quinta-feira, 30 de novembro de 2023

PALAVRAS VOLÁTEIS

 


Pensamentos


passam


perdem-se...


Esvoaçam


inseguros,


pousam


em bocas,


escondem-se


em ouvidos,


giram


giram.


Dormem


sonham,


ao final


desaparecem.


Palavras


apalpam


o ar


seguem


voláteis


de raízes


esquecidas


altitudes


inalcançáveis.

 


Vou dizer


que...


Ah..


já se foi.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

RELAXAR

 

Hoje é dia
de descansar.
Não tem
uma data
definida
muito menos
uma idade.
Há sim
um excesso
de cobranças
permanente,
ocupações múltiplas
invadem a natureza
da vida,
subvertendo-a
com todo tipo
de pressões.
Tempo de extrair
o último suor,
exigir posturas,
visões,
criatividade,
competitividade,
organização,
liderança,
decisão.
Até a personalidade
passa pela régua
da análise,
adaptando-a
à melhor
produtividade.
Hoje é dia
de relaxar,
espreguiçar,
deitar,
distrair,
deleitar,
reencontrar
aquele eu
apagado
no emaranhado
da sobrevivência.
Ah...como é bom
descansar de tudo,
buscar fundo,
sem querer,
descobrir
o perdido.

domingo, 26 de novembro de 2023

AGUARDANDO

 


Estou aguardando 

uma palavra. 


Está na ante sala 

do grande aposento.


Está por ser dita.


Espera 

disponibilidade, 

atenção. 


Está em maturação, 

para provocar 

o efeito desejado 

de refletir.


Depois, quem sabe?


Voa ao infinito?


Abraça árvores?


Bebe 

das fontes 

límpidas  

onde  ninfas,  

faunos, 

pequenos duendes

se refestelam?


Palavras aguardam...


Quando poderão repousar ?

GESTANDO

 

Ainda não nasci.


Continuo 

no ventre 

de minha mãe. 


Ela morreu... 

há muito tempo... 

mas continuo 

ainda lá

em seu ventre. 


Ainda não dei 

meu grito fetal, 

está suspenso  

pernas fechadas

gozos comedidos.


Ainda 

não rompi 

o lacre 

o cordão 

umbilical 

intrauterino.


Ainda 

não cheguei 

ao mundo,

não chutei

dei sinal

de sair! 


Permaneço 

num repouso 

eterno 

sem saber 

o que é viver 

em mim.


Ainda não terminei 

de ser fecundado 

nas noites, 

cobertas 

escondidas. 


Ainda 

não tomei café

experimentei 

amargo.


Ainda não me 

escolheram 

um nome.


Ainda não sou eu.

AGUARDANDO

 


Estou aguardando 

uma palavra. 


Ela está 

na ante sala 

do grande aposento.


Está por ser dita.


Espera 

disponibilidade, 

atenção. 


Está em maturação, 

para provocar 

o efeito desejado 

de refletir.


Depois, quem sabe?


Voa ao infinito?


Abraça árvores?


Bebe 

das fontes 

límpidas  

onde  ninfas,  

faunos, 

pequenos duendes

se refestelam?


Palavras aguardam...


Quando poderão repousar ?

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

TRANSITÓRIO

 


A lágrima 

a solidão 

o silêncio. 


O medo 

confunde -se 

com as horas,

aguarda...


O tempo 

se extingue,

Inexorável. 


O quarto

a escuridão 

o pensamento


Diante do futuro

antevê 

o fim.


Um calafrio

perpassa

a epiderme 

semi desperta.


Fugaz 

condição humana,

onde beijos 

despedem-se 

de bocas, 

alojam-se 

na memória. 


Todos dormem...

Só o coração 

mantém-se 

desperto,

apreensivo.


O interior 

o pensamento,

a márgem

do grande rio.


Haverá tempo

para preparar 

festas?


A dor

a pedra

a despedida.

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

DOBRAS DA NOITE

 


Venho 

de sonhos 

noturnos 

não realizados, 

assaltando 

o presente.


Levanto...


Busco 

o oratório...


Uma multidão 

de dores 

aguarda 

esquecida 

oração.


Nomes e povos 

desfilam 

sofrimentos


Seguro o terço 

nas mãos

balbucio 

as contas...

 

Um mantra 

dirige-me 

para encontros 

impossíveis.


Povoam

todos 

os lados


Uma primeira 

camada 

de pensamentos,

ordeira,

reza, 

intercede, 

atua. 


Outra camada 

sobrepõe-se:

passeia 

vagueia 

trata Deus

como amigo 

num diálogo  

fraterno 

entremeado 

de longínquas 

lembranças, 

desaparecidas.


Uma terceira 

vem do alto, 

desperta 

a epiderme,

multivariada,

conforme 

o assunto. 


Traz convites 

prontos 

a todos

os atores , 

comando geral 

a determinar 

caminhos 

identificados 

nas entrelinhas, 

às apalpadelas. 


Fornece 

a devida sabedoria 

no tempo certo.

 

Assim aproximo

o sentido da vida 

à  realidade.


Amanhece.

PORQUÊS

Porque esvoaçam os brilhos que descansam no olhos? Os ninhos que se ocultam na boca, chocam verdades? Não eclodem? As sombras disfarçadas pe...