sexta-feira, 5 de junho de 2015

Papa: "A guerra é a mãe de todas as pobrezas"


Na audiência geral desta quarta-feira, Francisco refletiu sobre a pobreza e seu impacto na vida familiar
Por Rocío Lancho García
Vaticano, 03 de Junho de 2015 
Música e muita alegria na Praça de São Pedro para receber o Santo Padre, como toda quarta-feira, na audiência geral. Milhares de pessoas provenientes de todo o mundo esperavam desde o início da manhã para ver e ouvir a catequese do Papa. Durante o percurso de papamóvel, Francisco cumprimentou os presentes com grande entusiasmo. Além disso, os degraus do Sagrado estavam enfeitados com flores, deixando a praça mais bonita.
O Santo Padre rezou pelas vítimas do acidente do naufrágio da embarcação no rio Yangtze, na China. Ao saudar os peregrinos de língua inglesa, ele expressou sua "proximidade ao povo chinês que neste momento sofre por causa do naufrágio no rio Yangtze".  Francisco disse que reza "pelas vítimas, suas famílias e todos os que trabalham no salvamento".
Nesta quarta-feira, Francisco continuou a série de catequeses sobre a família, desta vez, centrada sobre a pobreza e a miséria que atinge a vida familiar.
O Papa destacou que “são vários os desafios que as famílias devem enfrentar nos dias de hoje, entre os quais está a pobreza”.
Resumindo em português, ele explicou que “a miséria social é um drama que atinge as famílias seja nas grandes cidades, como no campo: desemprego, condições precárias de trabalho, bairros sem infraestrutura, serviços sociais e sanitários ineficazes, escolas sem qualidade, sem contar o dano causado pelo consumismo e o narcisismo, tão difundidos pela cultura mediática”, afirmou Francisco.
Ele alertou que em alguns lugares, “como se não bastasse, a situação fica agravada pela “mãe de todas as pobrezas”, que é a guerra”.
Contudo, apesar de tantos obstáculos, “existem muitas famílias pobres que procuram, heroicamente, conduzir a sua vida quotidiana de modo digno e honesto, tendo a Deus como seu único suporte”, destacou Francisco, afirmando que “estas famílias são para nós uma escola de humanidade que salva a humanidade da barbárie”, exclamou.
Ele disse ainda que a Igreja, “que é mãe, deve ser pobre para tornar-se fecunda e dar uma resposta a tanta miséria, através da oração e da ação”.
Em seguida, ele cumprimentou “a todos os brasileiros e demais peregrinos de língua portuguesa presentes”. E disse: “Queridos amigos, amanhã se celebra a festa de Corpus Christi. Aprendamos do Senhor que se faz alimento, a tornar-nos mais disponível para os outros, servindo a todos os necessitados, especialmente as famílias mais pobres. Que Deus lhes abençoe!”
O Papa também dedicou algumas palavras aos trabalhadores da fábrica Whirlpool de Carinaro. A cidade italiana localizada na região de Caserta foi gravemente afetada pelo desemprego por uma decisão da empresa acima citada de demitir 1.335 funcionários. Por isso, o Santo Padre expressou o desejo "que a grave conjuntura do desemprego encontre uma rápida e justa solução, no respeito de todos, especialmente das famílias” e também destacou que "a situação em todo o país é particularmente difícil; e é importante que se faça um sério esforço para abrir caminhos de esperança”.  
No final da catequese, o Papa dedicou algumas palavras aos jovens, aos doentes e recém-casados. Francisco recordou que junho é o mês dedicado à devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Por isso, pediu que o Sagrado Coração ensine aos jovens "a beleza de amar e ser amado", que seja "apoio" para os doentes no momento da prova e do sofrimento, e sustente os recém-casados "no caminho conjugal”. 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Jornalistas Livres lançam campanha para ampliar mídia independente

2 de junho de 2015 - 15h38 

A Rede Jornalistas Livres surgiu no dia 12 de março de 2015 da necessidade urgente de enfrentar a escalada da narrativa de ódio, antidemocrática e de permanente desrespeito aos direitos humanos e sociais, em grande parte apoiada pela mídia tradicional. A ideia-força dos Jornalistas Livres é a da colaboração entre todos os comunicadores que defendem e lutam pela ampliação da democracia, bem como dos direitos humanos e sociais conquistados a duras penas pelas camadas mais vulneráveis da população.


  
"Usamos as redes sociais, não somos remunerados, atuamos única e exclusivamente em nome da paixão que nutrimos pelo jornalismo e seu gênero mais nobre, a reportagem.

Entre nós, coletivos de mídia livre, artistas, jornalistas avulsos, repórteres, editores, fotógrafos e cinegrafistas, não pode existir a competição. Sabemos que, juntos, compartilhando uns aos outros, podemos chegar mais longe, atingir públicos mais amplos, levando informações honestas e de qualidade.

Queremos incluir as vozes, os sotaques, os modos de expressão, as histórias de vida, as alegrias e os lamentos de toda a imensa variedade de formas de vida e sociabilidade humana que se encontram neste país.



Ação direta dos Jornalistas Livres e da rede de Intervenção Contra a Redução da Maioridade Penal, em São Paulo. Bandeirão da casadalapa.

Não almejamos a “fala correta”, não seguimos manuais homogeneizadores e excludentes da diferença e diversidade. Somos uma rede inclusiva contra a exclusão somos, por isso, bem diferentes da mídia corporativa, para a qual o ideal de Brasil cabe em um comercial de margarina: branco, hétero, cisgênero, urbano, rico.

Veja, nos links, alguns exemplos das nossas coberturas jornalística
s:




15M: Na primeira grande cobertura dos Jornalistas Livres, mostramos as manifestações do chão, conversando com os participantes. E descobrimos um importante contraponto na narrativa da grande mídia.


"Cadê a água", reportagem sobre a crise hídrica, que gerou revolta em Itu, interior paulista. Colaboração da Conta D'Água

E, para continuar na estrada, fazendo esse jornalismo crítico, inteligente e provocador, precisamos do seu apoio.
Nosso desafio é constituir uma mídia independente, apartidária, inclusiva, crítica, pluralista de verdade, desafiadora dos clichês e preconceitos alimentados pela mídia tradicional a serviço dos grandes e poderosos. Uma imprensa verdadeiramente livre que, por isso mesmo, nunca seria financiada por multinacionais, concessionárias de veículos ou empreiteiras que vivem da especulação imobiliária.

Entre a defesa dos apartamentos de luxo cercados por seguranças e o lado dos movimentos de moradia, não temos dúvida: estamos com os movimentos de moradia.


Jornalistas Livres em ação durante ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.
Recompensas!

Além de ajudar a construir a mídia independente no país, ao doar você terá seu nome eternizado no Manifesto dos Jornalistas Livres, a carta com os princípios norteadores de nossas ações, que sempre estará disponível e em destaque no nosso site e nas redes sociais.





Camisetas ilustradas com desenhos do cartunista Vitor Teixeira.


Além disso, você recebe adesivos, livros, fotos e poderá participar de debates semanais online sobre as pautas, coberturas e bastidores de nossas reportagens, com crachá personalizado. Uma ilustração do cartunista e ativista Vitor Teixeira irá estampar uma camiseta. Você pode receber os livros "Cidades Rebeldes", sobre as manifestações de junho de 2013, e “Bala Perdida”, que retrata a violência policial no Brasil, ambos assinados pelos autores, integrantes dos Jornalistas Livres. Produtos da terra naturais e orgânicos cultivados nos assentamentos do Movimento Sem Terra são parte das recompensas. Palestras e oficinas também compõem o pacote de presentes para quem ajudar a fortalecer a rede Jornalistas Livres


E você poderá receber fotos incríveis em diferentes formatos de alguns dos melhores e mais reconhecidos fotógrafos jornalistas brasileiros dos Jornalistas Livres, como de Mauricio Lima, finalista do Prêmio Pulitzer de 2015 e Fotógrafo do Ano pelo Picture of The Year Latin America 2015.


Imagens das ações da Frente de Luta por Moradia no momento em que ocupavam edifícios no centro de SP. Ensaio "Teto da Dignidade", por Mauricio Lima para Jornalistas Livres.



Como participar?

Basta escolher um valor dentre os listados ao lado, clicar em "apoiar este projeto" e seguir as instruções.

Dessa maneira, você estará fortalecendo a narrativa das lutas populares, a mobilização pela democratização da mídia e o direito a uma informação pluralista. Ajude a construir o jornalismo livre! Por um país mais justo e inteligente.

Mais informações, acesse nossa página no facebook. Se quiser um contato direto ou tiver dúvidas, mande email para jornalistaslivres@gmail.com.".

Orçamento


Vamos usar o dinheiro arrecadado para custear alguns itens básicos para o Jornalismo de Rede que praticamos.

1. Aluguel da nossa primeira sede, em São Paulo: embora nossa plataforma seja a internet, necessitamos de uma sede equipada com rede wireless, para os encontros presenciais que realizamos semanalmente. A mesma sede acolherá os vários grupos de trabalho que constituem os Jornalistas Livres e será usada para a realização de oficinas de formação em Jornalismo.

2. Construção de um site: até o momento, o Facebook é o canal prioritário usado pelos Jornalistas Livres para acessar seus leitores. Queremos ampliar essa conexão por intermédio de um site com navegabilidade amigável e design inovador, que possibilite: a. Uma forte interatividade entre todos os coletivos que compõem a rede e os leitores; b. A indexação dos conteúdos que produziremos, visando pesquisas posteriores; c. A construção de uma biblioteca-acervo das lutas populares; d. A realização de atividades de formação à distância.

3. Aquisição de equipamentos básicos e necessários à cobertura jornalística: de imediato, visamos à compra de dois notebooks e duas câmeras fotográficas profissionais, para serem compartilhados entre os repórteres.

4.
 Compra de passagens e vouchers de hospedagem para coberturas jornalísticas fora de São Paulo, além de reuniões e oficinas com coletivos de outras cidades, com o objetivo de expandir a rede Jornalistas Livres.





Fonte: Jornalistas Livres

Que maravilha. Resgata a dignidade dos moradores de rua.


Ex-moradores de rua 

passam em concurso

 público em Belo Horizonte

Do UOL, em São Paulo

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  • Divulgação/Arquidiocese de Belo Horizonte
    Marcelo Santiago passou na primeira posição em concurso para auxiliar de limpeza
    Marcelo Santiago passou na primeira posição em concurso para auxiliar de limpeza
O ex-morador de rua Marcelo da Silva Santiago, 39, foi o primeiro colocado no concurso para auxiliar de limpeza da MGS (Minas Gerais Administração e Serviços), empresa que fornece mão de obra para o setor público. No mesmo concurso, Jusair Santos da Silva, 50, conseguiu passar na 20ª posição.
Santiago viveu nas ruas de Belo Horizonte de maio de 2012 até agosto de 2014, quando foi morar na República Reviver, albergue da prefeitura que é administrado pela arquidiocese da capital mineira.
Antes disso, chegou a trabalhar nos Correios e com telemarketing. A mãe, o irmão e o cunhado se mudaram para o exterior, mas ele decidiu ficar. Desempregado e sem opção, foi morar na rua. Segundo ele, a falta de endereço fixo atrapalhava na hora de buscar um trabalho com carteira assinada.
O agora auxiliar de limpeza vê o novo emprego como um primeiro passo de uma carreira que pretende construir no setor público. Ele já está trabalhando na função, dividindo o tempo com as aulas de administração pública na UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais), onde cursa o segundo período.

Aos 50, Jusair comprou apostila com dinheiro do Bolsa Família

Jusair Santos da Silva, 50, é de Paracatu (MG) e viveu os últimos 15 anos como andarilho, desde que se separou da mulher. O sustento vinha do trabalho que aparecia pelo caminho. Ao chegar em Belo Horizonte, passou a viver nas ruas. Hoje, mora no albergue República Professor Fábio Alves, que também é administrado pela arquidiocese.
Divulgação/Arquidiocese de Belo Horizonte.
Jusair Santos da Silva estudou durante 15 dias para o concurso

Com o ensino médio concluído em 1983, ele cursou três períodos da faculdade de Letras. Desde então, diz que não voltou a estudar, mas sempre gostou de ler livros e jornais.
Agora, ele está trabalhando no Hospital João 23 como funcionário da limpeza da cozinha. Ele teve pouco tempo para se preparar para o concurso da MGS. Inscreveu-se 15 dias antes da prova. No período, estudou em biblioteca pública e gastou R$ 45, dos R$ 77 que recebe do Bolsa Família, para comprar a apostila.
Durante os dias de preparação, ele diz que chegou a passar fome em nome dos estudos. Isso porque não conseguiria ir até o restaurante popular para almoçar e voltar para a biblioteca. Segundo ele, quando isso acontecia, tomava uma sopa no restaurante popular, no final da tarde, ou jantava no albergue.
"Sentia muita fome, mas não podia relaxar,  meu foco era estudar e passar no concurso", afirma.
(Com informações da Arquidiocese de Belo Horizonte)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

FERRAMENTAS
TIPOGRAFIA
Para desviar a atenção das acusações que vem sofrendo de ter ter realizado manobras regimentais para aprovar na Câmara matéria que já havia sido rejeitada pelo plenário (financiamento empresarial de campanhas eleitorais), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu colocar mais lenha na fogueira: defendeu em seu twitter neste domingo (31) a realização de um referendo sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171, de 1993, que visa reduzir a maioridade penal para 16 anos. 
Leia mais
O ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Pepe Vargas, é contra a proposta. “Não acho que seja matéria para ser submetida a um referendo. Se a tortura, por exemplo, for levada à população e eventualmente a posição majoritária for a favor, não significa que devemos adotá-la no Brasil”, argumenta. Aliás, até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, notório quadro do PSDB se pronuncia contra a PEC 171. “Vão começar a usar criança de 15 (no crime), o bandido vai pegar criança de 15 anos para dizer que não é culpado. Não resolve”, reforça FHC.
charge marcelo eco marchon maioridade penal
Enquanto o presidente da Câmara fica arquitetando planos mirabolantes para aprovar as teses mais reacionárias, a sociedade se mexe e exige respeito. Inúmeros artistas, intelectuais, políticos e entidades progressistas e, principalmente, jovens aderem a campanhas que se posicionam contra a redução da maioridade penal. “Todo mundo já sabe que essa proposta é apenas uma ideia de vingança e punição dos setores mais reacionários da sociedade e visa apenas encher as cadeias com os filhos dos mais pobres e que eles serão mais facilmente aliciados pelo crime”, ataca Vítor Espinoza, secretário da Juventude Trabalhadora da CTB.
Bola de Meia, Bola de Gude (Milton Nascimento)

Chico Buarque foi o primeiro a vestir a camisa da campanha Redução Não É Solução, seguido por Gregório Duvivier e agora pela atriz Letícia Spiller. O cantor e compositor pernambucano gravou vídeo contra a ideia de prender nossa juventude. Diversos chargistas divulgam trabalhos contrariando a proposta conservadora. Laerte, Angeli, Latuff, Marcelo Eco Marcho, Ohi, que publica tiras no jornal Olho Crítico, da CTB, entre outros importantes artistas plásticos.
Todos os envolvidos contra a tese da redução concordam que falta informação sobre o assunto. “Não pode haver referendo com uma mídia tão desonesta como a nossa. Basta acontecer um crime onde haja a participação de um jovem com menos de 18 anos, por pequena que seja e a mídia só vai falar desse jovem, esquecendo os adultos criminosos”, acentua Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da CTB.
A proposta em tramitação há 22 anos no Congresso Nacional contraria o movimento contrário que ocorre em inúmeros países. As estatísticas mostram que e 70% dos países, a idade penal é 18 anos e que nos 54 países onde a redução da idade penal ocorreu, a violência aumentou proporcionalmente. Alemanha e Espanha reduziram e voltaram aos 18 anos devido à ineficiência do feito. Países como Japão, Inglaterra e diversos estados norte-americanos estudam aumentar a idade penal porque ter reduzido se mostrou inócuo.
João e Maria (Chico Buarque)

No Brasil, entidades de todos os matizes combatem a tese. Recentemente, o CNE (Conselho Nacional de Educação) também atacou a proposta. Para o CNE “o desprezo e o desvalor ao significado individual e social da educação em nome da ilusória segurança. Diga-se ilusória porque segurança, de fato, a teríamos, como povo, se tivéssemos criado, há muito tempo, um efetivo e abrangente sistema nacional de educação, da família à universidade, da cidade ao país que educa e se educa.”
Por Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

sábado, 30 de maio de 2015

Robbie Dupree - "Steal Away" - HQ Audio)))

Uma reflexão como é vista a Trindade nos dias de hoje.

Catequese com Adultos: os riscos no discurso trinitário
Falar do Deus Trindade requer, antes de tudo, o obséquio da fé.
Por Diac. José Barbosa de Miranda
Brasília, 29 de Maio de 2015 (ZENIT.org)
No artigo anterior comentávamos sobre a Solenidade do Pentecostes, quando vimos no discurso de Pedro a manifestação publica da Igreja, restabelecendo a unidade perdida na torre de Babel, mas, pela ação do Espírito Santo, todos se entendem, têm os canais para possuir a vida eterna pela conversão e remissão. Agora, depois do milagre de Pentecostes, a Igreja nos apresenta a Solenidade da Santíssima Trindade. É um mistério que nem o grande Santo Agostinho conseguiu entender, aceitando a linguagem da fé, crendo no Deus Uno e Trino.
O DISCURSO TRINITÁRIO, NO MUNDO MODERNO, PODE NOS LEVAR A TRÊS RISCOS
O primeiro é querer atualizar o dogma trinitário no conceito sócio-antropológico, levando-o ao questionamento homem-homem e reduzindo a divindade na dimensão puramente humana (antropológica), esquecendo-se da sua origem transcendente para um reducionismo de Deus. Esse raciocínio parte da humanização do Filho desvinculando-o da sua origem divina. Por exemplo: na cruz só ficou o homem, separando as duas naturezas do Filho para sacrificar somente a humana. Mas, como as Pessoas trinitárias são um só Deus, com a mesma essência e mesma substância, não somos capazes de compreender o mistério que não foi revelado pelo Filho, por isso “O sofrimento do Pai corresponde ao sofrimento do Filho, ‘que me amou e entregou a si mesmo por mim’ (Gl 2,20). Deus sofre na cruz como Pai que oferece, como Filho que se oferece, como Espírito que é o amor permanente de Jesus sofredor. A cruz é a história do amor trinitário de Deus pelo mundo: um amor que não se limita a suportar o sofrimento, mas o escolhe”[1].
Sabemos que o mistério trinitário não se encaixa na inteligência do homem, pois Deus não é criação humana, se assim o fosse seria uma invenção humana como são os ídolos.
O segundo risco, predominante em alguns seguimentos cristãos hodiernos, é o de isolar as Pessoas Trinitárias: a era do Pai, a do Filho e a do Espírito Santo. Alguém já disse: “estamos vivendo o tempo do Espírito Santo”. Quebra-se a unidade para reforçar a mensagem reducionista. Uns querem desassociar a ação trinitária para reforçar o sectarismo pentecostal e chegam a pinçar o Espirito Santo da unidade Trindade. Alguns já desejaram crucificar o Espírito Santo no lugar de Jesus.  
A dificuldade de se falar sobre a Trindade não está na Teologia Dogmática, mas nos “exegetas dos últimos tempos”.
Não podemos querer que o Deus Trino desça a nós para esquadrinhá-lo à nossa inteligência, mas que a nossa compreensão seja emoldurada a Ele. O dogma contém a unidade nas Pessoas que está além da nossa razão, embora a razão nos ajude a procurá-Lo. “O dogma contém o mistério de Deus e se fosse interpretado só com a razão seria necessariamente profanado”[2].
É por isso que a razão se escandaliza diante da unidade na Trindade. O mistério é o desenvolvimento histórico da economia trinitária para ser proclamado com o obséquio da fé.
O terceiro risco está na linguagem. Os símbolos usados na linguagem nem sempre refletem o que designam. É a pobreza da linguagem humana para se referir a Deus. Daí se apodera da filosofia para querer explicar o mistério trinitário que nem Cristo nem os apóstolos dele se preocuparam; “Nem Jesus nem os apóstolos apresentaram uma doutrina com formulação clara da distinção das Três Pessoas na unidade da Natureza Única de Deus. Aliás, nem mesmo as palavras como ‘pessoa’, ‘substância’ ou ‘natureza’ são usadas nem pelo divino Mestre nem por seus discípulos imediatos”[3].

AS DIFICULDADES PARA ENTENDER DEUS-PAI NA UNIDADE TRINITÁRIA
Sem entrar nos conceitos bíblicos sobre a paternidade de Deus, hoje a dificuldade se baseia principalmente:
  1. Referência na unidade familiar que se desintegra com os apelos hodiernos: questionamento da autoridade paterna; a renúncia da paternidade que gera mas não assume; a disputa de espaços e poder no núcleo familiar. O mal hodierno que deseja mudar o princípio criativo de Deus, descaracterizando a união paterna-materna com missões específicas[4].
  2. As feridas sociais: marginalização dos pobres; exclusão racial; abandono de órfãos; trabalhos escravos, exploração infantil.
  3. Má distribuição de rendas: concentração de riquezas e poder; ampliação de grupos que nada têm para a sua sobrevivência. Dir-se-ia que a dificuldade para compreender Deus-Pai está na família. Há uma cultura atéia que se quer implantar: destrói-se a família para destruir Deus.

Falar de Deus Trindade requer, antes de tudo, o obséquio da fé. A dimensão do amor de Deus exige do homem e da mulher um desapego e renúncia dos conceitos mal elaborados. O que vemos hoje são imagens ofuscadas como árvores que se movem. Precisamos dos ícones para auxiliar a comunicação, mas não colocá-los como verdades conclusivas.

UMA CONCLUSÃO DE SÃO TOMÁS DE AQUINO
No homem podemos considerar três coisas: existe em sua natureza, no seu intelecto, no seu amor, mas não constituem algo único porque seu entender não é seu ser nem seu amar e nele subsiste apenas a natureza humana. Em Deus, todavia, são o mesmo o ser, o inteligir e o amar. Deus existe em sua natureza, em seu intelecto, em seu amor como uno, mas cada um é subsistente em si mesmo. Assim, em Deus há três pessoas, a saber, o Pai, e o Filho e o Espírito Santo, mas formam uma unidade de amor, de ser, de inteligência[5].
Isto requer de nossa inteligência aceitar que o Pai, o Filho, o Espirito Santo são três pessoas que subsistem em si mesmo, com sua essência divina e com subsistência completa. Nada há que acrescentar.
           

“Charlie Charlie” – O Sim e o Não de uma prática bem real e oculta de “invocar os espíritos.”


Brincadeira, mito ou lenda à parte, o que deve nos alertar é a proximidade com o ocultismo, espiritismo e outras vertentes de invocação de mortos, espíritos e demônios.
Por Fabiano Farias de Medeiros
Horizonte, 29 de Maio de 2015 
Nestes últimos dias as redes sociais exponenciaram a “brincadeira” denominada “Charlie, Charlie” que consiste em um jogo no qual dois lápis são colocados em uma cruz sobre um papel, e escreve-se sim “e” não ” em cada aresta do cruzamento e “convida-se” através de uma invocação, o “Charlie”, um suposto espírito mexicano a responder se está ali ou não. Não são poucos os relatos de experiências com esta “brincadeira”, desde situações sérias até situações humorísticas que está ganhando proporção dia após dia. Somente a hashtag #CharlieCharlieChallenge foi usada por 2 milhões de pessoas nos últimos dois dias.
Segundo a BBC News, que investigou o caso da brincadeira e sua invocação demoníaca e a ligação com a cultura mexicana, não há registros desta prática no folclore mexicano. Segundo Maria Elena Navez da BBC, “Não há nenhum demônio chamado ‘Charlie’ no México”. Segunda ela,  “Lendas mexicanas muitas vezes vêm de histórias antigas dos Aztecas e Maias, ou a partir das muitas crenças que começaram a circular durante a conquista espanhola. Na mitologia mexicana pode encontrar deuses com nomes como ‘Tlaltecuhtli’ ou ‘Tezcatlipoca” na língua Nahuatl.”
Outra explicação possível seria um vídeo publicado em 6 de junho de 2014 no Canal YouTube que mostra a invocação de espíritos através do uso de lápis de uma forma diferente da “brincadeira” atual – O vídeo pode ser visto neste link: Jugando Charlie Charlie. 
Relata-se também que a “brincadeira” seria uma versão simplificada do Ouija ou Tábua Ouija, criada para ser usada como método da necromancia ou comunicação com espíritos, que é realizada usando superfície plana com letras, números ou outros símbolos em que se coloca um indicador móvel e é proveniente dos Estados Unidos no ano 1848. No Brasil realiza-se esta mesma prática, sendo conhecida como “brincadeira ou jogo do copo”. 
Brincadeira, mito ou lenda à parte, o que deve nos alertar é a proximidade com o ocultismo, espiritismo e outras vertentes de invocação de mortos, espíritos e demônios. O que é uma “brincadeira” simples pode tornar-se uma grande e escancarada porta para outras práticas. Segundo o exorcista espanhol Jose Antonio Fortea em entrevista à ACI Prensa, o famoso #CharlieCharlieChallenge envolve a prática bem real e oculta de “invocar os espíritos.”
Numa entrevista a 27 de Maio - CONFIRA AQUI – , ele avisou que “alguns espíritos que estão na raiz desta prática vão meter-se com alguns dos que jogam o jogo.” Apesar de o sacerdote afirmar que os jogadores “não ficarão necessariamente possuídos”, o espírito foi invocado e “permanecerá perto durante algum tempo.” Pe. Fortea também avisou que jogar o jogo “vai fazer com que outros espíritos comecem a entrar numa comunicação mais frequente.” “Por isso a pessoa pode mesmo sofrer consequências piores do demônio,” disse ele.
Conclui-se que a “brincadeira”, assim como qualquer outra prática que envolva estes fatores sobrenaturais de invocação de espíritos e demônios é muito perigoso. Segundo o Dr. Valter Cascioli, psiquiatra e porta-voz da Associação Internacional de Exorcistas (AIE), em recente conferência foi constatado que “um número cada vez maior de bispos e cardeais pediu para participar na conferência devido a um aumento da atividade demoníaca.” Segundo ele – “Estas práticas, de certo modo, abrem o caminho para a singular atividade demoníaca. Certamente, o número de pessoas que se dirigem a essas práticas com graves danos sociais, psicológicos, espirituais e morais está em constante aumento e isso nos preocupa porque, consequentemente, temos também um singular aumento da atividade demoníaca, de modo particular, perseguições, obsessões e, sobretudo, possessões diabólicas.” 
Relatou também que as causas do aumento destas atividades pode ser atribuído à falta de fé cada vez maior entre as pessoas, juntamente com o aumento da curiosidade em participar de tais atos. E ainda alertou: “Está-se a tornar numa emergência pastoral,” disse Cascioli à CNA. “De momento o número de perturbações de actividade demoníaca extraordinária está a crescer.”
Não podemos discorrer do combate espiritual que vivemos. A isso São Tomás de Aquino já nos alertava: “O combate em si mesmo procede da maldade dos demônios, que por inveja se esforçam para impedir o progresso dos homens e por soberba usurpam a semelhança do poder divino…”
Sabemos também que vivemos em tempos onde a proliferação de uma não aceitação ou desconhecimento das realidades espirituais é exacerbada. Haja vista que muitos católicos desconhecem a realidade dos “Novíssimos” e por vezes custam a acreditar na existência do demônio. SObre isso o Papa Francisco já havia exortado: “Fizeram crer a esta geração – a tantas outras – que o diabo era um mito, uma figura, uma ideia, ideia do mal, mas o diabo existe e nós temos de lutar contra ele”, declarou, em homilia na capela da Casa de Santa Marta.  Papa Francisco também alertou sobre o perigo do contato com o demônio: “Com o príncipe deste mundo não se pode dialogar, que isso esteja claro!” remarcou, e assinalou que “o diálogo vem da caridade, do amor. Mas com esse príncipe é impossível dialogar: só podemos responder com a Palavra de Deus que nos defende”. 
Unamo-nos em oração e revestidos da armadura de Deus, possamos rezar a oração que o Papa Leão XIII nos deixou: 
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede o nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pela virtude divina, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos, que andam pelo mundo para perder as almas. Amém”.

ESPERA INDEFINIDA

  A cama está a espera... reluto. Uma ânsia indefinida  mantém os olhos abertos. Um examinar tudo  permeia o silêncio. Todos dormem...  tamb...