CHOVE?... NENHUMA CHUVA CAI... | |||
Chove?.. Nenhuma chuva cai...
Então onde é que eu sinto um dia Em que o ruído da chuva atrai A minha inútil agonia? Onde é que chove, que eu o ouço? Onde é que é triste, ó claro céu? Eu quero sorrir-te, e não posso, Ó céu azul, chamar-te meu... E o escuro ruído da chuva É constante em meu pensamento. Meu ser é a invisível curva Traçada pelo som do vento... E eis que ante o sol e o azul do dia, Como se a hora me estorvasse, Eu sofro... E a luz e a sua alegria Cai aos meus pés como um disfarce. Ah, na minha alma sempre chove. Há sempre escuro dentro em mim. Se escuto, alguém dentro em mim ouve A chuva, como a voz de um fim ... Quando é que eu serei da tua cor, Do teu plácido e azul encanto, Ó claro dia exterior, Ó céu mais útil que o meu pranto?
© FERNANDO PESSOA
1-12-1914 In Cartas de Fernando Pessoa a Armando Côrtes-Rodrigues, 1944 Ed. Confluência, Lisboa (3.ª ed. Livros Horizonte, Lisboa, 1985) |
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Num dia como hoje, comendo bolinhos de chuva feitos pela mãe
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Um comentário:
Lindo poema!
Deus abençoe!
Abraço!!!
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