quarta-feira, 11 de outubro de 2023

VAZIO

 


Conheço o vazio

 que carrego.


O peso 

deste vazio.


Um dia 

após o outro 

não são 

suficientes 

para preenchê-lo.


Vaza...


Não está 

na vida 

em si, 

mas na 

ausência 

de vida. 


Não está 

na consciência 

das pessoas, 

sentem,  

não percebem.


Não tem volume,  

crescimento, 

paradoxalmente, 

esvaziamento.


Está localizado 

no espaço 

da consciência 

que não se põe 

em ação. 


No espaço 

da fé 

sem obras.


No amor 

que não 

se expressa.


Na desistência 

da verdade...


Não toma tudo 

de uma vez...

vem ao poucos, 

disfarçado 

de verdade, 

por dentro , 

até assumir 

cativeiro 

que não ocupa, 

não percebemos.


Realidade 

inconteste, 

assola 

todo aquele 

que busca 

um mundo 

melhor.


Está aí, 

no silêncio  

diante 

das injustiças, 

nas bocas  

famintas , 

na falta 

de um lar, 

doentes 

esquecidos, 

drogados 

sem apoio,

em toda sorte 

de explorados, 

abandonados, 

desprezados.


Um vazio 

que purga 

nada 

permanente.


Vazio de morte.

EM REFORMA

 


Descobri 

as palavras 

que escrevi, 

quando li.


Mas então, 

escrevi 

e não sabia? 


Vou-me 

escavando 

sem saber, 

tesouro 

perdido

encontro

de mim,  

nascente 

que flui 

desconhecida.


Surpreendo-me

com que 

descubro.

 

Pergunto, 

como pude?


Disfarces  

divertem -se 

em passear 

comigo.


Calo-me 

impedindo-lhes 

a saída, 

descubro 

um silêncio 

nobre 

de vigília 

interior, 

descartando 

uns e outros 

personagens. 


Palavras 

com poder 

de criar , 

fonte 

oculta, 

vida 

que atravessa 

a vida.

DESCOBERTA AMBÍGUA



Não espero 

unanimidade, 

mas contraponto, 

véspera da verdade.


Não espero 

compreensão, 

mas cizânia, 

anteporta 

de amizades.


Não espero 

grandes conquistas, 

mas derrotas pungentes, 

chegam à consciência.

 

Não espero 

sonhos, 

mas pesadelos; 

deixam os sentidos 

despertos.


Não espero 

alegria, 

mas tristeza, 

mais realista.


Não espero 

ser útil 

nisto ou naquilo,  

mas ser 

imprestável; 

terei a verdadeira ideia 

do que pensam 

de mim.


Não espero 

a esperança; 

ela espera 

de mim.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

ORDEM & DESORDEM

 ORDEM & DESORDEM


Caminho 

no estreito 

leito  

definido 

pela ordem.


Faço 

declarações 

confinadas 

pela ordem.


Sigo 

meus trajetos, 

como todos, 

em ordem


Encontro 

ocupações 

pela ordem.


Luto 

em ordem.


Sou ordem!


O beijo 

rompe 

a ordem.


O abraço 

fragiliza 

a ordem.


As palavras 

questionam 

a ordem.


A criação 

reconstrói 

a ordem.


A política 

repensa 

a ordem.


O amor 

desdenha   

a ordem


Sou desordem!

PERGUNTAS INSÓLITAS

 


É  preciso deixar o campo sem flores para defender a paz?


Se constrói alegria sem regar desertos?


É possivel suportar  pesadas estruturas, e  construir leveza?


O impossível está enamorado do  limite? 


Os alma se deixa conhecer pela razão ?


O amor é amigo das estruturas?


As praças queixam-se das ausências ?


As despedidas medem o tamanho do encontro?


As flores tem consciência  da beleza? 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

DEIXE SER...

 Deixe ser...


Muitas regras 

matam!


Deixe 

as pessoas 

seus varais 

de roupas, 

estrelas preferidas 

piscando sonhos.


Porquê 

perfumes 

não decidem(?)

jardins vazios, 

sem vida?


Ah os sorrisos 

gratuitos, 

os passeios 

matinais 

onde o amor 

cruza 

a todo instante.


Deixe 

o calor e o frio, 

a saúde e a doença, 

a pedra e a água, 

porque 

nada e tudo 

fazem parte  

da descoberta.


Deixe ser...

PARTES DE MIM

 


Uma parte 

de mim 

vai ficando 

no trajeto. 


Não é  proposital 

nem casual.


São espaços 

abertos 

de convívio 

compreensões 

furtivas 

nada tomando 

nada perdendo, 

completando.


Não há  

acordos, 

simplesmente 

socializa-se, 

deixa de ser seu.


O caminho 

é um ir 

deixando 

nossas partes  

assumindo 

outras 

em nós. 


Somos 

um imenso 

corpo 

em construção.

AO RELENTO...

  Estirei-me nos varais,  preso a grampos  em manhã de Sol,  quando a umidade  confisca vestes. Balancei ao vento  meus alentos,  atentos,  ...