sábado, 30 de maio de 2026

ABERTO

 


Vivo sempre um deserto, 

tenho a impressão 

de que tudo está longe de mim.


Observo a realidade 

como um estrangeiro...

ao conversar

tenho a sensação 

de ainda estar 

descobrindo a falar. 


Balbucio muito, 

nas entrelinhas...

pensamentos 

que não se fecham, 

sem sentidos.


Passo longo tempo só,  

meditando.


Surpreendo-me a todo instante. 


Onde estão meus pés? 


Quem explica esta novidade permanente?

quinta-feira, 28 de maio de 2026

OLHAR

 


Tenho vários olhos...

atravessam camadas 

de subjetividades 

até atingir segredos inauditos.


Revelam progressivamente 

a verdade, 

enquanto mantém 

a superficialidade oficial.


Transcendem os próprios olhos...

postos no mundo, 

abrem brechas de verdades 

ocultas de todos.


Caminho cabisbaixo 

para não olhar ninguém, 

não quero saber mais 

do que vejo.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Lançado o DOR OCULTA

 Já está à venda o neu oitavo livro de poemas, o DOR OCULTA. São atalhos que escolhi para aplicar enigmas da alma.  Deixo os locais onde podem ser adquiridos. Desde já o desejo de uma boa leitura, lembrando que poesia não se bebe de um goleiro só,  mas aos poucos, convidando o livro a ficar sempre por perto.

Links oficiais das lojas da Scortecci Editora na Internet:

 

https://www.livrariascortecci.com.br

https://www.pingodeletra.com.br

https://www.livrariadomercado.com.br

 

Mais informações com a Débora Alencar: WhatsApp: (11) 95520-3535.

Links de Comercialização e Divulgação:

 

Galeria do Livro:


https://www.galeriadolivro.com.br/2026/05/dor-oculta-joao-paulo-naves-fernandes.html

 

Livraria Scortecci: 

 

https://www.livrariascortecci.com.br/detalhes.php?sid=27052026100439&prod=10621&friurl=_-DOR-OCULTA--Joao-Paulo-Naves-Fernandes-_&kb=22

 

Amazon:

https://www.amazon.com.br/Oculta-Jo%C3%A3o-Paulo-Naves-Fernandes/dp/8536673621/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=1I1QV6JXWKWIK&dib=eyJ2IjoiMSJ9.R3E46jpdzpnpVcz1uVHQsyuirKIVYFo24gTfyvRt5qIpnRccTpOc5p2CUEbE16V3gb-FqYdYeTysncHyBfviBnmktirCr-DyObdU31uNNEoDZE5egADP1hJNhvXZlLEp24pL-Hpv08O91KhgWyfm70PDyQsK9sqaDkwnCs3RuODrB0dONaIzZtC1t6h0kUoimJATI1A5ZcSyBKUfKdi6DzLK1gVy30b9SuT_tdXnuAI.T6nNzbkS4f2LtpJhnvtMCtFCxoHAKCmOF_FuVq-IXkA&dib_tag=se&keywords=dor+oculta&qid=1779887533&s=books&sprefix=dor+oculta%2Cstripbooks%2C185&sr=1-1

Magazine Luiza:

https://www.magazineluiza.com.br/dor-oculta-scortecci/p/ffcag3k55j/li/lira/?seller_id=livrariadomercado

 

Estante Virtual:

https://www.estantevirtual.com.br/livro/dor-oculta-PZM-6501-000-BK

 

Martins Fontes:

https://www.martinsfontespaulista.com.br/DOR-OCULTA-1205946/p

 

Livraria do Mercado:

https://livrariadomercado.com.br/dor-oculta-joao-paulo-naves-fernandes

 

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terça-feira, 26 de maio de 2026

INÉRCIA

  


Não sei terminar, 

sou dos que arrastam 

convicções inertes

ondas revoltas em rochas.


Não tenho fim, 

reconheço 

uma atemporal 

permanência, 

falsa consciência, 

crendo em mudancas 

imprevistas. 


Nada acontece, 

passam--se os dias, 

os meses, 

anos, 

a vida! 


Tenho a sensação 

de tudo paralisado, 

novidades 

envelhecidas, 

repetição morna, 

cozimento lento.


Tão revoltado com tudo, 

sinto este estado de morte 

que me recobre.

silhueta que padece, 

palidece, 

falece. 


Nada acontece...


Se vejo, 

é um rosto 

repousando numa tumba, 

e a multidão admirando 

entre conversas memoriais...


Fétido poder 

de conservação, 

paralítico  milenar 

retendo vidas...

VERDADE RELACIONAL

 


Meus limites 

excedem paciências, 

por isso me calo.


Estabeleço limites aos limites, 

desconhecimento de fronteiras 

aceitas como tais.


Não há como 

não me testar 

no outro, 

em suas diferenças, 

seja aprendendo, 

seja ensinando.


Busco no outro 

uma verdade 

que me invada... 

comparo-a 

ao repertório 

incompleto 

de senões 

que proclamo 

com clamores 

ansiosos 


Não encontro 

um fim, 

ainda que o persiga.


Sou social, 

relacional, 

nada se completa 

em mim, 

a não ser 

em você.


Concluo-me 

um carente 

de gente, 

indigente,

e me ponho por aí,  

na estrada da vida

sábado, 23 de maio de 2026

NEM POR ISSO DEIXEI DE SER...

 

Estar acostumado com o aperto,
sinal vermelho dos bolsos,
esperas colossais.
Cigarras entre chuvas e Sol,
algazarras de crianças,
nós em gravatas.
Canta e reza,
preza o coração,
antes da razão,
devastam...
A paisagem usurpada
confunde verde,
amarelo,
pátria,
traição,
humanidade,
exclusão.
Dedos rítmicos respondem
compassos novos,
entrelinhas de respostas.
Um horizonte multicor
aguarda maturidade,
Fome e vida permeiam idéias,
sede de espaços proibidos.
O presente requer olhares abrangentes,
(menos seletivos),
bocas roucas,
ouvidos amplos e compreensíveis.
E caminhar, caminhar...

SENSAÇÃO ESTRANHA

 


Ando com a sensação 

de estar perdendo o jogo.


Diariamente vejo o noticiário 

com a esperança 

de que as guerras 

já estão no fim, 

que os adversários 

estão conversando, 

tratando suas diferenças 

com respeito mútuo, 

que a fome 

está sendo erradicada, 

os que tem, 

partilhando 

com os que não tem, 

e um ambiente de paz 

tomando conta do ambiente.


Sensação de ausência, 

de estar faltando algo, 

um vazio crescente...


Passam os dias...

xingam, 

matam...

a ferocidade não tem limites.


Perderam 

conscientemente 

a razão, 

por interesses  

econômicos, 

materiais,

desumanidade, 

sei lá...


Nas ruas vejo jovens 

sem perspectivas, 

desperdiçando o tempo 

em coisas fúteis, 

que nada acrescentam.


As pessoas seguem 

seus mesmos trajetos de sempre, 

vão e voltam. 


Acostumaram-se 

com o mesmo de sempre, 

seus proprios destinos 

sem desafios.


Tempo de resignação,  

e essa sensação 

que incomoda tanto, 

de estar perdendo o jogo...

quinta-feira, 21 de maio de 2026

CHEIO DE MIM VAZIO DE MIM

 


Enchi um pote 

com poemas 

fermentados 

nas dores.


Quem bebe 

sofre de amores 

paridos nas esquinas 

onde as dúvidas 

penduram saias 

manchadas de sangue...


Gritei 

o coito 

atrasado, 

balbuciando 

palavras 

proibidas, 

inibidas 

nos versos, 

depois, 

dormi 

satisfeito

quarta-feira, 20 de maio de 2026

FORTUITOS


Os tempos visitam,
uns aos outros
em desacordo entre si.
Não se entendem
em suas badaladas,
horas que se confundem.
Tornam a lembrança
presença morta,
mirra de desventuras,
transcendem
a realidade
estática.
Guardam histórias
incontáveis,
submetem sonhos,
embranquecem cabelos,
confrontam cenários.
Despertam
alta noite,
detêm-se,
por instantes,
no presente,
como um ausente...
estão, não estão,
depois vão,
como se não
tivessem vindo.
Perseguem
um rearranjo
que delimite
fronteiras distantes
do ser,
mantendo o percurso,
nada descartando.
Buscam razões
de estarem aí,
ao lado,
interpelando
caminhos,
corrigindo.
Por fim,
dissolvem-se,
fortuitos...

segunda-feira, 11 de maio de 2026

LOGO APAGA...

 


Se negam tudo tanto, 

deixem-me ser, 

ao menos, poeta, 

e já basta.


Fiquem com o mundo!


Explorem o povo 

até a exaustão!

guerrreiem!

matem!


Que sobre 

apenas a poesia 

para mim, 

este é o meu pão.


Meu coração 

é manso, 

busca um pasto 

em algum campo 

esquecido por aí, 

para passar o seu dia,

não comporta 

violência, 

ódio, 

morte.


Atenção!


Não digam a ninguém 

onde estou, 

finjam 

que não me conhecem.


Se quiserem encontrar-me, 

às altas horas da noite, 

ainda verão uma estrelinha, 

fraquinha..., 

na borda 

do monte dos desejos. 


Este sou eu...


Como vêem,  

não é preciso 

dar atenção, 

logo apaga...

TEMPO AO TEMPO

 

Há um condimento somatizado...

experiências em que 

uma consciência fortuita 

tece valores escondidos.


Alcançam posições serenas 

de um arcabouço diário,  

processo permanente 

de lições tiradas 

ao longo do tempo. 


Ficam disponíveis 

para as novas ocasiões,  

onde intervém 

em doações 

mais acuradas. 


Assim interajo

evolutivamente, 

volúpias despedidas

que cercam a vida.


Olhando quem sou, 

vejo outro alguém 

que me forma

sábado, 9 de maio de 2026

DESLOCADO

Sou o incômodo, 

o fora de hora, 

o deslocado, 

o que põe a verdade nua

na cara, 

descaradamente.


Sofro o isolamento 

dos que se escondem 

em justificativas, 

injustamente...


Caminho só pelo mundo, 

mudo e discriminado..

Mãe, porquê me deixastes crescer?

 Mãe, porquê me deixastes crescer?


Não sabias como é o mundo?

Não terias como me proteger.

O mundo não tem regaço. 

não consola, 

não compreende, 

não perdoa..


Partiste na hora errada, 

és chamada estar presente sempre.


Neste teu dia, 

interrogo tua ausência,  

como filho sempre carente,  

de teus ouvidos santos, 

teus braços acolhedores 

de minhas dores

quarta-feira, 6 de maio de 2026

POR CERTO TEMPO

 


Vou sair por pouco tempo, 

fazer de conta 

que viajei para longe.


Sei que alguns 

sentirão falta 

por um certo tempo.


Talvez lembrem-se 

de algo bom que fiz, 

em alguns momentos, 

depois esquecem 


Não rompi estruturas, 

não alterei 

a maioria das rotinas; 

destas digo em voz alta, 

duraram muito tempo.


Passo sem fazer ruídos, 

alterar a sequência das coisas...

sigo mansamente


Revoltado um dia,

conformei-me, 

tornando tudo natural.


Não tenho muito 

não fiz muito

a vida é rápida e frágil, 

não deixa muito tempo 

para mudancas


Importa o agora, 

e é no agora 

que vamos

OLHOS DE VER

 


Escolho pelos olhos, 

observo o que perscrutam...

se voam livres, 

escondem algo, 

trazem marcas 

de sofrimento,

ingenuidade, 

ansiedades...


 Neles pouso, 

faço por regaço 

algum tempo 

e aguardo 

o que vem, 

se lágrimas, 

se dissipam

depois vou embora.


Muitos olhos 

atravessam o caminho, 

não paro de olhar

é preciso ver a todos...


Sigo medindo 

o quanto somo 

de tudo isto, 

olhos de ver, 

olhos de acompanhar


Sigo me vendo 

em tudo isto 

nos olhos que vejo.

MUITO TARDE

 


Quando vêm, 

cobrem todo o céu. 


É como se um louco, 

de repente

fosse fazendo tudo 

o que lhe vem à cabeça, 

sem pensar, 

porque não pensa,

metendo os pés pelas mãos,

invertendo tudo.


Um vendaval cobre a nação, 

chuvas e ventos, 

desordem nos elementos, 

espalham-se em profusão.


Ninguém sabe o dia de amanhã,  

ninguém pergunta ao outro 

o que está acontecendo 

com o salário, 

a aposentadoria, 

os direitos 

duramente conquistados


Sabem que perdem, 

mas é tarde, 

porque assentaram-se no poder, 

não sairão tão cedo

e fazem tudo

o que lhes vêm à cabeça. 


Muito tarde!


Avisamos tanto 

sobre este vendaval...


Não acreditaram.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

TERMINO

 


Termina o dia,

termino com o dia...

Não sei como percorri, 

quanto percorri, 

se percorri

se deixo o coração

inteiro e em paz.


Uma sensação de derrota 

consome a noite.


Os cães latem lá fora 

para o quê? 

Para quem?


Não me adapto 

ao que acontece...


Sim, alegro-me 

quando amanhece, 

canto, respiro

mas segue o dia, 

esta força amainece, 

desfia.


Então busco estar só, 

resisto:

É so um dia!

Amanhã será melhor.


Assim, 

vou seguindo o tempo,  

cultivando 

uma esperança atroz 

em meio a destroços.


Quando chega a noite

Deixo os olhos 

olharem-me

nesta solidão.


Perceberão uma tristeza 

que escondo 

para que ninguém saiba: 

de não ter 

a quem recorrer 

este indagar da vida

de tanta gente perdida 

em falsas urgências, 

indiferentes.


Longa noite, 

esta minha, 

sem ninguém...

só... 

irremediavelmente só

MEA CULPA

 


Que culpa tem o Sol, de mim?

Deixo-o brilhar...

Que culpa tem  a Lua de seus amantes, 

deixe-os apreciar.

Que culpa tem o coração de seus muitos batimentos ? 

Deixe-o pulsar

Que culpa tem os olhos de tudo observar? 

Deixe-o discernir

Que culpa tem as diferenças em seu divergir.  

Deixe-as ensinar.

E as montanhas, que culpa tem em elevar-se? 

Deixe-as desafiar.

 Nada tem em si alguma culpa, 

deixe ser...a vida sempre continua...

domingo, 3 de maio de 2026

SOBRA...

 


Sou a sobra 

de tuas alternativas, 

aquele que te acolhe 

quando tudo desmorona, 

apelo derradeiro.


Estou presente na esperança, 

doença desconhecida, 

falência irreversível, 

na solidão do perseguido, 

alimento do esfomeado. 


Tenho as simples solucões 

na simplicidade da vida


Sou o sempre esquecido, 

raramente lembrado, 

presente na dor, 

último apelo.


Ensinaram-me assim...

a servir,

servir, 

servir


Sou o nada, 

o vazio, 

o abandonado, 

muitas vezes impróprio, 

digo o que não gostam de ouvir


Venha sempre,

quando quiser...

sou todo ouvidos,

estou na escuta, 

à sua disposição, 

mas se demorar. 

já sabes...

continuo por aqui...

sábado, 2 de maio de 2026

DISTANTE

 


As estrelas escondem 

segredos distantes, 

longe da imaginação.


Sequer geram esperanças, 

pulsam soltas, 

coladas a um céu inatingivel


Perdi-me neste olhar sem sentido.


Buscava explicar a rua, as pessoas,  o poder...


Impossível. 


Por isso, 

descia à pé 

o trajeto 

todos os dias...


Explicavam os peixinhos amarelos 

presos aos aquários, 

as mudancas inesperadas 

da velha ordem...


Olhar incansável 

de perguntas e buscas, 

nunca cessam


Por isso continuo olhando as estrelas 

em seus segredos distantes

sexta-feira, 1 de maio de 2026

AQUELA VOZ...

 


Aquela voz continua em minha mente...


Formou um ninho na língua, 

gravetos de letras...

descansam em barcos 

escondidos em portos 

antes das tempestades.


O choro das velhas raposas 

revela histórias retidas...

imaginam o perigo 

caso venham a público.


Continua em minha mente aquela voz, 


Pede a libertação do sonho, 

o escalar das altas montanhas, 

não pode mais represar 

o fulgor das estrelas 

no universo profundo


Por isso chora 

como as raposas, 

retidas pelas velhas histórias 


Em minha mente aquela voz continua.


Não sabe onde 

as criancas se escondem

se atrás das palavras 

ou das poltronas

ou dos vasos de letras


Sei que ainda continua, 

não sei como 

aquela indecifrável voz 

em minha mente, 

grudada entre os dentes, 

pedindo para sair, 

ser entendida...

DÍVIDAS

   Os problemas  não adormecem,  estão dispostos                    nas prateleiras,  como integrantes  da familia: são mobílias,  vasos,  t...