terça-feira, 9 de junho de 2026

BEIRA DE MIM

 


Estou a beira de ser feliz, 

a beira de chorar, 

respirar vida.


Estou na confluência de mim, 

onde tudo se mistura, 

dá o tom.


Porque fico neste 

sempre possível 

impossível,  

perdido sonhador.


Sigo com olhos de sonhos, 

mãos de desejos, 

pés de atronautas, 

voz de profetas...


De cima da montanhas 

trago o mandamento 

do silêncio 

indiferente às diferenças, 

trago o pecado particular, 

que se silencia, 

mal balbucia, 

exemplo de nada...


Na beirada 

da felicidade 

aprecio, 

aprecio...

segunda-feira, 8 de junho de 2026

INCONCLUSO



Não me preocupo em agradar, 

tem os que precisam sentir afagos...

a alegria, passa por fora, 

fora de hora.


Também não quero 

ser impertinente, 

mas quando sou, 

desculpo-me


Não quero ser mais, 

nem menos, 

maior ou menor, 

basta-me onde estou, 

um local de esquecimento oportuno, 

onde produzo meus versos, 

sem pressão disto ou daquilo, 

minha liberdade particular


Deixo aberta as portas do abismo, 

de lá ecoam visões novas, 

explicações, 

(nunca a verdade completa), 

a surpreender-me 

dia após dia, 

com suas sabedorias


Vou navegando neste tempo 

de antiguidades 

novas tecnologias, 

boiando aqui, 

afundando ali, 

nadando minhas braçadas.


Quando vejo, 

anoiteceu, e vou junto, 

contando os dias...

BOM TEMPO

 


Implacável comigo 

esta sequência de dias, 

mais aprendo 

mais envelheço.


Ambígua formação, 

plena de contradicões, 

e as saídas laterais 

que nunca acabam.


Caminho que tende 

a encontrar-se, 

neste mar imenso 

de especies, 

diversidade que invade.


Assim, vou seguindo, 

pondo letra em tudo 

e contando o tempo.


Sigo com a alegria dos sabiás, 

o enterrar-se das minhocas, 

levantar, 

os dentes escovar, 

olhar-me no espelho, 

ver que ainda sou eu 

e estou aqui,

tomar um café, 

abraçar, 

beijar


Sigo com a simplicidade 

implícita 

grandiosa de cada um, 

nesta implacável 

sequência de dias.


...e tenha um bom dia!

domingo, 7 de junho de 2026

TEAR NOTURNO

 


A noite é um novelo de lã 

que se desfia 

madrugada afora, 

não sabe onde vai...


Segue distantes 

batidas de tambores, 

ancestrais...


Se são daqui 

ou recônditos lugares, 

sabe-se lá o que fazem 

estes teares,

vestem anjos 

nos portais 

da eternidade?


Sei que há algo 

sendo tecido, 

no frio auscuto 

da noite, 

a ser vestido 

durante o dia,

preparam-me 

para as noticias 

de amanhã?


O tempo escuro 

discerne os limites 

longínquos ouvidos,  

se continuam as batidas, 

com indígenas expulsos  

em seus cantos 

celestiais soturnos, 


Mal escuto de mim, 

se confundo o peito 

que represa o coração, 

a um transcendente 

ritual noturno.


Sei de portas 

que se abrem, 

fecham...

de estar atento 

a novas linguagens...

tudo o mais palidece 

de explicacão.


Por fim, 

embalo-me no ritmo...

sou parte desaparecida 

de grupos tribais 

envoltos em chamas, 

vendavais clamando por justica.

sábado, 6 de junho de 2026

VIÉS

 


Faltam sonhos, 

sobram interrogações...


Acordo em meio a noite 

com muitas perguntas 

do que acontece 

debaixo do Sol: 

- Porquê as pessoas 

não questionam 

a si mesmas,

na caminhada diária?


Por isso não sonho, 

ânsia noturna...


Seguem a cerviz 

dura e seca, 

como se o mundo 

fosse uma guerra 

permanente.


Estabelecem versões 

próprias da realidade, 

fecham-se em copas, 

disputam suas verdades 

com únicas 


Enquanto não estabelecem 

um domínio 

de suas concepções 

incompletas, 

não param.


Possuídos 

pela vaidade, 

o orgulho, 

ficam incapazes 

de perceberem 

seus próprios erros.


Passam a vida 

num imenso viés, 

falsamente satisfeitos, 

casmurros.


Falta-lhes o sonho, 

o descobrir-se 

nas veredas da vida, 

repleta de incertezas, 

caminhos inúteis, 

cair, 

levantar, 

amar, 

sentir-se amado...


Acham que sabem tudo, 

e não realizam 

as ações 

mais simples...

persistem

em seu reinado 

de si mesmos.


Pensam deter 

o conhecimento do mundo, 

passam o tempo 

verbalizando 

falsas grandiosidades.


Odeiam os frágeis, 

estes serão sempre 

o contra exemplo, 

os derrotados.


Buscam expulsá-los 

das praças, 

das ruas, 

inutilmente, 

porque sempre aí estarão 

confrontando-os 

inconscientemente,

ao seu poder.


Falta-lhes o sonho, 

o abrir a visão 

às multiplas possibilidades

de que podemos sim, 

conquistar um mundo melhor, 

pacifico e fraterno.


Falta-lhes humanidade, 

enquanto sobram interrogacões...

sexta-feira, 5 de junho de 2026

ALGUMAS LÁGRIMAS

  


Não há como olhar este mundo e não verter algumas lágrimas. 

Seria como recitar grandes poemas, e as pessoas nada sentirem, indiferentes.

Tudo pertence a um endurecimento do coração, voltado a si mesmo, visão particular egoísta do mundo, como terreno de guerra particular como solução dos problemas.

Não paro de verter lágrimas. Ainda somos os mesmos de sempre, falsos e desonestos, belicosos e cheios de ódio. 

O que esperar disto, senão guerras e destruição?

quinta-feira, 4 de junho de 2026

ESCOLHA

 ?


Vou deixar a escolha, 

a porta aberta, 

o desconhecido.


Vou deixar a irriquieta 

busca de si, 

nos grandes vazios 

nunca preenchidos. 


O olhar e o desviar, 

o amar e o evitar, 

o odiar e o compadecer


Dolorosa forma 

de se orientar por aí,  

escolhendo e descartando 

pelos tempos afora.


Híbrido desorientado, 

finjo uma amarela 

estabilidade recatada...


Miserável de mim, 

desta sorte 

em não saber seguir, 

se segue...


Ainda que me creia, 

sempre me perco...

BEIRA DE MIM

  Estou a beira de ser feliz,  a beira de chorar,  respirar vida. Estou na confluência de mim,  onde tudo se mistura,  dá o tom. Porque fico...