segunda-feira, 2 de novembro de 2026

PEQUENOS TRANSITÓRIOS

 

Quantas histórias passam sem que saibamos.  

Por vezes sinto falta delas, que desconheço.

Nem que quisesse abarcaria toda alegria e sofrimentos que contém. 

Quanto de mim passa por fora de tudo, perde a dimensão, desconhece.

O tempo corre contra, avoluma-se o mal.

Então sonhamos, transcendemos...

Reunimos a coragem e a consciência para caminharmos na direção certa, e destilamos as experiências...

VAZANTE

 


Quantos de mim se perdem, 

e tenho que buscar-me de volta.


Quantas correções me faço,  

como a um estrangeiro, 

quando me desfaço?


Quantas 

despedidas 

latentes, 

semeio, 

não crescem, 

não colhem 

soltas em mim?


Vã vontade,

sórdida razão, 

porque então 

não deixar vazar 

o ribeirão(?)

rompe barreiras 

como um fim...

ACHADOS & PERDIDOS

 


Alguém viu por aí 

o poema que escrevi?


Deixou-me 

fora de hora, 

perdi-o, 

esqueci...


Alguém sabe 

o que não sei 

fazer de mim, 

deslocar-me

nem achado 

nem perdido?


Alguém viu, 

que não vi...

que escrevi, 

bem sei 

que escrevi!


Então, 

por onde anda, 

que não acho, 

e ninguém sabe 

também.


Fui com o poema 

e não encontro...

sábado, 31 de outubro de 2026

TEMPOS REMOTOS

 


Grandes eram as dificuldades no tempo em que o Brasil vivia uma ditadura.

Hoje contarei um pequeno episódio que só minha esposa conhece, e está esquecido no passado. 

Eu andava desempregado e procurava emprego. Vi , pelos jornais,  que o Correio estava oferecendo vagas, e uma delas estava adequada ao meu perfil.

Concorri e passei. 

Como última tarefa,  já aprovado, deveria ir até o Departamento de Ordem Política e Social, vulgo DOPS, hoje extinto, para retirar um Nada Consta, a meu respeito.

Não deu outra, uma semana depois, ao buscar o documento,  informaram-me que constavam dados sobre mim, e que deveria dirigir-me até a segunda região militar, para obter o tal Nada Consta.

Não preciso dizer do medo que senti ao dirigir-me até a avenida Brigadeiro para obter o malfadado documento que nunca recebi...

Não preciso dizer que não entrei no Correio, que por sinal, tinha um tal coronel Dirceu no comando. Os militares aproveitavam da máquina do estado, e colocavam seus apaniguados em postos chave, apenas porque eram militares. 

Era assim que as coisas aconteciam. 

Não desejem nunca a volta desta situação em nosso país, como se fosse um sonho.. era um pesadelo.

Este é um pequeno exemplo pelo que passei.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

ESPERA INDEFINIDA

 

A cama está a espera...

reluto.


Uma ânsia indefinida 

mantém os olhos abertos.


Um examinar tudo 

permeia o silêncio.


Todos dormem... 

também suas aflições 

adormecem.


A cama ainda está a espera...


Deitar as interrogações?


(Perguntas sonâmbulas 

e um corpo cansado 

pelo tempo).


Desejaria ser água, 

líquido, 

quem sabe pedra, 

ou nuvem,

estar integrado 

ao conjunto da obra, 

não ser nada... 

não sei.


Continua a espera 

não encontro explicações...


Passam os dias

Vêm as noites...


Não passa,

nunca passa...

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

POEMA SUJO

 

(dedicado ao povo das ruas)


Meus versos 

vem das sarjetas, 

esquecidos nas bebidas, 

quando a vida 

perde sentido, 

cai ao chão.


Da calçada dura 

recito versos 

malditos

esquecidos, 

vencidos, 

rimas na contramão 


Sou a liberdade plena, 

o perseguido sem pena, 

desprezado e acuado, 

sempre retirado de cena.


Sou chuva e Sol, 

calor e frio, 

vestimenta dos tempos...

em mim convivem

os elementos, 

mais suor, 

e calafrio 


Expressão verdadeira, 

sorriso limpo, 

face brejeira, 

sem máscaras 

na algibeira, 

palavras 

em tempo certo, 

digo a quem queira 


Vou aonde puder,  

quando quiser

proclamo versos 

em voz alta, 

sem fronteiras, 

se tiver, 


Sigo o vento, 

saio expulso, 

vou como por impulso, 

admirando este mundo vão.


...e agradeço, 

eu que não mereço, 

este poema sujo, 

sem endereço, 

escrito proscrito, 

acinte sem ouvinte, 

saído do chão

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

PORQUÊS

Porque esvoaçam os brilhos que descansam no olhos?

Os ninhos que se ocultam na boca, chocam verdades? Não eclodem?

As sombras disfarçadas pelo Sol, anoitecem o dia?

As estradas namoram as paisagens? Questionam suas permanentes partidas?

Os livros decifram pensamentos? Escapam pelas leituras?

PEQUENOS TRANSITÓRIOS

  Quantas histórias passam sem que saibamos.   Por vezes sinto falta delas, que desconheço. Nem que quisesse abarcaria toda alegria e sofrim...