segunda-feira, 18 de agosto de 2025

MARÉS

  


Não percebo mudanças 

um dia após outro. 


A consciência ignora 

seu progresso inconsciente.


Me vejo 

muitas vezes estático,

repetitivo.


As noites lançam 

estas luzes ocultas 

dos escuros dias.


Talvez alguns anos 

mostrem diferenças...


Seguimos no lusco-fusco, 

meio às apalpadelas 

de quem somos, 

onde estamos, 

o que queremos, 

para onde vamos...


Do passado distante 

até me esqueço, 

e surpreendo-me 

quando citam algo que fiz. 


Consinto assim 

fingido de mim.


Meu ser passeia no tempo 

como as marés...

vai e volta, 

vai e volta...

DESMEDIDOS

 


Meu amor, 

as confidências 

que trocamos 

nas margens diárias, 

perdoam os oceanos 

de suas atrações lunares.


Somos da substância 

dos faunos e das ninfas,

entremeados de sabedoria. 


Sabemos nos perder, 

sabemos também 

nos encontrar.


Nossa medida é desmedida

SEM ENREDO

 


Estou sem enredo, 

vou como vou, 

onde o vento assoprar.

Procuro às noites, 

comprar alguma passagem 

para lugares inusitados, 

antes que o Sol 

aponte no horizonte.


Minha caneta pensa antes de mim.


Permite apenas 

que reflita 

meu desconhecimento, 

meu mistério particular.

PULSAÇÕES

  


Não vivo só de versos, 

sou diverso.

Não vivo só de encanto, 

vou ao campo.

Não vivo de só de sonho, 

componho.

 

Meus pedaços 

são pulsações 

que chegam a ações.


Do coração aos corações, 

de mãos às mãos.


A palavra luta para ter vida, 

toca interiores, 

convida.


Palavras suaves e duras, 

arrancam carrancas 

das molduras, 

abrem expressões francas.


Descansa seu tocar singelo, 

elo do sentir e agir.

sábado, 16 de agosto de 2025

DORMÊNCIA

  


Tua dormência 

acende muitas luzes, 

caminhos trilhados, 

fugidios.


Tua dormência 

é uma catedral 

aguardando  

badaladas de sinos. 


Observo a noite escura 

como um grande 

exercício estoico, 

acalmando abrasamentos, 

memórias mortas 

revividas.


Não sabes a dimensão 

de minhas batalhas 

enquanto não rompo

os portões deste castelo?


Sequer imaginas 

as danças ocultas 

que despertas. 


Teu lânguido deitar 

mais desperta 

que adormece.

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

IMOLAR-SE

 


Minhas lágrimas estão sempre enxutas, 

meus soluços são silenciosos.


É necessária grande atenção, 

de antemão, 

para perceber este córrego 

oculto pelo tempo.


Comprender a dor milenar, 

genética, 

da humanidade. 


Continua a ser reproduzida 

em sua imbecilidade. 


É necessária a força da insuficiência, 

como consciência da desproporcionalidade.


Correr contra a vontade do tempo, 

imolar o amor

SUPERFICIALIDADE

 .


Lembre-se dos ventos, 

das tempestades, 

as calmarias.


Lembre-se da solidão, 

das grandes festas vazias.


Lembre-se da proximidade do chão, 

e das inalcansáveis alturas.


Lembre-se que amanhã é outro dia, 

e tudo também se esvazia...


Guarde-se esquecido, 

na sinceridade de si mesmo.


Exponha teu neutro ser, 

ao universo de opiniões. 


Que o principal conviva com a paz, 

já é suficiente.

PORQUÊS

Porque esvoaçam os brilhos que descansam no olhos? Os ninhos que se ocultam na boca, chocam verdades? Não eclodem? As sombras disfarçadas pe...