sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ataques contra cristãos podem ter motivos econômicos, políticos ou religiosos


Bispo da Tanzânia afirma que a situação é complexa, e é difícil encontrar uma só causa das violências
Por Redacao
10 de Abril de 2014 (Zenit.org) - A situação da Tanzânia é complexa, afirmam alguns bispos da Tanzânia.  Dom Tarcisius Ngalalekumwta, Bispo de Iringa e Presidente da Conferência Episcopal da Tanzânia, que se encontra em Roma para a visita Ad Limina Apostolorum, falou sobre a tensão entre católicos e muçulmanos. “Alguns extremistas muçulmanos gostariam de eliminar os cristãos da sociedade porque pensam que a única religião na Tanzânia deve ser a islâmica”, denuncia à Agência Fides.
“Naturalmente estas posturas são extremas e não refletem a opinião da maioria dos muçulmanos locais. Dentre eles, existem importantes expoentes com os quais é possível realizar um diálogo de paz”, explica o Bispo. As tensões mais graves ocorreram na ilha de Zanzibar.
“A situação na ilha atualmente está calma, mesmo porque a atenção de todos está concentrada nas reformas constitucionais, e especialmente na oportunidade de formar três governos (federal e dois locais, para Tanganika e Zanzibar, ndr)” diz à Agência Fides Dom Augustine Shao, Bispo de Zanzibar.
O Bispo da Ilha explica que os ataques “derivam de uma mistura de motivações políticas, religiosas ou simplesmente criminosas”. Dom Shao falou também sobre a convivência entre as religiões no país: “Como cristãos e muçulmanos, vivemos juntos pacificamente centenas de anos, tanto é verdade que matrimônios mistos não são incomuns”.
“Esta onda de ataques deve ter motivos recentes, que podem ser econômicos, políticos ou religiosos, causados pela difusão de pregações extremistas que provêm do exterior”. Para ele, “estes três aspectos contribuam para provocar ondas de violência contra os cristãos, como as que de vez em quando se verificam em Zanzibar”.
“A situação, portanto, é complexa, e é difícil encontrar uma só causa das violências contra os cristãos”, conclui o Bispo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A Igreja Católica e o Golpe de 1964


ESCRITO POR CRB COMUNICAÇÃO LIGADO . PUBLICADO EM DESTAQUE
Por Frei Betto| 03.04.14| Sabemos que o povo latino-americano é profundamente religioso. Pergunte a um pequeno agricultor qual a sua visão de mundo e, com certeza, receberá uma resposta de caráter religioso.
Sabemos todos? Quase todos. Exceto certa parcela da esquerda latino-americana que, influenciada pelo positivismo marxista europeu, se esqueceu de aplicar o método dialético ao fator religioso e, na contramão de Marx e Engels (videO Cristianismo Primitivo, de Engels) considerou tudo o que cheira a água benta e incenso pura alienação a ser duramente combatida. E o pior: incluíram nos estatutos de seus partidos a exigência de o novo militante declarar-se formalmente ateu... Ou seja, primeiro, ateu; depois, revolucionário.
Já a direita, mais inteligente em sua esperteza, sempre soube explorar o fator religioso em seu proveito. Assim, para evitar que Jango implementasse no Brasil reformas de base (estruturais) evocou a proteção anticomunista de Nossa Senhora Aparecida e importou dos EUA o padre Peyton que promoveu aqui, nas principais capitais, Marchas da Família com Deus pela Liberdade.
Veio o golpe militar, a 1º de abril de 1964, e não era mentira... Jango foi deposto e a Sanha repressiva se dissipou pelo Brasil. 
Como membro da direção nacional da Ação Católica, participei no Rio, no Convento do Cenáculo, na rua Pereira da Silva, em Laranjeiras, da reunião da CNBB na qual os bispos católicos definiram sua posição frente à quartelada. Houve acalorada discussão entre progressistas e conservadores. De um lado, Dom Helder Camara, bispo auxiliar do Rio, apoiado por Dom Carlos Carmelo Mota, arcebispo de São Paulo e presidente da CNBB, criticaram os militares por desrespeito à Constituição e à ordem democrática. De outro, Dom Vicente Scherer, arcebispo de Porto Alegre, e Dom Geraldo Sigaud, arcebispo de Diamantina (MG), exigiam Te Deum por ter a Virgem de Aparecida escutado os clamores do povo e livrado o Brasil da ameaça comunista. Venceu esta segunda posição. A CNBB deu seu apoio oficial aos militares golpistas.
Porém, não há mal que sempre dure. Àquela altura, um amplo setor da Igreja Católica já estava comprometido com a resistência à ditadura. Esta não soube perceber a diferença entre católicos progressistas e conservadores. Cometeu o equivoco de considerar a Igreja uma instituição monolítica, de poder centralizado, unívoco, que tacitamente acendia uma vela a Deus e outra ao diabo.
O germe do progressismo católico no Brasil havia sido semeado pela Ação Católica, influenciada pela Ação Católica francesa que, na Segunda Guerra, participou da resistência ao nazismo em aliança com os comunistas. Aqui, a JEC (Juventude Estudantil Católica) e a JUC (Juventude Universitária Católica) se destacavam na luta por justiça no movimento estudantil. Desses movimentos nasceu a Ação Popular, na qual os militantes católicos de esquerda atuavam sem prestar contas aos bispos nem comprometer a instituição eclesiástica.
Na primeira semana de junho de 1964, dois meses após o golpe, o CENIMAR, serviço secreto da Marinha, promoveu no Rio o arrastão destinado a prender militantes da Ação Popular. Para ele não havia diferença entre Ação Católica e Ação Popular. O apartamento da direção nacional da Ação Católica, da JUC e da JEC, vizinho do Convento do Cenáculo, foi invadido na madruga de 5 para 6 de junho de 1964. Fomos todos presos.
Em outras regiões do país, leigos, religiosos(as) e padres foram perseguidos, presos e/ou convidados a depor em IPMs (Inquérito Policial Militar).
Logo a repressão percebeu que nem toda a Igreja apoiava o golpe. Havia até mesmo bispos e cardeais críticos à ditadura e dispostos a defender os direitos humanos. Muitos se engajaram em ações de resistência, seja proferindo sermões tidos como “subversivos”, seja escondendo perseguidos políticos.
A partir da prisão dos frades dominicanos aliados à Ação Libertadora Nacional comandada por Carlos Marighella, em novembro de 1969 (vide meu livro e filme de mesmo título, dirigido por Helvécio Ratton, Batismo de Sangue), aprofundou-se o conflito entre Estado e Igreja Católica. A CNBB, já então hegemonizada por bispos progressistas, emitiu documentos em defesa dos direitos humanos e da democracia, e o papa Paulo VI respaldou os religiosos encarcerados.
Em São Paulo, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns criou, a partir de 1970, uma vasta articulação de resistência e crítica à ditadura, e defesa dos direitos humanos: Comissão Justiça e Paz, equipe Clamor, jornal O São Paulo, culminando na publicação do mais consistente documento antiditadura produzido até hoje, o livro Brasil Nunca Mais, no qual os crimes da ditadura são divulgados com base, não em notícias de jornais, e sim em documentos oficiais elaborados pelas Forças Armadas.
Frei Betto é escritor, autor de Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira (Rocco), entre outros livros.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Será possível conciliar o Leste e o Oeste da Ucrânia?


8 DE ABRIL DE 2014 - 19H06 

Os recentes acontecimentos no Leste da Ucrânia são provas convincentes de que a população de língua russa (e a de língua ucraniana também) não pretende tolerar os neonazistas, exportados para lá do Oeste do país, inclusive a partir da região de Ivano-Frankovsk.


Policiais reprimem manifestação em Carcóvia, Ucrânia
Parece que a única maneira de sair desta profunda crise política e ideológica, quando formalmente num mesmo território existem duas Ucrânias, é a sua federalização.

A região de Ivano-Frankovsk tornou-se uma espécie de símbolo daquela Ucrânia que está orientada para o Ocidente e está disposta contra a Rússia. Claro, não se trata de toda a população da região mas de sua parte politicamente ativa que é, de fato, quem tem mais influência. A orientação política, cultural e histórica da região de Ivano-Frankovsk, que juntamente com as regiões de Lviv e Ternopol eram conhecidas como Galícia, é devida a uma série de eventos-chave. Primeiro de tudo – à longa permanência (desde o século 15) desta região na Polônia e Império Austro-húngaro.

Este território só passou a fazer parte da República Soviética da Ucrânia apenas na virada das décadas de 1930-1940, e não se pode dizer que o processo tenha corrido sem problemas, tendo em conta a invasão iminente da União Soviética pelas forças de Hitler. Basta recordar o simples fato da criação entre os habitantes locais da divisão Galizien da SS.

É curioso que, tendo sentimentos claramente antirrussos, muitos habitantes da região de Ivano-Frankovsk não sentem simpatia para com os polacos, alemães e austríacos que participaram no destino de sua pátria. Muitas vezes até os odeiam, construindo sua base ideológica sobre um ódio total a forças externas e sobre sua exclusividade, misturada, além de tudo, com antissemitismo. O deputado da Suprema Rada (parlamento) da Ucrânia Alexander Golub notou as grandes diferenças entre a Ucrânia ocidental e oriental:

“Há uma grande diferença na compreensão cultural e religiosa, na experiência histórica. Durante um tempo bastante longo as regiões ocidentais estiveram sob a influência de certos países – Áustria, Alemanha, Polônia. Durante esse período, as pessoas que vivem lá eram educadas no ódio a tudo que tem a ver com a Rússia ou a União Soviética: à língua, à cultura e à fé. Não é por acaso que foram nessas regiões que surgiram os uniatas – representantes da Igreja Greco-Católica Ucraniana, que obrigaram os habitantes do Oeste do país a abandonar a Ortodoxia.”

O analista político Dmitri Abzalov está convencido de que as regiões ucranianas apenas podem ficar juntas se receberem amplos poderes dentro de um Estado unitário e respeito pelos direitos de todos os cidadãos:

“A federalização permitirá preservar os interesses das regiões e territórios e proporcionar uma oportunidade para a atividade política das elites regionais. Isso, por sua vez, garantiria a preservação de sua independência. Na maioria dos casos, tais medidas são suficientes para resolver todos os problemas. Lembre-se da unificação da Alemanha. As federações são estruturas estáveis se, é claro, as autoridades conseguirem criar ferramentas de representação das regiões.”

Por enquanto, uma estrutura federal para a Ucrânia é uma grande questão em aberto. Ela existe como um projeto proposto por forças construtivas no país e no exterior, interessadas em paz e acordo comum. Mas as autoridades autoproclamadas em Kiev não estão dispostas a realizar uma reforma política e pública tanto radical, como extremamente necessária. Ora o confronto entre o sudeste e oeste do país vai crescer. Os últimos dias, infelizmente, confirmam a realização justamente desse cenário.

A parte nacionalista da população da Galícia é pouco susceptível de concordar com que seus heróis – Bandera e Chukevitch – tivessem sido criminosos e torturadores, inclusive do povo ucraniano. E não importa que é justamente com essas definições que concordam muitos ucranianos, judeus e poloneses que vivem em Ivano-Frankovsk e arredores. Hoje a vontade é ditada por pessoas armadas.

Assim, com o consentimento tácito de Kiev, defendendo e impondo seus próprios ideais, se assim se pode dizer, os neofascistas podem conseguir que a Ucrânia deixará de existir em suas fronteiras atuais. O sudeste do país nunca aceitará a visão da Ucrânia ocidental da história, do presente e do futuro do Estado sob as bandeiras de Bandera. O outro caminho – o federativo – pode reconciliar os atuais adversários ideológicos. Claro que, numa base mutuamente aceitável.

Fonte: Voz da Rússia

Será possível conciliar o Leste e o Oeste da Ucrânia?


8 DE ABRIL DE 2014 - 19H06 

Os recentes acontecimentos no Leste da Ucrânia são provas convincentes de que a população de língua russa (e a de língua ucraniana também) não pretende tolerar os neonazistas, exportados para lá do Oeste do país, inclusive a partir da região de Ivano-Frankovsk.


Policiais reprimem manifestação em Carcóvia, Ucrânia
Parece que a única maneira de sair desta profunda crise política e ideológica, quando formalmente num mesmo território existem duas Ucrânias, é a sua federalização.

A região de Ivano-Frankovsk tornou-se uma espécie de símbolo daquela Ucrânia que está orientada para o Ocidente e está disposta contra a Rússia. Claro, não se trata de toda a população da região mas de sua parte politicamente ativa que é, de fato, quem tem mais influência. A orientação política, cultural e histórica da região de Ivano-Frankovsk, que juntamente com as regiões de Lviv e Ternopol eram conhecidas como Galícia, é devida a uma série de eventos-chave. Primeiro de tudo – à longa permanência (desde o século 15) desta região na Polônia e Império Austro-húngaro.

Este território só passou a fazer parte da República Soviética da Ucrânia apenas na virada das décadas de 1930-1940, e não se pode dizer que o processo tenha corrido sem problemas, tendo em conta a invasão iminente da União Soviética pelas forças de Hitler. Basta recordar o simples fato da criação entre os habitantes locais da divisão Galizien da SS.

É curioso que, tendo sentimentos claramente antirrussos, muitos habitantes da região de Ivano-Frankovsk não sentem simpatia para com os polacos, alemães e austríacos que participaram no destino de sua pátria. Muitas vezes até os odeiam, construindo sua base ideológica sobre um ódio total a forças externas e sobre sua exclusividade, misturada, além de tudo, com antissemitismo. O deputado da Suprema Rada (parlamento) da Ucrânia Alexander Golub notou as grandes diferenças entre a Ucrânia ocidental e oriental:

“Há uma grande diferença na compreensão cultural e religiosa, na experiência histórica. Durante um tempo bastante longo as regiões ocidentais estiveram sob a influência de certos países – Áustria, Alemanha, Polônia. Durante esse período, as pessoas que vivem lá eram educadas no ódio a tudo que tem a ver com a Rússia ou a União Soviética: à língua, à cultura e à fé. Não é por acaso que foram nessas regiões que surgiram os uniatas – representantes da Igreja Greco-Católica Ucraniana, que obrigaram os habitantes do Oeste do país a abandonar a Ortodoxia.”

O analista político Dmitri Abzalov está convencido de que as regiões ucranianas apenas podem ficar juntas se receberem amplos poderes dentro de um Estado unitário e respeito pelos direitos de todos os cidadãos:

“A federalização permitirá preservar os interesses das regiões e territórios e proporcionar uma oportunidade para a atividade política das elites regionais. Isso, por sua vez, garantiria a preservação de sua independência. Na maioria dos casos, tais medidas são suficientes para resolver todos os problemas. Lembre-se da unificação da Alemanha. As federações são estruturas estáveis se, é claro, as autoridades conseguirem criar ferramentas de representação das regiões.”

Por enquanto, uma estrutura federal para a Ucrânia é uma grande questão em aberto. Ela existe como um projeto proposto por forças construtivas no país e no exterior, interessadas em paz e acordo comum. Mas as autoridades autoproclamadas em Kiev não estão dispostas a realizar uma reforma política e pública tanto radical, como extremamente necessária. Ora o confronto entre o sudeste e oeste do país vai crescer. Os últimos dias, infelizmente, confirmam a realização justamente desse cenário.

A parte nacionalista da população da Galícia é pouco susceptível de concordar com que seus heróis – Bandera e Chukevitch – tivessem sido criminosos e torturadores, inclusive do povo ucraniano. E não importa que é justamente com essas definições que concordam muitos ucranianos, judeus e poloneses que vivem em Ivano-Frankovsk e arredores. Hoje a vontade é ditada por pessoas armadas.

Assim, com o consentimento tácito de Kiev, defendendo e impondo seus próprios ideais, se assim se pode dizer, os neofascistas podem conseguir que a Ucrânia deixará de existir em suas fronteiras atuais. O sudeste do país nunca aceitará a visão da Ucrânia ocidental da história, do presente e do futuro do Estado sob as bandeiras de Bandera. O outro caminho – o federativo – pode reconciliar os atuais adversários ideológicos. Claro que, numa base mutuamente aceitável.

Fonte: Voz da Rússia

terça-feira, 8 de abril de 2014

Resistência libanesa diz que governo sírio não pode ser derrubado

8 DE ABRIL DE 2014 - 9H51 

Said Hassan Nasrallah, secretário-geral do partido libanês Hezbolá, à frente da resistência anti-imperialista na região, disse que o governo sírio já não corre o risco de ser derrubado. Para Nasrallah, o mundo busca uma solução diplomática para a crise na Síria, embora denúncias do respaldo estrangeiro aos paramilitares que combatem as tropas do governo ainda sejam relatadas.


HispanTV
Manifestação de apoio ao presidente da Síria, Bashar Al-Assad, em Damasco, no início deste ano.
Manifestação de apoio ao presidente da Síria, Bashar Al-Assad, em Damasco, no início deste ano.
Nasrallah disse que já não é uma possibilidade a tomada do país pelos rebeldes. A guerra civil na Síria já dura mais de três anos e é mantida, sobretudo, pela ingerência externa durante este período, com o apoio logístico, bélico e político aos grupos armados, inclusive com o envio de mercenários e extremistas religiosos.

Em uma entrevista ao jornal libanês As-Safir, publicada nesta segunda-feira (7), o líder do Hezbollah afirmou que a campanha dos rebeldes não foi impulsionada por ideias de democracia, liberdade ou justiça, mas que a intenção era redirecionar algumas das posições políticas da Síria, como o apoio à resistência palestina e ao Hezbolá.

“A batalha na Síria não pretende fazer a democracia, a justiça, ou lutar contra a corrupção, mas mudar a posição síria e as ofertas que o presidente Bashar Al-Assad recebeu mais de uma vez são provas disso,” pontuou Nasrallah.

Um dos elementos principais da oposição armada na Síria é prejudicar os laços com o Hezbolá, após uma tentativa fracassada durante a Segunda Guerra contra o Líbano, em 2006, de acordo com o líder, que ressaltou que o envolvimento da resistência libanesa no conflito na Síria, em apoio a Assad, é respaldado pelos apoiadores do Hezbolá.

A crise na Síria já entrou no seu quarto ano, em março. A guerra civil teve início com protestos que foram infiltrados e redimensionados por atores externos, cuja agenda incluía a derrubada de Assad para a instalação de um governo mais favorável ao projeto imperialista estadunidense e europeu para a região, com o apoio direto de países da região, como a Turquia e a Arábia Saudita.

Da Redação do Vermelho,
Com informações do As-Safir e da Russia Today

Brasil está em transição entre ciclos econômicos, diz secretário

8 DE ABRIL DE 2014 - 14H51 

O secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, questionou nesta terça-feira (8) o que chamou de excesso de pessimismo em relação à economia brasileira e afirmou que o país está mudando de ciclo econômico desde o ano passado. "Não há risco de nenhum evento abrupto na economia brasileira. O que nós teremos é uma transição: de um ciclo de crescimento que se encerrou em 2012, 2013, e um novo ciclo que está começando", afirmou Dyogo Oliveira.


O secretário fundamentou seu argumento apresentando características desse novo momento. O antigo ciclo de crescimento - que Oliveira delimitou entre 2002 e 2012, teve alguns traços marcantes, como grande expansão da renda, do comércio internacional, do mercado de crédito e do consumo, com a inclusão de milhões de pessoas na classe média. "Esses números não vão se repetir no próximo ciclo. Não podemos esperar que nossas exportações quadrupliquem de novo e que a renda tenha essa expansão. Isso não vai acontecer. Não é mais esse o modelo".

Para Oliveira, o modelo do novo ciclo será baseado na expansão do investimento, da infraestrutura e da capacidade produtiva: "Em economês, o próximo ciclo depende basicamente de ganhos de produtividade que virão desses investimentos", disse ele, que avaliou: "Estamos passando por essa transição de forma bastante satisfatória. Há uma grande dicotomia entre os dados e as expectativas.

É bastante curioso que os dados venham positivos e as expectativas sejam de que os próximos dados sejam ruins. Há um excesso de pessimismo em algumas análises, mas o que estamos vendo é que o próprio mercado vai corrigir esse pessimismo. Aparentemente, está em curso um processo de reversão desse excesso".

Para o secretário, os resultados do Produto Interno Bruto e da inflação no último ano também são positivos: "Em 2013, houve mais que o dobro do crescimento de 2012 com o mesmo nível de inflação. Esse é um dado que deveria ser comemorado e não criticado, como aconteceu".

O secretário falou para uma plateia de representantes do mercado de resseguros do país, no 3º Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, onde participou da discussão sobre o papel da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), criada em agosto do ano passado para garantir riscos que o mercado não costuma assumir, como crédito imobiliário de baixa renda, investimentos em infraestrutura e crédito estudantil.

"A ABGF vai atuar com riscos não gerenciáveis. Esse é o modelo básico para viabilizar projetos e políticas públicas, como crédito para micro e pequenas empresas, para moradia de baixa renda e estudantil. Quando o mercado puder absorver esses riscos, é função da ABGF sair, porque o governo não tem dinheiro para aplicar em riscos que podem ser garantidos pelo mercado".


Fonte: Agência Brasil

Evento do governo marca os 20 anos do genocídio no Ruanda

7 DE ABRIL DE 2014 - 15H20 

A capital do Ruanda, Kigali, marcou os 20 anos desde o genocídio que deixou 800 mil mortos, em 1994, nesta segunda-feira (7). Em um evento no estádio de Amahoro, milhares de pessoas reuniram-se para prestar homenagens, garantir a memória e escutar sobreviventes do massacre que durou 100 dias, com o respaldo do governo Hutu à matança da minoria Tutsi e dos Hutus que os protegiam.


Arquivo histórico
Em 1994, milhares de ruandeses refugiados deixavam o país ou as suas vilas para buscar proteção durante a campanha genocida de 100 dias respaldada pelo governo, que resultou em 800 mil mortos.
Em 1994, milhares de ruandeses refugiados deixavam o país ou as suas vilas para buscar proteção durante a campanha genocida de 100 dias respaldada pelo governo, que resultou em 800 mil mortos.
O presidente Paul Kagame e outras autoridades estiveram no evento para prestar tributo aos 800 mil Tutsis e Hutus moderados que foram brutalmente assassinados por milícias e oficiais do governo, entre abril e junho de 1994, neste país centro-africano.

“Por trás das palavras ‘jamais novamente’ há uma história cuja verdade precisa ser contada de forma completa. Não importa quem você seja e quão desconfortável”, disse Kagame à multidão, também em referência à França. Kagame acusa soldados franceses participantes na operação militar Turquesa (desencadeada em junho de 1994, sob mandato das Nações Unidas) de terem sido “cúmplices” e “atores” de massacres.

“Les faits sont têtus” (“os fatos são teimosos”), completou o presidente, em francês. A representação diplomática francesa desistiu de participar do evento depois de uma entrevista com Kagame na revista semanal Jeune Afrique (Jovem África), em que ele afirmou a necessidade de a França lembrar como contribuiu para a execução do genocídio, em 1994, com seu apoio ao governo. Já o embaixador francês no Ruanda Michel Flesch disse que a sua acreditação foi revogada.

No estádio de Amahoro, a dor deste aniversário foi demasiada para alguns, que relembravam o trauma dos 100 dias de horror instaurados neste dia, há 20 anos, após a morte dos presidentes do Ruanda, Juvénal Habyarimana, e do Burundi, Cyprien Ntaryamira, ambos Hutus, no dia anterior. Habyarimana assinara o Acordo de Arusha, em 1993, em que concordava com a partilha de poder com os Tutsis, para encerrar uma guerra civil de três anos.

O sobrevivente do genocídio, Fidele Wamuhizi, contou sobre a sua experiência em kinyarwanda (ou quiniaruanda, a língua oficial do país, junto com o francês, devido à colonização belga), o que perturbou muitos dos expectadores, que recordavam sobre a sua própria história.

A secretária-geral da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, também se dirigiu aos que participavam da cerimônia, dizendo: “Devemos isso a nossas crianças e aos filhos delas, lembrar as 300 mil crianças mortas,” no genocídio ruandês.

“Nós poderíamos ter feito muito mais, deveríamos ter feito muito mais,” disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, referindo-se ao papel da organização, que mantinha uma missão de manutenção da paz no país desde o ano interior.

“São 20 temporadas de luto. Este é um dia que não pode ser esquecido,” disse a ministra das Relações Exteriores do Ruanda, Louise Mushikiwabo. No pós-genocídio, há 20 anos, continuou, “os ruandeses sentiram-se sozinhos em seu luto. Hoje, amidos de todo o mundo juntam-se a nós para marcar a tragédia da nossa nação.”

Com informações do portal All Africa,


PORQUÊS

Porque esvoaçam os brilhos que descansam no olhos? Os ninhos que se ocultam na boca, chocam verdades? Não eclodem? As sombras disfarçadas pe...