domingo, 7 de junho de 2026

TEAR NOTURNO

 


A noite é um novelo de lã 

que se desfia 

madrugada afora, 

não sabe onde vai...


Segue distantes 

batidas de tambores, 

ancestrais...


Se são daqui 

ou recônditos lugares, 

sabe-se lá o que fazem 

estes teares,

vestem anjos 

nos portais 

da eternidade?


Sei que há algo 

sendo tecido, 

no frio auscuto 

da noite, 

a ser vestido 

durante o dia,

preparam-me 

para as noticias 

de amanhã?


O tempo escuro 

discerne os limites 

longínquos ouvidos,  

se continuam as batidas, 

com indígenas expulsos  

em seus cantos 

celestiais soturnos, 


Mal escuto de mim, 

se confundo o peito 

que represa o coração, 

a um transcendente 

ritual noturno.


Sei de portas 

que se abrem, 

fecham...

de estar atento 

a novas linguagens...

tudo o mais palidece 

de explicacão.


Por fim, 

embalo-me no ritmo...

sou parte desaparecida 

de grupos tribais 

envoltos em chamas, 

vendavais clamando por justica.

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