Escrever tornou-se uma ferramenta que produz vida.
Quando a rotina se impõe, meus versos se escondem, tamanha a distância que se encontram.
Ficam solitários e ocultos, preservando-se do mundo.
Despertam no contraponto de tudo, alta madrugada, sertão enluarado, repondo o tabuleiro no ponto de partida.
Escrever tornou-se uma oração pessoal, onde busco a fonte de tudo o que vejo e faço. Desperta-me antes do mundo com suas inquietações transcendentes e põe-se a derramar enxurrada de ideias e palavras a serem costuradas imediatamente.
Não se importa tanto onde estou e em que estado, tem sua pressa matinal, que brota de onde?
Escrever tornou-se um alimento diário, por vezes dietético, por vezes extravagante...no fundamental mantém sabor e deixa uma sensação satisfeita, depois de concluído.
São pequenos manjares precipitados entre o coração e a mente, refestelando-me todo.
Subi com o verbo o altar dos acontecimentos, encontrei sujeitos, e seus específicos adjetivos, dei-lhes objetos, sentidos no caminho, respeitei os suspiros e silêncios intercalados, procurei encerrar, interrogar, exclamar.
Vivo na observância de alguém que emerge de quando em quando, desconhecido e desapegado de mim, até que tudo se ponha enfim.
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