A noite é um novelo de lã
que se desfia
madrugada afora,
não sabe onde vai...
Segue distantes
batidas de tambores,
ancestrais...
Se são daqui
ou recônditos lugares,
sabe-se lá o que fazem
estes teares,
vestem anjos
nos portais
da eternidade?
Sei que há algo
sendo tecido,
no frio auscuto
da noite,
a ser vestido
durante o dia,
preparam-me
para as noticias
de amanhã?
O tempo escuro
discerne os limites
longínquos ouvidos,
se continuam as batidas,
com indígenas expulsos
em seus cantos
celestiais soturnos,
Mal escuto de mim,
se confundo o peito
que represa o coração,
a um transcendente
ritual noturno.
Sei de portas
que se abrem,
fecham...
de estar atento
a novas linguagens...
tudo o mais palidece
de explicacão.
Por fim,
embalo-me no ritmo...
sou parte desaparecida
de grupos tribais
envoltos em chamas,
vendavais clamando por justica.
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