sábado, 23 de maio de 2026

NEM POR ISSO DEIXEI DE SER...

 

Estar acostumado com o aperto,
sinal vermelho dos bolsos,
esperas colossais.
Cigarras entre chuvas e Sol,
algazarras de crianças,
nós em gravatas.
Canta e reza,
preza o coração,
antes da razão,
devastam...
A paisagem usurpada
confunde verde,
amarelo,
pátria,
traição,
humanidade,
exclusão.
Dedos rítmicos respondem
compassos novos,
entrelinhas de respostas.
Um horizonte multicor
aguarda maturidade,
Fome e vida permeiam idéias,
sede de espaços proibidos.
O presente requer olhares abrangentes,
(menos seletivos),
bocas roucas,
ouvidos amplos e compreensíveis.
E caminhar, caminhar...

SENSAÇÃO ESTRANHA

 


Ando com a sensação 

de estar perdendo o jogo.


Diariamente vejo o noticiário 

com a esperança 

de que as guerras 

já estão no fim, 

que os adversários 

estão conversando, 

tratando suas diferenças 

com respeito mútuo, 

que a fome 

está sendo erradicada, 

os que tem, 

partilhando 

com os que não tem, 

e um ambiente de paz 

tomando conta do ambiente.


Sensação de ausência, 

de estar faltando algo, 

um vazio crescente...


Passam os dias...

xingam, 

matam...

a ferocidade não tem limites.


Perderam 

conscientemente 

a razão, 

por interesses  

econômicos, 

materiais,

desumanidade, 

sei lá...


Nas ruas vejo jovens 

sem perspectivas, 

desperdiçando o tempo 

em coisas fúteis, 

que nada acrescentam.


As pessoas seguem 

seus mesmos trajetos de sempre, 

vão e voltam. 


Acostumaram-se 

com o mesmo de sempre, 

seus proprios destinos 

sem desafios.


Tempo de resignação,  

e essa sensação 

que incomoda tanto, 

de estar perdendo o jogo...

quinta-feira, 21 de maio de 2026

CHEIO DE MIM VAZIO DE MIM

 


Enchi um pote 

com poemas 

fermentados 

nas dores.


Quem bebe 

sofre de amores 

paridos nas esquinas 

onde as dúvidas 

penduram saias 

manchadas de sangue...


Gritei 

o coito 

atrasado, 

balbuciando 

palavras 

proibidas, 

inibidas 

nos versos, 

depois, 

dormi 

satisfeito

quarta-feira, 20 de maio de 2026

FORTUITOS


Os tempos visitam,
uns aos outros
em desacordo entre si.
Não se entendem
em suas badaladas,
horas que se confundem.
Tornam a lembrança
presença morta,
mirra de desventuras,
transcendem
a realidade
estática.
Guardam histórias
incontáveis,
submetem sonhos,
embranquecem cabelos,
confrontam cenários.
Despertam
alta noite,
detêm-se,
por instantes,
no presente,
como um ausente...
estão, não estão,
depois vão,
como se não
tivessem vindo.
Perseguem
um rearranjo
que delimite
fronteiras distantes
do ser,
mantendo o percurso,
nada descartando.
Buscam razões
de estarem aí,
ao lado,
interpelando
caminhos,
corrigindo.
Por fim,
dissolvem-se,
fortuitos...

segunda-feira, 11 de maio de 2026

LOGO APAGA...

 


Se negam tudo tanto, 

deixem-me ser, 

ao menos, poeta, 

e já basta.


Fiquem com o mundo!


Explorem o povo 

até a exaustão!

guerrreiem!

matem!


Que sobre 

apenas a poesia 

para mim, 

este é o meu pão.


Meu coração 

é manso, 

busca um pasto 

em algum campo 

esquecido por aí, 

para passar o seu dia,

não comporta 

violência, 

ódio, 

morte.


Atenção!


Não digam a ninguém 

onde estou, 

finjam 

que não me conhecem.


Se quiserem encontrar-me, 

às altas horas da noite, 

ainda verão uma estrelinha, 

fraquinha..., 

na borda 

do monte dos desejos. 


Este sou eu...


Como vêem,  

não é preciso 

dar atenção, 

logo apaga...

TEMPO AO TEMPO

 

Há um condimento somatizado...

experiências em que 

uma consciência fortuita 

tece valores escondidos.


Alcançam posições serenas 

de um arcabouço diário,  

processo permanente 

de lições tiradas 

ao longo do tempo. 


Ficam disponíveis 

para as novas ocasiões,  

onde intervém 

em doações 

mais acuradas. 


Assim interajo

evolutivamente, 

volúpias despedidas

que cercam a vida.


Olhando quem sou, 

vejo outro alguém 

que me forma

sábado, 9 de maio de 2026

DESLOCADO

Sou o incômodo, 

o fora de hora, 

o deslocado, 

o que põe a verdade nua

na cara, 

descaradamente.


Sofro o isolamento 

dos que se escondem 

em justificativas, 

injustamente...


Caminho só pelo mundo, 

mudo e discriminado..

NEM POR ISSO DEIXEI DE SER...

  Estar acostumado com o aperto, sinal vermelho dos bolsos, esperas colossais. Cigarras entre chuvas e Sol, algazarras de crianças, nós em g...