terça-feira, 3 de junho de 2014

Por debaixo da política oficial a homenagem a um fiandeiro dos grandes movimentos sociais: Vital Nolasco

Quero somar-me à matéria que homenageia Vital Nolasco por 50 anos de militância no PC do B, postada abaixo desta consideração inicial. 

Quando fazia faculdade de Ciências Sociais na USP, em 1972, aproximadamente, enquanto namorava minha atual esposa, que estudava na PUC, um grupo de estudantes desta, convidou-me para ajudá-los a erguer uma casa para a viúva de operário militante, que ficará só, com seus filhos pequenos, e um terreno vazio. 

Íamos para o Campo Limpo, nos fins de semana e ajudáva-mos no trabalho de erguer muros da casa e até poço ajudei a fazer, cavando um profundo buraco que afundava cada vez mais. 

Foi nesta experiência onde construía também em mim uma moral socialista, que conheci Vital Nolasco e Ester, sua esposa. 

Por sua sugestão montamos em seguida um grupo de compras, onde moradores daquela rua reuniam-se para comprar juntos em atacadistas, e em grande quantidade, os alimentos necessários e os produtos para casa de cada um. Com isso víamos como tudo que era caro podia ser comprado mais barato.

Estava começando o Movimento do Custo de Vida, logo renomeado para Movimento contra a Carestia. Aquela experiência lançou-me além da política estudantil, e abriu-me a visão de que era no movimento popular a grande saída para a situação de opressão por que passava o povo brasileiro.

E Vital fez parte deste início, eu vindo dos dominicanos, com uma forte formação libertária e religiosa, onde o padre Giorgio Callegari era meu grande orientador espiritual de vida.

A amizade que fiz com Vital e Ester foi grande e atravessou todo o período de militância. Mesmo distantes, nas raras ocasiões em que nos víamos, era como se nunca estivéssemos nos distanciados. Continuávamos com  as mesmas alegrias e disposição.

Vital tem uma alegria  permanente, e uma visão política acurada. Sabe enxergar aonde um movimento irá desembocar.

Participamos em outras situações importantes, às vezes como atores, outras vezes como coadjuvantes; não importa. Importa a grandeza do alcance do trabalho diuturno por ampliar os direitos do povo.

Não mais milito. Há anos aderi ao caminho dos doentes e sofridos através da Igreja, mas reconheço este personagem ímpar, corresponsável pela democracia brasileira alcançada. 

Hoje não se dá a devida importância à nossa democracia. Há até um escracho a respeito dela e saudosos dos velhos tempos já saem às ruas desejosos das trevas.

Vital Nolasco! 

Grande lutador do povo brasileiro! 

Seu valor ultrapassa a fronteira partidária, e protege-se sob o manto sagrado da bandeira brasileira!

É uma honra tê-lo conhecido e compartilhado em um momento juntos a expeirência da liberdade!

Até a vitória!










3 de junho de 2014 - 10h48 

PCdoB presta homenagem aos 50 anos de militância de Vital Nolasco


O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) realizou na última sexta-feira (30) uma cerimônia de homenagem ao camarada Eustáquio Vital Nolasco pelos seus 50 anos de vida dedicada à militância partidária. Participaram do evento, no auditório da sede nacional do Comitê Central, na capital paulista, familiares, amigos e camaradas de luta que renderam homenagem à trajetória do militante.


Vital Nolasco.Vital Nolasco.
A abertura da cerimônia teve início com a exibição de um vídeo (abaixo) sobre a história de vida do militante comunista, decorrente de depoimentos de lideranças como o primeiro deputado federal eleito pelo PCdoB na vigência do regime militar em 1978, Aurélio Peres; a ex-deputada estadual pelo PCdoB-SP e atual presidente da União Brasileira de Mulheres no estado, Ana Martins; Wagner Gomes, secretário-geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e em seguida o pronunciamento do presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, e do homenageado.

A solenidade, que ocorreu concomitante ao Encontro Nacional de Finanças do PCdoB, foi conduzida pelo atual secretário nacional de Finanças, Fábio Tokarski. O homenageado, Vital Nolasco, recebeu de presente um quadro com a foto do prédio da sede nacional do Partido, adquido em sua gestão como secretário nacional de Finanças.



Além dos depoentes, compuseram a mesa da solenidade o presidente do PCdoB paulistano, Jamil Murad; Liège Rocha, secretária nacional da Mulher do PCdoB; Padre Luiz, militante em favor dos perseguidos políticos na ditadura, e João Carlos Gonçalves, o “Juruna”, secretário-geral da Força Sindical.

Ana Martins (foto abaixo) foi a primeira a fazer o uso da palavra. “Conheci Vital quando veio de Belo Horizonte depois da greve de Contagem, em 1978”, relembrou. Ana Martins contou sobre outros episódios de sua militância em conjunto com Vital. “Operário combativo e comunista sério, com forte vínculo com a classe operária. Pode ser exemplo para muitos militantes novos, por sua persistência, dedicação e compromisso”, resumiu.



O ex-deputado federal Aurélio Peres também prestou sua homenagem: “Vital vinha de Minas Gerais fugido da polícia, e uma pessoa dessas a gente não pensa duas vezes. Fomos falar com o Padre Fernando: ‘Padre, neste aqui a gente pode acreditar. Ele não tem medo de bicho feio’. Começava ali uma parceria de 44 anos. Nunca nos separamos: na oposição sindical, nas lutas do partido, nas lutas políticas. É uma vida de dedicação à causa dos trabalhadores, e nos últimos anos eu sei da luta que ele travou cuidando das finanças do partido. Uma homenagem ao Vital é uma homenagem merecida”, concluiu Peres.


O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo (foto abaixo), destacou a trajetória de Vital desde o período das greves de Contagem, “primeira greve operária de expressão de nosso país, no período da ditadura”. Segundo Rabelo, por sua atuação destacada nas lutas operárias Vital logo foi eleito para a direção nacional da JOC. “Assim era o Vital. O caminho dos militantes mais destacados das juventudes católicas era o ingresso na Ação Popular. Por sua militância de compromisso crescente, no contexto de uma ditadura cada vez mais feroz, Vital passou a sofrer como muitos outros uma vida de perseguição e clandestinidade. A solidariedade e a generosidade era o grande preceito nessa época. Como morar, viver e atuar sem essa solidariedade expressiva? Era o risco da prisão, da tortura e da morte!”, explicou o presidente do PCdoB.

“Por isso essa é uma justa iniciativa que nós, da direção nacional, participamos e apoiamos”, completou Rabelo. “Vital foi militante com ação nesses momentos que exigiam grande abnegação. Ele e sua esposa, Esther, sempre foram marcas de elevada generosidade.” Ao recordar o período mais recente, Rabelo destacou a grande contribuição de Vital à frente da Secretaria de Finanças do Partido. “Vital elevou seu papel de dirigente político na condução desse decisivo trabalho para o partido: a conquista dos meios e dos recursos financeiros para a edificação e o fortalecimento do PCdoB. Na conquista da sede própria teve grande desempenho. Temos afirmado que, definida a política, a questão central passa a ser a dos meios e dos recursos para cumpri-los. Daí a importância central da política de finanças, que Vital soube como ninguém conduzir. Vital, sei que você continuará sua militância. Estará em outra frente, entusiasmado e cheio de paixão. Você está entre os quadros imprescindíveis. Saudações comunistas!”, finalizou Renato.

Ao final do ato, o público presente pôde ouvir as palavras do próprio homenageado, Vital Nolasco. Ele iniciou sua fala lembrando “todos aqueles que não estão mais entre nós, mas fizeram parte dessa luta. Evoco essas pessoas na figura de dois expoentes: João amazonas, ideólogo e construtor do PCdoB, e Santo Dias da Silva, operário metalúrgico assassinado pela ditadura”.

O veterano dirigente partidário reverenciou também a figura dos padres José Miranda, “que me engajou na Juventude Operária Católica”, e Michel, que, “junto aos padres dominicanos e carmelitas, forneceram importante apoio à nossa luta, quer no movimento operário, quer na solidariedade em meio aos embates contra a ditadura”. Vital citou ainda lideranças nacionais da JOC, como Luizinho e Euripes, e demais companheiros e amigos. Fez menção especial “ao grande camarada Rogério Lustosa”.

Ao lembrar suas origens, Vital destacou: “Minha trajetória é a de um filho da classe operária, vindo de uma família de onze irmãos que, como a maioria de nosso povo, enfrentou dificuldades para sobreviver. Meu pai dizia que não tinha herança para deixar aos filhos: tudo o que podia fazer era nos incentivar a estudar. De fato, aprendi muito seja nos bancos escolares, seja na escola da vida”.

Vital lembrou cronologicamente diversos fatos marcantes de sua trajetória militante, como as grandes greves operárias de Contagem em 1968 – “e suas grandes lideranças, como Enio Seabra, Mário Bento, Mário de Castro e tantos outros” –, a experiência com os operários do ABC, no mesmo período em que Lula entrou na diretoria do sindicato, as madrugadas preparando pichações e panfletagens, as torturas sofridas nas dependências do DOI-Codi, a Chacina da Lapa, a participação no Movimento contra a Carestia, a contribuição inestimável às eleições de Irma Passoni e Aurélio Peres, as grandes greves operárias de 1979, o assassinato do operário Santo Dias, a luta pela anistia, as duas eleições para vereador em São Paulo, ambas “baseadas no apoio dos operários, tendo como base principal os trabalhadores da Metal Leve”.

Referindo-se ao período mais recente, Vital comentou a vinda para o secretariado nacional do PCdoB, primeiro como secretário de Movimentos Sociais, depois como secretário de Finanças. Nesse período, destacou a grande batalha, “que envolveu todo o coletivo partidário”, voltada à aquisição de recursos para a compra da sede própria. “Para um revolucionário a luta não termina nunca, nem depois de morto. Tenho a convicção de que nosso povo, que foi capaz de derrotar a ditadura e impor importantes derrotas ao neoliberalismo, será capaz de construir uma nova sociedade. De nossa parte continuaremos a construir esse importante instrumento das lutas dos trabalhadores: o Partido Comunista do Brasil”, finalizou Vital.

Segundo Fábio Tokarski, atual secretário nacional de Finanças do PCdoB e idealizador do evento, Vital é um operário que teve uma trajetória sofrida e digna no enfrentamento do regime militar. “Tortura é algo deplorável, mas assistir a uma irmã ser torturada apenas porque morava na mesma casa é algo que expressa a trajetória de alguém que sofreu com a tortura e teve os familiares torturados. O PCdoB, pela história, pela densidade das relações sociais construídas pelo Vital – o que, aliás, ficou expresso no ato –, teve muito brilho ao trazer para os dias atuais a trajetória de um construtor do Partido. Foi um evento cheio de significados. Os indivíduos também jogam papel na construção das lutas coletivas, e isso deve ser destacado, ainda mais no caso de um militante como Vital”, afirmou.

Trajetória de Vital Nolasco
Eustáquio Vital Nolasco nasceu na cidade de Belo Horizonte em 16 de dezembro de 1946, segundo dos onze filhos (um deles adotivo) do padeiro Orlando e da lavadeira Diva. Já aos dez anos começava a trabalhar. Caminhava dez quilômetros para levar leite até a vila onde morava. Aos doze anos vendia legumes e verduras durante o dia e estudava à noite. Durante a juventude, participou do movimento secundarista em Belo Horizonte. Em 1964, ano do golpe militar, entrou decididamente para a militância política através da Juventude Operária Católica. Após o endurecimento do regime, em 1968, foi eleito para a Direção Nacional da JOC. Nessa mesma época entra para o Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem. Apesar da dura repressão, esta seria uma época de acirramento das lutas operárias. Muitas greves agitam a capital mineira e Vital Nolasco participa de todas elas.

Pouco após, Vital adere à Ação Popular e muda-se para São Paulo por causa da perseguição dos militares. Em 1971 casa-se com sua companheira Esther, também uma abnegada militante comunista. No mesmo ano entra para a direção da AP. Mais tarde, em 12 de março de 1974, já como militante do PCdoB, é preso e levado para o DOI-Codi. Durante 20 dias seria barbaramente torturado, sem nada revelar aos algozes do povo. Após ser inocentado, procurou a direção do PCdoB, mas em 16 de dezembro de 1976 ocorreria a Queda da Lapa, que impediria esse contato até 1978. Mesmo assim, Vital mantém a sua militância no movimento sindical.

Nos princípios da década de 1980 participa ativamente, com sua companheira Esther, da campanha de filiação para legalizar o PCdoB. Na mesma época preside o Centro de Cultura Operária, entidade criada para dar voz ao pensamento do partido que continuava na ilegalidade.

De 1983 a 1987 Vital foi segundo secretário da direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Em 1988 foi eleito vereador na chapa encabeçada por Luiza Erundina, e em 1992 seria reeleito. No 8º Congresso do PCdoB, em 1992, é eleito membro do Comitê Central, cumprindo diversas funções. Em 2001 participa da comissão de busca dos desaparecidos do Araguaia. No mesmo ano é indicado secretário nacional de Finanças do PCdoB. Durante sua gestão à frente da Secretaria, o Partido adquire sua primeira sede própria.

Em 2013, Vital é eleito para mais um mandato no Comitê Central do PCdoB.

Da Redação,
Com informações da Fundação Maurício Grabois
Fotos: Clécio de Almeida

Uruguai zera mortes ligadas ao comércio de maconha após regulamentação

2 de junho de 2014 - 15h42 


 O Uruguai conseguiu zerar as mortes ligadas ao comércio e ao uso de maconha desde que o país regulamentou o cultivo e a venda da substância em dezembro passado, como afirmou o secretário nacional de Drogas do país, Julio Heriberto Calzada. Ele participa nesta segunda-feira (2) de um debate sobre o tema na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, em Brasília.


Por
Sarah Fernandes, da Rede Brasil Atual


Geraldo magela/ Agência Senado
  
O secretário disse ainda que acredita que a implementação de políticas públicas relacionadas ao uso de maconha poderão modificar a forma de consumir a substância, levando à redução no número de usuários. O Uruguai assegura o autocultivo de maconha, com até seis pés por moradia, a participação em clubes de cultivo de 15 a 45 membros, e a aquisição a partir de um registro controlado pelo governo.

Calzada afirmou que os governos devem levar em conta que existem diversos tipos de drogas – como tabaco, maconha, heroína e cocaína – e que cada uma deve ser analisada nas suas particularidades, com embasamentos científicos. Ele reforçou que a criminalização dos usuários é ineficiente e pode distanciá-los do sistema de saúde e que o uso de maconha, como outras drogas lícitas, pode causar efeitos colaterais e por isso deve ser regulamentado pelo Estado.

O objetivo da audiência pública é embasar o parecer dos integrantes da comissão sobre a proposta de iniciativa popular que define regras para o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha (Sugestão 8/2014). Se a proposta for considerada admissível pela comissão, será convertida em projeto de lei e passará a tramitar no Senado. O projeto prevê legalizar “o cultivo caseiro, o registro de clubes de cultivadores, o licenciamento de estabelecimentos de cultivo e de venda de maconha no atacado e no varejo e a regularização do uso medicinal”.

Participam a coordenadora-geral de Combate aos Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores, Márcia Loureiro, o representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil, Rafael Franzini Batle, o relator da Sugestão 8/2014, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), e a presidenta da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES).

Durante a audiência, o representante da ONU afirmou que as ações da entidade voltadas para o problema das drogas têm como foco a promoção de saúde e não a substância em si. Márcia Loureiro, do Ministério de Relações Exteriores, avaliou que o uso crescente de drogas é um problema mundial e que o enfrentamento deve ser pautado nos direitos humanos e na responsabilidade compartilhada entre as nações.

Na última quarta-feira (28) um grupo de mães procurou o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) para pedir apoio da Comissão de Direitos Humanos da Câmara em uma reivindicação que fizeram à Anvisa na quinta-feira (29), para que a agência revise a classificação das substâncias derivadas de cannabis em medicamentos. Seus filhos têm problemas de saúde que poderiam ser amenizados com a administração de medicamentos derivados de cannabis. “Gostaria de pedir para termos sensibilidade para entender que o que está em jogo é a garantia do direito à saúde e à qualidade de vida”, disse o deputado.

Duas mães participaram de uma reunião da comissão e fizeram falas públicas pedindo apoio. Ambas têm filhas ainda crianças que sofrem de epilepsia. “Pedimos para que a questão seja analisada com um olhar desprovido de preconceito. A maconha não é uma erva maldita nem uma erva milagrosa, ela é uma erva que tem propriedades medicinais”, disse a mãe Margarete Brito. “A cannabis simplesmente dá qualidade de vida para minha filha. O que queremos é que esse benefício se estenda a outras pessoas”, disse a mãe Katiele Fischer.

Libertados os missionários e a religiosa sequestrados em Camarões


Padre Lombardi: continuamos rezando e lutando para que a violência, o ódio e o conflito sejam superados
Por Redacao
 02 de Junho de 2014 (Zenit.org) - "A libertação de dois sacerdotes missionários italianos vicentinos, pe. Gianantonio Achegri e pe. Giampaolo Marta, e da religiosa canadense Gilberte Bussier, que foram sequestrados em Camarões no começo do mês de abril, é uma notícia que nos enche de alegria. O Santo Padre, que vem acompanhando esta dramática vicissitude desde o início, foi informado imediatamente", declarou o padre Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa Vaticana.
"Damos graças a nosso Senhor porque esta vicissitude chegou a uma conclusão positiva", prosseguiu o porta-voz do Vaticano, afirmando ainda que "continuamos rezando e lutando para que toda forma de violência, ódio e conflito nas diversas regiões da África e em outras partes do mundo possa ser superada, e renovamos a lembrança e o compromisso com as muitas outras pessoas inocentes, de diversas condições e idades, que permanecem vítimas de sequestros inaceitáveis em diversos lugares de conflito".
Durante quase dois meses, o pe. Giampaolo, o pe. Gianantonio e a irmã Gilberte foram mantidos prisioneiros em Camarões. Segundo a agência de notícias France Presse, o retorno dos reféns à liberdade foi possível após uma semana de negociações realizadas na Nigéria. Os religiosos foram levados a Yaoundé, capital de Camarões, em um voo militar.
O bispo emérito da diocese de Maroua-Mokolo, dom Philippe Albert Joseph Stevens, esteve com os reféns libertados durante alguns minutos e relatou à Rádio Vaticano que, "graças a Deus, eles estão com boa saúde, apesar de terem emagrecido bastante, e com bom estado de espírito".
O bispo fez um apelo aos sequestradores: "Queimem as armas e se abram para o amor de Deus, que pede a conversão dos seus corações, o seu amor e a paz".

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Distribuição de renda por estrato social no Brasil.

Tabela 1 – Distribuição pessoal da renda, 1999-2009
Grupo1999200120022003200420052006200720082009
10% mais pobres1,01,01.01,01,01,01,01,11,21,2
20% mais pobres3,33,33,43,43,53,63,63,94,04,0
50% mais pobres14,514,814,915,516,016,316,517,217,617,8
10% mais ricos45,746,146,145,344,644,744,543,342,742,5
5% mais ricos33,133,433,032,731,732,031,730,730,430,3
1% mais ricos13,212,513,312,912,713,012,812,412,312,4
Fonte: PNAD/Dieese

Declaração de idiotice



Sou um idiota. Não me enquadro nos quadros de referência humanos, profissionais, sentimentais. Sorrio fora de hora, faço silêncio fora de hora e falo fora de hora. Não sou entendido e muito menos aceito. Minhas palavras voam sem limite, sem prisão. Descartado, dialogo criticamente com a TV a cabo, eu que não me atenho a nada. Amo fora de hora, brigo fora de hora, elogio o que todos detestam. Assim sou. Um abutre da sociedade. Busco ver a beleza da carniça, e olho bem de cima quando o fedor humano. Querem-me postado sobre meus cotovelos, envolto em faixas mortuárias, de boca lacrada? Nem pensar! Nesta vida única, meu ser é profundamente independente. Se me batem à porta, abro; se não batem, abro também, de curioso. Diante do Altíssimo, que está acima de toda compreensão humana, descanso com minha irreverência, porque sei que Ele se diverte com minha ousadia.

DECLARAÇÃO DE IDONEIDADE PESSOAL (a que possa interessar)


Retirando qualquer dúvida  que possa existir sobre minha pessoa. Sou um cidadão brasileiro que fala como vê, através de minha consciência. Não tenho vida partidária; e nestes 20 anos passados tenho participado da Igreja, seja formando comunidades , grupos de oração, ou na Pastoral da Saúde, no HC. Profissionalmente venho da área de RH onde muito construí e me realizei. Minhas opiniões, portanto retratam uma visão que faço sobre tudo, livre de opiniões partidárias. Considero-me um intelectual, um poeta inibido, um revolucionário às antigas, porque não? Não costumo fazer parte das unanimidades burras, das condenações amplas, dos discursos bem elaborados e envolventes. O tempo tem feito de mim um leitor apurado nestes aspectos, com um senso critico mordaz. Sei quando condenam as pessoas além do que a razão admite. Sim, tenho uma disposição para o contraditório, porque penso que a verdade vem deste confronto de posições. Vejo virtudes no empresariado que gostaria que um operário tivesse, e o inverso é igualmente verdadeiro. Vejo virtudes nos operário que desejaria que o empregador tivesse. Não vou cita-las aqui, porque não é o momento, mas que existem, existem. Nem eu mesmo sou dono da verdade, porque vou endeusar um lado? Assim, minha vida tem sido de encontros e desencontros. Não espero que as pessoas concordem comigo, soaria falso, é falso. A verdade está tão acima disto que prefiro ser criticado a ser elogiado, desprezado que procurado, um pó. É como me vejo: sou um Pó desta Estrada da vida. Considero-me um Dom Quixote, um eterno perseguido político, pois não me enquadro sequer nos Black Blocks, em seu funeral urbano. Ninguém me aceita, certo que minha esposa me tolera, o que é sinal de amor. Prefiro assim, livre para criticar e elogiar quem quer que seja, sem amarras. Um profundo defensor das liberdades individuais e um democrata radical. As amizades que aparecem, não são de posição, são de vida, que é o que importa. Encerrando: Jesus Cristo é a minha referência principal, a grande descoberta, a razão de minha vida. Isto me basta para continuar vivendo, sendo feliz e tendo esperança na raça humana. Sim, estou cansado dos atarracados ao poder, das lutas fratricidas, de bobagens como ser "contra" a Copa, por exemplo. Há um sol lá fora, campos verdejantes e amores por serem descobertos.

domingo, 1 de junho de 2014

Ualid Rabah: Papa Franciso e a mediação honesta pela paz na Palestina

Em virtude das manifestações e atitudes do Papa Francisco na Palestina, muitas delas paradigmáticas e, até mesmo, surpreendentes - destacando-se, dentre elas, a oração junto ao Muro do Apartheid, agora tornado o Muro das Lamentações Palestinas - e diante da possibilidade lançada pelo próprio líder católico quanto à mediação entre palestinos e israelenses com vistas à busca da paz, algumas considerações se tornam necessárias.


Por Ualid Rabah*


Palestine News Network
Papa Francisco esteve em Belém, na Cisjordânia, recebido pelo presidente palestino Mahmoud Abbas.Papa Francisco esteve em Belém, na Cisjordânia, recebido pelo presidente palestino Mahmoud Abbas.
Estas são as que seguem, considerando preocupações e análise quanto ao que vem ocorrendo na Palestina, notadamente a incessante limpeza étnica que é mais brutal contra os palestinos cristãos, cuja importância é vital para toda a cristandade. Afinal, estamos falando do fim dos mais antigos cristãos, bem como da descristianização da Palestina, primeiro passo rumo à consecução do farisaico projeto sionista: a total judaização da Palestina, com, ao final e ao cabo, expulsão de todos os não judeus.

Primeiro de tudo, é importante destacar que a nenhum Papa pode escapar a problemática na Palestina, seja porque a Palestina é o berço do cristianismo e lá se encontram os mais antigos cristãos do mundo (os palestinos), seja porque há uma clara política de Israel com vistas à descristianização da Palestina, promovida por privações as mais severas justamente às áreas e cidades de forte presença cristã, como Belém, uma das mais afetadas pelo Muro do Apartheid, agora tornado, pelo Papa Francisco, o Muro das Lamentações da Palestina (ou pela Palestina). 

Este processo de descristianização faz parte do movimento geral de limpeza étnica da Palestina, claro, mas neste caso específico visa à expulsão primeiramente dos palestinos cristãos. Isto se dá porque a parcela dos palestinos cristãos é menor, o que a torna mais facilmente passível de ser alvo, bem como porque para os sionistas religiosos fanáticos, que acreditam numa Palestina só para judeus, os demais credos devem ser desaparecidos de toda a Palestina. Então, estamos falando de um meticuloso processo de judaização da Palestina, em que a varrição de sua população cristã é parte essencial desta política.

Há outra faceta: sem cristãos na Palestina, ficaria mais fácil apresentar a limpeza étnica na Palestina como um conflito contra o islamismo, mais ou menos na ótica dos EUA. Logo, Israel seria o não muçulmano, defensor do ocidente e defendido pelo ocidente, contra o muçulmano, inimigo deste mesmo ocidente e que, notoriamente, busca destruí-lo, o que automaticamente implica na ideia de que busca destruir Israel, uma espécie bizarra de extensão do chamado ocidente.

Ademais, estamos falando de, uma vez que não havará mais cristãos na Palestina, possibilidade de tomar para Israel os templos “abandonados”, bem como estar consideravelmente livres para seguirem na limpeza histórica da Palestina, isto é, promoção para a Palestina de uma nova história, por meio de uma pseudo arqueologia, por meio da qual tudo será transformado em “prova” das afirmações judaicas de tudo quanto respeita ao que alegam acerca de terra prometida, de sua presença milenar etc. Vão inventar provas para uma história inventada para servir ao mito fundacional da “nacionalidade” israelense, a nação judaica de que tanto falam.

Estas atitudes estatais de Israel fazem com que os palestinos cristãos componham entre 3% e 5% da população palestina, quando já foram mais de 10%. Não há a menor dúvida de que há uma limpeza étnica com consequências imprevisíveis para a cristandade mundial caso desapareçam os mais antigos cristãos, os palestinos, da Palestina.

Reafirmação da posição do Vaticano

Ainda que o Papa Francisco pareça muito mais dedicado às questões nevrálgicas de nosso mundo que seus antecessores mais recente, há que se dizer que no caso da Palestina o Papa anterior também foi categórico em suas manifestações em favor da resolução justa da Questão Palestina. Bento XVI condenou o Muro das Lamentações Palestinas e pediu o reconhecimento do Estado da Palestina e o respeito aos direitos humanos dos palestinos. O fez abertamente, em Belém, mais clara e expressamente. Isto foi notado pelos palestinos e pelo mundo.

Claro que de lá para cá nada mudou e, inclusive, Israel radicalizou suas medidas unilaterais e ilegais, em claro desafio à comunidade internacional, bem como sabotou às claras os esforços mais recentes de negociação pela paz e resolução da questão palestina, encabeçados pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

Mas, no que importa, o que temos é que o Vaticano não tem descuidado da Palestina e tem tido posturas em favor da paz e da resolução justa do conflito, no marco das resoluções da ONU, abrangendo a totalidade das questões envolvidas, que vão desde questões aparentemente menores, como a liberdade de culto a muçulmanos e cristãos, notadamente em Jerusalém, cujo acesso lhes é negado, a questões mais visivelmente complexas, como o retorno dos refugiados e o status de Jerusalém como capital do Estado da Palestina.

Mediação honesta

Caso o Vaticano consiga alcançar o privilegiado patamar de mediador entre palestinos e israelenses com vistas à solução do conflito na Terra Santa, poderá haver uma virada em vários sentidos.

A primeira é que será a primeira vez, desde a expulsão de metade da população palestina, em meados de 1948, por Israel, e da tomada de suas terras e bens, que os dois lados serão mediados por um terceiro elemento mais equilibrado, capaz de se propor a uma posição neutral.

Atualmente, por exemplo, são aos EUA que de fato fazem esta mediação, o que é absolutamente despropositado. Ora, os EUA têm um só lado neste conflito, que, aliás, nunca tiveram o pudor de esconder. Como podem os EUA mediar se são eles quem garantem as armas e as munições que arrasam com os palestinos, seja na Palestina, seja nos países vizinhos? E que dão apoio político e diplomático incondicional a Israel, a ponto de terem vetado todas as resoluções da ONU condenatórias do Estado israelense por seus crimes? E pior: os EUA, diante do mundo incrédulo, vetaram o ingresso da Palestina como Estado Membro da ONU, algo que a maior parte dos países aceita, dentre eles o Brasil, grande parte da Europa, a América do Sul quase inteira, China, Índia, Rússia, quase 100% da África.

Logo, os EUA não são mediador isento e honesto diante das partes. Ao contrário, ao invés de mediar, têm facilitado a vida de Israel e dificultado a dos palestinos, inclusive tendo obstaculizado a cessação das agressões sem paralelo ao Líbano em 2006, precedida de tantas outras, sendo a mais cruenta a de 1982, quando dezenas de milhares morreram e se massacraram as populações dos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, assim como a que paralisou o mundo de incredulidade em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, em Gaza, verdadeiro banho de sangue imposto a esta estreita faixa super povoada, que, aliás, segue brutalmente bloqueada.

Não bastasse, os EUA permitem a Israel deter e utilizar, ao arrepio da legalidade internacional das inspeções, armas nucleares, químicas e bacteriológicas, e outras mais proibidas por convenções internacionais, como as bombas de fragmentação, de que são vitimas comprovadas os palestinos. Aliás, são os palestinos verdadeiras cobaias para teste destas armas, que depois são vendidas por Israel paras outros países, sendo, lamentavelmente, o Brasil um dos adquirentes de armas e tecnologia resultantes diretas da limpeza étnica da Palestina. 

Portanto, com a entrada do Vaticano, é claro que teremos, os palestinos e o mundo, um terceiro sujeito infinitamente mais honesto do que o atual auto intitulado mediador, os EUA.

Interesses bélicos e econômicos 

Outra circunstância que coloca os EUA na condição de nação desqualificada para a mediação do conflito na Palestina diz respeito aos seus fortes e inconfessáveis interesses econômicos e bélicos. Assim, nenhum passo dos EUA é dado sem ter em conta a necessidade que construiu de precisar se apoderar de todos os recursos estratégicos da região, notadamente petróleo e gás, que, por seu turno, é assegurado pela presença militar e integral ocupação do Oriente Médio, algo assegurado pela presença de Israel, verdadeira base militar e depósito de armas da potência dominante.

E, claro, a presença bélica tem, em si mesma, a retroalimentação econômica própria, visto que os países da região, permanentemente conflagrada, gastam bilhões e bilhões em armas, na sua esmagadora maioria comprada junto aos EUA, que, ao mesmo tempo, não permite a nenhum dos países árabes atingirem supremacia militar em relação a seu aliado Israel.

Portanto, como podem os EUA, que precisam de Israel e da tensão guerreira permanente que provoca para manter a ocupação do Oriente Médio e, com isto, usurpar todos os seus recursos e controlar o comércio de armas na região, mediar a solução do conflito? Não seria um contra-senso um país (EUA) que se beneficia deste caos acabar com ele?

Já o Vaticano, podemos dizer, não tem interesses bélicos ou petrolíferos, o que o coloca em situação infinitamente mais honesta do que EUA e seus aliados.

Pressão de sionistas cristãos fanáticos

Há, ainda, outro drama que assola os EUA: o gigantesco grupo de pressão, às vezes até irracional, que são os cristãos sionistas fanáticos, integralmente pró Israel. Estes são aos menos 50 milhões, ultraconservadores e capazes de desequilibrar as eleições presidenciais nos EUA e a de deputados e senadores. Estas igrejas pentecostais e neo-pentecostais têm feito lobby em favor de Israel tanto quanto o grupo de pressão judaico sionista.

Ora, se há uma coisa de que o Vaticano está, ao menos em tese, é livre destes fanáticos que se intitulam cristãos, barbaramente islamofóbicos e que adotam interpretações do Velho Testamento associadas a eventos modernos. Para estes, Israel, ao massacrar os palestinos, realiza profecias velho-testamentárias.

O Vaticano não só não vê as coisas sob este prisma tresloucado como, para além de tudo o mais, não depende dos humores eleitorais destes grupos, ou de quaisquer outros. Ou o Papa precisa de votos para se eleger ou se reeleger e por isso precisa ceder para grupos insanos que detêm vastos contingentes eleitorais? Lógico, portanto, que o Papado está livre também desta insana lógica eleitoral.

E, por fim, a Igreja Católica tem uma visão de diálogo inter-religioso, o que tem feito o Vaticano empenhar-se em virtuoso diálogo com o Islamismo e outras religiões, ao contrário das igrejas sionistas dos EUA e dos judeus sionistas fanáticos, ambos exclusivistas e que vêm todos os demais credos como inimigos a serem combatidos e, se necessário, eliminados.

Podemos dizer, ademais, que o próprio Vaticano e o catolicismo são alvos destes grupos – cristãos sionistas e judeus sionistas –, havendo provas fartas da difamação que fazem à Igreja Católica, facilmente coletáveis em sites, blogs, programas de rádio e televisão e outras publicações impressas destas denominações religiosas.

Não querendo, nunca, nem de longe, simplificar o debate, até mesmo porque para que o Vaticano e o Papa cumpram este papel mediador, as duas partes precisam aceitá-lo, o intuito do que colocado é apenas para que percebamos, de uma vez por todas, que o impasse a o seguimento da limpeza étnica na Palestina se deve à ausência de um mediador equilibrado, papel que pode ser cumprido à perfeição pelo Papa Francisco. 

Quanto a nós, palestinos, temos como bem vinda a disposição do Papa Francisco em emprestar suas autoridades moral, intelectual e ética para a promoção da paz na Palestina e o fim do sofrimento de seu povo. Será um seguidor dos passos de Jesus Cristo, quem sabe, o restaurador da santidade desta Palestina imersa em escombros d cadáveres, sangue e lágrimas. Que assim seja.

*Ualid Rabah é diretor de Relações Institucionais da FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil.


**Título original: "Papa Francisco e uma mediação honesta e equilibrada para a paz na Palestina"
Fonte: Oriente Mídia

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