terça-feira, 18 de novembro de 2025

VAGO...

 

A margem estreita do rio 

retém censuras 

a muitas desventuras


O tempo entretém-se

em se olhar, 

antes de se atingir, 

diante do alto mar.


Desvendam-se fases, 

despedidas de andores, 

devidas medidas 

colocadas a amores.


A distância trás 

apurado olhar, 

sem a ânsia 

do momento, 

reflexão ao analisar. 


Minha nau 

vaga solta, 

vento a popa 

nas velas

sem escolta, 

sequelas...


Abre-se a mistérios, 

descobertas,  

busca por justiça, 

luta a impérios.


No mais, 

de tudo 

se desfaz, 

examina mapas, 

revê rotas, 

refaz

SOMATÓRIA

  


Como pode a vida 

somar história 

de todo um tempo 

no presente?


Emoções concentradas 

umas sobre as outras, 

como o coração suporta?


Batem a porta!

Recusam-se desaparecer, 

fazem parte.


Se deixo, 

sou invadido 

por uma integridade 

desaparecida.


Pergunta-me ainda 

se a sustento, 

se sofro, 

relego...


Quer saber 

quanto de mim 

está aqui, 

agora?


Se despedi-me, 

tornei-me outro, 

sobram derrotas, 

ou caminho 

confiante de mim...


Vou pelo caminho 

semi consciente 

da continuidade, 

embora sendo eu, 

muito me estranho

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

VARAIS

 


Coloco minhas roupas 

para secar no varal,

ao lado da jaboticabeira,

o sabiá alegra-me com o dia.


Aproveito que o Sol 

me invada também, 

secando a sujeira 

que ficou de ontem.


Prendo com grampos 

a rigidez na roupa úmida, 

certo que os ventos 

sacudam a rabugice 

para longe


Estico na roupa a ser presa,

essa lingua tagarela, 

para que possa calar-se, 

deixando os demônios enjaulados


No primeiro varal 

ficam as mãos erguidas 

com roupas 

tiradas dos ombros, 

pesam, 

clamando um despertar 

diante de tantas situações, 

eu tão omisso...


No último 

ficam as peças 

menos usadas , 

secam na sombra, 

demoradamente, 

estão cansadas 

do uso contínuo, 

torcem por novidades.


Dependuro a esperança 

no calor do dia, 

com a certeza 

de recolhê-la à tarde, 

guardá-la para o amanhã 

nem tudo é para hoje,

estarão preparadas.


Meus varais estão 

sempre à espera,

aproveitam a luz, 

o calor, 

os ventos

prendem a ordem 

seguram a vida 

que balança...

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

PARTE DE MIM

 


Ó parte de mim, 

que me deixaste, 

por onde andas?


Trazias as espumas, 

arrebentação constante 

de ondas,

desprezavas 

sua imensa contenção, 

mar indomado...


Tinhas palavras extraídas 

dos regatos cristalinos, 

antes que as águas  

se  ajuntassem caudalosas 

no afã diário.


Mantinhas a pureza 

da verdade, 

caminhavas altiva,, 

intocada presença 

divina de si.


Nada abalava 

seu lânguido percurso, 

pés seguros, 

fronte erguida,


Nada a amedrontava... 

admiravas os portões, 

guardavam segredos,

preferias os campos abertos, 

sua incursões 

eram sempre novas...


Parte de mim, onde andas?


Um dia, se me lembro, 

ou foi ao longo do tempo?

sem mais,  saistes, 

para não mais voltar, 

deixando-me,

de presente, 

a realidade.


Sua leve despedida 

foi percebida 

tardiamente...

retendo vida 

por onde passou, 

disfarçando a ausência.


Esforço-me por encontrá-la 

em meu cotidiano, 

sei que ainda anda 

a vagar por ai, 

dona de si, 

integrada. 


Alerta-me 

das grandes distâncias 

das teorias...

a simplicidade da vida


Deixa-me escritos, 

onde decifro 

seu belo labirinto 

de surpresas,  

desperta-me 

madrugada afora


Parte de mim, 

convida-me a percorrer 

novamente contigo 

os caminhos, 

nem que seja 

em versos 

despertos 

noturnos

sábado, 8 de novembro de 2025

DESAPEGO

  


Não procuro mais desafios, 

visito os jardins, 

possuem vida 

em terra firme, 

diluem as dores 

com flores, 

ensinam .


Evito ser encontrado, 

progressivamente me escondo 

nos escombros, 

interior a ser preservado 

das eternas rotinas, 

velórios de atividades.


Anseio pelas sínteses, 

poucas palavras, 

muitas compreensões 

dos caminhos, 

onde vão dar...


Perdoo os fracos, 

sempre em lágrimas, 

por não suportarem, 

como eu, 

os corações 

duros e secos.


Destes, conheço o olhar, 

não merecem consideração.


Descubro, 

no fundo do poço, 

a verdade, 

o sentido de tudo, 

desapego..

ERROS PERMANENTES

 


Fui poeta 

antes da gramática, 

versos inspirados 

ainda que errados.


Meu caminho 

seguiu a rua e a escola

o coração e a verdade, 

poucos simbolismos, 

realismos


Depois, 

corrigi 

o incorrigível 

desconhecimento 

da lingua.


Vergonha

passei e passo, 

dos perfeitos de sempre, 

faço que me desfaço, 

para ser outro tentativamente.


Sigo livre e solto, 

em pensamentos envolventes...

como parentes, 

veem-se constantemente.


Assim vou...

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

CORRENTEZA

 


Meu caminho 

não tem chegada, 

é uma continuidade 

de desafios.


Luta por sobrevivência...


Surpreendem-me 

as marés constantes, 

insurgentes,

desestabilizam...

terreno movediço  

da realidade 

sufocante.


Os dias percorrem 

travesseiros noturnos, 

vigílias inseguras 

do amanhã. 


A novela distrai,

o futebol distrai, 

o prazer distrai...


O silêncio do futuro 

são os ruídos 

permanentes 

do presente.


Nada muito explícito, 

sorrateiro, 

acompanha o féretro 

do destino.


Impossível acomodar-se!


O Sol esconde, 

com seu brilho 

a implacável vileza 

da realidade.


Vou assim, 

sonâmbulo, 

meio em mim, 

meio fora de mim, 

refletindo onde posso 

por os pés. 


Um mal sem rosto, 

imposto; 

uma fome guardada, 

escondida; 

um amor adiado, 

para quando?


Deixo um pensar 

inseguro, 

visitado pelo medo, 

enquanto o dia não vem...

BOM DIA

  Que alegria acordar com o Sol,  ver que o dia chegou,  seu cachorrinho vir lamber-lhe o rosto. Que alegria o beijo matinal  da mulher amad...