segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ali Agca: "Não me arrependo de ter atirado no Papa. Por trás do atentado havia um plano divino

Em uma entrevista exclusiva à ANSA, o autor do atentado de João Paulo II fala sobre aquele 13 de maio de 1981, quando quis matar o Papa e todas as mentiras ligadas ao evento, inclusive a aparição de Emanuela Orlandi que diz é uma prisioneira no Vatica
Por Salvatore Cernuzio
27 de Abril de 2014 (Zenit.org) - Narra, relembra, cita o Evangelho, revela segredos, mas especialmente delira Ali Agca, o autor do atentado de Wojtyla, na entrevista exclusiva concedida em dias passados à ANSA. “João Paulo II merece ser definido a melhor pessoa do século”, mas o único santo é Deus. “Eu o queria definitivamente matar”, a sua sobrevivência é um milagre. Não me arrependo do atentado. Emanuela Orlandi é prisioneira do Vaticano, o Papa deve libertá-la. São algumas das passagens  da conversa com o homem que aterrorizou o mundo quando, no dia 13 de maio de 1981, disparou na Praça de São Pedro três tiros ao Pontífice polonês ferindo-o gravemente.
Um gesto que não causa nele nenhum tipo de remorso porque – diz – “estava decidido pelo sistema divino”. “Eu queria definitivamente matar o Papa e queria morrer na Praça de São Pedro por suicídio ou linchamento”, afirma na entrevista. Forte pela sua experiência de atirador, tinha certeza de ter se saído bem no projeto; precisamente por isso Alí se convenceu ao longo dos anos “com provas pessoais indiscutíveis” que naquela manhã de maio “Deus realizou um milagre na Praça de São Pedro". "Tudo o que aconteceu - diz ele - foi planejado e atuado pelo sistema divino”. E acrescenta: "Nossa Senhora de Fátima foi uma simples mensageira que não sabia o significado último do milagre e da mensagem de Fátima".
Quando lhe perguntaram sobre o que sente ao ver a pessoa que ele quis matar sendo elevada aos altares, Agca menospreza: “o mundo tem que saber que só existe um santo: este é Deus único eterno onipotente criador e dominador do Universo incalculável. Deificar um ser humano ou uma outra criatura é um pecado sem perdão contra Deus invisível”. “Se definimos a santidade humana como um modelo humano melhor a ser proposto e apresentar à humanidade – acrescenta – então João Paulo II merece ser definido a melhor pessoa do século. Também João XXIII era uma pessoa ótima que merece amor e respeito”. Porém - diz Ali - "não devemos confundir amor humano com adoração divina. Os profetas, os papas e os assim chamados santos cristãos e muçulmanos, todos são mortos inconscientes que serão ressuscitados por Jesus Cristo no Juízo Universal, portanto, a ideia da intercessão é uma ilusão que deve ser abandonada totalmente”.
O autor do atentado recorda o encontro com Wojtyla na prisão de Rebibbia, onde o Santo lhe concedeu o seu perdão. Um momento que lembra “como um dos atos mais belos e mais importantes da minha vida”. “Como disse o mesmo Papa, aquele encontro histórico era um milagre decidido por Deus. Fiquei impressionado pela sinceridade e honestidade do papa polonês. Ele era um homem que tinha um amor sincero desinteressado", diz ele.
E sugere de “propor o Papa polonês à humanidade inteira como um irmão a ser imitado na sua imensa bondade, honestidade e sinceridade”. Apesar de que "santidade é uma prerrogativa exclusiva e indiscutível de Deus único unido eternamente. Quando se fala da santidade deste ou daquele profeta – reafirma Agca - eu o rejeito e condeno categoricamente. Por isso, o fanatismo islâmico me excomungou no mundo".
Na pergunta seguinte, Alí Agca confirma que tinha recebido a ordem de matar o Papa Wojtyla do ayatollah Khomeini um ano antes no Irã, como já escrito no seu livro “Tinham me prometido o paraíso”. Além das ordens recebidas, no entanto, o seu atentado – afirma – “foi um milagre decidido pelo sistema divino”. O resto não tem importância. E o ayatollah Khomeini “é um louco primitivo que foi para o inferno que não merece nem sequer ser citado aqui”. A verdadeira preocupação hoje deveria ser “como salvar o mundo do terrorismo diabólico das organizações mafiosas como Al Qaeda, Boko Haram, Hezbollah e semelhantes com um plano Marshall científico cultural de desnazificação do mundo islâmico".
Além do mais - Ali afirma Ali em um delírio político religioso – o Vaticano deveria "beatificar" Karl Marx "como o mais importante apóstolo de Jesus Cristo”, o “verdadeiro profeta da humanidade inteira”. E juntamente com o presidente Obama e Putin, o parlamento europeu e “homens excelentes como Bill Gates, doador de 60 bilhões de dólares aos pobres”, a Santa Sé deveria unir-se para proclamar “uma nova religião mundial: o cristianismo perfeito do monoteísmo absoluto”, juntamente com “uma nova ordem mundial: o socialismo científico dentro do estado de direito laico democrático”.
Questionado sobre os lados ainda obscuros que envolvem o fato do atentado a Wojtyla, Alí confirma que “nada ficou humanamente em segredo sobre o meu atentado ao Papa”. Ataca depois a imprensa internacional que – diz – “foi condicionada e utilizada muitas vezes pelos serviços secretos e outros poderes incapazes de transpor o abismo que existe entre o progresso material e o colapso espiritual moral do mundo". "Não sabendo como construir uma nova civilização mundial da Liberdade - Igualdade - Fraternidade", a imprensa se preocupou “das mentiras primitivas de milhares de conspirações inexistentes”.
Por trás do seu atentado a João Paulo II e o mistério de Nossa Senhora de Fática, existe um “verdadeiro sentido religioso”, afirma o homem que apontou a pistola ao Pontífice. E não é certo o que escreve L’Osservatore Romano no dia 15 de maio de 1981: “O atentado ao Papa não foi realizado por este pobre jovem Ali Agca, mas dos demônios materializados nas mãos deste jovem”.
Uma "grande revelação", esta, que, segundo o autor do atentado, “não corresponde à verdade”: “Eu, Ali Agca, tenho a certeza absoluta de que foi o Deus- o sistema divino que me levou para a Praça de São Pedro e não Satanás e os seus demônios como muitos acreditam no Vaticano”. Entre outras coisas, disse ele, também é necessário distinguir a "diferença incalculável " entre " um milagre divino", como, de fato, foi o seu atentado ao Papa e “um crime psicopático injustificável como o assassinato de Aldo Moro".
Neste sentido, Agca não se arrependeu de seu ato, mas sim diz que está “muito feliz de ter estado no centro de um plano divino”; embora isso tenha lhe custado "30 anos de inferno em confinamento solitário". Anos nos quais descobriu “o verdadeiro Deus santíssimo invisível” e “abandonou definitivamente o fanatismo islâmico”, para abraçar “o cristianismo perfeito do monoteísmo absoluto”.
Terminando de falar sobre o atentado as últimas palavras da entrevista são para falar da desaparição de Emanuela Orlandi. Segundo Agca, “alguns serviços secretos ocidentais sabem perfeitamente que Emanuela Orlandi se encontra atualmente nas mãos do governo vaticano”. Corresponde agora ao Para Francisco “ordenar ao governo vaticano para libertar imediatamente Emanuela Orlandi, hospeda provavelmente em algum convento de clausura”, porque “libertando Emanuela Orlandi – conclui – o Vaticano terá se libertado da prisão de uma pequena mentira inútil”.

sábado, 26 de abril de 2014

Entardecer





Tenho a sensação
de dever
cumprido
e uma ânsia
desconhecida.

Há um caminho
trilhado
para cá
para  lá
ora esgueirando-se
ora retilíneo.

Não há mais tempo
para projetos 
longos
por isso
corro
a jovialidade
da velhice.

Cheio de descobertas
enfado-me
em explicar
e explicar.

Os etéreos
 permaneçam
onde estão
se estão
se permanecem...

Produzo
perdões 
incontáveis
pelos males
infindos
que agora
perdem
significância.

Aquieto
a ideologia
a crença
a paixão
diante 
das grandes
batalhas
sempre
por se ganhar,
eternas.

Deixo para Deus,
conclusão óbvia,
os destinos
que vejo 
perderem-se
nos abismos
do poder.

E guardo,
como guardo,
esta graça
gratuita
que me é deixada
de usufruir
em paz
este momento
solene.



O Dia Online

'Morte do coronel Malhães

 foi queima de arquivo', 

diz filha de Rubens Paiva

Ossada de deputado morto desapareceu 

após operação comandada por militar 

assassinado em Nova Iguaçu

JULIANA DAL PIVA E VANIA CUNHA
Rio - Para Vera Paiva, filha do deputado Rubens Paiva, morto pela
ditadura e cuja ossada desapareceu após operação comandada pelo
 coronel reformado Paulo Malhães em 1973, o assassinato do militar
 foi “queima de arquivo”. “Isso mostra que a ditadura ainda não acabou”,
declarou ela, que acredita que a morte do coronel pode ter sido uma
 intimidação aos que ainda têm informações sobre a morte de seu pai.
Vera, que é professora de Psicologia da USP, leu no DIA o detalhamento
 das ações de Malhães até o sumiço do corpo do pai e ficou
impressionada com a “desumanidade” do militar. “Meu pai era
 um pacifista e depôs voluntariamente quando foi preso. O coronel
usou requintes de maldade, desrespeitou a dignidade humana”,
disse Vera. Ela acredita que os envolvidos no assassinato do coronel
 tenham ligação com as torturas relatados à Comissão da Verdade.
 “Quem o matou não quer que a memória e a verdade venham à tona”.


Ex-coronel Paulo Malhães, que em março confessou ter sumido com o
corpo do Rubens Paiva na época da ditadura, foi morto em casa
Foto:  José Pedro Monteiro / Agência O Dia

Arquivo morto
O militar que confessou participar de torturas e mortes de presos
 políticos durante a ditadura, inclusive do deputado federal Rubens
 Paiva, foi assassinado na quinta-feira em seu sítio, em Nova Iguaçu,
na Baixada Fluminense. Ex-agente do Centro de Informações do Exército,
 o coronel reformado Paulo Malhães depôs na Comissão Nacional da
Verdade (CNV) no dia 25 de março, após, em entrevista exclusiva ao DIA ,
 confessar que foi um dos comandantes da missão que sumiu, em 1973,
 com a ossada do ex-deputado.
A polícia não descarta nenhuma hipótese para o crime, inclusive a de
vingança por causa dos depoimentos. A pedido do ministro da Justiça,
José Eduardo Cardozo, a Polícia Federal vai entrar nas investigações.
O corpo do coronel, de 77 anos, foi encontrado no quarto do casal pela
 viúva, Cristina Batista, 36, por volta das 22h. Segundo a polícia, Malhães
 aparentava ter sido asfixiado, já que estava deitado no chão, de bruços
 e com o rosto num travesseiro.
>>> GALERIA: Ex-coronel Paulo Malhães é assassinado em casa

A viúva disse que chamou a Polícia Militar, mas a Delegacia de Homicídios
 da Baixada Fluminense (DHBF) só foi informada às 9h30 de ontem. O casal
 e um caseiro foram rendidos por volta das 14h por três homens com pistolas
 e uma arma longa. Eles arrombaram uma janela e a porta da casa e ficaram
 no imóvel sem tocar em nada até a chegada do casal. 

Apesar de o assassinato ter sido na noite de quinta-feira, o corpo só foi retirado
 do local ontem de manhã
Foto:  Ivan Teixeira / Hora H / Agência O Dia

Malhães e a mulher foram levados para a casa e colocados em cômodos
 separados. O caseiro, que saiu quando ouviu a chegada dos patrões,
também foi rendido. As vítimas ficaram oito horas em poder dos bandidos.
Um dos criminosos usava capuz e os outros, não. Uma testemunha foi
chamada para tentar fazer retrato falado dos invasores. 
Apesar de Cristina e o caseiro terem sido ameaçados, não foram agredidos.
 Eles foram amarrados, obrigados a ficar de cabeça baixa boa parte do tempo
 e ainda tiveram que procurar objetos de valor para os bandidos.
Segundo o delegado Fábio Salvadoretti, as duas testemunhas contaram que
 ouviam os criminosos pedindo dinheiro e joias. Eles reviraram a casa e
 levaram dois computadores, duas impressoras, joias, R$ 700, além de
duas pistolas e uma carabina calibre 12 da coleção particular do coronel.
O delegado disse que, pelos pertences levados, uma das linhas de investigação 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Barbárie: religiosa denuncia crucificação de cristãos na Síria

Grupos extremistas exigem que cristãos apostatem e se convertam ao islã para evitar a morte
Por Redacao
MADRI, 22 de Abril de 2014 (Zenit.org) - Combatentes muçulmanos na Síria estão exigindo que os cristãos se convertam ao islã. Caso se neguem, são ameaçados de crucificação, como Jesus. Alguns cristãos se recusaram e já foram crucificados pelos islamistas radicais. A denúncia foi feita nesta Sexta-Feira Santa pela irmã Raghida.
A religiosa síria dirigia a escola do patriarcado greco-católico de Damasco e hoje vive na França. Ela relatou à Radio Vaticano que, “tanto nas cidades quanto nos povoados ocupados por extremistas armados, os cristãos são obrigados a se converter ao islã ou a morrer. Algumas vezes, eles pedem também um resgate para libertá-los”.
“Alguns deles sofrem o martírio de uma forma extremamente desumana, com uma terrível violência que não tem nem nome. Em Maalula foram crucificados dois jovens cristãos. Um deles foi crucificado diante do pai dele. Em Abra, uma cidade industrial da província de Damasco, houve casos semelhantes”.
Depois dos crimes, militantes chegaram a cortar as cabeças dos cristãos assassinados e jogar futebol com elas. Mulheres grávidas tiveram seus bebês arrancados do ventre e enforcados em árvores com os próprios cordões umbilicais, declarou ainda a irmã Raghida.
Maalula, na periferia de Damasco, foi cenário de duros combates entre o exército e os rebeldes durante meses, até que as forças leais a Assad recuperassem o controle. Com 5.000 habitantes, o povoado ainda fala e reza em aramaico, a língua de Jesus Cristo, transmitida de pais para filhos. Hoje, a cidade é símbolo do martírio dos cristãos na Síria.

Raúl Castro declara feriado na Sexta-Feira Santa: milhares de cubanos poderão participar da via-crúcis nas ruas históricas de Havana

Cuba: televisão estatal transmitirá pela primeira vez a Paixão de Cristo
Por Ivan de Vargas
MADRI, 15 de Abril de 2014 (Zenit.org) - A televisão estatal cubana transmitirá nesta quarta-feira, pela primeira vez, a encenação da Paixão de Cristo, representada nesta segunda-feira na catedral de Havana. Nos últimos anos, o executivo da ilha tem permitido que, ocasionalmente, a Igreja tenha acesso aos meios de comunicação governamentais.
Raúl Castro também declarou feriado nesta Sexta-Feira Santa.
Depois da visita de Bento XVI à ilha, em março de 2012, o presidente fez o mesmo “em caráter excepcional”. Agora, a Assembleia Nacional do Poder Popular aprovou a Lei 116, que estabelece que a Sexta-Feira Santa passa a ser dia de recesso laboral todos os anos.
A lei entrará em vigor em 1º de junho, mas o Ministério do Trabalho e da Segurança Social emitiu a Resolução 13, de 2014, que determina: “Na sexta-feira 18 de abril de 2014 interrompem-se as atividades laborais, com exceção das relacionadas com a safra açucareira e com outros trabalhos agropecuários urgentes, indústrias de processo de produção contínua, trabalhos urgentes de carga e descarga, serviços de transporte e sua segurança técnica indispensável, serviços hospitalares e assistenciais, farmácias e postos de gasolina, funerárias, jardins vinculados com estas e cemitérios, serviços de hospedagem, comunicações, transmissões de rádio e televisão, centros de recreação e atrações turísticas, distribuição de leite e demais serviços públicos básicos, e atividades de pesca e outras autorizadas pela lei”.
Graças a esta medida, milhares de cubanos poderão participar, na noite da Sexta-Feira Santa, das tradicionais procissões da Semana Santa na ilha, entre elas a via-crúcis pelas ruas da “Habana Vieja”, encabeçada pelo cardeal Jaime Ortega. Estas manifestações religiosas fora das igrejas foram autorizadas em 1998 pelo governo do então presidente Fidel Castro, após a visita de João Paulo II a Cuba.

A moderna semana santa expulsa Jesus da história humana (III): a cruz virou refresco e teatro sem compromisso






Querida amiga Ester


Sou-te muito agradecido pela gentileza com que guiaste meus passos aí no contato com todas as pessoas e grupos. Percebi teu sofrimento como jovem mãe a criar sozinha teu bebezinho. Teu trabalho te rende um salário mínimo enquanto tua babá recebe R$300,00. Espero que consigas breve a creche pública, que é de excelente qualidade, segundo me informaram.


Na semana passada o mundo viveu a chamada semana santa, que cada vez mais as novas gerações denominam de feriadão, sem a menor reflexão sobre seu significado. Nós cristãos continuamos a viver os reflexos da páscoa até o pentecostes. Portanto, falar sobre os acontecimentos da semana santa é parte da agenda pascal. 


Os eventos em torno da crucificação de Jesus se relacionam com todo o contexto já referido pelas cartas anteriores que escrevi me referindo à falsificação da eucarisitia e o empobrecimento do lava pés, que virou teatrinho de emocionar beatas, sem qualquer relação com o que Jesus de fato viveu, segundo os evangelhos canônicos. 


Os pregadores e as pregadoras, agora também em grande número, os cantores e cantoras que dominam o dito mercado sacro adoram falar e cantar a cruz e o sangue derramado de Jesus. Parece que a crucificação é bom marketing de vendas de produtos que a exaltam. Até ditados estilo popular criaram: “pelo sangue do cordeiro”, estilo “pelo amor de Deus”, que não significa nada, a não ser identificar crente “crentão”. 


As dramáticas pregações de pregadores/pregadoras que até ensaiam à frente de espelhos e gravam suas pregações para avaliar o impacto que causarão no público emocionado e sem critérios críticos para compreender que tudo não passa de sabonete perfumado para aliviar os crimes que o escravagismo, o feudalismo e o capitalismo impactam sobre os massacrados pela exploração, com a inegável colaboração de religiosidades que açucaram o peso do sofrimento do povo.


Começa que pregadores/as sem preparo adequado, a não ser o que recebem em forma de cursinhos de oratórias misturados com a destorcida neurolinguística, fazem uma confusão predatória com os messias aspirados pelo Velho Testamento e Jesus, o messias do Novo Testamento. Não entendem que este não tem nada a ver com aqueles. O Velho Testamento nada pensa, nada escreve ou nada sonha com Jesus. O Jesus do Novo Testamento não tem nada a ver com o servo sofredor de Isaías. Há apenas figurações literárias semelhantes e nada mais. 


Os/as pregadores/as provocam emoções chorosas nas massas, que não sabem a realidade da cruz, seu contexto e significado políticos. Encenações até brutais da crucificação impressionam, mas não se relacionam com o que acontecia na Palestina nos tempos de Jesus. Encenações, pregações e poesias cantadas são vazias do Jesus palestinense crucificado pelo império romano com a importante ajuda do templo judaico e de seus teólogos fariseus. 


É verdade que a cruz é chave importante para se interpretar e ler o Novo Testamento, como o êxodo é fundamental para entender as propostas do Velho Testamento, ensinava o saudoso teólogo ecumênico e pastor luterano Milton Schwantes. 


Porém, é necessária honestidade de interpretação, longe dessas pregações de rádio e televisão, com o objetivo de encher os templos de propriedade dos pastores, padres e bispos amantes de dízimos. 


Na velha e viciada pregação emotiva Jesus é destinado desde os tempos antigos para ser crucificado para nos salvar dos pecados, que os teólogos de várzeas definem como deslizes morais, invariavelmente sob uma ótica farisaica e moralista.  O Jesus de que falam é um ser fantasmagórico, sem consciência social, desenraizado histórica e geograficamente, totalmente manipulado por um Deus que descarrega sobre ele o ódio que tem da humanidade pecadora, que Ele mesmo criou e errou ao projetá-la. Ao triturá-lo sobre a cruz como um bode indefeso esse Deus dos pregadores desvia todas as culpas da humanidade para cima dele. Resultado: o sangue desse Jesus manipulado e fantástico vira moeda de troca que os coitados pecadores convertidos devem resgatar, onerados com pesados dízimos e chantageados a frequentar igrejas de domingo a domingo, como se fosse pagamento, via de regra sob comando de religiosos extremamente autoritários, alienados ou comprometidos com a direita mais esquizofrênica possível, sem nenhum toque com a realidade histórica e social dos tais convertidos e “libertos” pelo sangue santo do Jesus que pregam, num autêntico sadismo emocional. 


Essa gente de igreja não admite nada que não sejam as suas “verdades”. Caso alguém comece a perceber a máquina armada e o uso da figura de Jesus para manipular o povo em favor dos seus negócios, é perseguida e expulsa sem defesa. 


Na verdade, o Jesus dos evangelhos foi abandonado e sua cruz virou refresco e teatro mal ensaiado para enganar as massas exploradas. Tudo o que os/as pregadores/as dizem sobre a cruz é para cegar as pessoas e torná-las presas fáceis dos exploradores, que as preferem dóceis e acríticas. Antes de construírem um templo grande a primeira coisa que constroem é uma cruz para impressionar. Tanto que nas colonizações que vitimaram indígenas e os povos originários das terras, que de direito eram deles, os missionários usaram a cruz para humilhar os legítimos proprietários e até para matar muitos deles que resistiram. 


O Jesus dos/as pregadores/as enfrentou a cruz sem reagir por ser escolha eterna do seu Deus vingativo, principalmente com os pobres e massacrados pela exploração. 


Na verdade, Jesus foi vítima do império romano. Este costumeiramente crucificava sediciosos que contra ele se rebelavam e que lideravam o povo para resistir suas invasões e truculências. Jesus foi perseguido o tempo inteiro pelo império romano, desde seu nascimento. Cruz é exatamente isso: conflito de interesses entre o poderio romano e a fragilidade palestina invadida e pisada. 


Jesus foi crucificado porque optou pelos explorados. As tentações que sofreu eram a angústia entre escolher submeter-se ao império ou servir o povo humilhado e amedrontado pelas patas dos cavalos de guerra dos poderosos. 


Jesus sofreu ao não conseguir escapar da cruz imposta pela aliança do império carniceiro com a religião que traiu a autêntica aliança libertadora do povo. Na famosa angústia no Jardim do Getsêmani  seu sofrimento subiu a níveis insuportáveis de stress ao ponto de suar sangue, tal era o medo e a insegurança que sofreu em face da iminente tortura do julgamento espúrio, na calada ilegal da madrugada e despojado de quaisquer provas a caminho da cruz dos insurgentes, provas que não importam para os inimigos do povo e seus amados líderes.  


É falsa a pregação de que a cruz de Jesus salva. Os colaboradores e narcotizantes da exploração não dizem que o que salva é a luta libertária a que Jesus se entregou, mesmo a custa da liberdade e da própria vida. 


A cruz na qual Jesus foi pregado ao lado de outros heróis do momento é consequência de sua opção por Madalena, pelos leprosos abandonados, pelas prostitutas exploradas pelos sacerdotes e religiosos, pelos famintos que saciou,  pelas crianças mortas por quaisquer  razões, como descreve o mito de Herodes que matou os meninos com menos de 2 anos à caça da criança Jesus de Belém. O império romano, com o auxílio de setores religiosos, impôs a cruz sobre Jesus e o pregou nela porque o caminhante da Palestina divergiu dos rumos seguidos pelos capachos religiosos que se curvaram traiçoeiramente à ganância do invasor assassino, que arrancava impostos pesados do povo sem fôlego para viver.


A cruz de Jesus não aconteceu por dogma ou para enfeitar com seu sangue o egoísmo de convertidos a um fantasma acomodado, acomodador e alienante. Não, a cruz de Jesus era uma espécie da cadeira elétrica construída pelos opressores para eliminar o projeto de libertação dos humildes. 


É isso que tem que se pregar. Mas isso não dá dinheiro. Essa cruz real e política perturba e deixa o Jesus dos evangelhos muito comprometido com o povo e distante do moralismo que penaliza os que já se sentem culpados pela pobreza e carência de vida digna e justa. 


Em tempos da campanha eleitoral os pregadores da cruz refresco, instrumento de alienação, correm desesperadamente ao encontro dos candidatos que lhes dão mais vantagens em dinheiro, notadamente os de direita. 


Portanto, a cruz refresco e teatral nada tem a ver com o Jesus dos evangelhos. Ela é puro palco onde os religiosos pregadores prontamente entregariam o Jesus palestino à crucificação, naqueles tempos aos romanos, hoje aos Estados Unidos, a quem veneram e para onde viajam, inclusive usando a Bíblia como carteira para transportar dólares. 


Não creio nenhum pouquinho nesses e nessas pregadores/as. São adúlteros/as da consciência e criminosos como os soldados romanos, sempre prontos a chicotear, a cuspir e coroar com espinhos o Cristo do povo.


Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.

Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Vaticano denuncia intensas perseguições contra os cristãos no mundo atual

Durante missa organizada pela comunidade de Santo Egídio, o secretário de Estado recorda a situação dramática dos cristãos perseguidos
Por Sergio Mora
ROMA, 16 de Abril de 2014 (Zenit.org) - Ainda hoje, “em diversos contextos, há muitíssimos irmãos e irmãs nossos que são objeto de ódio anticristão”, declarou ontem à tarde o secretário de Estado vaticano, cardeal Pietro Parolín, durante a missa celebrada na basílica de Santa Maria in Trastevere, organizada pela Comunidade de Santo Egídio. Parolín recordou os novos mártires do nosso tempo.
A comunidade de Santo Egídio já tinha recordado este ano, com uma oração ecumênica da qual participaram representantes das Igrejas e das comunidades cristãs de diversas confissões, as perseguições que acontecem em diversos países, "nos quais o testemunho desarmado e não violento dos cristãos é visto como um escândalo diante da violência, da corrupção e do terror. São lugares em que matam as pessoas porque elas vão à missa, em que igrejas e escolas cristãs são queimadas, em que ameaçam, intimidam e assassinam quem educa os jovens e os tira das quadrilhas de bandidos".
Parolín recordou que as testemunhas da fé no século XXI são pessoas como nós, que têm os nossos mesmos medos e fraquezas e que, mesmo assim, parecem “heróis distantes dos nossos limites e das nossas contradições”.
O cardeal citou uma famosa homilia do papa Francisco que, no ano passado, declarou: “No século XXI, a nossa Igreja é uma Igreja de mártires”. O secretário de Estado vaticano acrescentou que, “em diversos contextos, muitíssimos irmãos e irmãs nossos são objeto de ódio anticristão. Não são perseguidos por terem algum poder mundano ou político, econômico ou militar, mas porque são testemunhas tenazes de outra visão da vida, feita de serviço, de liberdade, baseada na fé”. A geografia das perseguições envolve países como a Nigéria, o Paquistão, a Indonésia, o Iraque, o Quênia, a Tanzânia e a República Centro-Africana.
E não são apenas os católicos que suportam o peso da coerência vivida em nome de Jesus, mas também os ortodoxos, evangélicos e anglicanos. O cardeal citou João Paulo II para recordar que “as testemunhas da fé não levam em conta o próprio bem-estar, a própria sobrevivência, mas os valores maiores da fidelidade ao Evangelho”.
Parolín agradeceu aos perseguidos por perseverarem naqueles lugares perigosos “apesar das ameaças e intimidações”, a fim de “dar testemunho, em todo lugar, do nome do Senhor Jesus, verdadeira origem da globalização do amor”.
Missas e atos similares aconteceram nas cidades italianas de Milão, Nápoles, Gênova e Turim, além de países como a Argentina, a Alemanha, a Bélgica, a Espanha e a Holanda.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Cardeal Parolin: perseguições por demais contra cristãos no mundo




Cidade do Vaticano (RV) - Ainda hoje "em vários contextos muitos nossos irmãos e irmãs permanecem objeto de um ódio anticristão". O Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin recordou nossos mártires na missa organizada pela Comunidade de Santo Egidio, celebrada na tarde desta terça-feira, em Roma.

São pessoas como nós, com os mesmos medos e fraquezas, no entanto, parecem "heróis distantes dos nossos limites e das nossas contradições". São os cristãos que vivem em países onde declarar-se cristão se dá colocando em risco a própria vida.

O Cardeal Parolin citou uma famosa homilia do Papa Francisco celebrada na Casa Santa Marta, um ano atrás, na qual disse que também "no Séc. XXI a nossa Igreja é uma Igreja de mártires".

"Em vários contextos – repetiu o purpurado – muitos nossos irmãos e irmãs permanecem objeto de um ódio anticristão. Não são perseguidos porque lhe é contestado um poder mundano, político, econômico ou militar, mas propriamente porque – disse – são testemunhas tenazes de outra visão da vida, feita de serviço, de liberdade, a partir da fé."

A geografia das perseguições é vasta: Nigéria, Paquistão, Indonésia, Iraque, Quênia, Tanzânia, República Centro-Africana. E não são somente os católicos, mas também ortodoxos, evangélicos e anglicanos a suportar o peso da coerência por amor a Jesus.

"As testemunhas da fé – disse uma vez João Paulo II – não consideraram" o "próprio bem-estar, a própria sobrevivência como valores maiores do que a fidelidade ao Evangelho." Agradeçamos a elas – concluiu Dom Parolin – pelo fato de permanecerem "apesar das ameaças e das intimidações" para "mostrar em todos os lugares o nome do Senhor Jesus, verdadeira origem da globalização do amor". (RL)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/04/15/cardeal_parolin:_persegui%C3%A7%C3%B5es_por_demais_contra_crist%C3%A3os_no_mundo/bra-791208
do site da Rádio Vaticano 

Em quatro horas foram vendidos 126 mil ingressos para a Copa - Portal Vermelho

Em quatro horas foram vendidos 126 mil ingressos para a Copa - Portal Vermelho

Mensagem especial de Páscoa

Paixão de Cristo será transmitida pela TV

Raúl Castro declara feriado na Sexta-Feira Santa: milhares de cubanos poderão participar da via-crúcis nas ruas históricas de Havana
Por Ivan de Vargas
15 de Abril de 2014 (Zenit.org) - A televisão estatal cubana transmitirá nesta quarta-feira, pela primeira vez, a encenação da Paixão de Cristo, representada nesta segunda-feira na catedral de Havana. Nos últimos anos, o executivo da ilha tem permitido que, ocasionalmente, a Igreja tenha acesso aos meios de comunicação governamentais.
Raúl Castro também declarou feriado nesta Sexta-Feira Santa.
Depois da visita de Bento XVI à ilha, em março de 2012, o presidente fez o mesmo “em caráter excepcional”. Agora, a Assembleia Nacional do Poder Popular aprovou a Lei 116, que estabelece que a Sexta-Feira Santa passa a ser dia de recesso laboral todos os anos.
A lei entrará em vigor em 1º de junho, mas o Ministério do Trabalho e da Segurança Social emitiu a Resolução 13, de 2014, que determina: “Na sexta-feira 18 de abril de 2014 interrompem-se as atividades laborais, com exceção das relacionadas com a safra açucareira e com outros trabalhos agropecuários urgentes, indústrias de processo de produção contínua, trabalhos urgentes de carga e descarga, serviços de transporte e sua segurança técnica indispensável, serviços hospitalares e assistenciais, farmácias e postos de gasolina, funerárias, jardins vinculados com estas e cemitérios, serviços de hospedagem, comunicações, transmissões de rádio e televisão, centros de recreação e atrações turísticas, distribuição de leite e demais serviços públicos básicos, e atividades de pesca e outras autorizadas pela lei”.
Graças a esta medida, milhares de cubanos poderão participar, na noite da Sexta-Feira Santa, das tradicionais procissões da Semana Santa na ilha, entre elas a via-crúcis pelas ruas da “Habana Vieja”, encabeçada pelo cardeal Jaime Ortega. Estas manifestações religiosas fora das igrejas foram autorizadas em 1998 pelo governo do então presidente Fidel Castro, após a visita de João Paulo II a Cuba.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Inadaptações tecnológicas

Um mundo que descarta os não nativos digitais
Por Jorge Henrique Mújica
14 de Abril de 2014 (Zenit.org) - A falta de adaptação à tecnologia, ao consumismo e à comida MA, “fast food” é uma nova justificativa para se pedir a eutanásia na Suíça, um país de “primeiro mundo”. A vítima do último assassinato legalizado tem nome e tem história: inglesa de nacionalidade, queniana de nascimento, Anne era aposentada como professora de arte e fez seu apelo para morrer alegando a inadaptação recém-descrita. O pedido foi aceito e a senhora de 89 anos e sem filhos foi legalmente assassinada.
A professora tinha declarado em várias ocasiões que “as coisas não eram mais como antes”. Em entrevista concedida dias antes de morrer (The Sunday Times, “It’s adapt or die — she couldn’t adapt”, 06/04/2014), Anne manifestou seu horror a uma sociedade em que “tantas pessoas passam a vida sentadas na frente de um computador ou de uma televisão” e acrescentou: “Nunca tive uma televisão. Só tive um rádio. As pessoas estão cada vez mais afastadas. Estamos virando robôs. Isto é falta de humanidade”.
O caso está se transformando em bandeira para todos os grupos que promovem o assassinato “voluntário” de qualquer pessoa e por qualquer pretexto (a professora Anne, por exemplo, não tinha nenhuma doença grave que “justificasse” a aplicação da eutanásia com base nos “argumentos tradicionais”). E foi novamente a célebre “clínica” suíça Dignitas que fez valer o princípio de que “qualquer motivo é válido para matar”.
Mas existe algo mais importante a levarmos em conta: até que ponto as tecnologias estão nos tornando menos humanos?
É verdade que agora a internet nos aproxima dos distantes, mas não é menos verdade que, em muitos casos, ela nos distancia dos próximos. E por próximos não devemos entender apenas o núcleo familiar, mas também as pessoas com quem entramos em contato todos os dias.
Um estudo da Pew Research Forum (“Two Dramas in Slow Motion”, 11/04/2014) mostra o novo rosto da sociedade norte-americana e seus desafios especiais devidos à defasagem de idade na população: em 2060, a pirâmide populacional dos EUA será parecida com um retângulo. A quantidade de maiores de 85 anos no país será igual à de menores de 5: ou seja, natalidade muito baixa e vidas mais longevas. Em consequência, haverá mais tensão política e econômica, já que faltarão adultos em idade de trabalho para financiar tantos aposentados.
Voltando ao campo da tecnologia, o estudo mostra que os jovens de hoje são a primeira geração de nativos digitais: o mundo online é o seu hábitat natural e as tecnologias são indispensáveis para eles, não só para a interação social e para o acesso à informação, mas também para a aceitação social.
Num encontro com jovens belgas no dia 31 de março, o papa Francisco falou sobre a cultura do descarte:
“Entramos na cultura do descarte: o que não serve para a globalização é descartado. Os idosos, as crianças, os jovens. Mas isso descarta o futuro de um povo, porque nas crianças, nos jovens nos idosos está o futuro de um povo. Nas crianças e jovens porque eles levarão em frente a história. Nos idosos porque são eles que transmitem a história de um povo. Se eles são descartados, temos um grupo de gente sem força, por falta de juventude e de memória. E isto é gravíssimo!”.
São chamativas as classificações dos grupos humanos com base no uso ou não das tecnologias: os de 18 a 33 anos são os “millennial”; os de 34 a 49 anos, a “geração X”; os de 50 a 68 anos, os “boomers”. E, surpresa: os de 69 a 86 anos são os “silent” (silenciosos).
Há formas de impor silêncios tecnológicos e descartar as pessoas que, por diversas razões, não conseguem desenvolver habilidades nesse campo.
O desenlace da história de Anne tem a ver com esse tipo de descarte.

sábado, 12 de abril de 2014

Encontro entre o Papa Francisco e Frei Betto e a "reabilitação" de Giordano Bruno

Padre Lombardi: "Foi apenas uma saudação no final da audiência, o Papa não entrou no mérito de Bruno
Por Salvatore Cernuzio
11 de Abril de 2014 (Zenit.org) - Foi uma competição entre os meios de comunicação ao redor do mundo a audiência privada do Papa Francisco com o teólogo da libertação Frei Betto. De acordo com rumores, Betto teria pedido ao Papa a "reabilitação" de Giordano Bruno, condenado à fogueira pela Inquisição em 1600 por suas posições consideradas incompatíveis com a fé católica.
Mas, como muitas vezes acontece, o ‘furo’ se revelou uma bola de sabão. É verdade que o Papa se encontrou com Frei Betto, mas apenas no momento da saudação no final da audiência geral de quarta-feira, como acontece com outros fiéis. Não houve audiência privada, muito menos, discussão sobre Giordano Bruno e sua hipotética reabilitação.
A confirmação é do L' Osservatore Romano, que publicou hoje uma nota curta e concisa que diz: "Ao contrário do publicado ontem, 10 de abril, por alguns meios de comunicação, não houve audiência em Santa Marta do Papa Francisco com Frei Betto mas, como de costume, no final da audiência de quarta-feira com os fiéis, apenas um breve encontro no adro da Praça de São Pedro, durante o qual o Pontífice se limitou a escutá-lo e saudá-lo.”
Padre Federico Lombardi esclareceu: "O Papa não recebeu Frei Betto em Santa Marta, não foi um colóquio articulado”,  mas apenas "uma saudação de passagem, como parte do chamado ‘beija-mão’ ao final da audiência”.  Papa Francisco- disse o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano – “parou por um momento, ouviu e terminou, como costuma fazer, convidando a rezar”. Claro, Lombardi reiterou, "não tinha a intenção de entrar no mérito de Giordano Bruno”. Portanto, o breve encontro "não deve ser transformado em algo que não é".
Para levantar a poeira, o teólogo dominicano disse, em várias entrevistas, que pediu ao Papa a “reabilitação de Giordano Bruno e Meister Eckhart, dois dominicanos como eu...". Conforme referido por Betto, o Papa teria respondido com um sorriso e com as palavras: "Reze por isso". Sentença revista e apresentada como uma intenção do Papa em satisfazer o desejo do dominicano.
Frei Betto, que está na Europa para apresentar o seu livro "Um homem chamado Jesus", disse também que havia pedido ao Papa que, “como pai amoroso, dialogue sempre com a Teologia da Libertação, que é uma filha fiel à Igreja”. Mas parece que não houve nenhuma resposta de Francisco a este pedido.
(Trad.:MEM)

PT prometerá ao empresariado ajuste mais suave do que PSDB

11-04-2014, 17h30

Discurso governista prevê mudar política econômica de forma gradual

Para tentar segurar o apoio do grande empresariado na campanha eleitoral, o PT prometerá um ajuste econômico no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff mais suave do que numa eventual administração do tucano Aécio Neves.
O recado ao empresariado nacional será o seguinte: com Dilma, os ganhos dos grandes grupos econômicos seriam menos afetados.
De acordo com o discurso petista, numa gestão tucana, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) não teria mais poder de fogo para fazer empréstimos. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal também reduziriam seus financiamentos ao setor privado.
Na área fiscal, haveria diminuição das compras governamentais para aumentar o superávit primário (toda a economia do setor público para o pagamento de sua dívida). Diante das críticas do PSDB ao Mercosul, as empresas que exportam para a Argentina poderiam sofrer com a desidratação do bloco comercial.
Os juros seriam mais altos. Aconteceria repasse rápido da defasagem dos preços da energia e dos combustíveis, o que beneficiaria os acionistas, mas geraria alta maior ainda da inflação. Haveria impacto sobre a renda e o emprego, esfriando a economia.
O objetivo principal desse discurso do governo será atingir Aécio, que disse recentemente em encontro com empresários que não temeria adotar medidas impopulares. Mas também serviria, em menor grau, para combater a candidatura presidencial do ex-governador Eduardo Campos (PSB).
Em resumo, a mensagem do PT ao empresariado nacional será: Dilma sabe que precisará realizar ajustes na política econômica, mas o fará de forma mais gradual do que Aécio e Campos.
Blog do Kennedy

sexta-feira, 11 de abril de 2014

PMs e moradores da 'Favela da Telerj' entram em confronto

Clima é tenso no local que foi invadido por cerca de 5 mil pessoas no final de março

O DIA
Rio - A Polícia Militar começou no início da manhã desta sexta-feira a
reintegração de posse da "Favela da Telerj", terreno que pertence a Oi,
 no Engenho Novo, Zona Norte do Rio. O terreno de 50 mil m² foi
 invadido por cerca de 5 mil pessoas no final do mês passado. No
 entanto, a desocupação que começou de forma pacífica, começou a
ficar tensa, com confronto entre PMs e moradores, que chegaram a
colocar fogo no imóvel.
Cerca de 1.600 homens da PM participam da operação. Os invasores
 que ainda resistem à desocupação puseram fogo dentro do terreno e
 há muita fumaça negra saindo do prédio. Os policiais estão atirando
bombas de efeito moral e tiros com balas de borracha para afastar os
 manifestantes que insistem em não deixar a área. Uma equipe do
Corpo de Bombeiros do Quartel do Méier está nas proximidades,
mas ainda não chegou a entrar no prédio, por medida de segurança.

Viatura da PM é incendiada durante desocupação
Foto:  Osvaldo Praddo / Agência O Dia

A todo momento, os manifestantes atiram pedras e coquetéis
molotov contra os militares. Para tentar controlar a situação, a
PM cercou todo o entorno da Rua 2 de Maio, e todos estão a
uma distância de mais de mil metros do ponto de desocupação.
 No terreno, há famílias formadas por marido e mulher e até oito
 filhos. Há muitas crianças e idosos em cadeiras de rodas que
 tiveram de ser retirados às pressas devido à grande quantidade
 de fumaça que sai da parte alta do prédio. Uma mulher grávida,
prestes a dar à luz, e uma senhora foram levadas para a Unidade
 de Pronto-Atendimento (UPA) da Rua Souza Barros.
Bancos são saqueados
Na Rua Lino Teixeira, no Jacaré, agências do Itaú e Caixa foram
 saqueadas e quebradas por manifestantes. Com chegada do
Batalhão de Choque, eles saíram do local com computadores,
materiais eletrônicos dos bancos para favelas próximas.
Há barricadas de fogo na rua e confronto a todo instante.
Dois caminhões também foram incendiados, mas na Avenida
Dom Hélder Câmara, perto da Cidade da Polícia. Por conta disso,
a via está interditada nos dois sentidos, antes do acesso para
 o Viaduto de Benfica.

Micro-ônibus da Comlurb é depredado por moradores da "Favela da Telerj"
Foto:  Osvaldo Praddo / Agência O Dia

A PM conta também com dois helicópteros para dar apoio à ação
 da tropa. As ruas 2 de Maio, Souza Barros e Baronesa do Engenho
 Novo estão interditadas ao tráfego. O local conhecido como Buraco
 do Padre, também no Engenho Novo, foi fechado ao tráfego. Os
motoristas devem evitar a região. Há reflexos no trânsito, até bem
 distante do local, porque os motoristas são obrigados a desviar
para chegar ao centro da cidade. A Rua Ana Néri, no Jacaré, e a
Avenida Marechal Rondon, uma das principais ligações em direção
 ao centro, estão com o tráfego completamente congestionado.

Como o local é cercado pelas favelas do Rato Molhado e do Jacaré,
 onde há unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o policiamento
 foi reforçado na região. Um policial militar foi ferido na cabeça
por uma pedrada.
    Tags: PM , Engenho Novo , Favela