terça-feira, 4 de outubro de 2011

Correndo no eixo conturbado entre São Paulo e Rio


Centro SP.jpg

Estive neste fim de semana no rio de Janeiro. Um calor!

Lá encontrei um torcedor do fluminense conversando com um vascaino, ambos vestidos com as respectivas camisas de seus clubes. E numa nice.

Aqui em Sampa daria uma briga de organizadas.

De volta, antes de chegar à Rodoviária Novo Rio, passei por uma praça cheia de gente empinando pipas, aos montes.

Pensei comigo - Como é barato ser feliz.

Concluo - Muitos buscam sobreviver, lutando daqui e dali, cheios de aflição, e a alegria à disposição de cada um, desde que se disponha a encontrá-la, nas atividades mais triviais da vida, como esta de empinar pipas.

Fiz uma viagem das mais cansativas de volta a São Paulo.

Sentei ao lado de um Monumento, isto é, de uma moça que se achava a sétima maravilha do mundo, e por isso silenciara-se.

Ou então pensava que eu fosse um estuprador, afinal estou careca e barrigudo.

Fez-me lembrar da Bela e a Fera, ou o Corcunda de Notre Dame, ou o Fantasma da Ópera.

Achei-me o último dos mortais, ali em silêncio, por toda a viagem.

Para não deixá-la inflar-se muito, também a evitei. Ficamos assim, como se não existíssemos.

Busquei fazer uma oração, mas o cansaço também me impediu. Pedi perdão a Deus por tanta fraqueza.

A condição humana é horrível, e dói ver como somos secos de coração e humanidade.

De volta a Sampa, encontrei no final do domingo,  grupos os mais variados, nos poucos trens que ainda circulavam, do Metrô.

Não existe nada mais melancólico que o fim do domingo, para quem não tem fé. Como estava meio sem fé, então...foi melancólico, mas nem tanto.

Segunda-feira não tive disposição nem de escrever.

Pensei no avestruz que põe a cabeça embaixo da terra, e por encanto se considera escondido.

Esta terça, entretanto,  já refeito da viagem, de volta ao regaço do lar, saí pela manhã, correndo pelo centro de Sampa.

Com sempre, a Rio Branco muito poluída, e a Praça Princesa Isabel com mães e seus bebês misturados a um sem número de mendigos e abandonados, largados à meio fio da calçada e nos jardins. Um fedor de fezes humana horrível.

O grau de mendicância naquela área é das mais degradantes, pois são drogados, que se vestem de cobertores apenas, e esqueléticos, tropeçam pelas calçadas, com os corpos machucados e fedidos.

Faço uma corrida leve, quase uma marcha.

Já no centrão, próximo a Sé, vejo mais um dos muitos pequenos piquetes de greve do Sindicato dos Bancários.

Um orador no microfone tenta levantar o ânimo dos funcionários do Banco do Brasil, enquanto recrimina a outros, pois aparentemente ali a greve é parcial.

Paro, e acompanho o discurso muito bem elaborado, por sinal.

Discurso feito com um sistema de som alimentado por um motor, coisa já bem estruturada, até um pouco burocrática e exterior ao movimento, pois o orador não tinha platéia visível.

Meu sentimento é de solidariedade, mas carrego no bolso duas contas para pagar, uma de luz e outra de gás,  e preciso encontrar alguma agência aberta para não ficar com multas.

São as contradições da vida: apoiar, de um lado, os bancários, pois já fui um deles, e demitido por razões políticas, no passado ( um dia conto a vocês), e de outro, ter contas que precisam ser pagas em alguma agência aberta, tornando-me um virtual fura-greve.

Procurei pagar sem levantar marolas, usando um termo atual, lulístico.

Achei uma agência do Bradesco, na Pça. Marechal Deodoro, e resolvi lá as pendências.

No centro, o povo de rua, que é acordado todas as manhãs pela polícia municipal, fica sentado na Sé, no Pátio do Colégio, tentando esquentar-se deste dia úmido e com nuvens.

O que será de nosso país aí pela frente? Tudo muito contrastante.

Um país com desenvolvimento e miséria, exploração e greves.

Não recebo cartas há uns quinze dias. Greve do Correio.

Gosto do que Dilma está fazendo.

Agora parece que ela está com mais personalidade, e isto é bom.

A sombra do Lula deve ter-lhe sido muito pesada.  

Parece que passou.

Melhor.

Imagino que se fosse o Serra Presidente, isto estaria uma convulsão social, com as tropas da Otan bisbilhotando tudo, e repressão em cima do povo.

Graças a Deus que não, e temos abertura para o contraditório.

Democracia.

ZUMBIS CORPORATIVOS

 

 

Ato ocorre na terceira semana do movimento 'Ocupem a Wall Street'.Manifestantes criticam a 'ganância corporativa' na atual economia dos EUA.

Parece que a primavera árabe está se tornando a Primavera da Libertação do Capital, pois os estudantes e jovens em geral acamparam em Wall Street, e colocam os Bancos como os grandes vilões do mundo, os vampiros, os sangue-sugas.

E não saem de lá, para desespero da polícia, que assume progressivamente o seu papel repressor, e defensor dos grandes acionistas da Wall Street.

Alguns sindicatos dos EUA, especialmente dos metalúrgicos, estão se solidarizando e se colocando ao lado dos jovens.

Estão se preparando para acampar junto com os jovens.

A coisa tá pegando!

E agora Obama? Onde está a sua solidariedade? onde está o seu progressismo?

O gato comeu. Cadê o gato? Está com o banqueiro. Cadê o banqueiro? Fanaciando a guerra. Cadê a guerra? No Iraque, Líbia, Afeganistão,...

A guerra do Vietnã, que vitimou muitos jovens americanos, em defesa do grande capital, começou a acabar quando os jovens iniciaram movimentos de resistência aos alistamentos.

Estes alistamentos eram realizados de dentro das universidades.

Os estudantes, na época resistiram aos alistamentos e foram para as ruas.

Muitos americanos morreram no Vietnã, apesar dos filmes da guerra do Vietnã só matarem vietnamitas.
Hoje, quando se vêem produtos vietnamitas sendo comercializados nos EUA, muitos dos que perderam seus filhos na guerra se perguntam:

- Porque meu filho morreu lá?

Os banqueiros são os criadores iniciais da crise por que passa a Europa e os EUA, pois tudo começou com a chamada crise imobiliária.

 Esta crise hoje, deixa de ser imobiliária, e torna-se uma crise de Estado, que está se transformando numa crise social internacional, com os capitalistas do mundo  jogando nas costas dos povos, o pagamento das dívidas que eles mesmos provocaram.

Mas o socialismo não teria acabado? Não é isto que se propagandeia por aí, desde a queda da União Soviética?

Boa pergunta.

Parece que o pensamento socialista vai renascendo das cinzas.

domingo, 2 de outubro de 2011

Rio de Janeiro. As tribos todas marcam presença

O único deslocado sou eu. Desde a Rodoviária de Sampa já tinha muita gente se preparando para o Rock in Rio, enquanto eu venho a serviço.

Rodoviária do Rio está cheia, mas é uma Rodoviária de primeiro mundo.

Já ganha da Rodoviária de Sampa.

Ar condicionado e tudo, praça de alimentação.

Agrega novas funções que transcendem seu papel principal, dando-lhe uma beleza diferenciada.

Bom, porque vem aí Copa do Mundo e Olimpíadas.

sábado, 1 de outubro de 2011

Dia 2/10/2011 tem um jogão no Rio de Janeiro. Para quem este galo torce?

Amanhã jogaço pelo Brasileirão. O papagaio torce para quem?.

Paula Fernandes, Victor & Leo - Não Precisa



O amor é tudo na vida. Ele é o grande perseguido, procurado, mas encontrado apenas entre os simples. Não há dinheiro que o compre. Deixe que a voz do seu coração seja quem o guie. Interprete o seu interior para amadurecer na vida. "Eu já sonhei com a vida. Agora vivo um sonho".

Sábado, 1 de outubro de 2011. Sol em sampa



Sair para fazer as compras na feira livre, neste sábado, primeiro de outubro de 2011 em São Paulo, é quase uma festa, não fosse o comércio envolvido.

O sol está forte e convoca todos a saírem de suas casas, como se o céu conspirasse com o lazer do fim de semana.

Visto uma bermuda, camiseta branca, pego duas sacolas, e saio.

Logo encontro, chegando à passeio, o pai de uma vizinha, que ao ver-me de sacolas na mão, logo pergunta onde é a feira, pois sente saudade de nossos pastéis de feira.

Oriento que é em uma paralela da Barão de Limeira, centro da cidade, e vou embora cantando:

-Andei, andei, andei, e só...Xitãozinho e Xororó. Meu interior, do eu caipira.

Como Deus nos proporciona tudo tão de graça.

A presença de Deus é simples e bela... a calçada transforma-se, de repente, em um tapete da natureza.

Dobro a esquina e dou de frente com um canário, de cabeça vermelha e peito branco, pousado no chão, nunca antes visto por aqui.

Ao ver-me alça vôo até o primeiro galho, de onde passa a olhar-me curiosamente.

Faço-lhe um elogio:

Como você é bonito nenem! Todo de cabeça vermelha. Parabéns!

Vou em frente.

Ao chegar à feira, transformo-me no Rei, do reino da Barra Funda.

Todos, ao verem-me com as sacolas vazias, investem-se contra mim, com suas ofertas primeiras.

Fecho a expressão, sizudo, e agradeço indiferente, pois sei que lá pelo meio da feira o preço fica melhor, e os produtos também.

A pior situação que pode ocorre numa feira, é você comprar um produto, achando que ele é uma maravilha, e logo adiante, encontra outro igual, melhor e mais barato.

A frustração é imediata, e não há regresso para uma compra mal feita, sem exame prévio de tudo.

Experimento um morango sem agrotóxico e compro. Logo vejo um pedaço de melancia e tambem pego.

A sacola vai se enchendo, enquanto vou comprando.

A laranja está barata, pois a safra deve ter sido boa.

O abacaxi também. Compro um pérola.

Ao sair, diante das barracas de pastéis e caldo de cana,  vem a tentação de parar, comer, e beber.

Resisto, é cedo ainda.

Volto como um conquistador barato, que não precisa muito para ser feliz.

Venho observando tudo, como se fosse pela primeira vez.

A vida é um mistério, e poder contemplar este mundo, em sua complexidade e naturalidade, é surpreendente.

Agradeço mais uma vez a Deus esta oportunidade única de existir aqui e agora.

Amanhã não importa.

A cada momento o seu prazer.

Desaparecem as dívidas, os problemas, até as esperanças se amainam.

De volta à casa, meu cão vem encotrar-me primeiro, com sua alegria interrogativa: Por quê não me levaste contigo? Por quê deixaste-me para trás?

Peço ajuda à minha esposa para descarregar as sacolas, mais por vaidade dela ver as frutas logo, e surpreender-se de minhas compras.

Faço-a provar do abacaxi, já descascado, e preparo a melância em pedaços, não sem antes retirar, uma por uma, as sementes.

Meu cão, ávido por um pedaço, faz sua primeira experiência de melancia, e aprova. A um certo ponto paro por ele, que nunca pára, e venho para o meu blog, o Pó que vocês conhecem, para escrever esta experiência inédita a vocês.

Um bom sábado a todos, e um ótimo domingo.

Esta noite estarei indo ao Rio de Janeiro, para fazer um concurso amanhã.

Desejem-me boa sorte, e se acreditarem em Deus, façam uma oração por mim.

Obrigado.



28/07/2026 - Vida que segue

 O que dizer...amo a vida, amo a cada um , cada uma dos dias que por aqui passo. Hoje distribuímos o restante dos abacates nas Vicentinas, q...