sábado, 28 de dezembro de 2024

OCULTAS DORES

 


Guardo minhas dores, 

não as exponho, 

sigo com elas 

esta travessia.


As pessoas 

não as resolveriam, 

inútil contar, 

compreenderiam? 

Não as curam...


Dores nas vísceras,  

articulações, 

dores de todo tipo, 

de falta de gente,

mais tardios cansaços, 

sinalizam um poente...


Os caminhos 

sem saida 

ainda ecoam, 

lançam arrependimentos 

e tristezas 

de antigos becos 

inconscientes,

escondidos no passado.


Refletem nos olhos 

que a tudo desvendam 

em suas inutilidades, 

às poucas vozes, 

econômicas, 

de convencimento, 

na falsa estrutura 

que nos ocupa 

integralmente.


Dor completa, 

não compartilhada.


Este silêncio 

que tem fome, 

e não come; 

sede, 

e não bebe; 

sono, 

e não dorme, 

aumenta o tamanho 

da dor. 


Silêncio medido 

de energia declinante...


A esperança 

de que tudo 

pode ser melhor, 

faz vicejar 

este disfarce 

que atravessa o tempo.  


Por isso sigo calado,

com minhas dores.

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Vou morder tua boca  a qualquer hora,  segurar as palavras  nas línguas mortas. Abracar  tuas costas  nuas,  órfãs,  pagãs. Afagar suas coxa...