Tenho os pés no chão,
atam-me ao mundo,
vão do tempo que respiro,
espaço distendido que abro.
Sento-me na cama...
não sei se levanto,
não quero,
se deito,
repouso impossível.
Sou poeta da vida,
bandeira hasteada,
a meio pau,
a história é quem diz...
alço letras claras,
rimas raras,
música sempre...
Monologo pelas noites
as falências...
reentrâncias...
extraio delas
o líquen das palavras,
coladas à boca,
extensão do corpo.
Esvoaçam indecisas
na calma noite,
voam por aí,
perdidas...
buscam olhares
maturados,
tesouros
esquecidos
de cada um,
raramente
descobertos,
escavam,
se tanto...
A seca
grassa
no cimento
duro,
poucos sentam-se
nos bancos
dos parques
desviam-se
da linha
de produção.
Consideram
a impropriedade,
do verso versus o mundo.
Pinço palavras mágicas,
ondas sobre as rochas
afã inglório
das baixas marés,
leituras adormecidas,
tardias...