quinta-feira, 20 de agosto de 2026

DESENVOLTAS MIUDEZAS...

 


Trago uma ansiedade 

por estar junto, 

não saber o que falar,  

envergonhar-me por não falar.


Quero respirar fundo junto, 

a brisa da manhã, 

Sol transfigurando, 

noite em dia, 

em alegria 

gratuita, 

fortuita, 

o mundo.


Trago a delicadeza dos afagos 

que não nos permitimos, 

silenciosamente amados, 

estranhas distâncias 

não declaradas.


Despeço repentinamente 

a informalidade 

e envergonho-me 

dos imensos

choques culturais 

que me elitizam, 

na 3ª idade.


Caminho a imagem 

que me impõem, 

durissima, 

querendo ser selvagem,  

eu que sou da paz, 

muitas vezes 

incapaz...


Avanço como posso 

reclusão e ação,  

ora aqui ora ali, 

revoltado e manso, 

integrada exclusão.


Deixo um legado 

de incertezas, 

altas estaturas 

fraquezas, 

desenvoltas 

miudezas,

combinadas

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ESCREVER

 


Escrever tornou-se uma ferramenta que produz vida. 

Quando a rotina se impõe,  meus versos se escondem, tamanha a distância que se encontram.

Ficam solitários e ocultos, preservando-se do mundo.

Despertam no contraponto de tudo, alta madrugada, sertão enluarado, repondo o tabuleiro no ponto de partida.


Escrever tornou-se uma oração pessoal, onde busco a fonte de tudo o que vejo e faço. Desperta-me antes do mundo com suas inquietações transcendentes e põe-se a derramar  enxurrada de ideias e palavras a serem costuradas imediatamente.

Não se importa tanto onde estou e em que estado, tem sua pressa matinal, que brota de onde? 


Escrever tornou-se um alimento diário,  por vezes dietético, por vezes extravagante...no fundamental mantém sabor e deixa uma sensação satisfeita, depois de concluído. 

São pequenos manjares precipitados entre o coração e a mente, refestelando-me todo.


Subi com o verbo o altar dos acontecimentos, encontrei sujeitos, e seus específicos adjetivos, dei-lhes objetos, sentidos no caminho, respeitei os suspiros e silêncios intercalados, procurei encerrar, interrogar, exclamar.


Vivo na observância de alguém que emerge de quando em quando, desconhecido e desapegado de mim, até que tudo se ponha enfim.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

CORREÇÃO VERBAL

 Lendo um artigo de Betty Vidigal sobre uma ré,   professora idosa, acusada de pequeno furto, Margaret Ellsworth, de 92 anos, professora de inglês aposentada, acusada de um pequeno furto, interrompeu seu julgamento quatro vezes, para corrigir a gramática da promotora.   Levantava a mão toda vez que a promotora cometia um erro, e aguardava pacientemente ser notada, antes de fazer a correção. A primeira interrupção foi para explicar a diferença entre who e whom. Depois corrigiu um erro de concordância. A terceira correção abordou o uso de "less" em vez de "fewer". A quarta interrupção tratou de um "split infinitive". Ela disse à juiza que "não poderia, em sã consciência, deixar isso passar sem correção".

Os espectadores no tribunal  acharam as correções cada vez mais engraçadas, com a promotora demonstrando maior cuidado a cada frase.

A juíza Miriam Castellano, que atua desde 2004, disse que "Em mais de vinte e cinco anos neste tribunal, já tive objeções quanto às provas, nunca quanto à sintaxe".

O júri considerou a professora inocente. corrigindo erros no uso correto da lingua, de um representante do Estado, na acusação, comentei...


Estes tempos, algo semelhante aconteceu-me...

Quando é verão, e o calor já vem cedo, levanto-me e vou até a igreja para a missa das 07H00. 

Ali há um sistema de rodizio entre os sacerdotes para as celebrações daquele horário. 

Um jovem frei tem sido  mais "sacrificado"(desculpe o sarcasmo) a realizar as celebrações. 

Não comentarei sobre as suas homilias, tenho consciência aguda, e isto, por vezes, prejudica minha entronização e espiritualidade.

Numa celebração, nós católicos sabemos como é a movimentação, ora ajoelhando, ora sentando ou levantando durante a missa.

Bem, a questão está exatamente aí, no emprego errado dos verbos para os fiéis se movimentarem. 

Assisti a repetição destes erros em várias missas, até decidir por esperar o frei sair da sacristia um dia e conversar com ele. 

Pensei nas formas de tocar no assunto, sem ferir suscetibilidades, e assim fiz.

Expliquei-lhe as formas corretas alternativas do emprego dos verbos, nos vários momentos,  e dos problemas para a transmissão das mensagens, que surgem , a depender do tipo de público presente. Ele ouviu-me, meio surpreso de minha ousadia, e por fim, agradeceu.

Posteriormente percebi que ele continuava 

Incidindo no mesmo erro, não em todas as situações, o que de alguma forma, me pareceu ele ter assimilado. 

Já não era um problema meu, mas de estudo do emprego correto dos verbos, dissera o que achava.

Sei que o assunto deve ter circulado entre eles, sacerdotes, porque um já nem fala para os fiéis   se movimentarem nas celebrações, mesmo porque todos já sabem o que fazer, e o mais idoso, nem se preocupou, senhor de si...

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

As eleições no Brasil de 2026 e a conjuntura Mundial

 Ontem, 16 de agosto de 2026 começou oficialmente no Brasil a campanha eleitoral, para presidente, 2/3, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

No Brasil, o processo eleitoral no país, desde a redemocratização, vem passando por sucessivos reduções de prazos de propaganda e cerceamentos de direitos.

Lembro-me da alegria das primeiras eleições gerais pós ditadura, a festa que era fazer campanha nas ruas da cidade de São Paulo, o que não dizer das outras capitais e cidades por este país afora. Sem contar que, salvo engano, duravam 3 meses as campanhas. Colocar cartazes dos postes e paredes, até pichar os muros em lugares estratégicos, ir ao centro da cidade e fazer pequenos comícios sem sermos molestados, tudo isto acontecia

Com bons argumentos ou não, o fato é que chegamos hoje a um período eleitoral, com toda sorte de critérios que, ora disciplinam uma aparente igualdade de direitos, ora dificultam o eleitor às informações.

Outro fato muito importante é o ressurgimento de um nazi fascismo de cara nova na cena política mundial. 

Até então, este grupo estava proscrito da vida pública, por seu caráter eminentemente antidemocrático, autoritário, violento e racista.

Criam mitos que fanatizam as pessoas a ponto de considerarem estes como deuses, e os seguem cegamente. 

Tornam o ódio algo natural e constante. Perseguem os democratas, socialistas, comunistas e massificam grandes parcelas da população, com suas propagandas massificadoras.

Por aqui, no país, um clã fanático assenhoreou-se desta parcela da população, apesar do surgimento de outros fanáticos que disputam a liderança deste setor.

Atualmente ele conseguiram dividir ao meio a opinião pública do país, e são potencialmente, fortes o suficiente, a vencerem as eleições a presidente.

O surgimento do extremismo de direita no mundo tem relação direta da mudança de um mundo unipolar para outro multipolar, onde o unipolar recorre ao fanatismo como meio e tentativa de sobrevivência.

Nós sabemos que a multipolaridade está se impondo, não importam as radicais expressões de neofascismo que surgem por aí. 

A multipolaridade será a futura realidade do mundo. Isto não quer dizer que não acontecerão retrocessos, pode muito bem acontecer.

Não está afastada a possibilidade de guerra mundial, uma vez que forem se multiplicando as guerras regionais, típicas de um mundo com bombas atômicas.

O sistema estará frágil no quesito guerra ao comércio marítimo. O fechamento de mares sob influência deste ou daquele pode desencadear um generalização da guerra. 

O próprio EUA, ao reeditar a doutrina Monroe, mostra seu sinal de fragilidade, porque expressa aquilo que está perdendo, que é sua influência comercial para a China dentro da AL já bem fascista, mas que não rompe com os chineses, porque o comércio determina como a realidade deve ser.

Bem, o Brasil tem um papel muito importante para a sobrevivência de uma AL autônoma. Lula represente esta ideia. 

Já o clã pensa em submissão e alinhamento automático, nem que isto reduza o comercio do país, como acabamos de ver com seu apoio às taxações dos EUA a nós.

É como vemos neste momento a situação







ENTREMEADOS

 


Entreaberto...

perspectiva 

semi aberta 

semi fechada, 

convites, 

aguardos, 

tensões à vista, 

márgens distantes...


Vivo enseada de alto mar , 

cânion de largas planícies, 

nuvens de cosmo profundo.


Sismos rodeiam...

Ora vivo num, ora noutro


Realidades postas nas mãos 

como intermediárias de situações.


Sigo, com os pés largos 

este descobrir diário 

que se apresenta:

um passo aqui, 

outro acolá...

formas de dividir o tempo, 

enquanto ele não acontece.

domingo, 16 de agosto de 2026

QUANDO A VI NOVAMENTE

 


Quando a vi novamente, 

não era mais ela, 

era outra pessoa.


Bebera o licor das estruturas, 

as engrenagens impediam 

aproximar-me.


Quando a vi novamente, 

foi como se nunca 

nos conhecêssemos...


Aprendi a lição 

do tempo certo, 

a experiência pela metade,, 

as mudanças dos sonhos 

em pesadelos.


Como pude continuar sonhando?


Guardo muitos sonhos 

que foram destruídos...


Guardo-os como relíquias, 

sonhos enterrado para sempre, 

nunca descobertos.


Tenho também novos tempos abertos...


Neles cuido de não 

deixá-los passar, 

perdê-los também

sábado, 15 de agosto de 2026

ON LINE

 


O assunto Redes tem sido muito criticado pelos excessos...mas gostaria de ressaltar como conseguimos também cultivar boas amizades por aqui, e sabendo usar, usufruir melhor as virtudes que podem nos elevar a novos patanares de humanidade. 

Os livros, que estão sempre presentes, vão dando lugar a novas formas antecipadas de leituras como no Face, substituindo, gradualmente, uma pela outra. Esta é uma realidade que está se impondo

Passamos a nos conhecer, sem as distâncias,  e em tempo, on line. Mas não abandonemos o livro...tenho sempre alguns à mão, no momento, o REPENSAR A RESSURREIÇÃO, de André Torres Queiruga, além de minha leitura habitual do grego koiné, no Novo Testamento, agora em 1Cor., ajundando a compreender melhor a etimologia de muitas passagens, até modificando significados

.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O que vem depois



O que vem depois 

não serão orações. 

Orações são agora.


A conta não fecha. 

Há um débito permante, 

impagável...


Não sei o tanto 

que me preparei, 

e neste caso talvez,

tenha ficado 

em meio do caminho.


Misturei tantas ações no mundo, 

impregnei-me das cascas 


das duras raízes, 


impossível sair incólume. 


Ser um eremita? 


Quem sabe...


O rompimento é ácido e doloroso.


Faço um diálogo metafórico, 

alimentando a realidade 

dos símbolos disponíveis.


Retiro de todos os ambientes 

que se apresentam 

a explicação de minhas dúvidas. 


Complexo demais 

para a lógica de nosso tempo


As conclusões 

não confesso a ninguém, 

seria considerado louco varrido.


O que vem depois 

tem múltipla linguagem, 

e nesta, estou como um aprendiz

ÀS VEZES

 


Às vezes dá vontade de chutar tudo pr'a cima, e seja o que Deus quiser. 

Às vezes o olhos aguçam olhares e veem além, as imensas prisões que vão se apegando, aos poucos, sem que percebamos, ou mesmo com nosso consentimento...aceitamos abrir mão de nossos destinos, cedemos e cedemos.

Às vezes vem uma revolta sem inimigo definido, revolta de tudo...ah se encontro uma insurreição por aí.. 

Porque estou muito ajuizado, cheio de palavras certas, como um doutor nisso ou naquilo, fosse o dono da verdade...

Por isso, ainda sou um revolucionário que reconhece a "legitimidade" deste acontecimento,  mesmo com a idade me assombrando...

Ah que vontade de jogar tudo pr'a cima, e derrubar.. às vezes.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

RELAÇÕES

  


Relações, 

delas tiro lições, 

caminhos a seguir, 

desviar, 

parar...


Extraio 

extratos 

combinados:

cuidados,  

interações, 

intervalos, 

suspensões...


Uniforme conclusão, 

em meio a teia, 

somatória disforme 

em permanente construção.


Mantenho uma formação louca, 

de regras 

obrigatórias, 

impostas, 

à livres digressões, 

aleatórias. 


São retalhos 

velhos e novos, 

de tempos, 

hábitos, 

normas...

rasgados, 

costurados, 

firmes, 

separados, 

nas ondas da ilusão

domingo, 9 de agosto de 2026

LALAU

 


Quanto mais passa o tempo, mais vamos nos esquecendo de nomes, até que desaparecem...

Faço memória hoje de um jovem chamado LALAU.

Nunca soube seu verdadeiro nome. 

Era estudante da PUC, acho que na Economia. Eram os anos difíceis da repressão, com torturas e assassinatos disfarçados de suicídios.

Eu namorava Margarida embuste período de 70 a 73, e o Lalau era amigo nosso, e tentava nos cooptar a participar de seu movimento 

Já Por volta de 1974/75,  eu trabalhava em Piracicaba, e alugara um ranchinho perto, em Artemis, e estava lá com Meg, recém casados.

Lalau havia sido preso em 1971/72(não sei ao certo), descobri depois que militava na ALN, um grupo armado que rompera por dentro do PCB, e fazia guerrilha urbana.

Neste ano de 1974 ele havia sido solto.

 Amargara importantes anos de juventude nos cárceres da ditadura. 

Tão logo saiu, soube que nós estávamos em Piracicaba e passou conosco alguns dias no rancho. 

Curiosa era sua ansiedade em participar daquele ambiente, como se descontasse os anos aprisionados.

Terminado este tempo de uma semana aproximadamente, despediu-se e foi visitar seus parentes...para ver como lhe éramos queridos, precedíamos na visita 

Assim foi...

Nunca mais o vimos...

Soubemos, mais tarde, que morrera afogado num riacho, em Minas Gerais, quando da visita a seus pais.

O destino às vezes é ingrato...

Deixo aqui esta memória, junto a um lamento antigo,  guardado no coração.

LALAU era seu nome, um rapaz alegre e cheio de vida,  um amigo..

ESTRANHO EM MIM

 

Acompanha-me, 

vez por outra,

um estranho... 

percorre corredores sem fim, 

para ver ser se chega 

a algum lugar, 

ai de mim...


Agora mesmo está aí 

fuçando escombros velhos 

para ver se não esqueci 

algo importante, 

deixo sempre algo para trás 


Aproveita-se assim 

desta longa maratona, 

dividida 

em distintos personagens...

este bem oculto, 

declina seu nome.


No esguio aproveitar do silêncio, 

visualizo sua sombra, 

no indistinto escuro, 

como alguém que me assombra, 

 num inseguro confim

ALÉM ANIVERSÁRIOS

 

Não pedi para nascer, 

mas fui desejado, 

cresci sem saber 

o que fazer, 

depois descobri.


Amar foi tornando-se 

um mistério crescente, 

transcendente, 

nunca termina, 

dói perder.


A idade constrói monumentos, 

destruo constantemente a todos, 

busco o afago dos fracos, 

esquecidos.


O dia apresenta 

desafios de vida, 

reponho-me sempre 

na trincheira da verdade,

a morte ronda por perto...


A cada manhã o Sol, 

a consciência, 

a cada noite,

vigilias, 

sobrevivência .


Sou desafios diários,  

além aniversarios...

QUANDO VIERES...



Quando vieres 

traga junto a fragilidade,  

os reis fiquem com seus tronos.


Ao aproximar-se 

seja suave, 

possa ser vista

desde longe, 

e tão logo possas, 

afague-me antes 

de qualquer palavra.

 

Quando chegares 

traga junto lamparinas acesas, 

grandes são minhas escuridões, 

clareie cômodo por cômodo, 

até tudo iluminar-se.


Suas palavras sirvam de alimento 

onde possa refestelar-me junto a ti, 

na verdade, 

a depender do grau, 

sejam preservadas dos maus...


Quando vieres, 

venhas inteira, 

em fraternos altos e baixos, 

junto às minhas volúveis aquiescências...


Assim poderemos nos entender no amor, 

e caminharmos juntos

sábado, 8 de agosto de 2026

MERGULHADO NO PRESENTE

 


Difícil definir-me...

mergulhado no presente...

muito do que sou 

passa ausente.


Olho, 

interajo, 

opino, 

vou seguindo 

escritos e escrituras, 

e também descobrindo.


Dor e sofrimento 

carrego na aljava, 

esquecidos...

esperança e ardor 

coloco na boca, 

calor...

o sentido das coisas 

percebo pelos olhos, 

abertos...

a solidariedade 

entrego às mãos, 

lapidação...

caminhos e descaminhos

entrego aos pés,

cansados...


A ciência, 

intrometida,

é um tato 

sempre por descobrir 

acertar.e errar, 

errar e acertar 


Descubro amigos, 

encobertos inimigos, 

aparecem,

desaparecem


Procuro não ser só 

estar no mundo 

consciente, 

resguardando sempre 

a liberdade de cada um, 

coisa de demente


Tão mergulhado 

no presente, 

faço do caminho 

pressentimentos, 

nada às claras, 

olho a direção 

dos ventos

a segurança 

das águas rasas...

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A saudade que tenho é de nós mesmos, de Betty Vidigal

 A saudade que tenho é de nós mesmos, 

de quem éramos décadas atrás. 

Nós somos como amigos que perdemos, 

gente querida que não vai voltar. 

Um par de jovens que se pôs ao mar, 

tomou dos remos para nunca mais. 


Quem eram eles, que já não os vemos? 

A mulher bronzeada lendo ao sol,

os dois estraçalhando um rock’n roll, 

em que dobras do tempo se esconderam?

E as três crianças que os rodeavam?

Antigamente estavam sempre aqui, 

voando no turquesa da piscina,

aves aquáticas de um Morumbi 

que era um lugar longínquo e quase ermo.


A saudade que tenho é de nós mesmos.

REALIZADO

 


Hoje tenho 

um cansaço realizado, 

ações  completas.


Hoje há um beijo 

que perdura 

no espreguiçar, 

um amor 

que repõe 

a paz.


Hoje a esperança 

dá bom dia, 

acesa.


Tempo de verdade

aflorada...


O excesso 

de mentiras 

divulgadas, 

nada afeta.


Encontro 

do amor 

com a rotina,

olhares 

expandidos, 

horizontes 

próximos, 

medos 

esquecidos, 

palavras 

novas, 

bom 

ânimo. 


Os pés 

no chão 

da realidade 

a cabeça 

ordenando 

naturalmente 

como bem 

tratar tudo.


Dia de abrir janelas 

respirar fundo, 

porque estou presente, 

tudo está 

em seu devido lugar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O ódio e a ignorância

 Tem sido praxe os radicais de direita adorarem seus líderes. Assim foi com Hitler, e aqui no Brasil um ex oficial, incompetentissimo...se perguntarem o que ele fez, não sai nada.

Esta adoração sem limites faz com que aceitem qualquer mentira. E, como gostam de xingar, vivem de falar mal dos outros.

Mas o homem da tornoseleira eletrônica,  este é um Deus. 

Muitos evangélicos tem trocado Jesus Cristo por ele, em total desacordo com a palavra de Deus que propõe o amor como princípio .

Assim, chegamos a uma eleição de fanáticos. O STF endemonizado, o presidente Lula Xingado.

Mesmo assim, estes neo fascistas perderão estas eleições, porque o povo brasileiro está se dando conta que, no fundo, querem acabar com seus direitos.

Irão corrigir as aposentadorias por índices menores do que a inflação, vão continuar com o orçamento secreto no Congresso, sangrando os cofres da União sem dizer o que fizeram..  a luta é grande.

Então muita serenidade neste momento, porque eles sao raivosos e querem nos tornar também raivosos.

Analisem com calma, sem a influência dos Médicos Sem Vacina que negam as conquistas da ciência. A Michelle vacinou-se, escondida, nos EUA, quando pode

Muita paz e uma eleição onde as pessoas possam ser fraternas e apresentem o que farão se ganharem, porque xingar por xingar não garante nada.

Por um Brasil Fraterno

CONSCIÊNCIA DO VAZIO

 


As vezes me assombra um esgotamento de ter usado todo meu repertório, e estar vazio de novidades. 

Observo-me como se tivesse alcançado um fim.  

Este sentimento persegue-me, contra a vontade, por largo espaço de tempo.

Alastra-se para as pessoas também...passo a vê-las como a mim, sem sal...

Também as instituições que me relaciono, vão perdendo sentido, ah vão, aguçam minhas críticas 

Reflete em meu humor, em minha fé,  na forma dos diálogos que mantenho com as pessoas.

Controlo-me para que não percebam o quanto estou inodoro e entregue, procurando na rotina uma tábua de salvação. 

Curiosamente isto sumenta minha tolerância e compreensão com o mundo, abre portas, passo a entendê-lo melhor...

Não tenho comigo obrigação alguma de ser isto, ou de estar em tal situação, então, deixo correr esta enzima para ver até onde vai, no que vai dar.

A consciência faz vermos de frente, e percebemos que não somos agradáveis muitas vezes, ao contrário, ficamos chatos e impertinentes.

A vocês,  a quem confidencio este juízo interior, peço apenas complacência de vez em quando, e me ignorem quando sumo...

No mais, quando volto, também sou outro... deixo muitas gratuidades de lado, perdendo o humor aquela certa ignorância que acompanha.

Assim vou, conhecendo fases e me transformando.

Como vêem trago novidades, nem sempre boas. 

Então, ignorem.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

INSENSATO

 


Ser pequeno, 

impulso sereno, 

após derramadas 

lágrimas orgulhosas.


Quantos voos vãos 

consciência 

de desilusão,

escapam 

entre as mãos...


Sigo 

um aprendiz, 

de derrota 

em derrota, 

do que fiz;  

e não fiz, 

em silêncio 

como abrigo

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

SEM EXPLICAÇÃO

  


O fim não conheço, 

o início não lembro, 

agora está passando...

não sei como vim, 

não estou certo 

de onde estarei...

como estou 

é consequência, 

um tudo 

sem começo 

nem fim.


Etéreo caminhante, 

letras                          soltas 

      em forma 

      de encontro.


                 Fluido tempo 


escasso 

espaço


O que faço 

aonde,

neste agora?

CALABAR de Betty Vidigal

 Em calabar teu nome tantas vezes, 

denunciei aos portos teu ofício. 

Que não permitam mais o contrabando 

da muamba invisível, 

o difícil

descaminho dos sons. 


Esse ritmo cravado na memória.


Da muamba invisível, esse ritmo 


cravado na memória

(dez sílabas, seis sílabas,

não sei 

quem plantou as provas na bagagem). 


Não compreendo que exponham nas vítrines

as sedas, porcelanas, os temperos, 

especiarias exóticas, as quebras

de ritmo e contratos

contrabandeados. 


Calabar

é verbo e metonímia.

Adelante!

Denuncio à autoridade aduaneira

os planos e as mudanças

de quem mudou de lado tantas vezes. 


No pasarán! 

No pasarán pelo fio da navalha

da alfândega. 


Fiscais aduaneiros, 

revistai também os bolsos de quem chega

carregando perfis e avatares. 


Carregando perfumes e lembranças.


Transportando perfumes e lembranças,

especiarias exóticas, essência


de sábados.

domingo, 2 de agosto de 2026

À RISCA...



A lágrima suspensa 

entre a saudade 

e a tristeza, 

impregnada ao rosto,

fugira do controle, 

das prisões...


A alegria ocultara-se 

definitivamente...

alojara-se na gratuidade 

desprovida de sentido 


De resto eram beijos 

fechando os espaços, 

abraços nos quartos, 

murmúrios soando

confissões...


Era tarde, 

estava envolto 

na trama algorítmica, 

gaiola do pensamento.


Hoje sigo à risca 

o estrito recitar, 

observando 

se captam 

o código 

da vida, 

escondido 

entre as palavras

AIS & RAIARES

 


Ai que eu pego meu caminho uma hora destas e deito a falar dos sonhos que estão aprisionados no Xeol, em ossos...

Ai que em algum momento há de se despertar diante desta imensa sonolência que se abateu sobre os quatro cantos do jardim da criação, não descansa de dormir...

Ai dos iletrados, que secam as vistas em sacrifício de suas farsas bem montadas, verdadeiros becos de cânticos impostados...

Ai do Sol e da Lua se não produzem mais o trabalho e o amor,  como ficam os órfãos das matriarcas ao redor destes mantras fabricados.

Ai de mim, de ti, de nós, correndo de um lado ao outro, neste vasto não, porque não, não pode...

Ai das flores sem aromas, dos manjares mitológicos, desnudados, perseguindo ninfas esquecidas?

Há de raiar uma hora este espaço de letras fundidas à vida, tão desejados anseios,  materializados...

Há de se conquistar as quentes veias que pulsam o ardor dos prazeres embebidos na verdade, ovelhas das montanhas íngremes...

Ponho tudo nas Palmas das mãos...está nítido...

sábado, 1 de agosto de 2026

DESCOBERTO

 


Era noite e um grande pátio cobria toda a realidade, ligava  cômodos de lares inexistentes e poderes ocultos, sem portas...quando via, já estava nos ambientes

Estava só, como um protetor incapaz, um libertador a ser tentado. 

Toda sorte de oportunidades me era apresentado. Olhava aquela vastidão, vazia de gente, e me dava conta da solidão que me encontrava, junto a imensa responsabilidade coiocada. 

Não haviam poderes presentes que pudessem  determinar o que se podia ou não fazer...

Várias camas,  encostadas lado a lado, davam a dimensão de um convite promiscuo que não acontecia... vulneráveis inconsistências. 

A igreja fazia parte das sombras, não era vista, implícita...

Não amanhecia...

Tinha a responsabilidade de proteger ninfas virgens,  e sofria, fraco, por responsabilidade tão elevada, hercúlea, vulnerável fauno, travestido de eunuco.

Tinha nas mãos a flauta dos convites perdidos no tempo...e uma mescla de carícias protetoras transgredindo.

Sentia-me a incapaz de mim, fortaleza sem defesas.

Segurava-me como podia...toda a formação e experiência eram testadas naquele instante. 

Quem sabe estivesse preso... mas não,  tinha toda a liberdade a meu dispor

Frades andavam, sós, sem ação, com suas batinas cinzas, escondendo os rostos, para lá e para cá,  para lá e para cá...

Não se ouviam tiros, não haviam perseguições,  apenas eu vulnerável, podendo tudo, e sofrendo pelo que é justo..

O sonho continuou em mim já desperto,  com desejos contidos, sublimados, como se fizessem parte da realidade. Meu amor dorme ao lado, e o cão aos pés...

Conheci esta noite meu verdadeiro tamanho, minha imensa fragilidade.  

Entendi porque buscar a Deus...

SUBVERTENDO O TEMPO

 


Como gostaria 

de reunir o tempo, 

passado e futuro 

num presente, 

trazer meus pais, 

irmãos, 

parentes, 

amigos 

num encontro 

possível


Não posso...


Então lanço-me 

em lembranças 

ainda criança 

com meus pais, 

em seus colos

em casa, 

numa ingênua 

convivência 

desconhecedora 

das perdas.


Como doem 

as ausências...

insubstituíveis, 

incapacitantes


sofro 

impossibilidades, 

incapacidades, 

insuficiências, 

poder que não tenho, 

deus que não sou...


À noite, 

só, 

vêm 

à mente 

nomes, 

situações, 

acontecimentos... 

ausências 

preenchem 

o vazio 

que adentra.


Estou só, 

patriarca solitário 

em um mundo hostil

quinta-feira, 30 de julho de 2026

DÍVIDAS

  


Os problemas 

não adormecem, 


estão dispostos 


                  nas prateleiras, 


como integrantes 

da familia:

são mobílias, 

vasos, 

talheres, 

roupas, 

automovel, 

casa...

misturam-se a tudo, 

impregnados a cada utensilio, 

conforme são utilizados...


Despertam-nos 

com planejamentos 

de saídas 

que não acontecem, 

exigem 

desprendimento 

incomum, 

evocam 

caminhos 

de espinhos.


Estão 

em contraste constante, 

flagrante progressão, 

diminutas soluções.


Surgem, 

de surpresa,  

nas altas madrugadas, 

misturam-se aos pesadelos, 

mó de moinho 

triturando 

a economia, 

os bens, 

as relações...


Fazem ameaças, 

sujam nomes, 

os artifícios possíveis...

cobram soluções

que não vêm, 

insistentemente.


Jogam tudo para o ar...


Estão à espera 

de um milagre 

que não acontece

terça-feira, 28 de julho de 2026

Comecou a 3ª Guerra Mundial

 Os conflitos na Ucrania e Irã estão num processo de aumento, agora comprometendo a navegação internacional. 

Os EUA aprisionando navios petroleiros deu início a intervenção em alto mar, que esta se generalizando 

A Ucrania, através da Otan, bombardeando portos na Rússia, provocou  a resposta da Rússia também nos portos em Odessa e regiao.

O fato é que falta muito pouco para p comércio internacional dividir-se separando Oriente e Ásia, de um lado e Ocidente, de outro.

O Brasil,  em termos geopolíticos fica crescentemente mais vulnerável diante deste agravamento que se observa.

28/07/2026 - Vida que segue

 O que dizer...amo a vida, amo a cada um , cada uma dos dias que por aqui passo.


Hoje distribuímos o restante dos abacates nas Vicentinas, que cuidam dos idosos abandobados, ao povo de rua, da praça 13 de Maio, ao padres,  ao posto policial.  

Tempo magro de frutas, sinda dobram algumas..

Meg e eu vamos levando a vida como podemos,  conversando sobre o particular e o público.  Vida simples e caseira.

VIVO E AUSENTE

  


Comemoro o dia 

que se encerra...


Vivo,  

assisto 

pequenos 

acontecimentos...

prolongam 

crises 

já surgidas,

sem concluírem 

seus desastres,

intermédio 

que se estende, 

pertencer diário 

que diz tudo, 

e nada diz. 


Ainda é tempo 

de por-me 

diante da realidade, 

mesmo restrito 

a quatro paredes.


Resguardo-me 

do medo, 

inusitado 

fim, 

meio das notícias 

nunca terminam...


Sigo presente 

nisto tudo, 

de ausências 

em ausências, 

e calorosas opiniões.


Aliviado 

opino 

sobrevivendo 

em vão...

sábado, 25 de julho de 2026

O BRASIL NÃO ACEITA SERVILISMO

 Não era para se ter chegado a este ponto, mas agora é hora de se pôr um basta a tudo isto.

Donald Trump está incendiando o mundo e pensa que o povo brasileiro vai se dobrar a sua ânsia de conquistas das riquezas de nossa amada pátria.

Para isto ele conta com verdadeiros traidores da pátria, que estão em campanha. 

Está família fascista e traidora está querendo abrir nosso território para as tropas norte-americanas.

Pois saibam que o povo brasileiro é amante da paz, povo pacifico, mas não covarde.

Não pensem que o povo brasileiro irá se dobrar diante da dominação do império norte-americano.

Não mesmo!


CONSIGO MESMO

 


Vamos em frente...


Dói o coração? 


Bolso vazio?


Mundo de disputas, 

uns pisando nos outros?


Espaços para privilegiados?


Siga em frente, 

mas com a verdade, 

sem nada nas mãos, 

apenas a consciência...


Siga em paz,

RÚSTICO

  


Nada como ser rústico, 

antigo, 

resistente 

ao moderno, 

à tecnologia...


Ter o Sol para despertar

depois de almoçar, 

espreguiçar...


Ver que ainda é dia 

e tudo caminha devagar,

sem a perseguição 

do sofrimento, 

essa correria 

que declino de falar


Nada como agradar a mulher, 

declarar seu amor à tarde, 

entre beijos...

afagar suas costas cansadas,

sem apagar a luz...

sempre brilha 

o amor no tempo


Ora, se perdi a estirpe, 

os cabelos caíram,  

pouco se me dá

ter dor ao levantar,  

se é de paz que preenche 

este lânguido presente.


Vou assim, 

experiente deste outono 

ingreme e clemente, 

tranquilo ao caminhar.

ONDE DEIXEI...

 


Onde foi que deixei a doce fragrância escapar?


Foram os espinhos dos roseirais?


Os caminhos de sempre?


Procuro um aroma 

quase extinto,

surpreso, 

enquanto caem 

as folhas de outono, 

tempo que se esvai...


Como permiti desvencilhar-me de mim?


Hoje, 

póstumo, 

antecipo o fim, 

velório diário.


Hoje a verdade tem velas, 

contempla a solidão

sexta-feira, 24 de julho de 2026

IMPREGNADO

 


Não tenho como esquecer 

impregnado que está... 

se é dor, 

ficam partículas 

de solidão, 

                     pesar, 

                                nos olhos...


Se são momentos 

alegres 

               estravasam

                                     tardiamente,

chegam à lingua, 

pau sa da, 

compreensiva, 

experiente.


Não se esquece, 

condensa-se.


Vivo dor e ardor, 

mix pessoal 

na plataforma 

de streaming 

da vida


Tudo guardado

no armário do tempo, 

não se vestem mais...


Dão o contorno 

expressivo 

mansa 

compreensão...


Administram  

exaltadas 

fugas, 

sonhos 

fugazes...


Contam     com    o    tempo...

O GREGO KOINÉ BÍBLICO

 Por força das minhas dúvidas etimológicas biblicas, acabei estudando grego koiné, isto é,  grego popular, escrito e falado no tempo de Jesus. 

Esta escrita pouco se diferencia do grego atual. 

O problema está em não sabermos nada de como era falado, tendo sido criado por Erasmo de Roterdã uma linguagem utilizada até hoje.  

Atualmente estou na metade da Carta aos Romanos. 

Interessante conhecer os diversos autores bíblicos pelo repertório maior ou menor de palavras que usam, e assim o grau de conhecimento que possuíam. 

Tem sido um divertimento, como um jogo de xadrez, buscar entender o significado das palavras antes do dicionário. 

Também muito interessante é perceber como o grego interage com a lingua portuguesa ainda hoje.

PASSO A PASSO

 


Vou passo a passo, 

olhando o entorno, 

quase compasso, 

frio, 

quente, 

morno.


Abro os olhos, 

os sons escuto, 

obedeço as leis 

da natureza,  

decisões rápidas, 

astuto.


Deixo ir...

vaga nuvem 

em céu azul, 

sempre partir, 

sem norte, 

sem sul.


Um dia amor,  

outro dor, 

fazer, 

desfazer, 

sentindo 

ardor, 

desprazer.


Não impeço,  

sigo surpreendendo, 

meio disperso, 

meio entendendo

quinta-feira, 23 de julho de 2026

LIMITE DOS VERSOS

 Termino os poemas por obrigação, porque tudo termina.


Na verdade eles sempre seguem, reciclam.


Extrapolam contextos, arvoram novos concertos.

Mantém a instabilidade do devir, em permanente mudança.


São como pergaminhos a serem decifrados para as novas realidades, diferentes gerações, sistemas políticos.


Seus limites estão na receptividade dos corações experientes.


Estão postos ao final das tardes, quando, fatigadas as pessoas buscam encontrar explicações sobre a vida. 


Depois somem novamente, porque nem se confundem com o amor propriamente dito, nem com o árduo trabalho.

AUSÊNCIA

  


Tenho uma ausência 

que me persegue...


Não diz 

nada de si,

nada observa, 

não opina.


Vem despistando 

como se não 

existisse, 

e consinto.


Alimenta-se 

das concessões... 

incute a idéia 

de fraqueza, 

vulnerável  


Passa o tempo 

esperando o momento, 

até que envelhecemos, 

e já é tarde 

para fazermos 

o principal, 

a humanidade


Está aí, 

à espreita, 

com interrogações 

vazias...


Tenho a sensação 

de que ela 

está ganhando 

a batalha, 

não questiono mais, 

tudo aceito

naturalmente.


Ausência estranha 

de sabor, 

de vida, 

inodora e fria 

que é..

terça-feira, 21 de julho de 2026

RIO DA VIDA

 


Deixo 

correr manso 

este grande rio da vida..

suas águas 

ensinam as pedras,

moldam suas durezas 

no longo tempo,

tornam-nas belas, 

adquirem vida 

na paisagem.


Compreendo 

quão estreitas 

são certas passagens, 

exigem consciência, 

decisões, 

soluções rápídas, 

sob o risco 

de estravasarem 

pelas márgens, 

serem absorvidas 

precocemente.


Aceito 

a extensa largueza 

de oportunidades

a perder de vista, 

onde tudo cabe, 

cabedal pujante, 

calmas passagens, 

onde desfrutamos 

paz, 

    convívio,

       amorosidade. 


Alimento 

lagos...

as grandes teses...

imaginam corredeiras,

demonstram 

suas pertinências, 

inconsistências, 

o que há de vir...


Sofro 

secas, 

inundações, 

elementos externos... 

dependência 

da sobrevivência, 

desenvolve a criatividade


Caminho 

percursos contínuos,  

contornos...

formas estéticas

de tratar temas 

tão constantes 

sempre sobrevém.


Desemboco

num mar amplo 

onde continuo,

integrados, 

como desaparecido

num grande 

encontro, 

total...


Medito 

sobre as fontes, 

filtros subterrâneos 

que tudo retém 

doces águas 

cristalinas, 

trazem a enzima 

do que vou ser...

o alto mar 

suas vagas 

permanentes, 

onde dissolvo-me

no intervalo..

DESORDEM

 


Não é o que você fala, 

mas o que você não fala.


Não é o que você faz, 

mas o que você não faz.


Não é o que se espera de você, 

mas o que ninguém espera. 


Não é ser a mesma 

pessoa de sempre

mas ser diferente.


Quero ver tua novidade, 

incomodar-me 

com suas críticas.


Quero a cama revolta, 

cheia de tempestades, 

usurpar a falsa pureza 

com a degradada vida, 

esperneada vida, 

fudida, 

real.


Estou cheio dos cristais, 

dos pedestais, 

honrarias, 

quero baixarias, 

vaias... 

momentos 

da verdade 

na cara, 

desnuda


Quero os pensamentos 

mais profundos, 

sem ornanentos.


Provocações!!!


Estou à espera 

do rompimento 

do lacre 

da ordem, 

esta besta 

disciplinada


Aspiro contradições...

a pior delas 

de fingir 

não tê-las

segunda-feira, 20 de julho de 2026

CONSUMAÇÃO

  


Que o tempo 

não me consuma 

antes que suma, 

hora que demora...


Que o espaço 

se espace 

por onde passe,

sem compasso...


Que seja 

um eu 

integral, 

sem dobras, 

mas fibras 

resistentes, 

firmes, 

total


Que embale 

a verdade 

na balada 

do dia, 

e durma 

a profunda

paz do sim, 

no silêncio 

do encontro, 

enfim

quinta-feira, 16 de julho de 2026

ÓDIO GRATUITO

 Criou-se um ódio particular ao presidente Lula, como se ele fosse uma pessoa execrável, merecedor dos palavrões mais execráveis. Na verdade é um ódio ao simples, aos pobres, como se sentissem vergonha de ter ele na presidência.  Muitos que se dizem cristãos tem este lado de ver pejorativamente o presidente.

Mas a realidade mostra seus resultados além dos impropérios, com um Brasil crescendo, e soberano diante de um mundo hostil e fascista.

...e deixe ACONTECER

 

Todos temos o dia,  

mas...

nem do dia a dia 

damos conta, 

o que será então 

este acontecimento 

imprevisto...

final, 

despedida 

fatal

que afronta

e ponto?


Quem sabe o nome de uma rua nos perpetue,

ou uma estátua de alguém sentado próximo a orla,

alguns versos guardados...

sorriem os arqueólogos 

nas 

      suas 

               nuas 

                         escavações.


O pouco 

que fica 

do muito 

que é a vida, 

convida 

sempre 

a rever 

caminhos


Dia da cruel verdade, 

intransponível horizonte, 

a qualquer idade

pela barca de Caronte


Se fazemos e desfazemos

criamos e destruímos, 

se amamos, 

ou nos aproveitamos

qual conclusão teremos ?


Não há despedida 

prévia, 

mas esquecida 

e surpreendida 

despedida 

póstuma.


Assim, 

fica este enlace 

meio solto, 

como somos 

e gostamos, 

de pensar 

que vamos,

face a face,

seguindo 

eternos 

contornos...

NÓ de NÓS



Não tenho 

grupo de origem, 

tantos grupos 

faço parte, 

venho 

sentindo 

vertigem, 

sofro apupos, 

sem coragem


em todos 

fico à parte 


mudos modos...

sou de marte, 

inexplorado 

visitado.


Sou nó 

de nós, 

somos nós

quarta-feira, 15 de julho de 2026

GUARDADO...

 


Melhor continuar esquecido, 

memórias                    revividas    

doem, 


en fra que ci das,  

ao alto custo 


                                      de despedidas


Não se ama 

o passado, 

guarda-o 

invólucro do tempo, 

como unguento 

purgando 

cada vez menos 

sofrimento...

até                                desaparecer, 

deixar      de     ser...


Sigo 

um reto 

coração 

retido,

equilibrando 

amor e razão,

assoprado 

meio a brasas 

ocultas

em cinzas

terça-feira, 14 de julho de 2026

MAR A DENTRO

 Vim do mar, 

adentrei a praia, 

trouxe um coração partido, 

um de onde partiu, 

outro onde aqui cheguei. 


Nasce e morre, 

morre e nasce, 

traz batimentos 

cada vez 

mais lentos, 

e taquicardias 

fora dos tempos.


Amplio o mundo 

num coração 

que mora 

de onde  parte, 

antigo e profundo,

para outro lugar,

num afagar 

ancião

SINAL DOS TEMPOS

 

Estão chegando...

os sinais estão 

cada vez mais fortes.


Não aparecem

de forma explícita, 

não vêm de uma vez.


Apresentam-se 

como defensores 

da paz e da Justiça, 

mas são sedentos de sangue


Iludem as pessoas, 

criam histórias falsas, 

até fazer confusão 

entre verdade e mentira

geram divisões.


A um certo ponto, 

atingem as nações 

com ódio crescente 

de uns contra os outros.


Estão preparando 

uma guerra 

devastadora  

em todos os lugares; 

por enquanto 

parecem corteses.



segunda-feira, 13 de julho de 2026

VERSOS LIVRES

 


Tenho os pés no chão, 

atam-me ao mundo, 

vão do tempo que respiro, 

espaço distendido que abro. 


Sento-me na cama... 

não sei se levanto, 

não quero, 

se deito, 

repouso impossível. 


Sou poeta da vida, 

bandeira hasteada, 

a meio pau, 

a história é quem diz...

alço letras claras, 

rimas raras, 

música sempre...


Monologo pelas noites 

as falências...

reentrâncias...

extraio delas 

o líquen das palavras, 

coladas à boca, 

extensão do corpo.


Esvoaçam indecisas 

na calma noite, 

voam por aí, 

perdidas...

buscam olhares 

maturados,

tesouros 

esquecidos 

de cada um, 

raramente 

descobertos,

escavam, 

se tanto...


A seca 

grassa 

no cimento 

duro, 

poucos sentam-se 

nos bancos 

dos parques

desviam-se

da linha 

de produção. 


Consideram 

a impropriedade,

do verso versus o mundo.


Pinço palavras mágicas, 

ondas sobre as rochas

afã inglório

das baixas marés, 

leituras adormecidas, 

tardias...

domingo, 12 de julho de 2026

PULANDO CORDA



Não me nego, 

mas também 

não me acerto...


Abro espaços 

porque me apertam.


Sou que sou, 

e daí?

deixo seguir 

essa estrada torta, 

vai dar aonde?


Fujo do espelho, 

não me aceito o mesmo, 

não me digam como sou, 

nem falem nada, 

quando passo.


Estou cansado 

das repetidas rimas, 

vou respirar o tempo 

perder-me novamente

ASPERGINDO

 


Estou rompendo...

optei 

por todos 

estranhamentos...

cruzei 

os dedos...

estou parindo 

meu póstumo 

inimigo.


As fontes 

do mar 

são fozes 

que trazem 

o cheiro 

das matas 

a peixes 

cheios 

de si, 

de lume, 

de frio


O mundo 

não se acaba, 

desaba 

por cima 

de tudo, 

nem coito 

cuida 

de mim, 

arfago

vago...


Perco o ar 

das manhãs 

estéreis, 

absorvendo 

frescores 

nos telhados 

do meu peito 

vazio.


Observo...

sábado, 11 de julho de 2026

PEQUENO PRISIONEIRO

 


Esqueci-me 

no passado, 

distraído 

vizinho

no caminho 

da escola, 

prisão 

das ruas.


Lá atrás 

matei-me 

ao escolher

a caixa 

de sapatos, 

descalço 

que era...


Produzia 

ventos, 

escorregava 

nas enchentes, 

minha mãe 

observava 

calada

na ladeira

sábia 

sabiá.


Meu pai 

viajara 

para sempre, 

sentado 

num burrinho 

tosco, 

nunca mais 

voltou, 

procurei outro...


Meu presente 

inexiste, 

guardo-o 

no quarto, 

de vez em quando 

ele sai, 

em sonhos, 

espanta-se 

com o mundo, 

medonho.


Fecho 

as janelas 

dão 

para nada, 

consciente 

das paredes.


Fique 

como quiser, 

encontre-me 

quando puder, 

no passado...

sexta-feira, 10 de julho de 2026

PALAVRAS QUE SE SEGUEM

 


Palavras que se seguem...

buscas autônomas, 

não encontram limites, 

esperam a noite alta, 

derramam 

                  confissões 

                                        solitárias.


Indagam o inusitado 

descalças, 

distraída 

transcendência...

escutam 

outras dimensões 

Céus profundos, 

linguagens

desconhecidas, 

afloram vulcânicas, 

então dormem...


Inquietas 

palavras 

seguem, 

ressignificando 

a ordem  

filosofando o amar, 

transformam...


Mantenho-as, 

inauditas,

em incipiente controle, 

até o dia invadir-me 

com sua frieza costumeira.


Aguardam um anúncio, 

dispensar tudo, 

ultrapassar 

limites, 

impotentes, 

portas entreabertas,

aprendendo...


Ainda ecoam 

na mordaça 

do alvorecer...


Por fim, 

desaparecem, 

transformam-se 

em ação

quarta-feira, 8 de julho de 2026

NÁUFRAGO

 


Este corpo todo que se levanta a cada manhã e acredita que pode alcançar os tesouros escondidos das estruturas de poder...

Esta noite que não passa, com toda sorte de demônios assaltando os sonhos de uma vida melhor...

Este rosto enrugado debaixo do Sol, esperando que chova, saia algo da terra, perdoe a seca

Esta espera doída de cada dia, de um mundo que nunca vem, tece expectativas...

Este beijo colocado nas dobras da noite, com raras declarações, espremido entre o cansaço e a sobrevivência. 

Este tempo de morte gratuita, a toda hora, sem vestígios de assassinos e do estado...

Esta fuga do sofrimento que cresce, já chegou a sua casa.

Este dia de amanhã que se despede antes de chegar, impossível de atingir, zomba dos projetos...

Este escuro pesar de vida estenuada sem que agrege um pouco que seja ao nada...

Esta alegria incompreensível que brota, apesar de tudo, zombando inconsciente dos donos do mundo.

Está despedida que se arrasta por séculos, milênios, dependurada nas dívidas crescentes, anzóis do sistema.

Este ceder permanente até não mais se encontrar...

IMPELIDO



Impelido a sair,  defronto-me 

com as grandes estruturas, 

a seca realidade.


Está em mim 

transcender quimeras, 

buscar novas esferas, 

trilhar caminhos famintos

dispostos ao lado, 

disfarçados...


Não caibo neste mundo 

de perguntas suspensas, 

mesmo as suaves brisas 

afagam procuras fatigadas, 

e esse balanço 

constante do amor, 

não se explica,  

preso às nervuras do coração.


À espreita de mim, 

ando neste complexo 

edificio da vida, 

onde reside 

a identidade de um louco, 

rouco de tanto se indagar, 

pelo caminho...


Afogo-me no mar, 

despenco-me ao caminhar, 

silencio-me diante 

de tanto barulho surdo, 

inócuo...

o olhar diante da morte, 

a epiderme decifrando 

toques incompreensiveis,

o pousar os olhos à noite, 

despertar...

sem explicações, 

desconforme.


Subjaz a aparência 

de uma perfeição esquecida, 

numa estrada distraída, 

percursos que não se encaixam...

segunda-feira, 6 de julho de 2026

FIO TÊNUE

  


Aquele fio tênue 

sustenta o limiar do tempo.


Mantém as conclusões 

das experiências, 

acha-se só.


Aspira observações momentâneas, 

e as guarda para si, 

como quem não convive...


Quer sair, 

já não mais pode, 

Quer falar, 

não consegue, 

despede-se

ALGO NÃO ESTÁ BATENDO BEM

 


Alguma coisa não está batendo bem no mundo. 

Algo se perdeu, não se sabe bem o quê, a que horas exata, ou dilui-se aos poucos sem que tivéssemos percebido.

Não se vai ao estrangeiro para pedir mais impostos contra nosso país, sendo candidato a presidência da República.

Em outros tempos era preso por traição, mas agora, tem tons de naturalidade.

Ser anulada a expulsão de um jogador de futebol dos EUA na Copa, é outra aberração a ser lembrada deste período nefasto. Nunca aconteceu! Só com Trump!

Sequestrar um presidente e assassinar o maior líder religioso de uma nação, da forma como foi e está sendo feita, não deixa de surpreender, ainda que tornem comum.

Extirpar um povo inteiro de seu território, aos olhos de todos, e deixamos...como fazem aos nossos irmãos palestinos

Não somos mais os mesmos...

Estamos perdendo nosso poder de opinião; pior, a consciência de que podemos ter opinião. 

E o que está substituindo tudo isso são valores perversos, opiniões esdrúxulas dos fatos, distorções intencionais dos acontecimentos.

Enfim, o pior está em destaque, com grande números de adeptos, enquanto os justos tornam-se reféns de uma ordem cada vez mais autocrática...

Algo muito errado acontecendo...

O país que desperta hoje, de uma derrota de um simples jogo de futebol, bem poderia cair em si, e perceber que perdemos sim, foi nossa identidade de cidadão brasileiro, estamos dentro de um mar da violência como padrão de competência, nós que somos pacíficos, semore exportamos a paz.

Os ladrões verdadeiros estão à solta, pasmem, nos representando no Congresso Nacional ( grande parte) e sentem-se protegidos pelo cargo de deputados e senadores

Assistimos ontem ao anti jogo do adversário, estupefatos com o ato inusitado de andarem em campo, porque ninguém se entende, desperdonalizados e submissos a um Mister, a batuta de um técnico estrangeiro, que em nada é melhor que os nossos, mas nosso espírito de vira latas subserviente foi mais forte e aceitamos também, porque tudo está  permissivo 

Ai, que bem podia virar tudo isso de cabeça para baixo, seria melhor...

Escrevo enquanto ainda é tempo de se fazer algo...não sei quanto durará esta breve consciência...

sexta-feira, 3 de julho de 2026

CHEIO DE MIM

 Ando cheio de mim, 

cansado do que faço, 

com meus excessos.


O Sol perdeu sua novidade, 

o mar não me desperta nada.


Saio à rua, e nada...


Estou cheio 

das palavras que falo, 

mais ainda das que escuto


Cheio de tudo.


No entanto, ainda vivo, frio, nas vivo


Uma sensação de vazio e é só. 


Cheio com tudo...

quinta-feira, 2 de julho de 2026

PEQUENO TESTAMENTO INCOMPLETO

 


Escondi minhas surpresas...quando as apresentei estavam envelhecidas. 

Ainda assim as guardei... quem sabe alguém, em algum momento, veja meu segmento, o dos que guardam...


Tudo me surpreende desde a tenra idade, como nunca tornei pública, esta minha identidade?


Tornava natural a deslumbrante vida, o incompreensível Sol, a suave Lua, os limites do mar aos meus pés. 


Como pude pisar este gigante à perder de vista? Com que coragem!


Só rezando fazia tudo isto.


Ser místico foi uma consequência de minhas permanentes incompreensões, impossível evitar tal busca...acabei por encontrar os mistérios, estavam ali mesmo, por perto


Pensava estar só, e ao morrer, desaparecer por completo.


Quando pude amar e ser amado, porque o amor também se descobre como algo inusitado,  tudo o que me era novo foi encontrando explicação.


Deveria cantar e escrever...deixar a vida vencer por sua naturalidade.


Hoje o tempo está se despedindo de mim, como um intruso, ele cada vez mais rápido, eu mais lento. 


Respeito-lhe por sua inevitabilidade, eu transitório...


Deixo vir ainda minhas surpresas...até o apagar será novo, se apagar...


Foi tudo em vão?

terça-feira, 30 de junho de 2026

BREVE REFLEXÃO DE NOSSO TEMPO

 


Alguns escolhem ser bons, e seguem uma vida solidária, sem ideias preconcebidas disto ou daquilo. São simplesmente bons...

Outros passam pela vida indiferentes, distraídos, ocupados consigo mesmos. São uma parcela considerável...quem sabe?

Há entretanto, os maus. Tem vida familiar estável, e tem uma alegria familiar confinada, mas são profundamente reservados em suas opiniões, geralmente de ódio.  Não dialogam porque não conseguem sustentar seus argumentos destrutivos diante do seu interlocutor.

Estão sempre a falar mal das pessoas, dos governos, dos bens comuns que todos usufruimos. É deste segmento que dyrge osbpensamentos autoritários, até materializar-se no fascismo e no nazismo. Se crescem em número, com suas mentiras costumeiras, que acabam tornando-se "verdade", por força da insistência, acabam contaminando toda a sociedade.

É o que estamos vendo acontecer no mundo, onde   o equilíbrio, a razão e a humanidade estão dando lugar ao instinto de morte e destruição. 

Escrevo este pequeno texto aos que sinta podem entender. Esta é uma epoca de luta e céu nublado.  Exige pessoas destemidos, de coragem. Não é uma escolha, é uma imposição do nosso tempo aos que ainda tem amor...

segunda-feira, 29 de junho de 2026

FOLIA DE REIS EM CASA


 Hoje recebemos o grupo da Folia de Reis em casa. Muita alegria e fé num mundo melhor,  onde a paz seja abundante, e a justica predomine na Terra

domingo, 28 de junho de 2026

FENDA INDEFINIDA

 


Há ocasiões...

na dobra 

entre o dia e a noite, 

conflito entre 

a exterioridade e a reflexão, 

quando o silêncio grita alto...

emerge lentamente 

algo distante 

de tempos ancestrais 

tristeza  indefinida, 

amálgama de expectativas 

acumuladas, 

dando seu sinal de vida, 

nebulosa visita 

sutil e extemporânea, 

adentrando as periferias da razão 


Não tenho onde esconder-me, 

por mais que busque refúgios...

o trivial só piora.


É como se houvesse 

um desenlace invertido 

do que não fui, 

nem atingi, 

soberba dor 

que quem 

não acalmou 

sonhos.


Tarde híbrida, 

masculina e feminina

invasão sobreposta 

de momentos, 

no abandono de mim, 

fraquezas 

apropriando-se

da lógica...


Passagem 

momentânea 

desta serena 

e surda luta 

que me cerca,

e sigo meio a meio, 

sem soluções 

até tudo acalmar-se...

sábado, 27 de junho de 2026

VOLTAREI

 


Estou perto, 

permaneço atento, 

raramente durmo...


Compreendo a dor 

porque sofri muito, 

suportá-la 

foi grande lição, 

engrandece.


Não me cansa 

contemplar 

o amanhecer, 

deixa sempre

um ar de novidade.


Preciso refazer-me, 

a cada dia, 

senão padeço 

rapidamente...

minha humanidade 

requer ânimo, 

permanente


Tenho o mérito 

de resistir 

às injustiças 

assemelho-me

a um náufrago.


Suspiro ansioso 

o meu tempo, 

perdido nas trevas 

da incompreensão,

mortal.


Aguardo alguém 

sensato, 

que convença 

as pessoas 

sobre a paz, 

e tenha adeptos...

porque tudo 

está armado 

para eclodir 

a qualquer 

momento.


Preparei 

os mantimentos 

necessários 

para subir 

a montanha, 

transformá-la

em meu refúgio 

das lutas, 

onde refaço 

os laços 

de amanhã.


Deixo um tropel 

de cavalos brancos 

ocupar as campinas 

verdejantes,

onde escondo 

um desânimo 

milenar...


Não sei dizer adeus, 

mas "paz entre todos", 

perderam meu nome 

em meio a tantos 

clamores falsos...

por isso partilho 

este pouco de mim, 

aos que ainda 

me conhecem.


Quando tudo acalmar-se, 

os casais puderem 

novamente ir às praças 

com suas criancas, 

quando tomar um sorvete 

significar vitória 

sobre as grandes estruturas, 

então poderei ser 

saboreado também 

num amor 

amigo e companheiro.


Serei visto, 

deitado sob uma árvore, 

contando histórias 

de um mundo 

que ainda não existe 

à gente 

de todos os lugares


Por enquanto, 

entretanto,

saibam que estou 

por perto, 

atento, 

raramente durmo.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

VÉSPERA INESPERADA

 


Difícil segurar 

este momento, 

em que tiros 

misturam-se 

a cânticos 

inocentes.


Declamar 

em goles secos 

a esperança, 

e chorar  

doces tragédias...

nunca se despedem.


Diferentes ingredientes, 

não se combinam, 

suportam o mesmo espaco.


Tremo e danço, 

rio o pranto, 

cruel encanto 

pós contemporâneo.


Vou com um corte 

dividindo o peito, 

dor jorrando 

pétalas murchas.


Vou para não sei onde, 

o caminho está 

por ser aberto, 

não sei qual.

PESADELO SISTÊMICO

 


Ando sem tempo...

Tantas as demandas, 

que passo os dias 

respondendo inúteis 

solicitações.


É atraso disso, 

compromisso daquilo, 

cobranças diversas, 

documentos a  providenciar, 

congestionamentos no trânsito, 

atenção difusa 

de todos os lados...

quando se vê, 

nada se fez...


Tudo são 

representações, 

imagens, 

simbolismos, 

enquanto a vida 

passa ao largo, 

manso rio desabitado


Mundo de quinquilharias 

despejadas 

como esgoto...

o principal fica sempre 

para depois. 


Saio à rua, 

vejo um frenesi louco 

pela sobrevivência, 

não sabem como resolver 

continuam indo 

ao matadouro.


A proximidade do fim 

alvoroça 

sem soluções 

alternativas..


Quando despertarão?


Antes da morte ? 


Ó vida a ser vivida...

perdida 

no emaranhado sistêmico.

terça-feira, 23 de junho de 2026

VIDA BREVE

  


De repente, 

vejo-me sem ter 

onde guardar experiências, 

arduamente apreendidas, 

e naturalmente 

descartadas pelo mundo.


Entreguei-me ao mundo, 

como uma folha de outono 

a passear sozinha 

ao sabor do vento, 

perdida, 

antes de dissolver-se 

seca 

por sobre a terra...

uma ovelha por tosquear, 

distraída nas montanhas, 

indiferente 

aos perigos 

frequentes...

muda sem terra, 

sem vaso 

vazia 

de nutrientes...

ninho por formar, 

amor sólido, 

crias por criar, 

gerações a perpetuar


Não perguntei 

das distâncias 

nem dos riscos, 

olhava incólume 

e seguia, 

conforme o coração 

mandava...


Os resultados via depois...

na maior parte 

acertei nas decisões,  

e quando errei 

compreendi, 

às vezes 

a duras custas...


De alguma forma, 

deixei-me enrijecer

pelo mundo...


Tempos diversos 

onde a juventude 

pôde expressar-se 

sem sobressaltos, 

ciente de si, 

consequente. 


A riqueza ficou

para o último plano, 

não pensei em acumulalar...

apenas mais adulto, 

quando o fim 

pôde ser pensado.


No mais, 

era cigarra solta 

nos desertos, 

brincando de guerra 

diante das guerras...


Amar preencheu 

todos os espaços...


Pude descobrir e medir 

a importancia das coisas, 

realizar-me 

como alguém 

com identidade


Em meio a tudo, 

uma estranha 

companhia 

fui reconhecendo, 

tardia...

parecia não interferir...

acostunei-me a ela 

quando o Sol se punha...


Ao sair ileso 

das grandes perseguições, 

perguntava-me

como pude sobreviver, 

ao lado de tantos 

sucumbidos 

no pântano do poder.


Sei apenas que sobrevivi.


Estudei o que o coração pedia, 

e refestelei-me 

com o conhecimento...

disto extraí 

o nectar da vida, 

escondido dos opressores, 

o deixar-me levar 

pelo fragor das ondas 

pipocando nas praias, 

ácidas, 

eu borbulhando...


Desejei ser mais, 

sofri inutilmente 

a voraz disputa por lugares...

em certo momento, 

percebi que tudo 

tem uma hora, 

sem precisar disputar.


O mundo possui 

espaços amplos 

para acomodar 

toda gente.


Olhando por sobre os montes, 

as mudancas repentinas 

que estão vindo 

mais frequentes, 

tenho a sensação 

de que não minhas 

mas das novas gerações 

esta penitencia...


De minha parte 

fica o testemunho 

do criar, 

usufruir 

e partilhar

sempre...

e ainda tem gás...

domingo, 21 de junho de 2026

DESENCONTRO

 


Estou preparando 

sem o saber, 

um encontro 

que nunca se realiza.


Encontro particular, 

não público; 

mas também público, 

não particular 


Estará sempre 

como prioridade 

adiada.


Sofrerá as agruras 

das justificações 

por não ocorrer


Será um encontro particular, 

longe dos holofotes. 


Dará um fim 

derradeiro 

às poesias 

e teorias filosoficas 

que existem, 

porque tudo 

estará resolvido então. 


Não vem como convite, 

traz uma liberdade de escolha, 

resultado de uma plena 

liberdade de decisão.


Será inusitada e unica.


Espera durante toda a vida...


Espera muito...

sábado, 20 de junho de 2026

FRIO HUMANO

 


Fria noite, 

desprotegida...

fria humanidade,

desabitada...

frio amor 

coabitado...


Fria miséria

rica,

indiferente 

ao padecimento

da gente,

falsa 


Fria rotina, 

neblina 

cega, 

que apega,

fina, 

confina  


Frio interior.. 

de amor 

fugidio...

morte 

sem fim, 

calafrio, 

exterior...


Frio algoz 

em nós 

penumbra 

permanente, 

pendente...

desfigurada,

incrustada


Frio mudo, 

mortal, 

na espinha, 

na mente,

caminha,

imanente 


Frio de tudo, 

de ventos 

polares,

isolamento 

mudo

fechado 

nos lares.


Frio 

de busca 

inútil, 

fútil,

terminal...


Frio humano...

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O DEMOLIDOR DE MUROS

 


A vida tem muros...


Tenho encontrado muros

no decorrer do tempo.


Detenho-me diante deles 

sempre que surgem, 

não são convidados 

a participar da festa, 

mas vêm.


Possuem tamanhos diversos, 

fazem-se de intransponíveis, 

deixam a impressão 

de que ali 

terminam meus passos, 

velhos passos.


Já ultrapassei vários deles..


Quando me viro,  

olho para trás, 

nem sempre vencê-los 

trouxe gosto de vitória, 

mas alívio, 

consciência de que algo 

se perdeu, 

atrasou.


Agora mesmo

está aí um muro imenso, 

com seu sentimento 

de impotência, 

convidando a desistir, 

ficar na constante maré.


Quer que pense

não ter força suficiente 

para derrubá-lo, 

cheguei ao fim do caminho.


Pacientemente 

me dou conta 

da aparência 

do obstáculo, 

encontrando saídas, 

continuando em frente.


Aprendi a desafiar muros...

não são tão grandes 

quanto parecem, 

quando nos pomos 

a resolvê-los


Surgem a todo instante, , 

aparentando maiores.


Sou um demolidor de muros. 


Estão sempre à minha frente, 

e eu sempre à derrubá-los.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

PROCUREM-ME AMANHÃ

 


O que faço de mim, 

neste fim de tarde 

em que tudo 

perde o sentido 

e recolho-me solitário?


Melhor guardar-me 

em silêncio

sem que voce 

veja o que vi:

a fome de sempre, 

a guerra de sempre, 

as pessoas 

e os pensamentos 

de sempre,

suas imensas formalidades...

esta horrivel sensação 

de que tudo permanece igual.


Melhor recolher-me 

a um canto, 

sem encanto, 

por enquanto, 

até que possa

ver novamente 

o Sol 

desvendando a escuridão, 

a Lua 

despertando a amor, 

o mar, 

abrindo o horizonte, 

criancas brincando 

na praia, 

casais namorando...


Quem sabe assim 

possa passar 

esta sensação 

tão real, 

de que vivo 

um mundo falso 

de representações, 

e não haja ninguém 

por trás disso, 

só falsidades.


Então, combinemos,

procurem-me amanhã, 

e possa já ter retirado

esta sensação 

tão estranha 

de vazio, 

que me assombra 

neste final de tarde...

segunda-feira, 15 de junho de 2026

ANTES QUE AMANHEÇA

 

Antes que amanheça 

deixo-te alguns sonhos, 

quem sabe precises 

de algum deles 

no decorrer do dia.


As terapias noturnas 

refazem rotas.


Deus mesmo 

pode ver-se 

aí incluído, 

sem liturgias, 

fazendo-se de amigo.


Antes da noite 

empalidecer-se 

dos lados do horizonte, 

poderás fazer 

as ponderações 

tão desprezadas,  

em meio a um 

sem número 

de ações vorazes.


Antes que o dia aconteça, 

é de bom alvitre 

entender o universo 

contido no travesseiro,

viagens inusitadas 

a cidades paradisíacas, 

visitas que te transpassam, 

voláteis, 

vertigens de ausência 

de elevadores, 

inflexíveis ascensões,

amores semelhantes 

ao da amada, 

distantes, 

necessitando 

de abraços

constantes


Quanto mais persigo 

mais abrem-se 

as alternativas, 

e vejo como sou 

indesejavelnente 

simples e modesto


Poderás então dizer de ti 

com a mansidão 

de quem se viu de fora,

desejos soltos 

em campinas enluaradas, 

respiro e penso;

-Dia, aqui vou!

sábado, 13 de junho de 2026

POR DO SOL

 


Deixo-me entardecer, 

movimentos mais lentos, 

compreensão dolorosa 

ainda esperançosa.


Deixo o meu Sol se por...


Se venho 

Lua Nova, 

ou Minguante, 

aceito-as em minhas 

diversas finitudes.


Em algumas 

encaixam-se meus dias, 

entre leituras 

e saídas porta afora, 

diante do mundo, 

e sua natural crueldade.


Ponho-me na porta da noite 

comemorando a sobrevivência, 

sem subserviência...

RETIDO

 


Não sei despedir-me, 

algo retém a saída.


Não sei se nuvens 

não convidam, 

estão estáticas...

não sei se somos nós, 

temerosos do mundo, 

das descobertas..


Ando segurando 

suas mãos 

o quanto posso, 

afago de permanência. 


Temos algo a concluir 

em suspenso, 

ao nos despedirmos...

continuidade  

por formar sentido.


São necessárias 

novas buscas, 

experiências, 

que reguem 

o jardim cultivado

em silêncio.


Despedidas matam!


São como 

enterros antecipados 

preparando os corações 

a viagens distantes.


Há muito ainda 

a se dizer, 

a ouvir...

há muito de nós 

represado na boca, 

enquanto olha, 

deseja estar junto


Despeço-me 

com versos 

do leitor, 

como quem 

não quer partir, 

e deixa palavras 

que ficam.


Volte logo!

quinta-feira, 11 de junho de 2026

ESCOLHA?

 


Vou deixar a escolha, 

a porta aberta, 

o desconhecido.


Vou deixar a irriquieta 

busca de si, 

nos grandes vazios 

nunca preenchidos. 


O olhar e o desviar, 

o amar e o evitar, 

o odiar e o compadecer


Dolorosa forma 

de se orientar por aí,  

escolhendo e descartando 

pelos tempos afora.


Híbrido desorientado, 

finjo uma amarela 

estabilidade recatada...


Miserável de mim, 

desta sorte 

em não saber seguir, 

se segue...


Ainda que me creia, 

sempre me perco...

quarta-feira, 10 de junho de 2026

EXALTANDO OS HERÓIS

 


Heróis não mentem, 

não denigrem adversários, 

conscientes de que todos 

pertencem à amada pátria.


Heróis não lambem 

as botas de nações

sequiosas por nossas riquezas, 

estão sempre atentos 

na salvaguarda 

dos destinos do país.


Heróis olham por o seu povo, 

não se envergonham dele, 

o mais caído 

deve ser elevado.


Heróis enfrentam as trevas, 

sabem a cor de seu sangue, 

e o derramam, 

generosamente, 

quando preciso.


Heróis observam o país 

no horizonte longínquo, 

e o transportam para lá,  

é sua missão.


Possuem zelo natural 

por tudo e todos, 

sorrisos largos, 

esperança construída, 

confiança.


Heróis não traem, 

não são vendilhões, 

estão sempre prontos 

a dar suas vidas 

por um Brasil melhor, 

o seu país.


Heróis não tem nomes, 

cargos ou patentes, 

são lembrados 

por suas façanhas, 

mais que a si próprios.


Guardar sempre no coração 

os heróis que lutaram 

pela nação,  

seu povo, 

seu territorio, 

suas instituicoes,

é dever de todos, 

rendendo-lhes 

as devidas homenagens, 

fazendo-os presentes 

em suas casas, 

como membros 

de suas próprias familias.


Os heróis clamam 

sempre, 

por dentro, 

o bastião da liberdade,

legado guardado 

em nossos corações. 


A estes, a eterna homenagem!

terça-feira, 9 de junho de 2026

BEIRA DE MIM

 


Estou a beira de ser feliz, 

a beira de chorar, 

respirar vida.


Estou na confluência de mim, 

onde tudo se mistura, 

dá o tom.


Porque fico neste 

sempre possível 

impossível,  

perdido sonhador.


Sigo com olhos de sonhos, 

mãos de desejos, 

pés de astronautas, 

voz de profetas...


De cima da montanhas 

trago o mandamento 

do silêncio 

indiferente às diferenças, 

trago o pecado particular, 

que se silencia, 

mal balbucia, 

exemplo de nada...


Na beirada 

da felicidade 

aprecio, 

aprecio...

segunda-feira, 8 de junho de 2026

INCONCLUSO



Não me preocupo em agradar, 

tem os que precisam sentir afagos...

a alegria, passa por fora, 

fora de hora.


Também não quero 

ser impertinente, 

mas quando sou, 

desculpo-me


Não quero ser mais, 

nem menos, 

maior ou menor, 

basta-me onde estou, 

um local de esquecimento oportuno, 

onde produzo meus versos, 

sem pressão disto ou daquilo, 

minha liberdade particular


Deixo aberta as portas do abismo, 

de lá ecoam visões novas, 

explicações, 

(nunca a verdade completa), 

a surpreender-me 

dia após dia, 

com suas sabedorias


Vou navegando neste tempo 

de antiguidades 

novas tecnologias, 

boiando aqui, 

afundando ali, 

nadando minhas braçadas.


Quando vejo, 

anoiteceu, e vou junto, 

contando os dias...

BOM TEMPO

 


Implacável comigo 

esta sequência de dias, 

mais aprendo 

mais envelheço.


Ambígua formação, 

plena de contradicões, 

e as saídas laterais 

que nunca acabam.


Caminho que tende 

a encontrar-se, 

neste mar imenso 

de especies, 

diversidade que invade.


Assim, vou seguindo, 

pondo letra em tudo 

e contando o tempo.


Sigo com a alegria dos sabiás, 

o enterrar-se das minhocas, 

levantar, 

os dentes escovar, 

olhar-me no espelho, 

ver que ainda sou eu 

e estou aqui,

tomar um café, 

abraçar, 

beijar


Sigo com a simplicidade 

implícita 

grandiosa de cada um, 

nesta implacável 

sequência de dias.


...e tenha um bom dia!

domingo, 7 de junho de 2026

TEAR NOTURNO

 


A noite é um novelo de lã 

que se desfia 

madrugada afora, 

não sabe onde vai...


Segue distantes 

batidas de tambores, 

ancestrais...


Se são daqui 

ou recônditos lugares, 

sabe-se lá o que fazem 

estes teares,

vestem anjos 

nos portais 

da eternidade?


Sei que há algo 

sendo tecido, 

no frio auscuto 

da noite, 

a ser vestido 

durante o dia,

preparam-me 

para as noticias 

de amanhã?


O tempo escuro 

discerne os limites, 

longínquos ouvidos,  

se continuam as batidas, 

com indígenas expulsos  

em seus cantos 

celestiais soturnos, 


Mal escuto de mim, 

se confundo o peito 

que represa o coração, 

a um transcendente 

ritual noturno.


Sei de portas 

que se abrem, 

fecham...

de estar atento 

a novas linguagens...

tudo o mais palidece 

de explicacão.


Por fim, 

embalo-me no ritmo...

sou parte desaparecida 

de grupos tribais 

envoltos em chamas, 

vendavais clamando por justica.

sábado, 6 de junho de 2026

VIÉS

 


Faltam sonhos, 

sobram interrogações...


Acordo em meio a noite 

com muitas perguntas 

do que acontece 

debaixo do Sol: 

- Porquê as pessoas 

não questionam 

a si mesmas,

na caminhada diária?


Por isso não sonho, 

ânsia noturna...


Seguem a cerviz 

dura e seca, 

como se o mundo 

fosse uma guerra 

permanente.


Estabelecem versões 

próprias da realidade, 

fecham-se em copas, 

disputam suas verdades 

com únicas 


Enquanto não estabelecem 

um domínio 

de suas concepções 

incompletas, 

não param.


Possuídos 

pela vaidade, 

o orgulho, 

ficam incapazes 

de perceberem 

seus próprios erros.


Passam a vida 

num imenso viés, 

falsamente satisfeitos, 

casmurros.


Falta-lhes o sonho, 

o descobrir-se 

nas veredas da vida, 

repleta de incertezas, 

caminhos inúteis, 

cair, 

levantar, 

amar, 

sentir-se amado...


Acham que sabem tudo, 

e não realizam 

as ações 

mais simples...

persistem

em seu reinado 

de si mesmos.


Pensam deter 

o conhecimento do mundo, 

passam o tempo 

verbalizando 

falsas grandiosidades.


Odeiam os frágeis, 

estes serão sempre 

o contra exemplo, 

os derrotados.


Buscam expulsá-los 

das praças, 

das ruas, 

inutilmente, 

porque sempre aí estarão 

confrontando-os 

inconscientemente,

ao seu poder.


Falta-lhes o sonho, 

o abrir a visão 

às multiplas possibilidades

de que podemos sim, 

conquistar um mundo melhor, 

pacifico e fraterno.


Falta-lhes humanidade, 

enquanto sobram interrogacões...

sexta-feira, 5 de junho de 2026

ALGUMAS LÁGRIMAS

  


Não há como olhar este mundo e não verter algumas lágrimas. 

Seria como recitar grandes poemas, e as pessoas nada sentirem, indiferentes.

Tudo pertence a um endurecimento do coração, voltado a si mesmo, visão particular egoísta do mundo, como terreno de guerra particular como solução dos problemas.

Não paro de verter lágrimas. Ainda somos os mesmos de sempre, falsos e desonestos, belicosos e cheios de ódio. 

O que esperar disto, senão guerras e destruição?

quinta-feira, 4 de junho de 2026

ESCOLHA

 ?


Vou deixar a escolha, 

a porta aberta, 

o desconhecido.


Vou deixar a irriquieta 

busca de si, 

nos grandes vazios 

nunca preenchidos. 


O olhar e o desviar, 

o amar e o evitar, 

o odiar e o compadecer


Dolorosa forma 

de se orientar por aí,  

escolhendo e descartando 

pelos tempos afora.


Híbrido desorientado, 

finjo uma amarela 

estabilidade recatada...


Miserável de mim, 

desta sorte 

em não saber seguir, 

se segue...


Ainda que me creia, 

sempre me perco...

quarta-feira, 3 de junho de 2026

DESPERTA BRASIL!!!

 Os seguidores da extrema direita tem, como princípio, fazerem qualquer ação, seja ela certa ou errada, boa ou má. 

Importa que apareçam sempre no noticiário, como nos recentes casos de corrupção, nem que, para isto traumatizem permanentemente as pessoas.

Adoram o poder e usam livremente a violência,  em total desrespeito aos direitos dos cidadãos e das nações. 

Passam por cima.

Escolheram dominar o Brasil. 

Para isto, colocaram pequenos fanáticos a seu serviço, por aqui, que estão cumprindo fielmente suas obrigações. 

As pessoas de bem notam claramente como este fanatismo espalhou-se: governadores fanáticos e políticos vendilhões dos bens públicos cercaram-se de interesseiros subservientes, verdadeiras aves de rapina, a venderem  empresas públicas como se estivessem avançando vorazmente sobre carniças. 

Desprezam o esforço de décadas na construção de infraestruturas, e simplesmente vendem aos seus comparsas por valores irrisórios 

É chegada a hora de dar um basta e despertar, de vez este gigante adormecido, que ainda não se conscientizou de seu poder.

Ir às ruas, mostrar sua indignação,  acreditar no Brasil,  em seu povo, e depois varrer de volta este estrume, que fede, para o lixo da História.

DESPERTA AGORA BRASIL!!!!

terça-feira, 2 de junho de 2026

ENQUANTO SIGO

 


Posso oferecer-me a ti, 

como sou, 

quem sabe 

seja aceito, 

quem sabe 

rejeitado.


Até onde podemos ir 

me é desconhecido, 

mas saiba, 

pouco tem a ver 

com este mundo.


Estou a experimentar 

a liberdade 

com o espaço 

que ela possa dar, 

todas as possibilidades 

estão abertas.


Estou a perguntar-me

constantemente, 

sobre tudo, 

sem freios, 

nem arreios.


Ando 

como quem convida 

a fazer festa, 

comemorar

inconscientemente, 

a vida.


Por isso sorrio e choro, 

grito e calo-me 

no decorrer do dia...

corro, se necessário, 

paro, se preciso...

sigo o vento.


Hoje, 

uma mansidão 

toma conta de mim, 

como herança não paga.


Hoje me pergunto:

E nós, e os outros?


Sinto a velha carência de desejar 

que todos consigam festejar 

juntos o seu tempo.

sábado, 30 de maio de 2026

ABERTO

 


Vivo sempre um deserto, 

tenho a impressão 

de que tudo está longe de mim.


Observo a realidade 

como um estrangeiro...

ao conversar

tenho a sensação 

de ainda estar 

descobrindo a falar. 


Balbucio muito, 

nas entrelinhas...

pensamentos 

que não se fecham, 

sem sentidos.


Passo longo tempo só,  

meditando.


Surpreendo-me a todo instante. 


Onde estão meus pés? 


Quem explica esta novidade permanente?

quinta-feira, 28 de maio de 2026

OLHAR

 


Tenho vários olhos...

atravessam camadas 

de subjetividades 

até atingir segredos inauditos.


Revelam progressivamente 

a verdade, 

enquanto mantém 

a superficialidade oficial.


Transcendem os próprios olhos...

postos no mundo, 

abrem brechas de verdades 

ocultas de todos.


Caminho cabisbaixo 

para não olhar ninguém, 

não quero saber mais 

do que vejo.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Lançado o DOR OCULTA

 Já está à venda o neu oitavo livro de poemas, o DOR OCULTA. São atalhos que escolhi para aplicar enigmas da alma.  Deixo os locais onde podem ser adquiridos. Desde já o desejo de uma boa leitura, lembrando que poesia não se bebe de um goleiro só,  mas aos poucos, convidando o livro a ficar sempre por perto.

Links oficiais das lojas da Scortecci Editora na Internet:

 

https://www.livrariascortecci.com.br

https://www.pingodeletra.com.br

https://www.livrariadomercado.com.br

 

Mais informações com a Débora Alencar: WhatsApp: (11) 95520-3535.

Links de Comercialização e Divulgação:

 

Galeria do Livro:


https://www.galeriadolivro.com.br/2026/05/dor-oculta-joao-paulo-naves-fernandes.html

 

Livraria Scortecci: 

 

https://www.livrariascortecci.com.br/detalhes.php?sid=27052026100439&prod=10621&friurl=_-DOR-OCULTA--Joao-Paulo-Naves-Fernandes-_&kb=22

 

Amazon:

https://www.amazon.com.br/Oculta-Jo%C3%A3o-Paulo-Naves-Fernandes/dp/8536673621/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=1I1QV6JXWKWIK&dib=eyJ2IjoiMSJ9.R3E46jpdzpnpVcz1uVHQsyuirKIVYFo24gTfyvRt5qIpnRccTpOc5p2CUEbE16V3gb-FqYdYeTysncHyBfviBnmktirCr-DyObdU31uNNEoDZE5egADP1hJNhvXZlLEp24pL-Hpv08O91KhgWyfm70PDyQsK9sqaDkwnCs3RuODrB0dONaIzZtC1t6h0kUoimJATI1A5ZcSyBKUfKdi6DzLK1gVy30b9SuT_tdXnuAI.T6nNzbkS4f2LtpJhnvtMCtFCxoHAKCmOF_FuVq-IXkA&dib_tag=se&keywords=dor+oculta&qid=1779887533&s=books&sprefix=dor+oculta%2Cstripbooks%2C185&sr=1-1

Magazine Luiza:

https://www.magazineluiza.com.br/dor-oculta-scortecci/p/ffcag3k55j/li/lira/?seller_id=livrariadomercado

 

Estante Virtual:

https://www.estantevirtual.com.br/livro/dor-oculta-PZM-6501-000-BK

 

Martins Fontes:

https://www.martinsfontespaulista.com.br/DOR-OCULTA-1205946/p

 

Livraria do Mercado:

https://livrariadomercado.com.br/dor-oculta-joao-paulo-naves-fernandes

 

Links oficiais das lojas da Scortecci Editora na Internet:



DESENVOLTAS MIUDEZAS...

  Trago uma ansiedade  por estar junto,  não saber o que falar,   envergonhar-me por não falar. Quero respirar fundo junto,  a brisa da manh...