segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Vou recolher-me em silêncio.


Vou recolher-me
em silêncio.

Silenciar-me.
Calar o dia
as notícias
as expectativas
as revoltas.

Não dizer nada,
tudo já foi dito.

Não pensar nada,
buscar não pensar.

Não ouvir nada
exterior
carros, rádios, tvs.

Observar
o esvoaçar
de idéias
de toda sorte
desesperadas
por sumir,
até que sumam.

Deixar a atenção
desperta
coração
mente
epiderme

Identificar
a presença
do Espírito Santo

Distrair-me
nos sussurros
divinos
que exigem
escuta interior
distração 
e consciência
simultâneas.

Experimentar
identificar
o que vem de Deus
o que vem de mim
o que vem do inimigo.

Fazer a escolha
Despertar outro,
renovado.

de João Paulo Naves Fernandes.
(hoje para vocês)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Que venha a Paz!


Tão desaprendida
órfã...
muitas vezes usada

como escudo de guerra.
Venha sobre 
os aprendizes da vida
os maus,
os violentos.

Há momentos
de descobertas
onde a paz
é exaltada,
como contraponto
episódica
 esporádica.

Venha por sobre
as ideologias e crenças
como uma criança inocente
nos coração dos velhos
desesperançados.

Venha desafiando
os líderes
os duros
com a suavidade
dos colibris
a mansidão
das mães.

Venha com a brisa matutina
cumprimentando os rostos,
suavemente
ensinando ao coração
o ritmo dos batimentos.

Quanto maior a violência
e a guerra
tanto mais se levanta
o sonho da Paz!

Ela que não se aprende
por exclusão
mas por
simples atos
frágeis
e sem
importância.

(Presente para você hoje)

sábado, 22 de agosto de 2015

Diálogo de surdos


Ainda há sonho?
ou ocorrem 
pequenas realizações?

Percursos possíveis
sensoriais
epidérmicos.

Mais um redescobrir
o adormecido,
que descortinar
o inusitado.

Ele está 
bem real
palpável,
existencial
perceptivo.

Há o descanso
de uma guerra, 
o abrigar-se
das sequências
cotidianas,
o esquivar-se
do lado oficial
proclamado
e emoldurado,
que serve
de referência
a quem precisar
de uma postura.

Porque
simples
e natural
é a vida.

Porque
o ser 
clama
a integridade
destruída
nesta volúpia
capitalista.

Agora, dormir
será um fim.
Um fim 
de domingo.

Aos amigos, este presentinho de final de domingo
João Paulo Naves Fernandes

Colômbia: Papa propõe um observador da Santa Sé nas negociações de paz


A aceitação desta pessoa deve ter o consentimento de ambas as partes, Governo colombiano e FARC
Por Redação
Roma, 21 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)
O Arcebispo de Tunja e presidente da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC), Dom Luis Augusto Castro Quiroga, disse que o Papa Francisco propôs a presença de um observador da Santa Sé nas negociações de paz que estão ocorrendo em Havana. “Alguém para acompanhar” o processo, explicou.
"Esta é a forma em que o Papa Francisco pode apoiar o processo de paz na Colômbia", disse Dom Castro Quiroga à rádio local, reiterando que "a aceitação desta pessoa deve ter o consentimento de ambas as partes, Governo colombiano e FARC".
Os diálogos na capital cubana, em andamento desde 19 de novembro de 2012, abordam há quase 14 meses, a questão das vítimas, incluindo os princípios de verdade, justiça, reparação e garantias de não repetição. Para ajudar nesse ponto o Governo convocou uma comissão de especialistas como consultores.
Esse grupo, anunciado em 27 de julho pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, é composto pelos juristas Manuel José Cepeda e Juan Carlos Henao, e pelo norte-americano Doug Casssel.
Esta comissão trabalha em paralelo com a discussão sobre as vítimas, simultaneamente com a subcomissão técnica para o fim do conflito, em que se discute a desmobilização e a entrega das armas pela guerrilha colombiana.
O processo de paz avançou nas últimas semanas pela decisão das partes de reduzir a intensidade do conflito e acelerar as negociações. Nesse sentido, o Governo anunciou na semana passada a nomeação do diplomata francês Jean Arnault, como representante das Nações Unidas na subcomissão sobre o fim do conflito.
A nomeação responde aos pedidos do Governo da Colômbia e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) à ONU, para incorporar um delegado a esta subcomissão técnica, que tem como objetivo iniciar o debate sobre o sistema de acompanhamento e verificação. Também estará presente um delegado do Uruguai, em nome da União das Nações Sul-Americanas (UNASUR).   

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

UNE define bandeiras de luta e convoca todos às ruas no dia 20 - Portal Vermelho

UNE define bandeiras de luta e convoca todos às ruas no dia 20 - Portal Vermelho

Lula entra com ação na Justiça contra mentiras do jornal O Globo - Portal Vermelho

Lula entra com ação na Justiça contra mentiras do jornal O Globo - Portal Vermelho

Síria: Estado Islâmico decapita renomado arqueólogo em Palmira


Khaled Asaad, 82 anos, participou da campanha para que a cidade síria fosse incluída na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO
Por Redação
Roma, 19 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)
O auto proclamado Estado Islâmico (EI) decapitou na terça-feira Khaled Asaad, 82 anos, um dos principais arqueólogos da histórica cidade de Palmira, na Síria.
Asaad foi chefe de antiguidades de Palmira durante 50 anos. Ele foi preso em julho e durante esse tempo sofreu vários interrogatórios. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) relata que ontem Asaad foi decapitado com uma faca em uma praça pública.
“Imaginem só que um especialista destes, que deu um serviço tão memorável ao local e à História tenha sido decapitado, e que o seu corpo ainda está pendurado numa das colunas antigas do centro da cidade”, lamentou Abdulkarim Ma'mun, chefe de antiguidades da Síria, a quem a família informou sobre o acontecimento.
Asaad trabalhou com numerosas delegações internacionais que se aventuraram a escavar em Palmira e participou da campanha para que a cidade síria fosse incluída na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO.
O Estado Islâmico tomou Palmira em maio, após retirada das tropas governamentais sob intensa ofensiva dos jihadistas.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Cuba: Delegação da Igreja se reúne com as FARC

O processo de paz na Colômbia foi o principal foco da reunião
Por Redação
Roma, 18 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)
Os negociadores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que participam das negociações de paz com o governo de Juan Manuel Santos, reuniram-se em Havana com representantes da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC).
"Hoje, falamos do processo de paz com a Conferência Episcopal em Havana", escreveu na segunda-feira o chefe negociador do grupo rebelde, Ivan Marquez, codinome de Luciano Marin Arango, em sua conta no Twitter.
O presidente da CEC, Dom Luis Augusto Castro Quiroga, padre Dario Echeverri e Dom Nel Beltrán, participaram do encontro, segundo disse nas redes sociais o chefe negociador das Farc.
"Estamos otimistas. Estamos avançando cessar-fogo bilateral e na justiça. A Igreja renovou o seu compromisso com a paz na Colômbia", escreveu Ivan Marquez em outro tweet.
Por sua parte, Dom Castro Quiroga disse que eles conversaram sobre “como fazer com que o desejo do Papa Francisco, de ajudar a estabelecer paz na Colômbia, pode se concretizar de maneira prática; por exemplo, através de um delegado ou de outra forma".
"Nós vimos as várias responsabilidades. Isto não são decisões, porque as decisões não pertencem nem as FARC nem a nós, mas ao Papa e ao Vaticano", acrescentou.
A delegação da CEC esteve reunida por cerca de duas horas com os delegados do grupo rebelde nas negociações de paz em curso em Havana desde novembro de 2012 com o objetivo de pôr fim ao conflito armado no país sul-americano.
Este encontro com representantes da Igreja ocorreu a menos de um mês da visita do Papa Francisco a Cuba, de 19 a 22 setembro, durante a qual a equipe de negociação das Farc manifestou o desejo de encontrar-se com o Pontífice.

Tim Maia - Azul da Cor do Mar - Ao Vivo

Presidenta da UNE avalia as manifestações em entrevista - Portal Vermelho

Presidenta da UNE avalia as manifestações em entrevista - Portal Vermelho

Relampejo da Consciência




Tenho momentos de arrependimento...
Quantos erros, Senhor!
Incontáveis,
numérica e moralmente.
Uns comuns, rotineiros
outros obscenos
(tenho muitas escuridões),
uma parte inconsciente,
outra perversa.
Destilo-os
como o último
dos pecadores,
o pior de todos.
Deposito, portanto, totalmente
na Misericórdia Divina,
este miserável ser
enjeitado
torto
carcomido.
O restante do tempo...
volto à superioridade
dos mediocres.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Aécio Neves protesta contra a corrupção estacionando carro em local proibido


O senador tucano foi flagrado estacionando em uma vaga para deficientes físicos na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte (MG), pouco antes da manifestação contra o governo


Aécio Neves protesta contra a corrupção estacionando carro em local proibido

Por: Agência PT, em 17 de agosto de 2015 às 20:27:49
Do Portal Fórum - O senador Aécio Neves (PSDB) compareceu
 neste domingo (16) à manifestação de Belo Horizonte (MG),
que tinha como uma das principais bandeiras o fim da corrupção.
 Para chegar até a Praça da Liberdade, local onde ocorreu a
concentração do protesto, o ex-candidato à presidência da
República utilizou um carro da rádio Arco Íris – empresa que
pertence a sua família -, e não deu lá o melhor exemplo pela
causa, como figura pública que é. Ele estacionou seu Toyota
 Hilux em uma vaga exclusiva para deficientes físicos.
Não é a primeira vez que Aécio infringe as leis de trânsito.
Em 2012, ganhou repercussão o episódio em que o senador
foi parado pela polícia por dirigir sem carteira de habilitação.
Na ocasião, constatou-se que o veículo que ele conduzia
também pertencia à rádio de sua família. A rede Minas
Sem Censura, então, entrou com uma representação no
 Ministério Público e passou a investigar as verbas repassadas
 à empresa ao longo dos governos tucanos no estado.
Na lista de patrimônios da companhia, consta o veículo que
Neves utilizou neste domingo (placa HHH 0211). Ao todo,
 a rádio possui 12 carros registrados no DETRAN/MG, sendo
 seis deles considerados veículos de luxo. Na representação,
configura-se a tese de que houve ocultação de patrimônio
 e que os carros de luxo são utilizados para a “satisfação pessoal”
dos sócios e familiares da empresa, invalidando a necessidade
do repasse das altas verbas governamentais que ocorreram
ao longo do governo Aécio. “Não aceitamos tanta impunidade,
 tanta mentira, tanta corrupção”, disse o senador no protesto
pouco depois de parar o carro em local proibido.
Da Redação do Portal Fórum

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Renan não considera impeachment de Dilma como prioritário

Presidente do Senado disse ainda que recondução de Rodrigo Janot para a chefia da Procuradoria-Geral da República deve ser analisada com celeridade pela Casa

iG Minas Gerais | Folhapress 
Renan diz que impeachment de Dilma não é prioritário para Senado
Senado / Divulgação
Renan diz que impeachment de Dilma não é prioritário para Senado
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) disse nesta segunda-feira que não trata como pauta prioritária um eventual pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
"As pessoas perguntam sobre impedimento, perguntam sobre apreciação de contas dos governos anteriores e deste governo. E tenho dito que isso não é prioridade. Na medida em que o Congresso tornar isso prioritário, nós estaremos pondo fogo no Brasil. Não é isso que a sociedade quer de nós", afirmou Renan.
Na última quinta-feira (6), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou contas de parte dos mandatos de Itamar Franco (1992-1994), de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).
As contas foram colocadas em pauta pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A ação foi vista como uma "limpeza" do caminho para a avaliação das contas da presidente Dilma relativas a 2014.
A rejeição das contas de Dilma pelo Tribunal de Contas da União é um dos cenários que podem desencadear um processo de impeachment.
Janot
O presidente do Senado afirmou que a recondução de Rodrigo Janot para a chefia da Procuradoria-Geral da República deve ser analisada com celeridade pela Casa.
"Como já dissemos, tão logo chegue no Senado a indicação, mandaríamos para CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Conversarei com líderes para apreciarmos no mesmo dia que o indicado for sabatinado na CCJ", disse.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Papa no Angelus: "Se você tem o coração fechado, a fé não entra"


Texto completo. Francisco recorda o trágico evento ocorrido em Hiroshima e Nagasaki, que ainda hoje "suscita horror e repulsão”
Por Redação
Cidade do Vaticano, 09 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)
Apresentamos as palavras do Santo Padre Francisco, pronunciadas antes de rezar a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro neste domingo, 09 de agosto.
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Neste domingo continuamos com a leitura do sexto capítulo do Evangelho de João, onde Jesus, depois de ter realizado o grande milagre da multiplicação dos pães, explica às pessoas o significado do "sinal" (Jo 6,41-51).
Como fez com a Samaritana, a partir da experiência da sede e do sinal da água, Jesus parte da experiência da fome e do sinal do pão, para revelar Ele mesmo e convidar a crer n`Ele.
O povo o procura, o povo o escuta, porque ficou entusiasmado com o milagre - queriam fazê-lo rei! -. Mas quando Jesus afirma que o verdadeiro pão, dado por Deus, é Ele mesmo, muitos se escandalizam, não entendem, e começam a murmurar entre si: "Eles comentavam: Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como pode então dizer que desceu do céu?" (Jo 6,42). E começam a murmurar. Então Jesus responde: "Ninguém pode vir a mim, se não o atrai o Pai que me enviou", e acrescenta: "quem crê, possui a vida eterna” (vv 44.47).
Esta palavra nos impressiona e nos faz refletir. Esta introduz na dinâmica da fé, que é uma relação: a relação entre o ser humano - todos nós - e a pessoa de Jesus, onde o Pai desempenha um papel decisivo, e, claro, o Espírito Santo - que aí está subentendido. Não basta encontrar Jesus crer n`Ele, não basta ler a Bíblia, o Evangelho - isto é importante! Mas não basta -; nem basta mesmo assistir a um milagre, como o da multiplicação dos pães. Quantas pessoas estiveram em estreito contato com Jesus e não acreditaram n`Ele, pelo contrário, o desprezaram e o condenaram. E eu me pergunto: por que isso? Não foram atraídas pelo Pai? Não, isso aconteceu porque seus corações estavam fechados à ação do Espírito de Deus. Se você tem o coração fechado, a fé não entra. Deus Pai sempre nos atrai rumo a Jesus: Somos nós a abrir ou a fechar o nosso coração. Ao invés, a fé, que é como uma semente no profundo do coração, desabrocha quando nos deixamos ‘atrair’ pelo Pai rumo a Jesus, e ‘vamos até Ele’ com ânimo aberto, com o coração aberto, sem preconceitos; então reconhecemos em seu rosto o Rosto de Deus e em suas palavras a Palavra de Deus, porque o Espírito Santo nos fez entrar na relação de amor e de vida que existe entre Jesus e Deus Pai. E aí recebemos o dom, o presente da fé.
Com esta atitude de fé, podemos compreender o sentido do "Pão da vida" que Jesus nos dá, e que Ele expressa assim: "Eu sou o pão vivo, descido do céu. Se alguém come deste pão viverá eternamente e o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo" (Jo 6,51). Em Jesus, em sua ‘carne’ – ou seja, na sua humanidade concreta – está presente todo o amor de Deus, que é o Espírito Santo. Quem se deixa atrair por esse amor caminha rumo a Jesus e vai com fé, e recebe d´Ele a vida, a vida eterna.
Aquela que viveu essa experiência de forma exemplar foi a Virgem de Nazaré, Maria: A primeira pessoa que acreditou em Deus, acolhendo a carne de Jesus. Aprendemos dela, nossa Mãe, a alegria e a gratidão pelo dom da fé. Um dom que é "privado", um dom que não é propriedade privada, mas é um dom a ser partilhado: um dom "para a vida do mundo"!
(Depois do Angelus)
Queridos irmãos e irmãs,
Setenta anos atrás, 6 e 9 de agosto de 1945, ocorreram os terríveis bombardeios atômicos a Hiroshima e Nagasaki. À distância de tanto tempo, esse trágico evento ainda suscita horror e repulsão. Ele tornou-se o símbolo do desmedido poder destrutivo do homem quando faz uso destorcido dos progressos da ciência e da técnica, e constitui uma advertência perene para a humanidade, a fim de que repudie para sempre a guerra e proíba as armas nucleares e toda arma de destruição em massa. Essa triste data nos chama, sobretudo, a rezar e a empenhar-nos pela paz, para difundir no mundo uma ética de fraternidade e um clima de serena convivência entre os povos. De todas as terras se eleve uma só voz: não à guerra, não à violência, sim ao diálogo, sim à paz! Com a guerra sempre se perde. A única maneira de vencer uma guerra é não fazê-la.
Sigo com grande preocupação as notícias que chegam de El Salvador, onde nos últimos tempos se agravaram as dificuldades da população por causa da penúria, da crise econômica, dos aguçados contrastes sociais e da crescente violência. Encorajo o querido povo salvadorenho a fim de que a justiça e a paz refloresçam na terra do Beato Oscar Romero.
Saúdo a todos, romanos e peregrinos; em particular aos jovens de Mason Vicentino, Villaraspa, Nova Milanese, Fossò, Sandon, Ferrara, e os ministros de Calcarelli.
Saúdo os motociclistas de San Zeno (Brescia), empenhados em prol das crianças internadas no Hospital Bambini Gesù.
Desejo a todos um bom domingo. E por favor, não se esqueçam de rezar por mim! Bom almoço e até logo!

Foi meu colega de classe nas Ciências Sociais da USP.

Aconteceu em
10 de agosto
  
 1974 - Dia do frei Tito 
 
Frei Tito de Alencar, cearense, 28 anos, suicida-se em Arbresele, França. Não suporta a carga do banimento e as sequelas das torturas ministradas pela equipe de Fleury na Oban-SP, 1969.
Frei Tito,
no exílio
 
 

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

PSDB não quer Impeachment para não dar o governo ao PMDB. Agora os tucanos querem "novas eleições? Como a oposição se ama.


Para eles, pressão popular pode ser capaz de levar a uma renúncia de Dilma e do vice-presidente Michel Temer

iG Minas Gerais | Folhapress 
Para eles, a pressão popular pode ser capaz de levar a uma renúncia de Dilma e do vice-presidente Michel Temer
Valter Campanato/ Agência Brasil
Para eles, a pressão popular pode ser capaz de levar a uma renúncia de Dilma e do vice-presidente Michel Temer
Diante do agravamento da crise política por que passa o governo da presidente Dilma Rousseff, parlamentares da oposição defenderam nesta quinta-feira (6) a convocação de novas eleições como uma solução para recuperar a estabilidade política e econômica do país. Para eles, a pressão popular pode ser capaz de levar a uma renúncia de Dilma e do vice-presidente Michel Temer. "O PSDB continua na defesa da soberania do voto popular, da necessidade de encontrar na nação e no nosso povo, através da legitimidade do voto, a escolha de um novo governo para que possamos tirar o país da crise", afirmou o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB). A oposição aposta em duas possíveis hipóteses que podem levar ao fim do governo Dilma. Uma delas seria a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que analisa abusos durante as eleições de 2014, e a outra seria uma forte pressão social pela renúncia da dupla. Se o primeiro caso se confirmar, o tribunal teria que convocar novas eleições em três meses. Entre os que apostam nesta saída, pelo TSE, está a ala do PSDB ligada ao senador Aécio Neves (MG), que acredita que ele poderia vencer o novo pleito graças ao recall do ano passado. O mineiro também seria beneficiado em caso de renúncia. Em entrevista convocada para anunciar a estratégia, Cunha Lima rejeitou a tese de que novas eleições poderiam representar um golpe justamente porque a escolha do novo presidente teria a legitimidade das urnas. Os tucanos apostam que as manifestações marcadas para o dia 16 de agosto, quando o impeachment de Dilma será defendido nas ruas, podem ser aproveitadas para disseminar a tese. O posicionamento da oposição também é uma forma de dizer "não" ao apelo feito por Temer nesta quarta-feira (5) em que pediu unidade "acima do governo e dos partidos políticos". Responsável pela articulação do governo com o Congresso, o peemedebista reconheceu o agravamento da crise política e disse que o país precisa de "alguém [que] tenha a capacidade de reunificar a todos". "Concordamos com Michel Temer [vice-presidente da República] sobre a necessidade de encontrar alguém capaz de unir o país para sair da crise e ao mesmo tempo também tenho o convencimento da necessidade de que isso só se constrói através de eleições diretas, onde a sociedade, pelo voto soberano de cada brasileiro, garantirá a legitimidade que é indispensável para que possamos unificar o país em torno de um projeto de salvação nacional", afirmou Cunha Lima. "A declaração de Temer, que é um constitucionalista, é o atestado de óbito desse governo. É determinante agora convocar novas eleições. Estamos em uma democracia e esse alguém ao qual ele se referiu não pode sair de conchavos de cúpulas político-partidárias ungido como salvador da pátria. Temer sabe bem que a única forma de reunificar é pelas urnas, ou não haverá credibilidade para nos tirar dessa crise", defendeu o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO). Para ele, Dilma e Temer terão "espírito público" diante de uma situação de "total instabilidade, inquietabilidade e insegurança" para convocar novas eleições". Questionado sobre como a oposição poderia defender novas eleições diante da possibilidade de não haver renúncia da cúpula do governo, Caiado afirmou que a pressão popular pode convencer o Planalto. "Como cirurgião que sou, muitas vezes o paciente, quando você dá o diagnóstico, resiste. Daí em alguns dias ele vai e cede. No momento em que tivermos um 16 de agosto, mais uma sucessão de problemas que estamos vendo que são cada vez maiores, sucessão de desemprego e inflação desenfreada, eu diria para você que essa tese defendida não vai prevalecer [de permanência de Dilma e Temer no poder]", disse o democrata.

PT muda resolução oficial do partido e chama militância para 'luta'


Presidente nacional do PT, Rui Falcão

A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores definiu, durante reunião nesta terça-feira (4), em Brasília, a nova resolução política da legenda. No documento, o PT convoca uma “Jornada em Defesa da Democracia, dos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras e das Conquistas do Nosso Povo”.

Por Redação

Para isso, o PT reforça a importância de participação na Marcha das Margaridas, de 11 e 12 de agosto, no Ato Nacional pela Educação, no dia 14 de agosto, e no Ato Nacional dos Movimentos Sociais, do dia 20 de agosto.

“O PT exorta todos os seus militantes a construírem uma trincheira de luta pela democracia, pelos direitos dos trabalhadores/as, pelos direitos humanos, em defesa da Petrobras e do povo brasileiro. Que ninguém se cale! Levantemo-nos juntos!”, diz o texto.

Na resolução, o PT volta a criticar a escalada conservadora da oposição, da mídia monopolizada e de agentes públicos. Para a legenda, os atos têm o objetivo de enfraquecer o governo da presidenta Dilma Rousseff, criminalizar o PT e atingir a popularidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O clima de intolerância e ódio que vem sendo acirrado pelas forças conservadoras derrotadas pelas últimas eleições afronta a tradição do povo brasileiro e agrava os problemas que o país vem superando”, afirma o PT, na resolução.

Além disso, a legenda volta a repudiar o ataque ao Instituto Lula, na última quinta-feira (30).

“Causa indignação a conivência silenciosa de certos meios de comunicação e partidos, que se dizem democráticos, com o atentado de caráter fascista ao Instituto Lula”, diz o documento.

Para o PT, o Plano de Proteção ao Emprego e a redução da meta do superávit primário foram medidas “positivas” do governo Dilma. A legenda também considera como relevante para continuidade da agenda positiva um encontro da presidenta com as principais lideranças dos movimentos sociais.

Veja a resolução na íntegra:

RESOLUÇÃO DA COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

Reunida em Brasília no dia 04 de agosto de 2015, a Comissão Executiva Nacional do PT analisou a conjuntura recente do País e aprovou a seguinte resolução política:

Prossegue a escalada conservadora da oposição, da mídia monopolizada e de agentes públicos, com o nítido objetivo de enfraquecer o governo Dilma, criminalizar o PT e atingir a popularidade do ex-presidente Lula. Fato mais grave na atual ofensiva foi o covarde atentado contra o escritório de trabalho do ex-presidente Lula.

A bomba lançada no dia 30 de Julho na calada da noite contra o Instituto Lula merece o repúdio de todos os democratas e exige das autoridades a identificação dos responsáveis e sua punição exemplar.

Causa indignação a conivência silenciosa de certos meios de comunicação e partidos, que se dizem democráticos, com o atentado de caráter fascista ao Instituto Lula. O clima de intolerância e ódio que vem sendo acirrado pelas forças conservadoras derrotadas pelas últimas eleições afronta a tradição do povo brasileiro e agrava os problemas que o país vem superando.

A exemplo do que ocorre em diversos países da região latino-americana e caribenha, registram-se em nosso país tentativas de anulação de conquistas populares, de destruição de lideranças populares e partidos que exercem um papel destacado nessas conquistas. Trata-se de uma clara demonstração de que grupos reacionários preferem investir contra a democracia a defender seus pontos de vista minoritários, tentando fazer retroceder a história. Ou seja, diante da crise econômica mundial avançam contra os direitos e espaços de poder duramente conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras, através de uma agenda econômica e socialmente regressiva.

No contexto atual foram positivas iniciativas recentes do governo, como o plano de proteção ao emprego e a redução da meta do superávit primário. Em continuidade à essa agenda positiva, a CEN considera relevante um encontro da presidenta Dilma no palácio de governo com as principais lideranças dos movimentos sociais.

Como reafirmado no nosso 5º. Congresso, é preciso reorientar a política econômica rumo ao crescimento sustentável, com distribuição de renda, geração de empregos e inflação sob controle. Portanto, é fundamental reverter a política de juros atualmente praticada pelo Banco Central. Além da redução da Selic, é importante baixar as taxas para o crédito consignado e para o consumo. Frente à queda da arrecadação e a necessidade de continuar financiando os programas sociais e os investimentos em infraestrutura, urge taxar as grandes fortunas, os excessivos ganhos dos rentistas e as grandes heranças.

A Comissão Executiva Nacional saúda a convocação, pelo governo da presidenta Dilma, das 16 Conferências Nacionais de Políticas Públicas, como Saúde, Assistência Social, Juventude, Mulheres, entre outras. E, reafirmando nosso compromisso histórico com a participação social, convidamos toda a militância, filiados/as, simpatizantes e dirigentes para participarem e contribuírem nas etapas locais dos processos de Conferências de Políticas Públicas.

Diante das reiteradas manobras para criminalizar o PT, queremos reafirmar nossa orientação de combate implacável à corrupção. O PT é favorável a apuração de quaisquer crimes envolvendo apropriação privada de recursos públicos e eventuais malfeitos em governos, empresas públicas ou privadas, bem como a punição de corruptos e corruptores. Mas não admitimos que isso seja realizado fora dos marcos do Estado Democrático de Direito.

Se o princípio de presunção de inocência é violado, se o espetáculo jurídico-político-midiático se sobrepõe à necessária produção de provas para inculpar previamente réus e indiciados; se, para alguns indiciados, delações premiadas são consideradas provas cabais sem direito à defesa e ao contraditório e para outros são arquivadas; se as prisões preventivas sem fundamento são feitas e prolongadas para constranger psicologicamente e induzir denúncias, tudo isso que se passa às vistas da cidadania, não é a corrupção que está sendo extirpada.

É um estado de exceção sendo gestado em afronta à Constituição e à democracia. Precisamos nos contrapor às ameaças de criminalizar o PT para destruí-lo. Vamos defendê-lo como um patrimônio dos trabalhadores e da democracia brasileira e como um instrumento por justiça social e pela liberdade.

Finalmente, frente às ameaças golpistas que cercam a democracia brasileira, convocamos uma Jornada em Defesa da Democracia, dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e das conquistas do nosso povo, participando e mobilizando intensamente do calendário que estamos divulgando, com ênfase na Marcha das Margaridas, de 11 e 12 de agosto, no Ato Nacional pela Educação no dia 14 de agosto e o Ato Nacional dos Movimentos Sociais do dia 20 de agosto.

O PT exorta todos os seus militantes a construírem uma trincheira de luta pela democracia, pelos direitos dos trabalhadores/as, pelos direitos humanos, em defesa da Petrobrás e do povo brasileiro. Que ninguém se cale! Levantemo-nos juntos!

Brasília, 04 de agosto de 2015

Comissão Executiva Nacional
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Confira o artigo original no Portal Metrópole: http://www.portalmetropole.com/2015/08/pt-muda-resolucao-oficial-do-partido-e.html#ixzz3i0ka4JEo

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vigilância Sanitária interdita restaurante do Palácio dos Bandeirantes



04/08/2015 
O Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo interditou por 40 dias o restaurante dos funcionários do Palácio dos Bandeirantes, após identificar "procedimentos sanitários inadequados" na preparação da comida dos servidores que trabalham na sede do governo paulista.

Segundo nota enviada pela assessoria da vigilância, que é vinculada à Secretaria Estadual de Saúde, a decisão de interromper temporariamente os trabalhos partiu de uma denúncia recebida pela Casa Civil. "A Casa Civil do Estado de São Paulo recebeu denúncia de que os procedimentos sanitários adequados não estariam sendo plenamente observados no restaurante do palácio do governo".

"A Vigilância Sanitária constatou que havia procedimentos fora dos padrões técnicos e determinou as adequações necessárias, que já estão em andamento, com prazo de conclusão de 40 dias", informou a nota enviada pela assessoria de imprensa do órgão.

Funcionários do Palácio ouvidos pela reportagem afirmaram que evitam comer no restaurante por conta da qualidade da comida. "Posso dizer que os talheres e os copos também não eram dos mais limpos. Sempre pedia para trocar, porque vinham manchados", disse uma servidora que pediu para não se identificar.

Outro lado
A empresa Santa Helena Alimentos, responsável pelo restaurante do Palácio dos Bandeirantes, afirma não ter ciência da interdição e diz não ter sido notificada pela Vigilância Sanitária.

Segundo um representante da empresa, um dos refeitórios - são dois - está fechado para reformas desde sexta-feira, em ação prevista há meses. Já o segundo funcionou nesta segunda e deve abrir na terça-feira "normalmente". O representante explicou que a empresa recebeu, nos últimos dias, apenas uma notificação com prazo de dez dias para responder, mas não soube informar se era da Vigilância Sanitária ou de outro órgão.

Fonte: R7

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A prisão de Dirceu é para aumentar o “coeficiente de PT” na Lava Jato - Portal Vermelho

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Do latifúndio ao agronegócio: a concentração de terras no Brasil

2 de agosto de 2015 - 12h08 


A concentração desequilibrada de terras está na raiz da história brasileira. O antigo latifúndio, responsável pelas extensas propriedades rurais, "se renovou e hoje gerencia um moderno sistema chamado agronegócio", constata Inácio Werner, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail.


Retirantes, obra de Cândido Portinari.Retirantes, obra de Cândido Portinari.
A concentração desequilibrada de terras está na raiz da história brasileira. O antigo latifúndio, responsável pelas extensas propriedades rurais, "se renovou e hoje gerencia um moderno sistema chamado agronegócio", constata Inácio Werner, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail. Segundo ele, apenas no Mato Grosso, um dos principais polos do agronegócio no país, a má distribuição da terra é evidente e tem se tornado uma das principais causas de conflitos sociais. No total, "3,35% dos estabelecimentos, todos acima de 2.500 hectares, detém 61,57% das terras. Na outra ponta, 68,55% dos estabelecimentos, todos até 100 hectares, somente ficam com 5,53% das terras".

Nos últimos 10 anos, 114 pessoas foram ameaçadas e seis foram assassinadas por combater o monopólio do campo. Na avaliação do sociólogo, o Estado não dispõe de uma política pública eficiente de proteção às vítimas porque é "forçado a tomar posição e enfrentar aliados".

Inácio José Werner é graduado em Ciências Sociais pelas Faculdades Integradas Cândido Rondon – Unirondon e especialista em Movimentos Sociais, Organizações Populares e Democracia Participativa pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Foi Agente de Pastoral da Paróquia do Rosário e São Benedito, e posteriormente da Comissão Pastoral da Terra – CPT. Atualmente, é coordenador do projeto Rede de intervenção social do Centro Burnier Fé e Justiça, com sede em Cuiabá. Atua na luta pela erradicação do trabalho escravo, coordena o Fórum de Erradicação do Trabalho Escravo e participa da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo – Coetrae e do Conselho Gestor do Fundo de Erradicação do Trabalho Escravo – Cegefete. Integra ainda a coordenação do Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento.

Confira os principais trechos da entrevista:

Qual a atual situação agrária do estado de Mato Grosso?
O latifúndio se renovou e hoje gerencia um moderno sistema chamado agronegócio, que controla as terras e a produção. Dados do último censo agropecuário de 2006 indicam que 3,35% dos estabelecimentos, todos acima de 2.500 hectares, detém 61,57% das terras. Na outra ponta, 68,55% dos estabelecimentos, todos até 100 hectares, somente ficam com 5,53% das terras.

Em que contexto social e econômico ocorrem os conflitos agrários no campo em Mato Grosso?

Inácio Werner – A concentração das terras traz um reflexo direto para a agricultura familiar. Enquanto a média nacional de apropriação é de 33,92% dos recursos, em Mato Grosso esta fatia cai para 6,86%. Em outras palavras, 93,14% do bolo fica com a agricultura empresarial.

Dom Pedro Casaldáliga, em Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social, documento que completa 40 anos no dia 9 de outubro, já denunciava o conflito estabelecido pela ganância do latifúndio, que assalta e expropria comunidades e povos que viviam por gerações em sua terras, destacando as populações tradicionais como quilombolas, retireiros e povos indígenas.

Quais são as principais razões de ameaças no campo no estado? Quantas pessoas estão sendo ameaçadas, hoje, no Mato Grosso?
A principal causa de ameaça é a resistência na terra ou a luta pela conquista de um pedaço de chão. Também temos ameaças pela denúncia de venda de lotes destinados à reforma agrária, a denúncia de trabalho escravo, desmatamento ou venda de madeira, além do uso abusivo de agrotóxicos.

Segundo o caderno Conflitos da Comissão Pastoral da Terra, em Mato Grosso, entre 2000 e 2010, 114 pessoas foram ameaçadas, algumas mais de uma vez. Uma mesma pessoa chegou a ser ameaçada seis vezes. Deve-se ressaltar que, destas 114 pessoas, seis foram assassinadas. Nos últimos três meses recebemos mais cinco denúncias de ameaças de morte por lideranças ligadas à luta do campo.

Quem são os grupos econômicos e políticos que exercem hegemonia em Mato Grosso?
O latifúndio, rearticulado através do agronegócio, perpassa e influencia a quase totalidade dos partidos políticos em Mato Grosso. Uns representam o latifúndio e outros, o agronegócio.

Quem é Blairo Maggi? Qual é a sua real força política no estado? Como construiu seu poder econômico e político? E como ele se relaciona com o movimento social?
Blairo é da linha de frente do modelo do agronegócio, alguém que passou a ser porta voz de uma classe, captando muito bem o anseio dos latifundiários que, em vez de escolherem representantes, apostaram em quem era "um" dos seus.

Blairo, através do Grupo Amaggi (André Maggi, pai de Blairo) foi construindo seu "império" através da diversificação. Não investiu somente na modernização de seu latifúndio: além de rei da soja, ele compra, transporta, tem as barcaças, investe em portos, constrói PCHs (pequenas centrais hidroelétricas).

Blairo também se modernizou na relação com o movimento social. No início de seu governo, em 2003, dizia que no Mato Grosso não existia trabalho escravo. Depois, através da pressão dos movimentos sociais, assinou o Plano Estadual de Erradicação de Trabalho Escravo. Recebeu o prêmio "motosserra de ouro", e depois deu sinais buscando evitar a derrubada da mata.

O Fórum de Direitos Humanos e da Terra – Mato Grosso propõe ao governo do estado a criação do Programa Estadual de Proteção à Testemunha. Como o governo mato-grossense recebeu essa proposta e qual sua expectativa em relação ao Programa?
O Fórum há anos insiste e faz articulação para que o governo estadual possa aderir aos programas federais de proteção. Estas tratativas de aderir esbarram em diversas desculpas, como as alegações de que não há dinheiro para a contrapartida, que isso iria requerer uma grande quantidade de policiais, que teria que haver leis para poder implantar os programas. Agora, pelo menos um primeiro passo parece ter sido dado à medida que se encontram previstos no PPA recursos para esta contrapartida.

O que dificulta, em sua opinião, a constituição de uma política pública eficiente de proteção às testemunhas

O que mais dificulta é o convencimento da importância desta política. O segundo fator é o medo de se comprometer, porque exige uma resposta do Estado. O Estado é chamado a agir sobre as causas das ameaças e, então, é forçado a tomar posição e enfrentar aliados.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra – CPT, nos últimos 25 anos, 115 pessoas foram assassinadas em função dos conflitos do campo em Mato Grosso, e apenas três casos foram julgados. Como o senhor analisa a atuação do sistema judiciário brasileiro nesses casos de violência? Por que é difícil julgar os mandantes dos crimes?
A Justiça em nosso país não condena quem tem dinheiro e influência política. Com intermináveis recursos e manobras judiciais, os processos nunca vão a julgamento. Porém, a falha não está só no setor judiciário, à medida que os inquéritos são mal elaborados, muitas vezes propositalmente, para já nesta fase facilitar a absolvição do criminoso influente. Sem dúvida, a lentidão da Justiça contribui com a impunidade e, de certa maneira, incentiva o crime.

O Centro Burnier se constitui, hoje, na principal referência do movimento social do Mato Grosso? Quais são as outras organizações com quem vocês trabalham?

Não saberia dizer se o Centro Burnier é a principal referência. O que sei é nos esforçamos para uma mudança na forma de agir, sempre atuando em rede, reforçando espaços coletivos.

O desafio é criar uma rede forte em momento de fragilização dos movimentos sociais onde a luta pela sobrevivência de cada organização está ameaçada. Trabalhamos em várias frentes de luta, em parceria com algumas instituições, como a Comissão Pastoral da Terra, o Centro Pastoral para Migrantes, o Conselho Indigenista Missionário, as Comunidades Eclesiais de Base, o Centro de Estudos Bíblicos, a Operação Amazônia Nativa, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, o Sindicato dos Profissionais da Educação, o Instituto Centro de Vida, além de setores organizados na Universidade Federal de Mato Grosso.


Fonte: IHU Online (via MST.org.br)