sexta-feira, 23 de outubro de 2026

QUEDA

 


Eu Caí!

Caī!


Hoje faço lembrança 

de minhas torpes quedas.


Nave sem rumo, 

passos sem prumo.


A circunstância e a ação...


Deixar desandar 

o leve caminhar...


Quando vi, 

estava imerso no atoleiro, 

tudo o que havia construído, 

perdera-se, 

quase que por inteiro.


Aceitei me perder 

por prazer, 

consciente do meu ser,

e quanto mais seguia, 

mais me fugia, 

corrente lânguida e passiva 

deslizando lisa  

nos regatos do ocaso...


Foram-se 

fechando portas, 

tornaram-se fortes,

caudalosas, 

as corredeiras, 

sinuosas, 

imprevistas, 


Quando vi, 

torpes opções, 

vindas não sei de onde, 

apresentaram-se

como ladrões, 

a retirar os tijolos 

que sedimentei por anos...


Quando vi, estava só, 

e só fiquei...


Pude 

observar 

minha 

verdadeira 

estatura, 

até 

onde 

pode 

chegar 

uma criatura...


Pela primeira vez chorei, 

muitas vezes chorei

estes reveses, 

lamentos

que não contei, 

ninguém ouve...

passa ao largo, 

deste embargo.


Vou reconstruir-me 

a partir do nada, 

recomeçar a caminhada, 

sair da noite fria, 

de uma rodoviaria 

da estrada, 

caminhos para não sei onde(?)


Verei novamente o horizonte , 

seus aromas em minha fronte, 

buscarei de não sei onde, 

forças que acalento 

ainda na mente.


Reencontrar-me 

nos vários caminhos, 

pequenas oportunidades, 

seguir,

porque sempre sigo...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LUSCO-FUSCO

  As palavras são como peixes,  lusco fusco dicionário da vida... pesco-as ou emergem  de um aquém de ninguém(?), não as convido, vêm... As ...