terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um casamento com final não tão feliz

Já é dificil reunir a família.

Vocês sabem, nos dias atuais ninguém mais tem tempo para se visitar.

Os parentes que adoecem, ficam em suas casas sem receber visitas, e os que morrem dão adeus a esta correria, sendo que até nos enterros poucos parentes comparecem.

Mas quando tem casamento, rapaz, surgem aqueles primos e primas que há muito tempo não encontrava.

Uma prima muito querida casou-se com um rapaz carioca na Igreja São Luis, da Avenida Paulista.

Conheceram-se pela internet. Podem acreditar, e está dando certo.

Com coral e trompetes matei a saudade de meu próprio casamento, e confesso contive a própria emoção quando Marta passou pelo corredor da Igreja, junto de seu pai, meu primo Orlando Naves.

Depois veio o momento da festa.

Minha esposa, acostumada às sandálias da vida, usadas em décadas de convivência comigo, sofria para caminhar da Igreja até o Hotel Renaissance, que fica a dois quarteirões

Como havia, precavido que sou, havia chegado mais cedo para não perder o casamento, pediram, no hotel, que guardasse o carro no lado da Alameda Santos onde tem a sua entrada principal. Como diziam que o estacionamento era gratúito, já incluído nos custos da festa, acreditei e deixei meu carro na entrada principal

Qual não foi minha surpresa quando soube, ao final da festa, que tinha que morrer ali com R$ 16,00.

Para completar, o meu filho, que guardara o carro no lado certo, da Alameda Jaú, os guardadores de carros quebraram-lhe o espelho retrovisor, não sem antes fazerem uma gambiarra para disfarçar a barbeiragem, fato que só foi descoberto no percurso da volta, já sem poder reclamar "in loco", ou como louco.

Coisa de doido, eu com minha mulher andando naqueles saltos altos como se tivesse pisando em brasas, passando ao lado de uma pedinte que esculhambou com a nossa realeza fajuta, e pagando um estacionamento gratúito.

Penso, as festas são boas, mas parece que o mundo está realmente mais agitado, e não consigo permanecer na alegria o tempo todo.

Fechei a cara, perdi a esportiva, pedi licença a Deus para permanecer casmurro,  nem consigo mais fazer oração ou pedir perdão, nem a mim  mesmo.

E hoje já é terça, e estou seco.

Para completar, ontem caiu um temporal em São Paulo que acabou com a nossa energia, e o meu blog eclipsou.

Na Barra Funda pode acabar, porque é lixo, ninguém liga, mas nos jardins, meu amigo lá a energia continuou firme e forte.

Vai entender.

Estou revoltado!!!! Ahhhhhhhhhhhh

domingo, 28 de novembro de 2010

A síndrome da segunda-feira


Nas segundas-feiras
o espírito
encontra-se perdido,
em mim,
com os vários seres
que me compõem,
respondendo
ao mundo superfície
através do mais reles.
Despertar etéreo
falar introspectivo
ouvir meditativo
andar sonâmbulo

Estar aqui?
Não estar...
Não ser...

De fora
sacodem-me
para a realidade primeira
De dentro
o apêgo quente,
criativo,
inesperado.
Puxam de lá...
Puxo de cá...

O virus do Natal na Internet

Eu tenho vários amigos na Internet. Interessante que o termo amizade esteja hoje tão vinculado à Internet. Antigamente nos visitávamos mais, havia tempo para isto. Conhecíamos as suas famílias, pai e mãe. Quantas vezes “filei” um almoço ou um lanche da tarde em suas casas, e de última hora.

As visitas eram naturais e freqüentes. Não era necessário avisar que estávamos chegando. Apenas chegávamos. Freqüentar as casas, sair juntos para ir às festas ou aos cinemas do bairro era comum, rotineiro até.

Hoje não. Hoje não nos vemos mais. Todos foram ficando longe e, encontrá-los, bem, somente em grandes ocasiões, combinadas antecipadamente. Mantemos nossas alegrias e cultivamos a saudade, mas não é mais igual. Ficou difícil cultivar uma amizade.

Assim, a Internet goste você ou não, veio substituir esta relação mais pessoal, por outra, não tão próxima, fisicamente falando, mas até com uma pessoalidade diferente. É impressionante como apesar de juntos, evitamos abordar ou discutir tantas coisas, e, no entanto, quando distantes, exatamente resguardados por estar distantes, nos aventuramos a entrar em temas mais profundos, e porque não dizer, mais íntimos.

Por isto posso dizer que tenho muitos amigos na Internet. Alguns raramente se comunicam comigo, ou seja, quando precisam de informação ou ajuda, ou convidando para algum evento. O fato de contatar menos, não quer dizer que tenham menos estima por mim, e vice-versa. São, ao contrário, objetivos e diretos como por vezes gostaríamos que outros fossem.

Outros, gostam de bombardear com informações expressando suas opiniões, enquanto anexam arquivos os mais mirabolantes, de assuntos muito carregados de temas controversos, que me deixam mudo sem responder.

Porque qualquer resposta diferente de suas convicções é o início de um exílio auto-imposto, rompimento mesmo, por divergências de concepções de todos os tipos, difícil de endireitar.

Amigos de todos os tipos. Após um contato pessoal, passo os dias recebendo e-mails dele ou dela. Amigos de ocasião. E não param.

Como abro a minha caixa de entrada sempre ao final do dia, assim vou me alimentando e também enviando minhas mensagens. Afinal, eu também estou nesta tipologia internética, vamos dizer assim.

Sou daqueles de reservar assuntos que versam sobre acontecimentos diversos nem sempre presentes na mídia, que pertencem àquele lugarejo afastado ou a algum país distante, geralmente precedido de uma breve apresentação, porque não gosto de substituir o que está no arquivo. Também não me apraz fazer isto a todo instante, vou de tempos em tempos, comedido. Sei como é o povo.

Bem, foi neste contexto, que bem me lembro, aconteceu o vírus do natal. Num final de tarde, depois de chegar a casa, tomar meu banho e lanchar, ao abrir os e-mails do dia, veio misturado entre eles, um bem estranho, com os dizeres NATAL NA INTERNET.

Não sou de abrir e-mail desconhecido, porque já perdi muitos arquivos com este problema, mas aquele me chamou a atenção. Como aconteceria um Natal na Internet, uma vez que, já estamos todos muito virtuais em nossas relações?

Arrisquei, e qual foi minha surpresa ao ler o seguinte recado:

- Você foi escolhido para participar do Natal de Belém. Está tudo preparado, não é necessário levar nada. Antes, porém, faça um bom exame de consciência, e procure arrepender-se sinceramente das coisas erradas que você fez até hoje. Assinado – João Batista.

Ao lê-lo, minha primeira reação foi querer deletar, pois pensei tratar-se de um vírus que poderia destruir todo o meu notebook. Mas seria tarde, e minha curiosidade era maior. Respondi que não via em mim uma pessoa pecadora para poder arrepender-me de algo. Procurei saber também como se daria esta participação no Natal de Belém.

Fui dormir. A noite estava avançando e o cansaço me pesava os olhos. Aquela foi uma noite em cine 35 mm, tridimensional: Veio em seqüência ordenada, toda a minha vida, desde a infância. Foram aparecendo, um a um, os acontecimentos, desvendando meus erros aqui e ali, junto a muitas realizações.

Pela manhã, ao acordar, pude peneirar as coisas boas de um lado, e a más, de outro. Não me dei conta da relação entre a mensagem recebida e o sonho, ou o que fosse. Fui trabalhar como consultor num cliente, e durante o dia pude ir fazendo a associação entre um fato e outro, aumentando minha expectativa.

À noite, a curiosidade crescera, e revendo criticamente os meus erros, pensei em responder àquele tal de João Batista – que podia ser a brincadeira de alguém. Tomei a iniciativa de relacionar os erros, mas pensei no ridículo daquilo, caso alguém tivesse acesso, ou fosse mesmo um trote de alguém disposto a me prejudicar.

A verdade é que aquela revisão geral me fizera sentir melhor. Percebi que alguns de meus erros eu tinha superado, outros ainda me assombravam, e com eles mantinha uma batalha. Havia, entretanto, uma leveza de alma, da qual não me lembrava ter senão em minha juventude, quando das missas de domingo.

Qual não foi minha surpresa, quando percebi, novamente outra mensagem colocada – NATAL NA INTERNET.

- Agora, que conseguiu vencer seu interior, você pode caminhar por novos provedores superiores. Antes, porém, vá até a cozinha, encha um copo com água e a despeje sobre sua cabeça, como sinal de remissão dos seus pecados. Assinado – João Batista.

Beirava ao ridículo. Como uma pessoa, em sua solidão doméstica, faria aquilo, derramar água sobre sua própria cabeça? Estava ficando louco, imaginei. Lembrei-me de tanta gente que assiste TV, em atitudes semelhantes, que sempre critiquei, por achar medíocre. Agora, lá estava eu fazendo a mesma coisa.

Bem, não custava nada. Fui até a pia, enchi um copo com água e a derramei sobre a minha cabeça. Tive a noite dos justos. Uma paz indescritível tomou conta de mim. Como tomasse um banho interior, senti-me lavado. Estava quite com o passado.

Ao amanhecer, compreendera que muito de meus erros não conseguiria corrigir, encontrando as pessoas afetadas, porque já não estavam mais entre os convivas. Percebi, entretanto, uma vontade de fazer algo que pudesse compensar estas falhas, e que este era um sentimento justo. Àqueles outros, que tinham a oportunidade de ser corrigidos, tomei a firme iniciativa de fazê-lo.

Desta forma meu dia foi diferente dos demais. Surgira uma alegria leve por trás de meu comportamento, que me surpreendia também, como se fosse meio exterior, mas era minha, vai entender...

Estava também mais em paz comigo mesmo, eu tantas vezes sujeito às circunstâncias, com uma suavidade nova em mim, ao tratar dos meus afazeres. Tudo meio surpreendendo, meio aceitando.

Era eu e não era eu. Lembrei-me de Shakespeare – Ser ou não ser. Em minhas meditações considerei estas mudanças como um interagir de minha vida com uma dimensão espiritual.

Já não pensava mais em João Batista como um intruso, mas a um amigo novo, que veio numa hora propícia ao meu entendimento. Por isso, a espera da noite, em abrir minhas correspondências nas internet tornou-se uma ansiedade agradável.

Desta vez a mensagem veio diferente:

- Qual é o seu ouro para ser oferecido? O seu incenso está aceso? Quanto de entrega de sua vida está para ser perfumado pela mirra? Assinado-Belchior

A brincadeira assumia novas proporções, pensei, mas vamos lá. Respondi que não tinha grandes riquezas. Na verdade minha vida era até modesta, portanto não tinha muitas posses a oferecer. Quanto ao incenso, disse não ser uma pessoa dada a orações, sendo pouco metódico em buscar a Deus. Em relação à mirra, não me via entregando algo de essencial de mim, por isso não via sentido em ser ungido por mirra.

Recebi uma resposta em seguida. Neste, Belchior foi lacônico.

- Você resolveu o seu passado. Cabe fazer o seu futuro. Desperta! Urge que faças a tua parte.

Este vírus tem me acompanhado em tudo que faço. Coloca-me constantemente novos desafios, mostra meus limites, questiona. Lembrou-me de minha humanidade tão grande, perdida em egoísmos.

Descobri mais, que não estou só, que tenho um papel importante em casa, meu bairro, cidade, em tudo. Não devo mais estar fechado.

Agora sei qual é o caminho para o Natal de Belém. Tudo está preparado, esperando por um nascimento em mim, pela minha parte, mais nada.

O mais intrigante é saber que fui descoberto ou escolhido, como quiserem, no meio da Internet.

Ninguém acreditará em mim. Não faz mal.

Um vírus bom, para o bem.

Um conto meu para vocês. João Paulo Naves Fernandes. Concedo o direito de divulgação sem ônus, desde que divulguem o blog
http://www.podasestradas.blogspot.com/

Estado forte, temperamento forte(sem perder a ternura)

Parece que os ultimos acontecimentos de combate frontal às drogas no Rio de Janeiro estão fazendo ser revista a noção de impunidade, de que não acontece nada,e os transgressores podem fazer o que bem entenderem.

Tenho para mim que o Brasil, ainda que tenha de avançar muito em matéria de democracia, principalmente a democracia popular, ele precisa ter um Estado forte. Estado que delimite ações, que estabeleça políticas, encontre caminhos e realize.

Isto vai frontalmente contra os conceitos de estado liberal.

Penso até que esta questão está cada vez mais clara à população, que fez esta escolha, na figura de Dilma. Ela encarnou este sentido de fortaleza.

Entretanto esta característica em certos momentos  tornou-se um problema.

Dilma buscou durante toda a campanha o voto feminino.

Ocorre que o voto feminino não foi tanto para Dilma, como o foi o voto masculino. Porquê?

Creio que as mulheres, entre outros fatores, viram em Dilma um comportamento "duro" e "firme", que é real e a própria candidata tentou por várias vezes dissimular isto, o que se contrapõe à "delicadeza" e "compreensão" femininas.

São conceitos relativos e até superados, pois a questão de gênero traz a cada momento novidades, mas no frigir dos ovos acaba exercendo esta influência no conjunto da sociedade.

 Masculinizar o estado de ser, pode ter afastado o voto feminino, considerando-se que Marina aparecia com esta "humildade" e "simplicidade".

Esconder Dilma, ajudou a  modelar esta imagem. Dizer que ela foi "guerrilheira", então consolidou a candidata mão de ferro.

Por estas e outra é que vejo em Dilma o perfil adequado para a nossa Presidenta.

O Brasil precisa de uma pessoa que seja rápida e decidida, sensível mas forte na ação.

O combate às drogas está na agenda do dia, a reforma agrária nunca deixou de ser urgente, o crescimento econômico é obrigatório para continuar o projeto de eliminação da pobreza, um posicionamento internacional precisa ser mantido para evitar conflitos internacionais.

Dilma se coaduna perfeitamente com estas expectativas

Comiam, bebiam, e se casavam....e a sociedade solidária, existe?


É isso mesmo, passar a vida comendo, bebendo e se casando.

Em outras palavras, ter a vida voltada para si próprio.

Aparentemente não há nada de mal nisto, pois é isto mesmo que fazemos todos os dias.

Mas se deixarmos abrir a nossa sensibilidade e largarmos o egoísmo, iremos notar que temos atitudes exclusivistas, individualistas, que num primeiro momento parecem normais, mas que, de fato provocam grande separação entre irmãos brasileiros.

Este egoísmo se expressa na glutonaria, também chamada de gula, e na sede de poder para si próprio.

Comemos, comemos, comemos, e engordamos até estourar os vasos sanguínios de tanta pressão.

Lutamos, lutamos, lutamos, ocupamos postos, arrefecemos nosso ímpeto, e às vezes nos corrompemos.

Enquanto isso tantos secos de fome, e de sede.

Quero colocar hoje a idéia de uma sociedade solidária.. Será que ela tem a ver com a construção de uma sociedade socialista?

Não pensem que a miséria e a indigência serão extirpadas do país de cima para baixo. Não mesmo!

Se a sociedade brasileira não se voltar para o excluído, ao mesmo tempo em que são realizadas ações governamentais, com iniciativas amplas de valorização do mais fraco, creio que, principalmente a indigência não será resolvida. A miséria, talvez...tenho dúvidas.

Mas quando eu vejo a nossa elite, com o nariz tão empinado, tão donos de si mesmos, tão auto suficientes,  percebo o abismo que nos separa.

Grife, Shopping, fashion, estes termos tão bem distintos, mostram que não há, de fato, interesse da alta sociedade em ver esta questão resolvida. Se duvidar, vão chamar o pobre de vagabundo, de preguiçoso. Estou mentindo?

Por isso, seria  necessário um serviço voluntário obrigatório para iniciantes de carreiras, como as de médico, dentista, advogado, engenheiro, todas as de nível superior. Talvez um a dois anos dedicados ao povo pobre e abandonado, já que de per si nada fazem.

Um programa governametal, de envolvimento social, ação social. Poderia começar sem ser obrigatório, aberto aos que desejam servir ao povo, mas deveria ir sendo progressivamente obrigatório.

Isto poderia constar do currículo como um aspecto de pontuação para fins de emprego futuro, carreira.

O Brasil precisa dar um salto mais audacioso para a solução de seus problemas sociais, deixando de
 excluir irmãos.

Tenho grande ansiedade em saber o que se pretende fazer concretamente para acabar com a pobreza e a indigência.

Estou esperando, incomodado, e com a falta de informações.

Presidenta Dilma, conto contigo neste projeto, com sua obstinação.

sábado, 27 de novembro de 2010

Apesar dos esforços, a insegurança alimentar grave persiste (fome).



Na primeira reunião, junto à sua base de apoio após a vitória, realizada pela Presidenta Dilma, o tema principal colocado na mesa foi o da eliminação da pobreza e da indigência.

Na ocasião decidiu-se em adiantar em dois anos o calendário previsto para a eliminação de ambas, passando de 2016, para 2014.

Lembro-me também que o Presidente Lula colocou como questão básica de seus governos, a erradicação da fome, tendo sido acentuado explicitamente no seu primeiro governo.

O combate à fome aliás, antecede esta preocupação de Lula e nos faz lembrar que Betinho teve tão grande envolvimento com isto que foram feitas várias mobilizações nacionais, de arrecadação de alimentos, como se assim o problema fosse resolvido.

Bem, esta é outra questão, porque, uma coisa é você realizar uma política focada e progressiva de eliminação da fome, e outra coisa é alimentar agora o faminto.

Intenções à parte, a História é inexorável.

O fato é que, segundo o IBGE, em 2009, 11,2 milhões de brasileiros passaram fome. Isto, apesar do Bolsa Família, dos Programas sociais da Previdência Social, do processo de crescimento econômico com o respectivo aumento do mercado de trabalho formal.

O que é a insegurança alimentar grave?

Segundo artigo da Folha de São Paulo, obtida e caracterizada pelo IBGE, a insegurança alimentar grave "indica que a falta de recursos para comprar alimentos é tão crítica que afeta as crianças, que sofrem uma ruptura nos padrões de alimentação. Também ocorre quando algum indivíduao, criança ou não, fica um dia inteiro sem comer, por falta de dinheiro".

Houve uma diminuição de 24,8% deste contingente entre os anos de 2004 e 2009(caiu de 8,2% a 5,8%) representando 3,7 milhões de pessoas a menos.

Isto pode ser considerado um avanço inédito, mas imoral e insuficiente, se pensarmos na quantidade ainda de 11,2 milhões de famintos, e de que há uma passagem de insegurança alimentar grave, para moderada e, desta a para leve, adentrando, finalmente na chamada segurança alimentar, caminho longo e perigoso, que pode ter suas idas e vindas.

Por isto deve ser importante analisarmos como se comportam os números destas inseguranças alimentares, no seu conjunto.

Vamos primeiro à caracterização destas inseguranças "complementares". Existem ainda estes dois outros tipos de insegurança alimentar:

2)a moderada (quando há ruptura nos padrões de alimentação, ou redução quantitativa de alimentos entre indivíduos)

3)e a leve (quando há preocupação ou incerteza em relação ao acesso aos alimentos).

A insegurança alimentar moderada teve também uma redução grande de 30,8%, (de 11,3% para 7,4%), representando uma queda de 20,6 milhões para 14,3 milhões.

Já a insegurança alimentar leve teve um aumento de 8,8%, indo de 36,9 milhões para 40,1 milhões de pessoas. Este aumento se justifica pela melhora dos indivíduos que viviam nas condições dos estratos inferiores.

Esta situação da insegurança alimentar grave  localiza-se mais na Região NE, particularmente no Piauí e Maranhão, ainda que também tenha sido lá onde houve maior melhora.

Bom, isto ainda é imoral. Foram feitos progressos, "como nunca antes no país", e concordo com o meu querido Presidente, mas são satsfaz.

Não se pode aceitar fome no país.

Não é autenticamente moral dizer que o número de esfomeados diminuiu, porque a fome não é uma estatística, mas uma condição de vida inaceitável.

Quanto à segurança alimentar, o Brasil está na faixa dos 65%. em termos comparativos nos EUA esta faixa está nos 85%

Conflito do Rio é um microcosmo brasileiro

Estão achando chocante o combate contra o crime organizado?

Tenho a dizer: Graças a Deus alguém tomou a iniciativa.

Paradoxalmente foram os traficantes que tomaram a iniciativa, acreditando que conseguiriam impedir o avanço das ocupações da polícia pacificadora, que tinha uma estratégia de avançar aos poucos. Agora terá que se instalar logo.

Como o crime não é tão organizado assim, avaliou mal, superestimando suas forças.

A consequência está clara: deflagraram uma sequência de ações da polícia, que certamente não irá mais parar

O tiro saiu pela culatra.

Qual será o resultado? Bem, imagino que o complexo do alemão será varrido do crime, e não vai demorar muito. As forças políciais não podem mais recuar.

Provavelmente o crime organizado fará ações ainda mais audaciosas, mas sem condições de impedir o avanço da polícia e do exército e marinha.

Porquê o movimento popular não se manifesta também, claramente, para a sociedade sobre estes acontecimentos? é hora de mostrar posição.

É importante o movimento popular ser aberto aos clamores da sociedade, que são principalmente os moradores destas comunidades que ficaram décadas sob o tacão da delinqüência que se fez lei.

Quantos jovens não se perderam durante estes anos, de uma vida digna de paz, profissão e família.

E não é por causa da Copa ou das Olimpíadas, mas por causa do povo, que se deve levantar esta bandeira de resgate da dignidade humana, dos direitos humanos, que foram violados.

Agora é hora de pensarmos porque fomos aceitando vagarosamente esta penetração do crime, sem fazer nada, contaminando todo o tecido social?

 Tenho uma opinião a respeito disto. Penso que nestes 50 a 60 anos, o Brasil foi perdendo uma série de valores fundamentais para a vida, e aceitando uma "modernidade" que permitia tudo o que vinha, sem questionar se era bom ou não.

Não é atoa que se multiplicou o número de igrejas no país. Também, era só nesta dimensão que se podia resguardar alguns valores. Acho correto esta busca, tendo em vista a degradação do tecido social para o crime organizado.

Agora, pasmem: o que ocorre no Rio será nada comparado com o restante do país.

São Paulo tem tanto ou mais o mesmo quadro, e este fenômeno do Rio só não ocorreu aqui porque não houve por aqui uma ocupação de espaço, como no Rio. É ver para crer.

Nas fronteiras, a situação é ´parecida, e precisa também de uma estratégia.

É preciso elaborar uma estratégia nacional para o combate do crime, como foi na Itália no século XX, combatendo a máfia.

Estes acontecimentos do Rio lançam luz sobre esta necessidade clara e premente.

Se poderemos viver uma mexicanização, acho que é provável.

Até mais

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

São Paulo se prepare, se quiser também erradicar o crime organizado

Estão vendo o que é acabar com o crime organizado? É uma guerra urbana no Rio de Janeiro, de conquista de territórios, liberação de territórios, do controle da destruição de regiões para a venda de drogas.

E porquê isto não aconteceu ainda em São Paulo?

Muito simples. É porque em Sampa pode haver um acordo mudo e surdo e cego de convivência, entre os governantes e os traficantes. Não posso afirmar isto categoricamente, mas o silêncio é denunciador.

E se em algum momento se quiser erradicar definitivamente esta doença social, aí os paulistas verão que o problema pode bem  maior, e a guerra no Rio será nada, comparada com o que irá ocorrer em território bandeirante. Sem querer ser dramático, mas observador realista

Aqui parece que se vive um armistício e não uma paz. A coisa aqui pode estar mais entranhada.

É ver para crer.

Pais batem na filha por estar namorando e ela acaba morrendo

25/11/2010
Notícia da manhã.

Uma menina de quinze anos, aqui na região de Bauru, foi descoberta pela mãe, namorando na praça da cidade. A mãe bateu na moça, mas o pai foi mais violento ainda. A filha apanhou muito, e acordou de madrugada sentindo-se mal, teve insuficiência respiratória e veio a falecer. O pai foi denunciado pela mãe e foi preso.

O conflito de valores hoje, onde uma cultura urbana cada vez mais invade o interior, pode ser um dos responsáveis por este crime insano.

O machismo tradicional, acobertado pelo sistema patriarcal também é responsável por este crime. Um  pai, pretenso dono dos valores familiares, que deve ser compartilhado por toda a família. acabou fazendo uso da violência

Esta tragédia é secular. Milhares de meninas são perseguidas por namorarem.

Por falta de orientação familiar, acabam se engravidando cedo e jogam fora o projeto de vida escolar e profissional.

Devido a existência de uma "repressão aceita" dentro de casa, este fato pode ser visto por muitos como algo que poderia acontecer na sua própria casa.

Não é verdade que muitos usam da violência ainda hoje, dentro de casa, e que as mulheres são as que mais sofrem disto?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SP: diferença entre capital e interior

Saio de São Paulo, capital, num 24 de novembro nublado e chego em Bauru com 31 graus.

Dá para imaginar?

Um dia quente, com um povo bem mais tranquilo que nós paulistanos.

No hotel, observo uma Igreja. Pergunto que Igreja é? respondem-me que é a igreja de N.S. Aparecida.

Pergunto o horário e vou para a missa.

A Igreja está lotada (em São Paulo não é bem assim) e com muitos jovens e casai jovens com seus filhos pequenos. Decididamente não é igual à igreja em São Paulo. Durante a celebração noto a diferença do fervor, que também é grande.

Tomo um sorvete de leite condensado, da terra, não sem antes ser explorado pelo comerciante que percebeu que eu não era da terra e cobrou um pouco mais.

É assim mesmo.

Na hora das ofertas dei cinco reais,e com o dinheiro meio curto(mas para o sorvete não, né?). Não me arrependo, com uma comunidade destas tão cheia de alegria e fervor...

Ficarei alguns dias por aqui, mas mantenho a sentinela da liberdade.

Se vi mendigos e povo abandonado nas ruas, vi pouco, mas vi dois irmãos abandonados.

Ser revolucionário, defendendo desenvolvimento com distribuição de renda






O que você terá para contar aos seus filhos no dia em que eles te perguntarem  que foi que você fez?

Que você lutou, lutou, e não viu resultados do seu trabalho?

Li, nestes dias um artigo que abordava esta questão que acredito, foi o pano de fundo do grande dilema de Tolstoi no final de sua vida, no início do século XX, quando abandonou tudo para percorrer a Rússia em busca de respostas para si mesmo. Era uma época ainda não plenamente realizada da revolução russa.

Ninguém é revolucionário por prazer. Se é revolucionário porque as condições levam as pessoas a um esgotamento de saídas. E existem épocas em que estas saídas não existem e se é obrigado a recorrer à luta revolucionária.

E, por outro lado existem também épocas em que as oportunidades de se acumular forças e alcançar conquistas sociais são visíveis e possíveis.

Esmoreceu-se o espírito transformador? De jeito nenhum.

Diria que é um desafio, em certo sentido, maior, porque é um tempo de aprendizagem da governabilidade, de mostrar a diferença da gestão popular, em relação a uma uma gestão burguesa. É um período de aprendizagem para as massas populares irem entendendo estas diferenças e fazendo suas escolhas.

Isto exige criatividade e vontade política. Exige também firmeza de ideais, consistência de ideais, por entender este momento nacional.

Se é assediado a ser igual, a corromper, a vacilar. Todas as mazelas que sempre criticamos estarão à mostra para nos convidar a cair. A condição social do militante também muda e ele alcança novo status, e pode mudar suas concepções. Os exemplos estão aí e não convém citá-los, mas é uma realidade.

Tudo isto deve ir sendo pesado, e manter-se o estudo e o amor ao povo humilde, nunca se separando dele, porque ele é vacina contra desvios.

A democracia deve ser aperfeiçoada cada vez mais, não por cima, sem participação, nem por baixo, como alguns isolados, mas junto, articulando-se todos os recursos políiticos e sociais.

Êta assunto delicado sô!

Fico por aqui.

Incêndio de carros no Rio é ato de desespero do crime organizado

Os incêndios que estão sendo provocados no Rio de Janeiro contra pessoas que nada têm a ver com o combate ao tráfico de drogas têm uma explicação clara: eles são uma resposta desesperada do crime organizado que está ligado ao tráfico de drogas em geral, pela perda de territórios que antes eles mantinham nos vários morros e comunidades da cidade.

As unidades pacificadoras têm surtido efeito positivo na eliminação dos pontos de tráfico tradicionais, que por décadas estiveram livres para por a perder milhares de jovens cariocas, de seus futuros dignos.

Agora uma guerra foi declarada, com o apoio do governo Lula e com adesão de
Dilma para o próximo.

Não há saída; é ir empurrando os traficantes ladeira abaixo, e haverá guerra sim a todo instante.

Veja o caso de São Paulo, onde jornal nenhum da mídia fez notícia durante o período eleitoral.

Aqui, em um certo momento o crime organiaado metralhou policiais a torto e a direito, e depois, o que se viu foi  "um acordo de cavalheiros", onde nunca mais se soube de nada, e é notório que o crime organizado aqui manda tanto quanto no Rio de Janeiro.

Bem vamos ficando por aqui que o assunto é perigoso.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Globo descobriu o crack!!!!!



Agora passadas as eleições a Globo "descobriu  crack", e "percebeu" que a cracolândia está se expandindo por todas as regiões de São Paulo.

A prefeitura "descobriu" agora, passadas as eleições que os dependentes de crack moram em lugares escondidos construídos nos vãos das pontes.

Ora, basta lerem nossas postagens do período anterior as eleições e vocês  perceberão que este já era um problema muitíssimo grave, onde as cracolândias já se espalhavam pela nossa cidade.

Mais uma vez, a solução da polícia e da prefeitura é a de acimentar os buracos que os dependentes da droga usam, para cairem mais ainda no vício.

Isto não é solução.

Isto é incentivar a criatividade dos drogados, pois eles encontrarão outros pontos, o que está cada vez mais público, e na cara de todos.

E depois vem um Administrador Regional da prefeitura na Globo dizer que o problema exige o envolvimento de todos, como quê justificando ele não ter encontrado uma solução.

Explicando assim, ficamos sabendo que os responsáveis pela expansão da droga não são eles, mas nós.

Nós é que somos responsáveis pelo aumento dos viciados em crack, e não os coitadinhos dos nossos representantes municipais.

Minhas lágrimas de crocodilo correm para o chão de tanta  culpa que recebo...

Ora, vão ver se eu estou na esquina!

As gestões dos atuais representantes municipais são antigas, e remontam a Serra.

Não dá para virem agora, dando uma de santinhos, como se nunca soubessem.

Que tivessem tomado iniciativas antes, bem antes, corajosas de erradicação do vício. Combinando repressão com educação.

Repressão para o traficante (que estão à vontade), e educação para os vicíados (que perderam a vontade própria).

Já disse uma vez e repito agora: seja a política de erradicação da miséria e da indigência, seja a política de erradicação de viciados passam obrigatoriamente pelo poder municipal.

O poder público municipal tem a obrigação de tomar todas as iniciativas para erradicar as drogas da cidade.

Se isto tiver que envolver a sociedade civil (não me falem em ongs - são uma fonte de riquezas...), a iniciativa deve ser do poder público municipal.

Não joguem a culpa na sociedade antes de faerem seu "mea culpa".

Quanto a eliminação da pobreza e da indigência, também em outras postagens temos falado de como cresceu assustadoramente o número de indigentes na cidade de São Paulo, tratados como bichos.

E diminuíram o número de leitos nos albergues(pesquisem e encontrarão).

TODAS AS CIDADES DO PAÍS DEVERÃO SER TRANSPARENTES E MOSTRAR ON LINE O QUANTO ESTÃO REDUZINDO DE MISÉRIA, DE INDIGÊNCIA, E DE DROGADOS.

Não falaram tanto no impostômetro? 

Pois que falem agora em números o quanto estão eliminando disto tudo em seus municípios.

Um miseriômetro! Para vermos o quanto estão de fato erradicando a miséria em seus municípios

Um cracômetro! Para vermos o quanto estão reduindo o número de drogados e seus municípios.

Mas isto não dá votos, e custa muito, não é mesmo?

1,5 ano no mínimo para curar um dependente de crack.

Criação de programas profissionalizantes, abrigo, recuperação moral, para os indigentes.

Para isto seria preciso ter amor ao abandonado.

Mas o poder público municipal não é misericordioso.

É frio.
E que todos vejam isto, e possam acompanhar passo a passo.

Ésta é a maravilha da Nova Luz. Não é linda? É sim aqui no centro de São Paulo.

Mas se você não gostou, vá para a Praça Pincesa Isabel, ou para a Avenida São João, ou para o minhocão mesmo, em suas saidas.

Lugar não é problema. O crack está rolando solto.

domingo, 21 de novembro de 2010

Ambulante vira um saco antiesportivo de gelo em Kassab

A virada esportiva teve hoje, 21 de novembro de 2010, arremeço de saco de gelo no alvo. Só que o alvo era o Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Quem jogou? Um simples ambulante, um vendedor de rua.

Mas porquê este ambulante fez isto? Qual a razão de tanta fúria?

 Segundo "A Folha", o ambulante, chorando disse que já teve os seus produtos apreendidos pela Prefeitura de Kassab.

O ambulante foi levado ao 3o DP dos Campos Elísios e depois liberado.



O Prefeito disse que "foi um senhor que veio aqui manifestar o seu descontentamento com a questão do comércio ilegal, mas respeitosamente foi retirado".

Ora, serão estas palavras realmente representativas do estilo Kassab?

Em outra ocasião, ele chamou um pequeno comerciante de "vagabundo" por três vezes, ao não conseguir controlar sua conduta, revelando personalidade oculta.

Isto faz-me lembrar do general Figueiredo, quando era candidato(indireto) a Presidência da República (são outros tempos, não?). Seus assessores lhe disseram que ele devia trocar os óculos escuros por óculos claros, a fim de melhorar sua imagem. Este fato revelou que ele tinha o hábito de olhar de lado (coup d'oeil), mantendo o rosto voltado para a frente. Só a retirada do óculos escuro permitiu saber que ele tinha um hábito de vigiar escondido.

Kassab quer melhorar sua imagem de todas as maneiras, buscando sair do cerco popular que cresce a cada dia pelo Brasil. É de conhecimento de todos que Kassab sabe que a continuidade de seu projeto político de reeleição passa por uma rearticulação partidária tendo procurado abrir relações com vários partidos de oposição na Câmara dos vereadores, no sentido de fazer nova composição que lhe perpetue no poder municipal paulista.

Entretanto continua dar uma no cravo e outra na ferradura.

Mostra-se bonzinho e esportista para um país de Copa e Olimpíadas, e persegue o povo de rua e os ambulantes, não lhes oferecendo alternativas de sobrevivência. Ao contrário, é rapa e rapa, com o uso da polícia municipal.

Não é assim que se faz alianças. É preciso mostrar mudança de atitude, principalmente com os mais necessitados, senão estaremos em mais uma história da carochinha, para nos enrolar.

O arremeço do saco de gelo deve fazer parte das Olimpíadas Populares nas próximas viradas esportivas!!!

Gelo no homem que deu um gelo nos necessitados!!!

Adolfo e o Deus Negro



Adolfo estava de partida, cansado da vida.

Ele que tudo quisera, agora colhia derrota sobre derrota.

Desejara um mundo como uma ordem unida constante.

Todos marchando ao mesmo tempo.

Não podiam fazer outra coisa senão marchar e marchar.

Acordar! Levantar! Caminhar! Um, dois! Um, dois!

Assim seria o mundo em suas mãos.

Mas um suicido, após sobreviver a 42 atentados, retirou o desprazer de uma prisão ou de um fuzilamento como derradeiro momento na Terra.

Preservara por décadas sua raça ariana da maldição dos livros e dos judeus, dos ciganos e dos comunistas.

Agora, era tarde demais.

Aquela raça escolhida, de cútis branca e olhos azuis, como os anjos do céu, em sua despedida seria apreciada apenas no alto céu.

Com uma cápsula de cianureto, ou um tiro no peito, não importa, despediu-se.

O corpo desapareceu no meio às cinzas de uma fogueira.

O choque foi abrupto.

A luz, repentinamente, apagou-se.

Estranhamente continuava consciente, mas desprovido de vontade própria.

Continuava a pensar, e a observar, em sua mente sem poder exercer qualquer ação.

Sem saber como ou onde, viu-se em uma viagem por uma luz fortíssima que ia se dissipando, enquanto adentrava na mais profunda escuridão do universo.

Quando se deu conta de onde estava, pode contemplar toda uma multidão, conforme ia acostumando àquela visão noturna.

Não era possível saber de que cores eles eram.

Apenas que ali permaneciam.

Pareciam estar voltados para uma elevação.

Um coro de missa luba ecoava ao som de centenas de vozes, e instrumentos de percussão celestiais, e chocalhos.

O barrido dos elefantes e os rugidos de leões acompanhavam o coro, em ecologia celeste.

Assustou-se por não poder distinguir no escuro as fisionomias, e quem estava no topo do monte.

Aprumando os olhos da mente viu um grande trono no topo da montanha, feito de tecidos trançados com cores fortes, de vermelho e azul.

Haviam duas pessoas sentadas no trono, e lugar para mais gente que quisesse ali se ficar.

Em seu pensamento, imaginou que alguém o estivesse chamando:

- Adolfo! Adolfo! O escuro nos torna igual. Apresente-se!

Foi quando reparou que um homem da cor do mais profundo universo o chamava, do alto daquele trono.

Vestia uma tanga feita de pêlo de leões, e uma coroa de dentes de chita rodeava-lhe a cabeça.

Disse-lhe a Pessoa:

-Adolfo! eu criei a luz, porque antes havia a escuridão. Quantas vezes perguntei-lhe onde estavas e te fazias de surdo. Quantas vezes perguntei-lhe o que fazias, e me ignoravas. Esta multidão vem de várias partes do mundo. Estão cheios de uma luz que não se vê, senão através dos olhos. Fazem parte dos vários povos que sofreram em tuas mãos. Outros aqui ainda chegarão com as mesmas feridas deixadas por ti. Terás, portanto que esperar.

Adolfo percebia várias tonalidades de negro, e que o branco, só era branco por causa do contraste com o negro. Não havia nenhum branco onde se encontrava, apenas ele.

- Como se pode entrar se não se fez por entrar?

A voz continuou!
- A justiça vos será feita, conforme os critérios que estabeleceste aos povos que oprimiste.

- Há um acerto a ser feito para os vários erros.

Uma claridade com um calor insuportável rompeu por debaixo de um mar de esmeraldas e arrancou Adolfo daquele estado de mansa escuridão.

Um coro beneditino entoava cânticos de louvores, enquanto uma multidão negra gritava a uma só voz:

Caiu a Babilônia!

Caiu a Babilônia!

Agora a negritude resgatara sua identidade, e o Deus negro finalmente pode ser descoberto para sempre!

sábado, 20 de novembro de 2010

Como está sua humanidade?


  1. Sou solidário nos serviços de casa? Arrumo a mesa, a cama, ajudo a  fazer a comida, faço as compras do dia, sem reclamar?
  2. Sou solidário ao irmão de rua abandonado? Utilizo uma parte do meu tempo pra conversar com ele, como se fosse um conhecido, com alegria?
  3. Procuro estar por dentro dos assuntos de meu país, e opino abertamente quando vejo injustiças e erros cometidos., mantendo a esperança?
  4. Tenho paciência com os erros dos outros, e impaciência com os meus próprios, e me corrijo quando cometo um deslise?
  5. Recebo e hospedo os amigos com alegria em minha casa?
  6. Procuro ser cada vez mais honesto e simples nas coisas do dia-a-dia, eliminado falsas ambições?
  7. Procuro desenvolver-me em conhecimento e experiências, em vez de deixar a vida correr? Desafio-me?
  8. Tenho facilidade de comunicação com todos, desde os de casa, até vizinhos e pessoal de trabalho, sem perder o estímulo?
  9. Estou limpo dos preconceitos de cor, raça, sexo, idade, etc, tratando a todos da mesma maneira como gosto que me tratem?
  10. Costumo dizer "bom dia" às pessoas, e "eu te amo" aos mais próximos?
  11. Revolto-me com as injustiças? Tenho um sentimento de revolta justo?
Se você tem visão auto-crítica para refletir sem se auto justificar, e/ou vendo-se criticamente sem se auto-condenar, e acertou as 11 questões, creio que a sua humanidade está em progresso.

Caso contrário, então é necessário ter disposição para mudar, e isto não depende de ninguém mais do que você mesmo.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Neuroses paulistanas

É simplesmente impossível sair de carro em São Paulo numa sexta-feira, à partir das 16:00 hs. porque está tudo parado.

A quantidade de filas de carros, e trânsito congestionado é imenso. 23 de Maio, intansitável, avenida Ibirapuera, idem, avenida Consolação também. Rebouças, nem pensar.

Uma saída inocente para fazer uma visita, ou um contato com um cliente, ou pegar algum material, acaba tornando-se uma epopéia, com dragões, escaramuças, batalhas, discursos, tudo acontecendo sobre o asfalto quente deste 19 de novembro de lua cheia.

Quando menos você espera, e já está cortando a frente de alguém, xingando outro, não dando passagem a quem espera a vez. Se você se observa, está um caco, com os nervos à flor da pelo, e cheio de impaciência.

São Paulo deve ter uma frota por volta de 20 milhões de veículos. Este tipo de desenvolvimento está entrando em colapso. O transporte individual está cada vez mais na contramão dos benefícios dos que se utilizam do transporte coletivo, e deve ser pensado assim pelos movientos sociais.

Já o transporte coletivo está completamente irracional, com avenidas cheias de empresas de ônibus que não abrem mão daquele trajeto, e ao final enchem as avenidas de ônibus semi vazios.

Falta, mais uma vez vontade política e coragem de propor mudanças no tipo de desenvolvimento com propostas claras de mudanças nas empresas deste setor, reorientando-as para novos nichos de mercado. Os carros pequenos são uma alternativa, mas paliativa. É de uma revolução no setor que precisa acontecer algo.

As proibições de veículos por final de placas em dias da semana hoje , é uma piada. Se seguir nesta linha deve-se proibir dois dias, e depois três. Ora proiba-se o transporte individual em avenidas chaves, pois o povo não tem que arcar com esta irresponsabilidade e irracionalidade.




Se eu for pegar o metrô ao final do dia na linha leste-oeste vai acontecer a mesma coisa. Nas outras linhas idem.

O Metrô de São Paulo está superado. Construir novas linhas do Metrô só aumnetará o congestionamento.

O correto era acrescentar mais linhas nos principais troncos, nas principais estações, para desafogar o fluxo que é muito grande, e cada vez maior.

Assistimos estupefatos, trens passarem vazios pela MarechalDeodoro, para atender  outras estações como Reública e Sé. São soluções adaptativas, mas não corretivas. Não resolverão.





É coisa de doido viver em São Paulo nos dias atuais.

O reino do tucanato se acha o dono da cocada, mas o rei está nú. Falta apenas uma criança gritar isto.


Sardinha em lata é o paulistano hoje, e cheio de disposição continua em frente seu dia de trabalho. Quando parou este trem do Metrô, em plena campanha eleitoral, quiseram por a culpa no PT, mas depois encontraram um papelzinho de "1quilo" na cabeça. Vai dormir com isso....De criadores de confusão em vítimas....

Não importa que a participação de São Paulo tenha caído no PIB nacional, que as indústrias tenham saído para outros estados, o paulistano é um abnegado, vai lendo livros, cortando caminhos, encontrando um barzinho para desafogar, até o dia que estourar, e botar pr'a quebrar, porque tudo tem limite. Depois vão dizer que são arruaceiros.

Mas diante de tudo isso, só posso concluir ser  a revolta um sentimento justo.

Estou P....da vida

Termômetro social: Movimento no Brás nesta sexta, 19/11/2010

Estou recebendo uns amigos baianos em casa, nesta semana, e acompanhei-os hoje, 19 de novembro de 2010, a fazer compras no Brás.

São Paulo, onde os filhinhos da classe média insuflada ao radicalismo e ao racismo de direita nestas últimas eleições presidenciais, quebraram uma lâmpada de neon na cabeça de alguns rapazes "acusados" de gays, é na verdade a maior cidade do nordeste do Brasil.

A maior capital do país, com maior número de nordestinos, é também uma cidade cheia de racismo e intolerência.

Lembro-me no dia das eleições uma senhora conversando com outra num prédio de classe média nova, na Barra Funda, enraivecidas por pessoas estarem escolhendo a Dilma e não um filho da cidade com o Serra. Lembro-me de seus olhos cheios de ódio.

Depois não me digam que não se incentivou o racismo nesta última campanha. Incentivaram e muito.

Gostei muito da Dilma ter enviado uma carta ao Papa, para mostrar que ela é tolerante, quando recebeu intolerância da outra parte.

Concluo que só se vence a intolerância, mostrando-se tolerante.

Se não aprendermos a conviver com a diferença, sem necessariamente aceitá-la, acabaremos por ser um dia intolerantes também
.
E o Brás é o coração nordestino desta capital, o local onde o povo vai fazer suas compras, desde agora para as festas de Natal.

Nesta sexta-feira o Brás não estava lotado como a 25 de março tem sido nesta semana, mas vimos muitas mulhers do povo pechinchando prêço das roupas, e preparando seus presentes de fim de ano antecipadamente.

Não vi mendigos no Brás durante o dia, nenhum pedinte, minto, vi um, caminhando.

Pode não ser nada, mas pode ser também um bom sinal.

Eu não deveria desejar que os hospitais estejam vazios? Quando faço a pastoral da saúde no HC, aos sábados, é uma alegria quando encontramos os quartos vazios, pois significam menos acidentes, menos pessoas acidentadas.

E porquê não desejar que não existam mais mendigos?

As mulheres são as que mais movimentam as vendas do Brás.

Se o bairro do Brás dependesse dos homens para fazer suas vendas, provavelmente estaria falido, porque os homens compram muito menos que as mulheres.

Os homens são fechados e auto-suficientes, por isso raramente saem às compras como as mulheres fazem.

Não é por acaso que as igrejas têm mais mulheres do que homens, as mulheres tem mais sensibilidade e humildade, do que os homens.

Bem, não vou me aprofundar nesta questão de gênero, porque é um mistério que se completa quando ambos se juntam, pois duas insuficiências se completam em ambos forando uma suficiência.

Se não fosse assim, esta união seria transitória, como às vezes acontece.

Estou cansado da caminhada, mas alegre por ver o meu povo brasileiro em paz, andando pelas ruas, cheio de esperanças. Vamos em frente.

A eliminação da miséria entra na primeira pauta de discussões de Dilma



Ótima notícia para o país, saber que a eliminação da miséria entrou na primeira pauta e discussões de Dilma.

O que se depreende, entretanto da notícia, pois as informações são poucas, é o fato de estar em estudo a ampliação do Bolsa família, incluindo-se no programa mais 750.000 casais sem filhos e com renda entre R$70,00 e R$140,00 mensais( que são para os índices de indigência e miserabilidade).

Bem, segundo o que viemos apresentando, o Bolsa família, de fato tem uma participação muito pequena para a eliminação da miséria, se compararmos com o aumento da oferta de empregos (que é consequência de um política decididamente desenvolvimentista) que, de fato é o que mais impacta neste processo.

Tenho assinalado também a necessidade de maior capilaridade nesta ação, uma vez que está nas prefeituras a verdadeira erradicação da miséria, pois é na microestrutura que se sabe quem é quem, e onde se criam oportunidades de trabalho.

É na prefeitura que se tem condições de se fazer um real mapeamento dos necessitados, e de se elaborar alternativas de ascenção particulares.

Qual será a articulação deste programa com as prefeituras o país, e como elas serão avaliadas, deve estar também na pauta. As prefeituras devem ser avaliadas também? Creio que sim.

Assim como tanto se falou em impostômetro e pedagiômetro, deve-se também fazer o miseriômetro, para se saber o andamento do projeto "on line", porquê não?

Pode parecer algo óbvio, mas a hora é agora para se definir concretamente a metodologia de ação, que deve ser encetada desde o início.

Deve-se também ver esta política com menos assistencialismo e mais dignificação, pois não estamos tratando de manter camadas sociais dependentes, mas de criar mecanismos de inserção destas pessoas objetivamente na vida social, especialmente em atividades produtivas.

Por isso deve haver um acompanhamento para se saber a evolução dos integrantes do Programa, e quanto representa esta evolução.

Mais importante é esta ação inicial, que mostra o comprometimento da presidenta. Parabéns pela vontade política.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Amigos, amigos, negócios à parte

O PMDB tem uma característica autofágica. 

Fez de tudo para conquistar a posição de parceiro privilegiado do PT, e conseguiu.

Não foi tão simples assim.

Houve pressões e contrapressões quanto à escolha do vice, e acabou passando o Michel Temer, político inodoro, mas que, com mão de ferro se impôs primeiramente dentro do próprio PMDB, e depois a Lula, que pareceu à distância não gostar da escolha (também pudera, entre José alencar e Michel Temer, não há comparação).

Agora, sendo Governo, quer dar um "petit coup" em si mesmo. Como?

Abocanhando a Presidência do Senado e da Câmara dos Deputados de uma só vez. Sendo que na futura legislatura terá emagrecido mais.

Lembra a fábula da Tartaruga e do Escorpião, onde este pede carona para a tartaruga, que aceita acreditando que ele jamais a picaria porque senão morreria também. Só que o escorpião acaba picando a tartaruga dizendo: Desculpe-me eu não resisti. É a minha natureza fazer isto.

Qual a razão de tal voracidade?

Creio que, por trás desta pequena refrega estão interesses de classe distintos.

O PMDB vem para refrear o movimento de fortalecimento do papel do Estado no meio da sociedade.

É um partido que fez história na redemocratização, mas após a abertura pende de cá, pende de lá.

 Exemplos não faltam, como o da denúncia de Pedro bífano, sobre o sucateamento dos correios feita por Hélio Costa, para provocar a sua privatização. Os tucanos fizeram direto isso.

Amigos também, mas interferindo no desenvolvimento dos nossos negócios, vemos a Embraer passar por dificuldades na China, que fez parceria com a concorrente canadense, Bombardier.

A Embraer pode até mesmo fechar sua fábrica por lá, por não receber autorização de fabricação de aviões que possam competir, dentro de seu próprio território, e fabricado lá mesmo.

O mesmo não acontece por aqui, onde o setor de papel sofre acirrada concorrência dos produtos importados de lá.

Detalhe: a inflação em outubro na China foi de 4,4%, significando uma desvalorização do yen, o que vale facilitar as exportações. São nossos grandes parceiros comerciais e desejamos que assim continue, mas repete a história do escorpião, não é?

O companheiro Hugo Chaves também poderia colocar algum dinheiro na parceria que Lula lhe propôs e foi aceito, para a construção da refinaria de Abreu e Lima em Penambuco. Mas até agora não entrou dindin venezuelano por lá, e tudo parece que a parceria não irá para frente.

O Governo Lula que se encerra e o de Dilma que se inicia pode e precisa ser mais ágil em responder a tudo isso, porque a velocidade dos acontecimentos está aumentando.

Já os EUA já tem uma estratégia de inundar o mundo com dólares.

Mas esse não faz parte da fábula do escorpião.

É falcão mesmo

Tenho pressa


Tenho pressa

O tempo corre,
envelheço,
enquanto assisto,
sem impedir,
os acontecimentos
se sobreporem
a tudo.

Observador impotente
respondo com a letra,
palavras
versos.

Mas o mundo
não ouve,
não vê,
não se reformula.

O mundo me considera prepotente
diante de sua escolha torta.

O mundo caminha
como gado
ao matadouro.

Políticas sociais,
ecológicas,
econômicas,
passam rente
às soluções
esperadas.

Não atingem,
acumulam.


Estou envelhecendo
e restam poucos dias
para tentar mudar
o escândalo
da pobreza
do enfermo esquecido,
da criança órfã abandonada,
da mulher abusada,
de tantos
a cada momento,
que me esqueço de ver
e me endureço no sentir.

Mundo que às vezes
me vence.

Meus cabelos cairam,
a pele deixou de ser lisa e bela
a face não se olha
mais no espelho.

Tenho na reflexão
um derradeiro recurso
diante do despencar deste mundo
frio e egoísta.

Mas, como erva daninha
continuo ferindo a morte
que não se mexe.

Como andorinha matinal
acordo a cada dia
cheio de esperanças,
 disposição,

Como um leão
guardo o rugido maior
para o momento propício
de espantar o pior.

Como eu mesmo
sigo e sigo
sem olhar para o lado,
como um guerreiro suicida
que acredita na vida.

(hoje, deixo o coração falar por mim)

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eliminar a pobreza e a indigência começa e termina no município



Estive conversando com a Secretária Municipal de  Desenvolvimento Econômico da cidade do Taboão da Serra, na grande São Paulo, Jacira Moretti, sobre os artigos que escrevi a respeito da eliminação da pobreza e da indigência no país.

Ela informou que qualquer pedinte que surge na cidade é recolhido e verificado sua condição de vida, e formação profissional.

Ninguém em taboão pode ficar sem atendimento. é uma regra definida e seguida à risca.

Sabem qual é o motivo de tanto cuidado? é que o Taboão tem um foco em aumentar a oferta de empregos.

Para se erradicar a pobreza e a indigência, a luta começa no município, onde é possível definir políticas bem próximas do problema.

Aproveitei para fazer um contato com a Secretária Jacira Moretti por Telefone e obtive os dados de que o Taboão da Serra é campeão em oferta de empregos.

Mas vocês sabem porque aconteceu isto lá?

É determinação incansável desta lutadora dos mais pobres, com o apoio do Prefeito Evilásio.





Ah, eles desenvolvem milhares de cursos profissionalizante gratúitos.

Incentivam a vinda de empresas.

Acolhem os abandonados.

Têm vontade política.



Mostro em seguida um artigo onde este dado é apresentado

Taboão da Serra continua sendo referência na geração de Empregos


O Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, divulgou na última terça-feira (19) o ranking da criação de empregos formais no mês de setembro por parte dos municípios. Taboão da Serra segue como a cidade que mais gera empregos em nossa região e a 15ª no estado de São Paulo.

Taboão da Serra segue como a cidade que mais gera empregos na região e a 15ª em SP

Os dados fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED, mantido pelo órgão federal e aponta que em setembro as empresas e indústrias de Taboão da Serra admitiram 2.509 empregados, com a demissão de 1.915 trabalhadores, a cidade apresenta um saldo de 594 empregos.


A indústria foi o setor que mais empregou, com 352 novas colocações, a prestação de serviços aparece com 191 novos postos e a construção civil teve déficit de 31 empregos formais. Só em 2010, nos nove meses do levantamento, a cidade já atingiu a marca de 3.611 novas vagas.

“Esses números refletem o momento econômico que vivemos no país, com o aquecimento da economia, além disso, mostra o sucesso dos programas que temos na cidade, como o Projovem Trabalhador, o PAP, o Time de Empregos, o posto do Sebrae, que são algumas de nossas iniciativas contribuem para esses bons índices”, diz a secretária de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda, Jacira Moreti.


Entre os municípios do Conisud, Taboão da Serra aparece em 1º lugar no mês de setembro, com 594 vagas, seguida por Embu das Artes com 310, Itapecerica da Serra com 233, Embu Guaçu que gerou 42 vagas, São Lourenço com a criação de novos 27 postos e Juquitiba que teve déficit de 12 empregos.

Parabens ao Prefeito Evilásio, o grande incentivador deste processo de desenvolvimento na cidade.

A Secretária Jacira Moretti já foi Secretária da Saúde da mesma cidade e o resultado também foi muito bom. querem ver.?







Taboão da Serra conquista do Ministério da Saúde prêmio de qualidade no combate à tuberculose

O Ministério da Saúde concedeu a Taboão da Serra o prêmio de qualidade no atendimento e prevenção da tuberculose, no último dia 27. O prêmio foi entregue na Reunião Macrorregional da região Sudeste, no Rio de Janeiro. “Estamos muito felizes com a premiação e vamos continuar lutando para manter a qualidade no tratamento em tuberculose e em outras áreas da saúde”, disse o prefeito Dr. Evilásio Farias.

A cerimônia de premiação contou com a presença de diversas autoridades locais e nacionais da saúde. Taboão da Serra foi representado pela secretária da Saúde Jacira Moretti, pela coordenadora-geral de Saúde Rosana Perri Andrade e por Milton Parron Júnior, consultor da Vigilância Epidemiológica e do Programa de Tuberculose em Taboão da Serra.


A secretária Jacira Moretti e o consultor da Vigilância

Epidemiológica Milton Parron entregam prêmio ao prefeito

Prefeitura garante tratamento supervisionado

A Prefeitura de Taboão da Serra garante um tratamento supervisionado aos pacientes de tuberculose, dando condições de cura e carinho em sua recuperação. O paciente recebe café da manhã, cesta básica e vale-transporte como incentivo à adesão ao tratamento. “Com esta estratégia, a Secretaria da Saúde reduz os casos de abandono e morte. Noventa e quatro por cento dos pacientes tratados foram curados”, informou Parron Júnior. A Vigilância Epidemiológica já recebeu seis premiações por sua excelência no combate à tuberculose.

A tuberculose

A tuberculose é uma doença bacteriana altamente contagiosa adquirida pelas vias áreas. O agente transmissor é o bacilo de Koch. Os infectados costumam eliminar grande quantidade de bactérias no ambiente tossindo, falando ou espirrando. Estes agentes podem ser inspirados por pessoas saudáveis, levando à doença.

Os principais sintomas são tosse (por mais de 3 semanas), febre baixa (mais comumente ao entardecer), suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento e cansaço fácil. Além do pulmão, a doença pode ocorrer em outros órgãos como as meninges, ossos e rins.

Caso a pessoa apresente estes sintomas deve procurar a UBS mais próxima para ser examinado.

A doença é curável e o tratamento, oferecido gratuitamente nos postos de saúde.

É muito importante que os pacientes não interrompam o tratamento, para evitar o surgimento de bactérias resistentes aos remédios e o conseqüente contágio de novas pessoas.


É de mulheres assim na política, destemidas que precisamos. que tenham perseverança em extirpar doenças e desemprego. Ela pertence à comunidade de Santa Terezinha e tem dado verdadeiro exemplo de humanidade e amor ao próximo.


Existem muitos problemas para serem resolvidos, mas a determinação quando é maior, impede que o ânimo caia.

Parabéns Taboão da Serra!
Parabéns Prefeito Evilásio!
Parabéns Secretária Jacira!
O Brasil precisa deste exemplo!

As mulheres cada vez mais estão dando exemplo para o Brasil alçar a condição de país sem pobreza nem indigência

Timinho, o fim do esporte das multidões


Antes, com Dunga, foram descartados os jogadores considerados estrelas, e deu no que deu. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, logo após o fiasco da África o Sul, chamou a "perseguida" Rede Globo e despejou a responsabilidade do erro ao técnico. $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$

Hoje ninguém fala mais nem no Dunga nem em Jorginho. Aí Ricardo Teixeira chamou o Muricy,  que não aceitou porque o fluminense não deixou. Ficou de mau. Então corintianou, chamando Mano Menezes.  Pudera, depois que o presidente do coringão, o Andrés Sanches "chefiou" a seleção na África...$$$$$$$

Passam anos falando mal da CBF, de seu presidente, e de repente são amigos como unha e carno. Cala-te boca! $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$

Agora está aí uma seleção que tenta corrigir os erros da anterior, que excluiu outros por causa da seleção anterior.  São erros em cadeia.   $$$$$$$$$$$$$$$$$

Hoje existe uma seleção de novos não lembrados por Dunga e por antigos excluídos por Dunga. Resultado: uma derrota de 1X0 para a Argentina nossa Arqui-inimiga.  $$$$$$$$$$$$$$$$$$$

Faltou a garra corinthiana, o toque de bola flamenguista, a superação palmeirense, a arranque sãopaulino, a categoria santista, a fé do fluminense, a tradição do Vasco, a perseverança do Vitória, a pegada do Grêmio, a categoria do inter, e ....é suficiente? $$$$$$$$$$$$$$$$$

Só não dá para pensar que o Mano esteja formando um time, porque isso que jogou hoje foi um poço de  desistência, de individualismos.   $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$

É como diz aquele personagem do Zorra Total: " Eu quero voltar pro fundo da mina!"  $$$$$$$$$$

O Brasil lutou para conseguir a Copa do Mundo, mas está cometendo os mesmos erros de sempre. Falta GARRA, falta  participação em EQUIPE, e menos individualismo.  $$$$$$$$$$$$$

Vamos renovar tudo de novo. Faz de conta que ainda não começou nada, e vamos escolher de novo o Presidente da CBF, e que não seja o Andrés Sanches. Deixe o espinhudo com os tratamentos faciais dele.

Só jogam por causa do dindin dindin dindin dindin dindin $$$$$$$$$$$$$$$$$$$

Ronaldinho Gaúcho tchau!
Neimar, vê se toma vitamina e deixe de cair, que jogador é para ficar em pé!
Por uma seleção de vários times e não só do corinthians!
Fora Ricardo Teixeira!
Vamos convocar o Saci Pererê!

A Folha e a desconstrução da imagem de Dilma

O Superior Tribunal Militar, que poderia ser parte interessada em divulgar, e não o fez, o que mostra maturidade democrática do órgão, liberou agora, por 10 votos a 1 o acesso aos autos do processo que levou a presedenta eleita, Dilma Rousseff à prisão durante a ditadura militar. as mulheres devem exigir a aceitação do termo presidenta.


O STM poderia satisfazer a voracidade pela informação, ainda no período de campanha eleitoral, e assim municiar ainda mais aqueles que na internet caluniavam a mineira de ser terrorista, numa total inversão de valores, pois terrorista foi quem exerceu o poder sem o reconhecimento do voto popular.

Agora veremos se ela é "terrorista mesmo", deve ser o que se passa nestas mentes obtusas.

Bem, eleição perdida, o "negócio é começar a desconstrução da imagem".

Por sinal, em outra matéria de mesma primeira página, sobre pré negociações que ocorrem tentando manter o statu quo ministerial com os partidos da base aliada, a matéria começa dizendo que "Dilma Rousseff mandou ABORTAR (negrito meu) qualquer negociação com siglas aliadas que passe pela manutenção exata dos atuais ministérios.

Precisamos ainda de propaganda subliminar?

O gaúcho Martin Fierro e alguns heróis da História do Brasil

Já tive oportunidade de apresentar aos leitores do Pó das Estradas aquele que de certa forma tornou-se um pai para mim.


Trata-se do General Zerbini, falecido, marido da legendária Terezinha Zerbini, precursora dos movimentos pela anistia que cresceram durante o regime militar.

General Zerbini fora comandante do Regimento de Quitaúna, em São Paulo. Como era legalista, reuniu suas tropas e dirigiu-se para o Rio de janeiro para defender o governo constituído de João Goulart.

Seu Regimento, entretanto, debandou, e já em Resende, era um general sem tropas

Pelo fato de perder meu pai quando ainda tinha 11 anos, fui daqueles jovens que procurava os adultos para ouvir e aprender.

Quando entrei na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP, Depto de Ciências Sociais, logo fiz amizade com Celso Frederico, hoje professor na área, e juntos íamos à casa do Gal. Zerbini para discutir os acontecimentos da época e analisarmos as conjunturas político-sociais, isto tudo regado por uma branquinha, entre salames e queijos. Hoje sou abstêmio, ai ai ai

Os ensinamentos que dali extraí sejam de política, sejam de filosofia ou poesia foram muito grandes e marcaram definitivamente minha formação. Infelizmente não consegui uma foto do General Zerbini. Verei se consigo com Terezinha Zerbini.

Durante a sua vida escrevi meu primeiro livro de poesia e fiz um poema para o General Zerbini que passo a mostrá-los:



Meu velho general

Cassado de 64, veterano de 32,

Estudante de filosofia. (era aluno de Marilena Chauí, e a admirava sobremaneira).



Nunca houve época melhor

em sua vida do que agora.

E agora, para sua honra,

Não está vendido,

Nem mesmo magoado;

Revoltado sim,

E assim encontramos nosso primeiro elo

Nossa única filosofia:

A de ser esperto quando nos cercam,

De calar quando nos batem,

De aparecer quando não esperam,

Enfim, de estar atento

Até no contemplar do silêncio absoluto.



Velho amigo,

Conflito de razão e Crisopígeo,

Perseguidor de poemas

E das mulheres nunca conquistadas.

Vê o que resta no ar...

A liberdade restrita ao murmúrio dos homens

Como um amor incubado

Que a gente sabe que pode morrer.



Vê que salgaram a casa de Tiradentes,

Mas que os alferes ainda bradam!





Em alguma destas ocasiões tive a oportunidade de conhecer o General Assis Brasil, ex-ministro da Guerra de João Goulart, e grande amigo de Zerbini. Lembro-me de Assis Brasil preparando um churrasco gaúcho no quintal da casa de Zerbini. Entremeava o corte das carnes com poemas de Martin Fierro. Recitava com tal vivacidade como se estivesse diante de um público.

Assis Brasil tornara-se amigo de Zerbini desde a Revolução Constitucionalista de 32, quando veia do sul para São Paulo, lutar junto aos constitucionalistas. Esteve lutando com Zerbini desde o litoral norte, até o Vale do Paraíba.

Lembravam de várias passagens como a das metralhadoras cruzadas que deixaram estrategicamente montadas em Ubatuba, frustrando pelo menos um desembarque de tropas federadas. Ou quando se depararam com uma tropa inimiga onde um soldado pulava, à distância , fazendo troça do soldados de São Paulo.



Zerbini chamou um de seus melhores atiradores e mandou fazer mira para quando o outro fosse bailar sobre a trincheira. Um tiro, e nunca mais o soldado apareceu para fazer gozação.

Assis Brasil levou Jango até o Uruguai, quando voltou ao Brasil, apresentou-se ao comando do rio de janeiro e foi preso. Já contei sobre isto, mas não custa repetir. Assis Brasil recusou sua aposentadoria e devolveu-a, pedindo que fosse usada para ajudar as crianças pobres do país. Creio que exemplos como este são raríssimos. Ele morreu pobre no Rio Grande do Sul. Exemplo para todos o brasileiros.

Assis Brasil recitou os poemas de José Hernandes, criador do gaúcho Martin Fierro, nos idos do século XIX. Aqui vai um pouco da história de José Hernandes, o criador de Martin Fierro:

Sarmiento foi categórico: para que a civilização imperasse algum dia naqueles descampados da Argentina era preciso primeiro derrotar o gaúcho. A sua plataforma (Sarmiento foi presidente do país entre 1868-1874) poderia reduzir-se a três pontos: 1) desarvorar a gauchada das províncias argentinas a tiro e a canhonaço, se for preciso; 2) educar a juventude, e; 3) importar gente européia para povoar o país. Contra isso José Hernández rebelou-se. O manifesto do seu desagrado - o contrapondo ao "Facundo" de Sarmiento - foi "O gaúcho Martin Fierro". Diga-se que antes de redigí-lo em língua nativa e rústica, Hernández ainda tentou derrubar Sarmiento num malogrado levante em 1870. Exilado numa pequena pensão de Santana do Livramento, no sul do Brasil, Hernández não desanimou. À luz da lamparina deu-se a esboçar a sua epopéia guasca, que editou em 1872. Respondendo diretamente ao programa de Sarmiento, Hernández arremessou-lhe o célebre verso: "Ele [o gaúcho] anda sempre fugindo. Sempre pobre e perseguido: não tem cova nem ninho como se fosse um maldito; porque ser gaúcho ... o ser gaúcho é um delito."



Apresento um poema da vida do gaúcho Martin Fierro, entre tantos recitados por Assis Brasil. Assim dará para se perceber com qual seiva, se forjara a firmeza do ex-ministro da Guerra de Jango.



                                                 José Hernandes criador do gaúcho Martin Fierro


"No me hago al lao de la güeya

aunque vengan degollando;

con los blandos yo soy blando

y soy duro con los duros,

y ninguno en un apuro

me ha visto andar tutubiando.



En el peligro qué Cristo!

El corazón se me enancha.

pues toda la tierra es cancha,

y de esto naides se asombre:

el que si tiene por hombre

donde quiera hace pata hancha



Soe gaucho, y entiéndanló

Como mi lengua lo esplica:

para mi la tierra es chica

y pudiera ser mayor;

ni la víbora me pica

ni quema mi frente el sol.



Nací como nace el peje

en el fundo de la mar:

naides puede quitar aquello que

Dios me dió:

lo que al mundo truje yo

del mundo lo he de llevar."

(Extraído de Martín Fierro, de José Hernández, tradução de J. O. Nogueira Leiria, Martíns Livreiro, 1991)





É importante fazer vir à tona a memória nacional, principalmente naqueles aspectos edificantes que nos dão um orgulho sadio de sabermos que a História do Brasil, com H maiúsculo, tem os seus heróis, que morreram à míngua.



Vê que salgaram a casa de Tiradentes, mas que os alferes ainda bradam!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

10% dos mais ricos detém 75,4% das riquezas do país

Bem, escrevemos nestes dias sobre o crescimento da economia, o consequente aumento da oferta de empregos,e os diversos programas sociais da Previdência, entre eles o Bolsa Família.

Foi importante apresentar estes dados que mostram que milhões de brasileiros sairam da linha de pobreza e adentraram na chamada "classe média", embora mesmo aí se deva trabalhar bastante neste campo, durante o governo Dilma. ela mesma tem uma PROMESSA colocada nesta área

Agora, entretanto, vem o contraditório, onde o Govêrno não entrou com uma posição clara, que desejamos esteja também nas pautas das discussões.

Esta ascensão social ocorrida no país deu-se em uma conjuntura de desenvolvimento favorável, que aparentemente preservou a concentração das riquezas produzidas no Brasil, enquanto permeou uma mobilidade ascensional de vastas camadas sociais.

A diferença entre os que concentram as riquezas e o restante da população ainda é uma incógnita que o IBGE deverá trazer luz, com o atual recenseamento de 2010.

Mas já deve-se pensar num papel mais protagonista do Estado na superação destas diferenças, em vez de referendar o statu quo.

Esperamos que Dilma avance nestas conquistas numa real distribuição de rendas no país.

Dados revelados de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que o quadro de desigualdades no país e a concentração de renda se mantêm entre os maiores do mundo.

Está aí o desafio desta geração: fazer o nosso  Brasil tornar-se um país justo e generoso com o seu povo, extirpando os sangue sugas que vivem secularmente dos suores, dores e aflições de muitos.

Falam que Cuba só tem carro antigo,não tem indústria, só o açúcar, que Havana é uma cidade antiga...

Penso que o bloqueio americano tem muito a ver com isto.

Mas quando vejo as seleções masculinas e femininas de voley deles nos campeonatos mundiais, noto que são gente simples do povo, reconhecendo que apesar das imensas dificuldades que têm, eles superaram em muito este aspecto da concentração da riqueza.

As soluções colocadas no artigo que transcrevo, do IPEA, está na reforma tributária e num maior investimento em educação. E para vocês, como se resolverá isto?

Segundo o Instituto, 10% da população mais rica do Brasil detêm 75,4% de todas as riquezas do país.


Ainda segundo a pesquisa a concentração é maior em três capitais brasileiras. A concentração é maior em São Paulo, onde 10% detém 73,4% de toda a riqueza. Esse número cai, em Salvador, para 67% e, no Rio, para 62,9%. Segundo Pochmann, um dos principais responsáveis pela distorção é o sistema tributário em vigor.

- O dado mostra que o Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto – disse ele aos jornalistas.

Na história brasileira, segundo Pochmann, pouco mudou desde o século XVIII, quando os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza, no Rio de Janeiro, capital do país. Este é o único dado disponível, no Instituto, anterior à atual pesquisa.

- Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre os brasileiros.
Na contramão do equilíbrio fiscal pretendido por qualquer nação civilizada, no Brasil os pobres chegam a pagar 44,5% a mais de impostos do que os ricos, conforme mostra a pesquisa a ser apresentada ao CDES. O economista sugere que os ricos tenham uma tributação exclusiva, para conter esse regime de desigualdade, por meio de uma reforma tributária que calcule a contribuição de cada brasileiro conforme sua classe social.

- Nenhum país conseguiu acabar com as desigualdades sociais sem uma reforma tributária

Os meios de produção de riqueza do país estão concentrados nas mãos de 6% dos brasileiros. É uma das conclusões apresentadas no livro Proprietários: Concentração e Continuidade lançado em São Paulo.


A publicação é o terceiro volume da série Atlas da Nova Estratificação Social do Brasil, produzida por Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e vários economistas do órgão.

Do livro, consta um levantamento que revela que, de cada 20 brasileiros, apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda: empresa, imóvel, propriedade rural ou até mesmo conhecimento – também considerado um bem pelos pesquisadores.

Em entrevista coletiva organizada para o lançamento do livro, Pochmann afirmou que a concentração das propriedades no Brasil é antiga e remete aos tempo da colonização. Desde a concessão das primeiras propriedades agrícolas, passando pela industrialização ocorrida no século 20, até o aumento da atividade financeira, os meios de produção sempre estiveram sob controle da mesma e restrita parcela da população nacional.

"A urbanização aumentou o número de propriedades e de proprietários, mas não acompanhou o aumento da população. A concentração permanece. Nós [brasileiros] nunca vivemos uma experiência de democratização do acesso às propriedades no nosso país”, disse.

De acordo com o livro, os proprietários brasileiros têm um perfil específico comum. A grande maioria tem entre 30 e 50 anos de idade, é de cor branca, concluiu o ensino superior, e não tem sócios.

Para Pochmann, o quadro da distribuição das propriedades brasileira é grave. O Brasil tem seus meios produção de riqueza mais mal distruídos entre os países da América Latina, por exemplo. E isso não deve mudar em um curto prazo, segundo o economista.

Estamos fazendo reforma agrária desde os anos 50 e nossa distribuição fundiária é pior do que a de 50 anos atrás; nossa carga tributária onera os mais pobres; a única coisa que vai bem é a educação”, afirmou ele, citando dados que apontam que o percentual dos jovens que frequenta a universidade passou de 5,6%, em 1995, para cerca de 12%, em 2007.

Pochmann disse porem que mesmo com o aumento dos índices da educação, ele ainda está muito aquém do encontrado na Europa, onde 40% dos jovens têm diploma universitário. Ressaltou também que a mudança da distribuição das propriedades por meio da educação é a forma mais lenta de justiça.


Está aí. Os dados são claros. Depende de nós revirarmos este esqueleto secular de vampiro que suga o sangue dos trabalhadores.

É preciso fazer raiar o sol da liberdade no horizonte do Brasil

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A pobreza e a indigência por Região no Brasil.





Estes valores abaixo são irreais, mas são os aceitos oficialmente:

Pobre            tem renda familiar per capta de    R$ 140,00. O ideal seria, pelo menos os R$ 510,00

Indigente       tem renda  per capta de     R$ 70,00 . Este número só os indigentes são capazes de viver(sic).


Se todos os brasileiros  contribuíssem para erradicar a pobreza no país, deveriam desembolsar R$ 9,33 por mês.

Mas seria necessário uma sociedade solidária, e vivemos ainda em uma sociedade do egoísmo, do "cada um por si e Deus para todos".

É inimaginável pensar que estamos em um estágio da vida nacional em que todos sejam solidários com os irmãos mais necessitados, e contribuam de boa intenção com este valor, mensalmente. Vã ilusão...

Mais números:

                           Em milhões      %          Região

Indigentes         1,4 milhão         9,1          Norte

Pobres             2,3 milhões     15,4          Norte


Indigentes       7,2 milhões      13,5      Nordeste

Pobres           9,4 milhões      17,6     Nordeste


Indigentes     2,5 milhões       3,2       Sudeste

Pobres        4,3 milhões       5,6        Sudeste


Indigentes   775mil              2,8       Sul 
                                          
Pobres       1,3 milhão        4,7        Sul


Indigentes  547 mil            4,0   Centro-oeste

Pobres      887 mil            6,5   Centro-oeste


Indigentes 12,4 milhões    6,7   Média

Pobres     18,5 milhões    9,8  Média


Somando as médias, existem  16,5 % atualmente no Brasil de pobres e indigentes, e um restante de 83,5 % de não pobres/indigentes.


Mais uma informação importante:

Nesta década(de 2001 a 2008), a população de pobres e indigentes caiu de 33,3% para 15,5%, isto é, pela metade.

Isto enche de esperança a todos, pois é possível visualizar a erradicação propriamente dita de ambas as exclusões.


Conclusões:

O Norte e o Nordeste estão acima da média nacional, mas em termos de números absolutos, o NE concentra a maior população de pobres e indigentes, 16,6 milhões, representando a metade do total aferido.

Assim, fazer uma política de erradicação da pobreza e da indigência, iniciando-se  pela Região Sul, é começar pelo mais fácil, e não pelo mais necessário.

Estudos que li, apresentam esta eliminação à partir das regiões mais desenvolvidas.

Ademais, as características dos pobres e indigentes nas regiões mais desenvolvidas, penso que seja bem diferente dos existentes nas outras regiões.

Ora, investir mais nas regiões sul e Sudeste é repetir o passado, provocando novas ondas migratórias das regiões menos desenvolvidas para as mais desenvolvidas.

O Brasil precisa deslocar o processo de crescimento econômico das regiões Sul e Sudeste, para as regiões Norte (por razões estrátégicas) e Nordeste (por razões políticas), porque está provado (ver artigo anterior) que o maior responsável pela diminuição da pobreza e da indigência é o desenvolvimento econômico. Alagoas e Maranhão são os Estados mais carentes, e Santa Catarina e Mato Grosso os menos necessitados de políticas para esta área.


ATENÇÃO E MUITO IMPORTANTE: A QUEDA DA POBREZA E DA INDIGÊNCIA NÃO FOI ACOMPANHADA POR UM AUMENTO DA DISTRIBUIÇÃO DA RENDA NACIONAL, QUE SERÁ OBJETO DE ARTIGO PRÓXIMO

domingo, 14 de novembro de 2010

Ousar eliminar a pobreza do Brasil





Dentre as várias marcas atingidas pelo Governo Lula, uma tornou-se a principal responsável pela sua alta avaliação, permitindo-lhe fazer sua sucessora, Dilma Rousseff: a de provocar a ascenção social de 27  milhões de pessoas, antes banidas de uma condição de vida digna.

O silêncio de Serra e Marina, quando Dilma vinha com estes números  na campanha presidencial, mostravam o quanto significavam este resultados.

Lula foi chamado de incompetente, de tolerante com a corrupção, despreparado, analfabeto, enfim, em suas duas gestões, não faltaram críticas, de todos os tipos, verdadeiras e falsas, mas, fato interessante, estas críticas nunca chegaram a ferir mortalmente o peão, por uma única razão, a de que ele tinha um foco claro em seus objetivos: valorizar o homem brasileiro.

Valorizar o homem brasileiro, pode ser um jogo de palavras.

Ocorre que o nosso país, sempre tão aberto a receber pessoas do mundo inteiro, sejam italianos, japoneses, africanos, árabes e judeus, mas também coreanos e chineses,bolivianos, etc., nunca fez o resgate de seu próprio povo, o povo brasileiro, aquele que vem se formando à séculos, fruto de uma miscigenação de portugueses, índios, negros.

Este povo brasileiro, vem construindo a nação com o esforço e destemor.

Ergue edifícios e trabalha nas fábricas, pesca, lavra a terra, cultiva, vende os produtos. Este esforço, entretanto, não era até então recompensado.

Enquanto assistíamos vários povos imigrantes obterem o sucesso e a realização profissional, ao mesmo tempo pemanecia a discriminação e o esquecimento para esta grande camada popular da população brasileira.

Exceção feita aos setores médios da população, que de uma forma ou de outra, conseguiram formar seus filhos e projetá-los no mercado de trabalho e na vida política do país, tornando-se um setor egoísta e desinteressado  a uma valorização que abrisse uma competição a si mesmo.

O Bolsa Família foi tratado (fora o período eleitoral, para não perder votos)  como um instrumento formador de "vagabundos e desocupados", de "votos de cabresto", e outras coisas mais.

As pessoas que se utilizaram durante estes anos do Bolsa Família foram tratados com toda sorte de discriminação social.

Por isso, o resgate de grandes parcelas da população para novo patamar social, pode ser considerado como um grande acontecimento,  uma grande vitória do povo brasileiro, tão grande como foi a independência ou a Proclamação da República.

Mas a pergunta que vem à mente é se o Bolsa Família, não é mesmo, o responsável pela projeção de 27 milhões de pessoas?

E aí está a falácia que por todo este tempo vitimou o povo pobre do país.

Não, o Bolsa Família não é o responsável direto pela valorização de 27 milhões de pessoas.

Matéria trazida pela Folha de São Paulo de 14 de novembro, de Fernando Canzian, mostra que o principal responsável por este novo Brasil não é  Bolsa Família, mas o aumento do mercado de trabalho, com uma participação de 71% de impacto sobre o aumento do rendimento da população.

O Bolsa Família, junto com outos Programas Sociais, responde por tão somente 5,3% deste aumento.

Se o Bolsa família tivesse que ser o responsável pelo aumento do rendimento da população, ele deveria ter uma injeção de recursos monetários bem maior que os atuais R$ 13,4 bilhões ao ano, atendendo 12,7 milhões de famílias.

Atualmente o Bolsa Família representa 0,4% do PIB, o que é considerado muito pouco.

Os cálculos do Centro de Políticas Sociais da FGV estimam em mais R$21,3 bilhões ao ano, em cima dos atuais R$13,4 bilhões, se quiser o governo realmente erradicar a pobreza no país, isto desconsiderando o processo de desenvolvimento. 

O maior responsável pela elevação da renda média vem diretamente da melhora do mercado de trabalho.

A criação de 14 milhões de empregos formais, fruto de um crescimento econômico em torno de 5% ao ano é o maior responsável por isto.

A elevação do salário mínimo em 53% acima da inflação teve um impacto menor, contribuindo principalmente para elevar o consumo, a produção e o emprego.

As previsões atuais, segundo Clemente Ganz Lúcio, do Dieese, dizem que já no governo Dilma, a correlação entre o aumento do PIB e a ocupação não será mais de 1 para 1, como com Lula, mas de 1 para 0,5 ou 0,7 durante o Governo Dilma, considerando-se o crescimento ainda em torno de 5% anuais.

Isto se deve às projeções de programas de produtividade na nova fase da economia brasileira, que devem economizar postos de trabalho, fazendo com que o crescimento de 1 ponto do produto interno Bruto represente menos empregos.

O Bolsa Família pode ser visto, neste caso, como um contrapeso ao crescimento econômico e de emprego.

Se o crescimento não ocorrer como esperado, o Bolsa Família começará a ter uma importância cada vez maior.

Visto isto concluimos que a grande luta está em fazer o nosso país continuar crescendo a níveis cada vez maiores, para garantir a continuidade da ascenção social no país.

Questões técnicas também podem influir no volume previsto de investimento no Bolsa Família.

O próprio Ministério do Desenvolvimento Social considera baixo o corte de R$140,00 para definir pobreza (a cesta básica variou de R$172,00 em Aracajú a R$254,00 em São Paulo, segundo o Dieese). Temos que concordar com isto. O correto é considerar o próprio salário mínimo como o divisor de águas. Afinal, porque ele é chamada assim, de salário mínimo.

Se houver reformulação neste cálculo, a conta aumentará proporcionalmente. E isto é um dado que não pode ser desconsiderado.

"Outro dado que deve ser registrado é o da participação desproporcionalmente menor das mulheres, principalmente as mais pobres, no mercado de trabalho, em relação aos homens. A taxa de atividade feminina é de 51% ante uma média nacional de 67%. Já a taxa de atividade masculina é de 88% na média. Por isso a proposta eleitoral de Dilma em construir 6000 creches com verbas do PAC para 2011 tem seu significado, ainda que fique em patamares muito pequenos diante das necessidades atuais (82% das crianças até 3 anos estão fora de creche), pois abre possibilidades para o trabalho das mulheres pobres em atividades formais. As oportunidades de trabalho para as mulheres mais pobres têm que ser discutido amplamente. A luta por creches é, na verdade, a luta por mais oportunidades de trabalho para as mulheres, principalmente as mais pobres" (Len Lavinas, professora da UFRJ).

Amanhã trarei um estudo sobre a distribuição regional da pobreza no Brasil. Mais para frente poderemos discutir quais são as políticas ideais para a erradicação da pobreza (lógico que diversos programas estão em andamento e são eficazes, mas não invalida pensar soluções).

Falar não ofende. Silenciar sim, ofende a diginidade humana

Mais para frente vamos discutir a sociedade solidária