quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O que vem depois



O que vem depois 

não serão orações. 

Orações são agora.


A conta não fecha. 

Há um débito permante, 

impagável...


Não sei o tanto 

que me preparei, 

e neste caso talvez,

tenha ficado 

em meio do caminho.


Misturei tantas ações no mundo, 

impregnei-me das cascas e das duras raízes, impossível sair incólume. 


Ser um eremita? 


Quem sabe...


O rompimento é ácido e doloroso.


Faço um diálogo metafórico, 

alimentando na realidade 

dos símbolos disponíveis.


Retiro de todos os ambientes 

que se apresentam 

a explicação de minhas dúvidas. 


Complexo demais 

para a lógica de nosso tempo


As conclusões 

não confesso a ninguém, 

seria considerado louco varrido.


O que vem depois 

tem múltipla linguagem, 

e nesta, estou como um aprendiz

ÀS VEZES

 


Às vezes dá vontade de chutar tudo pr'a cima, e seja o que Deus quiser. 

Às vezes o olhos aguçam olhares e veem além, as imensas prisões que vão se apegando, aos poucos, sem que percebamos, ou mesmo com nosso consentimento...aceitamos abrir mão de nossos destinos, cedemos e cedemos.

Às vezes vem uma revolta sem inimigo definido, revolta de tudo...ah se encontro uma insurreição por aí.. 

Porque estou muito ajuizado, cheio de palavras certas, como um doutor nisso ou naquilo, fosse o dono da verdade...

Por isso, ainda sou um revolucionário que reconhece a "legitimidade" deste acontecimento,  mesmo com a idade me assombrando...

Ah que vontade de jogar tudo pr'a cima, e derrubar.. às vezes.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

RELAÇÕES

  


Relações, 

delas tiro lições, 

caminhos a seguir, 

desviar, 

parar...


Extraio 

extratos 

combinados:

cuidados,  

interações, 

intervalos, 

suspensões...


Uniforme conclusão, 

em meio a teia, 

somatória disforme 

em permanente construção.


Mantenho uma formação louca, 

de regras 

obrigatórias, 

impostas, 

à livres digressões, 

aleatórias. 


São retalhos 

velhos e novos, 

de tempos, 

hábitos, 

normas...

rasgados, 

costurados, 

firmes, 

separados, 

nas ondas da ilusão

domingo, 9 de agosto de 2026

LALAU

 


Quanto mais passa o tempo, mais vamos nos esquecendo de nomes, até que desaparecem...

Faço memória hoje de um jovem chamado LALAU.

Nunca soube seu verdadeiro nome. 

Era estudante da PUC, acho que na Economia. Eram os anos difíceis da repressão, com torturas e assassinatos disfarçados de suicídios.

Eu namorava Margarida embuste período de 70 a 73, e o Lalau era amigo nosso, e tentava nos cooptar a participar de seu movimento 

Já Por volta de 1974/75,  eu trabalhava em Piracicaba, e alugara um ranchinho perto, em Artemis, e estava lá com Meg, recém casados.

Lalau havia sido preso em 1971/72(não sei ao certo), descobri depois que militava na ALN, um grupo armado que rompera por dentro do PCB, e fazia guerrilha urbana.

Neste ano de 1974 ele havia sido solto.

 Amargara importantes anos de juventude nos cárceres da ditadura. 

Tão logo saiu, soube que nós estávamos em Piracicaba e passou conosco alguns dias no rancho. 

Curiosa era sua ansiedade em participar daquele ambiente, como se descontasse os anos aprisionados.

Terminado este tempo de uma semana aproximadamente, despediu-se e foi visitar seus parentes...para ver como lhe éramos queridos, precedíamos na visita 

Assim foi...

Nunca mais o vimos...

Soubemos, mais tarde, que morrera afogado num riacho, em Minas Gerais, quando da visita a seus pais.

O destino às vezes é ingrato...

Deixo aqui esta memória, junto a um lamento antigo,  guardado no coração.

LALAU era seu nome, um rapaz alegre e cheio de vida,  um amigo..

ESTRANHO EM MIM

 

Acompanha-me, 

vez por outra,

um estranho... 

percorre corredores sem fim, 

para ver ser se chega 

a algum lugar, 

ai de mim...


Agora mesmo está aí 

fuçando escombros velhos 

para ver se não esqueci 

algo importante, 

deixo sempre algo para trás 


Aproveita-se assim 

desta longa maratona, 

dividida 

em distintos personagens...

este bem oculto, 

declina seu nome.


No esguio aproveitar do silêncio, 

visualizo sua sombra, 

no indistinto escuro, 

como alguém que me assombra, 

 num inseguro confim

ALÉM ANIVERSÁRIOS

 

Não pedi para nascer, 

mas fui desejado, 

cresci sem saber 

o que fazer, 

depois descobri.


Amar foi tornando-se 

um mistério crescente, 

transcendente, 

nunca termina, 

dói perder.


A idade constrói monumentos, 

destruo constantemente a todos, 

busco o afago dos fracos, 

esquecidos.


O dia apresenta 

desafios de vida, 

reponho-me sempre 

na trincheira da verdade,

a morte ronda por perto...


A cada manhã o Sol, 

a consciência, 

a cada noite,

vigilias, 

sobrevivência .


Sou desafios diários,  

além aniversarios...

QUANDO VIERES...



Quando vieres 

traga junto a fragilidade,  

os reis fiquem com seus tronos.


Ao aproximar-se 

seja suave, 

possa ser vista

desde longe, 

e tão logo possas, 

afague-me antes 

de qualquer palavra.

 

Quando chegares 

traga junto lamparinas acesas, 

grandes são minhas escuridões, 

clareie cômodo por cômodo, 

até tudo iluminar-se.


Suas palavras sirvam de alimento 

onde possa refestelar-me junto a ti, 

na verdade, 

a depender do grau, 

sejam preservadas dos maus...


Quando vieres, 

venhas inteira, 

em fraternos altos e baixos, 

junto às minhas volúveis aquiescências...


Assim poderemos nos entender no amor, 

e caminharmos juntos

O que vem depois

O que vem depois  não serão orações.  Orações são agora. A conta não fecha.  Há um débito permante,  impagável... Não sei o tanto  que me pr...