Como doem os descartes,
principalmente os olhares...
Investigador de olhos, defronto-me
a todo tipo de falsidades
no contraste com as palavras...
São tão pouco os artistas...
suas plenas capacidades
do que não são
As pessoas são a representação
do que não são,
quantos não convivem nelas
suas diferenças...
apossam-se umas às outras,
umas sobre as outras,
com as outras
Desconstruo
e reconstruo
as relações
com delatores
íntimos
em meu eu
inquisidor.
Meus olhos envergonham-se
do que vêem,
fogem de olhares suspeitos,
gestos imperfeitos.
Volto para casa
contando histórias
contraditórias,
as várias versões
seus imensos senões.
Escolho algumas...
as que se desvendam
constantemente,
nunca terminam
de se encontrar.
As demais, bem...
mantenho a formalidade
com que se apresentam,
seguem num dilema ambíguo,
até quando?