sexta-feira, 24 de julho de 2026

O GREGO KOINÉ BÍBLICO

 Por força das minhas dúvidas etimológicas biblicas, acabei estudando grego koiné, isto é,  grego popular, escrito e falado no tempo de Jesus. 

Esta escrita pouco se diferencia do grego atual. 

O problema está em não sabermos nada de como era falado, tendo sido criado por Erasmo de Roterdã uma linguagem utilizada até hoje.  

Atualmente estou na metade da Carta aos Romanos. 

Interessante conhecer os diversos autores bíblicos pelo repertório maior ou menor de palavras que usam, e assim o grau de conhecimento que possuíam. 

Tem sido um divertimento, como um jogo de xadrez, buscar entender o significado das palavras antes do dicionário. 

Também muito interessante é perceber como o grego interage com a lingua portuguesa ainda hoje.

PASSO A PASSO

 


Vou passo a passo, 

olhando o entorno, 

quase compasso, 

frio, 

quente, 

morno.


Abro os olhos, 

os sons escuto, 

obedeço as leis 

da natureza,  

decisões rápidas, 

astuto.


Deixo ir...

vaga nuvem 

em céu azul, 

sempre partir, 

sem norte, 

sem sul.


Um dia amor,  

outro dor, 

fazer, 

desfazer, 

sentindo 

ardor, 

desprazer.


Não impeço,  

sigo surpreendendo, 

meio disperso, 

meio entendendo

quinta-feira, 23 de julho de 2026

LIMITE DOS VERSOS

 Termino os poemas por obrigação, porque tudo termina.


Na verdade eles sempre seguem, reciclam.


Extrapolam contextos, arvoram novos concertos.

Mantém a instabilidade do devir, em permanente mudança.


São como pergaminhos a serem decifrados para as novas realidades, diferentes gerações, sistemas políticos.


Seus limites estão na receptividade dos corações experientes.


Estão postos ao final das tardes, quando, fatigadas as pessoas buscam encontrar explicações sobre a vida. 


Depois somem novamente, porque nem se confundem com o amor propriamente dito, nem com o árduo trabalho.

AUSÊNCIA

  


Tenho uma ausência 

que me persegue...


Não diz 

nada de si,

nada observa, 

não opina.


Vem despistando 

como se não 

existisse, 

e consinto.


Alimenta-se 

das concessões... 

incute a idéia 

de fraqueza, 

vulnerável  


Passa o tempo 

esperando o momento, 

até que envelhecemos, 

e já é tarde 

para fazermos 

o principal, 

a humanidade


Está aí, 

à espreita, 

com interrogações 

vazias...


Tenho a sensação 

de que ela 

está ganhando 

a batalha, 

não questiono mais, 

tudo aceito

naturalmente.


Ausência estranha 

de sabor, 

de vida, 

inodora e fria 

que é..

terça-feira, 21 de julho de 2026

RIO DA VIDA

 


Deixo 

correr manso 

este grande rio da vida..

suas águas 

ensinam as pedras,

moldam suas durezas 

no longo tempo,

tornam-nas belas, 

adquirem vida 

na paisagem.


Compreendo 

quão estreitas 

são certas passagens, 

exigem consciência, 

decisões, 

soluções rápídas, 

sob o risco 

de estravasarem 

pelas márgens, 

serem absorvidas 

precocemente.


Aceito 

a extensa largueza 

de oportunidades

a perder de vista, 

onde tudo cabe, 

cabedal pujante, 

calmas passagens, 

onde desfrutamos 

paz, 

    convívio,

       amorosidade. 


Alimento 

lagos...

as grandes teses...

imaginam corredeiras,

demonstram 

suas pertinências, 

inconsistências, 

o que há de vir...


Sofro 

secas, 

inundações, 

elementos externos... 

dependência 

da sobrevivência, 

desenvolve a criatividade


Caminho 

percursos contínuos,  

contornos...

formas estéticas

de tratar temas 

tão constantes 

sempre sobrevém.


Desemboco

num mar amplo 

onde continuo,

integrados, 

como desaparecido

num grande 

encontro, 

total...


Medito 

sobre as fontes, 

filtros subterrâneos 

que tudo retém 

doces águas 

cristalinas, 

trazem a enzima 

do que vou ser...

o alto mar 

suas vagas 

permanentes, 

onde dissolvo-me

no intervalo..

DESORDEM

 


Não é o que você fala, 

mas o que você não fala.


Não é o que você faz, 

mas o que você não faz.


Não é o que se espera de você, 

mas o que ninguém espera. 


Não é ser a mesma 

pessoa de sempre

mas ser diferente.


Quero ver tua novidade, 

incomodar-me 

com suas críticas.


Quero a cama revolta, 

cheia de tempestades, 

usurpar a falsa pureza 

com a degradada vida, 

esperneada vida, 

fudida, 

real.


Estou cheio dos cristais, 

dos pedestais, 

honrarias, 

quero baixarias, 

vaias... 

momentos 

da verdade 

na cara, 

desnuda


Quero os pensamentos 

mais profundos, 

sem ornanentos.


Provocações!!!


Estou à espera 

do rompimento 

do lacre 

da ordem, 

esta besta 

disciplinada


Aspiro contradições...

a pior delas 

é a de fingir 

não tê-las

segunda-feira, 20 de julho de 2026

CONSUMAÇÃO

  


Que o tempo 

não me consuma 

antes que suma, 

hora que demora...


Que o espaço 

se espace 

por onde passe,

sem compasso...


Que seja 

um eu 

integral, 

sem dobras, 

mas fibras 

resistentes, 

firmes, 

total


Que embale 

a verdade 

na balada 

do dia, 

e durma 

a profunda

paz do sim, 

no silêncio 

do encontro, 

enfim

O GREGO KOINÉ BÍBLICO

 Por força das minhas dúvidas etimológicas biblicas, acabei estudando grego koiné, isto é,  grego popular, escrito e falado no tempo de Jesu...