sexta-feira, 8 de novembro de 2024

ENTREABERTO



Entreaberto, 

um livro aguarda 

demorada reflexão.


Entreaberta, 

uma reflexão 

não se materializa, 

sob o risco 

de não conseguir 

prosseguir a leitura.


Caminhos de mim 

deixam portas abertas

que aguardam.


De repente 

o mundo espera 

apenas uma compreensão 

para seguir em frente.


Mas, 

quem sou eu 

diante do mundo 

para fazê-lo esperar?


Mas, 

qual o caminho, 

se ainda 

não está claro, 

são tantos!


Ando refletindo muito, 

deixando o livro 

aberto 

aguardando

ÀS VEZES

 


Às vezes 

não vem palavras, 

mas lágrimas...


Olhos perpassam 

vulneráveis fisionomias, 

penetram...

descobrem a verdade 

além da postura,

vão dentro...


Às vezes 

fico confuso 

sobre a quem respondo, 

a quem falo.


Melhor deixar 

oculto o oculto,

submeter-me 

às trivialidades. 


Melhor remexer escombros

escavar vidas soterradas, 

não estão ali por acaso, 

esperam socorro.


Às vezes 

palavras 

são melhores 

que lágrimas,

curam ...

sábado, 2 de novembro de 2024

FINADOS

 Se olho,

tenho mais parentes

do lado de lá,

que de cá.

Não apertam

mais a campainha,

vêm me visitar.

Não telefonam,

nem festejam mais

meu aniversário.
Esconderam-se.
Fui obrigado a acostumar-me

com estas ausências.

Que não dizer

dos de minha própria casa,
sangue do meu sangue?

Vejo-os ainda

na cozinha,

nos cômodos.

Falam comigo

desde a partida.

Se penso,

ainda vejo em mim,

cada um...

posso contá-los.

Estou aprendendo

a dura lição

das ausências,

lição de vida

para com os mortos.

Estou aprendendo

a ser só

até partir também

para fazer parte

da lembrança de alguém...

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

BEIRA MAR.


Agua de coco,
ondas findando
o mar,
povo distraindo-se.
A natureza perdoa
as contradições,
com diversões.
O Brasil renitente
do meio ambiente,
meias teorias,
maresias.
A prova do prazer
arrefece o sofrer.
Aprecio
a identidade do Sol,
da brisa,
as doutrinas do vôlei,
o partido dos copos vazios,
nunca enchem,
atingem
a vertigem
das marés baixas,
distantes das dores.
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BOM DIA TRISTEZA

 Venha tristeza...

sinta-se à vontade,
aqui há bondade
de recebê-la
em leveza.
Alguém se foi,
está distante(?),
canto mudo
não se entoe(!),
a ordem proíbe
este brotar gratuito
ao vir
em incerto instante,
pois tem também
sua beleza
amarga,
penetrante.
Vou seguir
o silêncio
dos pecadores,
fingindo alegria
destoante
aos presentes
ausentes:
não veem olhos,
mas dentes.
Mergulho na mente,
em passeio renitente
derrubando
portais da memória,
construções formais,
imponentes.
Reconheço o fracasso,
ser crasso
impostada voz
no presente.
Sinta-se à vontade tristeza,
poucos conhecem teus olhos,
tua beleza.

SUBSISTE

 


março 31, 2024
Uma fina angústia
subsiste,
quase imperceptível
sob o mar calmo.
Irrevelável,
acompanha
o cotidiano
sem interferir,
macular
cada ato
cada gesto.
Faz-se
que não está...
Tem perguntas
ainda não formuladas,
diante da despreocupada
existência,
que não pergunta
Quantos meses
são necessários
até as orquídeas florirem,
de galhos e raízes abraçados?
Quanto tempo
até serem apreciadas?
Quando a Humanidade
desvendará a cristalina
transparência das fontes,
responsáveis dos grandes rios?
Angústia oculta
no olhar dos olhos
no temer das palavras,
em trocá-las livremente.
Angústia que interpela,
silenciosa,
a existência
em tudo
o que faz,
incógnita.
A subconsciência
da transitoriedade?
Muitos olhos
até vê-la!
Não se desnuda...
Uma fina angústia
subsiste,
quase imperceptível
sob o mar calmo.

RASURAS

 

Quero deixar um beijo,
receba-o como quiser,
deixar um afago,
o mundo precisa tanto.
Deixar-me inteirante a ti,
se me ouves.
lês...
Preciso de ti,
nada sou
sem ti,
sentir,
sentido.
Sou palavras rasuradas
à procura de um encontro,
nada mais.

28/07/2026 - Vida que segue

 O que dizer...amo a vida, amo a cada um , cada uma dos dias que por aqui passo. Hoje distribuímos o restante dos abacates nas Vicentinas, q...