Estou perto,
permaneço atento,
raramente durmo...
Compreendo a dor
porque sofri muito,
suportá-la
foi grande lição,
engrandece.
Não me cansa
contemplar
o amanhecer,
deixa sempre
um ar de novidade.
Preciso refazer-me,
a cada dia,
senão padeço
rapidamente...
minha humanidade
requer ânimo,
permanente
Tenho o mérito
de resistir
às injustiças
assemelho-me
a um náufrago.
Suspiro ansioso
o meu tempo,
perdido nas trevas
da incompreensão,
mortal.
Aguardo alguém
sensato,
que convença
as pessoas
sobre a paz,
e tenha adeptos...
porque tudo
está armado
para eclodir
a qualquer
momento.
Preparei
os mantimentos
necessários
para subir
a montanha,
transformá-la
em meu refúgio
das lutas,
onde refaço
os laços
de amanhã.
Deixo um tropel
de cavalos brancos
ocupar as campinas
verdejantes,
onde escondo
um desânimo
milenar...
Não sei dizer adeus,
mas "paz entre todos",
perderam meu nome
em meio a tantos
clamores falsos...
por isso partilho
este pouco de mim,
aos que ainda
me conhecem.
Quando tudo acalmar-se,
os casais puderem
novamente ir às praças
com suas criancas,
quando tomar um sorvete
significar vitória
sobre as grandes estruturas,
então poderei ser
saboreado também
num amor
amigo e companheiro.
Serei visto,
deitado sob uma árvore,
contando histórias
de um mundo
que ainda não existe
à gente
de todos os lugares
Por enquanto,
entretanto,
saibam que estou
por perto,
atento,
raramente durmo.
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