terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O casamento entre pessoas do mesmo sexo e seu impacto nas crianças


Novo estudo destaca riscos afetivos e psicológicos
Por John Flynn, LC
ROMA, 23 de Fevereiro de 2015 (Zenit.org) - Um novo estudo publicado este ano traz evidências de que as crianças obtêm melhores resultados em seu desenvolvimento quando são criadas por pais heterossexuais. O artigo “Problemas emocionais entre crianças criadas por pais homossexuais: diferença por definição” foi publicado na edição de fevereiro de 2015 do British Journal of Education, Socity and Behavioural Science. O autor do estudo é o professor de sociologia Donald Paul Simmons, da Universidade Católica da América, e se baseia numa amostragem de mais de duzentas mil crianças, incluindo 512 criadas por parceiros do mesmo sexo.
As conclusões indicam incidência consideravelmente maior de problemas emocionais nas crianças cujos responsáveis são pessoas do mesmo sexo, em comparação com os filhos de pais heterossexuais. “Os filhos de pais biológicos casados apresentam 1/4 dos problemas emocionais identificados entre as crianças criadas por pais do mesmo sexo".
Na introdução, o estudo menciona que, ao longo dos últimos anos, várias pesquisas afirmaram que as crianças criadas por pais do mesmo sexo não sofrem desvantagens em comparação com os filhos de pais heterossexuais. Tais pesquisas foram tão bem divulgadas que chegaram a embasar sentenças em processos judiciais e decisões tomadas em políticas públicas e em ambientes profissionais.
Mais recentemente, porém, revisões dessas pesquisas revelaram deficiências em sua elaboração, ao mesmo tempo em que novos estudos vêm apontando resultados negativos no desenvolvimento de crianças de famílias do mesmo sexo. Muitas das pesquisas que alegavam não haver diferenças entre crianças de diferentes tipos de famílias se baseavam em amostragens muito pequenas ou em fontes não representativas, além de apresentarem limitações metodológicas.
Instabilidade familiar
Um fator que afeta em especial as crianças criadas por parceiros homossexuais é o maior índice de instabilidade e dissolução da relação entre os parceiros, na comparação com os casais de sexo oposto.
"Estudos sobre o divórcio sugeriram que a dissolução familiar pode afetar a saúde emocional da criança devido ao aumento do conflito parental anterior à separação (...) Pais afetiva ou mentalmente instáveis são um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais ou emocionais na criança. Há indicativos robustos de que a atração por pessoas do mesmo sexo está associada a um risco mais elevado de sofrimento psíquico", acrescentou Simmons.
A falta de laços biológicos para as crianças criadas por casais do mesmo sexo é outro fator que pode causar problemas. “Nenhuma criança participante deste estudo e criada por parceiros homosseuxias vivia com ambos os pais biológicos, ao passo que, nas famílias heterossexuais, quase dois terços (64%) viviam com pai e mãe biológicos", informa o artigo, recordando também que "quase todos os estudos que já examinaram esta questão apontaram que o bem-estar infantil é mais elevado entre as crianças que vivem com ambos os pais biológicos".
"No mínimo, não é acurado afirmar que as crianças criadas por parceiros do mesmo sexo não sofram desvantagem alguma em relação às que são criadas por famílias heterossexuais", observa o autor.
Estigmatização?
Simmons constatou que a suscetibilidade a problemas emocionais devidos à estigmatização dos casais homossexuais foi pouco marcante. Por isso, “deve ser rejeitada a hipótese de que as restrições relativas à paternidade ou ao estado civil dos parceiros homossexuais explique o maior risco de problemas emocionais”.
“O estudo indica que os problemas emocionais das crianças criadas por parceiros do mesmo sexo têm relação justamente com a privação da experiência de ser criadas pelo pai e pela mãe biológicos”, já que, “funcionalmente, o casamento entre pessoas de sexos opostos é uma prática social que, tanto quanto possível, garante às crianças um cuidado conjunto de ambos os pais biológicos, com os seus consequentes benefícios naturais”.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Alemanha tem maior nível de pobreza desde a Reunificação

Cerca de 12,5 milhões de alemães, ou 15,5% da população, são considerados pobres, aponta estudo. Trata-se do pior índice registrado desde 1990. Situação é particularmente grave entre os aposentados.

Symbolbild Deutschland Armut
A pobreza e o abismo entre os estados ricos e pobres da Alemanha estão aumentando, alertou a Associação alemã do bem-estar Social (Paritätischer Wohlfahrtsverband) nesta quinta-feira (19/02). Em 2013, o índice de pobreza no país chegou a 15,5%, o que equivale a cerca de 12,5 milhões de pessoas.
"A pobreza nunca foi tão grande e a disparidade regional nunca foi tão profunda" afirmou Ulrich Schneider, diretor da associação, se referindo aos 25 anos que se passaram desde a Reunificação da Alemanha, em 1990.
A associação define como "pobres" as famílias que têm renda 60% menor do que a média do país. Em 2012, 15% da população estavam nessa faixa.
Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira, os estados mais afetados pela pobreza são Bremen, Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Na outra ponta, estão Baden-Württemberg e a Baviera, os estados mais ricos com base no PIB. As únicas unidades federativas em que se verificou um leve declínio nos índices de pobreza foram Saxônia-Anhalt e Brandemburgo.
"De modo geral, o ranking dos estados mostra uma república esfarrapada", disse Schneider. Para combater a crescente pobreza, seria necessária uma grande expansão do emprego público, entre outras medidas, afirmou.
A ministra alemã do Trabalho, Andrea Nahles, anunciou no mês passado a criação de milhares de empregos para os desfavorecidos no país até 2020. Para isso, seriam utilizados 2,7 bilhões de euros do Fundo Social Europeu, além de 4,3 bilhões de euros da Alemanha.
Quase 40% das verbas deverão ser investidas na "promoção da integração social e na luta contra a pobreza", afirmou a ministra.
Os grupos sociais mais ameaçados pela pobreza são os desempregados, as mães solteiras e as pessoas com baixo nível educacional. Schneider alertou que a pobreza também está aumentando significativamente entre os aposentados, grupo cuja renda mais diminuiu desde 2006.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A "IGUALDADE DE GÊNERO" SOB ANÁLISE DA CIÊNCIA


Por Federico Cenci
ROMA, 06 de Fevereiro de 2015 (Zenit.org) - Atualmente, nos países Escandinavos, a ideologia do gênero está se derretendo como um bloco de gelo no mar de Barents com a aproximação da temporada de verão.
Um fato prova tudo. Em 2011, o Conselho de Ministros dos governos dos países nórdicos decidiu suspender os financiamentos para o Nordic Gender Institute, ativíssimo centro de pesquisas sobre a igualdade de gênero e da bandeira da ideologia de gênero. A decisão foi tomada na sequência de um debate que apaixonou a opinião pública escandinava por vários meses.
Quem suscitou esse debate foi a transmissão na TV Nacional Noruega de um documentário feito pelo sociólogo e ator Harald Eia, famoso no país por ser protagonista de um programa de comédia. O documentário se chama Hjernevask (lavagem cerebral) e tem a vantagem de investigar meticulosamente a eventual presença de fundamentos científicos da ideologia de gênero, segundo a qual as mulheres e os homens seriam diferentes apenas do ponto de vista físico, porque as atitudes constituiriam personagens não inatos, mas sim formados por imposições culturais que devem ser eliminadas.
No primeiro episódio Eia examina o que ele chama de "paradoxo norueguês”. A sua pesquisa começa pela Universidade de Oslo, onde encontra Camilla Schreiner, autora de uma pesquisa que mostra dados surpreendentes sobre as escolhas e os interesses dos trabalhadores dos dois sexos. Dados que demonstram que na Noruega, depois de anos de políticas pela igualdade de gênero, as diferenças entre homens e mulheres são mais acentuadas do que no passado. Os assim chamados "estereótipos" são confirmados justamente no País que lidera a nível mundial em campo de respeito pela igualdade de gênero: a prova é que 90% dos enfermeiros são mulheres e 90% dos engenheiros são homens.
A conclusão a que chegaram os especialistas é, portanto, que, onde se concede maior liberdade de expressão, sem condicionamentos, as mulheres e os homens expressam escolhas diferentes. Teoria corroborada também por um outro fator: em Países onde a igualdade de género continua a ser uma quimera (Arábia Saudita, Paquistão, Malásia ...), as mulheres preferem atividades profissionais técnicas, uma vez que são vistas como um meio de emancipação, ou simplesmente, como oportunidades de emprego com mais oferta.
Esta pesquisa seria suficiente para quebrar a ideologia de gênero, ou, pelo menos, para desencadear um debate. O qual, no entanto, é rejeitado por seus partidários. Quem prova isso, no documentário, é Cathrine Egeland, filósofa que trabalha no Instituto de pesquisa do trabalho, e Jørgen Lorentzen, do Centro de Pesquisa Interdisciplinar sobre Gênero da Universidade de Oslo. Este último define "estudos ultrapassados" as teorias de que as diferenças entre homens e mulheres são devidas, mais do que a aspectos culturais, também e sobretudo a fatores biológicos. E sorri sarcasticamente quando o entrevistador aponta a existência de qualificadas pesquisas sobre a origem inata das diferenças sexuais.
Para ir além desse sorriso soberbo, Eia pega a estrada e decide reunir-se pessoalmente com os autores daqueles estudos que Lorentzen acredita ser "superados". Cruza, assim, a Noruega, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos e visita algumas das mais prestigiadas universidades do mundo. É aqui que fala com professores de psicologia, medicina e sociologia.
O prof. Trond Diseth, do Oslo University Hospital, expõe seu próprio estudo, elaborado trabalhando com crianças que apresentam deformações genitais, o qual demonstra que as escolhas das crianças sobre os brinquedos são diferentes entre homens e mulheres a partir da idade de nove meses. Crianças ainda menoresforam examinadas pelo prof. Simon Baron-Cohen, membro do Trinity College, o qual conseguiu demonstrar que existem características inatas e diferentes nos cérebros dos neonatos masculinos e femininos e que estas diferenças se devem também à qualidade de testosterona produzida.
Todos os especialistas entrevistados por Eia afirmam que as diferenças sexuais são principalmente de caráter biológico, mas eles não excluem a existência de influências ambientais. Pelo contrário, os mero-meros da “gender theory” se orgulham de negar todo impacto biológico fundando as suas teses somente nos aspectos culturais e – como dizem eles mesmos – sobre a teorética, ou seja, em uma atividade sem efeitos práticos.
Esta abordagem fundamentalista aparece óbvia na última parte do documentário. Eia volta aos defensores do gênero noruegueses trazendo consigo os vídeos filmados com os especialistas que demonstram a validade da origem biológica da identidade sexual. Confrontados com a evidência científica, eles parecem tatear no escuro.
Um bom exemplo é a resposta que dá Cathrine Egeland, que justifica o seu apoio ao gênero com estas palavras: “Acredito que as ciências sociais deveriam desafiar um pensamento que se baseia no dizer que as diferenças sexuais são biológicas". Desafiar? O papel das ciências não deveria, pelo contrário, ser o de alcançar, por meio de uma pesquisa inclusiva de todas as hipóteses, uma descrição da realidade?
A resposta da filósofa norueguesa demonstra duas coisas. Em primeiro lugar a inconsistência científica do gênero, e depois, a tentativa dos seus partidários de assumir uma batalha ideológica para remodelar a sociedade de acordo com suas abstrações. Esse engano foi notado até mesmo na Escandinávia, dado que cortaram os fundos destinados ao Nordic Gender Institute.

Um grupo terrorista planejava um atentado contra o Papa nas Filipinas

Por Redacao
ROMA, 09 de Fevereiro de 2015 (Zenit.org) - O grupo terrorista Yemaa Islamiyah, autor de vários ataques no sudeste da Ásia, planejou atacar o Papa Francisco durante a sua visita a Manila no mês passado.
"Recebemos informações que Jemaah Islamiya, em coordenação com Marwan [o Ás do terrorismo da malásia, Zulkifli bin Hir], planejou detonar uma bomba contra o comboio papal em Manila no dia 18 de janeiro de 2015", explicou ao Senado Filipino o diretor da Polícia e o ex-chefe da Força de Ação Especial, Getúlio Napeñas. Assim informou nessa segunda-feira o jornal Inquirer.
"Esta informação nunca foi confirmada ou negada pela Polícia Nacional das Filipinas, mas a verdade é, no entanto, que a informação existiu", disse Napeñas.
O dispositivo fabricado pela Marwan era para ser colocado na rua Kalaw, onde passaraia a caravana do Santo Padre rumo ao parque Rizal, na parte antiga de Manila, onde foi celebrado nesse dia uma missa com seis a sete milhões de pessoas.
O Papa argentino viajou para as Filipinas do 15 ao 19 de janeiro desse ano. A visita apostólica ocorreu com normalidade e só se teve que lamentar um triste acidente, a morte de uma voluntária por causa do mau tempo em Tacloban. Durante a sua estada na capital do país e na ilha de Leyte, o Papa Francisco foi recebido por milhões de cidadãos entusiastas.
As declarações do diretor da Polícia aconteceram durante a investigação que o Senado está realizando sobre a morte de 44 membros da Força de Ação Especial em uma operação para deter Marwan no último 25 de janeiro, em Mindanao.
A Jemaah Islamiya, uma organização ligada à Al Qaeda, tem cerca de 200 membros e tem como objetivo formar um Estado islâmico que integre Malásia, Singapura, Indonésia e Filipinas.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

10 mitos sobre a crise hídrica. Texto antigo e atualíssimo


14out14
Gostaria de desmistificar alguns pontos sobre a crise hídrica
 em SP, assunto que tangencia minhas pesquisas acadêmicas.
1- “Não choveu e por isso está faltando água”. Essa conclusão
 é cientificamente problemática. Existem períodos chuvosos 
e de estiagem, descritos estatisticamente. É natural que isso
 ocorra. A base de dados de São Paulo possibilita análises 
precisas desde o século XIX e projeções anteriores a partir 
de cálculos matemáticos. Um sistema de abastecimento 
eficiente precisa ser projetado seguindo essas previsões 
(ex: estiagens que ocorram a cada cem anos).
2- “É por causa do aquecimento global”. Existem poucos 
estudos verdadeiramente confiáveis em São Paulo. De 
qualquer forma, o problema aqui parece ser de escala 
de grandeza. A não ser que estejamos realmente vivendo
 uma catástrofe global repentina (que não parece ser o 
caso esse ano), a mudança nos padrões de chuva não atingem
 porcentagens tão grandes capazes de secar vários reservatórios
 de um ano para o outro. Mais estudadas são as mudanças
climáticas locais por causa de ocupação urbana desordenada.
 Isso é concreto e pode trazer mudanças radicais. Aqui o 
problema é outro: as represas do sistema Cantareira estão
 longe demais do núcleo urbano adensado de SP para sentir
 efeitos como de ilha de calor. A escala do território é 
muito maior.
3- “Não choveu nas Represas”. Isso é uma simplificação 
grosseira. O volume do reservatório depende de vários 
fluxos, incluindo a chuva sobre o espelho d’água das represas.
 A chuva em regiões de cabeceira, por exemplo, pode 
recarregar o lençol freático e assim aumentar o volume 
de água dos rios. O processo é muito mais complexo.
4- “As próximas chuvas farão que o sistema volte ao normal”.
 Isso já é mais difícil de prever, mas tudo indica que a 
recuperação pode levar décadas. Como sabemos, 
quando o fundo do lago fica exposto (e seco), ele 
se torna permeável. Assim a água que voltar atingir
 esses lugares percola (infiltra) para o lençol freático,
 antes de criar uma camada impermeável. Se eu fosse
 usar minha intuição e conhecimento, diria que São Paulo
 tem duas opções a curto-médio prazo: (a) usar fontes
 alternativas de abastecimento antes que possa voltar 
a contar com as represas; (b) ter uma redução drástica 
em sua economia para que haja diminuição de consumo 
(há relação direta entre movimento econômico e consumo
 de água).
5- “Não existe outras fontes de abastecimento que não as 
represas atuais”. Essa afirmação é duplamente mentirosa.
 Primeiro porque sempre se pode construir represas em 
lugares mais e mais distantes (sobretudo em um país com
 esse recurso abundante como o Brasil) e transportar a água
 por bombeamento. O problema parece ser de ordem 
econômica já como o custo da água bombeada de longe 
sairia muito caro. Outra mentira é que não podemos usar
 água subterrânea. Não consigo entender o impedimento
 técnico disso. O Estado de São Paulo tem ampla reserva 
de água subterrânea (como o chamado aquífero Guarani), 
de onde é possível tirar água, sobretudo em momentos de 
crise. Novamente, o problema é custo de trazer essa água de longe que afetaria os lucros da Sabesp.
6- “O aquífero Guaraní é um reservatório subterrâneo”. 
A ideia de que o aquífero é um bolsão d’água, como um 
vazio preenchido pelo líquido, é ridiculamente equivocada. 
Não existe bolsão, em nenhum lugar no mundo. O aquífero
 é simplesmente água subterrânea diluída no solo. O aquífero
 Guaraní, nem é mesmo um só, mas descontínuo. Como uma
 camada profunda do lençol freático. Em todo caso, países 
como a Holanda acham o uso dessas águas tão bom que parte
 da produção superficial (reservatórios etc) é reinserida no 
solo e retirada novamente (!). Isso porque as propriedades
 químicas do líquido são, potencialmente, excelentes.
7- “Precisamos economizar água”. Outra simplificação. 
Os grandes consumidores (indústrias ou grandes estabelecimentos,
 por exemplo) e a perda de água por falta de manutenção 
do sistema representam os maiores gastos. Infelizmente os 
números oficiais parecem camuflados. A seguinte conta nunca
 fecha: consumo total = esgoto total + perda + água gasta
 em irrigação. Estima-se que as perdas estejam entre 
30% e 40%. Ou seja, essa quantidade vaza na tubulação
 antes de atingir os consumidores. Água tratada e perdida. 
Para usar novamente o exemplo Holandês (que estudei),
 lá essas perdas são virtualmente 0%. Os índices elevados 
não são normais e são resultados de décadas de maximização
 de lucros da Sabesp ao custo de uma manutenção precária 
da rede.
8- “Não há racionamento”. O governo está fazendo a mídia 
e a população de boba. Em lugares pobres o racionamento
 já acontece há meses, dia sim, dia não (ou mesmo todo dia). 
É interessante notar que, historicamente, as populações 
pobres são as que sempre sentem mais esses efeitos (cito,
 por exemplo, as constantes interrupções no fornecimento 
de água no começo do século XX nos bairros operários das
 várzeas, como o Pari). A história se repete.
9- “É necessário implantar o racionamento”. Essa afirmação
 é bem perigosa porque coloca vidas em risco. Já como 
praticamente todas as construções na cidade têm grandes 
caixas d’água, o racionamento apenas ataca o problema 
das perdas da rede (vazamentos). É tudo que a Sabesp 
quer: em momentos de crise fazer racionamento e reduzir
 as perdas; sem diminuição de consumo, sem aumentar o 
controle de vazamentos. O custo disso? A saúde pública. 
A mesma trinca por onde a água vaza, se não houver pressão
 dentro do cano, se transformará em um ponto de entrada 
de poluentes do lençol freático nojento da cidade. Estaremos
 bebendo, sem saber água poluída, porque a poluição 
entrou pela rede urbana. Por isso que agências de saúde 
internacionais exigem pressão mínima dentro dos canos 
de abastecimento.
10- “Precisamos confiar na Sabesp nesse momento”. 
A Sabesp é gerida para maximizar lucros dos acionistas
Não está preocupada, em essência, em entregar um serviço
 de qualidade (exemplos são vários: a negligência 
no saneamento que polui o Rio Tietê, o uso de tecnologia
 obsoleta de tratamento de água com doses cavalares 
de cloro e, além, da crise no abastecimento decorrente 
dos pequenos investimentos no aumento do sistema de
 captação). A Sabesp é apenas herdeira de um sistema
 que já teve várias outras concessionárias: Cantareira Águas
 e Esgotos, RAE, SAEC etc. A empresa tem hoje uma
 concessão de abastecimento e saneamento. Acredito 
que é o momento de discutir a cassação dessa outorga, 
uma vez que as obrigações não foram cumpridas. Além, 
é claro, de uma nova administração no Governo do Estado,
 ao menos preocupada em entregar serviços público e não
lucros para meia dúzia apenas.
Enfim, se eu pudesse resumir minhas conclusões: a crise 
no abastecimento não é natural, mas sim resultado de uma
 gestão voltada para a maximização de lucros da concessionária 
e de um Governo incompetente. Simples assim, ou talvez,
 infelizmente, nem tanto.

Gabriel Kogan é arquiteto e jornalista, formado na 
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP; 
desenvolveu mestrado em Gerenciamento Hídrico 
no UNESCO-IHE (Holanda), onde pesquisou as origens
 históricas das enchentes em São Paulo.