sexta-feira, 5 de abril de 2024

VIRANDO FOLHAS

Viro uma folha

Eu!

Viro outra folha

Eu!

Mais outra folha

Eu!

Em todas elas

um eu que se descobre...

Em todas elas

um eu que se perde!


Quem sou

está acontecendo

Quem sou

está  se ausentando

Quem sou

nunca se sabe

se encontra.


Continuo virando 

sempre as folhas.


Não paro de virar

e continuar sendo

eu

eu 

eu 

eu


Viro sempre

as folhas

nunca terminam.


Sou como as folhas

virando

virando

quinta-feira, 4 de abril de 2024

TUDO MUITO ESTRANHO (de João Scortecci editor)

 

O mundo anda mesmo estranho. Ontem de manhã, sol ainda acordando, lentamente, saindo por detrás de um prédio mais estranho ainda – torto e de dar medo – construído no terreno da antiga Cooperativa Agrícola de Cotia, em Pinheiros, ao lado da estação do Metrô Faria Lima, já estacionando na garagem da editora, quando passei com o carro por cima de alguma coisa estranha, na calçada. Parei. Olhei e não vi nada. Abri o portão automático e entrei com o carro. Ao entrar, observei, à esquerda, a poucos metros de distância, um rapaz, jovem, estranho, com um bebê no “canguru”. Provavelmente estava aguardando um Uber, uma perua escolar, ou um carona. Estou há 11 anos nesse endereço e confesso: foi a primeira vez que os vi, no pedaço. Desci do carro para ver o que havia atropelado. Sacos de lixo, que se rasgaram e sujaram a calçada. Lixo do vizinho – casal de idosos estranhos – que adoram o meu poste. Chamo de “meu”, porque o danado está grudado estranhamente na entrada da minha garagem. O lixo da editora – na sua totalidade composto de papel – é recolhido diariamente por uma empresa de reciclagem terceirizada, que atende, também, a livraria e a gráfica. Examinei o lixo esparramado: restos de comida, cascas de frutas, embalagens de leite, macarrão e pão velho. Que desastre! A ideia era entrar no prédio, pegar vassoura, pazinha, saco de lixo e recolher tudo. Mais tarde, depois das 8 da manhã, quando a faxineira chegasse, pediria que lavasse a calçada, operação feita, pontualmente, toda semanal. Quando estava abrindo a porta do escritório, o jovem estranho, com o bebê no “canguru”, apareceu no portão: “O Senhor atropelou o lixo!”. Gritou e foi embora. Abri o portão e o encarei. Ele me ignorou. Dar uns “tabefes”, às 6 horas da manhã, num jovem com um bebê no canguru, confesso, não é nada prático e muito menos recomendado. Mesmo que, vez por outra – estranhamente – tenha saudade do tempo de menino onde resolvíamos tudo no braço. Respondi: “Não vi.” Recolhi o lixo, com a ajuda de uma colaboradora que entrou às 6h30 da manhã e – na primeira hora do expediente – pedi para que lavassem a calçada. Hoje de manhã, estranhamente, no mesmo horário, 6 horas, reencontrei o jovem com o bebê no “canguru”. Nos encaramos, estranhamente. Já disse: o mundo anda estranho, e eu – mais atento que tudo – ando, com todo cuidado, de olho no lixo do poste. Atropelar sacos de lixo é algo estranho. Muito estranho.
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quarta-feira, 3 de abril de 2024

S01-E03 • Descobrindo os Siris da Praia Dura de Ubatuba: Cuidados e Cons...

QUASE SEM SAÍDA

 A cidade se move 

Desperta as sirenes 

das ambulâncias , 

ônibus seguem 

com passageiros sonolentos 

inconscientes de seus destinos.


Os espaços estão ocupados.


Os motores cantam nas avenidas.


Pássaros calam nas árvores. 


Vermelho!

Amarelo!

Verde!

 

O semáforo é um sarcófago. 


Quem vai sair ileso disto tudo?

Quem vai encontrar a saída?


Não fossem as padarias e tudo estaria perdido.

terça-feira, 2 de abril de 2024

🎧 MÚSICA CELTA ~ Piano, Flauta ~ Inspirar, Estudar, Focar ~ Tranquilizar...

ANTES DA ALVORADA

 Quanto de mim ainda tenho?


Os dias vão

nos vãos

dos dedos......


Ocupações sobre ocupações

não sobra tempo.


A noite é a verdadeira

companheira!


Deixa a única presença possível.

Eu!


Ah a Humanidade que dorme....


Dorme Humanidade, dorme...


Em tua ausência 

encontro guarida

descanso de ti,

de tuas vastas 

insuficiências.


Quisera um mundo

das crianças

sem a consciência

da idade

da realidade


Um mundo de encontros


Noite esquecida de mim

quanto me refugio em ti.


O sono não vem...


O que espera de mim,

o amanhã?

SONHO DOS SONHOS

 Os sonhos 

vão despedindo-se 

no tempo.


Vem fortes, 

passam provações

da realidade

emergem

em mar imenso.


Buscam oportunidades...


Nem sempre presentes

criam  ideias temporãs

fazem dos olhos 

tochas acesas

percorrem distâncias

imensas

apenas para um ato

um alento.


Quando adentram 

mares desconhecidos

observam 

a energia empregada

a direção dos ventos

e rompem as madrugadas

solitárias

onde faunos flauteiam 

por sonolentas ninfas.

e palavras seguem leito 

rio afora,

 amálgama

das formulações.


Ai, o tempo o que faz dos sonhos...

Ajusta-os possíveis?

Irrealizáveis?

Empresta-lhes sonho aos sonhos?


Porque atrás dos sonhos

vão caminhos

de vida

com pedras 

e montes;

diante deles

vem caminhos

de esperança

com montes e pedras.




PORQUÊS

Porque esvoaçam os brilhos que descansam no olhos? Os ninhos que se ocultam na boca, chocam verdades? Não eclodem? As sombras disfarçadas pe...