sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

INCONTIDO

 

(em memória a Álvares de azevedo)


Sou um perdido...

meu caso 

não tem solução.


Amo todas as mulheres, 

só arranjo confusão.


Desvio o olhar, 

como se pudesse 

me acalmar...


Qual nada, 

mais me desvio, 

mais cresce , desconfio

este desvario interesse

febril que me acaba.


A flor do meu jardim, 

chama-me sempre 

a atencão,

a ela apego-me 

como âncora, 

desta habitual desatenção...


Assim sigo, 

contrariando-me, 

pedindo perdão, 

tão grandes desejos controlo

deste incontrolável coração

FADIGA SISTÊMICA

 

A mansidão dos mar perdoa meus grandes hiatos, quando desapareço de tudo, escondo-me em casa.


De tempos em tempos tenho uma fadiga sistêmica,  de excessos de palavras, os compromissos intermináveis, lutas eternas.


A paz torna-se uma obrigatória e autônoma reclusão. Reservo-me o direito de desistir, vez por outra, para manter presente meu eixo.


Minhas convicções também tiram férias. 


Não são desistências, é a observação conclusiva no decorrer do tempo, de que certas mudanças ultrapassam meu tempo.


Reclusão estafante, onde meus sonhos, de alguma forma também adormecem.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Fraternidade e moradia

 Vai começar a Campanha da Fraternidade de 2026 - FRATERNIDADE E MORADIA. Cada ano que passa, a Campanha da Fraternidade vai sendo melhor inserida na Igreja no Brasil. Com este tema abre-se a oportunidade de analisarmos todas as vezes em que o tema da moradia aparece nos evangelhos.

Podemos também pensarmos nas políticas públicas de habitação existentes, se são suficientes, se aproveitam o legado já existente de formas de vida atual, enfim muitas alternativas são colocadas.

Nosso país tem um imenso déficit habitacional, que força a população de baixa renda ver nas ocupações a maneira mais rápida de resolver esta situação, ainda que corra riscos de ser expulsa.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

RECOLHO EXPERIÊNCIAS

 

Recolho experiências 

como quem sempre nasce.


Tudo que é novo 

vai sendo guardado 

no alforje do coração. 


Gera domínio do tempo, 

novidades enfraquecidas 

no longo convívio.


Trazem lágrimas e dores, 

esperanças, sorrisos, 

e acasos.


Nunca tem a palavra final, 

continua ensinando.


Recolho experiências 

como quem morre aos poucos, 

quem quer saber(? )

permanecem guardadas...


O mundo corre 

sem memórias. 

esbarra-se 

na mesma 

e repetida maré, 

lua nova, 

oculta.

REFLEXÕES SOBRE O CASO EPSTEIN

 

O caso Epstein, com uma multidão de envolvidos, não é mais um caso entre muitos, mas desvenda até onde vai o chamado sonho americano e o seu "purismo" evangélico, importado por nós no Brasil

A rígida sociedade norte-americana, rígida em todos os aspectos, principalmente o religioso puritano, teve seu ápice de dominação nos anos 50. 

(O movimento hippie pode ser considerado um marco na busca da juventude americana, de romper esta falsa moralidade, gerou uma certa liberdade sexual, mas não rompeu os marcos de dominação moral.)

Acrescente-se ao elevado poder patriarcal da classe dominante, um machismo que não enxergou fronteiras legais, utilizou seu poderio para realizar uma verdadeira invasão na ética familiar, com a aquiescência destas, sob um manto de naturalidade. O mundo ocidental fede.

Assim foi que um sem número de meninas foram envolvidas numa trama sexual de poder, abusadas por pedófilos.

A sociedade norte-americana assistiu este fenômeno dando ares de legalidade, por um bom tempo.

O inusitado hoje é a farta documentação que ficou, envolvendo várias celebridades do mundo, nesta transgressão etária destruindo meninas ainda nem jovens, de seus sonhos.

Epstein representa o ponto máximo do machismo,  e seu substrato evangélico puritano.

Resta, de sobra, a depravação das elites, tão moralistas. 

Hoje, quando o neo fascismo quer retornar ao velho e carcomido sonho americano, expulsando migrantes à força, em nome de algo podre, que escondem, nada como este caso vir à tona, para desmontar a falsidade moralidade americana sendo novamente exportada 

Toda rigidez moral, principalmente de cunho religioso, produz uma horda de demônios que tornam-se príncipes e presidentes de países, como estamos vendo, podres, como sempre foram.

O pior é que este exemplo religioso pegou por aqui,  enamorado do fascismo bols@#$%^*ta, aumentando em muito o feminicidio em nosso país. A ser melhor estudado.

Ah...o Casanova estava certo...que o Carnaval liberte o povo brasileiro e nos permita encontrar o eixo do amor onde possas expressar-se livremente. 

Afinal Deus criou o sexo tambem, não foi o diabo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

PORVIR

  


Não sei por quanto tempo,

sei que continuo aceitando desafios.


Não penso no fim, 

tenho um sentido de continuidade, 

e uma sensação de incompletude.


Olho as gerações 

que se sobrepõem, 

com um misto 

de tristeza e esperança. 


Tristeza, 

por não ter passado experiências 

que poderiam ser evitadas... 

esperanças, 

estampadas nas faces, 

nos olhares.


Tudo convida a desistir.


Tudo nos faz pensar 

que está piorando, 

mas ser humano é inesperado, 

semore se renovando.


O tempo, 

não sei quanto resta ainda, 

sei que continuo, 

ainda aceito desafios

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

OUVIDOS FAZEM FALTA

 


Ouvidos fazem falta...

guarde um pouco 

deles para mim, 

mas acrescido da atenção, 

não gosto de ralos.


O mundo é feito 

de muitas bocas, 

e milhares de braços, 

mas os ouvidos...

ah os ouvidos, 

vivem em degredo permanente, 

surdez decidida 

de si mesmos, 

excesso de ruídos...


Desacreditados ouvidos, 

ignorantes ouvidos,  

distraídos ouvidos.


Nada reverbera 

nestes pavilhões acústicos...

ecoam solitários,  

não convertidos 

infinito interno do nada.


Gritarei, 

gesticularei, 

porque ainda existem olhos.


Encontrarei 

o timbre adequado 

que vibra, 

o tímpano...

baterei 

o martelo, 

a bigorna, 

montando palavras 

nos estribos, 

até atingirem 

impulsos nervosos, 

e finalmente a consciência.


Quem sabe nos entenderemos...

INCONTIDO

  (em memória a Álvares de azevedo) Sou um perdido... meu caso  não tem solução. Amo todas as mulheres,  só arranjo confusão. Desvio o olhar...