segunda-feira, 11 de maio de 2026

LOGO APAGA...

 


Se negam tudo tanto, 

deixem-me ser, 

ao menos, poeta, 

e já basta.


Fiquem com o mundo!


Explorem o povo 

até a exaustão!

guerrreiem!

matem!


Que sobre 

apenas a poesia 

para mim, 

este é o meu pão.


Meu coração 

é manso, 

busca um pasto 

em algum campo 

esquecido por aí, 

para passar o seu dia,

não comporta 

violência, 

ódio, 

morte.


Atenção!


Não digam a ninguém 

onde estou, 

finjam 

que não me conhecem.


Se quiserem encontrar-me, 

às altas horas da noite, 

ainda verão uma estrelinha, 

fraquinha..., 

na borda 

do monte dos desejos. 


Este sou eu...


Como vêem,  

não é preciso 

dar atenção, 

logo apaga...

TEMPO AO TEMPO

 

Há um condimento somatizado...

experiências em que 

uma consciência fortuita 

tece valores escondidos.


Alcançam posições serenas 

de um arcabouço diário,  

processo permanente 

de lições tiradas 

ao longo do tempo. 


Ficam disponíveis 

para as novas ocasiões,  

onde intervém 

em doações 

mais acuradas. 


Assim interajo

evolutivamente, 

volúpias despedidas

que cercam a vida.


Olhando quem sou, 

vejo outro alguém 

que me forma

sábado, 9 de maio de 2026

DESLOCADO

Sou o incômodo, 

o fora de hora, 

o deslocado, 

o que põe a verdade nua

na cara, 

descaradamente.


Sofro o isolamento 

dos que se escondem 

em justificativas, 

injustamente...


Caminho só pelo mundo, 

mudo e discriminado..

Mãe, porquê me deixastes crescer?

 Mãe, porquê me deixastes crescer?


Não sabias como é o mundo?

Não terias como me proteger.

O mundo não tem regaço. 

não consola, 

não compreende, 

não perdoa..


Partiste na hora errada, 

és chamada estar presente sempre.


Neste teu dia, 

interrogo tua ausência,  

como filho sempre carente,  

de teus ouvidos santos, 

teus braços acolhedores 

de minhas dores

quarta-feira, 6 de maio de 2026

POR CERTO TEMPO

 


Vou sair por pouco tempo, 

fazer de conta 

que viajei para longe.


Sei que alguns 

sentirão falta 

por um certo tempo.


Talvez lembrem-se 

de algo bom que fiz, 

em alguns momentos, 

depois esquecem 


Não rompi estruturas, 

não alterei 

a maioria das rotinas; 

destas digo em voz alta, 

duraram muito tempo.


Passo sem fazer ruídos, 

alterar a sequência das coisas...

sigo mansamente


Revoltado um dia,

conformei-me, 

tornando tudo natural.


Não tenho muito 

não fiz muito

a vida é rápida e frágil, 

não deixa muito tempo 

para mudancas


Importa o agora, 

e é no agora 

que vamos

OLHOS DE VER

 


Escolho pelos olhos, 

observo o que perscrutam...

se voam livres, 

escondem algo, 

trazem marcas 

de sofrimento,

ingenuidade, 

ansiedades...


 Neles pouso, 

faço por regaço 

algum tempo 

e aguardo 

o que vem, 

se lágrimas, 

se dissipam

depois vou embora.


Muitos olhos 

atravessam o caminho, 

não paro de olhar

é preciso ver a todos...


Sigo medindo 

o quanto somo 

de tudo isto, 

olhos de ver, 

olhos de acompanhar


Sigo me vendo 

em tudo isto 

nos olhos que vejo.

MUITO TARDE

 


Quando vêm, 

cobrem todo o céu. 


É como se um louco, 

de repente

fosse fazendo tudo 

o que lhe vem à cabeça, 

sem pensar, 

porque não pensa,

metendo os pés pelas mãos,

invertendo tudo.


Um vendaval cobre a nação, 

chuvas e ventos, 

desordem nos elementos, 

espalham-se em profusão.


Ninguém sabe o dia de amanhã,  

ninguém pergunta ao outro 

o que está acontecendo 

com o salário, 

a aposentadoria, 

os direitos 

duramente conquistados


Sabem que perdem, 

mas é tarde, 

porque assentaram-se no poder, 

não sairão tão cedo

e fazem tudo

o que lhes vêm à cabeça. 


Muito tarde!


Avisamos tanto 

sobre este vendaval...


Não acreditaram.

LOGO APAGA...

  Se negam tudo tanto,  deixem-me ser,  ao menos, poeta,  e já basta. Fiquem com o mundo! Explorem o povo  até a exaustão! guerrreiem! matem...