segunda-feira, 24 de agosto de 2026

VAZANDO

 


Não tenho palavras 

para dizer 

o que se passa 

em mim, 

ao meu redor.


Nem mesmo sei 

o que sinto, 

contar será falso, 

cadafalso

minto...


Passo disfarçado, 

como se não existisse, 

e conto nos dedos 

os minutos 

até que o dia acabe.


Nublado e cinza 

percorrem juntos 

este enlace 

de nada 

e coisa alguma.


Não se encerra 

nesta terra 

o fim, 

perene torpor 

em mim

Nem desapego...


Não sei, 

estou na minha, 

vou como posso.


Não me importo, 

mal me suporto, 

desapego de mim.


No jardim 

entendo 

a terra 

que serei


Cuido 

das plantas


e fim

domingo, 23 de agosto de 2026

ENIGMA


Transporto um estranho...

identifica significados, 

e só...


O amor sonolento 

aguarda despertares,  

tardio, 

vive pelos corredores, 

abrindo e fechando portas...


A suavidade dos ventos 

o silêncio do astros 

moldam a postura, 

aliviam 


O tempo repousa, 

insuficiente 

chama frágil

de eternas lutas.

deitar do dia, 

da vida...

Sigo este enigma indecifrável. 






Meu mato cultivado


 Cultivando mato


Tenho feito mudas de árvores frutíferas. Atualmente tentando germinar as sementes da tal laranja ponkan, muito fificil de pegar. 

Neste processo já plantei 5 pés do limão cravo, e em 5 anos nós abasteceu por uns 7 meses a casa com limões. 

Numa destas germinados surgiu esta plantinha. 

É um mato...mas em vista de tanta dificuldade, criei uma afeição particular por este matinho, e lhe mantenho, regando regularmente.

Os vegetais não são compreendidos como deveriam. 

Neles olhamos o conforto que no dão...não percebemos como se manifesta sua forma de viver, tao rica em ensinamentos. 

Lembra-me o papa Francisco e sua ecologia integral. 

Lembra tambem Jesus Cristo sempre usando na natureza para levar suas mensagens ao povo. Nem consta que ele fez curso superior, e frequentou alguma academia. 

Muito de encontro com minha posição antiacadêmica.

Olha ela aí, toda espichadinha...

IDENTIDADE

  


Sou da solidão, 

da observação, 

reflexão.  


Sou da massa, 

sem figurões,  

tradições. 


Sou da verdade, 

transparência, 

insuficiência...


Sou da fé 

em ações, 

sem convenções.


Sou de nós, 

dos nós 

grande grupo humano, 

cheio de desengano.


Sou poema 

cardíaco deserdado, 

sonho tarde, 

recito pelas manhãs

sábado, 22 de agosto de 2026

DEPOIS...

 


Quando puder 

guarde um lugar 

para mim, 

afinal, grande é  o palco, 

maior que a realidade.


Podendo, 

convide-me 

para conversarmos, 

quem sabe resolvemos 

as questões 

que ainda estão 

pendentes.


A hora que você 

tiver um tempo, 

que tal sentarmos 

no banco de uma praça, 

para jogarmos conversa fora, 

enquanto alimentamos os pombos...

arrulham tanto suas ansiedades 

em nossas indiferenças...


Ah, sei lá, 

faça como você quiser, 

e deixemos para outra hora. 

não era importante mesmo, 

fica para depois

AS COISAS COMO SÃO


Ando deixando correr 

as coisas do seu jeito, 

como são...

colocando de lado 

as opiniões.


Ando considerando 

a situação 

como se apresenta, 

sem julgar 

como deveria ser.


Ando observando 

sem surpresa 

a realidade, 

em sua plenitude, 

com naturalidade, 

como a sequência 

de uma ordem 

exterior a mim.


As roupas nos varais 

secam ao vento...


Sigo vestindo-me 

diante de todos, 

fazendo as refeições 

nas horas certas, 

o café da manhã 

almoçar

jantar

dormir 

acordar...


Ando deixando correr 

as coisas do seu jeito, 

como são...

VAZANDO

  Não tenho palavras  para dizer  o que se passa  em mim,  ao meu redor. Nem mesmo sei  o que sinto,  contar será falso,  cadafalso minto......