quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Velho lobo

Velho Lobo



Ainda nos assaltam

A consciência, mas

Já não nos roubam

Mais a liberdade.



Ameaçam a paz,

enquanto

As crianças brincam

Nas praças,

E o frescor das manhãs

preenche o ambiente

dos domingos.



Como vês, tua saída

ainda não é

o fim,

mas um devir

um vir a ser.



Sim,

Velho lobo,

Tua parte

Está feita.





Mas

A luta pela vida

Nunca para.



Sempre se haverá

Por que lutar.



Fizeste teu melhor

Ainda que para alguns

só exista o pior.



Provaste

Que o diploma não é tudo

Que diante dos problemas se deve recorrer ao povo

Que é preciso sempre avançar

Sempre negociar,

Ser simples e esperto,

Ter os olhos abertos,

Os ouvidos atentos,

E a boca comedida,

Embora, às vezes,

Fuja da medida.



Mas,

Calar, nunca

Retroceder, jamais.



Por isso,

Velho lobo,

Foi bom o teu tempo.



Trouxeste todos

Muito perto de ti

Enquanto erguias os caídos

Os esquecidos,

Os criticados,

Os chamados

“vagabundos”.



Criaste uma redoma

Protetora de teu povo

Resguardando

O órfão e a viúva.



Falta muito ainda

E já vais...

Pensas que deixamos?

Que irás assim, sem mais?



Não

Nem agora

Nem nunca.

Não existe tempo final

Só a morte,

Esta companheira diária

É quem pode convidar

Ao descanso.



No mais,

Prepara uma varanda

E uma cadeira de descanso,

Mas não pense

Que já fizeste tua parte

Porque das ruas

Seu nome sempre ecoará

Como referência

De que

Deixaste o principal

A paz

A justiça

A Ascensão social

A liberdade


Em véspera de despedida, um poema para Lula

Agora que o nosso Presidente Lula está se preparando para deixar o seu Governo , transcrevo abaixo o poema que fiz para sua primeira eleição. Na época mandei publicar milhares de "posters" para ser empastelado nas paredes, nos bares, etc. 

O SOPRO DE NOSSAS VIDAS



Nós queremos

Alguém inteiro,

nada pela metade;

imaculado.



Alguém

Nu de pecado,

Saciado de pecado,

Sem mais

Por que pecar.



Que tenha

Origem e meio

Ao fim

Que somos nós



E esteja

Do outro lado

Do espelho

De nossas vidas;

O lado

Que permanece

Puro,

Nos olha

De frente

Redimindo-nos

De nós mesmos,

Tantas vezes

Cruéis,

Insensíveis,

Assustados

Com a frigidez.



Queremos alguém

Que não se finja

De povo.

Seja ele!

E nada prometa

Que não possa

Cumprir.



Que não tenha

Medo

De dizer

A verdade,

Amiga

Do perigo,

E entregue

Seu coração

Quente e latejante

Nos despachos

E atos

Que tomará.



Acima de tudo,

Aos fracos

Defenda,

Além

Das palavras.



Assim

Queremos alguém,

O sopro

De nossas vidas,

O ser

Que criamos,

E que nos falta.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Como se formou a base eleitoral dos tucanos?



Para nós que vimos o surgimento do PSDB como partido que se pretendia à esquerda do PMDB, e iniciava sua organização com inserção num sindicalismo de cunho social democrata, até estas eleições, onde o partido caracterizou-se como o melhor representante das forças empresariais sulistas e do agronegócio, sem nenhuma representação formal no sindicalismo brasileiro, é de se perguntar, de onde vieram tantos votos?

No dia 1 de maio de 2010 já com as eleições em andamento Serra absolutamente evitou ir a qualquer uma das festas programadas pelas diversas centrais sindicais, que ocorriam em todo o território nacional. Neste dia, Serra visitava um culto evangélico em Santa Catarina, repleto de fiéis. Não preciso dizer que Serra foi bem votado em Santa Catarina.

Grosso modo, podemos dizer que ele trocou o trabalhador pelo fiel. Lógico, a sua ausência no dia do Trabalhador foi tão evidenciada, que ele foi obrigado a maquiar um evento dele com trabalhadores, com toda a proteção da Mídia, onde só aparecia ele, o Geraldo, e desconhecidos num palanque, mas sem foto de multidão. Foi muito engraçado o arranjo, mas mostra que o caminho para formar a base de apoio popular para sua campanha passou por fora deste setor.

Podemos perguntar o que influi mais em um trabalhador praticante de alguma religião, o sindicato ou a Igreja?

São linguagens bem diferentes: uma aborda a luta, a conquista por melhores salários e direitos; e outra, a paz, a harmonia, o amor fraterno.

Se formos radicalizar a questão, podemos lembrar-nos da existência de um sindicalismo de base atéia, ou de tradição atéia, avesso a uma vida religiosa, a linguagens religiosas, convivendo com um fundamentalismo que se propagou rapidamente no Brasil desde a segunda metade do século 20.

Esta a principal contradição que se encontra hoje nos trabalhadores sindicalizados. Muitas vezes vemos um trabalhador defendendo ardorosamente o sindicato em suas lutas, mas ao mesmo tempo professando uma fé umbilical e fundamentalista, sem nenhuma referência social e política.

Mantém dois diálogos antagônicos com naturalidade. Ao realizar um trabalho em uma empresa automotiva famosa na grande São Paulo, há uns 2 anos, deparei-me com cultos religiosos diários,e uma forte ação de proselitismo religioso no interior da mesma, competindo paralelamente com o sindicato, os corações e mentes dos trabalhadores.

Poderiam estar falando a mesma coisa, mas o fundamentalismo brasileiro estabelece linguagens bem diferentes, até contrárias, em certas circunstâncias.

Assim, a escolha que Serra acenou desde o início de sua campanha buscou atingir o eleitor “por fora”.

Este cenário levou a um desgaste de Dilma no primeiro turno, e a transferência de votos, que a alto custo estancou a perda, recuperando apenas parte destes eleitores.

2) O crescimento das classes médias no país, fruto do crescimento econômico das duas gestões Lula, paradoxalmente provocou uma aversão pelo estilo de vida voltado para o pobre, às políticas de bolsas para os mais pobres.

Vamos esclarecer: Dilma foi clara em desejar tornar o Brasil um país de classe média, mas foi exatamente nestes extratos que houveram resistências a um governo de cunho popular

-É preciso ensinar a pescar, e não dar o peixe – diziam.

Quando veio a campanha, parou-se com este estilo, par não dar na vista a posição contrária à Bolsa Família, mas já estava responsabilizado o governo pela “manutenção de um reduto eleitoral cativo e submisso”.

A passeata de final de campanha de Serra no segundo turno teve ares alegóricos, com madames e senhores no centro da cidade, além do uso de funcionários públicos convocados e trazidos em ônibus.

O mesmo se viu no Rio, com caravanas vindas de vários estados para “invadir a orla de Copacabana”. Não houve massa organizada, mas elite desesperada.

O pensamento dominante na classe média, não foi o de discussão de plataformas de governo, mas o de “se livrar da corrupção” em que o governo “estaria mergulhado”, e portanto “se livrar do governo”..

Daí a campanha ter enfatizado a todo instante que o candidato era “do bem”.

Tinha um nítido interesse em manter acesa a idéia moralizadora contra a corrupção.

3) O empresariado (principalmente o do sul, mas também no restante do país, excetuando talvez alguns estados do NE) que era flertado e aderia ao governo nestes 8 anos, deu uma guinada para a oposição, como oportunidade de exclusão do governo popular.

Quando se deu a partida para as eleições é que se viu com surpresa este descolamento do empresariado da cidade e do campo. Este setor deu o tom para a campanha, denegrindo, agindo via mídia, usando de todos os meios para impedir a continuidade do governo atual.

4) Diversas ONGs, instituições “independentes”(na verdade formadas com o objetivo explícito de ser base de apoio) e religiosas de ação social tiveram um papel imenso para a sustentação da oposição, envolvidas que estavam em políticas assistenciais dos governos estaduais e municipais.

Estas ONGs acabaram se tornando poderes paralelos ao longo destes 50 anos, concorrendo com o Governo, com o Congresso, e principalmente com os partidos políticos, que foram sendo cada vez mais transformados em poderes “podres e superados”.

A oposição não conseguiu mobilizar a massa, mas influiu na formação da opinião pública. Lembra muito a antiga “maioria silenciosa”, que não age, mas vota,

Ela se envergonhou por ser contra.

Nunca explicitou seu apoio ou encheu o carro de adesivos, mas incriminava o governo a todo instante.

Foi uma luta muito grande reverter esta tendência que, por sinal, está bem viva, esperando nova oportunidade.

Não tenho dúvida que novas crises serão fabricadas com esta intenção demonizadora.

Cabe ao Governo de Dilma ser uma gestão de grande iniciativa, nos vários campos exaustivamente divulgados em campanha.

Não mais irão amaciar. Preparem-se

Ufa! Voltou a paz ao país.


- Ufa- dirão alguns- até que enfim terminou a eleição.
- Já não aguento mais tanta baixaria!- dirão outros.

O fato é que um processo eleição, que envolve cargos tão importantes, como o de Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Estaduais, acaba por envolver, ainda que obrigatoriamente, todos os brasileiros numa engalfinhada luta verbal pelo poder.

Agora que estamos mais relaxados, podemos dizer que não foi uma eleição fácil.

Considerando a capacidade do Governo Lula de entrar na campanha com uma ampla aliança já estruturada e substantiva, e de jogar ele próprio o seu prestígio pessoal na vitóra de Dilma, é de se surpreender o resultado obtido pela oposição.

É de se perguntar se Serra entrasse nesta campanha com propostas e planos de governo realistas, em vez da colcha de retalhos, do tipo "Mínimo de R$600,00", "Mutirões de saúde", "União pela Educação", etc, poderíamos estar diante de um confronto mais difícil. Porque o povo brasileiro não entraria numa conversa onde não visualizasse caminhos. E neste aspecto, Dilma, por ser já achegada ao poder federal, foi muito mais efetiva no convencimento.

Bem, são águas passadas, importa que o fim do processo eleitoral fez arrefecerem os corações. Do ódio da alta classe média paulista aos eleitores de Dilma, tratando-os como traidores de São Paulo à mansidão da aceitação da realidade dos resultados, e enxergando até características positivas em Dilma, quando de seu discurso.

Isto significa que as pedras foram devolvidas ao chão, diferentemente de Serra que, lembrando velhos tempos de militância abandonada declarou: "A luta continua!".

A realidade da vitória é contundente e apagará por um bom tempo a Murina e Serra, que procurarão manchetes como mineiros que escavam e escavam, sem encontrar nada.

Mas Dilma, não. Ela deverá mostrar a que veio, e que, ao contrário que a oposição e a mídia dizem, ela é sim descolada de Lula e tem pensamento próprio, sem divergir de seu parceiro e incentivador. E este é um desafio que só Dilma poderá fazer.

Pelo que dela conhecemos, vemos características de uma pessoa determinada, enérgica,   e também durante a campanha, alguém simpática e generosa.

Definitivamente ela não é boa oradora. Talvez o tempo venha a cobrir este lado tão importante, pois sabemos que toda capacidade perde importância diante de uma oratória pouco convincente. Ela é mais efetiva, quando exaltada, mas tem pequenos vícios de repetição de palavras, gaguejos, e silêncios, que provocam importantes interrupções no entendimento de seus ouvintes. Nada que um bom treinamento não possa resolver.

A oposição sinalizou que daqui para frente irá para o pau, para o confronto. Não vai dar moleza, mas fará oposição firme desde o início. Por isso, Dilma deve ser rápida nas ações, nas correções quando forem necessárias, nas obras, e fazer logo a composição ministerial, com o mínimo de divergências e buscando talentos, com os interesses políticos.

Não indicar sem analisar competência. O Brasil não quer figurinos, nem molduras, quer ministros REALIZADORES. Os partidos coligados vejam bem este aspecto, porque temos grande responsabilidade diante da nação, e Dilma, diante das mulheres em tornar nosso governo um governo de ação.

Vamos sentir saudade da tranquilidade de como Lula conduziu sua segunda gestão, e tratando das divergências com sua elevada capacidade de negociação. Igualmente temos muita esperança na efetividade de Dilma, o que parece ser sua marca.

Por enquanto este UFA dá-nos tempo, curto tempo, para refazermos nossas energias, desgastadas deste confronto inglório, que quase cindiu a nação.

Mas que as elites também saibam: a vontade popular de prosseguir na contrução de uma nação livre, poderosa, independente, mas também solidária e igualitária, é inquebrantável e resiliente, suporta todas as pressões.

Não se iludam com o povo brasileiro, porque "já raiou a liberdade no horizonte do Brasil".

O povo sabe seu caminho. Basta não traí-lo, nem serví-lo de maneira ineficiente. Temos que ser realizadores. Transformar a realidade social do Brasil enquanto fazemos o seu desenvolvimento.

Que os mortos enterrem seus mortos




Murina da Silva mais uma vez etá em cima do muro. Diz que talvez quando for velhinha se venha a saber em quem ela votou. O que importa? A eleição já ficou definida sem a Murina...

Assim, não precisa dizer mesmo em quem ela votou naquele sarcófago, perdão urna. Imagino que ter outra mulher na Presidência que não ela, deve ter mexido com sua vaidade, perdão humildade evangélica.

Que fique a lembrança do abandono de opinião que a Murina teve neste período, verdadeiro abandono da memória passada junto a Lula, diante da vaidade derrotada no sarcófago, aliás urna. Vazio de opinião de quem não consegue ver na frente senão a si mesma. É um tipo de esclerose política, que só se resolve quando se quebram os espelhos.

Espelho espelho meu, existe alguém mais eco-sustentável do que eu? Não é desta forma que Murina sairá do muro. Levando-se em conta a quantidade de votos que o Acre deu a Serra (70%), creio que é mais fácil advinhar em quem ela votou. Mas não faz mal, a eleição acabou.

De outra parte vejo a transformação de William Bonner em sua relação conturbada com Dilma. Como diria o sertanejo, "entre tapas e beijos"; e acrescento: tapas durante a campanha, ao apoiar Serra, e beijos, na derrota, mudando rapidamente o figurino.

Dilma, neste troca troca de perfil público. foi a que manteve o mesmo figurino. Lógico, deixou escapar um sorrizinho irônico, nada perceptível, afinal, é meio engraçado mesmo, ver estes figurões se adequando à vontade do povo, para manter sua influência.

Dilma já havia sinalizado em seu discurso pós resultados, que considera fundamental a liberdade de imprensa, tranquilizando a mídia serrista de que não haveria revanchismo, bem ao jeito dela, apesar de afirmarem ser ela durona.

Neste dia 02 de novembro, em que nós reverenciamos os nossos mortos que se foram, devemos também identificar os mortos que continuam conosco. Mortos para a vida, mortos para a erradicação da pobreza, para a falta de terra. Mortos para a partilha, e vivos para o egoísmo e para a ganância, a acumulação e o individualismo.

É muito fácil morrer em vida. Isto, independe de posição política, ou cultural. Basta não perceber seu tempo, e ir contra a grande construção humana por um mundo novo, sem dores, exploradores, mundo de paz e solidariedade.

Devo sonhar?

Sim, sonharei, a cada dia, cada hora. Sonharei com um mundo de oportunidades, de crescimento, de aproveitamento de todos os talentos e capacidades.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Se Deus existisse, diria a Dilma, depois das eleições:



Se Deus existisse, agora que as eleições terminaram, Ele diria:


_ “Querida Dilma, como você vê, com esta vitória que você conquistou, Eu estive contigo durante todo este percurso.

Desde aquele linfoma que te atingiu, nas vésperas das eleições eu tentei te alertar, que a vida é frágil, e devemos rapidamente, largar a vaidade e a soberba, tornando-nos mais simples e fraternos.

Penso que aquele momento acrescentou muita humanidade para você. Achei que, embora nada tivesse com aquilo, era importante aproveitar a ocasião para incutir-lhe estas qualidades.

Imagino como deve ter sido difícil colocar aquela peruca sobre a cabeça, e sair por aí diante dos holofotes da Mídia, ansiosa de manchetes catastróficas, e pior, dos adversários políticos, que esperavam seu eclipse antecipado (nunca diriam isto, mas pensavam. Eu vi os seus pensamentos).

Ali você desconfiou que Eu andasse por perto de ti, não foi?

Mas você não me conhecia bem, e um dia deixou-me às gargalhadas pelas suas respostas a uma entrevista com o Datena, onde disseste que era muito ligada a deusa Nossa Senhora. Você não imagina Dilma, o quanto minha mãe, a Virgem Maria ficou constrangida comigo. Mas eu estou acostumado e não ligo, porque Eu compreendo o que está por trás disto tudo, que é sua busca por um sentido para a vida.

Dilma, quando um monte de gente que diz ser Meu seguidor, começou a destruir sua imagem, entre estes; padres, pastores, bispos, fiéis, até o Papa entrou nesta barca ao final, sinceramente lamentei existir tantas pessoas que me invocam erradamente, e falam em Meu Nome de maneira tão irresponsável.

No púlpito demonstram conhecer Minha palavra, mas não fazem nenhuma relação com a realidade social em que esta palavra deva ser aplicada. Estes terão que se haver comigo no final, por estas coisas.

Acostumaram-se em se rodear de pessoas ricas, e em ter posses, esquecendo-se do principal, que é o pobre

Disseram que você matava criancinha, e era pelo aborto. Bem, sei que em sua cabeça esta questão está em transformação, mas definitivamente, você não é assassina de criancinhas. Por isto, não pude aceitar esta falácia em Meu Nome, e tive de induzir, muito indiretamente (porque tenho um compromisso pela liberdade que concedi), a alguns de Meus escolhidos para irem confortá-la e se expressarem em público para esclarecer o povo.

Sabe Dilma, Eu não concordo com o aborto, porque desejo que todos vivam, mas compreendo sua preocupação, principalmente com as jovens mais pobres, que, em desespero, fazem aborto naquelas clínicas imundas.

Quando aqui chegam aqui com seus filhinhos que nem nasceram, mostram-se muito arrependidas, e você sabe, como sou misericordioso...

Aproveitei para dar-te um neto, para sedimentar a idéia de que os pequeninos não têm ninguém que os defenda, quando ainda estão no útero de suas mães.


O outro candidato, Dilma, o Serra, também é um Meu querido. Mas ele é de outro jeito, gosta de usar minha Igreja, e por ser católico pensa que irá obter meu apoio de carteirinha por causa disto. Já deixei um texto interessante que por aí chamam de "Filho Pródigo", mas parece que não entenderam. Ele foi a todas as festas religiosas, se introduzindo no meio como um fiel, para logo ser descoberto, e pedir apoio.

Sabe Dilma, Eu gosto de diferenciar estas coisas: para Mim o culto é culto, e a política é política. Não é bom que se faça política no culto, porque se deprecia a oração de quem se dirige à Igreja. Depois, Eu tenho fiéis de todas as tendências, e isto pode deixá-los divididos. Tenho certeza de que isso é coisa do diabo.


Preferi você, em suas poucas idas à Igreja, porque vi sinceridade em seu coração, longe daquele beatismo superficial, que me deixa desesperançado com a criação. Sabe Dilma, eu detesto gente que finge em Minha presença dando a impressão que Me amam, pensando que Me enganam. Pensam que Eu seja um ignorante, um deus que possa ser enrolado. Ora, pelo amor de Mim mesmo....

Sua vitória Dilma, passou pela minha aprovação, e incuti no coração do povo brasileiro o discernimento entre uma candidatura voltada aos mais pobres e outra candidatura ligada aos mais ricos. Preferi você Dilma, porque vi em você mais humanidade com o meu povo brasileiro. O Serra vai superar a derrota, e espero que ele, repense a forma de se fazer campanha eleitoral, porque falar de valores e moral, logo para Mim, que vejo tudo, não pega, não é mesmo?

Bem, não fique muito vaidosa pela minha escolha. Lembre-se que agora suas responsabilidades são infinitamente maiores, e cobrarei mais do que o que perdeu. Estou de olho em você, querida Dilma. Peço que não te esqueças de Mim. Eu sou um Deus carente, que tem saudade permanente de você.

Não diga Meu nome sob pressão, só para atender aos provocadores, mas faça como em Aparecida, aparecendo repentinamente. Prefiro assim, com sinceridade.

Bem Dilma, vou ficando por aqui. Lembre-se que estou ao seu lado. Não tenha a vergonha de dizer Meu nome ou de Meu Filho, tanto faz, porque eu quero ver se você sabe Me usar quando for necessário.

Quero ser lembrado além das dificuldades, como no discurso que fizeste com seu staff logo após saber da vitória, e não fui citado.

Tudo bem, não se preocupe, estou acostumado a ser esquecido, quando os problemas terminam.

Boa sorte. Conte comigo. Saiba que Eu estou no meio deste povo, ávido para te ajudar”.

ESPERA INDEFINIDA

  A cama está a espera... reluto. Uma ânsia indefinida  mantém os olhos abertos. Um examinar tudo  permeia o silêncio. Todos dormem...  tamb...