sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A saudade que tenho é de nós mesmos, de Betty Vidigal

 A saudade que tenho é de nós mesmos, 

de quem éramos décadas atrás. 

Nós somos como amigos que perdemos, 

gente querida que não vai voltar. 

Um par de jovens que se pôs ao mar, 

tomou dos remos para nunca mais. 


Quem eram eles, que já não os vemos? 

A mulher bronzeada lendo ao sol,

os dois estraçalhando um rock’n roll, 

em que dobras do tempo se esconderam?

E as três crianças que os rodeavam?

Antigamente estavam sempre aqui, 

voando no turquesa da piscina,

aves aquáticas de um Morumbi 

que era um lugar longínquo e quase ermo.


A saudade que tenho é de nós mesmos.

REALIZADO

 


Hoje tenho 

um cansaço realizado, 

ações  completas.


Hoje há um beijo 

que perdura 

no espreguiçar, 

um amor 

que repõe 

a paz.


Hoje a esperança 

dá bom dia, 

acesa.


Tempo de verdade

aflorada...


O excesso 

de mentiras 

divulgadas, 

nada afeta.


Encontro 

do amor 

com a rotina,

olhares 

expandidos, 

horizontes 

próximos, 

medos 

esquecidos, 

palavras 

novas, 

bom 

ânimo. 


Os pés 

no chão 

da realidade 

a cabeça 

ordenando 

naturalmente 

como bem 

tratar tudo.


Dia de abrir janelas 

respirar fundo, 

porque estou presente, 

tudo está 

em seu devido lugar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O ódio e a ignorância

 Tem sido praxe os radicais de direita adorarem seus líderes. Assim foi com Hitler, e aqui no Brasil um ex oficial, incompetentissimo...se perguntarem o que ele fez, não sai nada.

Esta adoração sem limites faz com que aceitem qualquer mentira. E, como gostam de xingar, vivem de falar mal dos outros.

Mas o homem da tornoseleira eletrônica,  este é um Deus. 

Muitos evangélicos tem trocado Jesus Cristo por ele, em total desacordo com a palavra de Deus que propõe o amor como princípio .

Assim, chegamos a uma eleição de fanáticos. O STF endemonizado, o presidente Lula Xingado.

Mesmo assim, estes neo fascistas perderão estas eleições, porque o povo brasileiro está se dando conta que, no fundo, querem acabar com seus direitos.

Irão corrigir as aposentadorias por índices menores do que a inflação, vão continuar com o orçamento secreto no Congresso, sangrando os cofres da União sem dizer o que fizeram..  a luta é grande.

Então muita serenidade neste momento, porque eles sao raivosos e querem nos tornar também raivosos.

Analisem com calma, sem a influência dos Médicos Sem Vacina que negam as conquistas da ciência. A Michelle vacinou-se, escondida, nos EUA, quando pode

Muita paz e uma eleição onde as pessoas possam ser fraternas e apresentem o que farão se ganharem, porque xingar por xingar não garante nada.

Por um Brasil Fraterno

CONSCIÊNCIA DO VAZIO

 


As vezes me assombra um esgotamento de ter usado todo meu repertório, e estar vazio de novidades. 

Observo-me como se tivesse alcançado um fim.  

Este sentimento persegue-me, contra a vontade, por largo espaço de tempo.

Alastra-se para as pessoas também...passo a vê-las como a mim, sem sal...

Também as instituições que me relaciono, vão perdendo sentido, ah vão, aguçam minhas críticas 

Reflete em meu humor, em minha fé,  na forma dos diálogos que mantenho com as pessoas.

Controlo-me para que não percebam o quanto estou inodoro e entregue, procurando na rotina uma tábua de salvação. 

Curiosamente isto sumenta minha tolerância e compreensão com o mundo, abre portas, passo a entendê-lo melhor...

Não tenho comigo obrigação alguma de ser isto, ou de estar em tal situação, então, deixo correr esta enzima para ver até onde vai, no que vai dar.

A consciência faz vermos de frente, e percebemos que não somos agradáveis muitas vezes, ao contrário, ficamos chatos e impertinentes.

A vocês,  a quem confidencio este juízo interior, peço apenas complacência de vez em quando, e me ignorem quando sumo...

No mais, quando volto, também sou outro... deixo muitas gratuidades de lado, perdendo o humor aquela certa ignorância que acompanha.

Assim vou, conhecendo fases e me transformando.

Como vêem trago novidades, nem sempre boas. 

Então, ignorem.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

INSENSATO

 


Ser pequeno, 

impulso sereno, 

após derramadas 

lágrimas orgulhosas.


Quantos voos vãos 

consciência 

de desilusão,

escapam 

entre as mãos...


Sigo 

um aprendiz, 

de derrota 

em derrota, 

do que fiz;  

e não fiz, 

em silêncio 

como abrigo

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

SEM EXPLICAÇÃO

  


O fim não conheço, 

o início não lembro, 

agora está passando...

não sei como vim, 

não estou certo 

de onde estarei...

como estou 

é consequência, 

um tudo 

sem começo 

nem fim.


Etéreo caminhante, 

letras                          soltas 

      em forma 

      de encontro.


                 Fluido tempo 


escasso 

espaço


O que faço 

aonde,

neste agora?

CALABAR de Betty Vidigal

 Em calabar teu nome tantas vezes, 

denunciei aos portos teu ofício. 

Que não permitam mais o contrabando 

da muamba invisível, 

o difícil

descaminho dos sons. 


Esse ritmo cravado na memória.


Da muamba invisível, esse ritmo 


cravado na memória

(dez sílabas, seis sílabas,

não sei 

quem plantou as provas na bagagem). 


Não compreendo que exponham nas vítrines

as sedas, porcelanas, os temperos, 

especiarias exóticas, as quebras

de ritmo e contratos

contrabandeados. 


Calabar

é verbo e metonímia.

Adelante!

Denuncio à autoridade aduaneira

os planos e as mudanças

de quem mudou de lado tantas vezes. 


No pasarán! 

No pasarán pelo fio da navalha

da alfândega. 


Fiscais aduaneiros, 

revistai também os bolsos de quem chega

carregando perfis e avatares. 


Carregando perfumes e lembranças.


Transportando perfumes e lembranças,

especiarias exóticas, essência


de sábados.

A saudade que tenho é de nós mesmos, de Betty Vidigal

 A saudade que tenho é de nós mesmos,  de quem éramos décadas atrás.  Nós somos como amigos que perdemos,  gente querida que não vai voltar....