sábado, 15 de julho de 2023

CICLONE INTRAPESSOAL



Pelas frestas
da janela
percebo
a ventania
fora da casa.

Frestas 
entreabrem-se,
considerando
brisas
tempestades.

Difícil
atravessar 
a noite
entreaberto,
um pé
no chão
outro
mergulhado
em mistérios.

O mundo
ocupa,
não deixa 
espaços,
precisa
da noite.

Os materialistas
não erram
estão
sempre
certos

Os espirituais
erram muito;
a fé
não produz
prova material.

Este dissenso
abre
um estranho
diálogo,
caminham
muito
por si
mesmos.

Conversam,
surdos,
mudos.
aos trancos 
e barrancos.

Cheios
de verdades,
escondem
dúvidas.

Destilar
quantidades
intoleráveis,
longas
distâncias.

Assim vão
na curta
vida

A experiência
interior,
egoísta,
não substitui
as lutas
por justiça,
paga
o preço
da descoberta
encontro
pessoal.

Lutar
com fé
uma mesma
luta
tem muita
diferença.

A amorosidade
é a principal
delas.

Pode-se
lutar
por justiça
sendo mau,
sem amor.

Porque
o amor
não tem
lado.

Está
em todo
lugar 
hora.

O jardim e a palavra

 


Dividido
entre o jardim
e a palavra,
não sei
o que é melhor,
se a fragrância
das flores,
da seiva
das plantas
roçadas,
ou a profundidade múltipla
dos versos.

Uma e outra
se atraem,
esposa,
amante,
expressa,
oculta,
confidentes
letras.

O jardim
torna-se belo
quando rastela
palavras.

Versos
adquirem
beleza
quando
contemplados .

As manhãs
de inverno
não distinguem,
fazem
da vida
um poema
real

Basta saber
que o jardim
cria poemas.
que os versos
tem algo
de flores.

Agonia da idade


Conheço estes trajetos
por onde
pretendes passar...
Conheço
suas curvas
fechadas,
retas
discretas,
tenho
conhecimento
de seus vários
terminais,
a depender
de onde vás.
Conheço
tua autossuficiência
que te torna
surdo,
tua ansiedade
soberba.
Sei dos atalhos,
labirintos
sem saída
ladeiras
perigosas
subidas
extenuantes.
Deste caminho todo
tenho conhecimento,
mas não
te interessas...
Gostaria
de poupar-te
tempo,
abrir
alternativas,
mas...
Quem sabe
aquele buraco
logo à frente
as longas
distâncias
possam
trazer
um pouco
de humildade
e ouça-me.
Quem sabe
em algum
momento
consigas ler
o significado
dos acontecimentos,
o que decifram
para ti.
Conheço
estes trajetos
todos.
Sei onde
vão dar...
mas não
consigo
fazer-me
ouvir.

terça-feira, 4 de julho de 2023

Montanhas noturnas

 


 

Minhas noites

São tuas,

bordadas

no tecido

da vida.

 

Perguntas

ecoam

Incompreendidas,

do trajeto,

depois

de um sonho

desfeito.

 

Questionam

a independência

da morte,

a fragilidade

da vida.

 

Noites intermináveis

 

Onde estás

horizonte

Para que

possa

Ver-te

Amanhecer......

 

Onde te encontras,

se a fragrância

ainda

sinto?

 

Onde te escondes

nesta escarpa

onde

nos separamos

eu

cá embaixo

Interrogando

Sentinelas?

 

Escalaste

umbrais

transsubstanciosos!

 

A montanha

é granito puro

em cada reentrância

sentinelas vasculham, 

graníticos,

a subida 

à Jerusalém Celeste

antes que desça

da eterna Aurora.

 

Eu que não

me preparei

para esta

despedida?

 

João Paulo Naves Fernandes

18/06/2020

04H21

VIGÍLIA

  


Um chão 

interminável,

olhar

o caminho.


O Céu combina 

nuvens 

sonhos, 

a montanha 

constrói 

desafios

nobres,

as densas 

águas

afogam 

a História ...

 

A ancestralidade 

das pedras,

memórias  

desejadas

da liberdade

fugidia


As notícias 

aguardam

o por do Sol

escaldante,

nunca vem.


Velo a alegria

a ingenuidade

a entrega gratuita

despossuída 

inconsciente.


Alcanço o tempo

com a colher

no tempero

da vida.


Degusto livros 

com a caneta,

beijo a amada

na trivialidade

das pequenas

atividades,

escavo sobras,

adormeço.

domingo, 2 de julho de 2023

PALAVRAS



Pensamentos
passam
perdem-se...

Esvoaçam
inseguros,
pousam
em bocas,
escondem-se
em ouvidos,
giram
giram.

Dormem
depois
sonham,
ao final
desaparecem.

Palavras
apalpam
o ar
seguem
voláteis
de raízes
esquecidas,
de altitudes 

Vou dizer
que...

Ah..
já se foi.

RADIOGRAFIA



Observo
meus olhos:
medem
rastreiam
focam
desviam
lacrimejam.

Professo
minha boca:
abre
grita
escolhe
palavras
esconde
dentes,
morde
lábios.

Ouço
meus ouvidos:
surdos
atentos
cheios
de zumbidos.

Balanço
os braços
em afagos,
tateiam
descobrem
cruzam.

excito
meu sexo
ousado
dos caminhos
impossíveis,
marginal .

Caminha
meus pés
em terrenos
repetidos
pisando
saltando
marcando
compassos.

Conheço
este corpo
no seu todo,
como se engendra
pré consciente
em confronto
com a realidade!

Aí a mente decide,
em parte,
junto aos neurônios,
como harmonizar
o todo.

28/07/2026 - Vida que segue

 O que dizer...amo a vida, amo a cada um , cada uma dos dias que por aqui passo. Hoje distribuímos o restante dos abacates nas Vicentinas, q...