sábado, 4 de julho de 2026

SOBREVIVENTE

 


Este corpo todo que se levanta a cada manhã e acredita que pode alcançar os tesouros escondidos das estruturas de poder...

Esta noite que não passa, com toda sorte de demônios assaltando os sonhos de uma vida melhor...

Este rosto enrugado debaixo do Sol, esperando que chova, saia algo da terra, perdoe a seca

Esta espera doída de cada dia, de um mundo que nunca vem, tece expectativas...

Este beijo colocado nas dobras da noite, com raras declarações, espremido entre o cansaço e a sobrevivência. 

Este tempo de morte gratuita, a toda hora, sem vestígios de assassinos e do estado...

Esta fuga do sofrimento que cresce, já chegou a sua casa.

Este dia de amanhã que se despede antes de chegar, impossível de atingir, zomba dos projetos...

Este escuro pesar de vida estenuada sem que agrege um pouco que seja ao nada...

Esta alegria incompreensível que brota, apesar de tudo, zombando inconsciente dos donos do mundo.

Está despedida que se arrasta por séculos, milênios, dependurada nas dívidas crescentes, anzóis do sistema.

Este ceder permanente até não mais se encontrar...

sexta-feira, 3 de julho de 2026

CHEIO DE MIM

 Ando cheio de mim, 

cansado do que faço, 

com meus excessos.


O Sol perdeu sua novidade, 

o mar não me desperta nada.


Saio à rua, e nada...


Estou cheio 

das palavras que falo, 

mais ainda das que escuto


Cheio de tudo.


No entanto, ainda vivo, frio, nas vivo


Uma sensação de vazio e é só. 


Cheio com tudo...

quinta-feira, 2 de julho de 2026

PEQUENO TESTAMENTO INCOMPLETO

 


Escondi minhas surpresas...quando as apresentei estavam envelhecidas. 

Ainda assim as guardei... quem sabe alguém, em algum momento, veja meu segmento, o dos que guardam...


Tudo me surpreende desde a tenra idade, como nunca tornei pública, esta minha identidade?


Tornava natural a deslumbrante vida, o incompreensível Sol, a suave Lua, os limites do mar aos meus pés. 


Como pude pisar este gigante à perder de vista? Com que coragem!


Só rezando fazia tudo isto.


Ser místico foi uma consequência de minhas permanentes incompreensões, impossível evitar tal busca...acabei por encontrar os mistérios, estavam ali mesmo, por perto


Pensava estar só, e ao morrer, desaparecer por completo.


Quando pude amar e ser amado, porque o amor também se descobre como algo inusitado,  tudo o que me era novo foi encontrando explicação.


Deveria cantar e escrever...deixar a vida vencer por sua naturalidade.


Hoje o tempo está se despedindo de mim, como um intruso, ele cada vez mais rápido, eu mais lento. 


Respeito-lhe por sua inevitabilidade, eu transitório...


Deixo vir ainda minhas surpresas...até o apagar será novo, se apagar...


Foi tudo em vão?

terça-feira, 30 de junho de 2026

BREVE REFLEXÃO DE NOSSO TEMPO

 


Alguns escolhem ser bons, e seguem uma vida solidária, sem ideias preconcebidas disto ou daquilo. São simplesmente bons...

Outros passam pela vida indiferentes, distraídos, ocupados consigo mesmos. São uma parcela considerável...quem sabe?

Há entretanto, os maus. Tem vida familiar estável, e tem uma alegria familiar confinada, mas são profundamente reservados em suas opiniões, geralmente de ódio.  Não dialogam porque não conseguem sustentar seus argumentos destrutivos diante do seu interlocutor.

Estão sempre a falar mal das pessoas, dos governos, dos bens comuns que todos usufruimos. É deste segmento que dyrge osbpensamentos autoritários, até materializar-se no fascismo e no nazismo. Se crescem em número, com suas mentiras costumeiras, que acabam tornando-se "verdade", por força da insistência, acabam contaminando toda a sociedade.

É o que estamos vendo acontecer no mundo, onde   o equilíbrio, a razão e a humanidade estão dando lugar ao instinto de morte e destruição. 

Escrevo este pequeno texto aos que sinta podem entender. Esta é uma epoca de luta e céu nublado.  Exige pessoas destemidos, de coragem. Não é uma escolha, é uma imposição do nosso tempo aos que ainda tem amor...

segunda-feira, 29 de junho de 2026

FOLIA DE REIS EM CASA


 Hoje recebemos o grupo da Folia de Reis em casa. Muita alegria e fé num mundo melhor,  onde a paz seja abundante, e a justica predomine na Terra

domingo, 28 de junho de 2026

FENDA INDEFINIDA

 


Há ocasiões...

na dobra 

entre o dia e a noite, 

conflito entre 

a exterioridade e a reflexão, 

quando o silêncio grita alto...

emerge lentamente 

algo distante 

de tempos ancestrais 

tristeza  indefinida, 

amálgama de expectativas 

acumuladas, 

dando seu sinal de vida, 

nebulosa visita 

sutil e extemporânea, 

adentrando as periferias da razão 


Não tenho onde esconder-me, 

por mais que busque refúgios...

o trivial só piora.


É como se houvesse 

um desenlace invertido 

do que não fui, 

nem atingi, 

soberba dor 

que quem 

não acalmou 

sonhos.


Tarde híbrida, 

masculina e feminina

invasão sobreposta 

de momentos, 

no abandono de mim, 

fraquezas 

apropriando-se

da lógica...


Passagem 

momentânea 

desta serena 

e surda luta 

que me cerca,

e sigo meio a meio, 

sem soluções 

até tudo acalmar-se...

sábado, 27 de junho de 2026

VOLTAREI

 


Estou perto, 

permaneço atento, 

raramente durmo...


Compreendo a dor 

porque sofri muito, 

suportá-la 

foi grande lição, 

engrandece.


Não me cansa 

contemplar 

o amanhecer, 

deixa sempre

um ar de novidade.


Preciso refazer-me, 

a cada dia, 

senão padeço 

rapidamente...

minha humanidade 

requer ânimo, 

permanente


Tenho o mérito 

de resistir 

às injustiças 

assemelho-me

a um náufrago.


Suspiro ansioso 

o meu tempo, 

perdido nas trevas 

da incompreensão,

mortal.


Aguardo alguém 

sensato, 

que convença 

as pessoas 

sobre a paz, 

e tenha adeptos...

porque tudo 

está armado 

para eclodir 

a qualquer 

momento.


Preparei 

os mantimentos 

necessários 

para subir 

a montanha, 

transformá-la

em meu refúgio 

das lutas, 

onde refaço 

os laços 

de amanhã.


Deixo um tropel 

de cavalos brancos 

ocupar as campinas 

verdejantes,

onde escondo 

um desânimo 

milenar...


Não sei dizer adeus, 

mas "paz entre todos", 

perderam meu nome 

em meio a tantos 

clamores falsos...

por isso partilho 

este pouco de mim, 

aos que ainda 

me conhecem.


Quando tudo acalmar-se, 

os casais puderem 

novamente ir às praças 

com suas criancas, 

quando tomar um sorvete 

significar vitória 

sobre as grandes estruturas, 

então poderei ser 

saboreado também 

num amor 

amigo e companheiro.


Serei visto, 

deitado sob uma árvore, 

contando histórias 

de um mundo 

que ainda não existe 

à gente 

de todos os lugares


Por enquanto, 

entretanto,

saibam que estou 

por perto, 

atento, 

raramente durmo.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

VÉSPERA INESPERADA

 


Difícil segurar 

este momento, 

em que tiros 

misturam-se 

a cânticos 

inocentes.


Declamar 

em goles secos 

a esperança, 

e chorar  

doces tragédias...

nunca se despedem.


Diferentes ingredientes, 

não se combinam, 

suportam o mesmo espaco.


Tremo e danço, 

rio o pranto, 

cruel encanto 

pós contemporâneo.


Vou com um corte 

dividindo o peito, 

dor jorrando 

pétalas murchas.


Vou para não sei onde, 

o caminho está 

por ser aberto, 

não sei qual.

PESADELO SISTÊMICO

 


Ando sem tempo...

Tantas as demandas, 

que passo os dias 

respondendo inúteis 

solicitações.


É atraso disso, 

compromisso daquilo, 

cobranças diversas, 

documentos a  providenciar, 

congestionamentos no trânsito, 

atenção difusa 

de todos os lados...

quando se vê, 

nada se fez...


Tudo são 

representações, 

imagens, 

simbolismos, 

enquanto a vida 

passa ao largo, 

manso rio desabitado


Mundo de quinquilharias 

despejadas 

como esgoto...

o principal fica sempre 

para depois. 


Saio à rua, 

vejo um frenesi louco 

pela sobrevivência, 

não sabem como resolver 

continuam indo 

ao matadouro.


A proximidade do fim 

alvoroça 

sem soluções 

alternativas..


Quando despertarão?


Antes da morte ? 


Ó vida a ser vivida...

perdida 

no emaranhado sistêmico.

terça-feira, 23 de junho de 2026

VIDA BREVE

  


De repente, 

vejo-me sem ter 

onde guardar experiências, 

arduamente apreendidas, 

e naturalmente 

descartadas pelo mundo.


Entreguei-me ao mundo, 

como uma folha de outono 

a passear sozinha 

ao sabor do vento, 

perdida, 

antes de dissolver-se 

seca 

por sobre a terra...

uma ovelha por tosquear, 

distraída nas montanhas, 

indiferente 

aos perigos 

frequentes...

muda sem terra, 

sem vaso 

vazia 

de nutrientes...

ninho por formar, 

amor sólido, 

crias por criar, 

gerações a perpetuar


Não perguntei 

das distâncias 

nem dos riscos, 

olhava incólume 

e seguia, 

conforme o coração 

mandava...


Os resultados via depois...

na maior parte 

acertei nas decisões,  

e quando errei 

compreendi, 

às vezes 

a duras custas...


De alguma forma, 

deixei-me enrijecer

pelo mundo...


Tempos diversos 

onde a juventude 

pôde expressar-se 

sem sobressaltos, 

ciente de si, 

consequente. 


A riqueza ficou

para o último plano, 

não pensei em acumulalar...

apenas mais adulto, 

quando o fim 

pôde ser pensado.


No mais, 

era cigarra solta 

nos desertos, 

brincando de guerra 

diante das guerras...


Amar preencheu 

todos os espaços...


Pude descobrir e medir 

a importancia das coisas, 

realizar-me 

como alguém 

com identidade


Em meio a tudo, 

uma estranha 

companhia 

fui reconhecendo, 

tardia...

parecia não interferir...

acostunei-me a ela 

quando o Sol se punha...


Ao sair ileso 

das grandes perseguições, 

perguntava-me

como pude sobreviver, 

ao lado de tantos 

sucumbidos 

no pântano do poder.


Sei apenas que sobrevivi.


Estudei o que o coração pedia, 

e refestelei-me 

com o conhecimento...

disto extraí 

o nectar da vida, 

escondido dos opressores, 

o deixar-me levar 

pelo fragor das ondas 

pipocando nas praias, 

ácidas, 

eu borbulhando...


Desejei ser mais, 

sofri inutilmente 

a voraz disputa por lugares...

em certo momento, 

percebi que tudo 

tem uma hora, 

sem precisar disputar.


O mundo possui 

espaços amplos 

para acomodar 

toda gente.


Olhando por sobre os montes, 

as mudancas repentinas 

que estão vindo 

mais frequentes, 

tenho a sensação 

de que não minhas 

mas das novas gerações 

esta penitencia...


De minha parte 

fica o testemunho 

do criar, 

usufruir 

e partilhar

sempre...

e ainda tem gás...

domingo, 21 de junho de 2026

DESENCONTRO

 


Estou preparando 

sem o saber, 

um encontro 

que nunca se realiza.


Encontro particular, 

não público; 

mas também público, 

não particular 


Estará sempre 

como prioridade 

adiada.


Sofrerá as agruras 

das justificações 

por não ocorrer


Será um encontro particular, 

longe dos holofotes. 


Dará um fim 

derradeiro 

às poesias 

e teorias filosoficas 

que existem, 

porque tudo 

estará resolvido então. 


Não vem como convite, 

traz uma liberdade de escolha, 

resultado de uma plena 

liberdade de decisão.


Será inusitada e unica.


Espera durante toda a vida...


Espera muito...

sábado, 20 de junho de 2026

FRIO HUMANO

 


Fria noite, 

desprotegida...

fria humanidade,

desabitada...

frio amor 

coabitado...


Fria miséria

rica,

indiferente 

ao padecimento

da gente,

falsifica 


Fria rotina, 

neblina 

cega, 

que apega,

fina, 

confina  


Frio interior.. 

de amor 

fugidio...

morte 

sem fim, 

calafrio, 

exterior...


Frio algoz 

em nós 

penumbra 

permanente, 

pendente...

desfigurada,

incrustada


Frio mudo, 

mortal, 

na espinha, 

na mente,

caminha,

imanente 


Frio de tudo, 

de ventos 

polares,

isolamento 

mudo

fechado 

nos lares.


Frio 

de busca 

inútil, 

fútil,

terminal...


Frio humano...

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O DEMOLIDOR DE MUROS

 


A vida tem muros...


Tenho encontrado muros

no decorrer do tempo.


Detenho-me diante deles 

sempre que surgem, 

não são convidados 

a participar da festa, 

mas vêm.


Possuem tamanhos diversos, 

fazem-se de intransponíveis, 

deixam a impressão 

de que ali 

terminam meus passos, 

velhos passos.


Já ultrapassei vários deles..


Quando me viro,  

olho para trás, 

nem sempre vencê-los 

trouxe gosto de vitória, 

mas alívio, 

consciência de que algo 

se perdeu, 

atrasou.


Agora mesmo

está aí um muro imenso, 

com seu sentimento 

de impotência, 

convidando a desistir, 

ficar na constante maré.


Quer que pense

não ter força suficiente 

para derrubá-lo, 

cheguei ao fim do caminho.


Pacientemente 

me dou conta 

da aparência 

do obstáculo, 

encontrando saídas, 

continuando em frente.


Aprendi a desafiar muros...

não são tão grandes 

quanto parecem, 

quando nos pomos 

a resolvê-los


Surgem a todo instante, , 

aparentando maiores.


Sou um demolidor de muros. 


Estão sempre à minha frente, 

e eu sempre à derrubá-los.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

PROCUREM-ME AMANHÃ

 


O que faço de mim, 

neste fim de tarde 

em que tudo 

perde o sentido 

e recolho-me solitário?


Melhor guardar-me 

em silêncio

sem que voce 

veja o que vi:

a fome de sempre, 

a guerra de sempre, 

as pessoas 

e os pensamentos 

de sempre,

suas imensas formalidades...

esta horrivel sensação 

de que tudo permanece igual.


Melhor recolher-me 

a um canto, 

sem encanto, 

por enquanto, 

até que possa

ver novamente 

o Sol 

desvendando a escuridão, 

a Lua 

despertando a amor, 

o mar, 

abrindo o horizonte, 

criancas brincando 

na praia, 

casais namorando...


Quem sabe assim 

possa passar 

esta sensação 

tão real, 

de que vivo 

um mundo falso 

de representações, 

e não haja ninguém 

por trás disso, 

só falsidades.


Então, combinemos,

procurem-me amanhã, 

e possa já ter retirado

esta sensação 

tão estranha 

de vazio, 

que me assombra 

neste final de tarde...

segunda-feira, 15 de junho de 2026

ANTES QUE AMANHEÇA

 

Antes que amanheça 

deixo-te alguns sonhos, 

quem sabe precises 

de algum deles 

no decorrer do dia.


As terapias noturnas 

refazem rotas.


Deus mesmo 

pode ver-se 

aí incluído, 

sem liturgias, 

fazendo-se de amigo.


Antes da noite 

empalidecer-se 

dos lados do horizonte, 

poderás fazer 

as ponderações 

tão desprezadas,  

em meio a um 

sem número 

de ações vorazes.


Antes que o dia aconteça, 

é de bom alvitre 

entender o universo 

contido no travesseiro,

viagens inusitadas 

a cidades paradisíacas, 

visitas que te transpassam, 

voláteis, 

vertigens de ausência 

de elevadores, 

inflexíveis ascensões,

amores semelhantes 

ao da amada, 

distantes, 

necessitando 

de abraços

constantes


Quanto mais persigo 

mais abrem-se 

as alternativas, 

e vejo como sou 

indesejavelnente 

simples e modesto


Poderás então dizer de ti 

com a mansidão 

de quem se viu de fora,

desejos soltos 

em campinas enluaradas, 

respiro e penso;

-Dia, aqui vou!

sábado, 13 de junho de 2026

POR DO SOL

 


Deixo-me entardecer, 

movimentos mais lentos, 

compreensão dolorosa 

ainda esperançosa.


Deixo o meu Sol se por...


Se venho 

Lua Nova, 

ou Minguante, 

aceito-as em minhas 

diversas finitudes.


Em algumas 

encaixam-se meus dias, 

entre leituras 

e saídas porta afora, 

diante do mundo, 

e sua natural crueldade.


Ponho-me na porta da noite 

comemorando a sobrevivência, 

sem subserviência...

RETIDO

 


Não sei despedir-me, 

algo retém a saída.


Não sei se nuvens 

não convidam, 

estão estáticas...

não sei se somos nós, 

temerosos do mundo, 

das descobertas..


Ando segurando 

suas mãos 

o quanto posso, 

afago de permanência. 


Temos algo a concluir 

em suspenso, 

ao nos despedirmos...

continuidade  

por formar sentido.


São necessárias 

novas buscas, 

experiências, 

que reguem 

o jardim cultivado

em silêncio.


Despedidas matam!


São como 

enterros antecipados 

preparando os corações 

a viagens distantes.


Há muito ainda 

a se dizer, 

a ouvir...

há muito de nós 

represado na boca, 

enquanto olha, 

deseja estar junto


Despeço-me 

com versos 

do leitor, 

como quem 

não quer partir, 

e deixa palavras 

que ficam.


Volte logo!

quinta-feira, 11 de junho de 2026

ESCOLHA?

 


Vou deixar a escolha, 

a porta aberta, 

o desconhecido.


Vou deixar a irriquieta 

busca de si, 

nos grandes vazios 

nunca preenchidos. 


O olhar e o desviar, 

o amar e o evitar, 

o odiar e o compadecer


Dolorosa forma 

de se orientar por aí,  

escolhendo e descartando 

pelos tempos afora.


Híbrido desorientado, 

finjo uma amarela 

estabilidade recatada...


Miserável de mim, 

desta sorte 

em não saber seguir, 

se segue...


Ainda que me creia, 

sempre me perco...

quarta-feira, 10 de junho de 2026

EXALTANDO OS HERÓIS

 


Heróis não mentem, 

não denigrem adversários, 

conscientes de que todos 

pertencem à amada pátria.


Heróis não lambem 

as botas de nações

sequiosas por nossas riquezas, 

estão sempre atentos 

na salvaguarda 

dos destinos do país.


Heróis olham por o seu povo, 

não se envergonham dele, 

o mais caído 

deve ser elevado.


Heróis enfrentam as trevas, 

sabem a cor de seu sangue, 

e o derramam, 

generosamente, 

quando preciso.


Heróis observam o país 

no horizonte longínquo, 

e o transportam para lá,  

é sua missão.


Possuem zelo natural 

por tudo e todos, 

sorrisos largos, 

esperança construída, 

confiança.


Heróis não traem, 

não são vendilhões, 

estão sempre prontos 

a dar suas vidas 

por um Brasil melhor, 

o seu país.


Heróis não tem nomes, 

cargos ou patentes, 

são lembrados 

por suas façanhas, 

mais que a si próprios.


Guardar sempre no coração 

os heróis que lutaram 

pela nação,  

seu povo, 

seu territorio, 

suas instituicoes,

é dever de todos, 

rendendo-lhes 

as devidas homenagens, 

fazendo-os presentes 

em suas casas, 

como membros 

de suas próprias familias.


Os heróis clamam 

sempre, 

por dentro, 

o bastião da liberdade,

legado guardado 

em nossos corações. 


A estes, a eterna homenagem!

terça-feira, 9 de junho de 2026

BEIRA DE MIM

 


Estou a beira de ser feliz, 

a beira de chorar, 

respirar vida.


Estou na confluência de mim, 

onde tudo se mistura, 

dá o tom.


Porque fico neste 

sempre possível 

impossível,  

perdido sonhador.


Sigo com olhos de sonhos, 

mãos de desejos, 

pés de astronautas, 

voz de profetas...


De cima da montanhas 

trago o mandamento 

do silêncio 

indiferente às diferenças, 

trago o pecado particular, 

que se silencia, 

mal balbucia, 

exemplo de nada...


Na beirada 

da felicidade 

aprecio, 

aprecio...

segunda-feira, 8 de junho de 2026

INCONCLUSO



Não me preocupo em agradar, 

tem os que precisam sentir afagos...

a alegria, passa por fora, 

fora de hora.


Também não quero 

ser impertinente, 

mas quando sou, 

desculpo-me


Não quero ser mais, 

nem menos, 

maior ou menor, 

basta-me onde estou, 

um local de esquecimento oportuno, 

onde produzo meus versos, 

sem pressão disto ou daquilo, 

minha liberdade particular


Deixo aberta as portas do abismo, 

de lá ecoam visões novas, 

explicações, 

(nunca a verdade completa), 

a surpreender-me 

dia após dia, 

com suas sabedorias


Vou navegando neste tempo 

de antiguidades 

novas tecnologias, 

boiando aqui, 

afundando ali, 

nadando minhas braçadas.


Quando vejo, 

anoiteceu, e vou junto, 

contando os dias...

BOM TEMPO

 


Implacável comigo 

esta sequência de dias, 

mais aprendo 

mais envelheço.


Ambígua formação, 

plena de contradicões, 

e as saídas laterais 

que nunca acabam.


Caminho que tende 

a encontrar-se, 

neste mar imenso 

de especies, 

diversidade que invade.


Assim, vou seguindo, 

pondo letra em tudo 

e contando o tempo.


Sigo com a alegria dos sabiás, 

o enterrar-se das minhocas, 

levantar, 

os dentes escovar, 

olhar-me no espelho, 

ver que ainda sou eu 

e estou aqui,

tomar um café, 

abraçar, 

beijar


Sigo com a simplicidade 

implícita 

grandiosa de cada um, 

nesta implacável 

sequência de dias.


...e tenha um bom dia!

domingo, 7 de junho de 2026

TEAR NOTURNO

 


A noite é um novelo de lã 

que se desfia 

madrugada afora, 

não sabe onde vai...


Segue distantes 

batidas de tambores, 

ancestrais...


Se são daqui 

ou recônditos lugares, 

sabe-se lá o que fazem 

estes teares,

vestem anjos 

nos portais 

da eternidade?


Sei que há algo 

sendo tecido, 

no frio auscuto 

da noite, 

a ser vestido 

durante o dia,

preparam-me 

para as noticias 

de amanhã?


O tempo escuro 

discerne os limites, 

longínquos ouvidos,  

se continuam as batidas, 

com indígenas expulsos  

em seus cantos 

celestiais soturnos, 


Mal escuto de mim, 

se confundo o peito 

que represa o coração, 

a um transcendente 

ritual noturno.


Sei de portas 

que se abrem, 

fecham...

de estar atento 

a novas linguagens...

tudo o mais palidece 

de explicacão.


Por fim, 

embalo-me no ritmo...

sou parte desaparecida 

de grupos tribais 

envoltos em chamas, 

vendavais clamando por justica.

sábado, 6 de junho de 2026

VIÉS

 


Faltam sonhos, 

sobram interrogações...


Acordo em meio a noite 

com muitas perguntas 

do que acontece 

debaixo do Sol: 

- Porquê as pessoas 

não questionam 

a si mesmas,

na caminhada diária?


Por isso não sonho, 

ânsia noturna...


Seguem a cerviz 

dura e seca, 

como se o mundo 

fosse uma guerra 

permanente.


Estabelecem versões 

próprias da realidade, 

fecham-se em copas, 

disputam suas verdades 

com únicas 


Enquanto não estabelecem 

um domínio 

de suas concepções 

incompletas, 

não param.


Possuídos 

pela vaidade, 

o orgulho, 

ficam incapazes 

de perceberem 

seus próprios erros.


Passam a vida 

num imenso viés, 

falsamente satisfeitos, 

casmurros.


Falta-lhes o sonho, 

o descobrir-se 

nas veredas da vida, 

repleta de incertezas, 

caminhos inúteis, 

cair, 

levantar, 

amar, 

sentir-se amado...


Acham que sabem tudo, 

e não realizam 

as ações 

mais simples...

persistem

em seu reinado 

de si mesmos.


Pensam deter 

o conhecimento do mundo, 

passam o tempo 

verbalizando 

falsas grandiosidades.


Odeiam os frágeis, 

estes serão sempre 

o contra exemplo, 

os derrotados.


Buscam expulsá-los 

das praças, 

das ruas, 

inutilmente, 

porque sempre aí estarão 

confrontando-os 

inconscientemente,

ao seu poder.


Falta-lhes o sonho, 

o abrir a visão 

às multiplas possibilidades

de que podemos sim, 

conquistar um mundo melhor, 

pacifico e fraterno.


Falta-lhes humanidade, 

enquanto sobram interrogacões...

sexta-feira, 5 de junho de 2026

ALGUMAS LÁGRIMAS

  


Não há como olhar este mundo e não verter algumas lágrimas. 

Seria como recitar grandes poemas, e as pessoas nada sentirem, indiferentes.

Tudo pertence a um endurecimento do coração, voltado a si mesmo, visão particular egoísta do mundo, como terreno de guerra particular como solução dos problemas.

Não paro de verter lágrimas. Ainda somos os mesmos de sempre, falsos e desonestos, belicosos e cheios de ódio. 

O que esperar disto, senão guerras e destruição?

quinta-feira, 4 de junho de 2026

ESCOLHA

 ?


Vou deixar a escolha, 

a porta aberta, 

o desconhecido.


Vou deixar a irriquieta 

busca de si, 

nos grandes vazios 

nunca preenchidos. 


O olhar e o desviar, 

o amar e o evitar, 

o odiar e o compadecer


Dolorosa forma 

de se orientar por aí,  

escolhendo e descartando 

pelos tempos afora.


Híbrido desorientado, 

finjo uma amarela 

estabilidade recatada...


Miserável de mim, 

desta sorte 

em não saber seguir, 

se segue...


Ainda que me creia, 

sempre me perco...

quarta-feira, 3 de junho de 2026

DESPERTA BRASIL!!!

 Os seguidores da extrema direita tem, como princípio, fazerem qualquer ação, seja ela certa ou errada, boa ou má. 

Importa que apareçam sempre no noticiário, como nos recentes casos de corrupção, nem que, para isto traumatizem permanentemente as pessoas.

Adoram o poder e usam livremente a violência,  em total desrespeito aos direitos dos cidadãos e das nações. 

Passam por cima.

Escolheram dominar o Brasil. 

Para isto, colocaram pequenos fanáticos a seu serviço, por aqui, que estão cumprindo fielmente suas obrigações. 

As pessoas de bem notam claramente como este fanatismo espalhou-se: governadores fanáticos e políticos vendilhões dos bens públicos cercaram-se de interesseiros subservientes, verdadeiras aves de rapina, a venderem  empresas públicas como se estivessem avançando vorazmente sobre carniças. 

Desprezam o esforço de décadas na construção de infraestruturas, e simplesmente vendem aos seus comparsas por valores irrisórios 

É chegada a hora de dar um basta e despertar, de vez este gigante adormecido, que ainda não se conscientizou de seu poder.

Ir às ruas, mostrar sua indignação,  acreditar no Brasil,  em seu povo, e depois varrer de volta este estrume, que fede, para o lixo da História.

DESPERTA AGORA BRASIL!!!!

terça-feira, 2 de junho de 2026

ENQUANTO SIGO

 


Posso oferecer-me a ti, 

como sou, 

quem sabe 

seja aceito, 

quem sabe 

rejeitado.


Até onde podemos ir 

me é desconhecido, 

mas saiba, 

pouco tem a ver 

com este mundo.


Estou a experimentar 

a liberdade 

com o espaço 

que ela possa dar, 

todas as possibilidades 

estão abertas.


Estou a perguntar-me

constantemente, 

sobre tudo, 

sem freios, 

nem arreios.


Ando 

como quem convida 

a fazer festa, 

comemorar

inconscientemente, 

a vida.


Por isso sorrio e choro, 

grito e calo-me 

no decorrer do dia...

corro, se necessário, 

paro, se preciso...

sigo o vento.


Hoje, 

uma mansidão 

toma conta de mim, 

como herança não paga.


Hoje me pergunto:

E nós, e os outros?


Sinto a velha carência de desejar 

que todos consigam festejar 

juntos o seu tempo.

sábado, 30 de maio de 2026

ABERTO

 


Vivo sempre um deserto, 

tenho a impressão 

de que tudo está longe de mim.


Observo a realidade 

como um estrangeiro...

ao conversar

tenho a sensação 

de ainda estar 

descobrindo a falar. 


Balbucio muito, 

nas entrelinhas...

pensamentos 

que não se fecham, 

sem sentidos.


Passo longo tempo só,  

meditando.


Surpreendo-me a todo instante. 


Onde estão meus pés? 


Quem explica esta novidade permanente?

quinta-feira, 28 de maio de 2026

OLHAR

 


Tenho vários olhos...

atravessam camadas 

de subjetividades 

até atingir segredos inauditos.


Revelam progressivamente 

a verdade, 

enquanto mantém 

a superficialidade oficial.


Transcendem os próprios olhos...

postos no mundo, 

abrem brechas de verdades 

ocultas de todos.


Caminho cabisbaixo 

para não olhar ninguém, 

não quero saber mais 

do que vejo.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Lançado o DOR OCULTA

 Já está à venda o neu oitavo livro de poemas, o DOR OCULTA. São atalhos que escolhi para aplicar enigmas da alma.  Deixo os locais onde podem ser adquiridos. Desde já o desejo de uma boa leitura, lembrando que poesia não se bebe de um goleiro só,  mas aos poucos, convidando o livro a ficar sempre por perto.

Links oficiais das lojas da Scortecci Editora na Internet:

 

https://www.livrariascortecci.com.br

https://www.pingodeletra.com.br

https://www.livrariadomercado.com.br

 

Mais informações com a Débora Alencar: WhatsApp: (11) 95520-3535.

Links de Comercialização e Divulgação:

 

Galeria do Livro:


https://www.galeriadolivro.com.br/2026/05/dor-oculta-joao-paulo-naves-fernandes.html

 

Livraria Scortecci: 

 

https://www.livrariascortecci.com.br/detalhes.php?sid=27052026100439&prod=10621&friurl=_-DOR-OCULTA--Joao-Paulo-Naves-Fernandes-_&kb=22

 

Amazon:

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Magazine Luiza:

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Estante Virtual:

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Martins Fontes:

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terça-feira, 26 de maio de 2026

INÉRCIA

  


Não sei terminar, 

sou dos que arrastam 

convicções inertes

ondas revoltas em rochas.


Não tenho fim, 

reconheço 

uma atemporal 

permanência, 

falsa consciência, 

crendo em mudancas 

imprevistas. 


Nada acontece, 

passam--se os dias, 

os meses, 

anos, 

a vida! 


Tenho a sensação 

de tudo paralisado, 

novidades 

envelhecidas, 

repetição morna, 

cozimento lento.


Tão revoltado com tudo, 

sinto este estado de morte 

que me recobre.

silhueta que padece, 

palidece, 

falece. 


Nada acontece...


Se vejo, 

é um rosto 

repousando numa tumba, 

e a multidão admirando 

entre conversas memoriais...


Fétido poder 

de conservação, 

paralítico  milenar 

retendo vidas...

VERDADE RELACIONAL

 


Meus limites 

excedem paciências, 

por isso me calo.


Estabeleço limites aos limites, 

desconhecimento de fronteiras 

aceitas como tais.


Não há como 

não me testar 

no outro, 

em suas diferenças, 

seja aprendendo, 

seja ensinando.


Busco no outro 

uma verdade 

que me invada... 

comparo-a 

ao repertório 

incompleto 

de senões 

que proclamo 

com clamores 

ansiosos 


Não encontro 

um fim, 

ainda que o persiga.


Sou social, 

relacional, 

nada se completa 

em mim, 

a não ser 

em você.


Concluo-me 

um carente 

de gente, 

indigente,

e me ponho por aí,  

na estrada da vida

sábado, 23 de maio de 2026

NEM POR ISSO DEIXEI DE SER...

 

Estar acostumado com o aperto,
sinal vermelho dos bolsos,
esperas colossais.
Cigarras entre chuvas e Sol,
algazarras de crianças,
nós em gravatas.
Canta e reza,
preza o coração,
antes da razão,
devastam...
A paisagem usurpada
confunde verde,
amarelo,
pátria,
traição,
humanidade,
exclusão.
Dedos rítmicos respondem
compassos novos,
entrelinhas de respostas.
Um horizonte multicor
aguarda maturidade,
Fome e vida permeiam idéias,
sede de espaços proibidos.
O presente requer olhares abrangentes,
(menos seletivos),
bocas roucas,
ouvidos amplos e compreensíveis.
E caminhar, caminhar...

SENSAÇÃO ESTRANHA

 


Ando com a sensação 

de estar perdendo o jogo.


Diariamente vejo o noticiário 

com a esperança 

de que as guerras 

já estão no fim, 

que os adversários 

estão conversando, 

tratando suas diferenças 

com respeito mútuo, 

que a fome 

está sendo erradicada, 

os que tem, 

partilhando 

com os que não tem, 

e um ambiente de paz 

tomando conta do ambiente.


Sensação de ausência, 

de estar faltando algo, 

um vazio crescente...


Passam os dias...

xingam, 

matam...

a ferocidade não tem limites.


Perderam 

conscientemente 

a razão, 

por interesses  

econômicos, 

materiais,

desumanidade, 

sei lá...


Nas ruas vejo jovens 

sem perspectivas, 

desperdiçando o tempo 

em coisas fúteis, 

que nada acrescentam.


As pessoas seguem 

seus mesmos trajetos de sempre, 

vão e voltam. 


Acostumaram-se 

com o mesmo de sempre, 

seus proprios destinos 

sem desafios.


Tempo de resignação,  

e essa sensação 

que incomoda tanto, 

de estar perdendo o jogo...

quinta-feira, 21 de maio de 2026

CHEIO DE MIM VAZIO DE MIM

 


Enchi um pote 

com poemas 

fermentados 

nas dores.


Quem bebe 

sofre de amores 

paridos nas esquinas 

onde as dúvidas 

penduram saias 

manchadas de sangue...


Gritei 

o coito 

atrasado, 

balbuciando 

palavras 

proibidas, 

inibidas 

nos versos, 

depois, 

dormi 

satisfeito

quarta-feira, 20 de maio de 2026

FORTUITOS


Os tempos visitam,
uns aos outros
em desacordo entre si.
Não se entendem
em suas badaladas,
horas que se confundem.
Tornam a lembrança
presença morta,
mirra de desventuras,
transcendem
a realidade
estática.
Guardam histórias
incontáveis,
submetem sonhos,
embranquecem cabelos,
confrontam cenários.
Despertam
alta noite,
detêm-se,
por instantes,
no presente,
como um ausente...
estão, não estão,
depois vão,
como se não
tivessem vindo.
Perseguem
um rearranjo
que delimite
fronteiras distantes
do ser,
mantendo o percurso,
nada descartando.
Buscam razões
de estarem aí,
ao lado,
interpelando
caminhos,
corrigindo.
Por fim,
dissolvem-se,
fortuitos...

segunda-feira, 11 de maio de 2026

LOGO APAGA...

 


Se negam tudo tanto, 

deixem-me ser, 

ao menos, poeta, 

e já basta.


Fiquem com o mundo!


Explorem o povo 

até a exaustão!

guerrreiem!

matem!


Que sobre 

apenas a poesia 

para mim, 

este é o meu pão.


Meu coração 

é manso, 

busca um pasto 

em algum campo 

esquecido por aí, 

para passar o seu dia,

não comporta 

violência, 

ódio, 

morte.


Atenção!


Não digam a ninguém 

onde estou, 

finjam 

que não me conhecem.


Se quiserem encontrar-me, 

às altas horas da noite, 

ainda verão uma estrelinha, 

fraquinha..., 

na borda 

do monte dos desejos. 


Este sou eu...


Como vêem,  

não é preciso 

dar atenção, 

logo apaga...

TEMPO AO TEMPO

 

Há um condimento somatizado...

experiências em que 

uma consciência fortuita 

tece valores escondidos.


Alcançam posições serenas 

de um arcabouço diário,  

processo permanente 

de lições tiradas 

ao longo do tempo. 


Ficam disponíveis 

para as novas ocasiões,  

onde intervém 

em doações 

mais acuradas. 


Assim interajo

evolutivamente, 

volúpias despedidas

que cercam a vida.


Olhando quem sou, 

vejo outro alguém 

que me forma

sábado, 9 de maio de 2026

DESLOCADO

Sou o incômodo, 

o fora de hora, 

o deslocado, 

o que põe a verdade nua

na cara, 

descaradamente.


Sofro o isolamento 

dos que se escondem 

em justificativas, 

injustamente...


Caminho só pelo mundo, 

mudo e discriminado..

Mãe, porquê me deixastes crescer?

 Mãe, porquê me deixastes crescer?


Não sabias como é o mundo?

Não terias como me proteger.

O mundo não tem regaço. 

não consola, 

não compreende, 

não perdoa..


Partiste na hora errada, 

és chamada estar presente sempre.


Neste teu dia, 

interrogo tua ausência,  

como filho sempre carente,  

de teus ouvidos santos, 

teus braços acolhedores 

de minhas dores

quarta-feira, 6 de maio de 2026

POR CERTO TEMPO

 


Vou sair por pouco tempo, 

fazer de conta 

que viajei para longe.


Sei que alguns 

sentirão falta 

por um certo tempo.


Talvez lembrem-se 

de algo bom que fiz, 

em alguns momentos, 

depois esquecem 


Não rompi estruturas, 

não alterei 

a maioria das rotinas; 

destas digo em voz alta, 

duraram muito tempo.


Passo sem fazer ruídos, 

alterar a sequência das coisas...

sigo mansamente


Revoltado um dia,

conformei-me, 

tornando tudo natural.


Não tenho muito 

não fiz muito

a vida é rápida e frágil, 

não deixa muito tempo 

para mudancas


Importa o agora, 

e é no agora 

que vamos

OLHOS DE VER

 


Escolho pelos olhos, 

observo o que perscrutam...

se voam livres, 

escondem algo, 

trazem marcas 

de sofrimento,

ingenuidade, 

ansiedades...


 Neles pouso, 

faço por regaço 

algum tempo 

e aguardo 

o que vem, 

se lágrimas, 

se dissipam

depois vou embora.


Muitos olhos 

atravessam o caminho, 

não paro de olhar

é preciso ver a todos...


Sigo medindo 

o quanto somo 

de tudo isto, 

olhos de ver, 

olhos de acompanhar


Sigo me vendo 

em tudo isto 

nos olhos que vejo.

MUITO TARDE

 


Quando vêm, 

cobrem todo o céu. 


É como se um louco, 

de repente

fosse fazendo tudo 

o que lhe vem à cabeça, 

sem pensar, 

porque não pensa,

metendo os pés pelas mãos,

invertendo tudo.


Um vendaval cobre a nação, 

chuvas e ventos, 

desordem nos elementos, 

espalham-se em profusão.


Ninguém sabe o dia de amanhã,  

ninguém pergunta ao outro 

o que está acontecendo 

com o salário, 

a aposentadoria, 

os direitos 

duramente conquistados


Sabem que perdem, 

mas é tarde, 

porque assentaram-se no poder, 

não sairão tão cedo

e fazem tudo

o que lhes vêm à cabeça. 


Muito tarde!


Avisamos tanto 

sobre este vendaval...


Não acreditaram.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

TERMINO

 


Termina o dia,

termino com o dia...

Não sei como percorri, 

quanto percorri, 

se percorri

se deixo o coração

inteiro e em paz.


Uma sensação de derrota 

consome a noite.


Os cães latem lá fora 

para o quê? 

Para quem?


Não me adapto 

ao que acontece...


Sim, alegro-me 

quando amanhece, 

canto, respiro

mas segue o dia, 

esta força amainece, 

desfia.


Então busco estar só, 

resisto:

É so um dia!

Amanhã será melhor.


Assim, 

vou seguindo o tempo,  

cultivando 

uma esperança atroz 

em meio a destroços.


Quando chega a noite

Deixo os olhos 

olharem-me

nesta solidão.


Perceberão uma tristeza 

que escondo 

para que ninguém saiba: 

de não ter 

a quem recorrer 

este indagar da vida

de tanta gente perdida 

em falsas urgências, 

indiferentes.


Longa noite, 

esta minha, 

sem ninguém...

só... 

irremediavelmente só

MEA CULPA

 


Que culpa tem o Sol, de mim?

Deixo-o brilhar...

Que culpa tem  a Lua de seus amantes, 

deixe-os apreciar.

Que culpa tem o coração de seus muitos batimentos ? 

Deixe-o pulsar

Que culpa tem os olhos de tudo observar? 

Deixe-o discernir

Que culpa tem as diferenças em seu divergir.  

Deixe-as ensinar.

E as montanhas, que culpa tem em elevar-se? 

Deixe-as desafiar.

 Nada tem em si alguma culpa, 

deixe ser...a vida sempre continua...

domingo, 3 de maio de 2026

SOBRA...

 


Sou a sobra 

de tuas alternativas, 

aquele que te acolhe 

quando tudo desmorona, 

apelo derradeiro.


Estou presente na esperança, 

doença desconhecida, 

falência irreversível, 

na solidão do perseguido, 

alimento do esfomeado. 


Tenho as simples solucões 

na simplicidade da vida


Sou o sempre esquecido, 

raramente lembrado, 

presente na dor, 

último apelo.


Ensinaram-me assim...

a servir,

servir, 

servir


Sou o nada, 

o vazio, 

o abandonado, 

muitas vezes impróprio, 

digo o que não gostam de ouvir


Venha sempre,

quando quiser...

sou todo ouvidos,

estou na escuta, 

à sua disposição, 

mas se demorar. 

já sabes...

continuo por aqui...

sábado, 2 de maio de 2026

DISTANTE

 


As estrelas escondem 

segredos distantes, 

longe da imaginação.


Sequer geram esperanças, 

pulsam soltas, 

coladas a um céu inatingivel


Perdi-me neste olhar sem sentido.


Buscava explicar a rua, as pessoas,  o poder...


Impossível. 


Por isso, 

descia à pé 

o trajeto 

todos os dias...


Explicavam os peixinhos amarelos 

presos aos aquários, 

as mudancas inesperadas 

da velha ordem...


Olhar incansável 

de perguntas e buscas, 

nunca cessam


Por isso continuo olhando as estrelas 

em seus segredos distantes

sexta-feira, 1 de maio de 2026

AQUELA VOZ...

 


Aquela voz continua em minha mente...


Formou um ninho na língua, 

gravetos de letras...

descansam em barcos 

escondidos em portos 

antes das tempestades.


O choro das velhas raposas 

revela histórias retidas...

imaginam o perigo 

caso venham a público.


Continua em minha mente aquela voz, 


Pede a libertação do sonho, 

o escalar das altas montanhas, 

não pode mais represar 

o fulgor das estrelas 

no universo profundo


Por isso chora 

como as raposas, 

retidas pelas velhas histórias 


Em minha mente aquela voz continua.


Não sabe onde 

as criancas se escondem

se atrás das palavras 

ou das poltronas

ou dos vasos de letras


Sei que ainda continua, 

não sei como 

aquela indecifrável voz 

em minha mente, 

grudada entre os dentes, 

pedindo para sair, 

ser entendida...

terça-feira, 28 de abril de 2026

CORPO



Vou morder tua boca 

a qualquer hora, 

segurar as palavras 

nas línguas mortas.


Abracar 

tuas costas 

nuas, 

órfãs, 

pagãs.


Afagar suas coxas  

onde sou parido 

sem razão 

sem sentido.


Vou deitar-me  

em  afã de silêncio 

o desencontro 

dos horários.


Vou confessar-me 

viciado  psicótico 

naturalizado, 

nem aqui 

nem lá

NINGUÉM ME RETIRA

 

Ninguém me retira 

o barro das ruas, 

as lajes descobertas  

o amontoado incômodo, 

nos poucos cômodos.


Ninguém me retira 

a espera do bico , 

a vigilia das lágrimas, 

escorridas orações...

sofridas.


Ninguém me retira 

o querer ser normal, 

no sufoco do ônibus 

intermunicipal.


Ninguém me retira  

o vai e vem

das noites, 

as unhas sujas, 

o pó deixado na roupa


Ninguém retira  de mim

o retirante

a terra natal, 

onde deixei fincado 

um coração armado 

num mastro de São João .


Ninguém me retira 

os domingos 

do lado de fora

nas ruas cruas, 

espaço vital

segunda-feira, 27 de abril de 2026

REPARTIR

 


Quero repartir 

os raios longínquos, 

o horizonte tardio, 

a penumbra dos sonhos

esquecidos.


Repartir o acaso 

das flores caídas, 

as surpresas 

das imposições, 

tão rotineiras.


Repartir a distância 

das convivências, 

o esquecimento 

dos caminhos, 

as palavras sepultadas 

nas orações.


Repartir os dejetos 

dos objetos abjetos, 

o etéreo devir, 

de nunca conseguir.


Ver se calo 

repartições 

excluidas e acolhidas, 

e ainda assim caminhe

DEI POR MIM

 


Olhei os pedaços 

paridos no tempo, 

enquanto a Lua 

piscava eclipses,

enamorada dos amantes.


Era um artista distraído 

do meu personagem   

longe do picadeiro 

de trânsito 

em transe, 

escudo escuso, 

pomar de mares 

e azares...


O pó das ruas 

cheirava peixarias, 

entre amores, 

pernas secas. 


Recolhi meus pedaços 

acreditando nos cafés 

das tardes quentes 

cheias de gentes .


Dei por mim, 

cantando 

entre os canais 

vulgares de altares 

esperando um canto 

onde esconder o céu

domingo, 26 de abril de 2026

INCOMPLETO

 


Estou incompleto!

Dá-me um pouco 

de ti, 

de ti, 

e de ti.


Complete-me 

incompleta, 

quem sabe sigamos 

melhor assim.


Complete-me 

com tuas diferenças 

incompletas, 

frágeis fortalezas, 

somos assim.


Estou incompleto, 

dou a ti, 

a ti 

e a ti, 

um pouco de minhas 

incompletudes.


Completo-a 

com meus afetos 

desfeitos 

durante as jornadas...

plenas de defeitos


Completo-a  

com meu incompleto amor, 

quem sabe juntos 

somemos o que não somos, 

é  assim.


Minha consciência 

incompleta 

pensa-se inteira, 

mas permanece 

na soleira, 

enquanto desperta

quarta-feira, 22 de abril de 2026

ENTRE PEDRAS E FLORES

 Ando cuidadosamente 

entre as pedras e as flores, 

mesclando guerras e amores, 

neste tempo sem fim.


Vou como quem 

desconhece as pisadas,  

ora acalma,

ora enraivece, 

não sabe 

a fragilidades das flores, 

a dureza das pedras 

nas caminhadas


Vai calcando sem dó, 

uma e noutra, 

distraída caminhada louca, 

na estrada perdida em pó.


Sente o perfume 

engasga na poeira, 

vive objetivos distantes 

encravados na soleira.


Entre Trancos e barrancos, 

varia a vida

dividida, 

partida  amorosa

chegada  rancorosa

HIATO INTERIOR

 

Aprendi a ver 

no silêncio 

um companheiro.


Foi mostrando, 

o tempo, 

superficiais 

palavras, 

gestos, 

relações 

até humores.


Foi despindo, 

um a um, 

o valores 

sustentados, 

desnecessários ...


Foi perdendo o sentido.


Quando finalmente 

veio o silêncio 

por companheiro, 

distraí-me comigo,

redescobri-me 

sem declarações, 

não precisava.


Viajei por mares profundos 

desertos ensolarados, 

conheci os meio tons 

onde os conselhos 

dispersam distantes ...


Falam rapidamente...

pesco-os antes,

ao nascer do Sol...


A futilidade gigantesca 

da vida, 

depositada 

em pequenas coisas...

a grandeza de ser, 

aferrada aos bens,

esbanja prazeres...


Ao me ver só, 

comigo mesmo, 

investiguei-me...


Ali encontrei Deus, 

destronado,

como um amigo 

que ajuda a pensar, 

chegar à verdade


Neste fim 

brotaram soluções, 

para os problemas 

infindáveis...

nova forma de amar 

mansa e silenciosa...

SOBREVIVENTE

  Este corpo todo que se levanta a cada manhã e acredita que pode alcançar os tesouros escondidos das estruturas de poder... Esta noite que ...