sábado, 11 de julho de 2026

PEQUENO PRISIONEIRO

 


Esqueci-me 

no passado, 

distraído 

vizinho

no caminho 

da escola, 

prisão 

das ruas.


Lá atrás 

matei-me 

ao escolher

a caixa 

de sapatos, 

descalço 

que era...


Produzia 

ventos, 

escorregava 

nas enchentes, 

minha mãe 

observava 

calada

na ladeira

sábia 

sabiá.


Meu pai 

viajara 

para sempre, 

sentado 

num burrinho 

tosco, 

nunca mais 

voltou, 

procurei outro...


Meu presente 

inexiste, 

guardo-o 

no quarto, 

de vez em quando 

ele sai, 

em sonhos, 

espanta-se 

com o mundo, 

medonho.


Fecho 

as janelas 

dão 

para nada, 

consciente 

das paredes.


Fique 

como quiser, 

encontre-me 

quando puder, 

no passado...

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