De repente,
vejo-me sem ter
onde guardar experiências,
arduamente apreendidas,
e naturalmente
descartadas pelo mundo.
Entreguei-me ao mundo,
como uma folha de outono
a passear sozinha
ao sabor do vento,
perdida,
antes de dissolver-se
seca
por sobre a terra...
uma ovelha por tosquear,
distraída nas montanhas,
indiferente
aos perigos
frequentes...
muda sem terra,
sem vaso
vazia
de nutrientes...
ninho por formar,
amor sólido,
crias por criar,
gerações a perpetuar
Não perguntei
das distâncias
nem dos riscos,
olhava incólume
e seguia,
conforme o coração
mandava...
Os resultados via depois...
na maior parte
acertei nas decisões,
e quando errei
compreendi,
às vezes
a duras custas...
De alguma forma,
deixei-me enrijecer
pelo mundo...
Tempos diversos
onde a juventude
pôde expressar-se
sem sobressaltos,
ciente de si,
consequente.
A riqueza ficou
para o último plano,
não pensei em acumulalar...
apenas mais adulto,
quando o fim
pôde ser pensado.
No mais,
era cigarra solta
nos desertos,
brincando de guerra
diante das guerras...
Amar preencheu
todos os espaços...
Pude descobrir e medir
a importancia das coisas,
realizar-me
como alguém
com identidade
Em meio a tudo,
uma estranha
companhia
fui reconhecendo,
tardia...
parecia não interferir...
acostunei-me a ela
quando o Sol se punha...
Ao sair ileso
das grandes perseguições,
perguntava-me
como pude sobreviver,
ao lado de tantos
sucumbidos
no pântano do poder.
Sei apenas que sobrevivi.
Estudei o que o coração pedia,
e refestelei-me
com o conhecimento...
disto extraí
o nectar da vida,
escondido dos opressores,
o deixar-me levar
pelo fragor das ondas
pipocando nas praias,
ácidas,
eu borbulhando...
Desejei ser mais,
sofri inutilmente
a voraz disputa por lugares...
em certo momento,
percebi que tudo
tem uma hora,
sem precisar disputar.
O mundo possui
espaços amplos
para acomodar
toda gente.
Olhando por sobre os montes,
as mudancas repentinas
que estão vindo
mais frequentes,
tenho a sensação
de que não minhas
mas das novas gerações
esta penitencia...
De minha parte
fica o testemunho
do criar,
usufruir
e partilhar
sempre...
e ainda tem gás...
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