sábado, 13 de junho de 2026

RETIDO

 


Não sei despedir-me, 

algo retém a saída.


Não sei se nuvens 

não convidam, 

estão estáticas...

não sei se somos nós, 

temerosos do mundo, 

das descobertas..


Ando segurando 

suas mãos 

o quanto posso, 

afago de permanência. 


Temos algo a concluir 

em suspenso, 

ao nos despedirmos...

continuidade  

por formar sentido.


São necessárias 

novas buscas, 

experiências, 

que reguem 

o jardim cultivado

em silêncio.


Despedidas matam!


São como 

enterros antecipados 

preparando os corações 

a viagens distantes.


Há muito ainda 

a se dizer, 

a ouvir...

há muito de nós 

represado na boca, 

enquanto olha, 

deseja estar junto


Despeço-me 

com versos 

do leitor, 

como quem 

não quer partir, 

e deixa palavras 

que ficam.


Volte logo!

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