quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

IMPASSE


Estou num impasse:
o que quero
transforma-se
em sonho,
e o que sonho
são pesadelos.
Quem amo
imagina-me igual
eu silencioso
e mudo,
atônito
com tudo
e todos.
Um projeto
se apresenta
sem iluminação
nem desafios,
segue manso.
Um fascista
cospe fogo
e reza;
Um povo sofre
imóvel
desesperançado.
A natureza
se revolta,
epidemias
se alastram
polos
degelam,
A humanidade
dilapida
devasta.
Imenso
impasse!
Adaptação
e convivência
com a morte

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Que voltem os domingos



Desisto
deste
paralítico
trajeto,
olhos
que não
vasculham,
palavras
comedidas.

Um
Tempo
suspenso
aguarda
afagos
adiados

Ausência
de horizontes

uma
paciência
suporta
passos
marciais.

As praças
continuam
cheias
de alegria
egoísta,
cega.

Fecho-me
num poema
derrotado
que mal
consegue
associar
palavras
de alento.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Enquanto sigo...

Estávamos
a sós.

Assim
sentia
a multidão.

Cuspiam
fogo,
estouravam
miolos,
derramavam
cimento
para esconder
a terra.

Gritei!

Ninguém
ouviu.

Um estampido...
e logo
cruzava
os ceús
a agonia
dos inocentes.

Pensei...
quem sabe
sonho?

Mas não!

Uma membrana,
não mais
que isso,
turbava
o Sol
inventava
a noite
de tudo.

Corri..
como
quem
escapa
de um golpe.

De vários
golpes!

Um dia
quem sabe
olharei
para 
os lados,
do horizonte
e sorrirei
enfim.

Enquanto isto
poso
de vitorioso
da arte
de desdizer,
da fortuna
de forjar
sorte

Porque
tudo
desfaz
e desfaz
e desfaz

(numa insônia devido a uma queda da realidade)

AQUELA VOZ...

  Aquela voz continua em minha mente... Formou um ninho na língua,  gravetos de letras... descansam em barcos  escondidos em portos  antes d...