terça-feira, 8 de setembro de 2026

NOITE INTERMINÁVEL

 


Noite interminável...

deixei os sonhos para trás, 

acrescentaram, 

e ainda há escuridão.


Preparo mudas de laranjeira, 

ainda frágeis 

em pequenos vasos, 

serão viçosas um dia.


Estão ao relento do tempo, 

vulneráveis, 

porque longa é a noite.


Pequenas providências distraem 

as grandes distâncias, 

inalcansáveis, 

conformando-se às rotinas, 

porque alta é noite. 


Ouço latidos de cães longe...


Nem seus donos acreditam 

em seus alertas,

solitários...

esperando por alguém 

semidesperto, 

sair de sua letargia 

verificar a casa, 

se está protegida.


Rego e roço 

diariamente o jardim, 

observando detalhes das plantas, 

o mistério de suas vidas, 

capacidade de atração, 

estáticas, 

viajam longe...


Lembro das grandes 

e pequenas lutas, 

interligadas...

de nada valem, 

se não as faço hoje;

tiveram seu ritual, 

agora enterradas 

na História militante.


Ai... noite que não se acaba,

deixa rastros de esperança e luta 

num mundo inóspito. 


Oração e ódio, 

como combinam?

Presentes na noite escura, 

que espírito aí habita?


Remissão é o que precisam!


Adequar a fé à realidade.


Não acontece...


Noite de desinformação, 

descredibilizada...

interesses ocultos, 

explodindo por todo canto, 

atingindo os pequenos, 

inocentes alienados...


Corrompem 

enquanto 

denunciam 

a corrupção, 

existe mal maior?


O povo 

será 

sempre 

povo, 

esperando 

o dia 

da libertação 

chegar, 

mas não chega...


Um mundo novo irá surgir um dia!


Um homem novo 

uma mulher nova! 


Livres!


Habitarão enfim um dia... 

mas quando(?) 

a noite é longa...

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