
Ouço murmúrios...
Assim sigo
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
DESCE UMA NEBLINA
Desce uma neblina
no recanto do tempo.
Deixa um incômodo combinar,
de nada ver concluído
durante o caminhar.
A vida sempre por ser feita...
Acompanha-me um desconhecimento
desde os primórdios,
atestando limites e mistérios.
Despeço-me diariamente inconcluso
Sigo observando
a altura destes muros,
imaginando o outro lado...
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
FUI
Estou saturado de tudo!
Preciso separar-me
por um tempo
para me reencontrar noutro.
Não me aguento no formato atual.
Não gosto do que faço,
do que escrevo....
Preciso de mim
num outro eu.
Se perguntarem por mim,
digam que fiquei louco,
não sei o que faço.
Se fizerem alguma piada,
tanto melhor,
alegrei alguns.
Fui...
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
O PÓ É NOSSA ESSÊNCIA
Do pó viemos, ao pó voltaremos.
O mais são vaidades e orgulho.
Melhor seguirmos a justiça, baseada no amor.
Voltarmos o coração aos mais frágeis e não nos intimidados com os poderosos.
O fascismo cresceu no mundo obrigando que sejamos mais assertivos em nossas convicções.
Não podemos aceitar um mundo de ódio, precisamos forçar o diálogo, colocarmos o amor fraterno como valor maior.
Este o meu desejo que deixo expresso a quem visita o Pó das Estradas...
terça-feira, 3 de novembro de 2026
ENTREMEADO
Não sou eu,
nem sei quem sou,
sei que é vida percorrida,
nela você.
Faça-me
então
em ti,
para que
me saiba,
percorra
em ti,
me torne
este nós,
este nó...
Descubra-me em ti,
perca-te em mim,
caminho entremeado,
um dois
um um,
dois dois
NECESSIDADE BÁSICA
Preciso um pouco de mansidão,
de seu acolhimento...
Preciso que abras a guarda,
me guarde,
por algum tempo.
Ando sofrendo
perseguições incontáveis,
por dizer o que sinto,
o que brota de dentro de mim,
de meu coração.
Há ainda espaço para ser simples e natural?
Não tenho outra forma definida..
Sou o que sou.
Não dou explicações,
digo o que vem,
como vem.
Não me perco
em desculpas
em escolhas
de palavras...
Meu regato é manso,
não fere...
BARREIRAS
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