quarta-feira, 23 de abril de 2025

FRANCISCO VIVE

 A Páscoa do Papa Francisco calou os fascistas no mundo inteiro. Até  seus inimigos confessos fingem-se de Santos, e escondem o sangue que tem nas mãos, para reverenciá-lo. Recuam de seus ódios. Despertou os comunistas, que se viram semelhantes. Está iluminando o mundo com o ar fresco e simples da verdade. Está unindo, a contragosto de seus líderes, muitas igrejas e religiões. Enfim, Francisco mesmo morto parece ressuscitado. Está chacoalhando o mundo de uma  humanidade que estava sendo descartada. Esta força toda que o iluminou é Jesus Cristo crucificado e ressuscitado.

segunda-feira, 21 de abril de 2025

CONFIDÊNCIAS

 


A velhice é um demorado Adeus.


Uma despedida 

começa ao redor, 

quando as amizades 

simplesmente diminuem, 

até ficarem poucas, 

quase nenhuma


Passos ficam lentos, 

voz mais refletida, 

que exercida, 

vive-se mais dentro.


As novidades 

são antigas, 

permanecem,  

passam por fora.


Vive-se um mundo 

que já não existe.


Aprende-se 

a angústia 

de ser só. 


Segue-se um périplo, 

silencioso, 

até tudo se acalmar 

com sua ausência, 

logo esquecida, 

ainda em vida


Uma paz acompanha 

a revisão do caminho 

trilhado, 

ora orgulhando, 

ora penitenciando. 


No fim, 

em avaliação,  

prevalece a compreensão 

do perdão ilimitado, 

a nós que não nos perdoamos.


O quanto se tangenciou 

na vivência escatológica 

trará maior ou menor 

aceitação da grande viagem.


Caminho do tempo, 

caminho de formação.


Continuarei o aprendizado depois, 

 ou já não haverão novidades?

DISTRAÍ-ME

 


Distraí-me nas luas...

em qual me conheceste? 

Imprevisto decifro 

nuvens fugidias 

antes que ventos cegos 

expulsem os caminhos livres.


Andei invisível, 

hoje grito, 

não sei a hora


Distraí-me antes 

que os lírios 

despertassem 

as ânsias 

do perfeito.


Distraí-me 

enquanto andava nu, 

sem regras, 

revoltado com tudo...


Conheces minha luas?

PÁSCOA ATUALIZADA NA IGREJA

 

A morte vencida na esperança e a vida em despedida.

Seu nome, Francisco.

Amou tanto as pessoas, a ponto de criar uma Igreja em saída, com altares nas praças,  e fiéis nas sarjetas, nos escombros das guerras.

Disse o que via sem esquivar-se aos poderosos, e sorriu muito por ter olhos bons.

Tirou apetrechos inúteis e varreu os penduricalhos nas celebrações, dirigia-se ao principal, ao Senhor Jesus, ao Pai, ao Espírito Santo.

O meio ambiente tornou-se seu verdadeiro altar, e os peixes, aves e as plantas os anjos que ornamentam o mundo.

Seu testemunho continuará ecoando nos corações dos pequenos esquecidos deste mundo

quinta-feira, 17 de abril de 2025

OMISSÃO

 


Eu não estava aqui, 

eu não sentei à mesa, 

não dirigi a palavra.


Eu deixei correr 

o que acontecia 

sem me opor.


Eu não parecia 

estar presente, 

nem observei 

como devia.


Eu olhava 

para mim, 

como o único.


A realidade 

foi sendo 

desenhada 

desenganada, 

até desaparecer...


Eu fingi 

não ser comigo, 

segui 

como se tudo 

estivesse bem...


Hoje trago 

a feição inexpressiva, 

o corpo coberto, 

a boca fechada.


Hoje nada tem sabor.


Busco-me em mim 

e não mais 

me encontro.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

DESPERTAR

 


Estes montes altos que sobrevivem nas penumbras...

Estas florestas densas sempre desbravadas...

o despertar dos grilos...

esta noite que amanhece ao passear das mãos...

este dorme e acorda não se decide...

essa sensação de novo  no mesmo de sempre...

Essa visita de vida constante...

Este mar bravio sem margem...

Este sonhar sobre a realidade...

Esta calma da noite, absolvida...

Estas pernas que abrem e fecham, 

como conchas, tesouros profundos...

este desejar das marés, feitiço por terra...

esta sombra que não se assume, 

estes olhos acostumando-se à luz.

Estes beijos deixados à porta de entrada, 

este convite para o amanhã...

PEQUENOS

 


Somos pouco conhecidos...

das pequenas presenças, 

ínfimas palavras.


Não nos importamos 

com modestas divulgações,  

e dividimos alegremente 

pequenos sucessos.


Prezamos as pequenas palavras 

e aguardamos longo tempo 

até que possam ser ouvidas.


Conhecemos os pequenos ouvidos, 

que se posicionam, 

não incluem o coração. 


Somos das pequenas decisões, 

nem precisam ser conhecidas.


De tudo participamos sorrateiramente


Raros os grandes conhecidos.  


A estes nossos lauréis, 

nossas reverências.


Somos sonhos pequenos 

que passam rápido...


Se puderes, ouça...

DÍVIDAS

   Os problemas  não adormecem,  estão dispostos                    nas prateleiras,  como integrantes  da familia: são mobílias,  vasos,  t...