A noite não termina,
não me incomodo,
refaz-me de qualquer modo.
Preciso viver a mansidão...
Quando abro os olhos,
há um circo de horrores...
Faz pensar:
-Porquê estou aqui?
-O quê foi feito do mundo,
de mim?
Sim...
a escuridão e o silêncio
me refazem,
estranha vida.
Permito-me observar
a quantas anda
minha presença por aí.
As pessoas querem tudo,
nos absorvem
com toda sorte de coisas,
"importantes" e rotineiras,
estão sempre aí...
Vivo de escolhas
antes do caminho,
antes de decidir,
O principal passa ao largo,
e declino muito
(como um endividado
que se esconde
por onde anda)...
Noite que não termina,
rumina,
mastiga,
digere situações...
devolve-as
novamente
à mente...
lentas soluções.
Amanhã
promete
ser
um dia
quente.
Estarei preparado...
Andarei por perto
das pequenas coisas
e do esquecimento,
impossível preocupar-me,
não me pegam...
Porque o circo de horrores
está aí,
presente...
torturando...
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