Este corpo todo que se levanta a cada manhã e acredita que pode alcançar os tesouros escondidos das estruturas de poder...
Esta noite que não passa, com toda sorte de demônios assaltando os sonhos de uma vida melhor...
Este rosto enrugado debaixo do Sol, esperando que chova, saia algo da terra, perdoe a seca
Esta espera doída de cada dia, de um mundo que nunca vem, tece expectativas...
Este beijo colocado nas dobras da noite, com raras declarações, espremido entre o cansaço e a sobrevivência.
Este tempo de morte gratuita, a toda hora, sem vestígios de assassinos e do estado...
Esta fuga do sofrimento que cresce, já chegou a sua casa.
Este dia de amanhã que se despede antes de chegar, impossível de atingir, zomba dos projetos...
Este escuro pesar de vida estenuada sem que agrege um pouco que seja ao nada...
Esta alegria incompreensível que brota, apesar de tudo, zombando inconsciente dos donos do mundo.
Está despedida que se arrasta por séculos, milênios, dependurada nas dívidas crescentes, anzóis do sistema.
Este ceder permanente até não mais se encontrar...