quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Jesus realmente nasceu no dia 25 de dezembro?

Natividade

Alguns estudos do século passado mostram que a data do Natal não é apenas um símbolo


O Natal cristão sempre foi celebrado dia 25 de dezembro. Apesar disso, 
ao longo do tempo, muitas vozes questionaram a historicidade dessa 
data. O argumento é que nos tempos antigos simplesmente substituíram
 uma celebração pagã por uma memória cristã. Evidentemente, essa 
posição tem gerado em alguns fiéis certa confusão e o desejo de 
esclarecer a questão. Portanto, menos de quarenta e oito horas antes
 do Natal, fizemos algumas perguntas para um historiador da igreja, 
o Professor. Pier Luigi Guiducci. Confira as respostas:
Prof. Guiducci, de onde vem o questionamento relacionado 
ao 25 ​​de dezembro?
De acordo com uma tese generalizada, a celebração do Natal do Senhor,
 na primeira metade do século IV teria sido criada pela Igreja de Roma no
 dia 25 de dezembro para combater uma festa pagã, a Dies natalis Solis invicti
 (o deus Mitra?). Esta ocorrência foi fixada por ocasião do solstício de inverno 
(21-22 de dezembro), quando o sol ilumina uma extensão maior no 
hemisfério sul. Assim, no âmbito cristão, voltando nove meses, 
estabeleceu-se no dia 25 de março a celebração do anúncio do 
anjo a Maria (e sua Imaculada Conceição). Consequentemente, seis
 meses antes do nascimento do Senhor, foi incluída também a memória
 do nascimento de João Batista. O Ocidente cristão não celebrava o 
anúncio a Zacarias do nascimento de João Batista. Pelo contrário, o 
anúncio era comemorado no Oriente sírio no primeiro domingo do
 "Tempo do Anúncio (Subarâ)", que incluía (nos domingos sucessivos) 
a Anunciação à Virgem Maria, a visitação, o nascimento de João Batista, 
o anúncio a José, a genealogia do Senhor segundo o evangelista 
Mateus. O Oriente bizantino celebrava dia 23 de setembro também 
o anúncio a Zacarias. Eram quatro datas sucessivas: 1] o anúncio 
a Zacarias, 2] seis meses após a Anunciação a Maria, 3] respectivamente
 nove e três meses após as duas primeiras datas, o nascimento de
 João Batista, e 4] respectivamente seis meses após essa última 
data, e, naturalmente, nove meses após a Anunciação, o
 Nascimento do Senhor.
O Natal continua a ser uma referência...
O nascimento do Senhor foi fixado no dia 25 de dezembro. Assim,
 foram estabelecidas as festas da Anunciação (nove meses antes),
 e do nascimento de João Batista (seis meses antes). Os historiadores
 e liturgistas manifestaram dúvidas sobre esta abordagem. Tudo está
 ligado a um problema: nos séculos II-IV estabeleceu-se várias datas
 (derivadas de cálculos astronômicos ou ideias teológicas), mas 
uma data "histórica" ​​não existia.
Particular atenção ao Evangelho de Lucas ...
Sim. Lucas estava atento a certos aspectos históricos. Ele cita, por
 exemplo, o decreto de César Augusto. Refere-se ao censo de 
Quirino (7-6 aC), durante o qual acontece o nascimento do Senhor.
 Recorda o ano XV de Tibério César (cerca de 27-28 dC), para 
indicar o início da pregação de João Batista. Ele observa que "Jesus,
 quando começou o seu ministério, tinha cerca de 30 anos" (Lc 3,23).
 Segundo seu relato, o anjo Gabriel, seis meses antes da Anunciação
 a Maria (Lc 1,26-38), na conclusão da solene celebração do sacrifício
 diário, anunciou no santuário ao sacerdote idoso Zacarias que sua 
esposa, estéril e idosa, Isabel, havia concebido um filho, destinado a 
preparar um povo para aquele que estava por vir (Lc 1,5-25). Lucas 
destaca que Zacarias pertencia à "classe [sacerdotal] de Abias" 
(Lc 1,5), e a aparição de Gabriel enquanto "exercia a função de 
sacerdote na ordem de sua classe" (Lc 1,8).
Lucas apresenta duas figuras ...
Sim. A primeira é que no santuário de Jerusalém, os sacerdotes eram
 divididos em classes. Estando empenhadas em 24 turnos 
(1Cr 24,1-7.19). Essas "classes", revezavam-se na ordem, porque
 deveriam prestar serviço litúrgico por uma semana, “de sábado a 
sábado", duas vezes ao ano. As classes sacerdotais, até a destruição
 do Templo (70 d.C), de acordo com o texto da Septuaginta, eram
 determinadas por sorteio, conforme segue: I) Iarib; II) Ideia; III)
 Charim; IV) Seorim; V) Mechia; VI) Miamim; VII) Kos; VIII) Abia; IX)
 Joshua; X) Senechia; XI) Eliasibe; XII) Iakim; XIII) Occhoffa; XIV) 
Isbosete; XV) belga; XVI) Emmer; XVII) Chezir; XVIII) Afessi; XIX)
 Fetaia; XX) Ezekil; XXI) Jaquim; XXII) Gamoul; XXIII) Dalaia; XXIV)
 Maasai.
E o segundo fato?
É que Zacarias pertencia ao "turno de Abia", o oitavo. Lucas escreve
 quando o templo ainda está em atividade, portanto, todos conheciam
 as suas funções. O problema é que o evangelista não anota "quando"
 estava prestando serviço no "turno de Abias". Ele não diz em qual dos
 dois turnos anuais Zacarias recebe o anúncio do anjo no santuário. 
Parece que ao longo dos séculos ninguém cuidou para trazer de volta
 esta memória. Não há pesquisa sobre isso. Em 1953 ocorre um 
fato novo.
Qual fato novo?
Uma estudiosa francesa Annie Jaubert, publicou um artigo intitulado: 
Le calendrier des Jubilees et de la secte de Qumran. Ses origines 
bibliques [em "Vetus Testamentum", suppl. 3, 1953, pp. 250-264].
 Esta especialista estudou o calendário do Livro de Jubilees. 
Trata-se de um apócrifo hebraico (final do século II a.C.). 
Numerosos fragmentos de texto de tal calendário (encontrados nas 
cavernas de Qumran) demonstram não só que foi realizado pelos 
Essênios, mas que ainda estava em uso. Tal calendário é solar, não 
dá nomes aos meses, mas indica o número de sucessão. 
A pesquisadora havia publicado outros artigos sobre este tema
 [ver. até mesmo seu calendário voz de Qumran, na "Enciclopédia
 da Bíblia" 2 (1969), pp. 35-38]. Em uma monografia, La date de la 
Cène, Calendrier biblique et liturgie chrétienne ("Etudes Bibliques", 
Paris 1957), reconstruiu a sequência de eventos da Semana Santa, 
identificando de forma convincente a terça-feira e não a quinta-feira, 
a data da Ceia do Senhor. Neste ponto, intervém outro estudioso.
Qual?
Shemarjahu de Talmon. Ele era um especialista da Universidade 
Hebraica de Jerusalém. Havia trabalhado nos documentos de Qumran
 e no calendário dos jubileus. Foi capaz de precisar o desenrolar 
semanal da ordem de 24 turnos sacerdotais no Templo, no tempo
 de Jesus.
Quais são os dados importantes?
Os resultados de Talmon foram publicados no artigo ‘The Calendar 
Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead 
Sea Scrolls’ (em "Scripta Hierosolymitana", vol. IV, Jerusalém 1958, 
pp. 162-199). A lista que o estudioso reconstruiu indica que o ‘turno
 de Abia (Ab-Jah)’, acontecia assim: a primeira vez, do dia 8 ao dia 
14 do terceiro mês do calendário e a segunda vez de 24 a 30 do oitavo
 mês do calendário. Então, de acordo com o calendário solar (não lunar,
 como o calendário judaico atual), esta segunda vez é mais ou menos
 a última semana de setembro.
Trata-se de uma contribuição fundamental?
Sim. Tal como referido no artigo de Antonio Ammassari ‘Alle origini 
del calendario natalizio’[em "Euntes Docete" 45 (1992) pp. 11-16], 
Lucas, com a indicação do "turno de Abia", remonta a uma tradição 
judaico-cristã de Jerusalém, que fornece a possibilidade de rastrear
 algumas datas históricas.
É possível encontrar as datas na história?
Sim. O rito bizantino, a partir de 23 de setembro, comemora o 
anúncio a Zacarias e conserva uma determinada data histórica, quase
 exata (talvez com variação de um ou dois dias). A principal datação 
histórica sobre a vida do Senhor está centrada no evento-chave: a
 Ressurreição que aconteceu na madrugada de domingo, 9 de abril 
do ano 30 d. C., data astronômica certa, portanto, a sua morte ocorreu
 às 15 horas da sexta-feira, 7 de abril de 30. De acordo com os dados
 obtidos a partir do inquérito mencionado acima, define-se a partir 
daqui outras datas históricas.
Quais datas históricas?
O ciclo de João Batista tem a data histórica precisa (aproximadamente)
 em 24 de setembro do nosso calendário gregoriano do ano 7-6 a.C. 
para o anúncio divino a Zacarias. No cálculo atual, seria outono de
 1 a.C, mas sabemos que a partir do século VI houve um erro de cerca de
 seis ou cinco anos da data real do ano do nascimento do Senhor. 
O nascimento de João Batista nove meses depois (Lc 1,57-66),
 (aproximadamente) em 24 de junho, é uma data histórica. Assim, no 
ciclo de Cristo (que Lucas desenvolve paralelamente ao de Batista), 
a Anunciação a Maria "no sexto mês" depois da concepção de Isabel 
(Lc 1,28) resulta como outra data histórica.
Celebrar o nascimento do Senhor dia 25 de dezembro, 
portanto, tem evidência histórica?
Exatamente. Podemos dizer que é uma data histórica o nascimento 
do Senhor a 25 de dezembro, 15 meses após o anúncio a Zacarias,
 nove meses após a Anunciação a Maria, seis meses após o 
nascimento de João Batista. A circuncisão, oito dias após seu 
nascimento, é uma data histórica. Então, quarenta dias após o 
nascimento, dia 2 de fevereiro, a "apresentação" do Senhor no
 Templo, é uma data histórica.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O milagre de Madre Teresa, contado por um dos médicos especialistas

Blessed Mother Teresa of Calcutta (1910 – 1997), photo taken in 1985

O prof. Carlo Jovine, membro do Conselho Médico nomeado pelo Vaticano, explica 
a incrível cura de um engenheiro brasileiro por 
intercessão da futura santa

"A minha experiência profissional colocou-me várias vezes diante de 
eventos difíceis de explicar de uma perspectiva científica, mas o que 
aconteceu em 2008, com um engenheiro brasileiro, é realmente
 incrível...". São as palavras do Professor. Carlo Jovine, perito oficial 
da Congregação para as Causas dos Santos, neurologista principal 
do hospital São João Batista da Ordem de Malta.
O prof. Jovine participou da Junta Médica designada pelo Vaticano 
para analisar, de uma perspectiva científica, a cura extraordinária de 
Marcilio Haddad Andrino, engenheiro mecânico nascido em Santos,
 perto de São Paulo, por intercessão de Madre Teresa de Calcutá. 
O milagre pelo qual o Papa Francisco autorizou a Congregação a 
promulgar o decreto dando o  sinal verde para a canonização.
Em dezembro de 2008, aos 35 anos, o engenheiro Andrino foi
 hospitalizado com urgência. Tinha ficado doente de repente e 
apresentava graves distúrbios neurológicos. Os testes especializados
 tinham mostrado a presença de oito abcessos cerebrais, oito seja, 
oito pontos com infecção na área do cérebro.
Diz o Prof. Jovine que o abcesso cerebral é uma área purulenta na 
génese bacteriana ou viral, que determina a destruição dos tecidos
 e a produção de pus no interior do cérebro. Após a internação de 
emergência, a ressonância confirmou a gravidade da patologia. 
O paciente entrou em coma e, depois de alguns dias, apareceu também
 uma hidrocefalia obstrutiva, ou seja, uma obstrução do líquido do cérebro, 
que determinou um quadro de hipertensão intracraniana.
A situação era tão grave que o cirurgião, prof. Cabral, na presença de
 um quadro clínico de deterioração progressiva, com o risco de morte 
iminente, decidiu submeter o homem a uma cirurgia de emergência. 
Mas foi neste momento que aconteceu uma série de eventos inexplicáveis.
O paciente, levado à sala de cirurgia em condições de coma, de repente
 abriu os olhos e, para o espanto dos presentes, perguntou por que
estava lá. O prof. Cabral, recuperado do choque e constatando a plena
 consciência do paciente, decidiu não fazer a cirurgia e esperar para 
realizar imediatamente uma tomografia computadorizada imediato do 
cérebro para entender o que estava acontecendo. O exame revelou 
uma mudança radical do quadro patológico pré-existente, com o 
desaparecimento da hidrocefalia e a redução de 70% dos abscessos
 cerebrais.
Dentro de alguns dias, as condições de Andrino melhoraram a tal 
ponto que o prof. Cabral, constantando as perfeitas condições clínicas
 e neurológicas, decidiu dar alta para o paciente certificando a ausência
 de qualquer sinal das alterações anteriores. Não havia nenhum sinal 
nem dos abcessos cerebrais nem da hidrocefalia. Mas a coisa mais 
surpreendente era que o paciente não apresentava nenhuma sequela 
da grave doença que o atingiu. No prazo de alguns dias – do 13 de 
dezembro, data da prevista cirurgia programa, ao 23 de dezembro, data
 que recebeu alta do hospital – o engenheiro tinha ficado curado de 
maneira definitiva e total.
Marcilio Haddad Andrino atualmente dirige, trabalha, tem dois filhos, é 
totalmente autônomo e, especialmente, não apresenta nenhuma sequela
 negativa. Uma cura que, em relação à gravidade, o processo e as 
graves consequências associadas, difere de uma forma inexplicável 
do desenvolvimento normal da doença, bem como do conhecimento 
da ciência médica.
Deve-se enfatizar que, mesmo no caso hipotético de uma eventual 
recuperação, essa deveria ter passado por uma cirurgia (que não aconteceu), teria um curso lento e, em qualquer caso, teria dado alguns resultados. Mas, pelo contrário, a cura ocorreu espontaneamente, sem qualquer intervenção médica.
"Não há precedente - explica Jovine. De um só abscesso cerebral é 
possível curar-se, mas com oito abscessos cerebrais e uma hidrocefalia
 aguda, a percentagem de morte é praticamente de 100%. A partir 
desta cadeia de eventos e dos exames clínicos, especialistas e peritos, 
concluímos necessariamente que estamos lidando com um evento 
cientificamente inexplicável, acontecido de modo resolutivo, imediato, 
duradouro e total. E isso, para a Igreja, equivale a um milagre”.
Um milagre que, pela forma com que se manifestou, leva à intercessão 
de Madre Teresa, a célebre freira albanesa, fundadora das Missionárias
da Caridade, protetora dos “últimos”, que viveu e morreu em odor de 
santidade, confirmando, com a sua vida exemplar, a “vox Populi” que, 
já em vida, a proclamava santa.
Mas qual é a ligação entre Madre Teresa e a cura inexplicável de 
Marcilio Haddad Andrino? A esposa do engenheiro brasileiro, Fernanda, 
enquanto as condições de seu marido estavam em deterioração 
dramática, foi ao padre Elmiran Ferreira, pároco da igreja de Nossa 
Senhora de Aparecida, São Vicente. O pároco estava para celebrar 
uma Missa de comemoração com as Missionárias da Caridade. 
O sacerdote ouviu o acontecido e procurou consolar Fernanda; 
entregou-lhe um folheto de novenas e lhe disse para continuar a 
rezar pedindo a intercessão da Beata.
A situação estava precipitando. Assim, na tarde da primeira cirurgia, 
Pe. Ferreira foi ao hospital junto com a mulher. Juntos recitaram as
 orações e administrou a Marcílio o sacramento da extrema unção. 
Depois disso, junto com Fernanda, colocou ao lado da cabeça do 
homem um santinho e uma relíquia de Madre Teresa. Em pouco 
tempo manifestou-se a cura extraordinária.
O Prof. Jovine salientou que, embora ele já seja um crente, quando 
executa tarefas periciais deste tipo e responsabilidade, tende 
deliberadamente a afastar qualquer sugestão para se concentrar 
exclusivamente sobre a objetividade científica do caso examinado. 
Por isso, foi em 2011, quando analisou a cura de Irmã Normand que
 foi a causa da beatificação de Karol Wojtyla, e assim foi hoje para 
a cura do engenheiro. Andrino, da qual surgirá a canonização da 
Madre Teresa.
E a conclusão é que a objetividade da análise, com base em provas 
médicas e documentos, confirma que a cura do  engenheiro Andrino 
é absolutamente inexplicável do ponto de vista científico. Estamos, 
portanto, na presença de um evento incrível que tem proporcionado 
mais uma prova da santidade de Madre Teresa.


ORGÂNICO



Meu peito
tem a profundidade
de uma lança
retém as dores
do mundo

Meus ombros
suportam
estruturas
descomunais, 
umbrais
clássicos das
conquistas
da Humanidade.

Meus lábios
recitam e beijam
beijam e recitam,
nunca concluem.

Minhas mãos
tateiam o mundo
cegas de perita
sensibilidade.

Meus pensamentos
seguem
uma desordem
elucidativa,
um desdém
de formas
e distâncias,
permanentemente
surpresos.

Os pés
tornaram-se
insensíveis
calejados;
seguem trilhas
perdidas
atrás da realização
de um tesouro
já descoberto.

O coração,
taquicárdico,
tem alegria
singular
e diferenciada;
Inexplicável,
transcendente.

Separados
em tudo,
permanecem,
no entanto,
juntos;
orgânicos
encontram
movimentos
comuns,
chama
de vida.

João Paulo Naves Fernandes.
21/12/2015

2015, O ANO EM QUE DERROTAMOS O GOLPE

Texto do escritor ativista político cláudio daniel


SEGUNDA-FEIRA, 21 DE DEZEMBRO DE 2015



 










A sociedade brasileira viveu em 2015 uma intensa disputa política entre dois projetos de poder: o da presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), reeleita em eleições livres e democráticas no ano anterior, e o da oposição golpista, liderada pelos grandes meios de comunicação, empresários, setores conservadores da classe média e partidos como o PSDB, PPS e DEM, derrotados nas urnas e até hoje inconformados com o repúdio da população ao seu candidato, Aécio Neves.

Antes mesmo de a presidenta tomar posse, para dar continuidade a um ciclo de doze anos de governos democráticos e populares iniciados em 2002 com a vitória do ex-líder operário brasileiro Luís Inácio Lula da Silva (PT), a oposição golpista tentou impedir a sua posse, realizando marchas fascistas pedindo a volta da ditadura militar e usando diferentes artimanhas para impedir que ela assumisse o novo mandato, ora pedindo a recontagem dos votos, que teriam sido “manipulados” pelas urnas eletrônicas (!!!), ora questionando as contas da campanha e o orçamento do ano anterior para impedir a sua diplomação, sem nenhuma base legal. Atualmente, o pretexto usado pela oposição é a política fiscal do governo federal – as chamadas “pedaladas” – também praticada por governos anteriores e nunca questionada.

Dilma Rousseff tem uma biografia limpa, ao contrário de seus adversários: lutou na resistência contra a ditadura militar, como guerrilheira, não enriqueceu, não tem contas na Suíça (como Eduardo Cunha), nem casas em Paris (como FHC), nem sonegou o imposto de renda, como os seus principais opositores. Ela obteve 54 milhões de votos nas urnas e é apoiada por partidos de esquerda e centro-esquerda como PT, PDT e PCdoB, pelos principais movimentos sociais brasileiros, como as centrais sindicais CUT e CTB, o Movimento dos trabalhadores sem terras (MST) e sem moradia (MTST), entidades estudantis (UNE, UBES, UJS), de mulheres (UBM), negros (Unegro), entre outras, e por intelectuais, escritores e artistas como Antonio Candido, Alfredo Bosi, Augusto de Campos, Marilena Chauí, Chico Buarque de Hollanda, Fernando Moraes, Marieta Severo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Schwartz.

Seus opositores têm apoio da Rede Globo, revista VEJA, jornaisFolha de S. Paulo e Estado de S. Paulo (que também promoveram o golpe de 1964 e apoiaram o regime militar), da FIESP, entidade dos grandes empresários, da maioria conservadora na Câmara dos Deputados, presidida por Eduardo Cunha (PMDB), processado por corrupção, e de grupos abertamente de extrema-direita, financiados pelos Estados Unidos, como Revoltados On Line, Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre, protagonizados por personagens oriundos da ditadura militar, como o ex-capitão Jair Bolosonaro, com passado de tortura, estupro e assassinatos.

Apesar da intensa campanha de difamação de Dilma, Lula e do Partido dos Trabalhadores na mídia, que acontece todos os dias (não se trata de jornalismo, mas de difamação, calúnia e propaganda política explícita em favor do partido PSDB, que representa a direita no Brasil), no dia 16 de dezembro foi realizada uma passeata com mais de cem mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, em apoio à presidenta, além de dezenas de milhares que se reuniram em outras capitais e cidades brasileiras. Para efeito de comparação, a última passeata pró-impeachment, realizada na mesma Avenida Paulista, reuniu de 28 mil a 40 mil fascistas.

Juristas de diferentes posições ideológicas como Claudio Lembro, Fábio Konder Comparato, Dalmo de Abreu Dallari, declararam a inconstitucionalidade do pedido de impeachment – na verdade, golpe de estado --, também repudiado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na última semana, graças à defesa que a sociedade civil fez do mandato legítimo de Dilma Rousseff e da manutenção da democracia e do estado de direito no país, o Supremo Tribunal Federal mudou o rito do impeachment definido pela Câmara dos Deputados, de modo que o tema seja discutido e votado em respeito à Constituição, sem as manobras golpistas que garantiriam a execução do golpe de estado.

Mesmo que a Câmara aprove o impeachment, o que hoje é muito mais difícil, graças ao entendimento do STF, poderá ser facilmente derrotado no Senado, cujo presidente, Renan Calheiros, já se manifestou contra o afastamento da presidenta. Esta é uma grande vitória da democracia no Brasil e motivo de orgulho para a bancada, militância e eleitores do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), cuja deputada Jandira Feghali foi responsável pela ação junto ao STF que praticamente enterrou o golpe de estado no país.

O que representa, afinal, essa disputa política?

A oposição de direita apresenta os mesmos “argumentos” já utilizados em 1964 no golpe civil-militar que derrubou o presidente João Goulart: corrupção e ameaça comunista. Curiosamente, essa mesma oposição nunca denunciou a compra de votos no Congresso para a reeeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que pagou R$ 200 mil para cada deputado e senador que votassem a favor da reeleição, assim como nunca se revoltaram com as propinas recebidas por FHC e José Serra (também do PSDB) durante a chamada Privataria Tucana – privatizações irregulares de empresas estatais lucrativas brasileiras a preço de banana, como a Companhia Vale do Rio Doce, cujo valor de mercado era de R$ 100 bilhões na época e que foi vendida por apenas R$ 3 bilhões (os valores recebidos pelos tucanos, depositados em paraísos fiscais, é fato documentado no livro “Privataria Tucana”, de Amaury Jr., mas nunca foi investigado ou punido).

A indignação seletiva da direita brasileira também aceita o chamado “mensalão mineiro” de Aécio Neves, o tráfico de drogas dirigido por um senador próximo ao PSDB – um helicóptero com 450 kg de cocaína foi apreendido, mas seu proprietário até hoje encontra-se em completa liberdade --, e ainda os escândalos de corrupção que envolvem o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) no estado de São Paulo, especialmente nas empresas de metrô e de abastecimento de água. Dilma Rousseff, ao contrário, deu completa liberdade à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Procurador Geral da República para que todos os escândalos de corrupção, dentro e fora de seu governo, sejam investigados e os responsáveis, punidos – o que JAMAIS aconteceu nos oito anos de desgoverno de FHC, que engavetou todos os processos e denúncias que envolviam, já em seu mandato, a Petrobrás.

A corrupção, portanto, é apenas um pretexto para a direita, não uma questão de princípio. Em 2015, inclusive, revelou-se que grandes empresários brasileiros – os mesmos que apoiam o golpe de estado –  sonegaram imposto de renda e depositaram bilhões de dólares irregularmente em contas no exterior (confiram emhttp://www.brasildefato.com.br/node/33330 e emhttp://transfersan.com.br/portal/itau-bradesco-vale-500-empresas-devem-r-392-bilhoes-a-uniao/). Apenas três empresas – os bancos Itaú, Bradesco e Vale do Rio Doce – devem R$ 392 bilhões à União, sem que isso seja amplamente denunciado na mídia golpista. Entre as empresas sonegadoras e com depósitos em paraísos fiscais estão, é claro, grandes jornais e emissoras de televisão.

Quanto ao suposto “comunismo” de Dilma Rousseff, ele se traduz em políticas de inclusão social que, pela primeira vez na história do país, favoreceram os mais pobres, os negros e as mulheres – 32 milhões de brasileiros saíram da miséria em doze anos e o país foi retirado do mapa da fome pela ONU, graças a programas como o Bolsa-Família, elogiado nos EUA por Hillary Clinton e adotado, posteriormente, na Suíça e no Japão. Dilma e Lula construíram 12 universidades federais (FHC, nenhuma) e mais de 400 escolas técnicas (FHC, menos de 20). No primeiro mandato de Dilma, foi aprovado que 10% do PIB e 75% dos roylaties do petróleo sejam investidos na educação (e os demais 25% na saúde). O programa Mais Médicos contratou mais 18 mil profissionais da saúde brasileiros e estrangeiros para atenderem a cerca de 50 milhões de brasileiros nas regiões mais pobres do país (claro, sendo duramente atacado pela elite médica brasileira, cuja origem social é a burguesia, que tem nojo de pobres, negros e nordestinos e recusa-se a trabalhar em tais áreas).

Dilma reajustou o salário mínimo acima da inflação (segundo o insuspeito jornal Folha de S. Paulo a vida dos mais pobres melhorou 129% nos últimos 12 anos), preservou a legislação trabalhista, que o PSDB pretende “flexibilizar”, revogando direitos em benefício do acúmulo de mais lucros pelos empresários, e interrompeu o ciclo de privatizações de FHC, mantendo a propriedade estatal da Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outras empresas públicas. O PSDB, por sua vez, tem votado no Congresso Nacional – o mais conservador desde 1964 – a favor de projetos de exclusão social, como os da redução da maioridade penal para 15 anos de idade, o da ampliação da terceirização no mercado de trabalho, o que na prática revoga direitos trabalhistas, pela redução do acesso da mulher ao aborto em hospitais públicos, privatização da Petrobrás e outras empresas públicas, fim do regime de partilha para a exploração do pré-sal, entre outras pautas reacionárias.

O PT não é um partido revolucionário; ele nasceu das lutas operárias e populares no final da década de 1970 contra o regime militar e possuía um programa socialista. Hoje, é uma legenda social-democrata, que se propõe a fazer programas de distribuição de renda, democratização do estado e ampliação dos direitos sociais, mas nem isso a burguesia brasileira, que conserva a ideologia de Casa Grande & Senzala, está disposta a aceitar.

Já o PSDB, nos estados do país que desgoverna, como São Paulo, Goiás e Paraná, tem protagonizado violenta repressão policial a estudantes, professores e movimentos sociais, inclusive com o uso de helicópteros, blindados, tropa de choque, spray pimenta, bombas e balas de borracha. Exercida pela Polícia Militar, criada na época da ditadura, a violência acontece regularmente nos bairros de periferia, contra a juventude negra e pobre. Como se não bastasse a violência contra a juventude, os desgovernos tucanos ainda tentam implementar o projeto de "reorganização" da educação, que na prática significa privatização do ensino, fechamento de centenas de escolas e demissão de professores e funcionários, além do crescimento da evasão escolar. Em São Paulo, os estudantes ocupam mais de 200 escolas e enfrentam a Polícia Militar, aos gritos de "Não tem arrego! Você tira a nossa escola, a gente tira o seu sossego!".
  
Na política internacional, Dilma Rousseff manteve a política iniciada por Lula – integração com a América Latina (MERCOSUL, Celac, Unasul), recusa à participação em uma “zona de livre comércio” com os EUA (antes, ALCA, hoje, Aliança do Pacífico), que arruinaria a indústria nacional, incapaz de concorrer com a norte-americana. Dilma denunciou a agressão imperialista à Líbia, apóia firmemente a causa da criação do Estado da Palestina, denunciando a violência sionista contra o povo palestino, e está entre os arquitetos do novo bloco geopolítico internacional, os BRICs – Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul – que ameaça a hegemonia política e econômica do imperialismo norte-americano.

Já a oposição golpista, liderada pelo PSDB de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aloysio Nunes, Geraldo Alckmin, defende o oposto: redução da importância do MERCOSUL, retorno à OEA (onde os Estados Unidos têm direito e voto e veto), ingresso na Aliança do Pacífico, privatização da Petrobrás, fim do regime de partilha para a exploração do pré-sal e entrega de nossas riquezas para as companhias norte-americanas, tal como FHC fez com a Companhia Vale do Rio Doce. Um Brasil desgovernado pelo PSDB estaria fora dos BRICs e alinhado com os Estados Unidos, a OTAN, Israel, e exerceria um papel de desestabilização dos governos progressistas na América Latina – Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador, Chile, Uruguai.    

Quanto à suposta crise econômica brasileira, é preciso ressaltar alguns pontos: 1) há uma crise econômica internacional iniciada em 2007, nos EUA, quando Obama usou dinheiro público para socorrer os bancos privados, para evitar sua falência. Essa crise teve desdobramentos, nos anos seguintes, na Europa, especialmente na Grécia, Portugal, Espanha, Itália e França (nesse último país, a taxa de desemprego é de 10%; na Espanha, 26%, e na Grécia, 27%). O Brasil, sob os governos de Lula e Dilma, foi pouco atingido por essa crise, que se tornou mais visível a partir de 2014, com o crescimento das taxas de inflação e desemprego.

O que a mídia não diz é que parte da responsabilidade por essa crise é das grandes empresas brasileiras, que demitem milhares de trabalhadores, usando a desculpa da “crise”, para reduzir despesas e concentrar ainda mais o lucro, e dos próprios meios de comunicação, que buscam criar, artificialmente, um sentimento de pessimismo para justificar o afastamento da presidenta. A criminalização pela mídia das grandes construtoras brasileiras, que empregam 500 mil trabalhadores e têm realizado obras de grande porte no país e no exterior, também tem a sua parcela de culpa pela retração da economia (neste caso,  há um reflexo da contradição entre os setores capitalistas produtivos e aqueles vinculados ao capital financeiro e ao rentismo).

A situação econômica brasileira atual nem de longe pode ser comparada com a dos oito anos de mandato de FHC: basta compararmos os números dos dois governos – taxas de desemprego, inflação, PIB, valor do salário mínimo, da cesta básica, da gasolina etc. Com a saída de Levy do Ministério da Fazenda, o país tem todas as condições para retomar uma agenda positiva de desenvolvimento e de ampliação dos investimentos em programas sociais como o Minha Casa Minha Vida, maior projeto de habitação popular já implementado no Brasil, que entregou, até 2014, quatro milhões de moradias.   

Em 2016, com certeza, a disputa política continuará intensa, e os movimentos sociais têm clareza de seus objetivos: defender a democracia, o estado de direito e o mandato legítimo de Dilma Rousseff, defenestrar Eduardo Cunha na presidência da Câmara Federal – ele tem um prontuário criminal suficiente para ser preso – e lutar pela retomada do crescimento econômico, com distribuição de renda e ampliação dos programas sociais para o benefício de toda a sociedade brasileira.

#NãoVaiTerGolpe!

#FascistasNãoPassarão!


Claudio Daniel

Ato em defesa da Democracia

BREVE ANÁLISE GRAFOLÓGICA DA PRESIDENTA DILMA



Um pouco da minha experiência em grafologia para dizer quem é a Presidenta Dilma neste momento, à partir deste pequeno manuscrito( que é insuficiente, mas...):
-Espírito de autossuficiência bem ressaltado. Não é qualquer proposta que é aceita, mas passa por sua aprovação.
-Planejadora, geralmente realiza as atividades do começo ao fim, sem interrupção. Não é de interromper o que faz.
-Debruçada na vida cotidiana com ordem. 
-Bom gosto estético, organizada, espaçosa, voltada para o futuro.
-Mais prática que filosófica.
-Assimilou com alguma flexibilidade diante das circunstâncias.
-Possui natural coerência.
-Seus valores provém mais do passado, mas também estão sendo construídos à partir presente.
-Sensibilidade e ritmo estável de vida.
-Elevada sexualidade.
-Aparentemente saudável, eventualmente algum problema neurológico.
-Dispende energia maior do que a situação necessita, o que pode gerar desgaste e stress.
-Possui opinião própria forte.
-Aprecia limpeza e organização.
-Sente-se relativamente comprimida pela situação.
-É relativamente aberta a idéias e relativamente de opinião própria.
-
Pelo visto a Presidenta não foi atingida pela grande campanha que recebe diariamente pela mídia. Pelo que vejo, fazendo dieta e andando de bike, mostram bem que ela resiste ao embate mantendo equilíbrio pessoal. Por enquanto é só.