Noite interminável...
deixei os sonhos para trás,
acrescentaram,
e ainda há escuridão.
Preparo mudas de laranjeira,
ainda frágeis
em pequenos vasos,
serão viçosas um dia.
Estão ao relento do tempo,
vulneráveis,
porque longa é a noite.
Pequenas providências distraem
as grandes distâncias,
inalcansáveis,
conformando-se às rotinas,
porque alta é noite.
Ouço latidos de cães longe...
Nem seus donos acreditam
em seus alertas,
solitários...
esperando por alguém
semidesperto,
sair de sua letargia
verificar a casa,
se está protegida.
Rego e roço
diariamente o jardim,
observando detalhes das plantas,
o mistério de suas vidas,
capacidade de atração,
estáticas,
viajam longe...
Lembro das grandes
e pequenas lutas,
interligadas...
de nada valem,
se não as faço hoje;
tiveram seu ritual,
agora enterradas
na História militante.
Ai... noite que não se acaba,
deixa rastros de esperança e luta
num mundo inóspito.
Oração e ódio,
como combinam?
Presentes na noite escura,
que espírito aí habita?
Remissão é o que precisam!
Adequar a fé à realidade.
Não acontece...
Noite de desinformação,
descredibilizada...
interesses ocultos,
explodindo por todo canto,
atingindo os pequenos,
inocentes alienados...
Corrompem
enquanto
denunciam
a corrupção,
existe mal maior?
O povo
será
sempre
povo,
esperando
o dia
da libertação
chegar,
mas não chega...
Um mundo novo irá surgir um dia!
Um homem novo
uma mulher nova!
Livres!
Habitarão enfim um dia...
mas quando(?)
a noite é longa...
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