segunda-feira, 28 de abril de 2025

RESGATE

 


Prisioneiro da consciência, combato em mim milênios de segregação, e muitas vezes desconheço o amor.

Pego-me seco e intratável, depois descubro umbrais intransponíveis de minha auto dominação. 

Saio com um sentimento de culpa por tanta permissividade de valores de segregação,  indiferença arraigada de classe, rejeição às pessoas.

É preciso não desviar o olhar e admitir a diversidade de um mundo complexo neste tempo.

As estruturas sufocam muito e vou tentando resgatar minha humanidade.

Difícil...muito difícil.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

PASSO E COMPASSO

 


Vou dar um passo, 

quem sabe 

te veja melhor, 

mais perto.


Vou dar um jeito 

de olhar melhor, 

quem sabe 

encontre o caminho 

perdido no tempo...


Sei das flores 

que encontrei,

seu perfume 

entranhou saudade, 

sigo pelo olfato...


Sei das pedras, 

questionam o movimento, 

afogam raízes, 

ainda machucam...


Meu dilema exaure-se 

por longos períodos, 

as estações o alimentam 

mais e mais...


Suspenso o próximo passo, 

respeito o pensamento 

junto ao compasso

PEQUENO..

 


Hoje estou pequeno e oculto.

Poucos sabem de mim.

Sobra-me o tempo do esquecimento.

Com ele, cultivo a descoberta da transitoriedade.

Ser eu mesmo sem pertencimento algum, vive a rejeição das ideias uniformes. 

Ser pequeno é uma escolha dos que não pretendem ser escolhidos.

Passa por uma auto rejeição de tudo, que na verdade é nada.

O mundo é uma imensa falsidade de valores a contaminar ambientes e pessoas. 

Perde-se a vida por nada, nem sabem que a perdem.

Viva simplesmente a palavra que reflete o olhar, e deixe correr assim.

Pequeno e silencioso...

quarta-feira, 23 de abril de 2025

FRANCISCO VIVE

 A Páscoa do Papa Francisco calou os fascistas no mundo inteiro. Até  seus inimigos confessos fingem-se de Santos, e escondem o sangue que tem nas mãos, para reverenciá-lo. Recuam de seus ódios. Despertou os comunistas, que se viram semelhantes. Está iluminando o mundo com o ar fresco e simples da verdade. Está unindo, a contragosto de seus líderes, muitas igrejas e religiões. Enfim, Francisco mesmo morto parece ressuscitado. Está chacoalhando o mundo de uma  humanidade que estava sendo descartada. Esta força toda que o iluminou é Jesus Cristo crucificado e ressuscitado.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

CONFIDÊNCIAS

 


A velhice é um demorado Adeus.


Uma despedida 

começa ao redor, 

quando as amizades 

simplesmente diminuem, 

até ficarem poucas, 

quase nenhuma


Passos ficam lentos, 

voz mais refletida, 

que exercida, 

vive-se mais dentro.


As novidades 

são antigas, 

permanecem,  

passam por fora.


Vive-se um mundo 

que já não existe.


Aprende-se 

a angústia 

de ser só. 


Segue-se um périplo, 

silencioso, 

até tudo se acalmar 

com sua ausência, 

logo esquecida, 

ainda em vida


Uma paz acompanha 

a revisão do caminho 

trilhado, 

ora orgulhando, 

ora penitenciando. 


No fim, 

em avaliação,  

prevalece a compreensão 

do perdão ilimitado, 

a nós que não nos perdoamos.


O quanto se tangenciou 

na vivência escatológica 

trará maior ou menor 

aceitação da grande viagem.


Caminho do tempo, 

caminho de formação.


Continuarei o aprendizado depois, 

 ou já não haverão novidades?

DISTRAÍ-ME

 


Distraí-me nas luas...

em qual me conheceste? 

Imprevisto decifro 

nuvens fugidias 

antes que ventos cegos 

expulsem os caminhos livres.


Andei invisível, 

hoje grito, 

não sei a hora


Distraí-me antes 

que os lírios 

despertassem 

as ânsias 

do perfeito.


Distraí-me 

enquanto andava nu, 

sem regras, 

revoltado com tudo...


Conheces minha luas?

PÁSCOA ATUALIZADA NA IGREJA

 

A morte vencida na esperança e a vida em despedida.

Seu nome, Francisco.

Amou tanto as pessoas, a ponto de criar uma Igreja em saída, com altares nas praças,  e fiéis nas sarjetas, nos escombros das guerras.

Disse o que via sem esquivar-se aos poderosos, e sorriu muito por ter olhos bons.

Tirou apetrechos inúteis e varreu os penduricalhos nas celebrações, dirigia-se ao principal, ao Senhor Jesus, ao Pai, ao Espírito Santo.

O meio ambiente tornou-se seu verdadeiro altar, e os peixes, aves e as plantas os anjos que ornamentam o mundo.

Seu testemunho continuará ecoando nos corações dos pequenos esquecidos deste mundo

quinta-feira, 17 de abril de 2025

OMISSÃO

 


Eu não estava aqui, 

eu não sentei à mesa, 

não dirigi a palavra.


Eu deixei correr 

o que acontecia 

sem me opor.


Eu não parecia 

estar presente, 

nem observei 

como devia.


Eu olhava 

para mim, 

como o único.


A realidade 

foi sendo 

desenhada 

desenganada, 

até desaparecer...


Eu fingi 

não ser comigo, 

segui 

como se tudo 

estivesse bem...


Hoje trago 

a feição inexpressiva, 

o corpo coberto, 

a boca fechada.


Hoje nada tem sabor.


Busco-me em mim 

e não mais 

me encontro.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

DESPERTAR

 


Estes montes altos que sobrevivem nas penumbras...

Estas florestas densas sempre desbravadas...

o despertar dos grilos...

esta noite que amanhece ao passear das mãos...

este dorme e acorda não se decide...

essa sensação de novo  no mesmo de sempre...

Essa visita de vida constante...

Este mar bravio sem margem...

Este sonhar sobre a realidade...

Esta calma da noite, absolvida...

Estas pernas que abrem e fecham, 

como conchas, tesouros profundos...

este desejar das marés, feitiço por terra...

esta sombra que não se assume, 

estes olhos acostumando-se à luz.

Estes beijos deixados à porta de entrada, 

este convite para o amanhã...

PEQUENOS

 


Somos pouco conhecidos...

das pequenas presenças, 

ínfimas palavras.


Não nos importamos 

com modestas divulgações,  

e dividimos alegremente 

pequenos sucessos.


Prezamos as pequenas palavras 

e aguardamos longo tempo 

até que possam ser ouvidas.


Conhecemos os pequenos ouvidos, 

que se posicionam, 

não incluem o coração. 


Somos das pequenas decisões, 

nem precisam ser conhecidas.


De tudo participamos sorrateiramente


Raros os grandes conhecidos.  


A estes nossos lauréis, 

nossas reverências.


Somos sonhos pequenos 

que passam rápido...


Se puderes, ouça...

PORQUÊS

Porque esvoaçam os brilhos que descansam no olhos? Os ninhos que se ocultam na boca, chocam verdades? Não eclodem? As sombras disfarçadas pe...