quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Libéria: uma comunidade religiosa inteira é dizimada pelo ebola


A Ordem Hospitaleira de São João de Deus perdeu três irmãos, uma irmã e seis leigos, comprometidos com sua missão até o fim
Por Sergio Mora
ROMA, 27 de Agosto de 2014 (Zenit.org) - A Ordem Hospitaleira de São João de Deus perdeu em agosto uma comunidade inteira na Libéria. Os religiosos atendiam doentes de ebola no hospital São José, na capital do país, Monróvia.
No dia 2 de agosto, morreu o irmão Patrick Nshamdze, de 52 anos, diretor gerente do hospital. Em 9 de agosto, a irmã Chantal Pascaline, de 47 anos, religiosa de Maria Imaculada. Em 11 de agosto, o irmão George Cambey, de 47 anos, diretor da enfermaria. Também no dia 11, o sacerdote espanhol Miguel Pajares, de 75 anos, foi levado à Espanha e morreu em Madri após o insucesso do tratamento com o soro experimental Zmapp. Morreram ainda seis leigos comprometidos: médico, enfermeiras e paramédicos.
Em total, dez pessoas deram testemunho de fé e de amor com a própria vida dedicada aos enfermos até a morte no hospital São José, que é mantido pela ordem na capital da Libéria.
O resto do pessoal do hospital teve que interromper as atividades porque não havia mais material de saúde. O hospital, que tem 155 leitos, “está fechado por falta de tudo. Os mortos eram amontoados na porta do hospital e os religiosos tinham que separá-los, sem máscaras, sem luvas. Foi um contágio feroz”, contou por telefone a ZENIT um dos religiosos da ordem, que é leitor assíduo da nossa agência.
Uma boa notícia, no entanto, é que, nesta segunda-feira, 25, receberam alta duas outras religiosas da Comunidade das Missionárias de Maria Imaculada: as irmãs Elena e Paciencia, diagnosticadas com ebola e internadas em outro hospital da capital da Libéria. Elas irão agora para o convento situado ao lado do hospital.
ZENIT foi informada ainda de que, nesta mesma segunda-feira, partiram para a Libéria, via Marrocos, os religiosos espanhóis Justino Izquierdo e Maxi Méndez, além de uma religiosa Missionária de Maria Imaculada e um técnico leigo, levando 20 mil quilos de medicamentos doados pela Espanha. Outros voluntários se unirão a eles nos próximos dias. “A escassez de tudo é imensa e toda ajuda é necessária”, enfatiza o religioso que conversou conosco.
Quando a equipe chegar a Monróvia, voltará a desinfetar o hospital para poder reabri-lo. "O superior provincial da África, irmão Bartolomeu, queria enviar algum irmão africano à Libéria, mas as autoridades locais não permitiram. Por isso é que vem essa nova equipe encabeçada por espanhóis", explicou o religioso.
O hospital em Monróvia tinha permanecido sempre disponível à população local, inclusive durante a guerra, quando os outros hospitais fecharam as portas. Desta vez, o hospital São José ficou aberto até o extremo de uma comunidade inteira da Ordem dos Irmãos Hospitaleiros de São João de Deus ser dizimada. 

Eliminação dos cristãos no Iraque.

"Enquanto os políticos debatem, os cristãos iraquianos continuam sofrendo e morrendo"
O patriarca caldeu faz um novo apelo à comunidade internacional
Por Redacao
26 de Agosto de 2014 (Zenit.org) - "Visitei os campos de refugiados nas províncias [iraquianas] de Erbil e Dohok e o que vi e o que ouvi por lá vai além de qualquer imaginação febril!", declarou o patriarca caldeu Louis Raphael I Sako em comunicado enviado à agência AsiaNews. Ele faz um novo chamamento à comunidade internacional e ao mundo muçulmano, "que ainda não compreenderam a gravidade da situação".
O patriarca destaca que os cristãos iraquianos e outras minorias no país sofreram "um golpe terrível" no "coração da sua vida", privados de todo direito, da propriedade e até dos documentos. Sako adverte que, "diante de uma campanha que pretende eliminar os cristãos e as outras minorias do Iraque, o mundo ainda não entendeu a gravidade da situação". Esta é, para ele, "a segunda fase da catástrofe", ou seja, depois da invasão dos extremistas, "a migração destas famílias" para muitas partes do mundo, causando "a dissolução da história, do patrimônio e da identidade deste povo".
Sako explica, no comunicado, que o fenômeno da migração tem "grande impacto" tanto sobre os cristãos quanto sobre os próprios muçulmanos, porque o "Iraque está perdendo um componente insubstituível" da sua sociedade. Ele afirma também que a comunidade internacional, encabeçada pelos Estados Unidos e pela União Europeia, "embora reconheça a necessidade de uma solução rápida, não tomou medidas concretas para aliviar a tragédia da população afetada".
"O fundamentalismo religioso vem crescendo em força e ​​poder", observa o patriarca caldeu. Por isso, é necessário promover no Iraque uma cultura de encontro e de respeito, que considere "todos os cidadãos iguais em direitos".
Sako pede ação concreta em âmbito internacional para salvar os cristãos e os yazidis, "peças originais" da sociedade iraquiana em perigo de desaparecer devido aos acontecimentos "terríveis e horríveis". O silêncio e a passividade, alerta ele, "darão força aos fundamentalistas do Estado Islâmico para provocar novas tragédias".
Ao encerrar, o patriarca dos caldeus lançou uma advertência à Igreja em todo o mundo: diante do testemunho de fé firme dos cristãos iraquianos, de nada servem meras "declarações contínuas", porque o necessário é “a verdadeira comunhão que experimentamos com a visita do enviado pessoal do papa Francisco [o cardeal Fernando Filoni] e dos patriarcas”.
Dom Louis Raphael I Sako reconhece que "respeitamos as razões dos que querem emigrar, mas, para quem deseja permanecer, queremos recordar as raízes plantadas nesta terra e a nossa longa história. Deus tem o seu plano para a nossa presença neste mundo e nos convida a transmitir a mensagem do amor, da fraternidade, da dignidade e da convivência harmônica".

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Iraque: testemunhos civis revelam casos atrozes de assassinatos, sequestros e violência sexual

A UNICEF documentou até agora 123 casos de violação de direitos por grupos armados
Por Redacao
22 de Agosto de 2014 (Zenit.org) - "O alcance e o tipo das violações de direitos de crianças, mulheres e comunidades de minorias no Iraque, ao longo das últimas semanas, é dos piores deste século e é completamente inaceitável de qualquer ponto de vista, qualquer que seja o código de conduta que possa dirigir o conflito". A denúncia é de Marzio Babille, representante da Unicef Iraque.
Um comunicado do Fundo das Nações Unidas para a Infância assegura que "os testemunhos de civis que conseguiram escapar da recente ofensiva de grupos armados em Sinjar (noroeste iraquiano) revelam casos atrozes de assassinatos, sequestros e violência sexual contra mulheres e crianças". 
As equipes de especialistas em proteção infantil enviadas pela Unicef documentaram até agora "123 casos diferentes de violação de direitos por grupos armados que atacaram os yazidis e outros grupos de minorias que vivem em áreas da província de Nínive, perto da fronteira com a Síria".  Segundo a Unicef, "oitenta desses casos foram confirmados como graves violações dos direitos das crianças em situações de conflito armado".
Ibrahim Sesay, especialista da Unicef em Proteção Infantil, afirmou que "quase cada pessoa com quem conversamos contou que sofreu ou testemunhou violações horríveis, por si mesmo ou através de membros da família ou da comunidade".
"Uma menina yazidi de 16 anos contou que foi encurralada junto com outras meninas e mulheres, escolhidas para casamentos forçados e temporários com fins sexuais. A menina disse que conseguiu escapar, mas que as outras foram levadas embora pelos extremistas".
Sesay explica que "a agonia que estas mulheres e meninas estão sofrendo hoje como resultado de uma experiência tão dolorosa requer um aumento urgente de atenção especializada em saúde mental, além de apoio médico, dentro de uma resposta mais ampla a essa tragédia".
Até o momento, a Unicef prestou apoio psicossocial a mais de 3.000 crianças refugiadas na região curda de Dohuk. A organização também está trabalhando com seus parceiros "para atender as necessidades imediatas de água potável, saneamento, higiene, vacinação infantil e apoio às crianças para que elas tenham acesso à educação, a espaços seguros, a atividades recreativas e a serviços de proteção".
O trabalho principal da Unicef é proteger os direitos da infância e "conseguir mudanças reais na vida dos menores nos países em desenvolvimento, mediante os programas de cooperação e as ações emergenciais".
Em matéria de proteção infantil, a Unicef conseguiu em 2013, junto com seus parceiros, que 30,6 milhões de recém-nascidos fossem registrados em 76 países. 7.300 crianças alistadas à força em grupos armados foram reintegradas às suas comunidades. 2.538 comunidades em 8 países aceitaram deixar de praticar a mutilação genital feminina. A Índia desenvolveu a primeira estratégia nacional para combater o matrimônio infantil. Cerca de 2,5 milhões de crianças em situações de emergência tiveram acesso a espaços comunitários seguros de aprendizagem e de apoio psicossocial. 13.500 crianças separadas das famílias por desastres naturais ou conflitos armados puderam voltar para junto dos seus ao longo do ano. Mais de 60 países implementaram oficialmente a iniciativa pela Eliminação da Violência contra as Crianças. Além disso, 86% dos países membros da ONU aprovaram o protocolo facultativo sobre o tráfico e prostituição de menores e a pornografia infantil.

sábado, 16 de agosto de 2014

A colisão sem manchete.


A colisão sem manchete.

A vida passa por colisões
e nem sempre haverá
uma caixa preta
para dizer algo
que ficou.

Fragmentos de vida
espalham-se
disformes
desdenhando
os sonhos.

Uma mão superior
sustenta
e desfaz
destinos
clandestinamente
ordinariamente.

Milhões 
que não sonhavam
despertam
em tardios
confessionários
arrependidos
da frieza,
como se estivessem
convictos
desde cedo.

líderes de si mesmos
já não crêem
como em outros tempos.
mas descrêem
de tudo e de nada,
jogam a culpa
nos políticos
eles os puros
os inocentes...

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Posso não esperar nada?



Já não espero 
que gostem de mim,
de meus pensamentos,
destoo em tantas reflexões.. .


Não espero confidências...
Melhor silenciar
para continuar honesto,
que compartilhar
meias verdades.

Não espero que me agradem
me consolem;
deixam-me
desconfiado.

Não espero companhias...
Ao permanecerem juntos
soam tão superficiais
que é melhor estar só.

Não espero compreensão
nem compaixão.
Que discordem
abertamente
sem terminar
de pisar-me,
até o fim,
como o apagar
de um cigarro
no chão.

Não espero
igualmente
o perdão;
afinal,
não existe 
perdão,
mas uma grande
nuvem de fumaça,
disfarçada 
de perdão.

Não espero,
enfim,
que aceitem
estas minhas
palavras.

Deixem-nas
soltas
solitárias...

Quem sabe
o vento
as leve 
para longe
e ecoem
em vales 
esquecidos.


João Paulo Naves Fernandes

Algo estranho em mim.


Alguém me ajude!

Tenho uma dor no peito
que não quer deixar-me.

Alojou-se
definitivamente,
independentemente
de mim,
uma estranha.

Rebelde,
não reconhece a morte
e exige a vida,
não aceita distâncias
e quer proximidade.

Dor estranha
de mim,
e minha,
ao mesmo tempo.

Quisera não tê-la,
submetê-la
aos meus desejos.

Não posso!
Não consigo!

Então fique!

Permanece aí mesmo
onde estás,
exigindo
pedidos 
impróprios.

Em um Mundo Novo,
quem sabe,
esta dor realizar-se-á
de seu sonho utópico,
e verei renascer
das cinzas
todos,
translúcidos,
joviais,
eternos.

Mas, 
por enquanto,
ajudem-me
a retirar
esta dor,
que não 
consigo.

Dor estranha
de mim,
comigo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Como sempre a Globo desinformando o seu leitor

1 de agosto de 2014 - 11h51 

Jornalismo de “nota oficial” da Globo tenta limpar a barra de Aécio


 A “reportagem” do Jornal Nacional desta quinta-feira (31) onde Aécio Neves admite o uso do aeroporto de Cláudio deveria ser copiada e distribuída nas escolas de jornalismo. Porque é uma aula de como não deve (ou deveria) ser o jornalismo. O texto é uma colagem de notas oficiais e declarações em clima de campanha do candidato tucano. Não há uma gota sequer de reportagem ou investigação. Vale o que foi escrito e o que foi dito pelo candidato.

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço


Reprodução
Aécio Neves tenta culpar a Anac pelo caso do aeroporto.Aécio Neves tenta culpar a Anac pelo caso do aeroporto.
Cláudio, que não chega a 30 mil habitantes, vira “um grande centro industrial”, nas palavras incontestáveis do candidato tucano.

Não há uma indagação sequer sobre o que justifica o asfaltamento de uma pista de aviação em Montezuma, uma vila que não tem oito mil e nem coisa alguma, exceto a fazenda que a empresa da família Neves tomou ao Estado num usucapião pra lá de estranho.

Mas convenhamos, asfaltar a pista de Montezuma, por R$ 300 mil, foi uma bagatela, fora a desapropriação perto dos R$ 14 milhões gastos para asfaltar a pista aberta por vovô Tancredo nas terras do contraparente, irmão de Dona Risoleta.

Ninguém se interessa em perguntar porque uma obra custou 40 vezes mais do que outra, bastante semelhante.

Quem sabe pudessem perguntar ao piloto do “avião da eleição” que o JN põe no ar para mostrar as mazelas do Brasil – que começaram neste governo, é claro – se é normal pousar em aeroportos irregulares.

Ou se ele se comunicava com a “torre” de Cláudio.

- Manda chamar o tio!

- Fala, sô

- Fasta os boi, que nós tá ino…

- Já mandei tirá, minino.

- Os garoto dos aeromodelo num tão por lá, não?

- Craro qui não, avisei qui quem ia brincá hoje era ocê…

Nenhum repórter foi olhar o processo para saber, afinal, em quanto ficou a bufunfa do tio na
desapropriação.

A culpa é da Anac, que não homologou um aeroporto particular que não apresentou os documentos.

E outro, o de Montezuma, que nem pediu para ser homologado.

Carece não, é só pro menino usar.

Inútil, porém, a pasteurização jornalistica do assunto.

O povo, que é muito menos bobo do que a Globo pensa, não compra bonde faz tempo.

A expressão de Aecio, olhos esbugalhados, palavras despejadas, trai mais a verdade que a tolice do que é dito.

É o “não me deixem só”.

Não adianta remendo.

Era melhor fazer com o gato, que enterra.