terça-feira, 25 de agosto de 2026

SEM SAÍDA

 


Seguir é tudo que podemos, 

neste mundo corrido.


Não há parar, meditar...


Estamos num processo, 

independente de nós, 

maior... 

ou seguimos nele 

ou desaparecemos.


Amar, 

lutar, 

estudar 

ter uma profissão, 

conhecer lugares novos, 

casar, 

ter filhos, 

tudo está dentro dele, 

envolto neste imenso processo.


Não tem saída, 

não há escapatoria, 

sorrindo ou chorando,  

enriquecendo, 

passando dificuldades, 

ainda assim, 

nele estamos...


Até este poema 

consciente,

de consolo, 

faz parte, 

perde um pouco 

seu ardor, 

e também 

vai seguindo adiante...

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

MUTANTE

  


Talvez esteja melhor 

numa fotografia, 

nunca me vejo 

completamente. 


São os olhos 

educados em disfarces?

ou sou mudancas, 

e em nada me fixo, 

instáveis imagens.


Moldo palavras, 

guardo-as em tumbas, 

reverberam tempos sem fim, 

escapam loucas, 

em vetores ocultos

rejeitadas 

por mim, 

por ti, 

por todos. 


Explodem complexas, 

fora de hora, 

ferem


Quem sabe 

o chapéu,  

o óculos, 

bigode...


Não escondem.


Tudo está em aberto, 

poucos vêem, 

nem eu...

VAZANDO

 


Não tenho palavras 

para dizer 

o que se passa 

em mim, 

ao meu redor.


Nem mesmo sei 

o que sinto, 

contar será falso, 

cadafalso

minto...


Passo disfarçado, 

como se não existisse, 

e conto nos dedos 

os minutos 

até que o dia acabe.


Nublado e cinza 

percorrem juntos 

este enlace 

de nada 

e coisa alguma.


Não se encerra 

nesta terra 

o fim, 

perene torpor 

em mim

Nem desapego...


Não sei, 

estou na minha, 

vou como posso.


Não me importo, 

mal me suporto, 

desapego de mim.


No jardim 

entendo 

a terra 

que serei


Cuido 

das plantas


e fim

domingo, 23 de agosto de 2026

ENIGMA


Transporto um estranho...

identifica significados, 

e só...


O amor sonolento 

aguarda despertares,  

tardio, 

vive pelos corredores, 

abrindo e fechando portas...


A suavidade dos ventos 

o silêncio do astros 

moldam a postura, 

aliviam 


O tempo repousa, 

insuficiente 

chama frágil

de eternas lutas.

deitar do dia, 

da vida...

Sigo este enigma indecifrável. 






Meu mato cultivado


 Cultivando mato


Tenho feito mudas de árvores frutíferas. Atualmente tentando germinar as sementes da tal laranja ponkan, muito fificil de pegar. 

Neste processo já plantei 5 pés do limão cravo, e em 5 anos nós abasteceu por uns 7 meses a casa com limões. 

Numa destas germinados surgiu esta plantinha. 

É um mato...mas em vista de tanta dificuldade, criei uma afeição particular por este matinho, e lhe mantenho, regando regularmente.

Os vegetais não são compreendidos como deveriam. 

Neles olhamos o conforto que no dão...não percebemos como se manifesta sua forma de viver, tao rica em ensinamentos. 

Lembra-me o papa Francisco e sua ecologia integral. 

Lembra tambem Jesus Cristo sempre usando na natureza para levar suas mensagens ao povo. Nem consta que ele fez curso superior, e frequentou alguma academia. 

Muito de encontro com minha posição antiacadêmica.

Olha ela aí, toda espichadinha...

IDENTIDADE

  


Sou da solidão, 

da observação, 

reflexão.  


Sou da massa, 

sem figurões,  

tradições. 


Sou da verdade, 

transparência, 

insuficiência...


Sou da fé 

em ações, 

sem convenções.


Sou de nós, 

dos nós 

grande grupo humano, 

cheio de desengano.


Sou poema 

cardíaco 

deserdado, 

notívago 

sonho 

semidesperto

SEM SAÍDA

  Seguir é tudo que podemos,  neste mundo corrido. Não há parar, meditar... Estamos num processo,  independente de nós,  maior...  ou seguim...