segunda-feira, 31 de agosto de 2026

VIVER O AGORA

 VIVER O AGORA

(para Thais Viviani) 


você é o remédio, 

minha irmã, 

nós os doentes...


Como não olhar 

a vida que brota em ti, 

encostas de desejos, 

espremidos em normas,  

afã inexprimível? 


Incomoda-nos tua liberdade...


Revoltas as vísceras do mundo...


Nesta presença transitória...

submetes o tempo lânguido 

em escravo de tuas invocações...


Cante, 

chore, 

dance, 

desnude-se 

deste mundo 

frio e distante.


Neste instante 

instigue-se do novo, 

rompa os quadrantes permitidos 

eleve--se desde já.


Viver é como 

uma flor 

que desabrocha, 

bela,

e deixa seu perfume 

aos que passam.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

BOM DIA

 


Que alegria acordar com o Sol, 

ver que o dia chegou, 

seu cachorrinho vir lamber-lhe o rosto.


Que alegria o beijo matinal 

da mulher amada, 

palavras carinhosas trocadas.


Como é bom espreguiçar, 

levantar da cama, 

sair.


Abrir a janela, respirar, 

olhar para fora, 

ver o céu...


Viver é bom, belo é o mundo.


Que venha o dia com seus desafios, 

os problemas venceremos, 

as dificuldades superaremos.


A esperança também desperta 

pelas manhãs, 

depois de longas vigílias.


A paz é possivel, 

o amor é intrínseco, 

a luta necessária. 


Caminhemos!

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

CORREDORES

 


Procurei-me por aí,  

pela noite,

chovia muito, 

todos permaneciam 

em suas casas...


Sentia os pingos 

batendo no telhado 

como uma proibição.


- Não saia!


A cama não descansava 

de minhas desistências, 

interpelava noturna, 

sobre os caminhos infinitos.


A sala 

não trocava mais palavras, 

pombal humano

não recebia mais visitas, 

estava só, 

vazia


A cozinha não rompia 

sua trivial receita, 

mesa posta , 

não enchia as narinas 

de temperos, 

apetitosa

abria sorrisos

não alimentava.


As varanda, , 

esquecida, 

sem café,

perdera a observação 

dos jardins, 

gravetos caídos, 

folhas mortas 

sobre a grama alta


Haviam 

grandes corredores, 

aí sim!

imensos corredores...

davam para aposentos 

desabitados,

davam para nada...

corria pelos corredores, 

ia e vinha


Procurei-me 

sem sem saber como, 

abria e fechava portas, 

abria e fechava, 

corredores, 

portas 

eu

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

GRITO E RECITO

 


Gritei tanto!!!


Por todos os cantos gritei,

desde o parto!

Na juventude gritei muito...

gritos de guerra!


Depois descobri o silêncio, 

escrever tornou-se 

meu grito de paz, 

rara paz... 

mais afagos, 

e exemplos silenciosos.  


Atravesso com os olhos 

as estruturas de poder,

contorno da verdade, 

e revolto-me


Ouço latido de cães 

antes que a noite aprofunde...

grito e recito...


O mundo parece indiferente, 

como se não gritasse

FINAL

 


Tenho um tempo certo, 

como o dia, 

desconheço quanto...


Tempo suficiente 

para conectar-me 

às razões do viver, 

e realizar.


Solto, 

consciente

simples, 

aberto a tudo. 


Nada freio, 

nada incomodo, 

nada imolo, 

mas modifico,  

adapto, 

deixo a marca.


Ainda tenho um tempo... quanto? 

Não sei.


Sinto não ter feito o suficiente, 

estar conectado 

como deveria, 

ainda que soubesse 

das razões de viver...

preso inconsciente, 

sábio e fechado...


Mais um tempo, 

desconheço quanto...

MEIO

 

Entreaberto...


Entre sair e entrar 

encontra-se o prazer.


Entre o transgredir e o rezar, 

acha-se o perdão.


Entre apaixonar e perder-se, 

descobre-se o amor...


Entre ser você ou os outros, 

abre-se o entendimento.


Entre cair e levantar 

está a  humanidade.


Entre lutar e fugir, 

surgem as estratégias.


Entre ser justo ou iníquo 

desvenda-se a verdade


Entre quer ser tudo e ser nada, chega-se a consciencia.


Entre agir e meditar, está a verdade


Entre uma coisa e outra, aparecem os caminhos.


Entre apoiar e desanimar. 

vem a compreensão 


Entre escrever ao léu, 

e nada anotar, 

surgem os poetas...

terça-feira, 25 de agosto de 2026

SEM SAÍDA

 


Seguir é tudo que podemos, 

neste mundo corrido.


Não há parar, meditar...


Estamos num processo, 

independente de nós, 

maior... 

ou seguimos nele 

ou desaparecemos.


Amar, 

lutar, 

estudar 

ter uma profissão, 

conhecer lugares novos, 

casar, 

ter filhos, 

tudo está dentro dele, 

envolto neste imenso processo.


Não tem saída, 

não há escapatoria, 

sorrindo ou chorando,  

enriquecendo, 

passando dificuldades, 

ainda assim, 

nele estamos...


Até este poema 

consciente,

de consolo, 

faz parte, 

perde um pouco 

seu ardor, 

e também 

vai seguindo adiante...

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

MUTANTE

  


Talvez esteja melhor 

numa fotografia, 

nunca me vejo 

completamente. 


São os olhos 

educados em disfarces?

ou sou mudancas, 

e em nada me fixo, 

instáveis imagens.


Moldo palavras, 

guardo-as em tumbas, 

reverberam tempos sem fim, 

escapam loucas, 

em vetores ocultos

rejeitadas 

por mim, 

por ti, 

por todos. 


Explodem complexas, 

fora de hora, 

ferem


Quem sabe 

o chapéu,  

o óculos, 

bigode...


Não escondem.


Tudo está em aberto, 

poucos vêem, 

nem eu...

VAZANDO

 


Não tenho palavras 

para dizer 

o que se passa 

em mim, 

ao meu redor.


Nem mesmo sei 

o que sinto, 

contar será falso, 

cadafalso

minto...


Passo disfarçado, 

como se não existisse, 

e conto nos dedos 

os minutos 

até que o dia acabe.


Nublado e cinza 

percorrem juntos 

este enlace 

de nada 

e coisa alguma.


Não se encerra 

nesta terra 

o fim, 

perene torpor 

em mim

DESAPEGO


Não sei, 

estou na minha, 

vou como posso.


Não me importo, 

mal me suporto, 

desapego de mim.


No jardim 

entendo 

a terra 

que serei


Cuido 

das plantas


e fim

domingo, 23 de agosto de 2026

ENIGMA


Transporto um estranho...

identifica significados, 

e só...


O amor sonolento 

aguarda despertares,  

tardio, 

vive pelos corredores, 

abrindo e fechando portas...


A suavidade dos ventos 

o silêncio do astros 

moldam a postura, 

aliviam 


O tempo repousa, 

insuficiente 

chama frágil

de eternas lutas.

deitar do dia, 

da vida...

Sigo este enigma indecifrável. 






Meu mato cultivado


 Cultivando mato


Tenho feito mudas de árvores frutíferas. Atualmente tentando germinar as sementes da tal laranja ponkan, muito fificil de pegar. 

Neste processo já plantei 5 pés do limão cravo, e em 5 anos nós abasteceu por uns 7 meses a casa com limões. 

Numa destas germinados surgiu esta plantinha. 

É um mato...mas em vista de tanta dificuldade, criei uma afeição particular por este matinho, e lhe mantenho, regando regularmente.

Os vegetais não são compreendidos como deveriam. 

Neles olhamos o conforto que no dão...não percebemos como se manifesta sua forma de viver, tao rica em ensinamentos. 

Lembra-me o papa Francisco e sua ecologia integral. 

Lembra tambem Jesus Cristo sempre usando na natureza para levar suas mensagens ao povo. Nem consta que ele fez curso superior, e frequentou alguma academia. 

Muito de encontro com minha posição antiacadêmica.

Olha ela aí, toda espichadinha...

IDENTIDADE

  


Sou da solidão, 

da observação, 

reflexão.  


Sou da massa, 

sem figurões,  

tradições. 


Sou da verdade, 

transparência, 

insuficiência...


Sou da fé 

em ações, 

sem convenções.


Sou de nós, 

dos nós 

grande grupo humano, 

cheio de desengano.


Sou poema 

cardíaco 

deserdado, 

notívago 

sonho 

semidesperto

sábado, 22 de agosto de 2026

DEPOIS...

 


Quando puder 

guarde um lugar 

para mim, 

afinal, grande é  o palco, 

maior que a realidade.


Podendo, 

convide-me 

para conversarmos, 

quem sabe resolvemos 

as questões 

que ainda estão 

pendentes.


A hora que você 

tiver um tempo, 

que tal sentarmos 

no banco de uma praça, 

para jogarmos conversa fora, 

enquanto alimentamos os pombos...

arrulham tanto suas ansiedades 

em nossas indiferenças...


Ah, sei lá, 

faça como você quiser, 

e deixemos para outra hora. 

não era importante mesmo, 

fica para depois

AS COISAS COMO SÃO


Ando deixando correr 

as coisas do seu jeito, 

como são...

colocando de lado 

as opiniões.


Ando considerando 

a situação 

como se apresenta, 

sem julgar 

como deveria ser.


Ando observando 

sem surpresa 

a realidade, 

em sua plenitude, 

com naturalidade, 

como a sequência 

de uma ordem 

exterior a mim.


As roupas nos varais 

secam ao vento...


Sigo vestindo-me 

diante de todos, 

fazendo as refeições 

nas horas certas, 

o café da manhã 

almoçar

jantar

dormir 

acordar...


Ando deixando correr 

as coisas do seu jeito, 

como são...

TEMPO E LUGAR

 


Sou do tempo... 

apesar do tempo 

atravesso o tempo. 


Relação amistosa e distinta, 

porque também sou tempo 

faço o tempo.


Sou do lugar, 

apesar do lugar 

ultrapasso espaços, 

espaçoso que sou.


Vou onde 

a imaginação levar 

sem perdas 

ao viajar, 

itinerante.


Encontro compartilhado 

entre eu e o meio, 

eu e o tempo.


Seguiremos por aí 

tempo afora, 

aqui,

agora, 

e fora de hora 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

BUSCA

 


Me apago, 

procura 

indefinida.


Desconhecido 

encontro, 

transformo


Ser bom...

estranhamento 

humano 

forçado 


Palavras, 

não explicam.


Véu de mim 

intransponível

VENTOS FORTES

 O servico meteorológico anunciou que hoje ocorrerão ventos fortes no litoral Paulista ate o Rio de Janeiro, à partir do meio dia, com 4 horas de duração. 

Então muita atenção e cuidados, e apesar disto um ótimo dia a todos e todas.

Parece que um ciclone se formou no meio do Oceano Atlântico.

Está sendo cada vez mais comum fenômenos deste tipo acontecerem por aqui, e orlas noticias wue acompanhamos, tsmbem em outras partes do mundo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

DESENVOLTAS MIUDEZAS...

 


Trago uma ansiedade 

por estar junto, 

não saber o que falar,  

envergonhar-me por não falar.


Quero respirar fundo junto, 

a brisa da manhã, 

Sol transfigurando, 

noite em dia, 

em alegria 

gratuita, 

fortuita, 

o mundo.


Trago a delicadeza dos afagos 

que não nos permitimos, 

silenciosamente amados, 

estranhas distâncias 

não declaradas.


Despeço repentinamente 

a informalidade 

e envergonho-me 

dos imensos

choques culturais 

que me elitizam, 

na 3ª idade.


Caminho a imagem 

que me impõem, 

durissima, 

querendo ser selvagem,  

eu que sou da paz, 

muitas vezes 

incapaz...


Avanço como posso 

reclusão e ação,  

ora aqui ora ali, 

revoltado e manso, 

integrada exclusão.


Deixo um legado 

de incertezas, 

altas estaturas 

fraquezas, 

desenvoltas 

miudezas,

combinadas

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ESCREVER

 


Escrever tornou-se uma ferramenta que produz vida. 

Quando a rotina se impõe,  meus versos se escondem, tamanha a distância que se encontram.

Ficam solitários e ocultos, preservando-se do mundo.

Despertam no contraponto de tudo, alta madrugada, sertão enluarado, repondo o tabuleiro no ponto de partida.


Escrever tornou-se uma oração pessoal, onde busco a fonte de tudo o que vejo e faço. Desperta-me antes do mundo com suas inquietações transcendentes e põe-se a derramar  enxurrada de ideias e palavras a serem costuradas imediatamente.

Não se importa tanto onde estou e em que estado, tem sua pressa matinal, que brota de onde? 


Escrever tornou-se um alimento diário,  por vezes dietético, por vezes extravagante...no fundamental mantém sabor e deixa uma sensação satisfeita, depois de concluído. 

São pequenos manjares precipitados entre o coração e a mente, refestelando-me todo.


Subi com o verbo o altar dos acontecimentos, encontrei sujeitos, e seus específicos adjetivos, dei-lhes objetos, sentidos no caminho, respeitei os suspiros e silêncios intercalados, procurei encerrar, interrogar, exclamar.


Vivo na observância de alguém que emerge de quando em quando, desconhecido e desapegado de mim, até que tudo se ponha enfim.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

CORREÇÃO VERBAL

 Lendo um artigo de Betty Vidigal sobre uma ré,   professora idosa, acusada de pequeno furto, Margaret Ellsworth, de 92 anos, professora de inglês aposentada, acusada de um pequeno furto, interrompeu seu julgamento quatro vezes, para corrigir a gramática da promotora.   Levantava a mão toda vez que a promotora cometia um erro, e aguardava pacientemente ser notada, antes de fazer a correção. A primeira interrupção foi para explicar a diferença entre who e whom. Depois corrigiu um erro de concordância. A terceira correção abordou o uso de "less" em vez de "fewer". A quarta interrupção tratou de um "split infinitive". Ela disse à juiza que "não poderia, em sã consciência, deixar isso passar sem correção".

Os espectadores no tribunal  acharam as correções cada vez mais engraçadas, com a promotora demonstrando maior cuidado a cada frase.

A juíza Miriam Castellano, que atua desde 2004, disse que "Em mais de vinte e cinco anos neste tribunal, já tive objeções quanto às provas, nunca quanto à sintaxe".

O júri considerou a professora inocente. corrigindo erros no uso correto da lingua, de um representante do Estado, na acusação, comentei...


Estes tempos, algo semelhante aconteceu-me...

Quando é verão, e o calor já vem cedo, levanto-me e vou até a igreja para a missa das 07H00. 

Ali há um sistema de rodizio entre os sacerdotes para as celebrações daquele horário. 

Um jovem frei tem sido  mais "sacrificado"(desculpe o sarcasmo) a realizar as celebrações. 

Não comentarei sobre as suas homilias, tenho consciência aguda, e isto, por vezes, prejudica minha entronização e espiritualidade.

Numa celebração, nós católicos sabemos como é a movimentação, ora ajoelhando, ora sentando ou levantando durante a missa.

Bem, a questão está exatamente aí, no emprego errado dos verbos para os fiéis se movimentarem. 

Assisti a repetição destes erros em várias missas, até decidir por esperar o frei sair da sacristia um dia e conversar com ele. 

Pensei nas formas de tocar no assunto, sem ferir suscetibilidades, e assim fiz.

Expliquei-lhe as formas corretas alternativas do emprego dos verbos, nos vários momentos,  e dos problemas para a transmissão das mensagens, que surgem , a depender do tipo de público presente. Ele ouviu-me, meio surpreso de minha ousadia, e por fim, agradeceu.

Posteriormente percebi que ele continuava 

Incidindo no mesmo erro, não em todas as situações, o que de alguma forma, me pareceu ele ter assimilado. 

Já não era um problema meu, mas de estudo do emprego correto dos verbos, dissera o que achava.

Sei que o assunto deve ter circulado entre eles, sacerdotes, porque um já nem fala para os fiéis   se movimentarem nas celebrações, mesmo porque todos já sabem o que fazer, e o mais idoso, nem se preocupou, senhor de si...

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

As eleições no Brasil de 2026 e a conjuntura Mundial

 Ontem, 16 de agosto de 2026 começou oficialmente no Brasil a campanha eleitoral, para presidente, 2/3, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

No Brasil, o processo eleitoral no país, desde a redemocratização, vem passando por sucessivos reduções de prazos de propaganda e cerceamentos de direitos.

Lembro-me da alegria das primeiras eleições gerais pós ditadura, a festa que era fazer campanha nas ruas da cidade de São Paulo, o que não dizer das outras capitais e cidades por este país afora. Sem contar que, salvo engano, duravam 3 meses as campanhas. Colocar cartazes dos postes e paredes, até pichar os muros em lugares estratégicos, ir ao centro da cidade e fazer pequenos comícios sem sermos molestados, tudo isto acontecia

Com bons argumentos ou não, o fato é que chegamos hoje a um período eleitoral, com toda sorte de critérios que, ora disciplinam uma aparente igualdade de direitos, ora dificultam o eleitor às informações.

Outro fato muito importante é o ressurgimento de um nazi fascismo de cara nova na cena política mundial. 

Até então, este grupo estava proscrito da vida pública, por seu caráter eminentemente antidemocrático, autoritário, violento e racista.

Criam mitos que fanatizam as pessoas a ponto de considerarem estes como deuses, e os seguem cegamente. 

Tornam o ódio algo natural e constante. Perseguem os democratas, socialistas, comunistas e massificam grandes parcelas da população, com suas propagandas massificadoras.

Por aqui, no país, um clã fanático assenhoreou-se desta parcela da população, apesar do surgimento de outros fanáticos que disputam a liderança deste setor.

Atualmente ele conseguiram dividir ao meio a opinião pública do país, e são potencialmente, fortes o suficiente, a vencerem as eleições a presidente.

O surgimento do extremismo de direita no mundo tem relação direta da mudança de um mundo unipolar para outro multipolar, onde o unipolar recorre ao fanatismo como meio e tentativa de sobrevivência.

Nós sabemos que a multipolaridade está se impondo, não importam as radicais expressões de neofascismo que surgem por aí. 

A multipolaridade será a futura realidade do mundo. Isto não quer dizer que não acontecerão retrocessos, pode muito bem acontecer.

Não está afastada a possibilidade de guerra mundial, uma vez que forem se multiplicando as guerras regionais, típicas de um mundo com bombas atômicas.

O sistema estará frágil no quesito guerra ao comércio marítimo. O fechamento de mares sob influência deste ou daquele pode desencadear um generalização da guerra. 

O próprio EUA, ao reeditar a doutrina Monroe, mostra seu sinal de fragilidade, porque expressa aquilo que está perdendo, que é sua influência comercial para a China dentro da AL já bem fascista, mas que não rompe com os chineses, porque o comércio determina como a realidade deve ser.

Bem, o Brasil tem um papel muito importante para a sobrevivência de uma AL autônoma. Lula represente esta ideia. 

Já o clã pensa em submissão e alinhamento automático, nem que isto reduza o comercio do país, como acabamos de ver com seu apoio às taxações dos EUA a nós.

É como vemos neste momento a situação







ENTREMEADOS

 


Entreaberto...

perspectiva 

semi aberta 

semi fechada, 

convites, 

aguardos, 

tensões à vista, 

márgens distantes...


Vivo enseada de alto mar , 

cânion de largas planícies, 

nuvens de cosmo profundo.


Sismos rodeiam...

Ora vivo num, ora noutro


Realidades postas nas mãos 

como intermediárias de situações.


Sigo, com os pés largos 

este descobrir diário 

que se apresenta:

um passo aqui, 

outro acolá...

formas de dividir o tempo, 

enquanto ele não acontece.

domingo, 16 de agosto de 2026

QUANDO A VI NOVAMENTE

 


Quando a vi novamente, 

não era mais ela, 

era outra pessoa.


Bebera o licor das estruturas, 

as engrenagens impediam 

aproximar-me.


Quando a vi novamente, 

foi como se nunca 

nos conhecêssemos...


Aprendi a lição 

do tempo certo, 

a experiência pela metade,, 

as mudanças dos sonhos 

em pesadelos.


Como pude continuar sonhando?


Guardo muitos sonhos 

que foram destruídos...


Guardo-os como relíquias, 

sonhos enterrado para sempre, 

nunca descobertos.


Tenho também novos tempos abertos...


Neles cuido de não 

deixá-los passar, 

perdê-los também

sábado, 15 de agosto de 2026

ON LINE

 


O assunto Redes tem sido muito criticado pelos excessos...mas gostaria de ressaltar como conseguimos também cultivar boas amizades por aqui, e sabendo usar, usufruir melhor as virtudes que podem nos elevar a novos patanares de humanidade. 

Os livros, que estão sempre presentes, vão dando lugar a novas formas antecipadas de leituras como no Face, substituindo, gradualmente, uma pela outra. Esta é uma realidade que está se impondo

Passamos a nos conhecer, sem as distâncias,  e em tempo, on line. Mas não abandonemos o livro...tenho sempre alguns à mão, no momento, o REPENSAR A RESSURREIÇÃO, de André Torres Queiruga, além de minha leitura habitual do grego koiné, no Novo Testamento, agora em 1Cor., ajundando a compreender melhor a etimologia de muitas passagens, até modificando significados

.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O que vem depois



O que vem depois 

não serão orações. 

Orações são agora.


A conta não fecha. 

Há um débito permante, 

impagável...


Não sei o tanto 

que me preparei, 

e neste caso talvez,

tenha ficado 

em meio do caminho.


Misturei tantas ações no mundo, 

impregnei-me das cascas 


das duras raízes, 


impossível sair incólume. 


Ser um eremita? 


Quem sabe...


O rompimento é ácido e doloroso.


Faço um diálogo metafórico, 

alimentando a realidade 

dos símbolos disponíveis.


Retiro de todos os ambientes 

que se apresentam 

a explicação de minhas dúvidas. 


Complexo demais 

para a lógica de nosso tempo


As conclusões 

não confesso a ninguém, 

seria considerado louco varrido.


O que vem depois 

tem múltipla linguagem, 

e nesta, estou como um aprendiz

ÀS VEZES

 


Às vezes dá vontade de chutar tudo pr'a cima, e seja o que Deus quiser. 

Às vezes o olhos aguçam olhares e veem além, as imensas prisões que vão se apegando, aos poucos, sem que percebamos, ou mesmo com nosso consentimento...aceitamos abrir mão de nossos destinos, cedemos e cedemos.

Às vezes vem uma revolta sem inimigo definido, revolta de tudo...ah se encontro uma insurreição por aí.. 

Porque estou muito ajuizado, cheio de palavras certas, como um doutor nisso ou naquilo, fosse o dono da verdade...

Por isso, ainda sou um revolucionário que reconhece a "legitimidade" deste acontecimento,  mesmo com a idade me assombrando...

Ah que vontade de jogar tudo pr'a cima, e derrubar.. às vezes.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

RELAÇÕES

  


Relações, 

delas tiro lições, 

caminhos a seguir, 

desviar, 

parar...


Extraio 

extratos 

combinados:

cuidados,  

interações, 

intervalos, 

suspensões...


Uniforme conclusão, 

em meio a teia, 

somatória disforme 

em permanente construção.


Mantenho uma formação louca, 

de regras 

obrigatórias, 

impostas, 

à livres digressões, 

aleatórias. 


São retalhos 

velhos e novos, 

de tempos, 

hábitos, 

normas...

rasgados, 

costurados, 

firmes, 

separados, 

nas ondas da ilusão

domingo, 9 de agosto de 2026

LALAU

 


Quanto mais passa o tempo, mais vamos nos esquecendo de nomes, até que desaparecem...

Faço memória hoje de um jovem chamado LALAU.

Nunca soube seu verdadeiro nome. 

Era estudante da PUC, acho que na Economia. Eram os anos difíceis da repressão, com torturas e assassinatos disfarçados de suicídios.

Eu namorava Margarida embuste período de 70 a 73, e o Lalau era amigo nosso, e tentava nos cooptar a participar de seu movimento 

Já Por volta de 1974/75,  eu trabalhava em Piracicaba, e alugara um ranchinho perto, em Artemis, e estava lá com Meg, recém casados.

Lalau havia sido preso em 1971/72(não sei ao certo), descobri depois que militava na ALN, um grupo armado que rompera por dentro do PCB, e fazia guerrilha urbana.

Neste ano de 1974 ele havia sido solto.

 Amargara importantes anos de juventude nos cárceres da ditadura. 

Tão logo saiu, soube que nós estávamos em Piracicaba e passou conosco alguns dias no rancho. 

Curiosa era sua ansiedade em participar daquele ambiente, como se descontasse os anos aprisionados.

Terminado este tempo de uma semana aproximadamente, despediu-se e foi visitar seus parentes...para ver como lhe éramos queridos, precedíamos na visita 

Assim foi...

Nunca mais o vimos...

Soubemos, mais tarde, que morrera afogado num riacho, em Minas Gerais, quando da visita a seus pais.

O destino às vezes é ingrato...

Deixo aqui esta memória, junto a um lamento antigo,  guardado no coração.

LALAU era seu nome, um rapaz alegre e cheio de vida,  um amigo..

ESTRANHO EM MIM

 

Acompanha-me, 

vez por outra,

um estranho... 

percorre corredores sem fim, 

para ver ser se chega 

a algum lugar, 

ai de mim...


Agora mesmo está aí 

fuçando escombros velhos 

para ver se não esqueci 

algo importante, 

deixo sempre algo para trás 


Aproveita-se assim 

desta longa maratona, 

dividida 

em distintos personagens...

este bem oculto, 

declina seu nome.


No esguio aproveitar do silêncio, 

visualizo sua sombra, 

no indistinto escuro, 

como alguém que me assombra, 

 num inseguro confim

ALÉM ANIVERSÁRIOS

 

Não pedi para nascer, 

mas fui desejado, 

cresci sem saber 

o que fazer, 

depois descobri.


Amar foi tornando-se 

um mistério crescente, 

transcendente, 

nunca termina, 

dói perder.


A idade constrói monumentos, 

destruo constantemente a todos, 

busco o afago dos fracos, 

esquecidos.


O dia apresenta 

desafios de vida, 

reponho-me sempre 

na trincheira da verdade,

a morte ronda por perto...


A cada manhã o Sol, 

a consciência, 

a cada noite,

vigilias, 

sobrevivência .


Sou desafios diários,  

além aniversarios...

QUANDO VIERES...



Quando vieres 

traga junto a fragilidade,  

os reis fiquem com seus tronos.


Ao aproximar-se 

seja suave, 

possa ser vista

desde longe, 

e tão logo possas, 

afague-me antes 

de qualquer palavra.

 

Quando chegares 

traga junto lamparinas acesas, 

grandes são minhas escuridões, 

clareie cômodo por cômodo, 

até tudo iluminar-se.


Suas palavras sirvam de alimento 

onde possa refestelar-me junto a ti, 

na verdade, 

a depender do grau, 

sejam preservadas dos maus...


Quando vieres, 

venhas inteira, 

em fraternos altos e baixos, 

junto às minhas volúveis aquiescências...


Assim poderemos nos entender no amor, 

e caminharmos juntos

sábado, 8 de agosto de 2026

MERGULHADO NO PRESENTE

 


Difícil definir-me...

mergulhado no presente...

muito do que sou 

passa ausente.


Olho, 

interajo, 

opino, 

vou seguindo 

escritos e escrituras, 

e também descobrindo.


Dor e sofrimento 

carrego na aljava, 

esquecidos...

esperança e ardor 

coloco na boca, 

calor...

o sentido das coisas 

percebo pelos olhos, 

abertos...

a solidariedade 

entrego às mãos, 

lapidação...

caminhos e descaminhos

entrego aos pés,

cansados...


A ciência, 

intrometida,

é um tato 

sempre por descobrir 

acertar.e errar, 

errar e acertar 


Descubro amigos, 

encobertos inimigos, 

aparecem,

desaparecem


Procuro não ser só 

estar no mundo 

consciente, 

resguardando sempre 

a liberdade de cada um, 

coisa de demente


Tão mergulhado 

no presente, 

faço do caminho 

pressentimentos, 

nada às claras, 

olho a direção 

dos ventos

a segurança 

das águas rasas...

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A saudade que tenho é de nós mesmos, de Betty Vidigal

 A saudade que tenho é de nós mesmos, 

de quem éramos décadas atrás. 

Nós somos como amigos que perdemos, 

gente querida que não vai voltar. 

Um par de jovens que se pôs ao mar, 

tomou dos remos para nunca mais. 


Quem eram eles, que já não os vemos? 

A mulher bronzeada lendo ao sol,

os dois estraçalhando um rock’n roll, 

em que dobras do tempo se esconderam?

E as três crianças que os rodeavam?

Antigamente estavam sempre aqui, 

voando no turquesa da piscina,

aves aquáticas de um Morumbi 

que era um lugar longínquo e quase ermo.


A saudade que tenho é de nós mesmos.

REALIZADO

 


Hoje tenho 

um cansaço realizado, 

ações  completas.


Hoje há um beijo 

que perdura 

no espreguiçar, 

um amor 

que repõe 

a paz.


Hoje a esperança 

dá bom dia, 

acesa.


Tempo de verdade

aflorada...


O excesso 

de mentiras 

divulgadas, 

nada afeta.


Encontro 

do amor 

com a rotina,

olhares 

expandidos, 

horizontes 

próximos, 

medos 

esquecidos, 

palavras 

novas, 

bom 

ânimo. 


Os pés 

no chão 

da realidade 

a cabeça 

ordenando 

naturalmente 

como bem 

tratar tudo.


Dia de abrir janelas 

respirar fundo, 

porque estou presente, 

tudo está 

em seu devido lugar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O ódio e a ignorância

 Tem sido praxe os radicais de direita adorarem seus líderes. Assim foi com Hitler, e aqui no Brasil um ex oficial, incompetentissimo...se perguntarem o que ele fez, não sai nada.

Esta adoração sem limites faz com que aceitem qualquer mentira. E, como gostam de xingar, vivem de falar mal dos outros.

Mas o homem da tornoseleira eletrônica,  este é um Deus. 

Muitos evangélicos tem trocado Jesus Cristo por ele, em total desacordo com a palavra de Deus que propõe o amor como princípio .

Assim, chegamos a uma eleição de fanáticos. O STF endemonizado, o presidente Lula Xingado.

Mesmo assim, estes neo fascistas perderão estas eleições, porque o povo brasileiro está se dando conta que, no fundo, querem acabar com seus direitos.

Irão corrigir as aposentadorias por índices menores do que a inflação, vão continuar com o orçamento secreto no Congresso, sangrando os cofres da União sem dizer o que fizeram..  a luta é grande.

Então muita serenidade neste momento, porque eles sao raivosos e querem nos tornar também raivosos.

Analisem com calma, sem a influência dos Médicos Sem Vacina que negam as conquistas da ciência. A Michelle vacinou-se, escondida, nos EUA, quando pode

Muita paz e uma eleição onde as pessoas possam ser fraternas e apresentem o que farão se ganharem, porque xingar por xingar não garante nada.

Por um Brasil Fraterno

CONSCIÊNCIA DO VAZIO

 


As vezes me assombra um esgotamento de ter usado todo meu repertório, e estar vazio de novidades. 

Observo-me como se tivesse alcançado um fim.  

Este sentimento persegue-me, contra a vontade, por largo espaço de tempo.

Alastra-se para as pessoas também...passo a vê-las como a mim, sem sal...

Também as instituições que me relaciono, vão perdendo sentido, ah vão, aguçam minhas críticas 

Reflete em meu humor, em minha fé,  na forma dos diálogos que mantenho com as pessoas.

Controlo-me para que não percebam o quanto estou inodoro e entregue, procurando na rotina uma tábua de salvação. 

Curiosamente isto sumenta minha tolerância e compreensão com o mundo, abre portas, passo a entendê-lo melhor...

Não tenho comigo obrigação alguma de ser isto, ou de estar em tal situação, então, deixo correr esta enzima para ver até onde vai, no que vai dar.

A consciência faz vermos de frente, e percebemos que não somos agradáveis muitas vezes, ao contrário, ficamos chatos e impertinentes.

A vocês,  a quem confidencio este juízo interior, peço apenas complacência de vez em quando, e me ignorem quando sumo...

No mais, quando volto, também sou outro... deixo muitas gratuidades de lado, perdendo o humor aquela certa ignorância que acompanha.

Assim vou, conhecendo fases e me transformando.

Como vêem trago novidades, nem sempre boas. 

Então, ignorem.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

INSENSATO

 


Ser pequeno, 

impulso sereno, 

após derramadas 

lágrimas orgulhosas.


Quantos voos vãos 

consciência 

de desilusão,

escapam 

entre as mãos...


Sigo 

um aprendiz, 

de derrota 

em derrota, 

do que fiz;  

e não fiz, 

em silêncio 

como abrigo

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

SEM EXPLICAÇÃO

  


O fim não conheço, 

o início não lembro, 

agora está passando...

não sei como vim, 

não estou certo 

de onde estarei...

como estou 

é consequência, 

um tudo 

sem começo 

nem fim.


Etéreo caminhante, 

letras                          soltas 

      em forma 

      de encontro.


                 Fluido tempo 


escasso 

espaço


O que faço 

aonde,

neste agora?

CALABAR de Betty Vidigal

 Em calabar teu nome tantas vezes, 

denunciei aos portos teu ofício. 

Que não permitam mais o contrabando 

da muamba invisível, 

o difícil

descaminho dos sons. 


Esse ritmo cravado na memória.


Da muamba invisível, esse ritmo 


cravado na memória

(dez sílabas, seis sílabas,

não sei 

quem plantou as provas na bagagem). 


Não compreendo que exponham nas vítrines

as sedas, porcelanas, os temperos, 

especiarias exóticas, as quebras

de ritmo e contratos

contrabandeados. 


Calabar

é verbo e metonímia.

Adelante!

Denuncio à autoridade aduaneira

os planos e as mudanças

de quem mudou de lado tantas vezes. 


No pasarán! 

No pasarán pelo fio da navalha

da alfândega. 


Fiscais aduaneiros, 

revistai também os bolsos de quem chega

carregando perfis e avatares. 


Carregando perfumes e lembranças.


Transportando perfumes e lembranças,

especiarias exóticas, essência


de sábados.

domingo, 2 de agosto de 2026

À RISCA...



A lágrima suspensa 

entre a saudade 

e a tristeza, 

impregnada ao rosto,

fugira do controle, 

das prisões...


A alegria ocultara-se 

definitivamente...

alojara-se na gratuidade 

desprovida de sentido 


De resto eram beijos 

fechando os espaços, 

abraços nos quartos, 

murmúrios soando

confissões...


Era tarde, 

estava envolto 

na trama algorítmica, 

gaiola do pensamento.


Hoje sigo à risca 

o estrito recitar, 

observando 

se captam 

o código 

da vida, 

escondido 

entre as palavras

AIS & RAIARES

 


Ai que eu pego meu caminho uma hora destas e deito a falar dos sonhos que estão aprisionados no Xeol, em ossos...

Ai que em algum momento há de se despertar diante desta imensa sonolência que se abateu sobre os quatro cantos do jardim da criação, não descansa de dormir...

Ai dos iletrados, que secam as vistas em sacrifício de suas farsas bem montadas, verdadeiros becos de cânticos impostados...

Ai do Sol e da Lua se não produzem mais o trabalho e o amor,  como ficam os órfãos das matriarcas ao redor destes mantras fabricados.

Ai de mim, de ti, de nós, correndo de um lado ao outro, neste vasto não, porque não, não pode...

Ai das flores sem aromas, dos manjares mitológicos, desnudados, perseguindo ninfas esquecidas?

Há de raiar uma hora este espaço de letras fundidas à vida, tão desejados anseios,  materializados...

Há de se conquistar as quentes veias que pulsam o ardor dos prazeres embebidos na verdade, ovelhas das montanhas íngremes...

Ponho tudo nas Palmas das mãos...está nítido...

sábado, 1 de agosto de 2026

DESCOBERTO

 


Era noite e um grande pátio cobria toda a realidade, ligava  cômodos de lares inexistentes e poderes ocultos, sem portas...quando via, já estava nos ambientes

Estava só, como um protetor incapaz, um libertador a ser tentado. 

Toda sorte de oportunidades me era apresentado. Olhava aquela vastidão, vazia de gente, e me dava conta da solidão que me encontrava, junto a imensa responsabilidade coiocada. 

Não haviam poderes presentes que pudessem  determinar o que se podia ou não fazer...

Várias camas,  encostadas lado a lado, davam a dimensão de um convite promiscuo que não acontecia... vulneráveis inconsistências. 

A igreja fazia parte das sombras, não era vista, implícita...

Não amanhecia...

Tinha a responsabilidade de proteger ninfas virgens,  e sofria, fraco, por responsabilidade tão elevada, hercúlea, vulnerável fauno, travestido de eunuco.

Tinha nas mãos a flauta dos convites perdidos no tempo...e uma mescla de carícias protetoras transgredindo.

Sentia-me a incapaz de mim, fortaleza sem defesas.

Segurava-me como podia...toda a formação e experiência eram testadas naquele instante. 

Quem sabe estivesse preso... mas não,  tinha toda a liberdade a meu dispor

Frades andavam, sós, sem ação, com suas batinas cinzas, escondendo os rostos, para lá e para cá,  para lá e para cá...

Não se ouviam tiros, não haviam perseguições,  apenas eu vulnerável, podendo tudo, e sofrendo pelo que é justo..

O sonho continuou em mim já desperto,  com desejos contidos, sublimados, como se fizessem parte da realidade. Meu amor dorme ao lado, e o cão aos pés...

Conheci esta noite meu verdadeiro tamanho, minha imensa fragilidade.  

Entendi porque buscar a Deus...

SUBVERTENDO O TEMPO

 


Como gostaria 

de reunir o tempo, 

passado e futuro 

num presente, 

trazer meus pais, 

irmãos, 

parentes, 

amigos 

num encontro 

possível


Não posso...


Então lanço-me 

em lembranças 

ainda criança 

com meus pais, 

em seus colos

em casa, 

numa ingênua 

convivência 

desconhecedora 

das perdas.


Como doem 

as ausências...

insubstituíveis, 

incapacitantes


sofro 

impossibilidades, 

incapacidades, 

insuficiências, 

poder que não tenho, 

deus que não sou...


À noite, 

só, 

vêm 

à mente 

nomes, 

situações, 

acontecimentos... 

ausências 

preenchem 

o vazio 

que adentra.


Estou só, 

patriarca solitário 

em um mundo hostil

NEBULOSA

   Tenho uma ânsia oculta por plenitude.  Interpela o mais íntimo... atravessa palavras,  acontecimentos,  relações,  habita numa nebulosa  ...