sábado, 28 de novembro de 2015

Cantalamessa disse no Sínodo anglicano: "Estamos enfrentando um mundo pós-cristão”

Father Raniero Cantalamessa during the World Day of Prayer for the care of creation

O pregador da Casa Pontifícia pregou na abertura do Sínodo da Igreja da Inglaterra, em
 Londres, na Abadia de Westminster

 Redação |   |  ZENIT.org |  Igreja e Religião |  Roma |  138
"Devemos voltar aos tempos dos primeiros cristãos: eles enfrentaram 
um mundo pré-cristão; nós estamos enfrentando fortemente um mundo
 pós-cristão”, foi o que disse o Pe. Raniero Cantalamessa, pregador da
 Casa Pontifícia, que discursou na abertura do Sínodo da Igreja da Inglaterra
 em Londres, na Abadia de Westminster. Uma presença – relata a agência Sir -
 que foi muito bem recebida pela rainha Elizabeth, que, em seu discurso à
 Assembleia sublinhou que "a presença entre nós, hoje, do pregador da 
Casa Pontifícia não teria sido possível sem os progressos acontecidos
 desde 1970 na cooperação entre as grandes tradições cristãs”.
Padre Cantalamessa recordou na sua homilia que o mundo cristão se
 prepara para celebrar o 500º aniversário da reforma protestante e disse:
 “É de vital importância para toda a Igreja que esta oportunidade não seja 
desperdiçada por pessoas que permaneceram prisioneiras do passado, 
procurando estabelecer quem teve razão e quem errou. Em vez disso, 
façamos um salto quântico, como o que acontece quando as portas de 
um rio ou de um canal são abertas para permitir a navegação dos navios
 em níveis de água mais elevados. A situação mudou radicalmente agora.
 Temos necessidade de recomeçar a partir da pessoa de Jesus e ajudar 
humildemente os nossos contemporâneos a experimentar um encontro 
pessoal com Ele”.
No final de seu sermão o padre Cantalamessa dirigiu uma saudação à 
Assembleia em vista do Sínodo, mas também "em vista da reunião prevista
 para o próximo mês de janeiro entre os líderes de toda a Comunhão
 Anglicana”: “Coragem, Majestade - disse o pregador vaticano – soberado 
desta nação; coragem, Justin, arcebispo de Cantuária; coragem Sentamu,
 arcebispo de York; coragem, vocês bispos, clérigos e leigos da Igreja da
 Inglaterra! Trabalhem com a consciência da palavra do Senhor:
 estou convosco!”.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

VERSO INVERSO


Ao simples
o esquecido
empobrecido
desconsiderado
desprezado
bloqueado
sem expressão
não entendido
evitado
desviado
despossuído
desalmado....

A este
a atenção
o ouvido
o olhar
o carinho
a afeto
a alegria
a esperança
a luta
a companhia
a obediência
o servir
o tudo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O GARLINDO



Não! As pessoas não se apercebem que tem ódio... 

Por alguns anos moramos, eu e minha esposa, na Barra Funda, esquina da Lopes Chaves com Sérgio Meira, em um pequeno apartamento, vivenciando, anos mais tarde, o ambiente já carcomido, onde viveu Mario de Andrade. 
Por vezes ia a pé até o Metrô que fica na Praça Marechal Deodoro, transformada em dormitório e ponto de encontro do povo da rua, mais lojistas, moradores... 
Seguindo a Lopes de Oliveira passava, frequentemente,  diante de uma pequena loja de conserto de eletrodomésticos. 
Era quase uma garagem, um pouco maior. 
O  dono, um senhor simples, de meia idade, recebia todo tipo de eletrodoméstico que lá ficavam empilhados esperando o dia do conserto, sabe-se lá quando. 
Fazia permutas também e vendia outros, reformados. 
Havia ganho de presente um pintinho, e não sabendo muito como fazer, foi dando-lhe as migalhas do almoço e dos lanches. 
Assim cresceu um galo esbelto e charmoso. 
O dono, de tanto admirá-lo, decidiu chamá-lo de Garlindo, porque era um muito bonito. 
Era inusitado passar ali, numa região movimentada e observar, entre os cães e gatos, um galo passeando pela calçada. 
Garlindo tornou-se muito querido pelos moradores do lugar. Não dava muita bola para as pessoas, mas também não se intimidava e convivia bem no meio da multidão. 
Dormia na garagem, em meio aos eletrodomésticos, e o dono não se importava quando aparecia, aqui e ali um sujeirinha, logo removida. 
Um dia, como crescesse o serviço, este homem contratou um funcionário para ajudá-lo no serviço. Era um período de progresso. 
Passando pela calçada, uma ocasião, percebi que o Garlindo não se encontrava. 
Chamei o proprietário para perguntar-lhe do galo. 
Este, muito choroso contou-me que o seu funcionário havia dado um pontapé no Garlindo que estava muito mal. 
Havia até despedido o funcionário. 
Pedi que me trouxesse o Garlindo, e prontamente o pegou trazendo-o pelo colo. Estava todo machucado. 
Acariciei-lhe a cabeça e o Garlindo fechou os olhos com o passar de minha mão. 
Roguei a Deus pela vida  daquele inofensivo animal, mas não teve jeito. 
Morreu no dia seguinte...
Como é fácil fazer alguém perder a esperança na Humanidade! Como apenas uma pessoa, bronca, sem lar, pode ser gratuitamente má. 
Guardo esta lembrança não sem uma revolta contra os pobres de si mesmos, os desvalidos de si mesmos, os ignorantes mais profundos, por sentirem-se bem nesta condição sub-humana, e não se disporem a ver a vida e a sua beleza. 
Observo como o Deus não deve sentir-se com tudo isto, e calar-se, em respeito à liberdade que deu aos homens.

Coração endividado


Meu coração teve sua nota rebaixada
pela Standard & Poor’s.
Já não bate forte
como antes
os projetos
o desdobrar-se
contínuo
sobre os limites
reconhecidos.

Nunca teve um
AAA,
coração potência,
mas contenta-se
com um
AA+
emergente,
convivendo
com pobreza
confusão.

Não resistiu
às pedras
do caminho
enfrentadas
por Drummond.

Não conseguiu
manter a eterna chama,
De Vinícius,
muito menos descansa
No Pátio do Colégio
De Mário de Andrade,
analfabeto
da vida.

Coração drogado
Segue ermo
Nos becos
Da cidade.

Tudo lhe encanta
Sem produtividade.

Tudo lhe apraz
Sem objetivos.

Coração rotineiro,
Acorda agradecido
por saber-se finito.

Põe-se de pé,
pesquisador
do novo,
ainda que os batimentos
disfarcem o ânimo,
que o ritmo valseie.

Rebaixado
reconhece
a extrema
insensibilidade
de doar-se,
a dureza
de seus passos.

Coração
desviante
seleto.

Às vezes
esguio,
às vezes
ereto.

Coração de rico.
As agências
indicam
a necessidade
de uma grande
transformação:
é preciso
mais naturalidade
nos contatos,
menos indiferença
com os pobres.

É preciso
possuir 
a atitude
principal
para a qual
foi chamado:

O amor.
Coração
esquecido
de sentido.

Falso coração
pleno de orgulho
enche-se qual
um mal de chagas
que pouco dura
e logo morre.

O mundo 
clama
um coração
pujante
sem freio,
Errante...

Coração de carne
não de pedra,
coração ligado
às veias
do povo,
circulando vida
no organismo
social.
(João Paulo Naves Fernandes)

sábado, 21 de novembro de 2015

"Enquanto cristãos, judeus e ateus vivem com dificuldade no mundo muçulmano, os muçulmanos, na França e na Europa, vivem com toda liberdade e dignidade"

Paris, Tour Eiffel, at night

Declaração do Conselho de Imans da França será distribuída em todas as 2500 mesquitas do país. Forte condenação aos atentados da semana passada.

 Redação |   |  ZENIT.org |  Mundo |  Roma |  63
Hoje nas orações de sexta-feira em todas as 2500 mesquitas da França será distribuída uma “declaração solene”, acordada pelo Conselho de Imans da França, depois dos atentados de París. É a primeira vez que algo assim acontece.
Os imãs franceses condenam duramente aqueles que fizeram do Islã uma seita odiosa e que manipulam os jovens franceses para se tornarem bombas terroristas.
A declaração diz que acabou o momento dos muçulmanos franceses esconderem a cabeça na areia, como o avestruz, porque estão usando o nome da sua religião para justificar tais barbaridades. Segue abaiox a tradução feita por ZENIT do texto do Conselho dos Imans da Franca:
***
Caras muçulmanas e muçulmanos,
O Islã, a religião da paz tornou-se refém nas mãos de extremistas e ignorantes. O Islam existe na Europa há um século. Este sempre viveu em harmonia e coexistência com as sociedades europeias até a chegada de alguns muçulmanos que vocês conhecem porque pregam conosco dentro das nossas mesquitas. Eles são jovens nascidos na Europa, que não falam a língua árabe e que não têm nenhum título em teologia muçulmana. Nós temos utilizado certos imãs do exterior que nem sequer falam a língua francesa e que não conhecem os problemas reais que estes jovens franceses e europeus enfrentam no seio das sociedades ocidentais.
Caros muçulmanos e caras muçulmanas,
há anos que se diz que o Islã no ocidente não é semelhante ao Islã que se conhece. Segundo a ideologia destes islamitas ignorantes, o Islã da tolerância, do humanismo e da abertura e do diálogo inter-religioso se tornou uma traição e uma colaboração com o Ocidente, de modo que os imãs tolerantes foram ameaçados dentro das suas próprias mesquitas por esses extremistas que escolheram a dureza e ódio contra qualquer um que seja diferente, até mesmo se os diferentes são muçulmanos.
Os responsáveis do Islã na França não estão à altura dos verdadeiros valores do Islã, nem à altura dos verdadeiros valores da república. Eles fizeram do nosso Islã universal uma religião sectária e odiosa que não aceita a abertura e a adaptação aos valores europeus. Estes imãs incompetentes como esses líderes fracassados devem deixar seus postos para outros que são mais competente e mais abertos, porque estes não foram capazes de tranquilizar nem os muçulmanos, nem os franceses.
Caros muçulmanos, caras muçulmanas,
essa onda de radicalismo só vai parar com a colaboração dos imãs, dos pregadores religiosos, dos muçulmanos comuns com o Estado, dos legisladores, da sociedade civil, no interesse da sociedade, mas especialmente no interesse do futuro dos filhos dos muçulmanos da Europa. Esse futuro está em perigo mais do que nunca.
Caros muçulmanos e caras muçulmanas, prestem atenção às pessoas que tentam justificar o injustificável em nome do racismo, da marginalização e da história da colonização. São pretextos para dissimular o seu ódio e os seus fanatismos religiosos em nome de um Deus que nos criou para o amor e a fraternidade e não para a guerra e a barbárie.
Os terroristas tinham seus pais, tinham famílias. O que eles ensinaram? Foram vencidos pela internet e as redes sociais?
Caros muçulmanos, caras muçulmanas,
a condenação dos ataques não é mais suficiente, porque não podemos mais continuar a fazer como o avestruz. Não podemos esconder as nossas cabeças debaixo da areia, repetindo esta frase ruim: “Não somos nós, são eles!”.
Cada imã, cada líder religioso e cada muçulmano deve assumir sua parcela de responsabilidade porque estes atentados criminosos foram cometidos em nome da nossa religião.
Os cristãos, os judeus e os ateus vivem com dificuldade no mundo muçulmano. Construir uma igreja ou uma sinagoga é um sonho impossível nesses países, até ao ponto de [pedir] a intervenção do Presidente da República!
Em vez disso, os muçulmanos na França e na Europa vivem com toda liberdade e dignidade. Eles controem mesquitas, centros islâmicos e escolas religiosas sem nenhuma sabotagem ou exclusão.
Primeiramente nós somos franceses muçulmanos antes mesmo de sermos muçulmanos franceses porque é a França que nos coloca juntos. Portanto, a religião deve permanecer em seu espaço privado porque a religião deve ser um fator de paz e de fraternidade, com a condição de que se interpretem os textos religiosos de modo positivo e construtivo.
Caros muçulmanos e caras muçulmanas,
Muitos dos nossos jovens sofrem de um trauma religioso, cultural e de identidade. É necessário implementar os melhores métodos para combater as idéias de ódio dentro de nossa religião, bem como a fragilidade e os nossos jovens muçulmanos perante o pseudo Islam siro-Hollywoodiano. Este usa imagens e propaganda para manipular e radicalizar a maioria dos jovens, que podem se tornar as bombas terroristas que querem destruir os valores dos países ocidentais, mas na verdade eles destruem a imagem do Islã e o futuro do Islã na França e na Europa. Estes países ainda nos ofecerem mais benefícios e vantagens do que o que nós encontramos nos nossos países de origem, apesar de todas as dificuldades que, certamente, existem nos bairros e nas periferias.
Caros muçulmanos, caras muçulmanas,
O que está em jogo é o futuro da vossa religião e o destino dos vossos filhos e cabe a  nós, muçulmanos, decidir agir ou não agir.
Viva os verdadeiros valores do Islã e viva os verdadeiros valores da república!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

"Vocês não terão o meu ódio", diz homem que perdeu a esposa nos atentados de Paris aos Jihadistas do Estado Islâmico


Antoine Leiris publicou em seu perfil no facebook. Mensagem está girando o mundo e já conta com mais de 130 mil compartilhamentos.

Roma,  (ZENIT.org) 

Antoine Leiris, jornalista de Paris, perdeu a sua esposa no teatro Bataclan, durante o atentado terrorista da última sexta-feira, 13. Em publicação no seu perfil do facebook, datada do dia 16 desse mês, que já conta com mais de 130 mil compartilhamentos Antoine disse aos jihadistas do ISIS: "Vocês não terão o meu ódio".
"Na noite de sexta-feira vocês acabaram com a vida de um ser excepcional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho mas vocês não terão o meu ódio. Eu não sei quem são vocês e não quero saber, são almas mortas. Se esse Deus pelo qual vocês matam cegamente nos fez à sua imagem, cada bala no corpo da minha mulher terá sido uma ferida no seu coração", afirmou Leiris.
Portanto, escreveu o jornalista, "eu não vos darei o presente devos odiar. Vocês bem que mereciam, mas responder ao ódio com a cólera seria ceder à mesma ignorância que fez vocês serem quem são. Querem que eu tenha medo, que olhe para os meus concidadãos com um olhar desconfiado, que eu sacrifique a minha liberdade pela segurança. Perderam. Continuaremos a atuar da mesma maneira".
Referindo-se ao cadaver da sua esposa, baleada no teatro de Bataclan, afirmou "Eu a via esta manhã. Finalmente, depois de noites e dias de espera. Ela ainda estava tão bela como quando partiu na noite de sexta-feira, tão bela como quando me apaixonei perdidamente por ela há mais de doze anos. Claro que estou devastado pela dor, concedo-vos esta pequena vitória, mas será de curta duração. Eu sei que ela nos vai acompanhar a cada dia e que nos vamos reencontrar no paraíso das almas livres ao qual vocês nunca terão acesso".
"Somos só dois agora, eu e o meu filho, mas somos mais fortes do que todos os exércitos do mundo. Eu não tenho mais tempo para dar-vos. Quero juntar-me a Melvil que está acordando do seu descanso. Só tem 17 meses. Vai comer como todos os dias, depois vamos brincar, como fazemos todos os dias e durante toda a sua vida este rapaz vos fará a afronta de ser feliz e livre. Porque vocês nunca terão o seu ódio".

MUDANÇA DE TEMPO

  Leve como o vento,  sigo novidades.. Mais observo,  menos escrevo. Noturno,  pensamentos  assentados. Sem direção,  à mercê de cada dia. D...