sábado, 17 de outubro de 2026

IDO RECENTE

 


Está ali no passado, 

mas posso ouvir 

a rouquidão da voz, 

gargalhadas soltas 

de passagens antigas. 


Vejo os passos, 

como se os sentisse,

goles cheios 

de prosa,

afã de sonhos 

realizados.


Invade-me 

o agora, 

sem regras, 

ultrapassando 

o regaço 

manso 

da noite, 

véspera 

das profundas 

viagens 


Clima propenso 

ao descaso 

de onde afloram 

lembranças.


Sou um contador de mim 

suspenso no tempo,

propenso a recordações.


Às vezes, 

não acredito 

o quanto andei 

até chegar aqui.


Como se ainda 

estivesse fora

e tudo fossem 

apenas 

folhas 

lidas 

de livros 

esquecidos 

nas prateleiras, 

em nada mais 

existisse.


Sigo olhando 

o passado 

logo ali, 

mal ido, 

ainda presente.

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