Os problemas
não adormecem,
estão dispostos
nas prateleiras,
como integrantes
da familia:
são mobílias,
vasos,
talheres,
roupas,
automovel,
casa...
misturam-se a tudo,
impregnados a cada utensilio,
conforme são utilizados...
Despertam-nos
com planejamentos
de saídas
que não acontecem,
exigem
desprendimento
incomum,
evocam
caminhos
de espinhos.
Estão
em contraste constante,
flagrante progressão,
diminutas soluções.
Surgem,
de surpresa,
nas altas madrugadas,
misturam-se aos pesadelos,
mó de moinho
triturando
a economia,
os bens,
as relações...
Fazem ameaças,
sujam nomes,
os artifícios possíveis...
cobram soluções
que não vêm,
insistentemente.
Jogam tudo para o ar...
Estão à espera
de um milagre
que não acontece