Está ali no passado,
mas posso ouvir
a rouquidão da voz,
gargalhadas soltas
de passagens antigas.
Vejo os passos,
como se os sentisse,
goles cheios
de prosa,
afã de sonhos
realizados.
Invade-me
o agora,
sem regras,
ultrapassando
o regaço
manso
da noite,
véspera
das profundas
viagens
Clima propenso
ao descaso
de onde afloram
lembranças.
Sou um contador de mim
suspenso no tempo,
propenso a recordações.
Às vezes,
não acredito
o quanto andei
até chegar aqui.
Como se ainda
estivesse fora
e tudo fossem
apenas
folhas
lidas
de livros
esquecidos
nas prateleiras,
em nada mais
existisse.
Sigo olhando
o passado
logo ali,
mal ido,
ainda presente.
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