quinta-feira, 30 de julho de 2026

DÍVIDAS

  


Os problemas 

não adormecem, 


estão dispostos 


                  nas prateleiras, 


como integrantes 

da familia:

são mobílias, 

vasos, 

talheres, 

roupas, 

automovel, 

casa...

misturam-se a tudo, 

impregnados a cada utensilio, 

conforme são utilizados...


Despertam-nos 

com planejamentos 

de saídas 

que não acontecem, 

exigem 

desprendimento 

incomum, 

evocam 

caminhos 

de espinhos.


Estão 

em contraste constante, 

flagrante progressão, 

diminutas soluções.


Surgem, 

de surpresa,  

nas altas madrugadas, 

misturam-se aos pesadelos, 

mó de moinho 

triturando 

a economia, 

os bens, 

as relações...


Fazem ameaças, 

sujam nomes, 

os artifícios possíveis...

cobram soluções

que não vêm, 

insistentemente.


Jogam tudo para o ar...


Estão à espera 

de um milagre 

que não acontece

terça-feira, 28 de julho de 2026

Comecou a 3ª Guerra Mundial

 Os conflitos na Ucrania e Irã estão num processo de aumento, agora comprometendo a navegação internacional. 

Os EUA aprisionando navios petroleiros deu início a intervenção em alto mar, que esta se generalizando 

A Ucrania, através da Otan, bombardeando portos na Rússia, provocou  a resposta da Rússia também nos portos em Odessa e regiao.

O fato é que falta muito pouco para p comércio internacional dividir-se separando Oriente e Ásia, de um lado e Ocidente, de outro.

O Brasil,  em termos geopolíticos fica crescentemente mais vulnerável diante deste agravamento que se observa.

28/07/2026 - Vida que segue

 O que dizer...amo a vida, amo a cada um , cada uma dos dias que por aqui passo.


Hoje distribuímos o restante dos abacates nas Vicentinas, que cuidam dos idosos abandobados, ao povo de rua, da praça 13 de Maio, ao padres,  ao posto policial.  

Tempo magro de frutas, sinda dobram algumas..

Meg e eu vamos levando a vida como podemos,  conversando sobre o particular e o público.  Vida simples e caseira.

VIVO E AUSENTE

  


Comemoro o dia 

que se encerra...


Vivo,  

assisto 

pequenos 

acontecimentos...

prolongam 

crises 

já surgidas,

sem concluírem 

seus desastres,

intermédio 

que se estende, 

pertencer diário 

que diz tudo, 

e nada diz. 


Ainda é tempo 

de por-me 

diante da realidade, 

mesmo restrito 

a quatro paredes.


Resguardo-me 

do medo, 

inusitado 

fim, 

meio das notícias 

nunca terminam...


Sigo presente 

nisto tudo, 

de ausências 

em ausências, 

e calorosas opiniões.


Aliviado 

opino 

sobrevivendo 

em vão...

sábado, 25 de julho de 2026

O BRASIL NÃO ACEITA SERVILISMO

 Não era para se ter chegado a este ponto, mas agora é hora de se pôr um basta a tudo isto.

Donald Trump está incendiando o mundo e pensa que o povo brasileiro vai se dobrar a sua ânsia de conquistas das riquezas de nossa amada pátria.

Para isto ele conta com verdadeiros traidores da pátria, que estão em campanha. 

Está família fascista e traidora está querendo abrir nosso território para as tropas norte-americanas.

Pois saibam que o povo brasileiro é amante da paz, povo pacifico, mas não covarde.

Não pensem que o povo brasileiro irá se dobrar diante da dominação do império norte-americano.

Não mesmo!


CONSIGO MESMO

 


Vamos em frente...


Dói o coração? 


Bolso vazio?


Mundo de disputas, 

uns pisando nos outros?


Espaços para privilegiados?


Siga em frente, 

mas com a verdade, 

sem nada nas mãos, 

apenas a consciência...


Siga em paz,

RÚSTICO

  


Nada como ser rústico, 

antigo, 

resistente 

ao moderno, 

à tecnologia...


Ter o Sol para despertar

depois de almoçar, 

espreguiçar...


Ver que ainda é dia 

e tudo caminha devagar,

sem a perseguição 

do sofrimento, 

essa correria 

que declino de falar


Nada como agradar a mulher, 

declarar seu amor à tarde, 

entre beijos...

afagar suas costas cansadas,

sem apagar a luz...

sempre brilha 

o amor no tempo


Ora, se perdi a estirpe, 

os cabelos caíram,  

pouco se me dá

ter dor ao levantar,  

se é de paz que preenche 

este lânguido presente.


Vou assim, 

experiente deste outono 

ingreme e clemente, 

tranquilo ao caminhar.

ONDE DEIXEI...

 


Onde foi que deixei a doce fragrância escapar?


Foram os espinhos dos roseirais?


Os caminhos de sempre?


Procuro um aroma 

quase extinto,

surpreso, 

enquanto caem 

as folhas de outono, 

tempo que se esvai...


Como permiti desvencilhar-me de mim?


Hoje, 

póstumo, 

antecipo o fim, 

velório diário.


Hoje a verdade tem velas, 

contempla a solidão

sexta-feira, 24 de julho de 2026

IMPREGNADO

 


Não tenho como esquecer 

impregnado que está... 

se é dor, 

ficam partículas 

de solidão, 

                     pesar, 

                                nos olhos...


Se são momentos 

alegres 

               estravasam

                                     tardiamente,

chegam à lingua, 

pau sa da, 

compreensiva, 

experiente.


Não se esquece, 

condensa-se.


Vivo dor e ardor, 

mix pessoal 

na plataforma 

de streaming 

da vida


Tudo guardado

no armário do tempo, 

não se vestem mais...


Dão o contorno 

expressivo 

mansa 

compreensão...


Administram  

exaltadas 

fugas, 

sonhos 

fugazes...


Contam     com    o    tempo...

O GREGO KOINÉ BÍBLICO

 Por força das minhas dúvidas etimológicas biblicas, acabei estudando grego koiné, isto é,  grego popular, escrito e falado no tempo de Jesus. 

Esta escrita pouco se diferencia do grego atual. 

O problema está em não sabermos nada de como era falado, tendo sido criado por Erasmo de Roterdã uma linguagem utilizada até hoje.  

Atualmente estou na metade da Carta aos Romanos. 

Interessante conhecer os diversos autores bíblicos pelo repertório maior ou menor de palavras que usam, e assim o grau de conhecimento que possuíam. 

Tem sido um divertimento, como um jogo de xadrez, buscar entender o significado das palavras antes do dicionário. 

Também muito interessante é perceber como o grego interage com a lingua portuguesa ainda hoje.

PASSO A PASSO

 


Vou passo a passo, 

olhando o entorno, 

quase compasso, 

frio, 

quente, 

morno.


Abro os olhos, 

os sons escuto, 

obedeço as leis 

da natureza,  

decisões rápidas, 

astuto.


Deixo ir...

vaga nuvem 

em céu azul, 

sempre partir, 

sem norte, 

sem sul.


Um dia amor,  

outro dor, 

fazer, 

desfazer, 

sentindo 

ardor, 

desprazer.


Não impeço,  

sigo surpreendendo, 

meio disperso, 

meio entendendo

quinta-feira, 23 de julho de 2026

LIMITE DOS VERSOS

 Termino os poemas por obrigação, porque tudo termina.


Na verdade eles sempre seguem, reciclam.


Extrapolam contextos, arvoram novos concertos.

Mantém a instabilidade do devir, em permanente mudança.


São como pergaminhos a serem decifrados para as novas realidades, diferentes gerações, sistemas políticos.


Seus limites estão na receptividade dos corações experientes.


Estão postos ao final das tardes, quando, fatigadas as pessoas buscam encontrar explicações sobre a vida. 


Depois somem novamente, porque nem se confundem com o amor propriamente dito, nem com o árduo trabalho.

AUSÊNCIA

  


Tenho uma ausência 

que me persegue...


Não diz 

nada de si,

nada observa, 

não opina.


Vem despistando 

como se não 

existisse, 

e consinto.


Alimenta-se 

das concessões... 

incute a idéia 

de fraqueza, 

vulnerável  


Passa o tempo 

esperando o momento, 

até que envelhecemos, 

e já é tarde 

para fazermos 

o principal, 

a humanidade


Está aí, 

à espreita, 

com interrogações 

vazias...


Tenho a sensação 

de que ela 

está ganhando 

a batalha, 

não questiono mais, 

tudo aceito

naturalmente.


Ausência estranha 

de sabor, 

de vida, 

inodora e fria 

que é..

terça-feira, 21 de julho de 2026

RIO DA VIDA

 


Deixo 

correr manso 

este grande rio da vida..

suas águas 

ensinam as pedras,

moldam suas durezas 

no longo tempo,

tornam-nas belas, 

adquirem vida 

na paisagem.


Compreendo 

quão estreitas 

são certas passagens, 

exigem consciência, 

decisões, 

soluções rápídas, 

sob o risco 

de estravasarem 

pelas márgens, 

serem absorvidas 

precocemente.


Aceito 

a extensa largueza 

de oportunidades

a perder de vista, 

onde tudo cabe, 

cabedal pujante, 

calmas passagens, 

onde desfrutamos 

paz, 

    convívio,

       amorosidade. 


Alimento 

lagos...

as grandes teses...

imaginam corredeiras,

demonstram 

suas pertinências, 

inconsistências, 

o que há de vir...


Sofro 

secas, 

inundações, 

elementos externos... 

dependência 

da sobrevivência, 

desenvolve a criatividade


Caminho 

percursos contínuos,  

contornos...

formas estéticas

de tratar temas 

tão constantes 

sempre sobrevém.


Desemboco

num mar amplo 

onde continuo,

integrados, 

como desaparecido

num grande 

encontro, 

total...


Medito 

sobre as fontes, 

filtros subterrâneos 

que tudo retém 

doces águas 

cristalinas, 

trazem a enzima 

do que vou ser...

o alto mar 

suas vagas 

permanentes, 

onde dissolvo-me

no intervalo..

DESORDEM

 


Não é o que você fala, 

mas o que você não fala.


Não é o que você faz, 

mas o que você não faz.


Não é o que se espera de você, 

mas o que ninguém espera. 


Não é ser a mesma 

pessoa de sempre

mas ser diferente.


Quero ver tua novidade, 

incomodar-me 

com suas críticas.


Quero a cama revolta, 

cheia de tempestades, 

usurpar a falsa pureza 

com a degradada vida, 

esperneada vida, 

fudida, 

real.


Estou cheio dos cristais, 

dos pedestais, 

honrarias, 

quero baixarias, 

vaias... 

momentos 

da verdade 

na cara, 

desnuda


Quero os pensamentos 

mais profundos, 

sem ornanentos.


Provocações!!!


Estou à espera 

do rompimento 

do lacre 

da ordem, 

esta besta 

disciplinada


Aspiro contradições...

a pior delas 

de fingir 

não tê-las

segunda-feira, 20 de julho de 2026

CONSUMAÇÃO

  


Que o tempo 

não me consuma 

antes que suma, 

hora que demora...


Que o espaço 

se espace 

por onde passe,

sem compasso...


Que seja 

um eu 

integral, 

sem dobras, 

mas fibras 

resistentes, 

firmes, 

total


Que embale 

a verdade 

na balada 

do dia, 

e durma 

a profunda

paz do sim, 

no silêncio 

do encontro, 

enfim

quinta-feira, 16 de julho de 2026

ÓDIO GRATUITO

 Criou-se um ódio particular ao presidente Lula, como se ele fosse uma pessoa execrável, merecedor dos palavrões mais execráveis. Na verdade é um ódio ao simples, aos pobres, como se sentissem vergonha de ter ele na presidência.  Muitos que se dizem cristãos tem este lado de ver pejorativamente o presidente.

Mas a realidade mostra seus resultados além dos impropérios, com um Brasil crescendo, e soberano diante de um mundo hostil e fascista.

...e deixe ACONTECER

 

Todos temos o dia,  

mas...

nem do dia a dia 

damos conta, 

o que será então 

este acontecimento 

imprevisto...

final, 

despedida 

fatal

que afronta

e ponto?


Quem sabe o nome de uma rua nos perpetue,

ou uma estátua de alguém sentado próximo a orla,

alguns versos guardados...

sorriem os arqueólogos 

nas 

      suas 

               nuas 

                         escavações.


O pouco 

que fica 

do muito 

que é a vida, 

convida 

sempre 

a rever 

caminhos


Dia da cruel verdade, 

intransponível horizonte, 

a qualquer idade

pela barca de Caronte


Se fazemos e desfazemos

criamos e destruímos, 

se amamos, 

ou nos aproveitamos

qual conclusão teremos ?


Não há despedida 

prévia, 

mas esquecida 

e surpreendida 

despedida 

póstuma.


Assim, 

fica este enlace 

meio solto, 

como somos 

e gostamos, 

de pensar 

que vamos,

face a face,

seguindo 

eternos 

contornos...

NÓ de NÓS



Não tenho 

grupo de origem, 

tantos grupos 

faço parte, 

venho 

sentindo 

vertigem, 

sofro apupos, 

sem coragem


em todos 

fico à parte 


mudos modos...

sou de marte, 

inexplorado 

visitado.


Sou nó 

de nós, 

somos nós

quarta-feira, 15 de julho de 2026

GUARDADO...

 


Melhor continuar esquecido, 

memórias                    revividas    

doem, 


en fra que ci das,  

ao alto custo 


                                      de despedidas


Não se ama 

o passado, 

guarda-o 

invólucro do tempo, 

como unguento 

purgando 

cada vez menos 

sofrimento...

até                                desaparecer, 

deixar      de     ser...


Sigo 

um reto 

coração 

retido,

equilibrando 

amor e razão,

assoprado 

meio a brasas 

ocultas

em cinzas

terça-feira, 14 de julho de 2026

MAR A DENTRO

 Vim do mar, 

adentrei a praia, 

trouxe um coração partido, 

um de onde partiu, 

outro onde aqui cheguei. 


Nasce e morre, 

morre e nasce, 

traz batimentos 

cada vez 

mais lentos, 

e taquicardias 

fora dos tempos.


Amplio o mundo 

num coração 

que mora 

de onde  parte, 

antigo e profundo,

para outro lugar,

num afagar 

ancião

SINAL DOS TEMPOS

 

Estão chegando...

os sinais estão 

cada vez mais fortes.


Não aparecem

de forma explícita, 

não vêm de uma vez.


Apresentam-se 

como defensores 

da paz e da Justiça, 

mas são sedentos de sangue


Iludem as pessoas, 

criam histórias falsas, 

até fazer confusão 

entre verdade e mentira

geram divisões.


A um certo ponto, 

atingem as nações 

com ódio crescente 

de uns contra os outros.


Estão preparando 

uma guerra 

devastadora  

em todos os lugares; 

por enquanto 

parecem corteses.



segunda-feira, 13 de julho de 2026

VERSOS LIVRES

 


Tenho os pés no chão, 

atam-me ao mundo, 

vão do tempo que respiro, 

espaço distendido que abro. 


Sento-me na cama... 

não sei se levanto, 

não quero, 

se deito, 

repouso impossível. 


Sou poeta da vida, 

bandeira hasteada, 

a meio pau, 

a história é quem diz...

alço letras claras, 

rimas raras, 

música sempre...


Monologo pelas noites 

as falências...

reentrâncias...

extraio delas 

o líquen das palavras, 

coladas à boca, 

extensão do corpo.


Esvoaçam indecisas 

na calma noite, 

voam por aí, 

perdidas...

buscam olhares 

maturados,

tesouros 

esquecidos 

de cada um, 

raramente 

descobertos,

escavam, 

se tanto...


A seca 

grassa 

no cimento 

duro, 

poucos sentam-se 

nos bancos 

dos parques

desviam-se

da linha 

de produção. 


Consideram 

a impropriedade,

do verso versus o mundo.


Pinço palavras mágicas, 

ondas sobre as rochas

afã inglório

das baixas marés, 

leituras adormecidas, 

tardias...

domingo, 12 de julho de 2026

PULANDO CORDA



Não me nego, 

mas também 

não me acerto...


Abro espaços 

porque me apertam.


Sou que sou, 

e daí?

deixo seguir 

essa estrada torta, 

vai dar aonde?


Fujo do espelho, 

não me aceito o mesmo, 

não me digam como sou, 

nem falem nada, 

quando passo.


Estou cansado 

das repetidas rimas, 

vou respirar o tempo 

perder-me novamente

ASPERGINDO

 


Estou rompendo...

optei 

por todos 

estranhamentos...

cruzei 

os dedos...

estou parindo 

meu póstumo 

inimigo.


As fontes 

do mar 

são fozes 

que trazem 

o cheiro 

das matas 

a peixes 

cheios 

de si, 

de lume, 

de frio


O mundo 

não se acaba, 

desaba 

por cima 

de tudo, 

nem coito 

cuida 

de mim, 

arfago

vago...


Perco o ar 

das manhãs 

estéreis, 

absorvendo 

frescores 

nos telhados 

do meu peito 

vazio.


Observo...

sábado, 11 de julho de 2026

PEQUENO PRISIONEIRO

 


Esqueci-me 

no passado, 

distraído 

vizinho

no caminho 

da escola, 

prisão 

das ruas.


Lá atrás 

matei-me 

ao escolher

a caixa 

de sapatos, 

descalço 

que era...


Produzia 

ventos, 

escorregava 

nas enchentes, 

minha mãe 

observava 

calada

na ladeira

sábia 

sabiá.


Meu pai 

viajara 

para sempre, 

sentado 

num burrinho 

tosco, 

nunca mais 

voltou, 

procurei outro...


Meu presente 

inexiste, 

guardo-o 

no quarto, 

de vez em quando 

ele sai, 

em sonhos, 

espanta-se 

com o mundo, 

medonho.


Fecho 

as janelas 

dão 

para nada, 

consciente 

das paredes.


Fique 

como quiser, 

encontre-me 

quando puder, 

no passado...

sexta-feira, 10 de julho de 2026

PALAVRAS QUE SE SEGUEM

 


Palavras que se seguem...

buscas autônomas, 

não encontram limites, 

esperam a noite alta, 

derramam 

                  confissões 

                                        solitárias.


Indagam o inusitado 

descalças, 

distraída 

transcendência...

escutam 

outras dimensões 

Céus profundos, 

linguagens

desconhecidas, 

afloram vulcânicas, 

então dormem...


Inquietas 

palavras 

seguem, 

ressignificando 

a ordem  

filosofando o amar, 

transformam...


Mantenho-as, 

inauditas,

em incipiente controle, 

até o dia invadir-me 

com sua frieza costumeira.


Aguardam um anúncio, 

dispensar tudo, 

ultrapassar 

limites, 

impotentes, 

portas entreabertas,

aprendendo...


Ainda ecoam 

na mordaça 

do alvorecer...


Por fim, 

desaparecem, 

transformam-se 

em ação

quarta-feira, 8 de julho de 2026

NÁUFRAGO

 


Este corpo todo que se levanta a cada manhã e acredita que pode alcançar os tesouros escondidos das estruturas de poder...

Esta noite que não passa, com toda sorte de demônios assaltando os sonhos de uma vida melhor...

Este rosto enrugado debaixo do Sol, esperando que chova, saia algo da terra, perdoe a seca

Esta espera doída de cada dia, de um mundo que nunca vem, tece expectativas...

Este beijo colocado nas dobras da noite, com raras declarações, espremido entre o cansaço e a sobrevivência. 

Este tempo de morte gratuita, a toda hora, sem vestígios de assassinos e do estado...

Esta fuga do sofrimento que cresce, já chegou a sua casa.

Este dia de amanhã que se despede antes de chegar, impossível de atingir, zomba dos projetos...

Este escuro pesar de vida estenuada sem que agrege um pouco que seja ao nada...

Esta alegria incompreensível que brota, apesar de tudo, zombando inconsciente dos donos do mundo.

Está despedida que se arrasta por séculos, milênios, dependurada nas dívidas crescentes, anzóis do sistema.

Este ceder permanente até não mais se encontrar...

IMPELIDO



Impelido a sair,  defronto-me 

com as grandes estruturas, 

a seca realidade.


Está em mim 

transcender quimeras, 

buscar novas esferas, 

trilhar caminhos famintos

dispostos ao lado, 

disfarçados...


Não caibo neste mundo 

de perguntas suspensas, 

mesmo as suaves brisas 

afagam procuras fatigadas, 

e esse balanço 

constante do amor, 

não se explica,  

preso às nervuras do coração.


À espreita de mim, 

ando neste complexo 

edificio da vida, 

onde reside 

a identidade de um louco, 

rouco de tanto se indagar, 

pelo caminho...


Afogo-me no mar, 

despenco-me ao caminhar, 

silencio-me diante 

de tanto barulho surdo, 

inócuo...

o olhar diante da morte, 

a epiderme decifrando 

toques incompreensiveis,

o pousar os olhos à noite, 

despertar...

sem explicações, 

desconforme.


Subjaz a aparência 

de uma perfeição esquecida, 

numa estrada distraída, 

percursos que não se encaixam...

segunda-feira, 6 de julho de 2026

FIO TÊNUE

  


Aquele fio tênue 

sustenta o limiar do tempo.


Mantém as conclusões 

das experiências, 

acha-se só.


Aspira observações momentâneas, 

e as guarda para si, 

como quem não convive...


Quer sair, 

já não mais pode, 

Quer falar, 

não consegue, 

despede-se

ALGO NÃO ESTÁ BATENDO BEM

 


Alguma coisa não está batendo bem no mundo. 

Algo se perdeu, não se sabe bem o quê, a que horas exata, ou dilui-se aos poucos sem que tivéssemos percebido.

Não se vai ao estrangeiro para pedir mais impostos contra nosso país, sendo candidato a presidência da República.

Em outros tempos era preso por traição, mas agora, tem tons de naturalidade.

Ser anulada a expulsão de um jogador de futebol dos EUA na Copa, é outra aberração a ser lembrada deste período nefasto. Nunca aconteceu! Só com Trump!

Sequestrar um presidente e assassinar o maior líder religioso de uma nação, da forma como foi e está sendo feita, não deixa de surpreender, ainda que tornem comum.

Extirpar um povo inteiro de seu território, aos olhos de todos, e deixamos...como fazem aos nossos irmãos palestinos

Não somos mais os mesmos...

Estamos perdendo nosso poder de opinião; pior, a consciência de que podemos ter opinião. 

E o que está substituindo tudo isso são valores perversos, opiniões esdrúxulas dos fatos, distorções intencionais dos acontecimentos.

Enfim, o pior está em destaque, com grande números de adeptos, enquanto os justos tornam-se reféns de uma ordem cada vez mais autocrática...

Algo muito errado acontecendo...

O país que desperta hoje, de uma derrota de um simples jogo de futebol, bem poderia cair em si, e perceber que perdemos sim, foi nossa identidade de cidadão brasileiro, estamos dentro de um mar da violência como padrão de competência, nós que somos pacíficos, semore exportamos a paz.

Os ladrões verdadeiros estão à solta, pasmem, nos representando no Congresso Nacional ( grande parte) e sentem-se protegidos pelo cargo de deputados e senadores

Assistimos ontem ao anti jogo do adversário, estupefatos com o ato inusitado de andarem em campo, porque ninguém se entende, desperdonalizados e submissos a um Mister, a batuta de um técnico estrangeiro, que em nada é melhor que os nossos, mas nosso espírito de vira latas subserviente foi mais forte e aceitamos também, porque tudo está  permissivo 

Ai, que bem podia virar tudo isso de cabeça para baixo, seria melhor...

Escrevo enquanto ainda é tempo de se fazer algo...não sei quanto durará esta breve consciência...

sexta-feira, 3 de julho de 2026

CHEIO DE MIM

 Ando cheio de mim, 

cansado do que faço, 

com meus excessos.


O Sol perdeu sua novidade, 

o mar não me desperta nada.


Saio à rua, e nada...


Estou cheio 

das palavras que falo, 

mais ainda das que escuto


Cheio de tudo.


No entanto, ainda vivo, frio, nas vivo


Uma sensação de vazio e é só. 


Cheio com tudo...

quinta-feira, 2 de julho de 2026

PEQUENO TESTAMENTO INCOMPLETO

 


Escondi minhas surpresas...quando as apresentei estavam envelhecidas. 

Ainda assim as guardei... quem sabe alguém, em algum momento, veja meu segmento, o dos que guardam...


Tudo me surpreende desde a tenra idade, como nunca tornei pública, esta minha identidade?


Tornava natural a deslumbrante vida, o incompreensível Sol, a suave Lua, os limites do mar aos meus pés. 


Como pude pisar este gigante à perder de vista? Com que coragem!


Só rezando fazia tudo isto.


Ser místico foi uma consequência de minhas permanentes incompreensões, impossível evitar tal busca...acabei por encontrar os mistérios, estavam ali mesmo, por perto


Pensava estar só, e ao morrer, desaparecer por completo.


Quando pude amar e ser amado, porque o amor também se descobre como algo inusitado,  tudo o que me era novo foi encontrando explicação.


Deveria cantar e escrever...deixar a vida vencer por sua naturalidade.


Hoje o tempo está se despedindo de mim, como um intruso, ele cada vez mais rápido, eu mais lento. 


Respeito-lhe por sua inevitabilidade, eu transitório...


Deixo vir ainda minhas surpresas...até o apagar será novo, se apagar...


Foi tudo em vão?

ON LINE

  O assunto Redes tem sido muito criticado pelos excessos...mas gostaria de ressaltar como conseguimos também cultivar boas amizades por aqu...