quarta-feira, 17 de junho de 2026

PROCUREM-ME AMANHÃ

 


O que faço de mim, 

neste fim de tarde 

em que tudo 

perde o sentido 

e recolho-me solitário?


Melhor guardar-me 

em silêncio

sem que voce 

veja o que vi:

a fome de sempre, 

a guerra de sempre, 

as pessoas 

e os pensamentos 

de sempre,

suas imensas formalidades...

esta horrivel sensação 

de que tudo permanece igual.


Melhor recolher-me 

a um canto, 

sem encanto, 

por enquanto, 

até que possa

ver novamente 

o Sol 

desvendando a escuridão, 

a Lua 

despertando a amor, 

o mar, 

abrindo o horizonte, 

criancas brincando 

na praia, 

casais namorando...


Quem sabe assim 

possa passar 

esta sensação 

tão real, 

de que vivo 

um mundo falso 

de representações, 

e não haja ninguém 

por trás disso, 

só falsidades.


Então, combinemos,

procurem-me amanhã, 

e possa já ter retirado

esta sensação 

tão estranha 

de vazio, 

que me assombra 

neste final de tarde...

segunda-feira, 15 de junho de 2026

ANTES QUE AMANHEÇA

 

Antes que amanheça 

deixo-te alguns sonhos, 

quem sabe precises 

de algum deles 

no decorrer do dia.


As terapias noturnas 

refazem rotas.


Deus mesmo 

pode ver-se 

aí incluído, 

sem liturgias, 

fazendo-se de amigo.


Antes da noite 

empalidecer-se 

do lados do horizonte, 

poderás fazer 

as ponderações 

tão desprezadas,  

em meio a um 

sem número 

de ações vorazes.


Antes que o dia aconteça, 

é de bom alvitre 

entender o universo 

contido no travesseiro,

viagens inusitadas 

a cidades paradisíacas, 

visitas que te transpassam, 

voláteis, 

vertigens de ausência 

de elevadores, 

inflexíveis ascensões,

amores semelhantes 

ao da amada, 

distantes, 

necessitando 

de abraços

constantes


Quanto mais persigo 

mais abrem-se 

as alternativas, 

e vejo como sou 

indesejavelnente 

simples e modesto


Poderás então dizer de ti 

com a mansidão 

de quem se viu de fora,

desejos soltos 

em campinas enluaradas, 

respiro e penso;

-Dia, aqui vou!

sábado, 13 de junho de 2026

POR DO SOL

 


Deixo-me entardecer, 

movimentos mais lentos, 

compreensão dolorosa 

ainda esperançosa.


Deixo o meu Sol se por...


Se venho 

Lua Nova, 

ou Minguante, 

aceito-as em minhas 

diversas finitudes.


Em algumas 

encaixam-se meus dias, 

entre leituras 

e saídas porta afora, 

diante do mundo, 

e sua natural crueldade.


Ponho-me na porta da noite 

comemorando a sobrevivência, 

sem subserviência...

RETIDO

 


Não sei despedir-me, 

algo retém a saída.


Não sei se nuvens 

não convidam, 

estão estáticas...

não sei se somos nós, 

temerosos do mundo, 

das descobertas..


Ando segurando 

suas mãos 

o quanto posso, 

afago de permanência. 


Temos algo a concluir 

em suspenso, 

ao nos despedirmos...

continuidade  

por formar sentido.


São necessárias 

novas buscas, 

experiências, 

que reguem 

o jardim cultivado

em silêncio.


Despedidas matam!


São como 

enterros antecipados 

preparando os corações 

a viagens distantes.


Há muito ainda 

a se dizer, 

a ouvir...

há muito de nós 

represado na boca, 

enquanto olha, 

deseja estar junto


Despeço-me 

com versos 

do leitor, 

como quem 

não quer partir, 

e deixa palavras 

que ficam.


Volte logo!

quinta-feira, 11 de junho de 2026

ESCOLHA?

 


Vou deixar a escolha, 

a porta aberta, 

o desconhecido.


Vou deixar a irriquieta 

busca de si, 

nos grandes vazios 

nunca preenchidos. 


O olhar e o desviar, 

o amar e o evitar, 

o odiar e o compadecer


Dolorosa forma 

de se orientar por aí,  

escolhendo e descartando 

pelos tempos afora.


Híbrido desorientado, 

finjo uma amarela 

estabilidade recatada...


Miserável de mim, 

desta sorte 

em não saber seguir, 

se segue...


Ainda que me creia, 

sempre me perco...

quarta-feira, 10 de junho de 2026

EXALTANDO OS HERÓIS

 


Heróis não mentem, 

não denigrem adversários, 

conscientes de que todos 

pertencem à amada pátria.


Heróis não lambem 

as botas de nações

sequiosas por nossas riquezas, 

estão sempre atentos 

na salvaguarda 

dos destinos do país.


Heróis olham por o seu povo, 

não se envergonham dele, 

o mais caído 

deve ser elevado.


Heróis enfrentam as trevas, 

sabem a cor de seu sangue, 

e o derramam, 

generosamente, 

quando preciso.


Heróis observam o país 

no horizonte longínquo, 

e o transportam para lá,  

é sua missão.


Possuem zelo natural 

por tudo e todos, 

sorrisos largos, 

esperança construída, 

confiança.


Heróis não traem, 

não são vendilhões, 

estão sempre prontos 

a dar suas vidas 

por um Brasil melhor, 

o seu país.


Heróis não tem nomes, 

cargos ou patentes, 

são lembrados 

por suas façanhas, 

mais que a si próprios.


Guardar sempre no coração 

os heróis que lutaram 

pela nação,  

seu povo, 

seu territorio, 

suas instituicoes,

é dever de todos, 

rendendo-lhes 

as devidas homenagens, 

fazendo-os presentes 

em suas casas, 

como membros 

de suas próprias familias.


Os heróis clamam 

sempre, 

por dentro, 

o bastião da liberdade,

legado guardado 

em nossos corações. 


A estes, a eterna homenagem!

terça-feira, 9 de junho de 2026

BEIRA DE MIM

 


Estou a beira de ser feliz, 

a beira de chorar, 

respirar vida.


Estou na confluência de mim, 

onde tudo se mistura, 

dá o tom.


Porque fico neste 

sempre possível 

impossível,  

perdido sonhador.


Sigo com olhos de sonhos, 

mãos de desejos, 

pés de atronautas, 

voz de profetas...


De cima da montanhas 

trago o mandamento 

do silêncio 

indiferente às diferenças, 

trago o pecado particular, 

que se silencia, 

mal balbucia, 

exemplo de nada...


Na beirada 

da felicidade 

aprecio, 

aprecio...

PROCUREM-ME AMANHÃ

  O que faço de mim,  neste fim de tarde  em que tudo  perde o sentido  e recolho-me solitário? Melhor guardar-me  em silêncio sem que voce ...