quinta-feira, 29 de setembro de 2016

SEGUNDA DECLARAÇÃO UNILATERAL DE PAZ

Hoje peço paz! Tanta luta e tudo volta ao princípio. Não uma paz descrente, subserviente; mas uma paz das montanhas, dos olhos mansos que sofrem e compreeendem. Paz das camélias, dos corações enlutados diante do primitivismo humano, da ignorância assustadora daqueles que deveriam ser porta vozes do equilíbrio e da sobriedade. Não uma paz, como palavra de ordem, ideológica, politicamente correta, mas simples, pessoal, amorosa, que terminam na cama, em amor e sonhos. Tenho grande desconfiança sobre a presença da paz na essência humana. O ser humano realmente a deseja?
O mundo precisa da paz; não sabe como obtê-la, e diverge... diverge...até o seu esquecimento. Quando o dia amanhece, e o sol aponta no horizonte, a paz ergue-se junto,diariamente, familiarmente, convidando-nos a enfeitá-la de carícias. Ela pode ser vista após o cansaço das intermináveis batalhas, emergindo, por exclusão,como consciência última, aguardando uma oportunidade que nunca vem.
Não tenho visto bandeiras brancas nas manifestações, seja de um lado, seja do outro.
Ela não é rendição, mas afirmação. Ela não é derrota, mas encontro. Vitória de todos.
João Paulo Naves Fernandes
29/09/2016

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Rotação particular e Histórica

Vou descansar o corpo, não a mente. 
Esta não descansa, instiga, incomoda. 
Vivo este embate dentro de mim. 
A certa altura, é a alma que quer recolocar-me em uma paz turbulenta, cheia de lutas, vitórias e reveses. 
Assim vou, pendendo, levantando, tropeçando, pulando. 
Mais pareço um cabrito montanhês, que se equilibra em uma fenda ingrime da montanha.
Como é tempo de cortinas abertas, nada mais se oculta, e para quem quer, e a verdade fica fácil de se perceber, cristalina.
Mas o corpo questiona.
Então deixo este afã momentaneamente e respeitarei a sazonalidade rotacional de sonhos e realidades.
Adormecerei? Não consigo.
Há uma porta que não se fecha, sempre aberta, sempre...

A enfermidade diagnosticada através da letra.

Você sabia que é possível descobrir muitas coisas através da análise da letra das pessoas?
Workshop de Grafologia Diagnóstica em outubro!
Venha conhecer uma camada mais profunda da sua personalidade.

27/09/1927 dia de repressão a um comício do Bloco Operário e Camponês


 
  
 Panfleto de divulgação do BOC 
 1927 - Dia da repressão ao BOC 
 A polícia dissolve a bala comício eleitoral do BOC (Bloco Operário e Camponês); 1 operário morto. 
 

MEDITAÇÃO MATINAL


Guardo enquanto falo?
ou profiro palavras
impensadas?

Percorro a segurança do destino?
ou perco-me nas veredas
insondávies?

Pratico a verdade e a justiça?
ou falseio o que defendo?

Amo ternamente a vida?
ou submeto-me frágil,
às dificuldades?

Tenho alegria constante?
ou aderno sentimentos
incontroláveis?

Persigo a coerência?
ou satisfaço-me na 
ambiguidade?

Participo da sociedade
em que vivo?
ou derramo-me
em exclusivismo?

27/09/2013

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

SE ME PARO UM INSTANTE...



Este silêncio
que não silencio

Estas palavras mortas
que não revivem
não consolam,
continuam
sendo
proferidas.

Este estado
desinstalado
que atravessa
a espinha,
e se aloja
na garganta

E um grito
que não sai,
guardado
entre
sonhos
e pesadelos

Este eu
que se multiplica,
e não se explica
confunde
difunde
nem se percebe

Esta corrida
que é mais fuga
que chegada,
olhando para trás
e para a frente.

Esta idéia
de um futuro
que nunca chega,
atrasado
e trágico,
cômico.

Esta despedida
diária,
que não se
despede,
contrata..

Esta percepção
dos limites
que oprime
revolta

Este nada
que afoga
enquanto o mal
atola
incomoda

E um divino
fugidio
subreptício
que pergunta
não responde.

Mais este adeus
que não termina
germina
fulmina.

João Paulo Naves Fernandes
26/09/2016



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

CONFISSÃO


Descubro 
neste final 
de dia

o nada 
que sou.

Apenas 
um pó 
caído
ao lado 
da estrada,
apenas 
um alguém 
que pensa 
ser autossuficiente, 
enganando-se 
completamente.

Coloco idéias, 
manifesto opiniões, 
mas no fundo, 
sou um fraco 
sem têmpera,
um resto.

Olhando-me 
ao espelho, 
sinto 
vergonha 
da nitidez 
do reflexo.

Quisera ter 
a mansidão 
dos justos, 
a perseverança 
dos fortes.

Mas não! 
Sou inconstante, 
surpreendo-me 
sempre 
em meus 
secretos
vacilos.

De fato
Sou 
um autoritário 
que defende 
a democracia, 
um defensor
dos pobres 
de crista 
erguida, 
cheio 
de vaidades

Algumas vezes 
caio em mim, 
vêm um lampejo 
de consciência; 
outras vezes 
envergonho-me 
mais do que 
me arrependo.

O dia cai 
feito um tijolo 
A quem engano? 
a Deus? 
impossível! 
A mim? 
sempre. 
Aos que amo? 
frequentemente.

Se quiser 
ser realista, 
posso dizer 
de mim, 
- Sou um pó!
Um resto de coisa alguma, 
que respira, 
e se aspira.

Não tenham 
misericórdia
desta confissão, 
Podem 
prejudicar
os poucos 
e verdadeiros 
momentos 
de autorreconhecimento.

Deixem...
finjam 
que não leram, 
encontrem-me 
depois, 
como se nada
soubessem...

Melhor assim,
mantemos 
a farsa.

Neste momento? 
Ora, que se lixe o mundo! 
insuportável 
e fétido mundo.

Não se preocupem, 
não me suicidarei. 
Também sou 
um covarde.

16/09/2016