Ninguém me retira
o barro das ruas,
as lajes descobertas
o amontoado incômodo,
nos poucos cômodos.
Ninguém me retira
a espera do bico ,
a vigilia das lágrimas,
escorridas orações...
sofridas.
Ninguém me retira
o querer ser normal,
no sufoco do ônibus
intermunicipal.
Ninguém me retira
o vai e vem
das noites,
as unhas sujas,
o pó deixado na roupa
Ninguém retira de mim
o retirante
a terra natal,
onde deixei fincado
um coração armado
num mastro de São João .
Ninguém me retira
os domingos
do lado de fora
nas ruas cruas,
espaço vital
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