quarta-feira, 26 de agosto de 2026

GRITO E RECITO

 


Gritei tanto!!!


Por todos os cantos gritei,

desde o parto!

Na juventude gritei muito...

gritos de guerra!


Depois descobri o silêncio, 

escrever tornou-se 

meu grito de paz, 

rara paz... 

mais afagos, 

e exemplos silenciosos.


Ouço o latido dos cães 

antes que a noite aprofunde,

grito e recito...


O mundo parece indiferente...

FINAL

 


Tenho um tempo certo, 

como o dia, 

desconheço quanto...


Tempo suficiente 

para conectar-me 

às razões do viver, 

e realizar.


Solto, 

consciente

simples, 

aberto a tudo. 


Nada freio, 

nada incomodo, 

nada imolo, 

mas modifico,  

adapto, 

deixo a marca.


Ainda tenho um tempo... quanto? 

Não sei.


Sinto não ter feito o suficiente, 

estar conectado 

como deveria, 

ainda que soubesse 

das razões de viver...

preso inconsciente, 

sábio e fechado...


Mais um tempo, 

desconheço quanto...

MEIO

 

Entreaberto...


Entre sair e entrar 

encontra-se o prazer.


Entre o transgredir e o rezar, 

acha-se o perdão.


Entre apaixonar e perder-se, 

descobre-se o amor...


Entre ser você ou os outros, 

abre-se o entendimento.


Entre cair e levantar 

está a  humanidade.


Entre lutar e fugir, 

surgem as estratégias.


Entre ser justo ou iníquo 

desvenda-se a verdade


Entre quer ser tudo e ser nada, chega-se a consciencia.


Entre agir e meditar, está a verdade


Entre uma coisa e outra, aparecem os caminhos.


Entre apoiar e desanimar. 

vem a compreensão 


Entre escrever ao léu, 

e nada anotar, 

surgem os poetas...

terça-feira, 25 de agosto de 2026

SEM SAÍDA

 


Seguir é tudo que podemos, 

neste mundo corrido.


Não há parar, meditar...


Estamos num processo, 

independente de nós, 

maior... 

ou seguimos nele 

ou desaparecemos.


Amar, 

lutar, 

estudar 

ter uma profissão, 

conhecer lugares novos, 

casar, 

ter filhos, 

tudo está dentro dele, 

envolto neste imenso processo.


Não tem saída, 

não há escapatoria, 

sorrindo ou chorando,  

enriquecendo, 

passando dificuldades, 

ainda assim, 

nele estamos...


Até este poema 

consciente,

de consolo, 

faz parte, 

perde um pouco 

seu ardor, 

e também 

vai seguindo adiante...

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

MUTANTE

  


Talvez esteja melhor 

numa fotografia, 

nunca me vejo 

completamente. 


São os olhos 

educados em disfarces?

ou sou mudancas, 

e em nada me fixo, 

instáveis imagens.


Moldo palavras, 

guardo-as em tumbas, 

reverberam tempos sem fim, 

escapam loucas, 

em vetores ocultos

rejeitadas 

por mim, 

por ti, 

por todos. 


Explodem complexas, 

fora de hora, 

ferem


Quem sabe 

o chapéu,  

o óculos, 

bigode...


Não escondem.


Tudo está em aberto, 

poucos vêem, 

nem eu...

VAZANDO

 


Não tenho palavras 

para dizer 

o que se passa 

em mim, 

ao meu redor.


Nem mesmo sei 

o que sinto, 

contar será falso, 

cadafalso

minto...


Passo disfarçado, 

como se não existisse, 

e conto nos dedos 

os minutos 

até que o dia acabe.


Nublado e cinza 

percorrem juntos 

este enlace 

de nada 

e coisa alguma.


Não se encerra 

nesta terra 

o fim, 

perene torpor 

em mim

DESAPEGO


Não sei, 

estou na minha, 

vou como posso.


Não me importo, 

mal me suporto, 

desapego de mim.


No jardim 

entendo 

a terra 

que serei


Cuido 

das plantas


e fim

GRITO E RECITO

  Gritei tanto!!! Por todos os cantos gritei, desde o parto! Na juventude gritei muito... gritos de guerra! Depois descobri o silêncio,  esc...