domingo, 23 de dezembro de 2012
Desnatal
Mesa sendo preparada
corações em sentido.
Algo grandioso e antigo
cresce no meio do povo
questionando, em silêncio,
a insensatez
insensibilidade
a omissão
exploração
a fome.
Notícia repetida
de uma novidade
que não se esgota,
convidando,
diuturnamente,
o mundo
a abandonar
as guerras.
Não intervém
podendo,
não acusa,
conhecedor
de tudo.
Distribui
a riqueza
e a liberdade,
aos poderosos,
para explorar;
aos assassinos,
para matar;
aos tolos,
para sucumbir;
aos pequenos,
para sobreviver.
Ama incondicionalmente
o bom e o mau
sem exceção.
o que o torna
incompreensível
a muitos,
e abandonado
pela maioria
que continua
fazendo o
trajeto
de sempre.
As mãos
continuam
estendidas.
em meio
a costumes
distantes.
A grande
transformação
está para ser
repartida,
sonolenta
e bisonha.
alguém grita
nas ruas
um canto
desaparecido.
Foi-se no tempo.
Quem sabe
renascendo
possa causar
o desassossego
tão desejado.
Mas não,
escondido
em meio
a presentes
perus
tenders
pernis
já quase
não aparece
mais.
Nasça, Filho do Homem!
Teime no amor, este banido!
O tempo já passou
e ninguém percebeu!
sábado, 22 de dezembro de 2012
Os poetas oficiais e a pobreza cultural. Réquiem a Flávio Maia
Como é difícil atingir a notoriedade, tornar-se conhecido.
Conheço poetas que acham que a notoriedade advém da permanência, da constância, batalhando livro a livro a admiração do leitor.
Já velhos e todos cheios de si, continuam acreditando que são o suprassumo da literatura, da poesia.
Conversa fiada!
Muito cedo percebi como este ambiente "intelectual" se masturba órfão por "criações" que não terão continuidade, perpetuidade, seja lá o que for, morrerão, tão logo os seus "criadores" morrerem.
Existem outros com boas obras, acadêmicas, bons conhecedores de literaturas, bons professores, mas maus escritores. Pensam igualmente que, por força de seus conhecimentos, serão igualmente bons de letras.
Também é um engano.
O pior, é que ocupam espaços inúteis durante décadas, impedindo as estrelas de brilharem naturalmente.
Fico a pensar...a sociedade merece a eles?
Certamente que não.
Por outro lado conheci escritores, poetas que morreram cedo sem serem conhecidos, com grandes virtudes, e colocando a letra na veia da vida, comungando palavra e ações ao mesmo tempo. Morreram jovens e desconhecidos. Provavelmente passarão pelo anonimato da sociedade.
Apenas estes, revolucionários, transformadores, sonhadores selarão um compromisso com a verdade.
No infinito, irreal, no sobrenatural, inimaginável, as edições rodam entre as estrelas com os versos perfeitos dos que foram esquecidos por sua época, para deleite dos libertados.
Destes, sobressai em meu passado universitário, um amigo para quem devo o compromisso de resgatar sua beleza perdida no tempo.
Trata-se de Flavio Maia.
Eram os anos de chumbo.
A cada dia prendiam um colega na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.
Estudávamos nos barracões da Cidade Universitária.
De nossa turma de 1970 uns foram presos e torturados, outros suicidaram, outros simplesmente já morreram.
É o caso de Flávio.
Nem sei do que morreu, sei apenas que ao ligar para sua casa, um dia, meses depois de tê-lo visto pela última vez, na região da Paulista, uma voz feminina, de senhora, surpresa, do outro lado, chorando, dissera que ele morrera.
Desliguei o telefone chocado.
Ainda não aprendera a chorar, de modo que a notícia provocou um hiato por anos, até dar-me conta da tremenda perda que tivera.
Flávio dizia-me, lembro-me, que sua obra era apenas uma, que se estendia por diversos livros.
Ele dava conta, antes que eu pudesse refletir, da limitação humana, da diversidade imensa do mesmo.
Estávamos em uma época em que a repressão endurecera bastante, e víamos nas drogas uma forma de contornar a situação, aliviar aquele sentimento de prisão em que vivíamos.
Recitávamos entre nós, na FFCL da USP nossos poemas nas semanas, nos intervalos das aulas.
Flávio sempre risonho, e com bom vozeirão, recitava como a descoberta de uma terra nova.
Mais tarde escreveu o seu livro PULSAÇÕES.
Deixo trechos deste livro para os meus leitores:
Mas o que busco?
Meu diário foi queimado.
Cálice que transborda solidão.
e me conduz à deriva
pelas ruas da cidade.
xxxx
Os homens e mulheres de minha rua passam
e me cumprimentam como
não houvesse um poeta em mim.
A eles interessa a minha contenção,
a gestualidade leve do aceno de mão,
o olho que perscruta sempre com discrição,
e a fugidia voz,
calcada de antemão.
Mas a você, concreta, louca de meus passos,
louca que atingiu meu cheiro, o corpo
(o homem que há neste poeta, enfim),
o que interessa além do beijo, do orgasmo, da mão?
O que interessa além do braço, do companheiro,
para habitar sua amplidão?
xxx
É tanto detalhe,
é tanto olho-mercúrio procurando a alma da noite,
o seu elam, que nós,
os que sucumbiram
mas soltaram o seu olhar na queda
e penetraram tudo: a terra, as plantas,
pingos d'água,
gelo, chuva,
já sabemos que o degrau não vale a porta,
que as escadarias não são mais do que um caminho,
simples turbilhão de passos,
conduzindo os nossos olhos a mais um teatro,
palco desconhecido onde seremos o oprimido,
o opressor, o que procura
o que não sabe, ou ainda tudo isso.
xxx
Flávio Maia permanece em meu coração sem imprensa, sem associações, projeções.
Permanece na limpidez de quem não se vendeu, não se adaptou, não se curvou, não se tornou conveniente.
Sua morte precoce permanece em mim até hoje, no limiar do tempo.
Viva Flávio Maia!
Poeta dos esquecidos!
Conheço poetas que acham que a notoriedade advém da permanência, da constância, batalhando livro a livro a admiração do leitor.
Já velhos e todos cheios de si, continuam acreditando que são o suprassumo da literatura, da poesia.
Conversa fiada!
Muito cedo percebi como este ambiente "intelectual" se masturba órfão por "criações" que não terão continuidade, perpetuidade, seja lá o que for, morrerão, tão logo os seus "criadores" morrerem.
Existem outros com boas obras, acadêmicas, bons conhecedores de literaturas, bons professores, mas maus escritores. Pensam igualmente que, por força de seus conhecimentos, serão igualmente bons de letras.
Também é um engano.
O pior, é que ocupam espaços inúteis durante décadas, impedindo as estrelas de brilharem naturalmente.
Fico a pensar...a sociedade merece a eles?
Certamente que não.
Por outro lado conheci escritores, poetas que morreram cedo sem serem conhecidos, com grandes virtudes, e colocando a letra na veia da vida, comungando palavra e ações ao mesmo tempo. Morreram jovens e desconhecidos. Provavelmente passarão pelo anonimato da sociedade.
Apenas estes, revolucionários, transformadores, sonhadores selarão um compromisso com a verdade.
No infinito, irreal, no sobrenatural, inimaginável, as edições rodam entre as estrelas com os versos perfeitos dos que foram esquecidos por sua época, para deleite dos libertados.
Destes, sobressai em meu passado universitário, um amigo para quem devo o compromisso de resgatar sua beleza perdida no tempo.
Trata-se de Flavio Maia.
Eram os anos de chumbo.
A cada dia prendiam um colega na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.
Estudávamos nos barracões da Cidade Universitária.
De nossa turma de 1970 uns foram presos e torturados, outros suicidaram, outros simplesmente já morreram.
É o caso de Flávio.
Nem sei do que morreu, sei apenas que ao ligar para sua casa, um dia, meses depois de tê-lo visto pela última vez, na região da Paulista, uma voz feminina, de senhora, surpresa, do outro lado, chorando, dissera que ele morrera.
Desliguei o telefone chocado.
Ainda não aprendera a chorar, de modo que a notícia provocou um hiato por anos, até dar-me conta da tremenda perda que tivera.
Flávio dizia-me, lembro-me, que sua obra era apenas uma, que se estendia por diversos livros.
Ele dava conta, antes que eu pudesse refletir, da limitação humana, da diversidade imensa do mesmo.
Estávamos em uma época em que a repressão endurecera bastante, e víamos nas drogas uma forma de contornar a situação, aliviar aquele sentimento de prisão em que vivíamos.
Recitávamos entre nós, na FFCL da USP nossos poemas nas semanas, nos intervalos das aulas.
Flávio sempre risonho, e com bom vozeirão, recitava como a descoberta de uma terra nova.
Mais tarde escreveu o seu livro PULSAÇÕES.
Deixo trechos deste livro para os meus leitores:
Mas o que busco?
Meu diário foi queimado.
Cálice que transborda solidão.
e me conduz à deriva
pelas ruas da cidade.
xxxx
Os homens e mulheres de minha rua passam
e me cumprimentam como
não houvesse um poeta em mim.
A eles interessa a minha contenção,
a gestualidade leve do aceno de mão,
o olho que perscruta sempre com discrição,
e a fugidia voz,
calcada de antemão.
Mas a você, concreta, louca de meus passos,
louca que atingiu meu cheiro, o corpo
(o homem que há neste poeta, enfim),
o que interessa além do beijo, do orgasmo, da mão?
O que interessa além do braço, do companheiro,
para habitar sua amplidão?
xxx
É tanto detalhe,
é tanto olho-mercúrio procurando a alma da noite,
o seu elam, que nós,
os que sucumbiram
mas soltaram o seu olhar na queda
e penetraram tudo: a terra, as plantas,
pingos d'água,
gelo, chuva,
já sabemos que o degrau não vale a porta,
que as escadarias não são mais do que um caminho,
simples turbilhão de passos,
conduzindo os nossos olhos a mais um teatro,
palco desconhecido onde seremos o oprimido,
o opressor, o que procura
o que não sabe, ou ainda tudo isso.
xxx
Flávio Maia permanece em meu coração sem imprensa, sem associações, projeções.
Permanece na limpidez de quem não se vendeu, não se adaptou, não se curvou, não se tornou conveniente.
Sua morte precoce permanece em mim até hoje, no limiar do tempo.
Viva Flávio Maia!
Poeta dos esquecidos!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Cinco maiores arrependimentos antes de morrer
Se as pessoas pensassem antes, a humanidade seria melhor e mais feliz.
Mundo desatento
Como as pessoas se esquecem de sua transitoriedade, sua brevidade, e se entregam a ações superficiais e levianas em seu dia a dia.
Sim, a medicina está avançada, em termos.
Basta um mioma, não importa a idade, e começa a luta pela sobrevivência.
Aí se desfaz a aparência da vida, e logo o indivíduo é colocado a refletir sobre aquilo que ele antes não fazia.
Repensar e redirecionar rapidamente a vida, num caminho de paz e de amor ao próximo faz parte desta corrida, lógico, depois de uma boa descoberta de seu sentido último.
Paródia do dia.
Sim, a medicina está avançada, em termos.
Basta um mioma, não importa a idade, e começa a luta pela sobrevivência.
Aí se desfaz a aparência da vida, e logo o indivíduo é colocado a refletir sobre aquilo que ele antes não fazia.
Repensar e redirecionar rapidamente a vida, num caminho de paz e de amor ao próximo faz parte desta corrida, lógico, depois de uma boa descoberta de seu sentido último.
Paródia do dia.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
O resgate do veado
O veado não pode mais dar os seus saltos elegantemente, porque é pejorativamente confundido com o homossexual. Não pode estufar o peito no meio da campina, que já acham o animal delicado. Enfim, é hora de dizer que se alguém quer ter a vida que quiser, isto é problema da pessoa, mas vamos poupar o pobre bicho deste preconceito humano em cima dele. Deixemos o veado ser veado, ser um bicho como outro qualquer. Em tempo de defesa intransigente do meio ambiente e espécies em extinção, nada melhor do que marcar esta diferença. E o homossexual e os homófobos deixem o pobre do veado em paz
sábado, 8 de dezembro de 2012
Grande imprensa está angustiada com os processos de regulamentação do setor que envolvem países do Mercosul
A fonte de dindin fácil para denegrir os governos de base popular está se esgotando. A Presidenta argentina está numa batalha jurídica feroz para impor restrições aos fabricantes de calúnias, e parece que o imbróglio ainda vai ter continuidade. A rede Globo, noticia qualquer pulguinha que surja nesta área pois vê que em futuro próximo este assunto resvalará no Brasil. Também pudera. Este desavergonhado PIG (Partido da Imprensa Golpista) deixou de denunciar Geraldo Alckmin durante a campanha, sobre a guerra do tráfico em São Paulo, para ajudar o seu candidato que afinal foi derrotado. Denunciou quando a repercussão do assunto não teria mais prejuízos políticos. E agora, mais do que depressa, volta à campanha de difamação de Dilma, em conluio com a PF. Enquanto isso o PSDB lança a candidatura do encharcado (sabe-se lá de que) do Aécio Neves, neto muito muito distante do velho Tancredo. Afinal o Aécio vai ou não usar o bafômetro.
PORQUÊS
Porque esvoaçam os brilhos que descansam no olhos? Os ninhos que se ocultam na boca, chocam verdades? Não eclodem? As sombras disfarçadas pe...
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O caso da advogada Mércia Nakashima está bastante esclarecido, mas onde está o truculento Mizael Bispo, ex namorado da Pobre Mércia. Estar...
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julho 23, 2024 A verdade dói, quisera não dizê-la. Calar-me? Não posso, a maioria não suporta. A verdade exclui seus defensores, mata-...
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Sou pequeno... tenho apenas duas mãos... mal comportam meu sofrimento. Diante do mundo, o que penso é um grande nada enigma disfarçado...
