terça-feira, 28 de abril de 2026

NINGUÉM ME RETIRA

 

Ninguém me retira 

o barro das ruas, 

as lajes descobertas  

o amontoado incômodo, 

nos poucos cômodos.


Ninguém me retira 

a espera do bico , 

a vigilia das lágrimas, 

escorridas orações...

sofridas.


Ninguém me retira 

o querer ser normal, 

no sufoco do ônibus 

intermunicipal.


Ninguém me retira  

o vai e vem

das noites, 

as unhas sujas, 

o pó deixado na roupa


Ninguém retira  de mim

o retirante

a terra natal, 

onde deixei fincado 

um coração armado 

num mastro de São João .


Ninguém me retira 

os domingos 

do lado de fora

nas ruas cruas, 

espaço vital

Nenhum comentário:

Postar um comentário

CORPO

Vou morder tua boca  a qualquer hora,  segurar as palavras  nas línguas mortas. Abracar  tuas costas  nuas,  órfãs,  pagãs. Afagar suas coxa...