sexta-feira, 30 de maio de 2014

Irã: estudiosos muçulmanos traduzem o Catecismo da Igreja Católica ao persa

O livro - trabalho da equipe da Universidade de religiões de Qom - é publicado com a introdução do cardeal Tauran e foi revisado por várias personalidades católicas
Por Redacao
ROMA, 30 de Maio de 2014 (Zenit.org) - Estudiosos muçulmanos xiitas traduziram ao persa o Catecismo da Igreja Católica. Quem ofereceu esta "pérola" de diálogo - refere à agência missionária AsiaNews -  foi uma equipe de tradutores da Universidade das religiões e denominações (University of religions and denominations, Urd), localizada nos arredores de Qom.
O trabalho, com cerca de 1.000 páginas de teologia e pastoral, concluído sob a orientação do prof. Ahmad Reza Meftah e dos tradutores os prof. Sulemaniye e Ghanbari, está para ser divulgado nessas semanas. A tradução foi revisada por diferentes personalidades católicas no Irã e publicada com uma introdução do card. Jean-Lous Tauran, Presidente do Pontifício Conselho para o diálogo Inter-religioso.
A Urd, atualmente com uns dois mil alunos, oferece cursos de estudo em teologia e denominações islâmicas, em cristianismo, hinduísmo, budismo, judaísmo. Para aprofundar o conhecimento das religiões, os estudantes e os professores estudam os textos base das religiões nas fontes, traduzindo-os ao persa. Até agora, já publicaram, pelo menos, 200 livros, dentre os quais 50 volumes de fontes cristãs.
"Quando começamos a estudar as outras religiões, alguém parou para estudar o cristianismo – diz à Asia News o prof. Meftah - , Precisamos de uma fonte cristã autorizada para estudar, para nós e para os nossos estudantes. O doutor Legenhausen, católico, que veio dos Estados Unidos e ensina na nossa universidade, nos convenceu de que o Catecismo é importante para os católicos. Então começamos a traduzi-lo para entender mais sobre a fé católica, para nós, para nossa ciência. Sempre quisemos estudar e fazer pesquisas traduzindo ao persa alguns livros cristãos, como o evangelho ou ‘A cidade de Deus’ de Agostinho”.
A tradução do Catecismo foi feita a partir da versão Inglesa; em seguida, ela foi "comparada" com a versão árabe. "Queríamos traduzi-lo de forma muito precisaa - explica Meftah -. Para isso, precisávamos que a tradução fosse, de alguma forma, confirmada pelo Vaticano". O livro foi então entregue a um católico italiano, com conhecimento do persa, que verificou o texto com o original latino. “Só para fazer este trabalho levou nove meses! Ele comparou as versões de uma forma muito precisa e nos deu algumas sugestões. Depois disso, alguns de nossos amigos ainda revisaram a tradução".
Quem conseguiu que a obra recebesse a “confirmação oficial” do Vaticano foi Franco Pirisi, salesiano, por décadas a serviço da Nunciatura em Teerã, grande conhecedor da língua persa. O religioso depois de ler o livro, procurou a introdução do cardeal Jean Louis Tauran, que ele mesmo traduziu ao persa. "Agora o livro está pronto. O volume será publicado pela editora da universidade, mas com o imprimatur do Vaticano! – exulta o prof Meftah -. Foi fundamental pedir à nunciatura a permissão para publicá-lo, pedindo-lhes para lê-lo com atenção. E confirmaram a nossa tradução".
Depois dessa importante etapa, agora crescem as perspectivas: “No futuro - diz o professor - queremos apresentar o novo livro em Roma. Se possível, gostaríamos de fazer a tradução italiana de um livro sobre o xiismo. De tal forma podemos mostrar o diálogo de uma forma muito prática. É uma oportunidade para mostrar a nossa abertura ao diálogo: estamos prontos para falar com vocês sem qualquer limitação. Além disso, esta realmente é, provavelmente, a primeira vez que um livro católico desta espessura é traduzido por um grupo de estudiosos muçulmanos". (Trad.TS)

A Igreja condena duramente os crimes de honra no Paquistão

Após o assassinato de Farzana Parveen Bibi, "culpada de ter se casado com um homem contra a vontade de sua família, chegam as condenações do Arcebispo emérito de Lahore e do primeiro ministro do Paquistão
Por Redacao
30 de Maio de 2014 (Zenit.org) - "Condenamos firmemente o assassinato brutal de Farzana Parveen Bibi, uma mulher grávida, apedrejada até a morte pelos seus familiares em Alta Corte de Lahore", disse à agência Fides mons. Lawrence Saldanha, Arcebispo emérito de Lahore, depois do brutal assassinato da mulher paquistanesa acontecido no passado dia 27 de maio. A culpa de Farzana, de acordo com seus agressores, era ter se casado com um homem, Mohammad Iqbal, contra a vontade de sua família.
"O crime de honra é um costume antigo difundido na sociedade paquistanesa, que deve ser erradicado o mais rápido possível - disse o Arcebispo -. Esta prática cruel não pode existir em uma moderna sociedade democrática em que o direito à vida de cada pessoa (homem , mulher, criança) deve ser respeitado e defendido".
O bispo diz ser "deplorável” que a jovem tenha sido lapidada pelos seus familiares na praça da Alta Corte de Lahore e que ninguém, “nem sequer os agentes da polícia em serviço”, tenha feito algo para evitar o trágico massacre. "A morte do bebê no seu ventre é mais uma tragédia", comenta ainda mons. Saldanha, que, finalmente, diz: "Precisamos aumentar a conscientização em todos os níveis da sociedade no Paquistão para eliminar o mal social do crime de honra: só dessa forma a morte de Farzana e do seu bebê inocente não serão em vão”.
Sobre a questão do crime de honra interveio ontem o primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, que chamou essa prática de "totalmente inaceitável" e pediu ao governador do Estado de Punjab para tomar "medidas imediatas" e apresentar até hoje um relatório detalhado sobre o assassinato de Farzana Parveen Bibi.
A esperança é que as palavras do primeiro-ministro possam representar um avanço para a mudança. Estima-se que a cada ano no Paquistão aconteçam centenas de crimes de honra. Só em 2013, afirmam fontes da sociedade civil, 900 mulheres foram mortas por suas famílias, por razões semelhantes às que levaram à morte de Farzana e seu bebê. (F.C./Trad.TS)

República Centro-Africana: 18 mortos em ataque contra igreja de Bangui

Além das vítimas fatais, há pessoas sequestradas
Por Redacao
30 de Maio de 2014 (Zenit.org) - Depois de um período de relativa tranquilidade na República Centro-Africana, atentados violentos voltaram a ocorrer no último dia 28, à tarde. Um grupo de homens armados atacou com granadas a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na periferia de Bangui, capital do país. O atentado matou pelo menos 18 pessoas, entre as quais um sacerdote, o padre Paul-Emile Nzale, de 76 anos.
O ato terrorista foi cometido por pessoas que não falavam francês nem a língua local, sango, declarou dom Dieudonné Nzapalainga, arcebispo de Bangui, à agência Fides. Segundo a agência, ao menos 42 pessoas foram sequestradas e encontradas mais tarde. Esta notícia não foi confirmada por dom Nzapalainga.
"Os sobreviventes ao ataque me disseram que algumas pessoas foram sequestradas, mas as notícias sobre a situação delas são contraditórias: alguns afirmam que eles foram assassinados, outros que ainda estão vivos", comenta o arcebispo.
O atentado elevou a tensão na capital. "A cidade está completamente paralisada. Estava acontecendo uma manifestação para pedir a renúncia do governo provisório, mas os militares dispersaram as pessoas. A tensão está no ar e não sabemos o que pode acontecer", completa Nzapalainga.

O ataque contra a igreja de Nossa Senhora de Fátima foi cometido por jihadistas estrangeiros que mantêm agora como refém a população muçulmana do bairro "Km 5", de Bangui.
O padre centro-africano Mathieu Bondobo, atualmente em Roma, explica à Rádio Vaticano: "No começo nós insistimos muito em dizer que este conflito é político, não é inter-religioso. Mas o fato de atacarem uma paróquia desse jeito, de forma intencional, nos assusta porque é um indício forte de que o conflito se está se tornando cada vez mais inter-religioso".
O sacerdote observa, porém, que "isto nos ajuda também a dizer que nós, crentes, temos que abrir os olhos para não ser manipulados pelos políticos, porque basta muito pouco para cair na armadilha!".
Bondobo explica que diversas confissões religiosas sempre conviveram no país e que não seria o caso de começar agora uma guerra. Mesmo assim, "temos que estar preparados e vigilantes para evitar as armadilhas. Repito, com o que aconteceu, basta muito pouco para nascer de novo a vingança no coração das pessoas".
Ao falar das causas do ataque, o sacerdote admite que elas não são claras, mas explica que a paróquia atingida "fica numa área muito próxima de um bairro em que já havia boatos de rebeldes infiltrados". Sobre o trabalho da Igreja na cidade, o padre observa que "essa paróquia, como todas as outras da capital, virou um local de acolhimento. Todas as pessoas que não se sentem seguras encontram refúgio dentro da igreja. E este é o fato mais grave nesse atentado”.
Bondobo faz um apelo às instituições internacionais para abrirem os olhos: "Uma paróquia que trabalha pela paz, que acolhe muitas pessoas e que não tem proteção nenhuma não é uma coisa normal!".
Por outro lado, o sacerdote explica que a população de Bangui "não perdeu totalmente a esperança, mas existem, sim, muitas dúvidas humanas pairando no ar. É claro que o medo renasce no coração das pessoas. Eu acho que hoje é difícil sair nesses bairros ou até sair de casa. As pessoas com certeza estão com medo. Mas a esperança nós temos sempre, porque não temos alternativa: temos que chegar à paz".

Por que ser, escrever?

Conforme o tempo vai avançando durante a vida, mais vamos considerando sobre o legado que deixamos e que ainda poderemos deixar, se quisermos deixar legado.

Porque a vida em si não deixa um legado, mas ela é, em si, um legado enquanto vida.

Depois a sociedade continua sem nossa presença.

E, ironia à parte, ainda em vida, também a sociedade vive sem nossa presença.

E olhamos a quantidade de vulgaridades que ocorrem  a cada instante, a ponto de desanimar os sonhos e as visões de um mundo melhor.

Por isso, as gavetas andam cheias de poemas desconhecidos, órfãos de gente, escritos secretos.

Por isso as profundezas permanecem ocultas de tantos.

Um dia, fora do espaço e do tempo, quem sabe estes versos possam ser recitados, junto a corais celestiais, multidões de vozes uníssonas, mais longas trompas em eternos semibreves.

Talvez atravessem os céus, a atinjam os corações desavisados, surpresos.

Talvez assim despertem do nada, que assessora a vida, em tantas desnecessidades.

Torço, como torço, por este grande sinal.

Olho para os céus, em clamor permanente, como que, desejando ouvir o soar das trombetas inaudíveis, enquanto um raio corta do oriente ao ocidente sua presença perfeita.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Cardeal de Camarões pede libertação de sacerdotes e freiras sequestrados

Exortação do cardeal Christian Wiyghan Tumi é dirigida à seita islamista Boko Haram
Por Redacao
29 de Maio de 2014 (Zenit.org) - O cardeal Christian Wiyghan Tumi, arcebispo emérito de Douala, fez um apelo através dos meios de comunicação pedindo que a seita islamista nigeriana Boko Haram liberte os dois sacerdotes missionários italianos do Fidei Donum e a religiosa canadense que foram sequestrados em 5 de abril no norte do país, na fronteira com a Nigéria.
“A mensagem que dirigimos aos sequestradores que mantêm reféns os nossos irmãos é que os libertem e se abram ao dialogo”.
Segundo a informação recebida pela Agência Fides, o Cardeal Tumi, ao condenar “a violência que não resolve nada”, instou tanto as autoridades quanto o grupo extremista Boko Haram a seguirem “o caminho do diálogo e do amor” e a “evitarem o ódio”.
Os dois sacerdotes italianos da diocese de Vicenza, pe. Gianantonio Achegri e pe. Giampaolo Marta, e a religiosa canadense de 80 anos, da ordem das Irmãs da Divina Vontade de Bassano di Grappa, foram sequestrados na noite de 4 para 5 de abril na diocese de Maroua-Mokolo, norte de Camarões.
Na mesma região, durante a noite entre 16 e 17 de maio, dez cidadãos chineses funcionários de uma empresa multinacional também foram sequestrados. O governo de Camarões reforçou os controles na fronteira com a Nigéria para evitar novas incursões do Boko Haram.
O Boko Haram é um grupo terrorista nigeriano de ideologia fundamentalista islâmica, que pretende instaurar a sharia nos Estados do norte e nordeste da Nigéria. O grupo atua há vários anos, perseguindo em particular os cristãos, mas conseguiu o auge da notoriedade na mídia mundial recentemente, ao sequestrar quase 300 meninas nigerianas por serem estudantes.

O Anuário Estatístico da Santa Sé revela que no período 2005-2012 houve um crescimento de católicos no mundo de 10,2%

Aumentam os discípulos de Cristo, apesar das perseguições
Por Federico Cenci
29 de Maio de 2014 (Zenit.org) - O sangue dos mártires, dizia Tertuliano, é a semente de novos cristãos. Intuição muito certeira, a do célebre apologista que viveu entre o II e o III século. A história dos últimos dois mil anos, além do mais, é uma constante repetição das ferozes perseguições contra os discípulos de Cristo, os quais, no entanto, em vez de desaparecerem, aumentam.
O triste fenômeno na contemporaneidade é ainda mais grave. Em muitas partes do mundo existem perseguições sistemáticas, de forte intensidade e repletas de ideologia. De acordo com a Comissão episcopal da União europeia, os cristãos oprimidos no mundo são cerca de 200 milhões. No Ocidente, onde, aparentemente, os cristãos são livres para professar livremente a própria fé, muitas vezes, há formas diversas de perseguições, nas quais os valores próprios do cristianismo são constantemente julgados em nome de um, não melhor, laicismo.
História magistra vitae, afirmavam os contemporâneos de Tertuliano. E então, aos perseguidores de hoje seria suficiente dar uma olhada ao passado para compreender a inutilidade das suas ações. Significativo que, mesmo nesta época marcada por uma escalada de violência anti-cristã, o número de batizados continua a aumentar. De 2005 a 2012, os fiéis católicos aumentaram passando de 1.115 a 1.229 bilhões, um aumento de 10,2 por cento.
O dado foi publicado pelo Anuário Estatístico da Santa Sé nestes dias. A área com o maior número de católicos continua a ser a Europa (23% do total), enquanto o crescimento tem sido menos dinâmico do que em outras áreas do planeta. É precisamente na África – martirizada por atentados que atingem com muita crueldade as comunidades na Nigéria , República Centro Africano, no Quênia, Somália – onde se confirma o maior crescimento: aqui os fieis passaram de 13,8% em 2005 ao 16,2% em 2012.
Com 11% de católicos, a outra área que registra uma crescimento constante de batizados é a Ásia, depois do “continente negro” a segunda em perseguições. Apesar da difusão capilar das seitas evangélicas, se consolida depois a posição da América com o 49% dos católicos batizados no mundo. Estável também a incidência na Oceania.
Fala-se muito das vocações em declínio. Não se especifica, porém, que esta tendência negativa refere-se somente ao mundo ocidental. De 2005 a 2012, na verdade, o número total de sacerdotes aumentou em dois pontos percentuais. Passou-se dos 406.411 sacerdotes divididos em 269.762 diocesanos e 136.649 religiosos, aos 414.313, dos quais 279.561 membros do clero diocesano e 134.752 membros do clero religioso.
O crescimento é maior entre os seminaristas. Se em 2005 havia 114.439, em 2012 haviam 120.051, registrando um aumento de 4,9%. Liderando a classificação, neste caso, é a Ásia, com um crescimento de 18%, seguida da África, com o 17,6%, e da Oceania com 14,2%. Ligeira a diminuição na América (-2,8%), enquanto é consistente o declínio na Europa, onde de 2005 ao 2012 o número de jovens que entram no seminário sofreu um declínio de 13,2%. Uma análise detalhada dos dados relativos às vocações sacerdotais no mundo foi realizado por Vittorio Formenti e Enrico Nenna, do Departamento central de estatísticas da Santa Sé. (Trad.TS)

A paz se faz artesanalmente! Não há indústrias de paz

Papa Francisco fala sobre sua viagem à Terra Santa
Por Redacao
28 de Maio de 2014 (Zenit.org) - Nesta quarta-feira (28), o Papa Francisco dedicou a audiência geral para falar de sua recente viagem à Terra Santa. Eis o texto na íntegra:
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Nos dias passados, como vocês sabem, fiz uma peregrinação à Terra Santa. Foi um grande dom para a Igreja e dou graças a Deus por isso. Ele me guiou naquela Terra abençoada, que viu a presença histórica de Jesus e onde se verificaram eventos fundamentais para o judaísmo, o cristianismo e o islã. Desejo renovar a minha cordial gratidão a Sua Beatitude o Patriarca Fouad Twal, aos bispos dos vários ritos, aos sacerdotes, aos franciscanos da Custódia da Terra Santa. Estes franciscanos são bravos! O seu trabalho é belíssimo, aquilo que eles fazem! O meu grato pensamento vai também às autoridades jordanianas, israelenses e palestinas, que me acolheram com tanta cortesia, diria também com amizade, bem como a todos aqueles que cooperaram para a realização da visita.
1. O escopo principal desta peregrinação foi comemorar o 50º aniversário do histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras. Aquela foi a primeira vez em que um Sucessor de Pedro visitou a Terra Santa: Paulo VI inaugurava assim, durante o Concílio Vaticano II, as viagens fora da Itália dos Papas na época contemporânea. Aquele gesto profético do Bispo de Roma e do Patriarca de Constantinopla colocou uma pedra milenar no caminho sofrido, mas promissor, da unidade de todos os cristãos, que desde então deu passos relevantes. Por isso, o meu encontro com Sua Santidade Bartolomeu, amado irmão em Cristo, representou o momento culminante da visita. Juntos, rezamos no Santo Sepulcro de Jesus, e conosco estavam o Patriarca Grego-Ortodoxo de Jerusalém, Theophilos III e o Patriarca Armênio Apostólico Nourthan, além de arcebispos e bispos de diversas igrejas e comunidades, autoridades civis e muitos fiéis. Naquele lugar onde ressoou o anúncio da Ressurreição, sentimos toda a amargura e o sofrimento das divisões que ainda existem entre os discípulos de Cristo; e realmente isso faz tanto mal, mal ao coração. Ainda estamos divididos; e naquele lugar onde ressoou justamente o anúncio da Ressurreição, onde Jesus nos deu a vida, ainda nós estamos um pouco divididos. Mas, sobretudo, naquela celebração repleta de recíproca fraternidade, de estima e de afeto, ouvimos forte a voz do Bom Pastor Ressuscitado que quer fazer de todas as suas ovelhas um único rebanho; sentimos o desejo de sanar as feridas ainda abertas e prosseguir com tenacidade o caminho rumo à plena comunhão. Uma vez mais, como fizeram os Papas precedentes, eu peço perdão por aquilo que fizemos para favorecer esta divisão, e peço ao Espírito Santo que nos ajude a curar as feridas que fizemos aos outros irmãos. Todos somos irmãos em Cristo e com o Patriarca Bartolomeu somos amigos, irmãos, e partilhamos a vontade de caminhar juntos, fazer tudo aquilo que hoje podemos fazer: rezar juntos, trabalhar juntos pelo rebanho de Deus, procurar a paz, proteger a criação, tantas coisas que temos em comum. E como irmãos, devemos seguir adiante.
2. Outro escopo desta peregrinação foi encorajar naquela região o caminho rumo à paz, que é ao mesmo tempo dom de Deus e empenho dos homens. Fiz isso na Jordânia, na Palestina, em Israel. E o fiz sempre como peregrino, em nome de Deus e do homem, levando no coração uma grande compaixão pelos filhos daquela Terra que há muito tempo convivem com a guerra e têm o direito de conhecer finalmente dias de paz!
Por isto, exortei os fiéis cristãos a deixarem-se “ungir” com coração aberto e dócil pelo Espírito Santo, para serem sempre mais capazes de gestos de humildade, de fraternidade e de reconciliação. O Espírito permite assumir estas atitudes na vida cotidiana, com pessoas de diversas culturas e religiões, e assim de se tornar “artífices” da paz. A paz se faz artesanalmente! Não há indústrias de paz, não. Faz-se a cada dia, artesanalmente, e também com o coração aberto para que venha o dom de Deus. Por isto exortei os fiéis cristãos a deixarem-se “ungir”.
Na Jordânia agradeci às autoridades e ao povo pelo seu empenho no acolhimento de numerosos refugiados provenientes das zonas de guerra, um empenho humanitário que merece e requer o apoio constante da Comunidade Internacional. Fiquei impressionado com a generosidade do povo jordaniano em receber os refugiados, tantos que fogem da guerra, naquela região. Que o Senhor abençõe este povo acolhedor, que o abençõe tanto! E nós devemos rezar para que o Senhor abençõe este acolhimento e pedir a todas as instituições para ajudarem este povo neste trabalho de acolhimento que faz. Durante a peregrinação, também em outros lugares encorajei as autoridades interessadas a prosseguir com os esforços para aliviar as tensões na área do Oriente Médio, sobretudo na martirizada Síria, bem como a continuar na busca de uma solução equitativa para o conflito israelense-palestino. Por isto, convidei o presidente de Israel e o presidente da Palestina, todos dois homens de paz e artífices de paz, a virem ao Vaticano para rezarem junto comigo pela paz. E por favor, peço a vocês que não nos deixem sozinhos: vocês, rezem, rezem muito para que o Senhor nos dê a paz, nos dê a paz naquela Terra abençoada! Conto com as vossas orações. Forte, rezem, neste tempo, rezem muito para que venha a paz.
3. Esta peregrinação à Terra Santa foi também a ocasião para confirmar na fé as comunidades cristãs, que sofrem tanto, e exprimir a gratidão de toda a Igreja pela presença dos cristãos naquela região e em todo o Oriente Médio. Estes nossos irmãos são corajosas testemunhas de esperança e de caridade, “sal e luz” aquela Terra. Com suas vidas de fé e de oração e com a apreciada atividade educativa e assistencial, eles trabalham em favor da reconciliação e do perdão, contribuindo para o bem comum da sociedade.
Com esta peregrinação, que foi uma verdadeira graça de Deus, quis levar uma palavra de esperança, mas também a recebi! Eu a recebi de irmãos e irmãs que esperam “contra toda esperança” (Rm 4, 18), através de tantos sofrimentos, como aqueles que fugiram do próprio país por causa dos conflitos; como aqueles tantos que, em diversas partes do mundo, são discriminados e desprezados por causa de sua fé em Cristo. Continuemos a estar próximo a eles! Rezemos por eles e pela paz na Terra Santa e em todo o Oriente Médio. A oração de toda a Igreja apoia também o caminho rumo à plena unidade entre os cristãos, para que o mundo creia no amor de Deus que em Jesus Cristo veio habitar entre nós.
E convido vocês agora a rezarem juntos, a rezarem juntos à Nossa Senhora, Rainha da paz, Rainha da unidade entre os cristãos, a Mãe de todos os cristãos: que ela nos dê a paz, a todo o mundo, e que ela nos acompanhe neste caminho de unidade. [Ave Maria]

É o momento de estabelecer novas formas de aumentar a solidariedade

Mensagem do Papa ao Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho
Por Redacao
 28 de Maio de 2014 (Zenit.org) - Mensagem do Papa Francisco ao Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho, por ocasião da 103ª Sessão em Genebra, Suíça. 
***
Ao Senhor Guy Ryder
Diretor-Geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
No início da criação, Deus criou o homem como guardião de sua obra, encarregando-o de cultivá-la e protege-la. O trabalho humano é parte da criação e continua a obra criadora de Deus. Esta verdade nos leva a considerar que o trabalho é um dom e um dever. O trabalho, portanto, não é apenas uma mercadoria, mas ele tem sua própria dignidade e valor. A Santa Sé manifesta o seu apreço a contribuição da OIT para a defesa da dignidade do trabalho humano no contexto do desenvolvimento social e econômico por meio da discussão e cooperação entre governos, trabalhadores e empregadores. Estes esforços estão a serviço do bem comum da família humana e promovem a dignidade dos trabalhadores em todos as partes.
Esta Conferência se reúne em um momento crucial na história econômica e social, que apresenta  desafios para o mundo todo. O desemprego está se expandindo tragicamente as fronteiras da pobreza (cf. Discurso à Fundação Centesimus Annus Pro Pontífice, 25 de maio de 2013). Isto é particularmente desanimador para os jovens desempregados, que podem  facilmente sentirem-se desmoralizados, perdendo a consciência do seu valor e sentirem-se alienados da sociedade. Esforçando-nos para aumentar as oportunidades de emprego, afirmamos a convicção de que “no trabalho livre, criativo, participativo e solidário, o ser humano expressa e reforça a dignidade de suas vida” (Evangelii gaudium, 192).
Outro grave problema,  relacionado com o anterior,  que o nosso mundo enfrenta é o da migração em massa: já é considerável o número de homens e mulheres forçados a procurar trabalho longe de sua terra natal e é motivo de preocupação. Apesar de sua esperança de um futuro melhor, eles frequentemente se deparam com incompreensão e exclusão,  sem mencionar quando fazem a experiência de tragédias e desastres. Tendo enfrentado esses sacrifícios, estes homens e mulheres muitas vezes não conseguem encontrar emprego digno e se tornam vítimas de uma certa “globalização da indiferença”. A situação deles os expõe a outros perigos, como o horror do tráfico de pessoas, trabalho forçado e escravidão. É inaceitável que, em nosso mundo, o trabalho feito por escravos tenha se tornado moeda corrente. (cf. Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, 24, Setembro de 2013). Isso não pode continuar! Tráfico de seres humanos é um chaga, um crime contra a humanidade. É hora de unir forças e trabalhar em conjunto para libertar as vítimas desse tráfico e  erradicar este crime que afeta a todos nós, desde as famílias à  Comunidade Mundial (cf. Discurso aos novos embaixadores creditados junto da Santa Sé, 12 de dezembro de 2013).
É também o momento de reforçar as formas existentes de cooperação e estabelecer novas formas de aumentar a solidariedade. Isto requer: um compromisso renovado com a dignidade de cada pessoa; uma implementação mais determinada de normas internacionais do trabalho; planejamento para um desenvolvimento centrado na pessoa humana como protagonista central e principal beneficiária; uma reavaliação das responsabilidades das empresas multinacionais nos países em que atuam, incluindo as áreas de gestão de lucro e de investimento; e um esforço coordenado para encorajar os governos a facilitarem a movimentação de migrantes em benefício de todos, eliminando assim o tráfico de seres humanos e as perigosas condições de viagem. Uma eficaz cooperação nestas áreas será notavelmente facilitada pela definição de futuros objetivos sustentáveis de desenvolvimento.
Como recentemente expressei  ao Secretário-Geral e os Chefes Executivos das Nações Unidas: “As metas futuras de desenvolvimento sustentáveis deveriam ser formuladas e implementadas com generosidade e coragem, para que possam incindir efetivamente sobre as causas estruturais da pobreza e da fome, e assim conseguir resultados substanciais na proteção do meio ambiente,     garantir trabalho decente para todos e dar proteção adequada para a família, elemento essencial de qualquer desenvolvimento humano e social sustentável”.
Caros amigos, a Doutrina Social da Igreja Católica se coloca como apoio às iniciativas da OIT, que se destinam a promover a dignidade da pessoa humana e da dignidade do trabalho. Encorajo-vos em seus esforços para enfrentar os desafios do mundo de hoje, mantendo-se fiéis a esses nobres objetivos. Ao mesmo tempo, invoco a bênção de Deus sobre tudo o que realizais  para proteger e melhorar a dignidade do trabalho para o bem comum da família humana.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Você conseguiria perdoar quem matou e estuprou sua filha?


Além de perdoá-lo, esta mãe o visitou na prisão e lhe
falou do amor de Deus

Portaluz.org
27.05.2014 





Clotilde Silva conta que, na tarde de 27 de fevereiro de
2008, na localidade de Isla Teja (Valdivia, Chile), tudo
 parecia normal...

“As crianças brincavam na rua, pois todos os vizinhos se
conheciam – recorda. Era como uma família grande, não
 existiam dúvidas ou desconfianças.”

Este era o estilo de vida dessa pequena comunidade rural
chilena. Mas naquele dia, à medida que a noite ia caindo e
 as crianças voltavam para suas casas, ficou evidente que
 havia acontecido algo com Sofia e Camila, duas pequenas
 amigas de 6 e 7 anos. Elas desapareceram e ninguém
 sabia onde estavam.

Clotilde recorda que, ainda que sua casa estivesse cheia
de gente naquela noite de incerteza pela ausência da sua
filha Sofia, ela sentiu uma intensa necessidade de refugiar-se
 no Espírito Santo. Sem hesitar, foi até o banheiro,
 ajoelhou-se e rezou: “Prepara-me, Senhor, dá-me
 forças para enfrentar o que vier”.

“Hoje, vejo que o Senhor já havia me preparado
desde antes, porque fiquei tranquila e serena”, explica, na
 entrevista concedida ao jornal Portaluz.

A fé provada na cruz

Nesta oração elevada ao seu “paizinho Deus”, como ela
 costuma chamá-lo, não havia somente abandono e confiança.
 Quase percebendo o que sua filhinha poderia estar
vivendo naquele momento, Clotilde recorda que sua
oração suplicante continuou: “Senhor, não permitas
 que a Sofia sofra! Que ela passe por qualquer coisa,
 mas que não sofra!”.

No dia seguinte, Clotilde foi até a polícia para registrar
 uma denúncia formal. Mas, ao chegar lá, sua intuição
 materna da noite anterior se transformou em certeza:
haviam encontrado os corpos de duas meninas.
Eram Sofia e Camila.

“Eu não quis vê-la – conta. Foi meu marido quem teve
 de passar por esse momento. A imprensa me perguntava
 se eu havia visto o corpo, mas eu não quis; fiquei com
 a imagem alegre e carinhosa da Sofia. Minha filha era
 assim e é assim que eu quero me lembrar dela.”

O relatório da autópsia da Sofia foi uma prova de que
 Deus havia escutado aquela súplica de Clotilde: “Todas
 as atrocidades que o assassino fez à minha Sofia foram post mortemDeus protegeu a minhafilha da maldade terrenal
 e isso é algo pelo qual não deixo de agradecer-lhe”.

Testemunha e apóstolo do perdão

Foi de tal magnitude o impacto emocional do aberrante
 sequestro, assassinato e estupro das duas meninas na
 comunidade, que rapidamente começaram a chamar
o perpetrador de “O chacal da Isla Teja”. Mas no
coração de Clotilde não havia espaço para o ódio nem
para os apelidos maldosos. “Eu queria mostrar-lhe o
 caminho de Jesus”, conta ela.

Foi assim que, no meio do processo judicial, Clotilde
 tomou uma decisão que poucas mães tomariam nesta
 situação. Ela conversou com o seu pároco, o
Pe. Ivo Brasseur, pedindo-lhe seu apoio e ajuda para
 visitar o assassino na prisão.

“Eu queria vê-lo, olhar para os olhos dele e entregar-lhe
 o Novo Testamento... o que era da Sofia. Dizer-lhe que
 ela o lia e que eu o dava a ele para que também lesse,
porque agora ele teria muito tempo para conhecer Deus.
E também queria que ele aprendesse a orar, para pedir
 por todas aquelas pessoas que têm a intenção de fazer
 esta maldade. Este era o meu desejo.”

Clotilde não pôde ver a vida de fé do assassino, porque,
oito meses depois de ser preso, ele se suicidou.

No dia em que a comunidade se reuniu no cemitério
para enterrar as meninas – comenta Clotilde –, as pessoas
 estavam agitadas e começaram a gritar: “Que matem o
 assassino!”. Ela, não conseguindo suportar aquele
espetáculo, pegou um microfone que estava disponível
 no local do velório e, dirigindo-se à multidão, disse:

“Eu não quero que o matem, não se deve fazer isso! O
que conseguiríamos com a morte desse homem?”
“Não me lembro de tudo o que eu disse – conta, 
emocionada –, mas falei muitas coisas, e só 
depois percebi que foi o Senhor quem me fez 
falar; Ele me fez levantar e falar às pessoas.”

O triunfo do amor sobre o mal

Naquele dia, toda a comunidade de Isla Teja havia
 se reunido e, para Clotilde, isso era um sinal do 
amor de Deus e também uma oportunidade 
de proclamá-lo.

“Chegaram pessoas de diferentes religiões; era 
como um templo maravilhoso orando a Deus, 
pessoas unidas em uma fé. Quando me abraçavam,
 eu podia sentir, em cada abraço, como o Senhor
 me tirava da dor, e eu me apeguei mais ainda
 a Cristo, pois Ele ia mitigando essa dor em
 cada abraço das pessoas, era algo maravilhoso.”

“Também nunca precisei tomar calmantes, 
não quis. Eu estava com Deus e ele estava 
comigo.”

Pode dar seu testemunho anos após o ocorrido 
é, para Clotilde, uma oportunidade que completa
o dar razão da sua fé: “Deus criou em mim um 
coração sem rancor, sem ódio pelas pessoas. 
Eu sou uma filha de Deus e quero agir conforme
 o Senhor, não como as pessoas. Ele nos diz
 que precisamos ser como crianças e recebê-lo.
 Quando a pessoa ama de verdade, com o 
coração, quando abre o coração a Jesus, 
Deus lhe abre as portas, seus olhos brilham 
de outro jeito. Mas quando a pessoa está cega, 
ainda que tenha ao seu lado a flor mais linda 
do mundo, ela não a enxergará”, conclui.

Clotilde, firme na fé, hoje só recorda a alegria
 da sua filha. Vive em paz e com esperança. 
“Minha Sofia está comigo e um dia eu estarei com ela.”

(Artigo publicado originalmente por Portaluz)

O Paquistão é um atraso em termos de direitos da mulher.

Farzana Parveen foi atacada por cerca de 20 familiares após ter se casado com Mohammad Iqbal; ela estava grávida, diz policial

Uma paquistanesa grávida foi apedrejada até a morte pela própria família por se casar com o homem que amava nesta terça-feira (27), de acordo com a polícia.
Reuters
Mohammad Iqbal senta ao lado do corpo da mulher, Farzana, morta pela própria família, em ambulância do lado de fora de um necrotério em Lahore, Paquistão

Aproximadamente 20 parentes de Farzana Parveen, 25, incluindo seus pais e irmãos, a atacaram com bastões e tijolos em plena luz do dia diante de uma multidão de curiosos em frente ao Tribunal Superior de Lahore, disse o investigador de polícia Rana Mujahid.
De acordo com Mujahid, o pai da mulher foi preso por homicídio. Os oficiais agora investigam se outras pessoas participaram do crime hediondo que chocou o país.
Segundo o advogado Mustafa Kharal, o marido de Farzana, Mohammad Iqbal, 45, foi surpreendido pelos parentes da mulher que a aguardavam do lado de fora do tribunal. Enquanto o casal caminhou até o portão principal, parentes da vítima começaram a disparar tiros para o ar e tentaram arrancá-la dos braços de Iqbal. Ao resistir, a paquistanesa começou a ser golpeada pelo pai, irmãos e outros parentes com tijolos, pedaços de pau e outros materiais encontrados em uma construção.
"Nós estávamos apaixonados", disse Iqbal à Associated Press. O paquistanês alegou que a família da mulher queria saber sobre seus bens antes de consentir o casamento. “Eu simplesmente a levei a um cartório e registrei o casamento, enfurecendo sua família”, explicou Iqbal.
O pai de Parveen se rendeu após o incidente e chamou o assassinato de um "crime de honra". Centenas de mulheres são mortas todos os anos no Paquistão - onde grande parte da população é muçulmana - pelos chamados "crimes de honra".
Veja métodos cruéis históricos praticados até hoje no mundo
Apedrejamento: mesmo sem estar no Alcorão, pena é usada por alguns países muçulmanos para punir adultério e conspiração. Foto: Reprodução/Youtube
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Nesses casos, o assassinato é cometido por maridos ou parentes como punição por um suposto adultério ou outro comportamento sexual ilícito, mas apedrejamento público é extremamente raro.
Casamentos arranjados são uma norma entre os paquistaneses conservadores, que veem o casamento por amor como uma transgressão. A Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, um grupo privado, informou, por meio de relatório no mês passado, que cerca de 869 mulheres foram assassinadas em crimes de honra em 2013. Mas até mesmo os paquistaneses que monitoram esse tipo de violência expressaram choque com a natureza brutal e pública do crime cometido nesta terça.
"Eu nunca ouvi falar de nenhum caso onde a mulher tenha sido apedrejada até a morte, e a coisa mais vergonhosa e preocupante é que essa mulher foi morta na frente de um tribunal", disse Zia Awan, advogado e ativista dos direitos humanos.
Ele explica que os paquistaneses que cometem violência contra as mulheres são muitas vezes absolvidos ou entregues a penas leves por causa do descaso no trabalho policial ou falhas jurídicas.
"Se a família não perseguir esses casos, a polícia não vai investigar de maneira adequada. Como resultado, os tribunais aplicam penas leves para os criminosos ou até mesmo os absolve", disse ele.
O advogado explica que Iqbal começou a ver Parveen após a morte de sua primeira mulher, com quem teve cinco filhos. Ele também confirmou que Farzana estava grávida de três meses.
Segundo Mujahid, o pai da paquistanesa morta disse que "Eu matei a minha filha porque ela havia insultado toda a nossa família ao se casar com um homem sem o nosso consentimento, e não tenho nenhum pesar sobre isso". Mujahid disse o corpo da mulher foi entregue a seu marido para o enterro.
*Com USA Today e Fox News

terça-feira, 27 de maio de 2014

O padre jesuíta Paolo Dall'Oglio pode ter sido assassinado na Síria em 2013

Segundo o site TahrirSy, especializado na cobertura da guerra síria, o jesuíta teria sido assassinado pelo grupo fundamentalista ISIS
Por Redacao
27 de Maio de 2014 (Zenit.org) - O site TahrirSy, que acompanha a guerra síria publicando informações em árabe e em inglês, lançou ontem a notícia de que o padre jesuíta Paolo Dall'Oglio teria sido morto em 29 de julho de 2013, pelas mãos de um membro do grupo fundamentalista muçulmano Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, na sigla em inglês). A notícia ainda não teve nenhuma confirmação independente.
A morte do sacerdote desaparecido teria acontecido "duas horas depois do seu sequestro na cidade fronteiriça de Raqqa, uma da fortalezas das milícias internacionais fundamentalistas que alimentam a guerra contra o governo sírio".
A morte do padre Dall'Oglio teria sido confirmada pelo testemunho de um cidadão sírio que disse ter assistido à execução do jesuíta e se mantido em silêncio até agora por medo de represálias.
O responsável pelo homicídio seria Kassab Jazrawi, um dos líderes fundamentalistas, de nacionalidade saudita, com a ajuda de outro terrorista saudita, Khaled AlDzroa. O assassinato, cometido na região de Mansoura, teria sido mediante enforcamento. As informações do site também dizem que o corpo do padre teria sido escondido em um buraco.
Segundo o site TahrirSy, especializado na cobertura da guerra síria, o jesuíta teria sido assassinado pelo grupo fundamentalista ISIS
Por Redacao

Sudão: Meriam, a acusada de apostasia dá à luz atrás das grades

A mulher cristã sudanesa, condenada a cem chibatadas e à morte por apostasia e adultério tinha sido acorrentada durante a gravidez
Por Redacao
 27 de Maio de 2014 (Zenit.org) - Apesar das precárias condições de saúde denunciadas pelo seu marido, Meriam Yahya Ibrahim deu à luz na enfermaria da prisão a uma filha, seu segundo filho. Isto foi explicado pelos seus advogados no jornal Telegraph. A jovem sudanesa de 27 anos, foi detida no mês de fevereiro desse ano, condenada à cem chibatadas por adultério e à forca por não renunciar à sua fé cristã.
Seus advogados pediram que Meriam possa ser visitada por um médico de confiança. Nos últimos dias, o seu marido, Daniel Wani, havia explicado que a mulher estava acorrentada, apesar da gravidez.
Sua sentença de morte foi imposta no passado 15 de maio por um juiz que não reconheceu seu matrimônio com um homem cristão. O tribunal baseou-se na interpretação da Sharia, a lei introduzida no Sudão em 1983, que proíbe uma muçulmana de casar-se com um muçulmano (enquanto que, pelo contrário, sim é consentido). Meriam foi criada somente pela sua mãe, na fé cristã, já que o pai – que sim era muçulmano – não esteve presente durante a sua infância.
Na semana passada, a organização sem fins lucrativos Justice Centre Sudan, que está cuidando dos gastos legais de Meriam, manifestou a suspeita de que poderia ter uma motivação puramente econômica por trás da denúncia. “Achamos que os familiares apresentaram a denúncia porque querem tomar o controle dos seus negócios”, indicou. “Se Meriam fica na prisão poderia perder tudo e os parentes seriam os primeiros a beneficiar-se”, explicaram. (Trad.TS)