terça-feira, 12 de novembro de 2024

NUVENS BRANCAS



Nuvens brancas 

passeiam lentas, 

quase descansam 

no manto azul, 

parecem fotos.


Convidam 

à paciência, 

à paz. 


Não se evaporam 

rapidamente 

diante do Sol, 

disfarçam suas fragilidades.


São esperança de durabilidade. 


Cientes de si, 

desdenham 

as avenidas congestionadas, 

as mentiras 

nas redes sociais.


Passam isentas, 

seguem 

não sei para onde, 

não é necessário acompanhar. 


De alguma forma 

desaparecem 

sem que se sinta falta.


Sou uma pequena 

nuvenzinha a observar 

tudo embaixo. 


Hoje aqui, 

amanhã,  

sabe-se lá...

sábado, 9 de novembro de 2024

COMPOR

 Cl


Onde você entra 

nessa história?


Entra quando 

nos encontramos.


Assim você 

faz parte de mim, 

encontro sem fim.


Onde entro nessa história?


Quando você me muda,

e silencio 

mudo.


Não fazemos parte,

somos um todo!

TRADUÇÃO

 

Meus sentimentos
não tem palavras,
não se traduzem,
por mais que tente explicá-los.
Invadem minha lógica
com desdém,
fina ironia
à superficialidade da grafia.
Observo esta constante
falta de entendimento,
submersa e,
fazer o quê,
sigo em percurso
arqueológico,
decifrando o significado
das coisas.
Estou perdendo a lucidez?
Já a perdi há tempos...
não sei
se vivo
mais dentro,
na ideia,
do que fora,
no real.
Me confundo todo,
puro engodo
de mim mesmo.

SOTURNO

 


Meus pensamentos despertam 

muito antes de mim, 

observam a linguagem da noite.


Meus sentimentos sequer dormem, 

passeiam livres...

repensam o passado, 

ora adentrando campos proibidos 

controlados pelo tempo,

ora recordando 

arestas petrificadas, 

sempre vêm à tona, 

em repetidas correções,

martelam...


Olho-os criticamente 

enquanto observam 

e passeiam 

no repouso.


Não durmo mais...

noite de mim.


O tempo não perdoa os passos...


Meus sonhos são raros, 

trazem enigmas longínquos.


Desperto, 

vivo a decifrá-los

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

ENTREABERTO



Entreaberto, 

um livro aguarda 

demorada reflexão.


Entreaberta, 

uma reflexão 

não se materializa, 

sob o risco 

de não conseguir 

prosseguir a leitura.


Caminhos de mim 

deixam portas abertas

que aguardam.


De repente 

o mundo espera 

apenas uma compreensão 

para seguir em frente.


Mas, 

quem sou eu 

diante do mundo 

para fazê-lo esperar?


Mas, 

qual o caminho, 

se ainda 

não está claro, 

são tantos!


Ando refletindo muito, 

deixando o livro 

aberto 

aguardando

ÀS VEZES

 


Às vezes 

não vem palavras, 

mas lágrimas...


Olhos perpassam 

vulneráveis fisionomias, 

penetram...

descobrem a verdade 

além da postura,

vão dentro...


Às vezes 

fico confuso 

sobre a quem respondo, 

a quem falo.


Melhor deixar 

oculto o oculto,

submeter-me 

às trivialidades. 


Melhor remexer escombros

escavar vidas soterradas, 

não estão ali por acaso, 

esperam socorro.


Às vezes 

palavras 

são melhores 

que lágrimas,

curam ...

sábado, 2 de novembro de 2024

FINADOS

 Se olho,

tenho mais parentes

do lado de lá,

que de cá.

Não apertam

mais a campainha,

vêm me visitar.

Não telefonam,

nem festejam mais

meu aniversário.
Esconderam-se.
Fui obrigado a acostumar-me

com estas ausências.

Que não dizer

dos de minha própria casa,
sangue do meu sangue?

Vejo-os ainda

na cozinha,

nos cômodos.

Falam comigo

desde a partida.

Se penso,

ainda vejo em mim,

cada um...

posso contá-los.

Estou aprendendo

a dura lição

das ausências,

lição de vida

para com os mortos.

Estou aprendendo

a ser só

até partir também

para fazer parte

da lembrança de alguém...

PORQUÊS

Porque esvoaçam os brilhos que descansam no olhos? Os ninhos que se ocultam na boca, chocam verdades? Não eclodem? As sombras disfarçadas pe...