sábado, 28 de março de 2026

A JANELA DO FINAL DA RUA

 


Havia uma janela na casa do final da rua onde eu vivia

Nela morava um velho...

Pela manhã ficava aberta..

Quem passava podia ver um grande espelho na lateral de um quarto, um quadro ao fundo, mais uma fotografia em moldura repleta de rococós...

Raramente aparecia alguém na janela. 

As pessoas sabiam que ali vivia um senhor de mais de 90 anos, e só. 

Quanto tempo a vida deve durar, mantendo qualidade, ou seja, ter mobilidade, estar com saúde, poder conversar...

Não tenho a resposta, mas, de certo, há de haver alegria e disposição,  ainda que a chama vá diminuindo.

Guardo na memória as poucas vezes que o velho ancião saiu à janela.

Até onde iam seus olhos?

Não sei de suas reflexões...imagino que as recordações assaltassem nestes momentos. 

Em certa ocasião, ao cair da tarde, passando por aquela casa, encontrei o velho recostado na beirada da janela...

Dei-lhe um tchau...

Ele retribui alegremente.

Já nem sei mais quem se alegrou, se ele ou eu, por ver sempre a janela sem ninguém.

Porque não vivo só. A solidão é algo que o tempo vai nos ensinando, até aprendermos a conviver com ela, principalmente na velhice

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