sexta-feira, 31 de julho de 2015

31 de julho de 2015 - 16h48

O ataque a Lula: Ódio das bombas foi precedido pelo ódio das palavras

Na história da humanidade foi sempre assim: o ódio das bombas é precedido pelo ódio das palavras. O Instituto Lula, em São Paulo, acaba de ser atacado por uma bomba caseira, lançada durante a noite. Percebam a gravidade da situação. Imaginem um Instituto Clinton, ou Instituto Chirac, ou ainda o Instituto FHC atacado de forma violenta. Um escândalo. Um ataque à democracia.

Por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador


   
No entanto, é preciso colocar o guizo no gato: a bomba demente foi precedida pelo ódio disseminado há anos e anos por blogueiros, colunistas e revistas que se transformaram em panfletos do ódio e da mentira.

A polícia precisa dizer quem lançou a bomba no prédio, no bairro do Ipiranga. Não sabemos a identidade do criminoso. Mas sabemos bem quem disseminou o ódio que produziu o demente do Ipiranga. São as pessoas sentadas atrás dos teclados, em redações, bem pagas para propagar um clima de confronto e de extermínio de toda uma comunidade política.

Você não precisa gostar do Lula e do PT para entender que algo está errado. Estamos em meio a uma escalada autoritária. Que pode virar, sim, um surto fascista.

O demente que lançou a bomba contra o Instituto Lula foi precedido por colunistas, blogueiros e pelo bando de dementes que – nas redes e nas ruas – espalham o ódio, tratam os adversários como “facção criminosa” e alinham-se com o que o mundo produziu de pior no século 20: o fascismo.

Nas manifestações de março de 2015, alguns jovens kataguris chegaram a pedir abertamente que o PT seja cassado, proscrito, proibido. Claro, a lógica é essa: se do outro lado estamos lidando com “uma quadrilha” (como dizem parlamentares tucanos, como o tresloucado Carlos Sampaio), não é mais preciso disputar politicamente. A lógica é destruir o adversário, apagá-lo, exterminá-lo.

O ataque ao Instituto Lula é terrível. Mas deve servir para trazer os tucanos e conservadores mais lúcidos à razão. É preciso frear essa escalada que os serras ajudaram a criar, insuflando blogueiros e jornalistas de longa carreira a disseminar o ódio nas redes sociais.

Pronto, chegamos até aqui. O ódio deu as caras definitivamente.

É preciso dizer: os democratas, a turma da esquerda, dos sindicatos, universidades e organizações populares não vão assistir a isso impassível. Se insistirem na tática do ódio, vai sobrar pra todo mundo.

É preciso isolar a direita fanática, é preciso trazer os centristas para o combate em defesa da democracia.

Colunistas e blogueiros dementes, ligados à revista da marginal e a organizações de comunicação que floresceram na ditadura, produziram gente suficientemente demente para lançar bombas de madrugada.

Chegamos até aqui. Agora está na hora de traçar uma linha no chão.

Quem está do lado de cá vai se defender. Prioritariamente, com palavras, com argumentos e política. Mas, se preciso, também com atos e capacidade de luta.

Não brinquem com a democracia no Brasil!

Colômbia: líderes religiosos pedem cessar-fogo entre governo e FARC


Carta do movimento para o diálogo intereclesial pela paz na Colômbia expressa solidariedade à população e deseja avanço nos diálogos
Por Redação
Roma, 20 de Julho de 2015 (ZENIT.org)
Em carta divulgada em Bogotá, os líderes do movimento para o diálogo intereclesial pela paz na Colômbia, iniciativa do World Council of Churches (WCC), pediram um “cessar-fogo” entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A missiva é dirigida ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos; ao chefe das negociações do governo em Havana, Humberto de la Calle; ao comandante das FARC, Timoleonte Jiménez, e ao chefe das negociações das FARC, Luciano Marín.
Os líderes religiosos que participam do conselho ecumênico recordam que, em 52 anos de conflito armado, a Colômbia pagou um preço altíssimo de vidas humanas e sofrimentos de muitas comunidades locais. É urgente retomar os colóquios de paz e toda ação que possa restituir a justiça e a paz ao país.
O documento expressa a dor dos cristãos pelas vítimas dos enfrentamentos recentes, que abriram uma nova crise no diálogo. São vítimas que “podiam ter sido evitadas com um acordo para o cessar-fogo bilateral”. Segundo os líderes do WCC, “o governo colombiano deveria mudar a sua posição", aceitar o cessar-fogo bilateral "e fazer a escolha pela vida para garantir mais legitimidade aos diálogos. Por sua vez, as FARC deveriam manter o cessar-fogo”.
“Queremos acompanhar os colombianos na sua busca de justiça e paz. Os colóquios entre governo e FARC devem focar na paz duradoura e justa que o povo colombiano merece”.
Os líderes cristãos também manifestam “satisfação e esperança com os progressos alcançados até agora pelas negociações em Havana relativas ao desenvolvimento agrícola global, à participação política e à luta contra o narcotráfico”, bem como com os progressos na eliminação das minas anti-pessoa, na criação de uma comissão de investigação e na redação de um relatório histórico sobre o conflito armado. 
A secretaria do WCC se une ao apelo dos governos de Cuba e da Noruega “por um cessar-fogo e pelo fim das hostilidades, a fim de que os acordos alcançados até agora sejam conservados e mantidos”.

Porque os muçulmanos são os únicos a terem primazia, em Turim

"Que também seja concedido aos cristãos o direito de rezarem juntos”
Após a concessão de uma sala para os muçulmanos, a Diocese de Turim pede um espaço de culto para as outras religiões
Por Redação
Roma, 29 de Julho de 2015 (ZENIT.org)
Após a furiosa polêmica que envolveu a cidade de Turim, com a decisão de dedicar espaços à oração para os muçulmanos, a Diocese tenta fazer a paz, e propõe uma solução mediadora.
Tudo começou durante o Global islamic economy summit, uma mesa redonda sobre moda islâmica e os investimentos no setor, quando a Prefeitura criou um espaço para permitir que os muçulmanos rezassem, com o tapete característico.
Seguiu-se um protesto do Conselho da Lega, com a incursão do conselheiro Fabrizio Rich, que tinha tentado remover o tapete. A sala foi então reconfigurada no salãozinho do Prefeito, Piero Fassino.
"Esperamos que a escolha, pela administração da cidade de Turim, de conceder uma sala de oração para alguns fieis muçulmanos que participam de uma reunião pública seja um sinal da superação daquele bloco ideológico que separa laicidade e vida de fé – lê-se em um comunicado da diocese de Turim – um bloco que até agora tem erguido muros anacrônicos que não reconhecem o valor também civil dos símbolos e das experiências religiosas, das quais a oração é certamente uma das mais importantes"
A diocese expressa, então, a certeza de que “esta escolha será confirmada também quando outras comunidades religiosas reconhecidas na Itália – católica, ortodoxa e protestante, hebraica, budista ou hinduísta... – pedirem legitimamente o usufruto do mesmo tratamento, por ocasião de algum encontro, tanto na Prefeitura como em outras sedes institucionais ou laicas”.

“As grandes potências são responsáveis ​​pelo avanço do Estado Islâmico"


Denuncia o vigário apostólico dos latinos em Aleppo, Dom Georges Abou Khazen
Por Redação
Roma, 30 de Julho de 2015 (ZENIT.org)
"O Estado islâmico é um instrumento nas mãos das grandes potências, foi criado por eles, armados e apoiados". A denúncia vem de monsenhor Georges Abou Khazen, vigário apostólico dos latinos em Aleppo, em uma entrevista na televisão italiana TV2000.
Em vez de combater o extremismo islâmico, as potências ocidentais "compram seu petróleo e achados arqueológicos roubados nestas terras", afirmou o prelado também falando sobre a presença de "verdadeiros campos de treinamento" na fronteira entre a Síria e a Turquia".
Dom Khazen – conforme a agência SIR – comentou a ofensiva da Turquia contra o Estado islâmico na Síria e contra os curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no Iraque: "As pessoas temem que os turcos queiram combater os curdos por causa do Estado islâmico".
"Se é uma luta contra o Estado islâmico tudo bem, mas se é uma desculpa da Turquia para criar uma área independente da Síria, então torna-se perigoso", disse ele.
Afinal, segundo o vigário apostólico de Aleppo, "sabemos bem que a Turquia tem permitido o Estado Islâmico entrar, armar-se e ter o seu treinamento".

Ucrânia: assassinados dois religiosos ortodoxos


Uma freira e um sacerdote foram achados mortos em lugares diferentes nesta quarta-feira
Por Redação
Roma, 30 de Julho de 2015 (ZENIT.org)
Continuam os homicídios contra religiosos na Ucrânia. Neste 29 de julho, segundo a União das Confraternidades Ortodoxas dos Cristãos da Ucrânia, foi encontrada assassinada no convento de Florovsky, em Kiev, a irmã Alevtina.
Um porta-voz comenta: "Sabemos que, faltando água quente no convento, a freira tinha ido a um apartamento de familiares na cidade para tomar banho e se preparar para uma cirurgia. Mais tarde, um sobrinho encontrou o corpo com as mãos amarradas e indícios de tortura". A freira tinha 62 anos.
La Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscou registra assim a segunda morte no mesmo dia: de manhã, um sacerdote de 40 anos da Igreja de Santa Tatiana, em Kiev, o padre Roman Nikolayev, morreu em decorrência do atentado a tiros que tinha sofrido na semana precedente.

Protestantes arrependidos pela destruição de imagens na Reforma


A comunidade protestante alemã apresentou suas desculpas pela vasta destruição de imagens religiosas realizada durante o período da Reforma
Por Redação
Roma, 31 de Julho de 2015 (ZENIT.org)
A comunidade protestante alemã apresentou suas desculpas pela vasta destruição de imagens religiosas realizada durante o período da Reforma. Em uma declaração da Evangelische Kirche in Deutschland (EKD) divulgada pelo semanário católico “The Tablet”, os responsáveis religiosos sublinharam que a comunidade protestante condena com firmeza esta prática de destruição. Assim informou a imprensa vaticana, L'Osservatore Romano.
“As imagens – salientou o Bispo Petra Bosse-Huber, durante uma reunião da delegação da EKD e do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla – há muito tempo tornaram-se expressão da piedade protestante”.
Significado da imagem
Os líderes religiosos das duas Igrejas encontraram-se em Hamburgo nos dias passados para discutir a aprofundar o significado da imagem do ponto de vista Ortodoxo e Protestante. Por ocasião do encontro, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu I e o Presidente da Evangelische Kirche in Deutschland, Bispo Bedford-Strohm, enviaram sua saudação aos participantes, abençoando o encontro.
Remoção de imagens e vitrais
Durante os trabalhos foi destacado que a destruição de imagens era mais comum no período imediatamente posterior à Reforma. Na primeira metade do século XVI, as estátuas da Virgem Maria e dos Santos, assim como vitrais com imagens sacras, retratando eventos milagrosos e sobrenaturais, foram removidos das igrejas e das capelas e muitas vezes destruídos.
Onda de destruição
Em particular, a Suiça, os Países Baixos, a Inglaterra e a Alemanha meridional sofreram os efeitos maiores desta prática destrutiva. Em Ulm, na Alemanha, em 1531, durante o “Götzentag” (“Dia do falso ídolo”), os apoiadores da Reforma, convencidos de que os objetos religiosos fossem símbolos de idolatria supersticiosa, removeram com violência sessenta altares e dois órgãos da catedral local. Mais tarde Genebra, na Suiça, assistiu a uma das mais devastadoras ondas de destruição de imagens religiosas e de objetos sacros, inspiradas por grupos de influentes teólogos protestantes.

O cristianismo é a crença que doa o maior número de mártires ataualmente.

Nigéria: Boko Haram decapita vinte cristãos
O massacre vitimou um grupo de pescadores acusados ​​de “seguir um profeta que tentou corromper o mundo”. Continuam as operações antiterroristas do governo.
Por Redação
Roma, 31 de Julho de 2015 (ZENIT.org)
O Boko Haram parece determinado a desafiar o mundo espalhando o horror. Nesta segunda-feira, os militantes do grupo terrorista mataram e depois decapitaram vinte pescadores do Chade que estavam trabalhando no lago de mesmo nome, perto da aldeia de Baga, na fronteira entre o Chade e a Nigéria.

O único sobrevivente, Abubakar Gamandi, presidente de um sindicato de pescadores e irmão de um jovem de 16 anos que morreu no massacre, contou que "foi um grupo de quatro homens, mas armados com metralhadoras e facões. Eles disseram que os pescadores são seguidores de Issa (o nome de Jesus nas páginas do alcorão), um profeta que, com suas palavras, atraiu muitas pessoas tolas na tentativa de corromper o mundo". Após esses delírios, os jihadistas abriram fogo contra os pescadores. Abubakar se escondeu em um dos barcos e a cena que testemunhou foi chocante: as vítimas foram decapitadas em sua maioria depois de mortas, “mas alguns foram decapitados ainda vivos”, diz ele.

Outras 5 vítimas do terrorismo do Boko Haram foram registradas em Maiduguri, capital do Estado de Borno, tristemente conhecido pelo sequestro de 200 meninas. O ataque ocorreu nesta manhã numa estação de ônibus, por volta das 6h30, com o lugar lotado de pessoas que iam a um mercado nas proximidades.

Continuam, por outro lado, as operações conjuntas anti-Boko Haram realizadas pelos governos da Nigéria, Camarões, Chade, Níger, Togo e Benin. Em uma das mais recentes, "117 terroristas foram mortos, dois soldados do Chade morreram e outros dois ficaram feridos", conta o porta-voz do exército nigeriano, coronel Azem Bermendoa Agouna, explicando que a ofensiva contra os jihadistas ainda está em andamento.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Datena diz que será candidato a prefeito de São Paulo


Apresentador do programa "Brasil Urgente" será cabeça de chapa da sigla e, por enquanto, o acerto é que o deputado Delegado Olim (PP) seja seu vice

iG Minas Gerais | Folhapress 
Datena diz que será candidato a prefeito de São Paulo
Reprodução/Divulgação
Datena diz que será candidato a prefeito de São Paulo
Cortejado por três partidos, o jornalista José Luiz Datena decidiu ser candidato a prefeito de São Paulo pelo PP. O pacto foi selado na noite desta terça-feira (28). O apresentador do programa "Brasil Urgente" será cabeça de chapa da sigla e, por enquanto, o acerto é que o deputado Delegado Olim (PP) seja seu vice. À reportagem, Datena não quis dar detalhes sobre a negociação. Questionado sobre o que foi preponderante para tomar a decisão disse que "não se sentiu usado" pelo PP. "Eles fizeram uma proposta honesta, direta e reta. Eu não me senti usado. Simples assim", afirmou. A informação de que o jornalista havia decidido concorrer foi antecipada pelo colunista do Uol, Flávio Ricco. Na semana passada, reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que PSDB, PSB e PP pleiteavam a filiação de Datena. Depois que as negociações com as siglas foram reveladas, em entrevista à colunista de TV do jornal, Lígia Mesquita, Datena disse que, se candidato, não se submeteria aos truques de marqueteiros. "Não sou produto de marketing. Sou um cara estourado. Se um dia me aventurasse, seria o que sou mesmo, não mudaria em nada." A entrada de Datena na corrida eleitoral muda o cenário político. A cúpula do PRB, que lançará Celso Russomanno, já manifestou, internamente, preocupação com o impacto da entrada de um outro nome popular da televisão na disputa pela prefeitura paulistana. "Nós temos um mote claro, que é a segurança", disse Olim. "O momento agora é de cautela e de começar a pensar em ações para apresentar á população", concluiu. Auxiliares do prefeito Fernando Haddad chegaram a ironizar a possibilidade de Datena ser candidato, mas agora precisam refazer suas apostas.

sábado, 25 de julho de 2015

Lula "Esquerda está sendo perseguida como os judeus pelos nazistas"
“Nunca tinha visto na vida pessoas que se diziam democráticas e não aceitaram uma eleição que elegeu uma mulher presidente da República”, acrescentou
Esquerda está sendo perseguida como os judeus pelos nazistas
Agência Brasil
POLÍTICA
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O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (24) que a esquerda brasileira está sendo perseguida como os judeus foram perseguidos pelos nazistas e os cristãos pelos romanos, e criticou setores do país que, segundo ele, não aceitaram a vitória nas urnas da presidenta da República, Dilma Rousseff.
“Quero dizer para vocês que estou cansado de mentiras e safadezas, estou cansado de agressões à primeira mulher que hoje governa esse país. Estou cansado com o tipo de perseguição e criminalização que tentam fazer à esquerda desse país. Parece os nazistas criminalizando o povo judeu e romanos criminalizando os cristãos”, disse, em discurso na posse da diretoria do Sindicato dos Bancários do ABC, em Santo André.
“Nunca tinha visto na vida pessoas que se diziam democráticas e não aceitaram uma eleição que elegeu uma mulher presidente da República”, acrescentou.
O ex-presidente lembrou de realizações de seus governos, como o ingresso de milhares de estudantes no ensino superior e a ascensão econômica de milhões de pessoas.
“Eles não suportam que um metalúrgico quase analfabeto tenha colocado mais gente na faculdade do que eles, não suportam que a gente não deixou privatizar o Banco do Brasil e comprou a Nossa Caixa e o Banco Votorantim”, disse Lula.
“Eu, sinceramente ando de saco cheio. Profundamente irritado. Pobre ir de avião começa a incomodar; fazer faculdade começa incomodar; tudo que é conquista social incomoda uma elite perversa”, acrescentou o ex-presidente.
Lula disse ainda estar otimista com o futuro do país e compreender a apreensão de parte da população com o desemprego e com a inflação, mas ressaltou que o cenário já esteve pior.
“A inflação está 9%, com perspectiva de cair. Quando eu peguei esse país, a inflação estava a 12%, o desemprego a 12 %”, declarou ele.
“Não é porque a criança está com febre que vamos enterrá-la”, concluiu Lula. Com informações da Agência Brasil.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

De hobby, microcarro nacional transforma-se em solução urbana


Nanico Car, nascido em oficina, ganha investimento e será produzido em série no Ceará. Preços partirão de R$ 15 mil, quase a metade de um Palio

Ricardo Meier | 24/7/2015 09:15
Nanico Car: receita brasileira de automóvel
O que nasceu mais como um hobby de um designer e customizador paulistano se transformou num negócio sério. O Nanico Car, um microcarro montado numa pequena oficina na Zona Sul de São Paulo pelo designer Caio Strumiello ganhará uma linha de montagem no Ceará.
O governo do estado anunciou que o projeto ganhará incentivos fiscais para ser produzido na cidade de São Gonçalo do Amarante, a 65 km de Fortaleza. Strumiello passou a contar com o investimento de Paulo Roberto da Conceição, que investirá R$ 8 milhões numa fábrica para os dois modelos criados por ele. A expectativa é produzir cerca de 500 veículos por mês.
A ideia é vender o carro urbano por preços entre R$ 15 mil e R$ 21 mil, bem mais em conta que o Palio Fire, hoje o modelo mais barato do mercado e que custa cerca de R$ 28 mil.
Motor de scooter
Estrela até do programa do Faustão, da Rede Globo, o Nanico surgiu artesanalmente e já teve 15 unidades fabricadas em São Paulo. São duas versões, uma com apenas 1,90 metros de comprimento, e outras menor ainda, cujas rodas quase se tocam praticamente metade do tamanho de um carro compacto.
Reprodução
Nanico Car
5 / 9

O modelo é feita de fibra, pesa menos de 300 kg (um Celta tem cerca de três vezes esse peso), e usa um motor de 125 cc derivado de um scooter. A grande sacada do Nanico é prometer agora uma versão elétrica.
Graças ao novo sócio, o veículo passará a ser vendido também com um motor elétrico de 7,5 kW e baterias recicláveis importadas da China. A autonomia é estimada em 80 km e a velocidade média, em 60 km/h.
A empresa, recém constituída, diz ter 100 encomendas do microcarro, mas não há informações sobre quando o modelo terá sua produção iniciada.
Apesar do otimismo que cerca o projeto, questões como segurança dos ocupantes e mesmo o enquadramento do veículo suscitam dúvidas. Apesar das quatro rodas, o Nanico não deve ser considerado um automóvel, caso contrário seria obrigado a ter airbags frontais e freios com sistema ABS.
A escolha do Ceará como local de produção coincide com uma das ultimas iniciativas bem-sucedidas de produção de um veículo de projeto nacional. É na cidade de Horizonte que surgiu o jipe Troller, hoje uma marca ligada à Ford. Resta saber se a carreira do novo carro nacional será longa ou ‘nanica’, como seu tamanho.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O quê? e do Quê?


Todo dia fica algo...
não decifro.

Às vezes sequer lembro.
Algo que falta...
Sei que me torna
incompleto,
não do que me abasteço
porque me basto.
mas do que
não descobri
que falta
e finjo
não precisar,
entendeu?

Quando o Sol se põe
e entro para dentro
de mim...doi.

Quando chove
e vou à rua...
quando trabalho
e distraio-me
com algo,
parece que
desaparece.

Mas volta
no silêncio
das perguntas
que teimam
em sobreviver
sem serem 
feitas.

Volta
na cama
que não descansa
nos pés
que mal sustentam.

Vou parar
o caminho
do nada?

Como?
João Paulo Naves Fernandes, agora à noite para dormir?

Inovação tecnológica é o caminho do país, afirma Dilma

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Governadores do Nordesta colocam-se contra golpes jurídico-midiáticos baseados em pesquisas

ACREDITAMOS NO BRASIL!
O Brasil é maior que as crises, é maior que as dificuldades. Já provou isso várias vezes. E todos nós temos de ser do tamanho do Brasil. O Momento é de grandeza. A situação é delicada? Sim. No Brasil e no mundo. Também enfrentamos, como governadores e vices, grandes desafios nos nossos Estados. Mas, o Brasil e os brasileiros já enfrentaram momentos mais difíceis, e vencemos!

Mais uma vez, vamos vencer! Com muito trabalho, fazendo o que precisa ser feito. Vamos retomar o desenvolvimento econômico e social com responsabilidade ambiental. Vamos sair maiores e melhores.

A hora é de união do setor público com o setor privado, das instituições com a sociedade, da política com o povo. O que queremos é ampliar a democracia, o fortalecimento das instituições, mais conquistas e avanços. Retrocesso, nunca mais. Defendemos, sobretudo, o respeito à Constituição Cidadã de 1988.

O Povo brasileiro fez uma opção em 2014, a quem confiou governar o Brasil. No mesmo momento em que elegeu todos nós, governadores e vices para governar os nossos Estados. O mandato de quatro anos determina um prazo para que os compromissos de campanha sejam cumpridos, para que os desafios sejam vencidos, os ajustes sejam feitos, os projetos sejam implementados e os resultados sejam colhidos. E isso exige respeito às regras constitucionais, razão pela qual consideramos incabível qualquer tipo de interrupção do mandato da Presidenta Dilma Rousseff, já que não há motivo jurídico para tanto.

Definitivamente, não será pela via tortuosa da judicialização da política, da politização da justiça ou da parlamentarização forçada que faremos avançar e consolidar o processo democrático, a importância social das instituições do Estado de Direito e a superação do desafio civilizatório de nosso tempo.

Nossa geração enfrentou a ditadura militar, deu a volta por cima, e tem um papel importante na construção de um Brasil Melhor. Fizemos isto, juntos, como governo ou oposição. Juntos, unidos e fortalecidos, vamos seguir em frente!

VIVA O POVO BRASILEIRO!

Flávio Dino – Governador do Estado do Maranhão
Paulo Câmara – Governador do Estado de Pernambuco
Camilo Santana – Governador do Estado do Ceará
Ricardo Coutinho – Governador do Estado da Paraíba
Wellington Dias – Governador do Estado do Piauí
Rui Costa – Governador do Estado da Bahia
 


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Instituto Lula responde aos ataques jurídico-midiáticos




Nota à imprensa sobre abertura de inquérito
São Paulo, 16 de julho de 2015,

O Instituto Lula e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram surpreendidos pela notícia de que o procurador Valtan Timbó Mendes Furtado, da Procuradoria da República no Distrito Federal, determinou a abertura de procedimento investigatório sobre tema que já vinha sendo examinado, no âmbito próprio, pela procuradora da República Mirella de Carvalho Aguiar.

Trata-se de um procedimento absolutamente irregular, intempestivo e injustificado, razão pela qual serão tomadas as medidas cabíveis para corrigir essa arbitrariedade no âmbito do próprio Ministério Público, sem prejuízo de outras providências juridicamente cabíveis.

Diferentemente do que foi vazado anonimamente para órgãos de imprensa na tarde desta quinta-feira (16), o ex-presidente Lula nunca foi objeto de “investigação informal”. Tampouco foi ou é considerado “suspeito” de qualquer tipo de infração penal. O ex-presidente é, na verdade, alvo de grave violação de conduta por parte do procurador Anselmo Lopes, que deu início a este processo e por isso está respondendo à Corregedoria Nacional do Ministério Público.

Para que a verdade seja conhecida, sem manipulações e distorções, o Instituto Lula esclarece a cronologia dos fatos:

12 de abril: O jornal O Globo publica matéria sobre “voo sigiloso” do ex-presidente Lula à República Dominicana, em abril de 2013, onde realizou palestra contratada pela empresa Odebrecht. Mesmo tendo recebido, da assessoria do Instituto Lula, todos os esclarecimentos sobre a viagem, o jornal criminalizou um episódio corriqueiro: desde 2011, fora do governo, o ex-presidente fez 78 viagens ao exterior, para fazer palestras, receber homenagens, participar de debates e, principalmente, defender a imagem do Brasil e difundir programas sociais brasileiros para colaborar com o combate à fome e à pobreza no mundo. Na maioria dessas viagens ele realizou palestras contratadas por empresas, entidades privadas e entidades governamentais de países estrangeiros – todas as viagens foram amplamente divulgadas no site do Instituto Lula e informadas à imprensa brasileira.

20 de abril: Tomando por base a matéria de O Globo e outras notícias de jornais e da internet, o procurador Anselmo Lopes, da Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF) iniciou uma “Notícia de Fato”. No texto de apenas 50 linhas, sem apresentar qualquer prova ou indício, o procurador Anselmo Lopes levantou a hipótese de que o ex-presidente Lula “poderia”, “em tese”, “talvez” ser suspeito de tráfico de influência internacional, “caso se comprovasse” que teria recebido favores da empresa Odebrecht para “supostamente” influir sobre autoridades de países estrangeiros para que contratassem obras da empresa. No mesmo dia, a “Notícia de Fato” foi distribuída por sorteio à procuradora Mirella de Carvalho Aguiar, a quem caberia decidir pelo arquivamento, pela abertura de inquérito ou pedir diligências e informações para instruir sua decisão.

29 de abril: Sem que quaisquer das partes citadas tivesse sido notificada e antes que o despacho chegasse a conhecimento público, o repórter Thiago Bronzatto, da Revista Época extraiu cópia da Notícia Fato no protocolo da PRDF. Sem fazer qualquer referência ao procedimento que havia obtido, o repórter enviou à assessoria do Instituto Lula perguntas sobre viagens do ex-presidente mencionadas na “Notícia de Fato”.

30 de abril: Numa edição escandalosamente manipulada, a página da Revista Época no site Globo.com e a edição impressa da revista assumiram como verdadeiras as ilações infundadas do procurador Anselmo, sob o título “Lula, o Operador”. A revista escondeu dos leitores a verdadeira natureza do procedimento e tratou mera “Notícia de Fato” como se fosse uma investigação coletiva do Núcleo de Combate à Corrupção da PRDF. Omitindo propositalmente o título, a revista manipulou o documento oficial, reproduzindo apenas o sumário das ilações do procurador Anselmo.

1º de maio: A mentira da revista Época começou a ruir quando a procuradora Mirella Aguiar declarou a repórteres de O Estado de S. Paulo e de O Globo que não havia inquérito contra Lula e que a “Notícia de Fato” trazia apenas notícias de jornais que, segundo ela, não têm validade por si como provas.

4 de maio: O Instituto Lula divulga nota com o título “As 7 mentiras da Revista Época ”, esclarecendo os fatos e denunciando a manipulação editorial. A revista além de não ter publicado nossa resposta, jamais se preocupou de responder ou indicar qualquer equívoco no texto.

6 de maio: Advogado procurador do ex-presidente Lula e do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, solicita audiência à procuradora Mirella Aguiar e apresenta espontaneamente os esclarecimentos sobre as atividades do ex-presidente no âmbito do Instituto e como palestrante contratado por meio da empresa LILS Palestras e Eventos Ltda.

18 de maio: Findo o prazo inicial de 30 dias para decidir sobre o encaminhamento da “Notícia de Fato”, a procuradora Mirella Aguiar, em despacho, afirma que não há elementos suficientes para a abertura de inquérito. “Os parcos elementos contidos nos autos – narrativas do representante e da imprensa desprovidos de suporte probatório suficiente – não autorizam a instauração de imediato de investigação formal em desfavor do representado”, escreveu a procuradora. No mesmo despacho ela prorroga o prazo de decisão por até 90 dias (ou seja, até 17 de agosto) e solicita informações do Instituto Lula, da empresa Odebrecht, da Polícia Federal, do Ministério das Relações Exteriores, do BNDES, da empresa Líder Taxi Aéreo e outros, para instruir sua decisão.

8 de junho: O Instituto Lula requer a extensão de 30 dias do prazo para a prestação de informações.

19 de junho: A procuradora Mirella Aguiar, em despacho, prorroga novamente o prazo para diligências e tomada de informações (portanto, até 18 de setembro).

8 de julho: O procurador da República Valtan Timbó Mendes Furtado, em portaria, inexplicavelmente determina a abertura de procedimento investigatório criminal, mesmo apresentando como únicas razões: a) “o teor da Notícia de Fato” e b) “a iminência do esgotamento do prazo”, mas também considerando a insuficiência de elementos para a formação da opinio deliciti. Note-se que o teor da “Notícia de Fato” já havia sido desqualificado pela procuradora Mirella Aguiar – motivo pelo qual ela havia solicitado novas informações. E note-se que, em 8 de julho, faltavam 40 dias para o esgotamento do prazo estabelecido na primeira prorrogação e 60 dias para o esgotamento do prazo estabelecido na segunda prorrogação.

9 de julho: Dentro do prazo estabelecido e sem ter conhecimento de que o processo havia sido literalmente atropelado por outro procurador, o Instituto Lula protocolou na PRDF o documento com as informações solicitadas pela Procuradora Mirella.

16 de julho: Informações incompletas e distorcidas vazam anonimamente para a Globonews, que, sem ouvir o Instituto Lula, divulga versão incorreta de que “procuradores” teriam determinado abertura de inquérito contra o ex-presidente Lula no âmbito da PRDF.

O Instituto Lula e o ex-presidente Lula desconhecem as razões pelas quais o procurador Valtan Timbó Mendes Furtado interferiu, de maneira indevida e arbitrária, no procedimento que vinha sendo conduzido pela procuradora titular.

Está claro, portanto que o ex-presidente Lula é alvo de um conjunto de manipulações e arbitrariedades com o propósito evidente de criar constrangimentos e manchar, sob falsos pretextos, a imagem do maior líder popular deste País no Brasil e no exterior.

Sob a luz desses fatos, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e o Instituto Lula, esperam que o Ministério Público esclareça ao país o por que de procedimentos tão contraditórios.



Fonte: Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

quinta-feira, 16 de julho de 2015

NOSSA SENHORA DO CARMO: Muito mais que uma devoção.

Europa apresenta modesto crescimento populacional


Pesquisa demográfica do Eurostat confirma pequeno crescimento da população europeia. A taxa de natalidade mais elevada foi registada na Irlanda
Por Redação
Roma, 14 de Julho de 2015 (ZENIT.org)
Cresce a população na União Europeia. Uma pesquisa divulgada pelo Eurostat mostra que no ano passado houve 5,1 milhões de nascimentos em comparação com 4,9 milhões de mortes. Ao modesto crescimento (positivo 0,2 milhões, o dobro de 2013) acrescenta-se o aumento devido a imigração: a população total do Velho Continente aumentou de 506,9 milhões de habitantes como em 01 de janeiro de 2014 para 508,2 milhões em 01 de janeiro deste ano.
Os países mais populosos da União Europeia são: Alemanha, França, Reino Unido e Itália, que, juntos, são o lar de mais da metade dos cidadãos da UE. Apesar de que na Itália não se nota qualquer crescimento. Ao invés, aumentaram sua população: Luxemburgo, Suécia, Malta, Áustria, Dinamarca, Reino Unido, Alemanha e Bélgica. Enquanto os países que registram queda demográfica são: Polônia, Espanha, Estónia e, ainda, Chipre, Grécia, Letônia, Lituânia, Bulgária e Croácia.
Em primeiro lugar, para taxa de natalidade, está a Irlanda: 14,4 nascimentos por mil habitantes. Depois, França, Reino Unido e Suécia. O pior resultado foi registado em Portugal (7,9 nascimentos por mil habitantes), Itália (8,3), Grécia (8,5) e Alemanha (8, 6).

domingo, 12 de julho de 2015

Texto completo do discurso do Santo Padre aos Movimentos Populares


Santa Cruz de la Sierra. O Santo Padre encerra, na Bolívia, o II Encontro Mundial dos Movimentos Populares
Por Redação
Roma, 10 de Julho de 2015 (ZENIT.org)
Boa tarde a todos!
Há alguns meses, reunimo-nos em Roma e não esqueço aquele nosso primeiro encontro. Durante este tempo, trouxe-vos no meu coração e nas minhas orações. Alegra-me vê-vos de novo aqui, debatendo os melhores caminhos para superar as graves situações de injustiça que padecem os excluídos em todo o mundo. Obrigado Senhor Presidente Evo Morales, por sustentar tão decididamente este Encontro. Então, em Roma, senti algo muito belo: fraternidade, paixão, entrega, sede de justiça. Hoje, em Santa Cruz de la Sierra, volto a sentir o mesmo. Obrigado! Soube também, pelo Pontifício Conselho «Justiça e Paz» presidido pelo Cardeal Turkson, que são muitos na Igreja aqueles que se sentem mais próximos dos movimentos populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vós, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada diocese, em cada comissão «Justiça e Paz», uma colaboração real, permanente e comprometida com os movimentos populares. Convido-vos a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais a aprofundar este encontro.
Deus permitiu que nos voltássemos a ver hoje. A Bíblia lembra-nos que Deus escuta o clamor do seu povo e também eu quero voltar a unir a minha voz à vossa: terra, tecto e trabalho para todos os nossos irmãos e irmãs. Disse-o e repito: são direitos sagrados. Vale a pena, vale a pena lutar por eles. Que o clamor dos excluídos seja escutado na América Latina e em toda a terra.
1. Comecemos por reconhecer que precisamos duma mudança. Quero esclarecer, para que não haja mal-entendidos, que falo dos problemas comuns de todos os latino-americanos e, em geral, de toda a humanidade. Problemas, que têm uma matriz global e que actualmente nenhum Estado pode resolver por si mesmo. Feito este esclarecimento, proponho que nos coloquemos estas perguntas:
- Reconhecemos nós que as coisas não andam bem num mundo onde há tantos camponeses sem terra, tantas famílias sem tecto, tantos trabalhadores sem direitos, tantas pessoas feridas na sua dignidade?
- Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando explodem tantas guerras sem sentido e a violência fratricida se apodera até dos nossos bairros? Reconhecemos nós que as coisas não andam bem, quando o solo, a água, o ar e todos os seres da criação estão sob ameaça constante?
Então digamo-lo sem medo: Precisamos e queremos uma mudança.
Nas vossas cartas e nos nossos encontros, relataram-me as múltiplas exclusões e injustiças que sofrem em cada actividade laboral, em cada bairro, em cada território. São tantas e tão variadas como muitas e diferentes são as formas próprias de as enfrentar. Mas há um elo invisível que une cada uma destas exclusões: conseguimos nós reconhecê-lo? É que não se trata de questões isoladas. Pergunto-me se somos capazes de reconhecer que estas realidades destrutivas correspondem a um sistema que se tornou global. Reconhecemos nós que este sistema impôs a lógica do lucro a todo o custo, sem pensar na exclusão social nem na destruição da natureza?
Se é assim – insisto – digamo-lo sem medo: Queremos uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema é insuportável: não o suportam os camponeses, não o suportam os trabalhadores, não o suportam as comunidades, não o suportam os povos.... E nem sequer o suporta a Terra, a irmã Mãe Terra, como dizia São Francisco.
Queremos uma mudança nas nossas vidas, nos nossos bairros, no vilarejo, na nossa realidade mais próxima; mas uma mudança que toque também o mundo inteiro, porque hoje a interdependência global requer respostas globais para os problemas locais. A globalização da esperança, que nasce dos povos e cresce entre os pobres, deve substituir esta globalização da exclusão e da indiferença.
Hoje quero reflectir convosco sobre a mudança que queremos e precisamos. Como sabem, recentemente escrevi sobre os problemas da mudança climática. Mas, desta vez, quero falar duma mudança noutro sentido. Uma mudança positiva, uma mudança que nos faça bem, uma mudança – poderíamos dizer – redentora. Porque é dela que precisamos. Sei que buscais uma mudança e não apenas vós: nos diferentes encontros, nas várias viagens, verifiquei que há uma expectativa, uma busca forte, um anseio de mudança em todos os povos do mundo. Mesmo dentro da minoria cada vez mais reduzida que pensa sair beneficiada deste sistema, reina a insatisfação e sobretudo a tristeza. Muitos esperam uma mudança que os liberte desta tristeza individualista que escraviza.
O tempo, irmãos e irmãs, o tempo parece exaurir-se; já não nos contentamos com lutar entre nós, mas chegamos até a assanhar-nos contra a nossa casa. Hoje, a comunidade científica aceita aquilo que os pobres já há muito denunciam: estão a produzir-se danos talvez irreversíveis no ecossistema. Está-se a castigar a terra, os povos e as pessoas de forma quase selvagem. E por trás de tanto sofrimento, tanta morte e destruição, sente-se o cheiro daquilo que, um dos primeiros teólogos da Igreja, Basílio de Cesareia chamava «o esterco do diabo»: reina a ambição desenfreada de dinheiro. Esse é o esterco do diabo. O serviço ao bem comum fica em segundo plano. Quando o capital se torna um ídolo e dirige as opções dos seres humanos, quando a avidez do dinheiro domina todo o sistema socioecónomico, arruína a sociedade, condena o homem, transforma-o em escravo, destrói a fraternidade inter-humana, faz lutar povo contra povo e até, como vemos, põe em risco esta nossa casa comum. A irmã e mãe Terra. Não quero alongar-me na descrição dos efeitos malignos desta ditadura subtil: vós conheceilos! Mas também não basta assinalar as causas estruturais do drama social e ambiental contemporâneo. Sofremos de um certo excesso de diagnóstico, que às vezes nos leva a um pessimismo charlatão ou a rejubilar com o negativo. Ao ver a crónica negra de cada dia, pensamos que não haja nada que se possa fazer para além de cuidar de nós mesmos e do pequeno círculo da família e dos amigos. Que posso fazer eu, recolhedor de papelão, catador de lixo, limpador, reciclador, frente a tantos problemas, se mal ganho para comer? Que posso fazer eu, artesão, vendedor ambulante, carregador, trabalhador irregular, se não tenho sequer direitos laborais? Que posso fazer eu, camponesa, indígena, pescador que dificilmente consigo resistir à propagação das grandes corporações? Que posso fazer eu, a partir da minha comunidade, do meu barraco, da minha povoação, da minha favela, quando sou diariamente discriminado e marginalizado? Que pode fazer aquele estudante, aquele jovem, aquele militante, aquele missionário que atravessa as favelas e os paradeiros com o coração cheio de sonhos, mas quase sem nenhuma solução para os meus problemas? Podem fazer muito! Podem fazer muito. Vós, os mais humildes, os explorados, os pobres e excluídos, podeis e fazeis muito. Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas vossas mãos, na vossa capacidade de vos organizar e promover alternativas criativas na busca diária dos “3 T” (trabalho, tecto, terra), e também na vossa participação como protagonistas nos grandes processos de mudança nacionais, regionais e mundiais. Não se acanhem!
2. Vós sois semeadores de mudança. Aqui, na Bolívia, ouvi uma frase de que gosto muito: «processo de mudança». A mudança concebida, não como algo que um dia chegará porque se impôs esta ou aquela opção política ou porque se estabeleceu esta ou aquela estrutura social. Sabemos, amargamente, que uma mudança de estruturas, que não seja acompanhada por uma conversão sincera das atitudes e do coração, acaba a longo ou curto prazo por burocratizar-se, corromper-se e sucumbir. É preciso mudar o coração. Por isso gosto tanto da imagem do processo, onde a paixão por semear, por regar serenamente o que outros verão florescer, substitui a ansiedade de ocupar todos os espaços de poder disponíveis e de ver resultados imediatos. A opção é por gerar processos e não por ocupar espaços. Cada um de nós é apenas uma parte de um todo complexo e diversificado interagindo no tempo: povos que lutam por uma afirmação, por um destino, por viver com dignidade, por «viver bem», dignamente, nesse sentido.
Vós, a partir dos movimentos populares, assumis as tarefas comuns motivados pelo amor fraterno, que se rebela contra a injustiça social. Quando olhamos o rosto dos que sofrem, o rosto do camponês ameaçado, do trabalhador excluído, do indígena oprimido, da família sem tecto, do imigrante perseguido, do jovem desempregado, da criança explorada, da mãe que perdeu o seu filho num tiroteio porque o bairro foi tomado pelo narcotráfico, do pai que perdeu a sua filha porque foi sujeita à escravidão; quando recordamos estes «rostos e nomes» estremecem-nos as entranhas diante de tanto sofrimento e comovemo-nos…. Porque «vimos e ouvimos», não a fria estatística, mas as feridas da humanidade dolorida, as nossas feridas, a nossa carne. Isto é muito diferente da teorização abstracta ou da indignação elegante. Isto comove-nos, move-nos e procuramos o outro para nos movermos juntos. Esta emoção feita acção comunitária é incompreensível apenas com a razão: tem um plus de sentido que só os povos entendem e que confere a sua mística particular aos verdadeiros movimentos populares.
Vós viveis, cada dia, imersos na crueza da tormenta humana. Falastes-me das vossas causas, partilhastes comigo as vossas lutas, desde Buenos Aires, e agradeço-vos. Queridos irmãos, muitas vezes trabalhais no insignificante, no que aparece ao vosso alcance, na realidade injusta que vos foi imposta e a que não vos resignais opondo uma resistência activa ao sistema idólatra que exclui, degrada e mata. Vi-vos trabalhar incansavelmente pela terra e a agricultura camponesa, pelos vossos territórios e comunidades, pela dignificação da economia popular, pela integração urbana das vossas favelas e agrupamentos, pela auto-construção de moradias e o desenvolvimento das infra-estruturas do bairro e em muitas actividades comunitárias que tendem à reafirmação de algo tão elementar e inegavelmente necessário como o direito aos “3 T”: terra, tecto e trabalho. Este apego ao bairro, à terra, ao território, à profissão, à corporação, este reconhecer-se no rosto do outro, esta proximidade no dia-a-dia, com as suas misérias, porque existem, as temos, e os seus heroísmos quotidianos, é o que permite realizar o mandamento do amor, não a partir de ideias ou conceitos, mas a partir do genuíno encontro entre pessoas, precisamos instaurar essa cultura do encontro, porque não se amam os conceitos nem as ideias; ninguém ama um conceito, ninguém ama uma ideia. Amam-se as pessoas. A entrega, a verdadeira entrega nasce do amor pelos homens e mulheres, crianças e idosos, vilarejos e comunidades... Rostos e nomes que enchem o coração. A partir destas sementes de esperança semeadas pacientemente nas periferias esquecidas do planeta, destes rebentos de ternura que lutam por subsistir na escuridão da exclusão, crescerão grandes árvores, surgirão bosques densos de esperança para oxigenar este mundo.
Vejo, com alegria, que trabalhais no que aparece ao vosso alcance, cuidando dos rebentos; mas, ao mesmo tempo, com uma perspectiva mais ampla, protegendo o arvoredo. Trabalhais numa perspectiva que não só aborda a realidade sectorial que cada um de vós representa e na qual felizmente está enraizada, mas procurais também resolver, na sua raiz, os problemas gerais de pobreza, desigualdade e exclusão. Felicito-vos por isso. É imprescindível que, a par da reivindicação dos seus legítimos direitos, os povos e as suas organizações sociais construam uma alternativa humana à globalização exclusiva. Vós sois semeadores de mudança. Que Deus vos dê coragem, alegria, perseverança e paixão para continuar a semear. Podeis ter a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, vamos ver os frutos. Peço aos dirigentes: sede criativos e nunca percais o apego às coisas próximas, porque o pai da mentira sabe usurpar palavras nobres, promover modas intelectuais e adoptar posições ideológicas, mas se construirdes sobre bases sólidas, sobre as necessidades reais e a experiência viva dos vossos irmãos, dos camponeses e indígenas, dos trabalhadores excluídos e famílias marginalizadas, de certeza não vos equivocareis.
A Igreja não pode nem deve ser alheia a este processo no anúncio do Evangelho. Muitos sacerdotes e agentes pastorais realizam uma tarefa imensa acompanhando e promovendo os excluídos em todo o mundo, ao lado de cooperativas, dando impulso a empreendimentos, construindo casas, trabalhando abnegadamente nas áreas da saúde, desporto e educação. Estou convencido de que a cooperação amistosa com os movimentos populares pode robustecer estes esforços e fortalecer os processos de mudança.
No coração, tenhamos sempre a Virgem Maria, uma jovem humilde duma pequena aldeia perdida na periferia dum grande império, uma mãe sem tecto que soube transformar um curral de animais na casa de Jesus com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura. Maria é sinal de esperança para os povos que sofrem dores de parto até que brote a justiça. Rezo à Virgem do Carmo, padroeira da Bolívia, para fazer com que este nosso Encontro seja fermento de mudança.
3. Esse padre fala muito, não? Por último, gostaria que reflectíssemos, juntos, sobre algumas tarefas importantes neste momento histórico, pois queremos uma mudança positiva em benefício de todos os nossos irmãos e irmãs. Disto estamos certos! Queremos uma mudança que se enriqueça com o trabalho conjunto de governos, movimentos populares e outras forças sociais. Sabemos isto também! Mas não é tão fácil definir o conteúdo da mudança, ou seja, o programa social que reflicta este projecto de fraternidade e justiça que esperamos. Neste sentido, não esperem uma receita deste Papa. Nem o Papa nem a Igreja têm o monopólio da interpretação da realidade social e da proposta de soluções para os problemas contemporâneos. Atrever-me-ia a dizer que não existe uma receita. A história é construída pelas gerações que se vão sucedendo no horizonte de povos que avançam individuando o próprio caminho e respeitando os valores que Deus colocou no coração.
Gostaria, no entanto, de vos propor três grandes tarefas que requerem a decisiva contribuição do conjunto dos movimentos populares:
3.1 A primeira tarefa é pôr a economia ao serviço dos povos. Os seres humanos e a natureza não devem estar ao serviço do dinheiro. Digamos NÃO a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a Mãe Terra.
A economia não deveria ser um mecanismo de acumulação, mas a condigna administração da casa comum. Isto implica cuidar zelosamente da casa e distribuir adequadamente os bens entre todos. A sua finalidade não é unicamente garantir o alimento ou um «decoroso sustento». Não é sequer, embora fosse já um grande passo, garantir o acesso aos “3 T” pelos quais combateis. Uma economia verdadeiramente comunitária – poder-se-ia dizer, uma economia de inspiração cristã – deve garantir aos povos dignidade, «prosperidade e civilização em seus múltiplos aspectos». Esta última frase foi dita pelo Papa João XIII há 50 anos. Jesus fala no Evangelho aquele que dê expontaneamente um copo de água para quem tem sede, lhe será tido em conta no reino dos céus. Assim que...
Isto envolve os “3 T” mas também acesso à educação, à saúde, à inovação, às manifestações artísticas e culturais, à comunicação, ao desporto e à recreação. Uma economia justa deve criar as condições para que cada pessoa possa gozar duma infância sem privações, desenvolver os seus talentos durante a juventude, trabalhar com plenos direitos durante os anos de actividade e ter acesso a uma digna aposentação na velhice. É uma economia onde o ser humano, em harmonia com a natureza, estrutura todo o sistema de produção e distribuição de tal modo que as capacidades e necessidades de cada um encontrem um apoio adequado no ser social. Vós – e outros povos também – resumis este anseio duma maneira simples e bela: «viver bem». Que não é o mesmo que “esbanjar” (ndr: tradução nossa da expressão espanhola “pasarla bien”).
Esta economia é não apenas desejável e necessária, mas também possível. Não é uma utopia, nem uma fantasia. É uma perspectiva extremamente realista. Podemos consegui-la. Os recursos disponíveis no mundo, fruto do trabalho intergeneracional dos povos e dos dons da criação, são mais que suficientes para o desenvolvimento integral de «todos os homens e do homem todo». Mas o problema é outro. Existe um sistema com outros objectivos. Um sistema que, apesar de acelerar irresponsavelmente os ritmos da produção, apesar de implementar métodos na indústria e na agricultura que sacrificam a Mãe Terra na ara da «produtividade», continua a negar a milhares de milhões de irmãos os mais elementares direitos económicos, sociais e culturais. Este sistema atenta contra o projecto de Jesus. Contra a boa notícia que trouxe Jesus.
A justa distribuição dos frutos da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral. Para os cristãos, o encargo é ainda mais forte: é um mandamento. Trata-se de devolver aos pobres e às pessoas o que lhes pertence. O destino universal dos bens não é um adorno retórico da doutrina social da Igreja. É uma realidade anterior à propriedade privada. A propriedade, sobretudo quando afecta os recursos naturais, deve estar sempre em função das necessidades das pessoas. E estas necessidades não se limitam ao consumo. Não basta deixar cair algumas gotas, quando os pobres agitam este copo que, por si só, nunca derrama. Os planos de assistência que acodem a certas emergências deveriam ser pensados apenas como respostas transitórias. Nunca poderão substituir a verdadeira inclusão: a inclusão que dá o trabalho digno, livre, criativo, participativo e solidário. Neste caminho, os movimentos populares têm um papel essencial, não apenas exigindo e reclamando, mas fundamentalmente criando. Vós sois poetas sociais: criadores de trabalho, construtores de casas, produtores de alimentos, sobretudo para os descartados pelo mercado global. Conheci de perto várias experiências, onde os trabalhadores, unidos em cooperativas e outras formas de organização comunitária, conseguiram criar trabalho onde só havia sobras da economia idólatra. As empresas recuperadas, as feiras francas e as cooperativas de catadores de papelão são exemplos desta economia popular que surge da exclusão e que pouco a pouco, com esforço e paciência, adopta formas solidárias que a dignificam. Quão diferente é isto do facto de os descartados pelo mercado formal serem explorados como escravos!
Os governos que assumem como própria a tarefa de colocar a economia ao serviço das pessoas devem promover o fortalecimento, melhoria, coordenação e expansão destas formas de economia popular e produção comunitária. Isto implica melhorar os processos de trabalho, prover de adequadas infra-estruturas e garantir plenos direitos aos trabalhadores deste sector alternativo. Quando Estado e organizações sociais assumem, juntos, a missão dos “3 T”, activam-se os princípios de solidariedade e subsidiariedade que permitem construir o bem comum numa democracia plena e participativa.
3.2 A segunda tarefa é unir os nossos povos no caminho da paz e da justiça.
Os povos do mundo querem ser artífices do seu próprio destino. Querem caminhar em paz para a justiça. Não querem tutelas nem interferências, onde o mais forte subordina o mais fraco. Querem que a sua cultura, o seu idioma, os seus processos sociais e tradições religiosas sejam respeitados. Nenhum poder efectivamente constituído tem direito de privar os países pobres do pleno exercício da sua soberania e, quando o fazem, vemos novas formas de colonialismo que afectam seriamente as possibilidades de paz e justiça, porque «a paz funda-se não só no respeito pelos direitos do homem, mas também no respeito pelo direito dos povos, sobretudo o direito à independência».
Os povos da América Latina alcançaram, com um parto doloroso, a sua independência política e, desde então, viveram já quase dois séculos duma história dramática e cheia de contradições procurando conquistar uma independência plena. Nos últimos anos, depois de tantos mal-entendidos, muitos países latino-americanos viram crescer a fraternidade entre os seus povos. Os governos da região juntaram seus esforços para fazer respeitar a sua soberania, a de cada país e a da região como um todo que, de forma muito bela como faziam os nossos antepassados, chamam a «Pátria Grande». Peço-vos, irmãos e irmãs dos movimentos populares, que cuidem e façam crescer esta unidade. É necessário manter a unidade contra toda a tentativa de divisão, para que a região cresça em paz e justiça.
Apesar destes avanços, ainda subsistem factores que atentam contra este desenvolvimento humano equitativo e coarctam a soberania dos países da «Pátria Grande» e doutras latitudes do Planeta. O novo colonialismo assume variadas fisionomias. Às vezes, é o poder anónimo do ídolo dinheiro: corporações, credores, alguns tratados denominados «de livre comércio» e a imposição de medidas de «austeridade» que sempre apertam o cinto dos trabalhadores e dos pobres. Os bispos latino-americanos denunciam-no muito claramente, no documento de Aparecida, quando afirmam que «as instituições financeiras e as empresas transnacionais se fortalecem ao ponto de subordinar as economias locais, sobretudo debilitando os Estados, que aparecem cada vez mais impotentes para levar adiante projetos de desenvolvimento a serviço de suas populações». Noutras ocasiões, sob o nobre disfarce da luta contra a corrupção, o narcotráfico ou o terrorismo – graves males dos nossos tempos que requerem uma acção internacional coordenada – vemos que se impõem aos Estados medidas que pouco têm a ver com a resolução de tais problemáticas e muitas vezes tornam as coisas piores.
Da mesma forma, a concentração monopolista dos meios de comunicação social que pretende impor padrões alienantes de consumo e certa uniformidade cultural é outra das formas que adopta o novo colonialismo. É o colonialismo ideológico. Como dizem os bispos da África, muitas vezes pretende-se converter os países pobres em «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigante». Temos de reconhecer que nenhum dos graves problemas da humanidade pode ser resolvido sem a interacção dos Estados e dos povos a nível internacional. Qualquer acto de envergadura realizado numa parte do Planeta repercute-se no todo em termos económicos, ecológicos, sociais e culturais. Até o crime e a violência se globalizaram. Por isso, nenhum governo pode actuar à margem duma responsabilidade comum. Se queremos realmente uma mudança positiva, temos de assumir humildemente a nossa interdependência. Ou seja, nossa sadia independência. Mas interacção não é sinónimo de imposição, não é subordinação de uns em função dos interesses dos outros. O colonialismo, novo e velho, que reduz os países pobres a meros fornecedores de matérias-primas e mão de obra barata, gera violência, miséria, emigrações forçadas e todos os males que vêm juntos... precisamente porque, ao pôr a periferia em função do centro, nega-lhes o direito a um desenvolvimento integral. E isso, irmãos, desigualdade, e a desigualdade gera violência que nenhum recurso policial, militar ou dos serviços secretos será capaz de deter. Digamos NÃO às velhas e novas formas de colonialismo. Digamos SIM ao encontro entre povos e culturas. Bem-aventurados os que trabalham pela paz. Aqui quero deter-me num tema importante. É que alguém poderá, com direito, dizer: «Quando o Papa fala de colonialismo, esquece-se de certas acções da Igreja». Com pesar, vo-lo digo: Cometeram-se muitos e graves pecados contra os povos nativos da América, em nome de Deus. Reconheceram-no os meus antecessores, afirmou-o o CELAM e quero reafirmá-lo eu também. Como São João Paulo II, peço que a Igreja «se ajoelhe diante de Deus e implore o perdão para os pecados passados e presentes dos seus filhos». E eu quero dizer-vos, quero ser muito claro, como foi São João Paulo II: Peço humildemente perdão, não só para as ofensas da própria Igreja, mas também para os crimes contra os povos nativos durante a chamada conquista da América. E junto com esse pedido de perdão, e para ser justos, também quero que recordemos sacerdotes, bispos, que se oporam fortemente à lógica da espada com a força da cruz. Houve pecado, houve pecado e abunda, mas não pedimos perdão, e por isso pedimos perdão. Mas ali também onde houve pecado, onde houve abundante pecado, sobrebundou a graça, através desses homens que defenderam a justiça dos povos originários.
Peço-vos também a todos, crentes e não crentes, que se recordem de tantos bispos, sacerdotes e leigos que pregaram e pregam e continuam pregando a boa nova de Jesus com coragem e mansidão, respeito e em paz; disse bispos, sacerdotes e leigos, não quero esquecer-me das freirinhas que anonimamente andam pelos nossos bairros pobres, levando uma mensagem de paz e de justiça, que, na sua passagem por esta vida, deixaram impressionantes obras de promoção humana e de amor, pondo-se muitas vezes ao lado dos povos indígenas ou acompanhando os próprios movimentos populares mesmo até ao martírio. A Igreja, os seus filhos e filhas, fazem parte da identidade dos povos na América Latina. Identidade que alguns poderes, tanto aqui como noutros países, se empenham por apagar, talvez porque a nossa fé é revolucionária, porque a nossa fé desafia a tirania do ídolo dinheiro. Hoje vemos, com horror, como no Médio Oriente e noutros lugares do mundo se persegue, tortura, assassina a muitos irmãos nossos pela sua fé em Jesus. Isto também devemos denunciá-lo: dentro desta terceira guerra mundial em parcelas que vivemos, há uma espécie de genocídio em curso que deve cessar. Aos irmãos e irmãs do movimento indígena latino-americano, deixem-me expressar a minha mais profunda estima e felicitá-los por procurarem a conjugação dos seus povos e culturas segundo uma forma de convivência, a que eu chamo poliédrica, onde as partes conservam a sua identidade construindo, juntas, uma pluralidade que não atenta contra a unidade, mas fortalece-a. A sua procura desta interculturalidade que conjuga a reafirmação dos direitos dos povos nativos com o respeito à integridade territorial dos Estados enriquece-nos e fortalece-nos a todos.
3.3 A terceira tarefa, e talvez a mais importante que devemos assumir hoje, é defender a Mãe Terra. A casa comum de todos nós está a ser saqueada, devastada, vexada impunemente. A covardia em defendê-la é um pecado grave. Vemos, com crescente decepção, sucederem-se uma após outra cimeiras internacionais sem qualquer resultado importante. Existe um claro, definitivo e inadiável imperativo ético de actuar que não está a ser cumprido. Não se pode permitir que certos interesses – que são globais, mas não universais – se imponham, submetendo Estados e organismos internacionais, e continuem a destruir a criação. Os povos e os seus movimentos são chamados a clamar, mobilizar-se, exigir – pacífica mas tenazmente – a adopção urgente de medidas apropriadas. Peço-vos, em nome de Deus, que defendais a Mãe Terra. Sobre este assunto, expressei-me devidamente na carta encíclica Laudato si’.
4. Para concluir, quero dizer-lhes novamente: O futuro da humanidade não está unicamente nas mãos dos grandes dirigentes, das grandes potências e das elites. Está fundamentalmente nas mãos dos povos; na sua capacidade de se organizarem e também nas suas mãos que regem, com humildade e convicção, este processo de mudança. Estou convosco. Digamos juntos do fundo do coração: nenhuma família sem tecto, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhum povo sem soberania, nenhuma pessoa sem dignidade, nenhuma criança sem infância, nenhum jovem sem possibilidades, nenhum idoso sem uma veneranda velhice. Continuai com a vossa luta e, por favor, cuidai bem da Mãe Terra. Rezo por vós, rezo convosco e quero pedir a nosso Pai Deus que vos acompanhe e abençoe, que vos cumule do seu amor e defenda no caminho concedendo-vos, em abundância, aquela força que nos mantém de pé: esta força é a esperança, e uma coisa importante, a esperança que não decepciona. Obrigado! E peço-vos, por favor, que rezeis por mim. E se algum de vocês não pode rezar, eu o respeito, peço que pense bem de mim, que me mande me mande um ok.