sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Papa: os pecados da mídia são desinformação, calúnia e difamação


O Santo Padre pede aos meios de comunicação para falar com as pessoas como um todo, sua mente e seu coração, em seu discurso aos trabalhadores da televisão da Conferência Episcopal Italiana
Por Redacao
ROMA, 15 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) - Os pecados dos meios de comunicação são a desinformação, a calúnia e a difamação, foir o que disse o Santo Padre Francisco aos dirigentes, trabalhadores, funcionários e familiares da televisão da Conferência Episcopal, TV2000, que recebeu na Sala Paulo VI, nesta manhã.
Como de costume no Papa, desenvolveu seu discurso em três ideias principais, neste caso, "três pensamentos que tenho particularmente no coração sobre o papel do comunicador".
Em primeiro lugar, o Papa observou que os meios de comunicação católicos têm uma missão muito difícil no que diz respeito à comunicação social: "tentar preservar-se do que a corrompe para outras finalidades”. Aliás, Francisco alertou que muitas vezes a comunicação "foi submetida à propaganda, às ideologias, aos fins políticos ou de controle da economia e da tecnologia". Por isso, explicou que o que é bom para a comunicação é, em primeiro lugar, a paresia, ou seja, “a valentia para falar na cara, com franqueza e liberdade”. Se estamos realmente convencidos do que temos a dizer, as palavras vêm, disse o Papa. Mas "se estamos preocupados com os aspectos táticos, o nosso discurso será artificial e pouco comunicativo, sem gosto. Um falar de laboratório, e isso não comunica nada”. E assim, o Santo Padre advertiu que a liberdade é também a do respeito às modas, os lugares comuns, as fórmulas pré-concebidas; que ao final anulam a capacidade de comunicar: cada palavra tem dentro de si uma centelha, fogo de vida, despertar essa centelha para que venha. Esta é a primeira tarefa do comunicador”, afirmou.
Em segundo lugar, o Papa indicou que a comunicação evita tanto "encher" quanto "fechar". Se “enche” quando se tende a saturar a nossa percepção com slogans em excesso que, em vez de colocar no pensamento o lema, o apaga, explicou. E acrescentou que se "fecha" quando, em vez percorrer o longo caminho da compreensão, se prefere o breve de apresentar pessoas como se fossem capazes de resolver todos os problemas, ou, pelo contrário, como bodes expiatórios em quem despejar toda a responsabilidade. O Papa também observou um erro comum dentro de uma comunicação cada vez mais rápida e irrefletida: "correr rapidamente para a solução, sem permitir o esforço de representar a complexidade da vida real". Assim, observou a segunda tarefa do comunicador: abrir e não fechar, “que será mais fecundo quanto mais se deixe conduzir pela ação do Espírito Santo, o único capaz de construir unidade e harmonia".
Por fim, apontou a terceira tarefa do comunicador: “falar à toda a pessoa”. Por isso, Francisco pediu para evitar os que são os pecados dos meios de comunicação: a desinformação, a calúnia e a difamação. A esse respeito esclareceu que a desinformação “empurra a dizer a metade das coisas, e isso leva a não poder fazer-se um juízo preciso da realidade”. Uma comunicação autêntica – destacou – não está preocupada em bater: a alternância entre alarmismo catastrófico e desconexão reconfortante, dois extremos que continuamente vemos propostos na comunicação de hoje, “não é um bom serviço que os meios podem oferecer às pessoas”. Dessa forma, o Papa indicou que é preciso falar às pessoas em seu conjunto: à sua mente e ao seu coração, “para que saibam ver além do imediato, além de um presente que corre o risco de ser esquecido e temido futuro”.
Concluindo seu discurso, o Papa encorajou-os nesta fase que estão vivendo a "repensar e reorganizar vosso profissionalismo à serviço da Igreja", assim como lhes agradeceu pelo que fazem “com profissionalismo e amor ao Evangelho” e pelo seu “esforço de honestidade, profissional e moral com o qual quereis fazer o vosso trabalho”.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Jordânia: chega a 7 mil o número de cristãos refugiados por causa do Isis

Jordânia: chega a 7 mil o número de cristãos refugiados por causa do IsisCaritas Jordânia se preocupa pela falta de recursos
Por Redacao
16 de Dezembro de 2014 (Zenit.org) - Os cristãos iraquianos que fugiram de Mosul e da Planície de Nínive que encontraram refúgio no Iraque são agora mais de 7 mil, e os recursos disponíveis para sua assistência terminará em dois meses.
Assim disse hoje a agência de notícias Fides, destacando que o alarme vem de Wael Suleiman, diretor da Caritas Jordania. "O 70 por cento dos refugiados cristãos --informa Suleiman para Fides-- está concentrada na área de Amman. Uns mil deles estão alojados em 18 paróquias, outros encontraram alojamento em casas. Vivem sonhando em fugir para a América, Austrália e Europa, em um estado terrível de espera que afeta principalmente os jovens e as meninas em idade escolar: passam dias inteiros sem fazer nada, porque, por motivos burocráticos, não têm acesso a escolas da Jordânia".
Os refugiados cristãos do Iraque no Reino Hachemita têm um futuro incerto. "Como Caritas Jordania, diz Suleiman, estamos em apuros”.
Sustentamos os alugueis das famílias cristãs, distribuímos alimentos e artigos de primeira necessidade, mas daqui a dois meses os fundos destinados a estas iniciativas de assistência acabarão. Vamos ter que dizer às pessoas que deixem as casas e vão morar nas ruas. Até agora nos ajudaram a Cáritas Alemã e dos Estados Unidos. Mas não chegou nenhuma outra ajuda de outra entidade. Nenhum organismo humanitário internacional proporciona ajuda aos cristãos, para não serem acusados de atuar de maneira discriminatória".

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

“Deus não faz comércio. É uma mãe que canta canções de ninar”, diz o Papa Francisco

Sexta, 12 de dezembro de 2014
O Senhor ama os seres humanos como uma mãe, mas os mesmos seres humanos frequentemente coisificam-No e coisificam a graça deste amor, contabilizando-a. A afirmação é do Papa Francisco e feita durante a homilia na Capela da Casa Santa Marta, de acordo com a Rádio Vaticano.
A reportagem é de Domenico Agasso Jr e publicada no sítio Vatican Insider, 11-12-2014. A tradução é de André Langer.
Deus salva o seu povo não de longe, mas se fazendo próximo de nós, com ternura. O Pontífice, inspirando-se no profeta Isaías, fez a seguinte comparação: “A proximidade é tão grande que Deus se apresenta aqui como uma mãe que conversa com o seu filho: uma mãe que quando canta a canção de ninar ao filho, faz voz de criança e se faz pequena como ela, fala no seu mesmo tom a ponto de se passar por ridícula se alguém não entendesse o que de grande há ali: ‘Nada de medo, Jacó, pobre vermezinho’. Mas quantas vezes uma mãe diz essas coisas ao filho enquanto o acaricia, eh? Eis que vou fazer de ti um trenó triturador, novinho… tu serás grande… E o acaricia, e o põe mais perto dela. E Deus faz assim. É a ternura de Deus. Está tão perto de nós que se expressa com esta ternura: a ternura de uma mãe”.
Deus nos ama gratuitamente – afirmou Bergoglio – como uma mãe ama o seu filho. E o filho “se deixa amar”: “esta é a graça de Deus”. Mas nós – observou o Pontífice argentino – “muitas vezes, para nos sentir seguros, queremos controlar a graça” e “na história e também na nossa vida, temos a tentação de coisificar a graça”, torná-la “como uma mercadoria ou uma coisa controlável”, talvez dizendo a nós mesmos: “Mas eu tenho tanta graça”. Ou: “Tenho a alma limpa, estou em estado de graça”.
“E assim esta verdade tão bela da proximidade de Deus escorrega numa contabilidade espiritual: ‘Não, eu faço isso porque me dará 300 dias de graça… Eu faço aquilo porque assim acumulo graça’. Mas – prosseguiu Bergoglio – o que é a graça? Uma mercadoria? E assim, parece que sim. Parece que sim. E na história esta proximidade de Deus ao seu povo foi traída por esta nossa atitude, egoísta, de querer controlar a graça, mercantilizá-la”.
O Papa recordou os grupos que no tempo de Jesus queriam controlar a graça: os fariseus, escravizados pelas leis que pesavam “nas costas do povo”. Os saduceus, com seus compromissos políticos; os essênios, “bons, muito bons, mas tinham medo, não arriscavam” e acabavam se isolando em seus mosteiros. Os zelotas, para quem a graça de Deus era a “guerra de libertação”, “outro modo de mercantilizar a graça”.
“A graça de Deus – insistiu o Papa – é outra coisa: é proximidade, é ternura… Esta regra vale sempre. Se em seu relacionamento com o Senhor você não sente que Ele lhe ama com ternura, então está lhe faltando alguma coisa; ainda não entendeu o que é a graça, ainda não recebeu a graça, esta proximidade”.
O Papa Francisco recordou uma confissão de muitos anos atrás, quando uma mulher questionava a validez de uma Missa em que havia ido sábado à noite, para um casamento, que tinha leituras diferentes da de domingo. Esta foi sua resposta: “Mas, senhora, o Senhor a ama tanto’. A senhora foi lá, recebeu a Comunhão, esteve com Jesus... Fique tranquila, o Senhor não é um comerciante, o Senhor lhe ama, lhe está próxima”.

“São Paulo reage com força contra esta espiritualidade da lei. “Eu sou justo se fizer isso, isso e aquilo. Se não fizer, não sou justo”. Mas você é justo porque Deus se aproximou de você, o acariciou, porque Deus lhe diz coisas bonitas, com ternura: esta é a nossa justiça, esta proximidade de Deus, esta ternura, este amor. Mesmo arriscando parecer ridículo, nosso Deus é tão bom! Se nós tivéssemos a coragem de abrir o nosso coração a esta ternura de Deus, quanta liberdade espiritual teríamos, quanta! Hoje, se tiverem um tempo, em casa, peguem a Bíblia, Isaías, capítulo 41, versículos de 13 a 20, e leiam. Esta ternura de Deus, este Deus que canta para cada um de nós uma canção de ninar, como uma mãe”.

domingo, 14 de dezembro de 2014

''Discussão forte e livre no Sínodo. O papa é a garantia para todos''


No Sínodo Extraordinário sobre a família que ocorreu em outubro, "todos os padres puderam falar, e todos ouviram", dando origem a uma "forte discussão", realizada com "grande liberdade" e sem "censura prévia".
A reportagem é de Jacopo Scaramuzzi, publicada no jornal La Stampa, 10-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Esse fato foi ressaltado pelo Papa Francisco, que, na audiência geral dessa quarta-feira, anunciou que vai iniciar, concluído um ciclo de catequeses sobre a Igreja, a partir da próxima quarta-feira, em vista do Sínodo Ordinário no próximo ano, para o qual o Vaticano publicou nessa terça-feira os Lineamenta (o relatório final passado e novas perguntas para as dioceses de todo o mundo), um novo ciclo dedicado ao tema da família.
A oportunidade também serviu para contar a sua experiência da primeira cúpula com um estilo diferente daquele das "crônicas esportivas ou políticas" dos meios de comunicação, aos quais o pontífice também quis agradecer pela cobertura do Sínodo, para reiterar que "nenhuma intervenção pôs em discussão as verdades fundamentais do sacramento do matrimônio", para enfatizar que os "documentos oficiais" da assembleia são três, "a mensagem final, o relatório final e o discurso final do papa" (portanto, não o relatório "post disceptanionem" intermediário) e para ressaltar que "tudo aconteceu cum Petro et sub Petro, isto é, com a presença do papa, que é garantia para todos de liberdade e de confiança, e garantia da ortodoxia".
"Iniciamos uma nova etapa, um novo ciclo, e o tema será a família", disse Jorge Mario Bergoglio, "um tema que se insere nesse tempo intermediário entre as duas assembleias do Sínodo, dedicadas a essa realidade tão importante. Portanto, antes de entrar no percurso sobre os diversos aspectos da vida familiar, hoje desejo começar justamente da assembleia sinodal do último mês de outubro, que tinha este tema: 'Os desafios pastorais sobre a família no contexto da nova evangelização'. É importante lembrar como ela ocorreu e o que produziu. Durante o Sínodo, as mídias fizeram o seu trabalho – havia muita expectativa, muita atenção – e lhes agradecemos porque o fizeram também com abundância. Tantas notícias, tantas! Isso foi possível graças à Sala de Imprensa, que a cada dia fez um briefing. Mas, muitas vezes, a visão das mídias era um pouco no estilo das crônicas esportivas ou políticas: muitas vezes se falava de duas equipes, pró e contra, conservadores e liberais etc. Hoje, eu gostaria de contar o que foi o Sínodo".
Acima de tudo, "eu – continuou Francisco – pedi que os padres sinodais falassem com franqueza e coragem, e escutassem com humildade, que dissesse com coragem tudo o que tinham no coração. No Sínodo, não houve censura prévia, mas cada um podia – mais, devia – dizer aquilo que tinha no coração, aquilo que pensava sinceramente. 'Mas isso dará discussão.' É verdade, ouvimos como os Apóstolos discutiram. Diz o texto: saiu uma forte discussão. Os Apóstolos gritavam entre si, porque buscavam a vontade de Deus sobre os pagãos, se podiam entrar na Igreja ou não. Era uma coisa nova. Sempre, quando se busca a vontade de Deus, em uma assembleia sinodal, há diversos pontos de vista e há a discussão, e isso não é uma coisa ruim! Sempre que se fizer com humildade e com ânimo de serviço para a assembleia dos irmãos. Teria sido uma coisa ruim a censura prévia. Não, não, cada um devia dizer aquilo que pensava".
Depois do relatório inicial do cardeal Peter Erdö, "houve um primeiro momento, fundamental, no qual todos os padres puderam falar, e todos ouviram", "momento de grande liberdade, em que cada um expôs o seu pensamento com parrésia e com confiança".
De todos os modos, "nenhuma intervenção pôs em discussão as verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio, isto é: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a abertura à vida. Isso não foi tocado".
Depois, chegou o relatório após a discussão, também este "realizado pelo cardeal Erdö", e "sobre essa primeira proposta de síntese" foi realizada a discussão nos grupos linguísticos ("Tudo foi dado para a transparência, para que se soubesse o que acontecia"), da qual surgiu, finalmente, o relatório final e a mensagem final.
"Alguns de vocês podem me perguntar: 'Os padres brigaram?'. Mas não sei se brigaram, mas que falaram forte, sim, de fato. E essa é a liberdade, é justamente a liberdade que existe na Igreja. Tudo ocorreu 'cum Petro et sub Petro', isto é, com a presença do papa, que é garantia para todos de liberdade e de confiança, e garantia da ortodoxia. E, no fim, com uma intervenção minha, eu dei uma leitura sintética da experiência sinodal. Portanto – apontou Bergoglio –, os documentos oficiais que saíram do Sínodo são três: a mensagem final, o relatório final e o discurso final do papa. Não há outros".
O sínodo "não é um parlamento", reiterou o papa na conclusão, "é um espaço protegido para que o Espírito Santo possa agir: não houve confronto entre facções, como no parlamento, onde isso é lícito, mas sim um debate entre os bispos, que ocorreu depois de um longo trabalho de preparação e que agora prosseguirá em outro trabalho, pelo bem das famílias, da Igreja e da sociedade".

E, em vista do próximo Sínodo, "que o Senhor nos ilumine, nos faça andar rumo à maturidade daquilo que, como Sínodo, devemos dizer a todas as Igrejas. E sobre isso – concluiu o papa, dirigindo-se aos fiéis – é importante a oração de vocês".

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Por do Sol

Há um tempo, 
apesar dos esforços, 
que não se esconde nada, 
não consegue esconder
 mais nada. 

As falsidades, 
os conceitos impessoais, 
humanistas, 
mas impessoais, 
os sorrisos maledicentes, 
as atenções fugidias, 
tornam-se pedras, 
grandes pedras 
no caminho da vida. 

Os esquemas de sobrevivência, 
as convivências superficiais, 
as rotinas secas, 
perdem o sentido
que nunca
tiveram. 

Uma busca tardia 
se inicia, 
com a beleza 
do poente radiante.

Há que se espremer, 
esgarçar-se, 
há que se chacoalhar
o couro carcomido 
pelo uso indevido 
das fábulas, 
e dizer, 
pelo menos uma vez
 sinceramente:

Aqui estou! 

Sou eu, 
não outro!

.....

Quem sabe 
alguém ouça
 este grito interior, 
pelos olhos, 
contrações
faciais,
submerso.

Quem sabe um ouvido
 sobrenatural 
desperte afinal, 
diante deste reverso.

Surpreso 
um silêncio 
responde 
as mil palavras 
não proferidas.

Confidente
 um grande garfo 
é colocado, 
finalmente, 
ao lado do prato,
e as atenções se voltam.

Um colibri envergonha-se 
de sua retilineidade, 
e um doente chora 
desesperançado.
Ondas sonoras ecoam 
nas entranhas inaudíveis, 
despertando um espírito morto.

Um suposto fim 
que nunca despede-se
 assombra as esperanças, 
com seu aluvião 
de moscas. 

Estou pronto!

Que venha o pranto da descoberta derradeira!

Aqui se põe o Sol!
Por trás da montanha!
Esconderijo 
dos pobres sem tetos,
e ricos sonhadores,
das prostitutas 
adormecidas
belas.

João Paulo Naves Fernandes
10/12/2014

ESPERA INDEFINIDA

  A cama está a espera... reluto. Uma ânsia indefinida  mantém os olhos abertos. Um examinar tudo  permeia o silêncio. Todos dormem...  tamb...