sábado, 20 de janeiro de 2024

DEVIR

 

Quando chegar
o tempo da colheita
desperte sonhos
nos olhos vazios.
Lembre do mar
lambendo a areia
afã de avançar e recuar,
esforço permanente
sob os limites dos pés,
ou quando as folhas
despencarem frágeis
dos fortes galhos
saudosas das raízes,
frutos amadurecem
o fim dos tempos.
Galhos sustentam,
folhas caem
adubam raízes,
acontecimentos
espraiam ondas
sabores novos,
frutos desconhecidos.

INCOMPREENDIDO

 

Não quero ser compreendido!
Nem mesmo eu me entendo?
Há mais sabor
em ser incompreendido...
inodoro é compreender.
Impossível compreender;
uma incompreensão,
envolve limites
da racionalidade,
aporias....
Preocupa-me
os que facilmente
aceitam os fatos
como estão.

Tudo tão claro!
Falta percepção,
espírito crítico. .
Assim vou,
de incompreensão
em incompreensão.
Também, não precisam
compreender
o que quero explicar...

Deixemos como está.

domingo, 14 de janeiro de 2024

TRANSITORIEDADE

 Que a morte

não seja surpresa

a pegar distraída

a presa.

Caminha escondida
à vida,
sombra permanente
de poente.

Alegra-se com as flores
perfumadas,
pisa a terra onde vive
passo a passo,
cadafalso
de caminhadas inúteis.

Uma névoa permanente
sussurra na gente,
que não quer ver.

Mantém prontidão
diante da distração,
em que repousa a rotina.

Faz chacota dos projetos,
amiga das consciências profundas.
Morte sorrateira!
Brada companheira!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

NOITE & DIA

 

Quando a manhã
despedir-se da noite
voltaremos
a nos desconhecer
esquecendo-nos
dos beijos
entremeados,
palavras extintas.
Quando o Sol
assenhorear-se
sobre todos e tudo,
e a realidade
da sobrevivência
impuser-se
como mandamento,
talvez o sonho
seja a memória
da noite,
campo
dos prazeres
esquecidos
lagos
que aprisionam
a paz.
O calor endurece
a tez endurecida,
juras sussurradas
confissões....
O dia arrefece,
caminha sério
com a razão.
Não se entendem,
não se confraternizam...
Dia e noite...
Noite e dia...
Todas as re

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

UM INSTANTE

Só mais um instante...

te ligo em seguida.


Preciso resolver 

uma situação

complicada

mas retorno 

logo.


É urgente?


Me desculpe

estou meio corrido.


Não faço ideia

do tempo

que levarei.


Podemos marcar

uma conversa

para outra hora?


Vou ver meu tempo.


Te ligo depois

deixando um recado.


Ando tão cheio 

de tudo

pra fazer...




 

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

O QUE FAZER COM 2024.

 Não consigo pensar isolado mais. O planeta ficou pequeno e muitas as responsabilidades que se colocam, a ponto de, a priori, sentirmos uma impotência. 

Cresce o fascismo no mundo, aumentam os lugares onde as guerras de espalham,  aumentam as possibilidades de novas epidemias,  vemos mudanças ambientais, não mais como possibilidade, mas realidade. 

É neste quadro que estamos inseridos.

Qual a saída?

Ignorar...

Fingir que não temos nada com isso?

Ou buscar enfrentar tudo, apesar das imensas dificuldades?

Fazer sua parte, em algum projeto específico?

Qual a saída?

Além disso, devemos considerar as distâncias entre nossas intenções e a realidade concreta, que muitas vezes nos faz reproduzir aquilo contra a qual lutamos, que em psicologia chamamos de dissonância cognitiva.

Lutamos contra nós mesmos e contra tudo.

Mas há luz no fim do túnel. 

Há um novo homem e uma nova mulher lá no final do túnel. 

Somos a solução para nós mesmos.

Você crê assim também?

DESABAFO POÉTICO

 


Queria tempo 

para escrever, 

mas os afazeres diários?


Tenho um poema 

recitando na mente, 

mas os jornais 

jorram sangue e fome.


Dissertar 

o amor, 

em meio 

a tantos crimes 

perde a radiância.


Há tempo para tudo 

e tempo para nada.


Como desejaria 

caminhar

sentar 

num banco de praça 

observar  e escrever, 

mas estamos sempre

sendo solicitados.


Desejaria

passar tempos 

incontáveis 

juntando palavras 

a pensamentos 

e voar. 


Como me faz sofrer 

ter o que escrever 

e não fazer.


Quantos poemas 

perderam o Time

dissolveram-se

no Sol.


Resta a noite  

ao poeta

dormir geral...


Resta levantar-me 

em silêncio 

acostumar-me à escuridão 

e pescar poemas.

PORQUÊS

Porque esvoaçam os brilhos que descansam no olhos? Os ninhos que se ocultam na boca, chocam verdades? Não eclodem? As sombras disfarçadas pe...