As vezes me assombra um esgotamento de ter usado todo meu repertório, e estar vazio de novidades.
Observo-me como se tivesse alcançado um fim.
Este sentimento persegue-me, contra a vontade, por largo espaço de tempo.
Alastra-se para as pessoas também...passo a vê-las como a mim, sem sal...
Também as instituições que me relaciono, vão perdendo sentido, ah vão, aguçam minhas críticas
Reflete em meu humor, em minha fé, na forma dos diálogos que mantenho com as pessoas.
Controlo-me para que não percebam o quanto estou inodoro e entregue, procurando na rotina uma tábua de salvação.
Curiosamente isto sumenta minha tolerância e compreensão com o mundo, abre portas, passo a entendê-lo melhor...
Não tenho comigo obrigação alguma de ser isto, ou de estar em tal situação, então, deixo correr esta enzima para ver até onde vai, no que vai dar.
A consciência faz vermos de frente, e percebemos que não somos agradáveis muitas vezes, ao contrário, ficamos chatos e impertinentes.
A vocês, a quem confidencio este juízo interior, peço apenas complacência de vez em quando, e me ignorem quando sumo...
No mais, quando volto, também sou outro... deixo muitas gratuidades de lado, perdendo o humor aquela certa ignorância que acompanha.
Assim vou, conhecendo fases e me transformando.
Como vêem trago novidades, nem sempre boas.
Então, ignorem.