terça-feira, 26 de maio de 2026

INÉRCIA

  


Não sei terminar, 

sou dos que arrastam 

convicções inertes

ondas revoltas em rochas.


Não tenho fim, 

reconheço 

uma atemporal 

permanência, 

falsa consciência, 

crendo em mudancas 

imprevistas. 


Nada acontece, 

passam--se os dias, 

os meses, 

anos, 

a vida! 


Tenho a sensação 

de tudo paralisado, 

novidades 

envelhecidas, 

repetição morna, 

cozimento lento.


Tão revoltado com tudo, 

sinto este estado de morte 

que me recobre.

silhueta que padece, 

palidece, 

falece. 


Nada acontece...


Se vejo, 

é um rosto 

repousando numa tumba, 

e a multidão admirando 

entre conversas memoriais...


Fétido poder 

de conservação, 

paralítico  milenar 

retendo vidas...

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