sábado, 11 de julho de 2026

PEQUENO PRISIONEIRO

 


Esqueci-me 

no passado, 

distraído 

vizinho

no caminho 

da escola, 

prisão 

das ruas.


Lá atrás 

matei-me 

ao escolher

a caixa 

de sapatos, 

descalço 

que era...


Produzia 

ventos, 

escorregava 

nas enchentes, 

minha mãe 

observava 

calada

na ladeira

sábia 

sabiá.


Meu pai 

viajara 

para sempre, 

sentado 

num burrinho 

tosco, 

nunca mais 

voltou, 

procurei outro...


Meu presente 

inexiste, 

guardo-o 

no quarto, 

de vez em quando 

ele sai, 

em sonhos, 

espanta-se 

com o mundo, 

medonho.


Fecho 

as janelas 

dão 

para nada, 

consciente 

das paredes.


Fique 

como quiser, 

encontre-me 

quando puder, 

no passado...

sexta-feira, 10 de julho de 2026

PALAVRAS QUE SE SEGUEM

 


Palavras que se seguem...

buscas autônomas, 

não encontram limites, 

esperam a noite alta, 

derramam 

                  confissões 

                                        solitárias.


Indagam o inusitado 

descalças, 

distraída 

transcendência...

escutam 

outras dimensões 

Céus profundos, 

linguagens

desconhecidas, 

afloram vulcânicas, 

então dormem...


Inquietas 

palavras 

seguem, 

ressignificando 

a ordem  

filosofia do amar, 

transformam...


Mantenho-as, 

inauditas,

em incipiente controle, 

até o dia invadir-me 

com sua frieza costumeira.


Aguardam um anúncio, 

dispensar tudo, 

ultrapassar 

limites, 

impotentes, 

portas entreabertas,

aprendendo...


Ainda ecoam 

na mordaça 

do alvorecer...


Por fim, 

desaparecem, 

transformam-se 

em ação

quarta-feira, 8 de julho de 2026

NÁUFRAGO

 


Este corpo todo que se levanta a cada manhã e acredita que pode alcançar os tesouros escondidos das estruturas de poder...

Esta noite que não passa, com toda sorte de demônios assaltando os sonhos de uma vida melhor...

Este rosto enrugado debaixo do Sol, esperando que chova, saia algo da terra, perdoe a seca

Esta espera doída de cada dia, de um mundo que nunca vem, tece expectativas...

Este beijo colocado nas dobras da noite, com raras declarações, espremido entre o cansaço e a sobrevivência. 

Este tempo de morte gratuita, a toda hora, sem vestígios de assassinos e do estado...

Esta fuga do sofrimento que cresce, já chegou a sua casa.

Este dia de amanhã que se despede antes de chegar, impossível de atingir, zomba dos projetos...

Este escuro pesar de vida estenuada sem que agrege um pouco que seja ao nada...

Esta alegria incompreensível que brota, apesar de tudo, zombando inconsciente dos donos do mundo.

Está despedida que se arrasta por séculos, milênios, dependurada nas dívidas crescentes, anzóis do sistema.

Este ceder permanente até não mais se encontrar...

IMPELIDO



Impelido a sair,  defronto-me 

com as grandes estruturas, 

a seca realidade.


Está em mim 

transcender quimeras, 

buscar novas esferas, 

trilhar caminhos famintos

dispostos ao lado, 

disfarçados...


Não caibo neste mundo 

de perguntas suspensas, 

mesmo as suaves brisas 

afagam procuras fatigadas, 

e esse balanço 

constante do amor, 

não se explica,  

preso às nervuras do coração.


À espreita de mim, 

ando neste complexo 

edificio da vida, 

onde reside 

a identidade de um louco, 

rouco de tanto se indagar, 

pelo caminho...


Afogo-me no mar, 

despenco-me ao caminhar, 

silencio-me diante 

de tanto barulho surdo, 

inócuo...

o olhar diante da morte, 

a epiderme decifrando 

toques incompreensiveis,

o pousar os olhos à noite, 

despertar...

sem explicações, 

desconforme.


Subjaz a aparência 

de uma perfeição esquecida, 

numa estrada distraída, 

percursos que não se encaixam...

segunda-feira, 6 de julho de 2026

FIO TÊNUE

  


Aquele fio tênue 

sustenta o limiar do tempo.


Mantém as conclusões 

das experiências, 

acha-se só.


Aspira observações momentâneas, 

e as guarda para si, 

como quem não convive...


Quer sair, 

já não mais pode, 

Quer falar, 

não consegue, 

despede-se

ALGO NÃO ESTÁ BATENDO BEM

 


Alguma coisa não está batendo bem no mundo. 

Algo se perdeu, não se sabe bem o quê, a que horas exata, ou dilui-se aos poucos sem que tivéssemos percebido.

Não se vai ao estrangeiro para pedir mais impostos contra nosso país, sendo candidato a presidência da República.

Em outros tempos era preso por traição, mas agora, tem tons de naturalidade.

Ser anulada a expulsão de um jogador de futebol dos EUA na Copa, é outra aberração a ser lembrada deste período nefasto. Nunca aconteceu! Só com Trump!

Sequestrar um presidente e assassinar o maior líder religioso de uma nação, da forma como foi e está sendo feita, não deixa de surpreender, ainda que tornem comum.

Extirpar um povo inteiro de seu território, aos olhos de todos, e deixamos...como fazem aos nossos irmãos palestinos

Não somos mais os mesmos...

Estamos perdendo nosso poder de opinião; pior, a consciência de que podemos ter opinião. 

E o que está substituindo tudo isso são valores perversos, opiniões esdrúxulas dos fatos, distorções intencionais dos acontecimentos.

Enfim, o pior está em destaque, com grande números de adeptos, enquanto os justos tornam-se reféns de uma ordem cada vez mais autocrática...

Algo muito errado acontecendo...

O país que desperta hoje, de uma derrota de um simples jogo de futebol, bem poderia cair em si, e perceber que perdemos sim, foi nossa identidade de cidadão brasileiro, estamos dentro de um mar da violência como padrão de competência, nós que somos pacíficos, semore exportamos a paz.

Os ladrões verdadeiros estão à solta, pasmem, nos representando no Congresso Nacional ( grande parte) e sentem-se protegidos pelo cargo de deputados e senadores

Assistimos ontem ao anti jogo do adversário, estupefatos com o ato inusitado de andarem em campo, porque ninguém se entende, desperdonalizados e submissos a um Mister, a batuta de um técnico estrangeiro, que em nada é melhor que os nossos, mas nosso espírito de vira latas subserviente foi mais forte e aceitamos também, porque tudo está  permissivo 

Ai, que bem podia virar tudo isso de cabeça para baixo, seria melhor...

Escrevo enquanto ainda é tempo de se fazer algo...não sei quanto durará esta breve consciência...

sexta-feira, 3 de julho de 2026

CHEIO DE MIM

 Ando cheio de mim, 

cansado do que faço, 

com meus excessos.


O Sol perdeu sua novidade, 

o mar não me desperta nada.


Saio à rua, e nada...


Estou cheio 

das palavras que falo, 

mais ainda das que escuto


Cheio de tudo.


No entanto, ainda vivo, frio, nas vivo


Uma sensação de vazio e é só. 


Cheio com tudo...

PEQUENO PRISIONEIRO

  Esqueci-me  no passado,  distraído  vizinho no caminho  da escola,  prisão  das ruas. Lá atrás  matei-me  ao escolher a caixa  de sapatos,...