domingo, 8 de março de 2026

OLHOS DOS MEUS OLHOS

 

Deixem-me 

com minha visão... 

se atravesso expressões, 

atinjo o âmago, 

permito-me distinguir 

várias linguagens. 


Ninguém é o que é!


Deixem-me 

mergulhar

este olhar 

meticuloso, 

janelas que se abrem, 

fecham, 

assim, 

sem mais.


Olhos postos em mim, 

escolho  fingir 

não saber nada, 

despertar temores 

alheios,  

receios, 

horrores.


Quem me deu esta visão, 

por favor apague, 

Seja o que é, 

já basta

e não se incomodarão

CALENDÁRIO

  


O calendário 

cala fundo 

o ser no mundo.


Molda sua nuance...

o que somos não importa, 

fora do alcance, 

nos exorta.


Seguimos o que não somos, adquirimos características,  

como gnomos, 

incorporamos os ramos, 

do tronco do tempo, 

específicas. 


Repouso e lazer no domingo.

Segunda, etéreo despertar, 

terça embalo corrido, 

a quarta completar, 

quinta fadiga ampla, 

a sexta amalgamar 

a firmeza do viver, 

véspera de despertar.


Ritual endêmico, 

perene, 

acadêmico, 

que nos seres encene.


Corolário ritual, 

semanal, 

sempre atual, 

igual

Milagre na Festa


Este sábado meu netinho Arthur fez 13 anos e fizemos uma festa para ele. 

Quando amanheceu havia muita chuva e todos em casa estavam preocupados porque como iríamos abrigar tanta gente dentro da casa. Eu mesmo estava entrando neste desânimo. Foi quando me dei conta de que tenho Deus comigo, e afirmei a todos que estavam temerosos, que não iria chover das 12hs até às 16hs, que era o horario da festa. Logo desci para meu quarto e me pus em oração. O serviço meteorológico dava 100% de chuva na cidade.

Pois bem, não deu outra.

Abriu o maior Sol. Meu pedido foi que não chovesse entre 12 e 16hs, horário da festa.

Não é que ao aproximar-se as 16h, o tempo foi fechando de novo?

Este foi o presente que o Senhor nos deu hoje,

Grande é o Senhor!!!

Agora a noite acordei, e com Meg meditamos os detalhes deste milagre, quem creu, e que fez troça.  

E rezamos um terço de agradecimento...

sábado, 7 de março de 2026

VIGÍLIA

 


O sono não vem...


Está na ante sala 

de minha história.


Aguarda esclarecimentos 

postumos, 

como lição.


Os personagens...

estão todos ali, 

perfilados, 

lembrando-me 

das inúmeras passagens 

as crescentes maturidades.


Nunca me senti terminado 

em alguma coisa, 

sou uma somatória,

um rebento rebelde, 

brotado nas esteiras 

das estruturas de poder. 


A estranha convivência 

com as mais diversas 

circunstâncias, 

suas misérias 

suas profundidades,  

acrescentam valor 

à pré consciência, 

tão dispersa, 

convivida 

entre o clássico e o mundano, 

mansões e periferias.


Meu coração pulsou revolta...


Porquê não durmo...


Ah que tudo isso 

ainda me assusta 

por ser tão real, 

apesar do tempo 

ter moldado.


Sono que nao vem...

sexta-feira, 6 de março de 2026

DOÍDAS PERIFERIAS



Os poderes 

despencam 

altivos

não há limites...


Que importam

as periferias...

seguem o ritual 

da sobrevivência 

entre igrejas e bares, 

dividem o mundo 

entre ricos e pobres


Apegam-se 

a sonhos 

no pesadelo.


Um ministro 

se esconde, 

um senador 

desaparece...

um banqueiro 

rouba...


Roubam!!

Todos roubam 

com seus uniformes 

polidos


As periferias 

seguem sós, 

entre igrejas e bares 


A realidade 

se revela crua

mulheres violentadas, 

estupros coletivos, 

feminicídios...


Estão nas casas, 

dentro das casas, 

estão nos trajetos 

solitários, ...


Solitárias mulheres 


Doídas periferias, 

jorram seu sangue só... 

enquanto ministros 

escondem-se no poder

O MUNDO COMO VONTADE

 


Cada um, a seu modo, faz a construção. 

Alguns erigem castelos,  outros, altares, outros ainda, relações. 

No caldo social da vida, por vezes misturam-se, tomando partes, uns dos outros. 

Agir é inerente, motor humano diante do mundo. 

Não é, entretanto, o valor maior, muitos escondem-se atrás deste, e perdem-se.

Desconhecem que tudo subordina-se ao interior do homem, sua humanidade.

Caso não olhe ao redor, e envolva-se com a vida toda construção ruirá, não importa quão elevada e bela esteja.

Trabalhar o coração, aprender-se peça de um grande mecanismo social, com sua parcela de responsabilidade, envolver-se além de si, no nós é o fim, que muitos não vêem, e perdem o principal.

Abrir-se ao mundo com alegria é a grande realização. Abraços gerais

quinta-feira, 5 de março de 2026

DEBRUÇAR NOTURNO



Vou debruçar 

minha verdade 

no silêncio noturno, 

quando todos dormem...


Esperanças aguardam,

estenuadas,  

o alvorecer longínquo.


Abro portas, 

não encontro 

o que procuro.


Fecho as portas, 

novamente

e tranco.


Deixo descansar, 

inerte, 

os aposentos 

mais um tempo.


Tenho a sensação 

de ser observado 

nos detalhes, 

em meio 

às grandes estruturas, 

pesam


Será assim 

o sentido de tudo?


Um abrir, ajeitar coisas, e fechar?


Detalhes diante das estruturas?

OLHOS DOS MEUS OLHOS

  Deixem-me  com minha visão...  se atravesso expressões,  atinjo o âmago,  permito-me distinguir  várias linguagens.  Ninguém é o que é! De...