quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

AFAGO

 


Teu sofrimento, 

amiga, 

ocultas a todos.


Atingiste 

a humildade suprema 

ao silenciar-se na dor.


Quisera afagar-te de consolos, 

curar tuas feridas tão grandes...

não consigo.


Teu tempo encerra-se 

sem que alguém perceba.


Teu tempo atinge 

uma plenitude contraditória, 

supera-se neste pequeno 

enlace esquecido.


Possa eu aprender 

este ensino derradeiro, 

de paz na dor, 

encontro transcendente, 

verdadeiro

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

SÓ POR VOCÊ

 


Há um espaço te esperando 

e há um tempo propÍcio. 


Há um descobrir deste espaço, 

e um aproveitar deste tempo. 


É um leito para um rio a existir,

um desaguar no mar que é você.


Permita-se!


Há um chamado 

clamando, 

dentro de ti, 

para realizar-se, 

ser alguém.


Ninguém é ninguém 


Há um você 

a ser descoberto 

em meio a multidão, 

genuino, 

só seu.


Há algo para todos 

que só você 

pode trazer, 

segredo civilizatório.


Há uma porção 

sua 

necessária a todos, 

que só você 

pode produzir

SUBITAMENTE...

 


Subitamente desperto,

afloram-me 

conjunturas insolúveis, 

fraquezas repetidas, 

arrependimentos impenitentes.


Tudo bem desenhado, 

diante de mim, 

como um filme...


Como se o Altíssimo 

fizesse uma desforra 

de minhas idiossincrasias, 

despejando a um só tempo 

um represamento de décadas, 

sem alarde, 

sem que ninguém ouça,

na alta madrugada.


Quem sabe agora um padre... 

e esta fosse 

a ocasião propícia 

de um confessionário. 


Quem sabe, 

um momento de oracão 

disfarce de lucidez, 

onde as grandes nudezes 

ficam à vontade 

em se expor.


Não sei...


O mundo segue 

seu caminho inexorável, 

destino de incautos, 

enquanto perfilo-me 

diante de possibilidades, 

sem resolver, 

assistindo


De repente, 

um desejo 

de renovação, 

e a noite recebe 

pequenas claridades 

no horizonte...


Este o pequeno eu, 

que desperta à  noite, 

precisando ser um gigante, 

quixotesco e desvalido

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

INCONTIDO

 

(em memória a Álvares de azevedo)


Sou um perdido...

meu caso 

não tem solução.


Amo todas as mulheres, 

só arranjo confusão.


Desvio o olhar, 

como se pudesse 

me acalmar...


Qual nada, 

mais me desvio, 

mais cresce , desconfio

este desvario interesse

febril que me acaba.


A flor do meu jardim, 

chama-me sempre 

a atencão,

a ela apego-me 

como âncora, 

desta habitual desatenção...


Assim sigo, 

contrariando-me, 

pedindo perdão, 

tão grandes desejos controlo

deste incontrolável coração

FADIGA SISTÊMICA

 

A mansidão dos mar perdoa meus grandes hiatos, quando desapareço de tudo, escondo-me em casa.


De tempos em tempos tenho uma fadiga sistêmica,  de excessos de palavras, os compromissos intermináveis, lutas eternas.


A paz torna-se uma obrigatória e autônoma reclusão. Reservo-me o direito de desistir, vez por outra, para manter presente meu eixo.


Minhas convicções também tiram férias. 


Não são desistências, é a observação conclusiva no decorrer do tempo, de que certas mudanças ultrapassam meu tempo.


Reclusão estafante, onde meus sonhos, de alguma forma também adormecem.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Fraternidade e moradia

 Vai começar a Campanha da Fraternidade de 2026 - FRATERNIDADE E MORADIA. Cada ano que passa, a Campanha da Fraternidade vai sendo melhor inserida na Igreja no Brasil. Com este tema abre-se a oportunidade de analisarmos todas as vezes em que o tema da moradia aparece nos evangelhos.

Podemos também pensarmos nas políticas públicas de habitação existentes, se são suficientes, se aproveitam o legado já existente de formas de vida atual, enfim muitas alternativas são colocadas.

Nosso país tem um imenso déficit habitacional, que força a população de baixa renda ver nas ocupações a maneira mais rápida de resolver esta situação, ainda que corra riscos de ser expulsa.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

RECOLHO EXPERIÊNCIAS

 

Recolho experiências 

como quem sempre nasce.


Tudo que é novo 

vai sendo guardado 

no alforje do coração. 


Gera domínio do tempo, 

novidades enfraquecidas 

no longo convívio.


Trazem lágrimas e dores, 

esperanças, sorrisos, 

e acasos.


Nunca tem a palavra final, 

continua ensinando.


Recolho experiências 

como quem morre aos poucos, 

quem quer saber(? )

permanecem guardadas...


O mundo corre 

sem memórias. 

esbarra-se 

na mesma 

e repetida maré, 

lua nova, 

oculta.

AFAGO

  Teu sofrimento,  amiga,  ocultas a todos. Atingiste  a humildade suprema  ao silenciar-se na dor. Quisera afagar-te de consolos,  curar tu...