sábado, 28 de março de 2026

A JANELA DO FINAL DA RUA

 


Havia uma janela na casa do final da rua onde eu vivia

Nela morava um velho...

Pela manhã ficava aberta..

Quem passava podia ver um grande espelho na lateral de um quarto, um quadro ao fundo, mais uma fotografia em moldura repleta de rococós...

Raramente aparecia alguém na janela. 

As pessoas sabiam que ali vivia um senhor de mais de 90 anos, e só. 

Quanto tempo a vida deve durar, mantendo qualidade, ou seja, ter mobilidade, estar com saúde, poder conversar...

Não tenho a resposta, mas, de certo, há de haver alegria e disposição,  ainda que a chama vá diminuindo.

Guardo na memória as poucas vezes que o velho ancião saiu à janela.

Até onde iam seus olhos?

Não sei de suas reflexões...imagino que as recordações assaltassem nestes momentos. 

Em certa ocasião, ao cair da tarde, passando por aquela casa, encontrei o velho recostado na beirada da janela...

Dei-lhe um tchau...

Ele retribui alegremente.

Já nem sei mais quem se alegrou, se ele ou eu, por ver sempre a janela sem ninguém.

Porque não vivo só. A solidão é algo que o tempo vai nos ensinando, até aprendermos a conviver com ela, principalmente na velhice

sexta-feira, 27 de março de 2026

DESPERTARES

 


Quantos  despertares 

aguardam o término 

de minhas ignorâncias. 


Quantos de mim 

sucumbem diariamente 

no ostracismo 

de suas ausências?


Ah...liberdade fugidia, 

ninguém te ensinou 

minhas fragilidades diárias, 

seguem mansas tempo afora...


Escapas nas manhãs dos acasos, 

distrai-se em afazeres?


Turvo o rio do meus dias, 

desconhece a foz 

onde esvai-se

desemboca, 

não festeja as ribanceiras, 

os frutos do caminho

nem funde os lentos contornos 

sem fim...


Despertar sonolento, 

sem noite, 

sem dia, 

mídiática, 

anestesiada, 

programada.


Quem sabe 

uma seca profunda, 

tempestades ruidosas, 

inundações, 

grandes catástrofes 

possam sacudir 

teu plácido adormecer! 


Quem sabe 

vá despertando 

ao longo do trajeto 

em tempo de correções...


Quem sabe...

AQUI E AGORA

 


Nem sempre sigo como gostaria.


Nem sempre concordo com tudo.


Vou numa ótica distópica, 

antecipando os fins 

com meu próprio incremento, 

como unguento.


Resistente ao mundo, 

rejeito naturalmente  

a boa visão antecipada; 

sigo desperto à  realidade 

que fere, 

persegue 

e mata.


Sigo como vejo,

faço conforme penso, 

pouco silêncio  

me emudece, 

acontece.


Conheço a vida, 

convida à desmedida, 

olho o horizonte como ponte, 

onde se esconde a História, 

perdida


Estou no aqui e no agora, 

nada do que assisti desfaço, 

por cansaço, 

jogo pr'a fora.


A vida é presença e ação,  

poucas vezes poesia, 

poucas vezes canção

quarta-feira, 25 de março de 2026

ESTRADA VAZIA

 

Corro por fora, 

na disputada 

estrada da vida...


Deixo entrever 

que vou embora, 

como se entrasse 

em uma saida, 

algo que demora, 

e nunca visse acontecer.


Corro como se nunca 

ultrapassasse, 

deixasse confortável 

o enlace dos preferidos 


Perco sempre 

os meus passos, 

 sem sonhos, 

um compasso 

medido e metido, 

porque, afinal, 

faço e desfaço.


Estrada sem caminho, 

cheia de deuses superiores, 

eu nestes estertores, 

conheço-me neste vazio

A MORTE ESTÁ À SOLTA

 Vivemos um tempo de alto risco de destruição do próprio mundo. 

O nazifascismo saiu do armário e está despejando ódio nos 4 cantos do planeta. 

A solução escolhida para a sobrevivência é o odio permanente,  acompanhado da mentira, e da guerra, com morte de muitos inocentes 

Tudo ficou de ponta cabeça. 

Mas não podemos perder nossas esperancas num mundo melhor, fraterno, onde o diálogo seja buscado até a exaustão. 

Levantemos a defesa da democracia como questão fundamental e busquemos os mais excluídos para ajudar

terça-feira, 24 de março de 2026

RISCOS NA ECONOMIA BRASILEIRA

 Preciso ponderar aos amigos e amigas que apenas o governo atual  trará garantias de exportações diversificadas de produtos brasileiros em todas as regiões do mundo.

Os EUA,  no afã de isolar a China e o Brics, centralizará todo o comércio exterior para posterior revenda ao mundo, prejudicando enormemente o produtor nacional. 

É preciso defender o Brasil e sua economia emergente. É como penso.

domingo, 22 de março de 2026

MAR DA IGNORÂNCIA

 

A ignorância, 

visita 

inesperada 

permanente, 

subtrai da mente, 

doce serpente,

as possibilidades 

latentes. 


Causas e razões 

Tornam-se senões  

esquecidos, 

atraídos 

por ruídos,

diversões...


E a vida vai

inconsciente, 

sem eira 

nem beira, 

a ladeira 

decadente, 


Quem sabe um dia 

desperte 

clara sabedoria, 

trazida pela dor 

que carrega a gente, 

subjacente 

inerte, 

e aflore

luz pungente 


Vou como quem sonha 

e quer acordar, 

luta diária 

de tudo assimilar.


Caminho de confins, 

sem paradeiros, 

ponteiros, 

completando-me 

em mim

A JANELA DO FINAL DA RUA

  Havia uma janela na casa do final da rua onde eu vivia Nela morava um velho... Pela manhã ficava aberta.. Quem passava podia ver um grande...